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Na imagem aparece Bernardo Krebs, Felipe Techio e Fernando Potrick, que criam a plataforma 1Bem que relação de ídolos e fãs vira ação social

Fãs que participam de campanhas de doação a organizações não governamentais concorrem a experiências únicas com seus ídolos

A startup 1Bem surgiu com o objetivo de gerar engajamento de uma forma diferente, com campanhas que unem fãs e ídolos para incentivar iniciativas e projetos sociais.

A ideia nasceu em 2016, em São Leopoldo (RS), quando os colegas Bernardo Krebs, Felipe Techio e Fernando Potrick perceberam a tendência de pessoas famosas em buscar parcerias com causas sociais e a influência disso nos fãs.

Preocupados com a sustentabilidade de organizações não governamentais (ONGs), os três decidiram, então, criar uma plataforma para lançar campanhas e reunir fundos voltados para instituições usando o engajamento afetivo dos fãs como principal motor. Este sistema foi batizado de Ciclo do Bem.

“A realização é coletiva, pois nossa equipe, a celebridade e as pessoas que contribuem com a causa se sentem realizadas por gerarem este impacto positivo”, explica Bernardo Krebs.

 

Ciclo do Bem

A estratégia é a seguinte: uma campanha é traçada para levantar doações para determinada organização, então um estudo é realizado para mapear os brasileiros conhecidos do grande público com perfis alinhados com os objetivos dos envolvidos.

“Nosso estudo foca na legitimidade, ou seja, a pessoa famosa tem que ter harmonia com a nossa filosofia e se comunicar de forma clara com o fã; na presença digital com perfis ativos em redes sociais, e, por fim, na sua disposição em contribuir”, comenta Bernardo sobre o critério de seleção dos “padrinhos”, como são chamados os famosos que topam participar.

Estando todos de acordo com o planejamento, a campanha é aberta para a participação dos fãs, que podem contribuir com doações a partir de R$ 5,00 e concorrer a prêmios, que podem ser um jantar com seu ídolo, por exemplo, um passeio ou até mesmo um dia compartilhando a rotina com o famoso.

Uma das maiores preocupações do projeto é manter a transparência em relação aos procedimentos envolvidos nessa interação entre as partes. O sorteio dos prêmios, por exemplo, é gravado e realizado através de uma ferramenta que todos os interessados podem ter acesso. Além disso, a 1Bem analisa todos os dados relacionados às contribuições e acompanha junto à organização beneficiada o destino das doações.

“Há muita desconfiança sobre este tema, principalmente em relação ao destino de verbas. Então isto nos guia para atuar de forma transparente e confiável em todas as etapas do processo”, conta Bernardo. O sócio explica que 18% do arrecado nas campanhas é destinado para investimentos na plataforma.

A divulgação das campanhas é via redes sociais e outros canais de comunicação que variam de acordo com o plano de comunicação e assessoria montada para cada projeto. Mas a intenção é estender o alcance dos relacionamentos até empresas que apoiem causas semelhantes, oferecendo em troca mais valor simbólico em seus produtos para os consumidores.

Desde o início do projeto já foram realizadas três campanhas, e mais quatro devem acontecer ainda este ano. A campanha realizada com o goleiro do Grêmio Marcelo Grohe superou a meta, e é um bom exemplo de como o Ciclo do Bem funciona:

 

 

junho 14th, 2018

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Idealizado por duas paulistanas, a produção feita por financiamento coletivo traz novo olhar sobre o que é transformação social

Quem são as pessoas que transformam o mundo? A partir dessa questão central e da inquietação de duas jovens uma do Capão Redondo e outra do Grajaú, em São Paulo, o projeto documental Visionários da Quebrada busca não só da reflexão como também dos olhares por trás dos empreendedores da capital paulista.

Ana Carolina Martins e Maria Clara Magalhães, de 30 anos, mulheres, negras e periféricas, trilharam trajetórias parecidas. Descobriram que suas experiências no mercado de trabalho e no terceiro setor despertaram incômodos em comum, especialmente relacionados à falta de referências dentro do universo do empreendedorismo social.

Assim, as jovens tiveram a ideia de registrar os pontos de vista de pessoas que criaram iniciativas dentro de comunidades e encontraram soluções que trazem novos significados ao espaço que ocupam.

Mobilização

O primeiro edital, lançado em uma plataforma de financiamento coletivo, contou com orçamento planejado para formato de minidocumentário, e conseguiu aporte de mais de 450 doadores.

