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Cultura hacker, gambiologia, economia criativa, além da cultura maker, são alguns modelos que usam recursos como tecnologia para a transformação social

9 de junho de 2020

Com o surgimento da internet e o desenvolvimento de novas tecnologias, o conceito de empreendedorismo também passou a ganhar novos contornos. No século XXI, inovar significa romper velhas estruturas, incentivar lideranças colaborativas, trilhar o caminho da sustentabilidade e da valorização da criatividade nos negócios.

“Inovação disruptiva se opõe ao conceito de inovação incremental. Inovação incremental é melhorar o que já existe. Já a disruptiva, é desenvolver algo que não existe e trazer ao mercado uma proposta de valor completamente nova”, explica Adriano Silva, fundador da The Factory e publisher do Projeto Draft.

De acordo com a concepção defendida pela plataforma, que traz conteúdos relacionados à expansão da inovação disruptiva, o empreendedorismo brasileiro segue uma nova economia, muito influenciada pela revolução digital e que se opõe à mentalidade industrial.

Parte desse ecossistema, movimentos como cultura maker, economia criativa, cultura hacker e gambiologia se apresentam como soluções criativas para ampliar possibilidades e ações de impacto. Entenda como cada um deles se relaciona com o empreendedorismo e aponta caminhos para o cenário de transformação social.

Cultura Maker

A cultura maker se tornou um assunto muito comentado pelos brasileiros. A lógica do “faça você mesmo” se torna mais acessível à medida que novas tecnologias transformam a criação. Modificar, sobrepor, consertar e produzir utilizando os recursos disponíveis é o grande propósito dos chamados makers.

Muitas escolas põem a mão na massa e têm incorporado essa prática para incentivar o desenvolvimento da criatividade, a resolução de problemas, o trabalho colaborativo e, consequentemente, o espírito empreendedor entre os jovens. Fernanda Tosta, educadora e designer de produtos, enxerga a relação entre o empreendedorismo e a cultura maker para além do retorno profissional.

“Vejo o movimento maker como um grupo de pessoas que tem como linguagem o pensamento computacional, o compartilhamento de conhecimento e uma moeda que não necessariamente é o dinheiro, mas sim um conjunto de habilidades que estabelecem trocas e relações, comerciais ou não”, conta no episódio Cultura maker e empreendedorismo social: o que tem a ver? , do Pense Grande Podcast.

A designer goiana veio para São Paulo em 2013 e, desde então, passou a desenvolver oficinas de marcenaria. Focando no protagonismo de jovens, cada participante envolve-se em projetos colaborativos e utiliza metodologias como design thinking e prototipagem para aprender na prática. Um dos propósitos é repensar a forma de gerar renda.

Gambiologia

Parceira da cultura maker, a gambiologia nasce como um movimento inspirado na tradição da “gambiarra”, ligada ao improviso, à inventividade e à praticidade. É relacionado a reciclar produtos, expressões e até mesmo modelos de negócios.

“Tem muito a ver com ensinar as pessoas a verem os materiais ao redor, de onde eles vêm e para onde podem ir. Ser gambiólogo é retomar nossa potência de diálogo com um mundo de forma material, humana e tátil”, explica o especialista Fred Paulino, em entrevista à Fundação Telefônica Vivo.

A startup Vivenda, criada em 2013, incorporou o conceito de gambiarra no modelo de negócios. A ideia não é construir novas casas, mas sim ressignificar espaços para que ofereçam condições adequadas de saneamento e moradia. O administrador Fernando Assad reuniu os moradores do Jardim Ibirapuera, em São Paulo, para entender suas maiores necessidades, o quanto gastavam em reformas e como costumam realizá-las.

“Quando se fala de resolver o problema de habitação, a sugestão que surge primeiro é a de construir novas casas. Mas estima-se que cerca de 12 milhões de moradias sejam inadequadas. São 40 milhões de brasileiros que moram em condições insalubres”, comenta o empreendedor sobre a proposta do programa.

