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7 de fevereiro de 2020

Pesquisa Favelas Brasileiras, fruto de uma parceria entre o Instituto Data Favela, Locomotiva e a Central Única de Favelas (CUFA) revela que o empreendedorismo, a felicidade e a confiança na realização profissional são expectativas para 2020

Em um país com 210 milhões de habitantes, cerca de 13 milhões deles moram em favelas. Em termos proporcionais, se todas as comunidades juntas formassem um Estado, ele seria o 5° mais populoso do Brasil. Esses dados fazem parte da Pesquisa Favelas Brasileiras, realizada a partir de uma parceria entre o Instituto Data Favela, Locomotiva e a Central Única de Favelas (CUFA).

O levantamento foi feito nos 26 Estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal, para medir a configuração geral e atual das grandes comunidades a partir de números. No período de 8 a 18 de dezembro de 2019, foram entrevistadas 2.006 pessoas, de cerca de 63 favelas brasileiras. Os aspectos analisados vão desde concentração de favelas por região até estrutura familiar, organização financeira, consumo, acesso a oportunidades de desenvolvimento, e perspectiva para o futuro.

Em entrevista ao Fantástico, o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles define a relevância do estudo para a sociedade brasileira: “A favela é o território que muitas vezes é esquecido quando se fala do Brasil. Mas é essa favela que representa uma fatia importante da população brasileira que, cada vez mais, quer ser ouvida e ser protagonista da sua própria história”.

 

Favela feliz, sonhadora e empreendedora

Embora os brasileiros que não moram em favelas reconheçam o senso de comunidade existente dentro das periferias, ainda costumam associar os territórios à pobreza e à violência. Segundo a pesquisa, essa perspectiva muda quando são os próprios moradores a definir a vida nas favelas: alegria, família e amizade. Eles não deixam de citar a pobreza, mas a soma final é positiva. 43% dos entrevistados dão nota 10 para felicidade, ou seja, se consideram felizes.

Além disso, quando perguntados sobre sonhos, o principal é ter a casa própria e 52% dos entrevistados são otimistas em relação à realização de seus objetivos. No que diz respeito ao âmbito profissional, cerca de 4,8 milhões de pessoas querem empreender. Esse número corresponde a 35% da população nas favelas. Desse total, 75% das pessoas estão confiantes de que conseguirão empreender.

“O morador de favela precisa ter consciência da potência que ele tem. Logo, quando ele vê uma pesquisa dessas, que aponta que o sonho de vários moradores de favela é empreender ou que o território que ele mora movimenta, anualmente, R$ 119,8 bilhões, ele vê que não está sozinho e ganha confiança para quebrar paradigmas e realizar sonhos”, diz Celso Athayde, CEO do Grupo Favela Holding e fundador do Data Favela.

 

Jovens da periferia: oportunidades distintas

Apesar de 81% das pessoas entrevistadas acreditarem que a vida vai melhorar em 2020, 6 em cada 10 consideram ter menos oportunidades de progredir do que os moradores “do asfalto”, ocupantes dos centros urbanos. Isso acontece porque as condições de desenvolvimento dos jovens da periferia continuam a ser inferiores ao exigido pelo mercado de trabalho.

Como relembra Lucas Lima, 24 anos, nascido e criado no Complexo do Alemão: “Dentro da comunidade existem jovens com uma capacidade criativa acima da média, mas sem acesso a ferramentas para colocar essa mentalidade para fora. Estou tentando trazer recursos para que esses jovens ganhem reconhecimento e construam carreiras. Precisamos trazer a tecnologia para favela para ontem!”.

Lucas criou uma impressora 3D com sucata eletrônica e usa seu produto para investir em projetos educacionais para a comunidade em que cresceu, no Rio de Janeiro.

A trajetória de Vinícius Rodrigues, barbeiro que é referência na região de Guaianases, zona leste de São Paulo, também reforça a importância do empreendedorismo para a comunidade. “Era um momento em que ou eu escolhia isso ou faria uma escolha errada”, conta o jovem.

Depois de trabalhar como garçom, estoquista e chapeiro, finalmente conseguiu dinheiro para abrir sua barbearia e se tornar especialista em cortes chavosos. “Não é só cortar cabelo. Com o trabalho de corte, tem muita coisa relacionada. Servir de exemplo e mostrar que tem outro caminho que dá pra seguir é importante”, afirma.

Celso Athayde acredita que na favela as coisas mudaram e o jovem mudou. “O jovem de favela é ambicioso. Não quer ter patrão ou ter um emprego formal, com pouca perspectiva, o jovem quer sonhar e voar, e sabe que com o próprio negócio, se bem feito, ele tem mais chance de buscar os sonhos dele”, conclui.

O Pense Grande, iniciativa da Fundação Telefônica Vivo, é um programa voltado para o desenvolvimento de jovens que tem interesse em ampliar as oportunidades profissionais a partir do empreendedorismo social.

Desde 2013, quando foi lançado, o Programa já envolveu mais de 50 mil jovens em vários estados brasileiros, compartilhando a metodologia que se baseia no Empreendedorismo, Tecnologia e Comunidade. O objetivo é que os jovens criem e validem novos modelos de negócio inovadores e que seus empreendimentos sejam capazes de gerar impacto social.

Além disso, nos últimos dois anos, o Pense Grande incubou 45 projetos de jovens empreendedores para ajudá-los no processo de tirar as ideias do papel. Esse apoio contribuiu para que as novas soluções da juventude estejam ativas na transformação de suas vidas e das pessoas ao seu redor.



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