Mas, para além de questões financeiras, o que realmente determina a mensagem do projeto são os colaboradores que foram chegando ao longo dos dois anos de produção, e que aceitaram contribuir voluntariamente com conhecimentos trazidos de diferentes áreas.

Hoje, essas pessoas formam um coletivo, que unido pelas inquietações, decidiu expandir o formato do filme para longa metragem, visto o extenso material que foi recolhido durante o processo.

A mudança de rota exigiu mais tempo para captar recursos, e o lançamento do filme, previsto para 2017, precisou ser adiado.

“Mais do que propor um filme que contasse histórias da periferia, nós queríamos achar uma maneira de contar essas histórias sem que houvesse uma narrativa repetida, sem reforçar estereótipos dos quais já estávamos cansados de nos deparar”, contam.

 

“O Visionários apareceu muito como uma necessidade de pesquisar, de compreender e entender o que era transformação social, o que era inovação social, quem eram as referências para a periferia”, Ana Clara Martins.

 

Visões Inspiradoras

O documentário traz 10 personagens de diferentes regiões periféricas de São Paulo, como Brasilândia, São Mateus, Jardim Nakamura, Capão Redondo, e que compartilham muito mais do que ações transformadoras, mas também as trajetórias trilhadas para chegar até lá.

Dentre eles está a do jovem Fábio Barbosa, mais conhecido como LOL, morador do bairro Elisa Maria, na Brasilândia.  Fábio passou a lutar pela representatividade junto de espaços de arte, educação e cultura que já existiam na região. Assim, ele criou o projeto Samba do Bowl, uma pista de skate, localizada na Praça Sete Jovens, um espaço de luta e de conquista do bairro, que reúne um coletivo de artistas da comunidade para levar e música e arte para a comunidade.

“Me ver enquanto visionário foi uma das coisas mais difíceis. Faz uma diferença a gente saber que pode ser poeta, escritor e empreendedor ao mesmo tempo”, diz Fábio. “Essa realidade é uma afirmação do que a gente já faz, dessa vez sob uma ótica nossa”, acrescenta o jovem sobre ter participado do documentário.

 

Visionários da quebrada no ar

A expetativa agora é que o filme estreie do dia 6 de junho, com distribuição da Taturana Social nas salas da Spcine.

 

A distribuidora Taturana Social é uma plataforma dedicada à distribuição de filmes que tratam de temas sociais, e permite que filmes independentes façam agendamento de exibições ao redor de todo o Brasil, além de disponibilizar os links no site.  Já o Spcine é um circuito que utiliza equipamentos e espaços públicos para sessões de cinema nas periferias da cidade de São Paulo, como bibliotecas públicas e CÉUs.

Segundo Ana Clara, o coletivo já está trabalhando para criar, a partir dos editais escritos, novos materiais voltados para educomunicação, incentivando visões nas escolas públicas.

Além disso, há inúmeras histórias ainda a serem contadas em outras periferias e espaços ao redor da cidade e do Brasil. Por isso, há uma grande possibilidade de o coletivo apostar em uma série continuada.

 

Veja o teaser do documentário
 

junho 8th, 2018

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A plataforma Ecosia destina grande parte de seus lucros para ajudar no reflorestamento do planeta

 

Imagine se uma árvore fosse plantada cada vez que você pesquisasse alguma coisa na internet? Legal, né? Pois é mais ou menos isso que o buscador alemão Ecosia faz.

O ecosia.org destina 80% de seus lucros para programas de reflorestamento em todo o planeta. A meta é plantar um bilhão de árvores até 2020.

“Nós queremos um mundo onde todos vivam em harmonia entre si e com a natureza e estamos trabalhando duro para que isso se torne realidade”, diz a diretora de relações públicas da companhia, Jacey Bingler.

A ideia de criar a plataforma surgiu em 2009, depois que o administrador de empresas Christian Kroll passou um ano viajando. Infeliz no trabalho anterior, ele queria fazer algo que realmente valesse a pena para ele.

 

Mudas de pantas e regador. Site de busca planta uma árvore a cada pesquisa feita

 

Desde então, já foram plantadas 25 milhões de árvores, o que representa quase sete milhões de euros investidos (cerca de 28 milhões de reais).

O dinheiro vem dos anunciantes do site. Por isso, quanto mais usuários, mais sementes cultivadas. Hoje, o Ecosia utiliza a base de dados do buscador Bing, da Microsoft.