Observando que os moradores de bairros periféricos gastavam além do necessário com materiais, decidiu estruturar kits de reforma por cômodo a preços mais acessíveis. A reforma é mais rápida e a entrega de técnica e personalização da equipe são os diferenciais. O lucro das vendas custeia reformas gratuitas a quem não pode pagar.

Cultura Hacker

Ao contrário do que muitos pensam, a cultura hacker não está necessariamente ligada à tecnologia. É um conjunto de competências que faz com que um indivíduo, ou um grupo, compreenda o problema e pense em etapas para recriar ou remodelar soluções.

“Estamos vivendo em um mundo onde todo o ecossistema empreendedor está em transformação. Por isso precisamos instruir e alfabetizar nossa comunidade para que participe ativamente deste novo processo”, diz Geraldo Barros, diretor-presidente da Casa Hacker. “A cultura hacker agrega valor a produtos e serviços que já existem, ampliando o potencial e o alcance dele para a sociedade”.

O jovem empreendedor teve a ideia de compartilhar seus conhecimentos como analista de sistemas e pesquisador de segurança e privacidade na internet no Campo Grande, bairro na periferia de Campinas (SP) onde nasceu e cresceu.

O espaço hacker começou a ser construído em 2018 e, com a ajuda de investidores, reuniu impressoras 3D, computadores, microcontroladores, fresadoras e outros recursos para atuar nas três frentes: educação, empreendedorismo e defesa política do acesso à informação. Com oficinas, workshops e cursos gratuitos promove a autonomia para que um acesso mais igualitário da comunidade à informação e inovação.

Economia Criativa

Os negócios criativos são marcados pela atuação em rede e transformam uma vocação, uma habilidade artística ou até um hobby em um meio de vida. A economia criativa reúne todas as formas de expressão e conteúdo em torno da indústria cultural.

Segundo o portal da Secretaria Especial de Cultura, com dados da Federação das Indústrias do Rio de Janeiros (FIRJAN) e do IBGE, as atividades culturais e criativas são 2,64% do PIB e responsáveis por mais de 1 milhão de empregos formais diretos.

Iniciativas como a Feira Preta, que atua há quase duas décadas para fortalecer e mapear o afro-empreendedorismo, representam o impacto social gerado pelo segmento. Ao mobilizar empreendedores e artistas negros, o festival funciona como um espaço para potencializar e ressignificar o olhar para a população negra.

“Essa geração de jovens de 17 anos já vem preta e com outras demandas. Como se preparar para ela? Não sei se chegamos ao modelo ideal, mas estamos experimentando, uma vez que grande parte do nosso público é formado por jovens”, disse Adriana Barbosa, fundadora do projeto ao site da Fundação Telefônica Vivo.

O festival, considerado a maior feira de cultura negra da América Latina, é anual e conta com palestras, exposições, performances artísticas, gastronomia, cinema, literatura, espaço infantil, master classes, mentoria, lab de inovação e espaço maker.

Empreenda fora da caixa com o Pense Grande Digital!

Alinhado ao conceito de aprimorar habilidades e promover soluções criativas e colaborativas, o aplicativo Pense Grande Digital oferece aos jovens uma formação com percurso gamificado para apoiar a construção de repertório em empreendedorismo social.

Os participantes ainda tem a oportunidade de interagir com outros jovens com competências diferentes e complementares às suas, mas com o mesmo desejo de mudar a realidade ao seu redor.

Para acessar a formação online, basta fazer o download gratuitamente do aplicativo no smartphone e se cadastrar para iniciar as atividades.

E tem mais! Os clientes Vivo poderão acessar o app do Pense Grande Digital sem consumir o plano de dados, seja ele pós ou pré-pago. Lembrando que, independentemente da operadora, o conteúdo e o download do aplicativo são gratuitos!

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