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Jovem cria projeto de saúde mental para ajudar quem sofre de ansiedade e depressão

A iniciativa transformou-se em uma rede de apoio, que saiu do interior do Bahia e hoje está presente em 15 estados brasileiros e mais de 30 cidades do país

Data de Publicação: 2021-05-28T03:00:00.000Z | Tempo de leitura: 8 minutos

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A criadora da Rede Autoestima-se, Mariana Nunes, posa para foto

No interior da Bahia, na cidade de Conceição de Almeida, município com pouco mais de 18 mil habitantes, Mariana Nunes, aos 14 anos, começou a elaborar um projeto que mudaria a realidade de sua comunidade e ecoaria em outros estados do Brasil, chegando ao Parlamento Jovem, em Brasília. A ideia ainda permitiu a criação de uma rede de apoio para jovens que passam por ansiedade e depressão.

Tudo começou com um interesse pessoal. Apaixonada pelos livros, por influência da mãe professora, algumas leituras específicas sempre chamavam a sua atenção. Por curiosidade, Mariana se aprofundava em obras sobre saúde mental, sociologia e filosofia, bases que são formadoras da própria psicologia.

As leituras sobre estes temas levaram Mariana a olhar para o próprio território e perceber que outras crianças e jovens não podiam contar com esse amparo psicológico em fases tão importantes da vida. A estudante sentia que deveria contribuir com esse trabalho, mas não sabia por onde começar.

“Eu queria trabalhar com isso, só não sabia onde seria. Os caminhos me levaram para o terceiro setor, para a liderança. Eu queria que outras pessoas tivessem esse suporte, essa assistência e queria alcançar um número significativo de pessoas”, nos conta a jovem.

Foi quando uma pesquisa na internet levou Mariana ao conhecimento do trabalho realizado na Câmara dos Deputados, em Brasília, e, por acaso, ela se deparou com o Parlamento Jovem.

“Eu resolvi participar escrevendo um projeto de lei, na área da educação, que envolvesse a psicologia e métodos terapêuticos, como meditação, pintura e musicoterapia em todas as escolas brasileiras, auxiliadas por psicólogos e psicopedagogos. Digo que esse foi o marco inicial na minha história enquanto projeto e ativista pela saúde mental”, comenta.



Parlamento Jovem Brasileiro é um programa de Educação para Democracia, que anualmente oferece a estudantes do ensino médio de todo o país a oportunidade de simular a jornada de trabalho dos deputados federais. Os jovens tomam posse e exercem o mandato como deputados jovens durante cinco dias na Câmara dos Deputados, em Brasília.


O projeto de Mariana foi parar no Parlamento Jovem no ano de 2019, quando ela tinha 16 anos. Através da vivência na Câmara dos Deputados, em Brasília, ela se engajou e resolveu transformar seu projeto em ação.

“E quando eu retornei para minha cidade, retornei conhecendo o mundo. Eu convivi com pessoas diferentes. Eu nunca tinha saído da Bahia, nunca tinha adentrado um espaço de poder, um espaço de discussão de pautas legislativas. Aquilo para uma jovem da Bahia, que criou um projeto de lei sozinha, me inspirou demais”, relembra.



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Criação de Rede Autoestima-se

De volta para a cidade de Conceição de Almeida, Mariana pôs a “mão na massa”. Ela queria ajudar os jovens de seu território e criar uma rede de apoio para que outros profissionais se engajassem na causa da saúde mental.

“Não tem como olhar para mim e para a minha história sem olhar para o meu povo. Eu digo isso a todo momento. Por isso, tinha que começar na minha cidade”, enfatiza.

A Rede Autoestima-se surgiu em fevereiro de 2020, com o objetivo de unir jovens, pessoas, profissionais da área da saúde, em prol da democratização do acesso a assuntos relacionados à saúde mental. O objetivo é oferecer assistência emocional gratuita por meio de atendimento psicológico, produção de conteúdo, pesquisas, unindo a educação socioemocional com as práticas holísticas, como meditação e yoga.


 “Eu resolvi fundar o projeto para que a gente pudesse ajudar pessoas ao redor do país e dar mais oportunidades para o atendimento psicológico gratuito para todos”, diz Mariana.

Apoio à saúde mental na pandemia

A rede tinha o objetivo de realizar os atendimentos presencialmente, mas como surgiu pouco antes da pandemia, precisou adaptar-se ao distanciamento social. Mesmo com grandes dificuldades para iniciar os trabalhos, Mariana e outros voluntários aceleraram as ações para ampliar o número de profissionais. A mobilização deu certo.

“A pandemia fez a gente inovar e pensar numa estrutura bem formulada e também olhar para as pessoas. Hoje, estamos em 15 estados brasileiros e mais de 30 cidades do país. A pandemia fez com que a gente tivesse a necessidade de recrutar profissionais da psicologia e de outras áreas da saúde mental e com isso crescemos”, explica.

O atendimento psicológico da rede chega a projetos, organizações, institutos e pessoas que prestam serviços para a organização Autoestima-se. Além disso, os profissionais oferecem psicoterapia e palestras para outros grupos.

Com os apoios que chegaram nos últimos meses de parceiros, a Rede Autoestima-se deve se formalizar como Organização Não Governamental (ONG) e conseguir uma gama maior de profissionais.

Voluntários jovens no apoio aos jovens

Atualmente, a rede conta com o apoio de 50 voluntários profissionais da psicologia, estudantes, enfermeiros e especialistas de outras áreas da saúde mental.

“Eu sempre digo para que a gente não veja só 50 voluntários nessa ação, mas que enxergue 50 vidas. Vidas que possuem história, que possuem valores, que estão contribuindo para o desenvolvimento da nossa organização e do nosso trabalho em prol do bem comum”, diz a jovem Mariana.

Indiara Sales Leones, de 16 anos, estudante do 3º ano do Ensino Médio, é uma das voluntárias. Na rede ela cuida da parte organizacional da instituição.

Costumo pensar que a Rede é como uma grande máquina, composta por pequenas peças, que juntas fazem o aparelho funcionar. É um projeto engrandecedor. Ver pessoas trabalhando voluntariamente com tamanho empenho em prol de uma causa maior, me faz acreditar na humanidade”, relata a estudante.

A jovem estudante se inspira nestas ações para construir o seu projeto de vida.

“Fico feliz em cumprir meu propósito de ajudar as pessoas levando a temática da saúde mental aos quatro cantos do país. Quando terminar o ensino básico, vou me aperfeiçoar para ajudar nessa causa da saúde mental”, comenta.

Já a criadora da Rede Autoestima-se, Mariana Nunes, hoje com 18 anos, terminou o Ensino Médio em 2019 e não tem dúvidas sobre qual especialização vai buscar para os próximos anos.

“Estou me preparando para entrar na faculdade e estudar Psicologia e Ciências Políticas para quebrar os estigmas relacionados à saúde mental”, finaliza.


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