Saiba mais neste vídeo em inglês sobre o Ecosia:

“Em breve, esperamos ajudar as pessoas a tomarem decisões mais sustentáveis”, diz Jacey. “Se elas buscam um serviço, queremos mostrar aqueles que menos liberam gás carbônico. Se buscam um produto, vamos mostrar onde é possível alugar ou até mesmo pegar emprestado, em vez de incentivar a compra. Queremos ser um buscador ‘verde’”.

Uma das mais de 10 instituições ajudadas pelo Ecosia é a brasileira Pacto, cujo objetivo é preservar e restaurar áreas nativas de Mata Atlântica. Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), esse bioma teve quase 30 mil hectares destruídos (o equivalente a 42 mil campos de futebol) apenas entre 2015 e 2016.

 

Homens agachados em meio a plantação de mudas. Site de busca planta uma árvore a cada pesquisa feita

 

Os dados são alarmantes, mas Jacey acredita que pequenas atitudes somadas podem mudar o mundo. “Graças às placas de energia solar em nosso escritório, não produzimos gás carbônico. Além disso, cada busca feita no Ecosia tira um quilo de CO2 da atmosfera. Tudo isso pode causar um grande impacto se mais pessoas fizerem. É isso que tentamos compartilhar com nossos usuários”, conclui.

 

No Brasil, uma atleta também resolveu transformar resultados em sementes. No caso de Mirlene Picin, atual bicampeã sul-americana de ski cross country, nove vezes campeã brasileira de biathlon e dona de 26 medalhas no sul-americano da categoria, ela transforma os resultados de medalhas em mudas de árvores.  A cada pódio, uma quantidade é plantada. Desde 2015, quando o projeto começou, já foram plantadas 1.100 mudas. Só neste ano foram contabilizadas 110 árvores em cinco pódios.

Já outro exemplo de quem virou um empreendedor do verde vem da Alemanha, assim como o Ecosia. O jovem Felix Finkbeiner criou, em 2008 aos 9 anos, o projeto Plant for the Planet, que atua na mobilização de jovens e crianças para o plantio de mudas em todo o mundo. Desde então, mais de 15 bilhões de árvores foram plantadas. A meta agora é atingir a marca de 10 milhões até 2021.

abril 25th, 2018

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Antes de começar a empreender é necessário conhecer sobre o mercado, concorrentes, investimento entre muitos outros pontos importantes. Mas também é interessante ler histórias de alguns empreendedores. Você pode se surpreender com o caminho percorrido por outras pessoas que, como você, querem ter seu próprio negócio.

Uma das histórias é do paulistano Kauê Russo, que aos 16 anos abriu seu primeiro negócio, que quebrou e um ano por falta de planejamento financeiro. Aos 18, montou uma nova empresa, fechada pouco depois por falta de estratégia. Hoje, aos 25, é dono de uma agência de marketing, uma startup de imóveis de leilão e está prestes a abrir um mercado especializado em vender produtos próximos ao vencimento a preços vantajosos.

Aos 25 anos, o empreendedor Kauê Russo comanda três negócios

Kauê faz parte de um grupo de jovens que cada vez mais cedo vislumbra comandar o próprio negócio. Isso se reflete na sala de aula da professora Letícia Menegon, coordenadora do centro de empreendedorismo da ESPM-SP. “Na semana, perguntei quem pretendia empreender, 40% dos meus alunos levantaram a mão. Isso é reflexo de uma geração que busca flexibilidade e não gosta da organização hierárquica do trabalho”, diz.

 

Um país de empreendedores

Pesquisa realizada pela startup norte-americana Expert Market, em 2017, mostra que o Brasil ficou em 5º no ranking com mais pessoas dispostas a empreender, em um ranking com 15 países.

E com mais gente empreendendo, as perspectivas também melhoram. O Perfil do Jovem Empreendedor Brasileiro, realizado em 2016 pela Confederação dos Jovens Empreendedores (Conaje), apontou que os jovens estão empreendendo mais e cada vez mais cedo. E suas empresas estão mais duradouras e estáveis: 49% de quem respondeu declaram ter um negócio há pelo menos cinco anos. Foram ouvidas cinco mil pessoas de 18 a 39 anos de todo o Brasil.

