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Soulphia e Alfabantu, projetos de ensino de idiomas, empoderam seus usuários a partir de metodologias inovadoras em educação

Os meios digitais tornam-se, cada vez mais, aliados para apoiar a cultura empreendedora e facilitar processos na jornada de quem quer empreender. Também viabilizam a busca de conhecimento e possibilitam tirar ideias do papel de forma mais rápida, prática e menos custosa. Tiago Soares, fundador e gestor da empresa social Soulphia, e Odara Dèlé, idealizadora do aplicativo Alfabantu, apostaram na união entre tecnologia e educação para o desenvolvimento de seus empreendimentos sociais digitais.

Eles reforçam o pensamento de 40% dos jovens entrevistados na pesquisa Juventude Conectada – Edição Empreendedorismo, que veem iniciativas inovadoras que transformam a sociedade, ou a vontade de fazer coisas novas, como motivações para começar um empreendimento. O estudo foi promovido pela Fundação Telefônica Vivo, em parceria com Ibope e Rede Conhecimento Social.

 

Aulas que transformam vidas

Em 2017, Tiago Soares e Felipe Marinho realizaram trabalho voluntário em abrigos em Nova York, nos Estados Unidos. A vontade de melhorar a vida das pessoas que viviam ali foi o incentivo para colocar em prática o Soulphia, empreendimento online que visa reinserir moradores de rua no mercado de trabalho.

“Sempre após as atividades nos abrigos ficávamos tristes por não poder garantir algo melhor para as pessoas nesses locais. Ao conhecer suas histórias, juntamos aquilo que entendíamos como potencialidades daquele contexto para tentar a transformação social”, lembra Tiago Soares.

Era perceptível que os moradores dos abrigos tinham muita vontade de mudar de vida. “Foi quando pensamos em usar o idioma para transformar, em tutoras de inglês, mulheres estadunidenses e moradoras de Nova York, mas que viviam em situação de rua”, explica o empreendedor.

O negócio saiu do papel com apoio da Universidade de Columbia e da Educurious, uma empresa sem fins lucrativos da Fundação Bill e Melinda Gates. Em 2018, o projeto completa um ano de atividades com mais de 300 alunos, espalhados por Brasil, China, Colômbia e Estados Unidos. São, ao todo, 25 tutoras capacitadas para dar aulas particulares pela internet.

Foi desenvolvida uma plataforma pela qual o estudante seleciona a tutora, agenda o horário de preferência e participa da aula particular ao vivo. Os alunos se beneficiam ao terem aulas com falantes nativas do idioma por um preço competitivo e ainda ajudam as tutoras a retomarem a autoestima, recuperando o sentimento de esperança e dando propósito à vida delas.

Imagem mostra tutoras e criadores do Soulphia, plataforma que ajuda moradoras de rua de Nova York a se tornarem tutoras no ensino de inglês a distância

 

“Todas as tutoras voltaram a acreditar em si mesmas e mudaram de vida. Seis, de 25, já conseguiram deixar o abrigo para morar em casas próprias. Conseguimos atuar em duas frentes: a recuperação do protagonismo da vida dessas mulheres e na geração de renda, para que sejam, novamente, independentes”, afirma Tiago Soares, gestor da Soulphia.

O ponto de partida foi em um abrigo no bairro do Bronx, em 2017, com computadores do próprio local. Nessa primeira experiência, seis tutoras ministraram mais de 500 aulas, por 15 dólares cada, para cerca de 40 alunos. Hoje o Soulphia conta com estrutura própria, mas mantém sua essência ao impulsionar vidas e empoderar quem está em uma situação de vulnerabilidade.

 

Aprendendo uma língua ancestral

Qual é a origem de palavras que usamos no dia a dia, como moleque e caçula? Se você ficou curioso, o Alfabantu pode responder a essa pergunta. Criado pelos educadores Odara Dèlé e Edson Pereira, o aplicativo busca ensinar às crianças a língua falada pelo povo kimbundu, de Angola.

Por meio do app é possível conhecer nomes de animais, partes do corpo, números e saudações em kimbundu, que é apenas um dos mais de 2.000 idiomas falados no continente africano. A plataforma também aproxima as crianças da história, cultura e arte africanas, tão presentes dentro da própria cultura brasileira. Entrar em contato com a pluralidade da cultura africana é, também, conhecer o próprio Brasil.

A ideia para a criação do aplicativo, em 2017, veio com a percepção de que mesmo após a criação da Lei 10.639, em 2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira nos Ensinos Fundamental e Médio, não havia ainda material didático que aproximasse as crianças e os jovens de línguas africanas.

“Alguns dos obstáculos para colocar a Lei em prática era a falta de um material didático que representasse a população negra de forma positiva”, conta Odara Dèlé. Os criadores do Alfabantu enxergaram potencialidade ao juntar essa necessidade ao fato de crianças e adolescentes passarem muito tempo perto dos celulares.

Por meio de pesquisas realizadas na época do lançamento do aplicativo, eles chegaram à informação de que crianças entre 5 e 14 anos passam cerca de 80% do tempo livre em frente aos smartphones.

Imagem mostra mão de criança segurando um smartphone cuja tela mostra o aplicativo Alfabantu, que ensina o idioma kimbundu, de Angola

 

“Conseguimos aproximar a cultura africana das crianças e ainda aproveitar as possibilidades educacionais que a tecnologia nos dá”, completa a educadora Odara Dèlé.

A co-criadora do aplicativo acredita que essa união entre tecnologia e educação pode ser utilizada para diminuir as desigualdades sociais, raciais e de gênero. O objetivo é promover uma educação menos eurocêntrica e que combata o racismo. “Por estarmos online, nossa capilaridade pode ser mais rápida e com menos custos”, pondera.

