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Efeitos da pandemia: estudo aponta que 49% dos jovens já pensaram em abandonar a escola

Pesquisa Juventudes e a Pandemia de Coronavírus mostra que as dificuldades com ensino remoto e situação financeira estão entre os principais motivos que afetam o interesse dos jovens pelos estudos no país

Data de Publicação: 2021-08-06T03:00:00.000Z | Tempo de leitura: 7 minutos

Pense Grande

Desde março de 2020, quando o Ministério da Saúde decretou o distanciamento social como medida para conter o avanço do coronavírus, escolas públicas e particulares fecharam as portas e mais de 5,1 milhões de crianças e adolescentes foram afetados e precisaram se adaptar ao ensino remoto.

Mais de um ano depois, a segunda edição do estudo Juventudes e a pandemia de Coronavírus (Covid-19) mostrou que o número de alunos que já pensou em desistir de estudar durante a pandemia, quando as rotinas foram alteradas para o aulas on-line, saltou de 28%, na primeira edição feita em 2020, para 43% em 2021. O índice fica maior quando é considerada a faixa etária de 18 a 24 anos, que chega a 49%. Nesse rastro de evasão, os dados também revelam que 6% dos entrevistados trancaram suas matrículas durante a pandemia.


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O estudo, feito entre março e abril deste ano e divulgado em junho, ouviu mais de 68 mil pessoas de todas as regiões do Brasil, entre 15 e 29 anos, para entender de que forma a crise sanitária impactou a relação dos jovens com os estudos.

A pesquisa foi coordenada pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve) e realizada em parceria com Em Movimento, Fundação Roberto Marinho, Mapa Educação, Porvir, Rede Conhecimento Social, Unesco e Visão Mundial. 

Os motivos para o abandono escolar

Os números da pesquisa indicam que uma parcela significativa dos estudantes pode abandonar de vez os estudos. A situação financeira (21%) e as dificuldades com o ensino remoto (14%) também aparecem como motivo de evasão.

A busca por complementação da renda para ajudar a família cresceu 55% em relação ao ano anterior. Mais da metade dos jovens procurou alguma forma de incrementar o orçamento, sendo que a maioria prestou serviços para outras pessoas ou empresas em atividades presenciais. Dessas pessoas, 44% estavam fora do mercado de trabalho neste período e, por isso, precisaram realizar bicos ou atividades sem registros.

Neste cenário, com o fim do auxílio emergencial e a diminuição da renda familiar, quatro de cada dez jovens recorreram aos trabalhos informais, sendo que, desses quatro, dois realizaram trabalhos sem carteira assinada e um abriu seu próprio negócio ou trabalhou para si mesmo. Já três em cada dez disseram estar nesta situação por causa da pandemia e 36% informaram que a renda básica é um estímulo para se manterem nas escolas.


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Em alguns casos, a participação no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, também foi afetada. Oito em cada dez jovens não fizeram a prova do ano de 2020.

Saúde mental e prevenção da Covid-19

A pesquisa apontou ainda que, quase um ano após a suspensão das aulas presenciais, os jovens continuam apresentando sentimentos como ansiedade, cansaço e insônia.

O autocuidado também foi abordado no estudo. Nessas questões, a pesquisa indicou que nove em cada dez jovens se dedicaram a alguma prática de autocuidado na pandemia, sendo a atividade física mais frequente. No entanto, sete a cada dez não foram a nenhuma consulta médica ou odontológica, e nove em dez não buscaram ajuda psicológica, o que reforça a necessidade de políticas públicas que estimulem e facilitem o acesso a estes recursos.

Já para a prevenção pelo coronavírus, sete em cada dez adolescentes declararam que não frequentaram festas, o que demonstra que a maior parcela dos jovens está preocupada com as possíveis consequências de ir a esses ambientes de aglomeração. Quando o assunto é vacinação contra Covid-19, o desejo pela imunização é elevado: 82% querem tomar a vacina quando houver disponibilidade para sua faixa de idade e 47% disseram que voltariam a estudar presencialmente se a população fosse vacinada. Para 92% deles, a possibilidade de imunizar a maior parte da população é vista como forma de trazer otimismo para a juventude. Já 87% acreditam que é preciso implantar políticas públicas para melhorar o sistema de saúde e 84% defendem que um protocolo para lidar com futuras crises sanitárias é um caminho para garantir boas perspectivas.

Durante o lançamento do estudo, a gerente de pesquisa e avaliação da Fundação Roberto Marinho, Rosalina Soares, reforçou a necessidade de defender políticas públicas para incentivar os jovens a permanecerem na escola.

“Os fatores associados à possibilidade de abandono escolar, por exemplo, são múltiplos: necessidade de ganhar dinheiro, dificuldades para se organizar, acompanhar e aprender no contexto do ensino remoto, necessidade de cuidar de filhos e outros parentes, problemas de saúde, incluindo depressão", diz Rosalina.


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A gerente também descreve o quanto a evasão escolar pode trazer consequências severas para o futuro do país. “Se não têm acesso à educação de qualidade, eles vivem menos, com menos saúde, com menos renda ao longo da vida. Essa violação do direito à educação gera uma perda de R$ 220 bilhões por ano, ou seja, 3,3% do PIB (Produto Interno Bruto). Em tempos de crise sanitária e econômica, observamos que a agenda educacional é prioritária e urgente."


#Educação
#Saúde e bem estar
#Jovens

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