Para quem tem o sonho de ter o próprio empreendimento, saiba que não é preciso esperar pelo momento ideal. É preciso começar, prestando atenção em algumas dicas:

 

1. Não espere pela grande ideia

Vale mais um empreendedor na mão do que uma ideia de um milhão de dólares voando.

Um bom ponto de partida é pensar no que ninguém está fazendo ainda, mesmo que o negócio não seja novo. “Se você muda a forma de abordar o cliente, inova nos processos ou cria novas experiências, vai longe”, diz a especialista da ESPM.

 

2. Encontre sua real motivação

Sua vontade é ganhar dinheiro ou trabalhar menos? Não se iluda: na prática, o empreendedor tende a trabalhar mais do que um funcionário comum e pode levar algum tempo para ter retorno.

“Só para pagar pelo o que investiu são pelo menos seis meses. Para começar a ter lucro, de um ano e meio a três”, explica Augusto Aielo, vice-institucional do Fórum de Jovens Empreendedores (FJE) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O segredo é encontrar aquilo pelo que você tem paixão, e fazer disso sua motivação.

 

3. Dinheiro para que?

Seis de cada dez jovens empreendedores não buscaram nenhum investimento inicial para abrir suas empresas, diz a pesquisa do Conaje. De acordo com o levantamento, isso se deve ao fato de a maioria dos novos negócios ser do setor de serviços, que, em geral, demanda um capital inicial menor. “Montei minha agência com R$ 700, uma blusa que troquei por um computador e uma guitarra que troquei por mesas”, relembra Kauê Russo.

A pesquisa Perfil do Jovem Empreendedor Brasileiro mostra 40% dos jovens buscam capitalização para abrir seu negócio. A alternativa de financiamento bancário ficou em primeiro lugar (54%), seguida pelo apoio de família e/ou amigos (39%), investimento-anjo (5%) e fundos de capital de risco (2%). Na hora de escolher, é importante ter um plano de negócios detalhado, além de conhecer os juros e condições de pagamento de cada modalidade.

 

4. Arregace as mangas

Como é o mercado? Quem é o público-alvo, do que ele precisa e como se comporta? Para encontrar essas e outras respostas, é preciso muito estudo e planejamento. Conversar com quem trabalha no ramo e com outros jovens empreendedores é fundamental. Inclusive com quem já quebrou, para aprender com os erros dos outros.

 

5. Busque mentores

Eles são um ponto de apoio importante. Vale, inclusive, alguém da sua família. “Essa pessoa vai olhar de fora e apontar caminhos que não conseguimos enxergar quando estamos muito apaixonados pelo negócio”, indica Russo. Endeavor, Cubo, Google e incubadoras de startups costumam ter boas oportunidades de mentoria.

 

6. Persista

É preciso ter preparo psicológico para seguir o caminho do próprio negócio. Você vai ouvir muitos ‘nãos’, encontrar portas fechadas, ter que lidar com a burocracia brasileira e impostos de desanimar. “A grande característica do empreendedor é a resiliência. A gente vive de mudar, errar, quebrar e aprender”, explica Augusto Aielo.

março 22nd, 2018

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Natural da Bahia, Sergio Bispo chegou a São Paulo em 1989 e desde a infância trabalha como catador. Ele poderia ter tido o destino de tantos outros colegas de ofício, que batalham diariamente em meio ao trânsito puxando carroças pesadas, mas graças ao gosto por aprender acabou tornando-se um empreendedor socioambiental, e em 2014 começou o projeto Kombosa Seletiva.

“Quando tinha meu carrinho, comecei a participar de eventos e palestras a respeito da importância do nosso trabalho. Em um dos eventos, os técnicos me deram uma grande ideia”, lembra ele, mais conhecido como Bispo.

A ideia era basicamente uma oportunidade de mercado na cidade de São Paulo: oferecer serviço de coleta particular para quem, pela quantidade de resíduos gerados por dia – mais de 200 litros – não pode utilizar o serviço púbico.

Sem saber ler e nem escrever, Bispo se sentiu estimulado a ampliar seus negócios: se alfabetizou, tirou habilitação e comprou uma Kombi, com incentivo e apoio financeiro do sociólogo Pedro Tavares Nogueira, do produtor de eventos Bruno Aga e de Áurea Barros, do Instituto Viva Melhor.

Sergio Bispo em seu novo furgão: “lixo não existe” é um de seus lemas

 

Atualmente, a Kombosa conta com cinco catadores e faz o gerenciamento de resíduos em 45 pontos de São Paulo, entre condomínios e estabelecimentos comerciais. São 15 coletas por dia, e a antiga Kombi deu lugar a um furgão mais moderno.