E a adesão ao aplicativo foi rápida. Lançado em novembro de 2017, o Alfabantu somou 600 downloads até a primeira semana de dezembro daquele ano, com usuários no Brasil, Angola, Moçambique, Reino Unido, Polônia e Portugal. Hoje, o número de downloads já passa de 5.000.

O próximo passo é levar o empreendimento online às periferias e realizar formações tecnológicas para jovens. Em 2019 também deve ser lançado um livro bilíngue, em português e kimbundu, com os personagens que ilustram as lições do aplicativo, além de uma versão infanto-juvenil que ensine o idioma angolano por meio de jogos.

novembro 9th, 2018

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Três jovens, duas mulheres e um homem, se reúnem em volta de uma mesa. O rapaz, ao centro, usa óculos e camisa azul e está segurando um papel e uma caneta.

Mentoria, apoio jurídico e financeiro e acesso a investidores são algumas das atribuições destas instituições que fomentam os negócios de impacto social

Causar impacto positivo em uma comunidade, melhorar as condições de vida e a autonomia financeira de pessoas de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade social e garantir um impacto ambiental reduzido são alguns dos objetivos dos chamados negócios sociais, iniciativas que não param de crescer no país.

Mas não basta ter uma grande ideia. Um estudo do Sebrae apontou que os negócios sociais, de maneira geral, encontram alguns desafios importantes: falta de capacitação em gestão e intervenção social, burocracia para conseguir crédito, falta de novos modelos de investimento e de cultura de relacionamento entre empreendedores e investidores.

Para contornar problemas do tipo, há iniciativas como incubadoras e aceleradoras, que apoiam empresas em estágio inicial ou na fase de desenvolvimento e expansão dos negócios. Essas organizações, que podem ser privadas ou públicas, oferecem desde instalação física e serviços de treinamento e mentoria, até acesso à rede de investidores e apoio jurídico, de marketing e de gestão e finanças.

A seguir, selecionamos algumas iniciativas que apoiam negócios sociais no país e podem ajudar a alavancar o seu empreendimento. Confira!

 

Pense Grande Incubação

O Pense Grande Incubação da Fundação Telefônica Vivo é voltado para jovens que possuem empreendimentos ou ideias de empreendimentos com impacto social, que buscam resolver alguma necessidade da comunidade e utilizam tecnologia digital. Ao longo de 10 meses, os participantes selecionados e seus respectivos projetos passam por mentorias, dinâmicas, vivências e também têm a chance de apresentar suas ideias em pitches para possíveis investidores.  Saiba mais!

 

Artemisia

Criada em 2004, a organização sem fins lucrativos é pioneira no Brasil. Já acelerou mais de 100 negócios sociais e capacitou outros 300 em diferentes programas. O programa dura seis meses e tem uma metodologia própria que ajuda os empreendedores selecionados a testar modelos de negócio e refinar o impacto social de sua solução em um ambiente de inovação, cocriação e mentoria.

 

Aceleradora Yunus Negócios Sociais

A unidade brasileira da Yunus Social Business (YSB), fundo global que transforma doações filantrópicas em investimentos em negócios sociais sustentáveis, oferece serviços de consultoria para empresas, governos, fundações e ONGs. Para ingressar no programa são avaliados critérios como urgência do problema social, solidez do plano de negócios e potencial de impacto da iniciativa.

 

Instituto Quintessa

O programa combina aceleração e conexão entre investidores e negócios sociais e tem como diferenciais customização das soluções, desenvolvimento pessoal do empreendedor, encontros semanais com mentores e amplo suporte. O Instituto também é responsável pelo Guia 2.5, que ajuda o empreendedor a descobrir as iniciativas mais adequadas para o seu estágio de negócio.

 

Impact Hub

Criado em Londres em 2005 para ser um espaço de trabalho colaborativo entre pessoas dispostas a mudar o mundo, o Impact Hub se tornou um programa em mais de 110 países do mundo. No Brasil, ele se define como um catalizador de causas, onde empreendedores, investidores, freelancers, ativistas, consultores e estudantes se encontram em diversas atividades. O programa de aceleração tem uma metodologia baseada na experiência vivida nos espaços físicos, além de entrevistas em profundidade com os empreendedores selecionados, mapeamento de tendências, diálogos em grupos e workshops de cocriação.

 

Black Rocks

A organização voltada para apoio e inserção da população negra no ecossistema de startups tem um programa de aceleração para empresas em fase inicial de desenvolvimento com alto potencial de impacto e escala. O programa oferece treinamento, apoio na validação com clientes, suporte de mentores especializados e acesso a investidores e parceiros estratégicos.

 

Aceleradora 2.5

Criada pelo INEI (Instituto Nacional de Empreendedorismo e Inovação), a aceleradora tem o objetivo de fomentar a cultura do empreendedorismo social inovador, desenvolver tecnologias/produtos/serviços sociais e promover o desenvolvimento econômico e sustentável da população brasileira.

 

Vale do Dendê

Lançada em novembro de 2017, a aceleradora seleciona startups que atuam com economia criativa e tecnologia, nos segmentos de moda, design, mobiliário urbano, turismo, tecnologia automotiva e games. É voltado especialmente para empreendedores localizados na periferia de Salvador, na Bahia.

novembro 7th, 2018

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Dois jovens, um garoto de camiseta preta e uma garota de casaco vermelho, olham atentamente para uma tela de computador. A garota aponta para a tela com uma das mãos e apoia a outra no queixo.

O documento faz parte de um pacote de políticas públicas voltadas para mobilizar jovens empreendedores

Você sabia que existe uma série de políticas públicas de incentivo ao empreendedorismo no Brasil? Elas são oferecidas tanto pelo setor público quanto pelo privado e ajudam a fomentar o desenvolvimento de uma cultura empreendedora.

