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Projeto de Vida: amor pela Amazônia e pelo empreendedorismo fazem jovem proteger seu território

Conheça a história de José Neto, que realiza ações que impactam a vida dos povos indígenas explorando a Dimensão Social do seu Projeto de Vida

Data de Publicação: 2021-10-21T03:00:00.000Z | Tempo de leitura: 11 minutos

Pense Grande


Foi por meio da educação que o jovem José Neto descobriu como suas ações podem trazer bem-estar e realização pessoal. E faz parte de seu Projeto de Vida ajudar na defesa da cultura e da vida em seu território.

De Capanema, no interior do Pará, descobriu sua identidade como indígena e seguiu no setor do empreendedorismo, levando seu povo em suas ações pelo mundo.

Aos 28 anos, ele é ativista digital em prol de povos indígenas e da Amazônia. Também propaga em seu Instagram as belezas do território paraense para quebrar estereótipos e lutar por todos os tipos de vida da floresta.

Assim como José Neto, muitos jovens realizam ações em prol do seu papel na sociedade, das suas relações e do bem-estar social coletivo. Tais aspectos estão relacionados à Dimensão Social do Projeto de Vida.

Com o Novo Ensino Médio, os alunos passarão a contar com o Projeto de Vida como um dos eixos para o qual as escolas devem organizar suas práticas e metodologias pedagógicas. E poderão desenvolver o autoconhecimento e seus planos para o futuro se aprofundando em três etapas: Dimensão Pessoal; Dimensão Profissional; e Dimensão Social.


A Dimensão Social é responsável pelo desenvolvimento da empatia e da ética. Também ajuda o indivíduo a pensar melhor no reflexo de suas boas ações para o futuro.


Conheça a história de José Neto e inspire-se!


A infância cheia de sonhos

José Neto não nasceu em uma aldeia indígena. Ele nasceu na cidade. Mas, como tantos indígenas e crianças de baixa renda, sabia que a educação seria a chave para conquistar seus objetivos e transformar sua realidade. Na infância, vivia inquieto com o sonho de conhecer o mundo e aprofundar seu conhecimento sobre diferentes culturas.

“Sempre quis aprender sobre coisas diferentes. Eu amava ir ao circo na minha cidade para conhecer o pessoal, saber as histórias dos lugares que eles passavam, das aventuras”, conta.

Aos 10 anos de idade, com a separação dos pais, ele passou a ajudar a mãe no cuidado dos dois irmãos mais novos e nos afazeres domésticos. E ainda estudava.

“Tive que assumir responsabilidades como irmão mais velho, porque a mamãe trabalhava o dia inteiro”, relembra.


De Capanema para o Rio de Janeiro

Na 8ª série do Ensino Fundamental, José Neto e outros alunos foram convidados a estudar em uma escola inovadora no Rio de Janeiro, para cursarem o Ensino Médio. De imediato, seu pai o proibiu de se matricular. Mas no ano seguinte, ainda sonhando em ir para aquela escola, viu que novas vagas seriam abertas.

Ele se inscreveu. Dessa vez, avisou somente à sua mãe, e foi aprovado. “Depois conversei com meu pai e ele me deixou ir. Segui para o Rio de Janeiro onde fiz os três anos do Ensino Médio. A educação que recebi na escola foi fundamental para formar meu senso crítico”.

Além da formação adquirida em sala de aula, José Neto também aprendeu com sua troca de conhecimento com seus colegas. Naquele lugar, ele se deu conta das variações linguísticas, diferenças culinárias, culturais e, principalmente, da sua identidade enquanto indígena.

“Muita gente me chamava de índio. Meu nome é José, então me chamavam de Zé Índio. Eu não via como uma ofensa. Mas era algo que eu começava a me questionar. Isso me direcionava para algo que eu tinha dentro de mim. Queria saber mais sobre povos indígenas, mas ainda não estava inserido nisso”, comenta.


Leia mais: 5 Podcast sobre projeto de vida para pensar no futuro


Do Rio de Janeiro para o mundo

Ao terminar o Ensino Médio, ele se inscreveu para o vestibular de nove universidades. Foi aprovado em sete. Escolheu cursar Engenharia de Produção, em Belém (PA). “Desde o primeiro semestre de faculdade, comecei a trabalhar em projetos de extensão que envolviam comunidades extrativista e ribeirinhas”.

Durante o curso, o aluno viu mais uma oportunidade de aprofundar seu conhecimento e conhecer o mundo. Se inscreveu no programa Ciência sem Fronteiras, que promove a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e competitividade brasileira. Isso por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. Em 2017, a iniciativa foi descontinuada.

“Fui aprovado, ganhei bolsa de estudos e morei em Chicago (EUA), por 14 meses. No Ensino Médio, tive a chance de conhecer a diversidade brasileira. Nos Estados Unidos, conheci um pouco da diversidade mundial.  A educação foi fundamental na minha vida para abrir meus horizontes. Assim como as bolsas de estudos. Com elas, pude acessar esses lugares de privilégio”, afirma.