A renda do trabalho inclui também eventos e palestras, nas quais Bispo, autodidata no aprendizado sobre gestão de resíduos, difunde a cultura da sustentabilidade. “Há muita técnica nesse setor, mas ninguém ensina os catadores. Muita gente não sabe o que fazer para avançar na vida, mas eu busquei a ajuda desses especialistas.”

O empreendimento pensado por Bispo permitiu a ele juntar dinheiro e comprar sua casa: aos 60 anos, com oito filhos e dois netos.  Agora, ele deseja deixar um futuro mais sustentável não só para sua família e para todos as crianças e adolescentes. Usando sua importante atividade como exemplo. “É preciso valorizar sempre o trabalho dos catadores e pensar nas futuras gerações que cuidarão do planeta, para a construção de um mundo sem desigualdade social e ambiental.”

Kombi usada por Bispo no começo do projeto

fevereiro 20th, 2018

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Você toma um caldo de cana e, indiretamente, acaba ajudando moradores de rua a terem uma nova oportunidade. É exatamente isso que faz o projeto Arte e Luz da Rua, que usa o bagaço que seria jogado fora para fazer luminárias e devolver a cidadania a quem antes vivia excluído da sociedade.

O projeto começou com a vinda da alemã Hedwig Knist ao Brasil, 27 anos atrás. Hoje com 53 anos, a ativista chegou por aqui aos 26 para realizar trabalhos voluntários ligados à Igreja Católica. A experiência, que duraria seis meses, se prolongou até os dias de hoje e teve como fruto o projeto que transforma resíduos da cana em artesanato e inclusão.

Sediada no Brás, em São Paulo, a iniciativa surgiu efetivamente em 2000, quando Hedwig e parceiros da Pastoral do Povo de Rua. Em 2012, quando saiu da Pastoral, a idealizadora seguiu com as atividades de maneira independente, o que resultou na transformação das oficinas em um empreendimento social de geração de renda.

“Um dos objetivos é a reintegração social dessas pessoas, pois muitas vezes elas conseguem emprego, mas não se adaptam por falta de postura adequada”, explica Hedwig.

Quando se acostumam a seguir regras e rotinas no projeto, os participantes conseguem se reinserir no mercado de trabalho com mais facilidade. “Esse é o maior aprendizado: ter de chegar a um local, na hora marcada, e desempenhar atividades com começo, meio e fim”, comentou a idealizadora.

Como funciona

Uma vez por semana, o grupo se organiza para buscar bagaço de cana em feiras e pastelarias. Levada à oficina, a fibra da casca é separada e processada. Por fim, ela é aplicada em uma estrutura de arame quadriculada, de acordo com o molde da luminária.

As luminárias são vendidas em feiras de artesanato, eventos ou sob encomenda, gerando renda para os participantes e a oportunidade de aprender um novo ofício.

“É um desafio trabalhar com população de baixa renda. A economia solidária também enfrenta dificuldades em relação ao comprador, que muitas vezes quer desconto, sendo que não temos uma margem grande de lucro. Apesar disso, é emocionante acompanhar a transformação positiva dos participantes”, diz Hedwig.

fevereiro 19th, 2018

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Gustavo Warzocha, um dos fundadores do aplicativo Monitora, Brasil! compartilha sua experiência, conquistas e metas

Em 2013, dois cientistas da computação se uniram e resolveram usar as ferramentas digitais disponíveis com um objetivo em mente: melhorar a política no Brasil. Naquele ano, ficaram em 2º lugar em uma competição realizada pela Câmara com o aplicativo Monitora, Brasil!, e hoje já conquistaram mais de 50 mil downloads na Play Store com a iniciativa, que inclui também uma versão para desktop, uma página no Facebook  e um canal no Whatsapp.

O app lista todos os deputados federais e senadores do Brasil, trazendo uma ficha completa de cada um deles, comparativos, gastos da cota parlamentar, faltas nas sessões e até envolvimento na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Mas como eles chegaram até esse formato? Quais são seus principais desafios para seguir empreendendo e causando impacto social?

Gustavo Warzocha, de 36 anos, cientista da computação e mestre em ciência política explica um pouco mais sobre como ele e Geraldo Augusto de Morais, de 37 anos, seu parceiro, estão caminhando em busca da sustentabilidade do projeto, que você também pode conhecer melhor na página da Fundação Telefônica Vivo.