Pensando em divulgar essas iniciativas, a Secretaria Nacional da Juventude (SNJ) lançou o Plano Nacional de Empreendedorismo e Startups para a Juventude, um documento que traz um diagnóstico das possíveis soluções para o cenário empreendedor brasileiro.

Criado em parceria com a Organização das Nações Unidas pela Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o documento faz parte do Brasil Mais Jovem, voltado aos brasileiros de 15 a 29 anos, envolvendo 91 ações e 13 ministérios articulados pelo Governo Federal. A edição de 2018 soma 12 novos projetos às ações iniciadas em agosto de 2017.

 

O Plano Nacional de Empreendedorismo tem quatro grandes objetivos, que dialogam com o programa Pense Grande, da Fundação Telefônica Vivo, e fortalecem o protagonismo jovem:

– Universalizar a educação empreendedora

– Reduzir o tempo de abertura das empresas

– Alavancar o investimento-anjo no Brasil

– Difundir o conhecimento de políticas públicas

 

No que consiste o Plano?

A partir dos quatro objetivos principais, o Plano Nacional de Empreendedorismo traz um conjunto de estratégias construídas por meio de pesquisas de campo e mapeamento de outras iniciativas que já cumprem a missão de oferecer recursos e incentivar o empreendedorismo entre os jovens.

“Universalizar a cultura empreendedora é a prioridade”, define o secretário adjunto Diego Silva.

O documento ainda se compromete a servir como base da atualização do Plano Nacional de Juventude, que tramita na Câmara dos Deputados há mais de 14 anos e visa gerar oportunidades de renda para os cerca de 51 milhões de jovens brasileiros.

 

Portal do Empreendedor

Dentre as diretrizes apresentadas no documento está a missão de tornar o Portal do Empreendedor mais intuitivo. O portal reúne diversos tipos de informação e serviços voltados ao microempreendedor, que vão desde explicações de como se enquadrar na categoria de MEI (Microempreendedor Individual), até a facilitação de contato com profissionais de  instituições como o Sebrae.

“Quando falamos na criação de startups não há um enquadramento bem definido. Por isso existe nosso objetivo de aprimorar o Portal e disponibilizar todas as políticas públicas de incentivo para consulta daqueles que têm vontade de empreender”, diz Diego Silva, secretário adjunto da SNJ e coordenador da entrega final do plano.

 

Você pode conferir mais informações acessando na íntegra o Plano Nacional de Empreendedorismo e Startups para a Juventude.

outubro 29th, 2018

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Grupo de pessoas posa com camisetas da marca Moko

A Moko trabalha as estampas em conjunto com instituições para gerar receita e propagar causas sociais

 Na indústria da moda é comum falar sobre caimento, o tecido e a qualidade do produto final. No entanto a Moko, marca curitibana tem uma preocupação a mais: estampar histórias e causas em camisetas a fim de oferecer impacto social como principal diferencial.

A marca, lançada oficialmente em 2015, sempre objetivou atuar em múltiplas frentes e se organiza no atendimento de três pilares de desenvolvimento social: instituições, comunidades e pequenos negócios locais. O nome Moko inclusive reforça a diversidade, já que significa dois em tupi-guarani.

“As camisetas são simplesmente um meio. A chave é saber que quando compro esse produto, promovo uma causa”, diz o idealizador Fernando Kuwahara (33), que a partir de sua experiência com o marketing formal decidiu ressignificar o conceito em prol do desenvolvimento social.

Inicialmente, as coleções enfocavam a criatividade e a inclusão. Eram realizadas oficinas com as ONG’s e as crianças desenhavam as estampas, transformadas pelos designers em camisetas estilizadas. Cada peça vendida era revertida em doação para a instituição.

Ao longo do processo, porém, Fernando e o sócio responsável pelo jurídico, Eduardo Gonçalves (33), perceberam que era necessário avançar e, além de gerar impacto social, obter recurso financeiro de forma mais sustentável. “O maior desafio dessas organizações ainda é gerar receita financeira para não depender só de verba pública”, enfatiza Fernando.

 

Uma iniciativa sustentável

Seguindo nessa linha estratégica e com a experiência adquirida ao longo de três anos de existência, a Moko expandiu para o Projeto Dois, uma nova iniciativa com a missão de criar esse vínculo multiplicador de recursos.

A diferença para o modelo de negócios da coleção inicial é que os parceiros passaram a pagar por um pacote fechado, já considerando todos os custos. Neste modelo, há um aporte inicial investido por empresas privadas para garantir o processo produtivo. A remuneração dos designers, dos artistas parceiros, a qualidade do tecido, tudo é incluído no valor que será usado para lançar o primeiro lote da coleção. Com as vendas, o lucro é revertido para a ONG e a receita volta para produção de novos lotes.

O trabalho e o tipo de campanha desenvolvido entre marca, empresas e ONGs não segue uma regra geral, flui de maneira orgânica pela demanda de cada uma. “A gente se conecta com a ONG, entende qual é o trabalho que ela desenvolve e, a partir disso, afunila todos esses conceitos para chegar a um caminho criativo que consiga contar melhor essa história”, diz Kuwahara.

A coleção mais recente, Elas no Poder, é uma parceria da Renault com um programa de menores aprendizes, e defende o empoderamento feminino, mostrando através das camisetas que profissão de menina é a que ela quiser.

 

O desafio de comunicar a marca

 A expansão do que começou com apenas um projeto continua gerando ciclos positivos e já resulta em sete eixos paralelos. Hoje, a Moko passa por um processo de transição e busca uma nova estrutura para contar melhor as histórias e fortalecer as vendas e divulgação em meios digitais.

