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Artesanato se adapta ao mundo virtual durante a pandemia

Após queda na comercialização de produtos em lojas, quem vive das artes manuais teve que adaptar as vendas para a internet.  Três artesãs nos contam como essa mudança fez as vendas continuarem em alta!

Data de Publicação: 2021-03-19T03:00:00.000Z | Tempo de leitura: 9 minutos

Pense Grande

Já se passou um ano desde que as medidas de isolamento social provocadas pela Covid-19 causaram mudanças na rotina de muita gente.

Quem tem loja ou um pequeno negócio, teve que se adequar para conseguir se manter. A crise econômica levou mais empreendedores para o mundo digital. Segundo a “Pesquisa sobre as Perspectivas do Empreendedor Brasileiro para 2021”, 60% dos pequenos negócios venderam pelo on-line em 2020.

Mas mesmo com canais virtuais se tornando onipresentes na rotina pós-pandemia, uma prática antiga e manual consegue sobreviver da mesma forma. O artesanato se adaptou muito bem ao mundo da internet, seja como canal digital de vendas, seja como ponto de encontro e aprendizado de técnicas.

Dados da Mega Artesanal, a maior feira de produtos e técnicas para artes manuais da América Latina, mostram que 72,5% dos artesãos que já tinham lojas on-line e e-commerces direcionaram as vendas para os canais digitais e ainda expandiram os meios de atendimento, incluindo Whatsapp, e-mail e televendas como outras possibilidades para garantir as vendas.

Além disso, as buscas de tutorais de “faça você mesmo” tem sido uma terapia para passar por esse momento difícil. De acordo com um levantamento do site GUIA55, a busca por vídeos e perfis de artesanato, jardinagem e culinária cresceu 33% no ano passado. Já o número de pessoas que pesquisam sobre “aprender em casa” quase dobrou, chegando a 63%.

Conheça três artesãs que mostram como a criatividade usada para produzir peças têm apresentado alternativas e ajudado a manter viva a paixão de empreender com artes manuais.


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Macramê para vencer a depressão

Fernanda Campelo, 30 anos, era modelo. Entre uma viagem e outra por conta da profissão, enquanto morava fora do Brasil, fazia artesanato para passar o tempo e se distrair.

De volta ao país, ela queria fazer a própria decoração do apartamento onde iria morar e buscou referências no Youtube. “Procurei um tutorial de suporte de plantas e fiz aquela peça. O resultado ficou ótimo”. A descoberta do talento veio após um momento desafiador na vida de Fernanda. Em 2018, ela havia perdido o namorado em um acidente de carro. “Eu estava com depressão e acabei encontrando nesta arte o acolhimento que precisava para limpar a mente e o coração. Depois dessa primeira peça eu não parei mais. O macramê foi me curando e me permitindo aceitar aquela partida”, explica.

A terapia de Fernanda era usada para presentear os amigos e a família. Eles deram uma força na divulgação e os pedidos começaram a chegar. A partir do perfil no instagram @fercampeloatelie, a atividade acabou se tornando a principal fonte de renda dela. “No início eu levava apenas como um extra, e seguia trabalhando como modelo. Aos poucos o meu perfil foi crescendo. Quando eu percebi que eu havia encontrado o meu propósito de vida, decidi me dedicar 100% à minha marca”, conta.

No ano de 2020, as medidas de isolamento social anunciadas para conter a pandemia foram um susto para a artesã, que achou que teria de encontrar outra opção para se sustentar nesse período. Mas, em vez de uma retração nas encomendas, os pedidos de produtos de decoração aumentaram.“Foi surpreendente! Com as pessoas em casa, elas sentiram a necessidade de deixar os cômodos mais aconchegantes. Então minhas vendas dispararam”.

Sobre os benefícios do artesanato para a sua vida, Fernanda sente que foi resgatada duas vezes pela arte. “A primeira foi quando me tirou da depressão que o luto me trouxe, a segunda foi quando me permitiu empreender. Passei a enxergar qualidades e potenciais que eu mesma não conhecia em mim e não tem nada mais forte do que isso”.