Fundadores do aplicativo: Geraldo Augusto de Morais (à esquerda) e Gustavo Warzocha

1 – Por que vocês decidiram criar o projeto, em 2013, qual o estímulo e a proximidade de vocês com a política?

Nós somos entusiastas do uso das novas tecnologias da informação pela política. As manifestações de 2013 despertaram o nosso interesse e nos fizeram acreditar que poderíamos promover mudanças por meio do fomento à transparência e a participação política.

2 – Como o projeto se sustenta financeiramente?

Atualmente o projeto é sustentado por mim e pelo Geraldo. Todos os códigos são software livre – abertos para quem quiser utilizar. O desenvolvimento dos aplicativos é realizado pelo Geraldo e envolve custos financeiros de um servidor para hospedar os aplicativos. São, aproximadamente, R$ 100 por mês.

O projeto também envolveu custos para o desenvolvimento do portal, criação a manutenção da página no Facebook, criação de páginas e vídeos para as campanhas das Ideias Legislativas no E-cidadania do Senado Federal. O desenvolvimento do portal custou R$ 1.500 reais e cada página (Monitora Brasil – 10 Medidas e Super Cidadão), com o respectivo vídeo, custou R$ 1 mil. Os posts diários da página do Facebook custam R$ 2 mil por mês.

Os valores acima incluem os principais custos e despesas do Monitora, Brasil!, sem considerar os gastos indiretos com o projeto.

 

3 – Quantas pessoas trabalham no Monitora, Brasil?

Nós temos um publicitário, o Ismael Lima, que fica responsável pelos posts diários na página do Facebook. Ele recebe pelos posts diários mas também faz trabalho voluntário para o Monitora, Brasil!

Ismael desenvolveu a parte de telas do Super Cidadão (jogo que compara desempenho de políticos), faz os roteiros dos vídeos para as campanhas e ajuda em todas as decisões sobre o Monitora, Brasil!

4 – Que modelos vocês estudam para conseguir recursos?

O projeto ainda não gera renda. Estamos procurando qual a melhor forma de institucionalizá-lo: ONG, Startup, Crowdfunding ou outra. Em junho de 2017, fomos selecionados como projeto de inovação social pelo Des-conferência: hackeando a burocracia.

A seleção foi importante para mostrar que estamos no caminho, mas não foi suficiente para definirmos qual o melhor modelo de negócio para o Monitora, Brasil! Nossa pretensão atual é tornar o Monitora, Brasil! sustentável.

5 – Quais os principais desafios para empreender nessa área e que dica vocês dariam para jovens empreendedores?

O grande desafio nessa área consiste em mobilizar e engajar as pessoas. Existe um caminho difícil a ser percorrido para transformar a indignação em transformações sociais efetivas. Precisamos prover meios para que as pessoas acreditem e participem ativamente das decisões que afetam suas vidas e o futuro do Brasil.

Para os jovens empreendedores, antes de dar uma dica, primeiro damos os parabéns pela coragem e determinação: vocês são o futuro do Brasil. Como dica, sugerimos que se envolvam nos problemas de suas comunidades, criem novas ideias e exijam renovação política. O mundo está desta forma porque as pessoas o fizeram assim e vocês tem o poder de mudar isso.

fevereiro 6th, 2018

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Dinâmica realizada nas oficinas do Pense Grande por todo país mobilizou mais de 30 mil jovens em 2017

Imagine um jogo de tabuleiro em que não há vencedores. Divididos em equipes, os participantes precisam resolver desafios do cotidiano em temas como trabalho, lazer e sala de aula, utilizando os recursos que têm nas mãos e as competências de um personagem pré-estabelecido.

Essa é a proposta do jogo “Se Vira”, uma dinâmica que mistura conceitos de RPG com situações da vida real e que fez sucesso durante as oficinas do Programa Pense Grande realizadas em 2017.

A oficina Pense Grande foi criada com o objetivo de despertar o conceito de empreender na vida de jovens de diferentes contextos sociais e territórios brasileiros, incentivando-os a pensarem soluções de impacto social em suas vidas ou de suas comunidades.

“A metodologia gamificada, seguida de uma roda de conversa, funcionou tanto para quem nunca teve contato com empreendedorismo social, quanto para quem já era engajado em alguma iniciativa”, diz Kelly Lima, colaboradora do Instituto Crescer, parceiro executor do programa.