Recentemente foi inaugurado o Espaço Moko que além de escalar as vendas para o varejo, ajuda a fazer o público consumidor alcançar as histórias para além das estampas estilosas. A loja no Shopping Estação, em Curitiba, é colaborativa e abriga outras vinte marcas de pequeno porte. O contato físico para divulgar a marca é muito mais efetivo em termos de engajamento, segundo Fernando Kuwahara. O desafio agora é comunicar o impacto global proposto pela marca nas diferentes plataformas.

julho 2nd, 2018

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Na imagem, o taxista Carlos Careca lê um livro em frente ao seu táxi, batizado de bibliotáxi

Além de espalhar cultura, Carlos “Careca” também é conhecido por suas ações em prol do meio ambiente na capital cearense

Taxista, surfista, catador de lixo de praia, inventor de brinquedos recicláveis, artista plástico, professor voluntário de sustentabilidade, escultor de areia, ativista da leitura e da cultura. Tudo o que faz o cearense Francisco Carlos da Silva, 57, não cabe num texto. Figurinha conhecida pelos moradores de Fortaleza, ele agora vem chamando a atenção do resto do Brasil por um projeto para lá de criativo: o bibliotáxi.

“Disseram que já me conhecem em mais de 150 países. Rapaz, eu nem sabia que existia essa quantidade de países no mundo!”, diz, com o bom humor que é marca registrada. O bibliotáxi é uma ideia simples, mas poderosa. No porta-malas de seu táxi, Carlos “Careca”, como é conhecido, tem mais de 100 títulos de livros, de ficção a biografias e livros infantis.

O objetivo é doá-los aos seus passageiros, uma forma de incentivar a leitura e oferecer um serviço diferenciado. Na contracapa dos livros, um adesivo com seu contato faz as vezes de cartão.  “Eu tenho que fidelizar meus clientes de alguma maneira. Mais do que ter um carro impecável e usar terno, o meu diferencial é valorizar a cultura”, explica.

A ideia surgiu há dois anos, quando Careca viu um morador de bairro nobre de Fortaleza jogar fora uma caixa inteira de livros. Ele não teve dúvidas: passou a mão no descarte e organizou tudo em seu porta-malas.

E não é que deu certo! Dos cerca de dez passageiros que atende por dia, metade liga novamente, não raro com livros na mão para retribuir a doação.

 

Uma viagem diferente

O curioso é que foi graças ao bibliotáxi que Careca descobriu o gosto pela leitura. Nascido e criado na Praia de Iracema, nunca teve o hábito de ler. Mas tudo mudou quando descobriu, entre as doações, o livro No Ar Rarefeito, do jornalista e alpinista Jon Krakauer, que narra os desafios de uma escalada ao Monte Everest.

“Foi quando finalmente entendi aquela frase de que quem lê viaja sem sair do lugar. Fiquei tão envolvido com os detalhes que me transportei para aquele gelo todo”, relembra. O fim do livro ele nunca soube, já que doou para um passageiro que se interessou pela história.

 

Um artesão inusitado

Como um verdadeiro ativista do meio ambiente, Careca também dá lições de sustentabilidade às crianças de uma escola perto de sua casa, além de ministrar oficinas de construção de brinquedos recicláveis. Ele também confecciona fantasias de Carnaval com materiais que encontra no lixo.

Como se não bastante, e motivado pela criatividade que não lhe falta, Careca decidiu que em 2018 faria algo impactante pelo meio ambiente. Recorreu à sua habilidade manual para esculpir, na areia, uma tartaruga Aruanã, tipo comum no Ceará que está ameaçada de extinção.

 

Na imagem, a escultura de 8 metros de comprimento, 2 metros de altura e 3,5 metros de largura foi feita em janeiro, e conta com 500 garrafas de vidro, que iam para o lixo. É uma tartaruga Aruanã, tipo comum no Ceará que está ameaçada de extinção

A escultura de 8 metros de comprimento, 2 metros de altura e 3,5 metros de largura foi feita em janeiro, e conta com 500 garrafas de vidro, que iam para o lixo.

 

E assim, entre uma invenção e outra, Careca segue em sua luta. Para resumir sua filosofia de vida, ele apela de novo para o bom humor: “Eu percebi muito cedo que a vida é muito dura para quem é mole e difícil para quem é fácil”, brinca. “Por isso, eu preferi inventar uma metodologia diferente de vida e assim levo meus dias”.

junho 28th, 2018

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Na imagem aparece Bernardo Krebs, Felipe Techio e Fernando Potrick, que criam a plataforma 1Bem que relação de ídolos e fãs vira ação social

Fãs que participam de campanhas de doação a organizações não governamentais concorrem a experiências únicas com seus ídolos

A startup 1Bem surgiu com o objetivo de gerar engajamento de uma forma diferente, com campanhas que unem fãs e ídolos para incentivar iniciativas e projetos sociais.

A ideia nasceu em 2016, em São Leopoldo (RS), quando os colegas Bernardo Krebs, Felipe Techio e Fernando Potrick perceberam a tendência de pessoas famosas em buscar parcerias com causas sociais e a influência disso nos fãs.

Preocupados com a sustentabilidade de organizações não governamentais (ONGs), os três decidiram, então, criar uma plataforma para lançar campanhas e reunir fundos voltados para instituições usando o engajamento afetivo dos fãs como principal motor. Este sistema foi batizado de Ciclo do Bem.

“A realização é coletiva, pois nossa equipe, a celebridade e as pessoas que contribuem com a causa se sentem realizadas por gerarem este impacto positivo”, explica Bernardo Krebs.

 

Ciclo do Bem

A estratégia é a seguinte: uma campanha é traçada para levantar doações para determinada organização, então um estudo é realizado para mapear os brasileiros conhecidos do grande público com perfis alinhados com os objetivos dos envolvidos.

“Nosso estudo foca na legitimidade, ou seja, a pessoa famosa tem que ter harmonia com a nossa filosofia e se comunicar de forma clara com o fã; na presença digital com perfis ativos em redes sociais, e, por fim, na sua disposição em contribuir”, comenta Bernardo sobre o critério de seleção dos “padrinhos”, como são chamados os famosos que topam participar.