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Máscaras e bordados durante a pandemia

Leticia Lirian Damasceno, 24 anos, sempre quis trabalhar com moda. Para pagar as contas em casa entrou na área administrativa, mas as linhas e os bordados nunca saíram de sua mente. Em 2019, resolveu jogar tudo para alto e ir atrás de seus sonhos. “Neste ano, eu comecei a bordar. Não tem sido muito fácil, porque logo depois de começar a empreender veio a pandemia. Mas o trabalho está crescendo aos poucos”.

Para alavancar as vendas, Letícia criou o @lirian.arte. Ela produz bordados em quadros, roupas, capas de cadernos, brincos e acessórios. Mas aproveitou a pandemia para confeccionar também máscaras.

“No início da pandemia, minha tia e eu começamos a produzir máscaras para a família. Quando compartilhei na rede social, começaram a chegar muitos pedidos. A grande sacada foi ter pegado logo o início da pandemia. Isso nos ajudou financeiramente e aumentou a divulgar os meus outros trabalhos também”.

Letícia já consolidou o seu trabalho com o bordado e agora quer colocar outras artes em prática. “Em breve pretendo lançar uma linha de roupas em bordado também. Esse processo de adicionar outros produtos e serviços tem atraído novos clientes”, comemora.

Para Letícia, seguir o sonho não tem sido fácil. Mas trouxe para ela valores que vão além do financeiro. “Não vou romantizar o empreendedorismo, porque é uma atividade muito árdua e que exige bastante resiliência, principalmente em momentos de crise. Mas trabalhar com o que eu amo tem feito eu me sentir viva e autora do meu próprio caminho”.

Costurando retalhos para pensar grande

Nyvya Rodrigues Bezerra Freitas, 26 anos, é designer de moda pela Universidade Federal do Ceará. A ideia de criar a Entrelace surgiu em 2018, de uma inquietação na faculdade. Durante as aulas práticas, que envolviam costura, modelagem e montagem das peças, ela acumulava os retalhos de tecidos que sobravam.

Foto da jovem Nyvya Rodrigues Bezerra Freitas.

Após um tempo, Nyvya tinha várias sacolas destes resíduos no quarto. “Eu não sabia o que fazer com elas. Mas sabia que eu não poderia descartar esses tecidos no lixo. Eu precisava dar um significado e um sentido para eles.”

Segundo a artesã, no processo de corte e costura, aproximadamente 15% dos tecidos são descartados já no início da fabricação da peça. A vontade de fazer diferente era grande, mas ela não sabia por onde começar.

A designer ficou sabendo que, em sua cidade, iria acontecer o Pense Grande Incubação, iniciativa da Fundação Telefônica Vivo, em parceria com a Aliança Empreendedora, que incentivou jovens de periferia a transformarem suas ideias em negócios sociais. “Quando vi o edital, pensei: por que não tentar? Com a ajuda de alguns amigos, construí a proposta e deu certo! Foi aí que a Entrelace ganhou forma”.

Durante a pandemia, a artesã ficou com receio. A Entrelace havia sido criado para promover encontros entre quem gera resíduos e quem vê potencial criativo em retalhos e sobras. Com a restrição de reuniões presenciais, Nyvya ficou sem chão. “Eu não sabia como fazer esses encontros. Como levar isso para o on-line? Eu não me sentia preparada. Então nós tivemos que adaptar toda a metodologia para o digital”.

As mentorias do Pense Grande ajudaram as meninas do Entrelace a não se desesperar e a fazer o projeto ter um sentido em um momento tão complexo. “A gente conseguiu fazer a primeira oficina em colaboração com designer locais e, a partir do primeiro evento, eu mudei a chave na cabeça. A partir daí, me atentei para realmente construir encontros felizes através das redes sociais”.

Durante essa jornada, mais de 440 quilos de resíduos têxteis foram reaproveitados em brincos, pulseiras, peças de roupa e outros produtos.

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