De volta ao Brasil com o sonho de empreender

Quando voltou ao Pará, ele tinha o sonho de empreender. Mas faltavam os recursos para abrir o próprio negócio. Em visita a um amigo na aldeia Aukre, do povo Kayapo, comprou artesanatos para presentear colegas e parentes. Foi quando outras pessoas lhe perguntaram onde encontrar os produtos. Assim, José Neto teve a ideia de investir nesse ramo. “Fiz uma compra maior para arriscar e ver se as peças teriam saída”, diz.

Em um mês, o jovem empreendedor vendeu tudo. “Pensei que havia uma possibilidade de movimentar o artesanato indígena, que fica muito parado apenas nas aldeias.

A ideia era aproximar de clientes da cidade que querem apoiar o artesanato, mas não têm acesso”, descreve.

Foi assim que nasceu a Ygarapé, loja on-line que ele abriu com a ajuda de uma amiga. No catálogo há artesanato de amigos, cooperativas, associações de povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e ativistas.

Como engenheiro de Produção, José Neto também começou a prestar assessoria para uma cooperativa de catadores. “Trabalhei com inovação social. Fiquei um ano nesse projeto e depois fui trabalhar na Natura. Eu fazia a articulação de fornecimento e de relacionamento com cooperativas e associações que fornecem matéria-prima da biodiversidade, trabalhando com o comércio justo”, relembra.

Atualmente, o jovem utiliza seu conhecimento para somar junto às comunidades na missão de manter a floresta em pé e proteger a biodiversidade amazônica.



Zé Na Rede

A experiência de intercâmbio nos Estados Unidos fez José Neto perceber como as pessoas não conheciam de fato a Amazônia. Inclusive os brasileiros.

“Olhava para as redes sociais e só via posts de fotos de praias com água azul, cristalina, pessoas brancas. Eu não encontrava referências daqui. A gente tem rios de todas as cores: água vermelha, verde, barrenta, marrom, preta. Tenho o objetivo de naturalizar e levar esse contexto amazônico para o mundo. Para mostrar que nós não somos exóticos. Porque exótico é o que vem de fora. A gente é daqui”.

Por causa da sua atuação nas redes, várias empresas fecharam parceria com o empreendedor, em 2020, para expandirem esse olhar sobre as belezas e a vida natural nesses locais.


Retomada da própria identidade

O estudo foi um divisor de águas na vida de José Neto, até para retomar sua própria identidade. Nos Estados Unidos, quando questionado, apenas dizia ser brasileiro. Foi quando começou a refletir sobre quem de fato ele era.

Desde 2019, começou a pesquisar sobre a sua história e sobre autodeclaração indígena – processo que inclui critérios em que a pessoa se reconhece como indígena. Durante a pandemia, se aprofundou em cursos com outros indígenas para entender o processo de colonização.

“Comecei a quebrar vários estereótipos que eu tinha criado sobre povos indígenas. O povo da minha família e eu estamos retomando essa cultura, de forma coletiva. Nunca pode ser individual, porque povos indígenas sempre são coletivos. Nunca sou eu, sempre pensamos em nós”, enfatiza.

No ano passado, ao ler uma reportagem, ele viu uma foto de um indígena Caeté. Ao mostrar o material para o seu avô, descobriu que sua família vinha dessa etnia.

“E a partir daí, meu avô começou a contar várias histórias de quando ele era pequeno. Comecei a saber mais sobre o povo ao qual pertenço”.

Nascido no contexto de cidade, José Neto se reconhece hoje como indígena em retomada.

“Justamente por entender o privilégio que tenho de ter nascido na cidade, de ter acesso à educação e à saúde. De não ter nascido no território ou na aldeia e por ter esse momento de respeito de estar retomando a minha cultura ancestral”.

Há oito anos, ele trabalha com comunidades amazônicas e biodiversidade. Nessa trajetória, já visitou mais de 30 negócios comunitários (cooperativa e associação) na Amazônia. Diante de tantos aprendizados e descobertas, o que o José Neto quer para o seu futuro em seu Projeto de Vida é:

“Viajar para diferentes lugares no Brasil e no exterior, principalmente na América Latina. Conhecer pessoas, histórias e culturas e compartilhar elas com o mundo. No futuro, quero morar em um local próximo ao rio, dentro da floresta, e fazer com que as pessoas respeitem cada vez mais a Amazônia e os povos indígenas que estão em todo Brasil”.


Leia mais: Projeto pessoal leva ao bem-estar e traz motivação?



As três dimensões do Projeto de Vida

O Projeto de Vida é o que motiva um indivíduo a seguir em frente na busca por melhores condições de vida e na esperança de um futuro melhor. Especialistas o definem como bússola, que aponta o rumo para onde caminhar.  Pela importância que o Projeto de Vida tem para os diferentes campos da vida do indivíduo, ele passou a ser peça fundamental na escola.

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Projeto de Vida precisa ser trabalhado na escola em três dimensões para o desenvolvimento de competências: Pessoal, Profissional e Social. Todas elas se completam. Ou seja, as vivências e conhecimentos adquiridos em uma dimensão com certeza serão úteis nas outras duas. E, dessa maneira, proporcionam resultados positivos.

Saiba mais sobre o assunto nessa matéria!


 



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