Estando todos de acordo com o planejamento, a campanha é aberta para a participação dos fãs, que podem contribuir com doações a partir de R$ 5,00 e concorrer a prêmios, que podem ser um jantar com seu ídolo, por exemplo, um passeio ou até mesmo um dia compartilhando a rotina com o famoso.

Uma das maiores preocupações do projeto é manter a transparência em relação aos procedimentos envolvidos nessa interação entre as partes. O sorteio dos prêmios, por exemplo, é gravado e realizado através de uma ferramenta que todos os interessados podem ter acesso. Além disso, a 1Bem analisa todos os dados relacionados às contribuições e acompanha junto à organização beneficiada o destino das doações.

“Há muita desconfiança sobre este tema, principalmente em relação ao destino de verbas. Então isto nos guia para atuar de forma transparente e confiável em todas as etapas do processo”, conta Bernardo. O sócio explica que 18% do arrecado nas campanhas é destinado para investimentos na plataforma.

A divulgação das campanhas é via redes sociais e outros canais de comunicação que variam de acordo com o plano de comunicação e assessoria montada para cada projeto. Mas a intenção é estender o alcance dos relacionamentos até empresas que apoiem causas semelhantes, oferecendo em troca mais valor simbólico em seus produtos para os consumidores.

Desde o início do projeto já foram realizadas três campanhas, e mais quatro devem acontecer ainda este ano. A campanha realizada com o goleiro do Grêmio Marcelo Grohe superou a meta, e é um bom exemplo de como o Ciclo do Bem funciona:

 

 

junho 14th, 2018

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Idealizado por duas paulistanas, a produção feita por financiamento coletivo traz novo olhar sobre o que é transformação social

Quem são as pessoas que transformam o mundo? A partir dessa questão central e da inquietação de duas jovens uma do Capão Redondo e outra do Grajaú, em São Paulo, o projeto documental Visionários da Quebrada busca não só da reflexão como também dos olhares por trás dos empreendedores da capital paulista.

Ana Carolina Martins e Maria Clara Magalhães, de 30 anos, mulheres, negras e periféricas, trilharam trajetórias parecidas. Descobriram que suas experiências no mercado de trabalho e no terceiro setor despertaram incômodos em comum, especialmente relacionados à falta de referências dentro do universo do empreendedorismo social.

Assim, as jovens tiveram a ideia de registrar os pontos de vista de pessoas que criaram iniciativas dentro de comunidades e encontraram soluções que trazem novos significados ao espaço que ocupam.

Mobilização

O primeiro edital, lançado em uma plataforma de financiamento coletivo, contou com orçamento planejado para formato de minidocumentário, e conseguiu aporte de mais de 450 doadores.

Mas, para além de questões financeiras, o que realmente determina a mensagem do projeto são os colaboradores que foram chegando ao longo dos dois anos de produção, e que aceitaram contribuir voluntariamente com conhecimentos trazidos de diferentes áreas.

Hoje, essas pessoas formam um coletivo, que unido pelas inquietações, decidiu expandir o formato do filme para longa metragem, visto o extenso material que foi recolhido durante o processo.

A mudança de rota exigiu mais tempo para captar recursos, e o lançamento do filme, previsto para 2017, precisou ser adiado.

“Mais do que propor um filme que contasse histórias da periferia, nós queríamos achar uma maneira de contar essas histórias sem que houvesse uma narrativa repetida, sem reforçar estereótipos dos quais já estávamos cansados de nos deparar”, contam.

 

“O Visionários apareceu muito como uma necessidade de pesquisar, de compreender e entender o que era transformação social, o que era inovação social, quem eram as referências para a periferia”, Ana Clara Martins.

 

Visões Inspiradoras

O documentário traz 10 personagens de diferentes regiões periféricas de São Paulo, como Brasilândia, São Mateus, Jardim Nakamura, Capão Redondo, e que compartilham muito mais do que ações transformadoras, mas também as trajetórias trilhadas para chegar até lá.

Dentre eles está a do jovem Fábio Barbosa, mais conhecido como LOL, morador do bairro Elisa Maria, na Brasilândia.  Fábio passou a lutar pela representatividade junto de espaços de arte, educação e cultura que já existiam na região. Assim, ele criou o projeto Samba do Bowl, uma pista de skate, localizada na Praça Sete Jovens, um espaço de luta e de conquista do bairro, que reúne um coletivo de artistas da comunidade para levar e música e arte para a comunidade.

“Me ver enquanto visionário foi uma das coisas mais difíceis. Faz uma diferença a gente saber que pode ser poeta, escritor e empreendedor ao mesmo tempo”, diz Fábio. “Essa realidade é uma afirmação do que a gente já faz, dessa vez sob uma ótica nossa”, acrescenta o jovem sobre ter participado do documentário.

 

Visionários da quebrada no ar

A expetativa agora é que o filme estreie do dia 6 de junho, com distribuição da Taturana Social nas salas da Spcine.

 

A distribuidora Taturana Social é uma plataforma dedicada à distribuição de filmes que tratam de temas sociais, e permite que filmes independentes façam agendamento de exibições ao redor de todo o Brasil, além de disponibilizar os links no site.  Já o Spcine é um circuito que utiliza equipamentos e espaços públicos para sessões de cinema nas periferias da cidade de São Paulo, como bibliotecas públicas e CÉUs.

Segundo Ana Clara, o coletivo já está trabalhando para criar, a partir dos editais escritos, novos materiais voltados para educomunicação, incentivando visões nas escolas públicas.

Além disso, há inúmeras histórias ainda a serem contadas em outras periferias e espaços ao redor da cidade e do Brasil. Por isso, há uma grande possibilidade de o coletivo apostar em uma série continuada.