As oficinas do Pense Grande transitaram por diversos públicos, como jovens do ensino médio e técnico profissionalizante, universitários, e até participantes fora do público usual do Programa, como alunos do Educação de Jovens e Adultos (EJA) e até a tripulação de um barco que leva informação e tecnologia para as comunidades ribeirinhas do Pará.

Metodologia multiplicada

A metodologia do jogo “Se Vira” é uma criação conjunta de jovens empreendedores que participaram de outras edições do Pense Grande com o Imagina Coletivo e acompanhamento do Instituto Crescer.

Para aplicar a dinâmica em diversas regiões do país, foram selecionados 36 multiplicadores com experiências variadas, como a jovem Emanuelly de Oliveira, fundadora do Projeto Social Brasilis e participante do Pense Grande Incubação.

“Eu sempre começava as oficinas contando um pouco da minha trajetória de vida e participação no programa. Acho que trazer uma história real e a experiência de alguém que viveu o processo na íntegra ajudou os jovens a entenderem que o empreendedorismo é possível a todos”, observa.

Confira os depoimentos de participantes das oficinas de diferentes regiões do país:

 

Colocar as ideias em prática e refletir sobre o quanto somos capazes, foram alguns pontos de destaque do encontro. O interessante foi saber que as ideias não podem ficar apenas em nossas mentes, temos que realizá-lasAlex Santos, jovem participante da oficina no Rio de Janeiro

 

Foi muito rico para os nossos alunos perceberem que existe a possibilidade de uma continuidade do projeto de vida após os estudos e jogo despertou neles essa atitude empreendedora

Marisa de Freitas, Supervisora Educação de Integral da Secretaria Municipal de Educação de Juiz de Fora – MG)

 

Como espectadora da oficina foi muito positivo observar o envolvimento e o nível de amadurecimento dos alunos pelas decisões tomadas em grupo. Aos enfrentar as situações da dinâmica, eles puderam exercer competências do século XXI como proatividade e raciocínio lógico

Sandra Passos, Diretora da Escola Estadual Presidente Médici de Naviraí- MS

 

Realizar a oficina do Pense Grande pela primeira vez na Feira de Tecnologia foi uma experiência muito produtiva e inovadora para o público participante do evento”.

Vinicius Moreira, Diretor Técnico da Fundação Parque Tecnológico de Campina Grande – PB

 

As oficinas do Pense Grande tiveram tudo a ver com o propósito da nossa iniciativa e nos permitiram pensar fora da caixa, integrando pessoas de diferentes classes sociais em torno de um mesmo objetivo

Kamila Brito, Fundadora do Barco Hacker – Pará

 

janeiro 18th, 2018

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Fundo Zona Leste Sustentável aposta em microempreendedores e oferece condições amigáveis de financiamento

Com uma população de mais de três milhões de habitantes, pouco menos que a população do Uruguai, a Zona Leste de São Paulo abriga um dos maiores grupos de trabalhadores da cidade, que muitas vezes sofrem com a falta de emprego e também com a distância, muitas horas do dia se deslocando para os empregos no centro da cidade.

Mas apesar de sua complexidade e diversos distritos com elevados índices de pobreza, a Zona Leste têm muito a ensinar. Abriga diversos projetos que surgem das adversidades, impulsionados por poucos recursos e muita criatividade. E para dar força a essas iniciativas, o Fundo Zona Leste Sustentável (FZLS), aceleradora criada em 2010 pela Fundação Tide Setúbal, financia ideias de microempreendedores, oferecendo empréstimos condizentes com a realidade financeira da região.

“Temos na Zona Leste um alto índice de desemprego. Mas temos também incríveis mobilizações acontecendo, como hortas comunitárias, cooperativas de feira e projetos de meio-ambiente”, relata Greta Salvi, coordenadora do Fundo. Segundo ela, o objetivo é fortalecer o comércio local, com um olhar especial para o pequeno empresário: do vendedor de tapioca às mulheres que abrem buffets para festas em casa.

O valor a ser emprestado pelo fundo varia de acordo com a necessidade de cada projeto e não pode ser usado para pagar salários, apenas para possibilitar melhorias estruturais no negócio, como compra de equipamentos.  A maior vantagem é que os empreendedores têm seis meses de carência e pagam o valor em 36 vezes, com flexibilidade maior do que em empréstimos convencionais.