 

Veja o teaser do documentário
 

junho 8th, 2018

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A plataforma Ecosia destina grande parte de seus lucros para ajudar no reflorestamento do planeta

 

Imagine se uma árvore fosse plantada cada vez que você pesquisasse alguma coisa na internet? Legal, né? Pois é mais ou menos isso que o buscador alemão Ecosia faz.

O ecosia.org destina 80% de seus lucros para programas de reflorestamento em todo o planeta. A meta é plantar um bilhão de árvores até 2020.

“Nós queremos um mundo onde todos vivam em harmonia entre si e com a natureza e estamos trabalhando duro para que isso se torne realidade”, diz a diretora de relações públicas da companhia, Jacey Bingler.

A ideia de criar a plataforma surgiu em 2009, depois que o administrador de empresas Christian Kroll passou um ano viajando. Infeliz no trabalho anterior, ele queria fazer algo que realmente valesse a pena para ele.

 

Mudas de pantas e regador. Site de busca planta uma árvore a cada pesquisa feita

 

Desde então, já foram plantadas 25 milhões de árvores, o que representa quase sete milhões de euros investidos (cerca de 28 milhões de reais).

O dinheiro vem dos anunciantes do site. Por isso, quanto mais usuários, mais sementes cultivadas. Hoje, o Ecosia utiliza a base de dados do buscador Bing, da Microsoft.

Saiba mais neste vídeo em inglês sobre o Ecosia:

“Em breve, esperamos ajudar as pessoas a tomarem decisões mais sustentáveis”, diz Jacey. “Se elas buscam um serviço, queremos mostrar aqueles que menos liberam gás carbônico. Se buscam um produto, vamos mostrar onde é possível alugar ou até mesmo pegar emprestado, em vez de incentivar a compra. Queremos ser um buscador ‘verde’”.

Uma das mais de 10 instituições ajudadas pelo Ecosia é a brasileira Pacto, cujo objetivo é preservar e restaurar áreas nativas de Mata Atlântica. Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), esse bioma teve quase 30 mil hectares destruídos (o equivalente a 42 mil campos de futebol) apenas entre 2015 e 2016.

 

Homens agachados em meio a plantação de mudas. Site de busca planta uma árvore a cada pesquisa feita

 

Os dados são alarmantes, mas Jacey acredita que pequenas atitudes somadas podem mudar o mundo. “Graças às placas de energia solar em nosso escritório, não produzimos gás carbônico. Além disso, cada busca feita no Ecosia tira um quilo de CO2 da atmosfera. Tudo isso pode causar um grande impacto se mais pessoas fizerem. É isso que tentamos compartilhar com nossos usuários”, conclui.

 

No Brasil, uma atleta também resolveu transformar resultados em sementes. No caso de Mirlene Picin, atual bicampeã sul-americana de ski cross country, nove vezes campeã brasileira de biathlon e dona de 26 medalhas no sul-americano da categoria, ela transforma os resultados de medalhas em mudas de árvores.  A cada pódio, uma quantidade é plantada. Desde 2015, quando o projeto começou, já foram plantadas 1.100 mudas. Só neste ano foram contabilizadas 110 árvores em cinco pódios.

Já outro exemplo de quem virou um empreendedor do verde vem da Alemanha, assim como o Ecosia. O jovem Felix Finkbeiner criou, em 2008 aos 9 anos, o projeto Plant for the Planet, que atua na mobilização de jovens e crianças para o plantio de mudas em todo o mundo. Desde então, mais de 15 bilhões de árvores foram plantadas. A meta agora é atingir a marca de 10 milhões até 2021.

abril 25th, 2018

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Antes de começar a empreender é necessário conhecer sobre o mercado, concorrentes, investimento entre muitos outros pontos importantes. Mas também é interessante ler histórias de alguns empreendedores. Você pode se surpreender com o caminho percorrido por outras pessoas que, como você, querem ter seu próprio negócio.

Uma das histórias é do paulistano Kauê Russo, que aos 16 anos abriu seu primeiro negócio, que quebrou e um ano por falta de planejamento financeiro. Aos 18, montou uma nova empresa, fechada pouco depois por falta de estratégia. Hoje, aos 25, é dono de uma agência de marketing, uma startup de imóveis de leilão e está prestes a abrir um mercado especializado em vender produtos próximos ao vencimento a preços vantajosos.

Aos 25 anos, o empreendedor Kauê Russo comanda três negócios

Kauê faz parte de um grupo de jovens que cada vez mais cedo vislumbra comandar o próprio negócio. Isso se reflete na sala de aula da professora Letícia Menegon, coordenadora do centro de empreendedorismo da ESPM-SP. “Na semana, perguntei quem pretendia empreender, 40% dos meus alunos levantaram a mão. Isso é reflexo de uma geração que busca flexibilidade e não gosta da organização hierárquica do trabalho”, diz.

 

Um país de empreendedores

Pesquisa realizada pela startup norte-americana Expert Market, em 2017, mostra que o Brasil ficou em 5º no ranking com mais pessoas dispostas a empreender, em um ranking com 15 países.

E com mais gente empreendendo, as perspectivas também melhoram. O Perfil do Jovem Empreendedor Brasileiro, realizado em 2016 pela Confederação dos Jovens Empreendedores (Conaje), apontou que os jovens estão empreendendo mais e cada vez mais cedo. E suas empresas estão mais duradouras e estáveis: 49% de quem respondeu declaram ter um negócio há pelo menos cinco anos. Foram ouvidas cinco mil pessoas de 18 a 39 anos de todo o Brasil.

Para quem tem o sonho de ter o próprio empreendimento, saiba que não é preciso esperar pelo momento ideal. É preciso começar, prestando atenção em algumas dicas:

 

1. Não espere pela grande ideia

Vale mais um empreendedor na mão do que uma ideia de um milhão de dólares voando.

Um bom ponto de partida é pensar no que ninguém está fazendo ainda, mesmo que o negócio não seja novo. “Se você muda a forma de abordar o cliente, inova nos processos ou cria novas experiências, vai longe”, diz a especialista da ESPM.

 

2. Encontre sua real motivação

Sua vontade é ganhar dinheiro ou trabalhar menos? Não se iluda: na prática, o empreendedor tende a trabalhar mais do que um funcionário comum e pode levar algum tempo para ter retorno.

“Só para pagar pelo o que investiu são pelo menos seis meses. Para começar a ter lucro, de um ano e meio a três”, explica Augusto Aielo, vice-institucional do Fórum de Jovens Empreendedores (FJE) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O segredo é encontrar aquilo pelo que você tem paixão, e fazer disso sua motivação.

 

3. Dinheiro para que?

Seis de cada dez jovens empreendedores não buscaram nenhum investimento inicial para abrir suas empresas, diz a pesquisa do Conaje. De acordo com o levantamento, isso se deve ao fato de a maioria dos novos negócios ser do setor de serviços, que, em geral, demanda um capital inicial menor. “Montei minha agência com R$ 700, uma blusa que troquei por um computador e uma guitarra que troquei por mesas”, relembra Kauê Russo.

A pesquisa Perfil do Jovem Empreendedor Brasileiro mostra 40% dos jovens buscam capitalização para abrir seu negócio. A alternativa de financiamento bancário ficou em primeiro lugar (54%), seguida pelo apoio de família e/ou amigos (39%), investimento-anjo (5%) e fundos de capital de risco (2%). Na hora de escolher, é importante ter um plano de negócios detalhado, além de conhecer os juros e condições de pagamento de cada modalidade.

 

4. Arregace as mangas

Como é o mercado? Quem é o público-alvo, do que ele precisa e como se comporta? Para encontrar essas e outras respostas, é preciso muito estudo e planejamento. Conversar com quem trabalha no ramo e com outros jovens empreendedores é fundamental. Inclusive com quem já quebrou, para aprender com os erros dos outros.

 

5. Busque mentores

Eles são um ponto de apoio importante. Vale, inclusive, alguém da sua família. “Essa pessoa vai olhar de fora e apontar caminhos que não conseguimos enxergar quando estamos muito apaixonados pelo negócio”, indica Russo. Endeavor, Cubo, Google e incubadoras de startups costumam ter boas oportunidades de mentoria.

 

6. Persista

É preciso ter preparo psicológico para seguir o caminho do próprio negócio. Você vai ouvir muitos ‘nãos’, encontrar portas fechadas, ter que lidar com a burocracia brasileira e impostos de desanimar. “A grande característica do empreendedor é a resiliência. A gente vive de mudar, errar, quebrar e aprender”, explica Augusto Aielo.

março 22nd, 2018

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Natural da Bahia, Sergio Bispo chegou a São Paulo em 1989 e desde a infância trabalha como catador. Ele poderia ter tido o destino de tantos outros colegas de ofício, que batalham diariamente em meio ao trânsito puxando carroças pesadas, mas graças ao gosto por aprender acabou tornando-se um empreendedor socioambiental, e em 2014 começou o projeto Kombosa Seletiva.

“Quando tinha meu carrinho, comecei a participar de eventos e palestras a respeito da importância do nosso trabalho. Em um dos eventos, os técnicos me deram uma grande ideia”, lembra ele, mais conhecido como Bispo.

A ideia era basicamente uma oportunidade de mercado na cidade de São Paulo: oferecer serviço de coleta particular para quem, pela quantidade de resíduos gerados por dia – mais de 200 litros – não pode utilizar o serviço púbico.

Sem saber ler e nem escrever, Bispo se sentiu estimulado a ampliar seus negócios: se alfabetizou, tirou habilitação e comprou uma Kombi, com incentivo e apoio financeiro do sociólogo Pedro Tavares Nogueira, do produtor de eventos Bruno Aga e de Áurea Barros, do Instituto Viva Melhor.

Sergio Bispo em seu novo furgão: “lixo não existe” é um de seus lemas

 

Atualmente, a Kombosa conta com cinco catadores e faz o gerenciamento de resíduos em 45 pontos de São Paulo, entre condomínios e estabelecimentos comerciais. São 15 coletas por dia, e a antiga Kombi deu lugar a um furgão mais moderno.

A renda do trabalho inclui também eventos e palestras, nas quais Bispo, autodidata no aprendizado sobre gestão de resíduos, difunde a cultura da sustentabilidade. “Há muita técnica nesse setor, mas ninguém ensina os catadores. Muita gente não sabe o que fazer para avançar na vida, mas eu busquei a ajuda desses especialistas.”

O empreendimento pensado por Bispo permitiu a ele juntar dinheiro e comprar sua casa: aos 60 anos, com oito filhos e dois netos.  Agora, ele deseja deixar um futuro mais sustentável não só para sua família e para todos as crianças e adolescentes. Usando sua importante atividade como exemplo. “É preciso valorizar sempre o trabalho dos catadores e pensar nas futuras gerações que cuidarão do planeta, para a construção de um mundo sem desigualdade social e ambiental.”

Kombi usada por Bispo no começo do projeto

fevereiro 20th, 2018

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Você toma um caldo de cana e, indiretamente, acaba ajudando moradores de rua a terem uma nova oportunidade. É exatamente isso que faz o projeto Arte e Luz da Rua, que usa o bagaço que seria jogado fora para fazer luminárias e devolver a cidadania a quem antes vivia excluído da sociedade.