Depois de cinco anos apoiando projetos pequenos e de ganho pessoal, o fundo agora está se transformando. O último edital, realizado em 2016, escolheu cinco mulheres empreendedoras para investir, apostando em negócios com impacto social no território. Além de verba, as escolhidas receberam capacitação oferecida pelo Senac.

Um exemplo é a Feira Afro Meninas Mahin, idealizada por Géssica Cardoso. Foi identificando uma carência local que a empreendedora teve a ideia de criação de seu negócio. “Itaquera é um lugar que não tem ocupação cultural específica para o público negro”, explica. Com mais de 30 edições desde 2016, a feira é focada na produção de empreendedoras afro-brasileiras.

Para 2018, o Fundo Zona Leste Sustentável tem como intenção voltar ainda mais suas iniciativas para os negócios periféricos, apostando principalmente na capacitação do público jovem. “O adolescente que mora dentro de periferias muitas vezes não conhece o seu próprio potencial. Não sabe como suas ideias podem virar um modelo de negócio. Queremos ir até ele e ajudá-lo a construir essa autoestima, incentivando o comércio local na Zona Leste”, finaliza Greta.

janeiro 11th, 2018

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Conheça o Beta, Malalai e outras iniciativas feitas por mulheres, para mulheres.   

Nunca se discutiu tanto equidade de gêneros e de direitos. O número de mulheres empreendedoras vem crescendo cada vez mais levando até a ONU a criar uma data especial: o dia mundial do empreendedorismo feminino, comemorado em 19 de novembro.

As mulheres hoje empreendem mais que homens no Brasil: estão por trás de 51,5% dos novos negócios, mostra uma pesquisa do Sebrae de 2016. Mais do que garantir serviços personalizados, o empreendedorismo feminino gera renda e possibilita o empoderamento de outras mulheres. Abaixo você confere histórias de iniciativas feitas por e para as mulheres:

Serviços nas redes

M’Ana – Mulher conserta para Mulher: Duas jovens de 26 anos se uniram para oferecer serviços de manutenção residencial. Foi em 2015 que a dupla se conheceu, quando Ana Luisa Monteiro começou a fazer consertos para complementar a renda – ela viu essa necessidade após ser assediada dentro de casa por um entregador de gás. A arquiteta Katherine Cristine Pavvloski conheceu o serviço por um folheto e virou sócia do empreendimento, que hoje tem quatro funcionárias e já atendeu mais de 2 mil mulheres, que em geral pedem o serviço via redes sociais.

Beta:  Beta é um robô feminista que utiliza a programação para responder todo tipo de dúvida relacionada ao universo feminino via Messenger, o chat do Facebook. Um exemplo foi o debate sobre a PEC 181, que criava novas restrições ao aborto. “Tivemos mais de 1500 pessoas falando com o chatbot por minuto e mais de 10.000 e-mails foram enviados para os deputados”, conta Mariana Ribeiro, uma das criadoras da plataforma. Atualmente, as curtidas na página superam as 19 mil e mais de 45.000 pessoas já falaram com a Beta.

Tecnologia a favor da mobilidade para mulheres

Lady Driver: O assédio dentro serviços de transporte por aplicativo levou ao surgimento do Lady Driver, app que conecta motoristas e passageiras mulheres. Formada em nutrição, Gabriela Correa decidiu criar o app após uma experiência negativa com empresas de transporte.

Hoje, já são 11 mil motoristas cadastradas em São Paulo, Guarulhos e Rio de Janeiro. Ao todo, 150 mil passageiras já foram atendidas. Independência financeira e quebra de preconceitos estão entre as conquistas, diz a fundadora.

Malalai:  aplicativo que ajuda mulheres a escolherem caminhos seguros na rua, com informações como iluminação, presença de lojas e portarias. Também avisa a uma pessoa indicada pela usuária sobre a sua localização de forma automática. O nome é uma homenagem a Malala Yousafzai, jovem paquistanesa que ganhou o Nobel da Paz em 2014.

Empreendedorismo materno

Maternativa: a rede para mães empreendedoras nasceu no Facebook em junho de 2015 e, desde então, tornou um espaço de inteligência coletiva sobre mercado de trabalho e empreendedorismo materno. Hoje, contribui com mais de 20 mil mães por meio de encontros e trocas, além de uma plataforma de marketplace.

janeiro 2nd, 2018

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