O projeto começou com a vinda da alemã Hedwig Knist ao Brasil, 27 anos atrás. Hoje com 53 anos, a ativista chegou por aqui aos 26 para realizar trabalhos voluntários ligados à Igreja Católica. A experiência, que duraria seis meses, se prolongou até os dias de hoje e teve como fruto o projeto que transforma resíduos da cana em artesanato e inclusão.

Sediada no Brás, em São Paulo, a iniciativa surgiu efetivamente em 2000, quando Hedwig e parceiros da Pastoral do Povo de Rua. Em 2012, quando saiu da Pastoral, a idealizadora seguiu com as atividades de maneira independente, o que resultou na transformação das oficinas em um empreendimento social de geração de renda.

“Um dos objetivos é a reintegração social dessas pessoas, pois muitas vezes elas conseguem emprego, mas não se adaptam por falta de postura adequada”, explica Hedwig.

Quando se acostumam a seguir regras e rotinas no projeto, os participantes conseguem se reinserir no mercado de trabalho com mais facilidade. “Esse é o maior aprendizado: ter de chegar a um local, na hora marcada, e desempenhar atividades com começo, meio e fim”, comentou a idealizadora.

Como funciona

Uma vez por semana, o grupo se organiza para buscar bagaço de cana em feiras e pastelarias. Levada à oficina, a fibra da casca é separada e processada. Por fim, ela é aplicada em uma estrutura de arame quadriculada, de acordo com o molde da luminária.

As luminárias são vendidas em feiras de artesanato, eventos ou sob encomenda, gerando renda para os participantes e a oportunidade de aprender um novo ofício.

“É um desafio trabalhar com população de baixa renda. A economia solidária também enfrenta dificuldades em relação ao comprador, que muitas vezes quer desconto, sendo que não temos uma margem grande de lucro. Apesar disso, é emocionante acompanhar a transformação positiva dos participantes”, diz Hedwig.

fevereiro 19th, 2018

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Gustavo Warzocha, um dos fundadores do aplicativo Monitora, Brasil! compartilha sua experiência, conquistas e metas

Em 2013, dois cientistas da computação se uniram e resolveram usar as ferramentas digitais disponíveis com um objetivo em mente: melhorar a política no Brasil. Naquele ano, ficaram em 2º lugar em uma competição realizada pela Câmara com o aplicativo Monitora, Brasil!, e hoje já conquistaram mais de 50 mil downloads na Play Store com a iniciativa, que inclui também uma versão para desktop, uma página no Facebook  e um canal no Whatsapp.

O app lista todos os deputados federais e senadores do Brasil, trazendo uma ficha completa de cada um deles, comparativos, gastos da cota parlamentar, faltas nas sessões e até envolvimento na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Mas como eles chegaram até esse formato? Quais são seus principais desafios para seguir empreendendo e causando impacto social?

Gustavo Warzocha, de 36 anos, cientista da computação e mestre em ciência política explica um pouco mais sobre como ele e Geraldo Augusto de Morais, de 37 anos, seu parceiro, estão caminhando em busca da sustentabilidade do projeto, que você também pode conhecer melhor na página da Fundação Telefônica Vivo.

Fundadores do aplicativo: Geraldo Augusto de Morais (à esquerda) e Gustavo Warzocha

1 – Por que vocês decidiram criar o projeto, em 2013, qual o estímulo e a proximidade de vocês com a política?

Nós somos entusiastas do uso das novas tecnologias da informação pela política. As manifestações de 2013 despertaram o nosso interesse e nos fizeram acreditar que poderíamos promover mudanças por meio do fomento à transparência e a participação política.

2 – Como o projeto se sustenta financeiramente?

Atualmente o projeto é sustentado por mim e pelo Geraldo. Todos os códigos são software livre – abertos para quem quiser utilizar. O desenvolvimento dos aplicativos é realizado pelo Geraldo e envolve custos financeiros de um servidor para hospedar os aplicativos. São, aproximadamente, R$ 100 por mês.

O projeto também envolveu custos para o desenvolvimento do portal, criação a manutenção da página no Facebook, criação de páginas e vídeos para as campanhas das Ideias Legislativas no E-cidadania do Senado Federal. O desenvolvimento do portal custou R$ 1.500 reais e cada página (Monitora Brasil – 10 Medidas e Super Cidadão), com o respectivo vídeo, custou R$ 1 mil. Os posts diários da página do Facebook custam R$ 2 mil por mês.

Os valores acima incluem os principais custos e despesas do Monitora, Brasil!, sem considerar os gastos indiretos com o projeto.

 

3 – Quantas pessoas trabalham no Monitora, Brasil?

Nós temos um publicitário, o Ismael Lima, que fica responsável pelos posts diários na página do Facebook. Ele recebe pelos posts diários mas também faz trabalho voluntário para o Monitora, Brasil!

Ismael desenvolveu a parte de telas do Super Cidadão (jogo que compara desempenho de políticos), faz os roteiros dos vídeos para as campanhas e ajuda em todas as decisões sobre o Monitora, Brasil!

4 – Que modelos vocês estudam para conseguir recursos?

O projeto ainda não gera renda. Estamos procurando qual a melhor forma de institucionalizá-lo: ONG, Startup, Crowdfunding ou outra. Em junho de 2017, fomos selecionados como projeto de inovação social pelo Des-conferência: hackeando a burocracia.

A seleção foi importante para mostrar que estamos no caminho, mas não foi suficiente para definirmos qual o melhor modelo de negócio para o Monitora, Brasil! Nossa pretensão atual é tornar o Monitora, Brasil! sustentável.

5 – Quais os principais desafios para empreender nessa área e que dica vocês dariam para jovens empreendedores?

O grande desafio nessa área consiste em mobilizar e engajar as pessoas. Existe um caminho difícil a ser percorrido para transformar a indignação em transformações sociais efetivas. Precisamos prover meios para que as pessoas acreditem e participem ativamente das decisões que afetam suas vidas e o futuro do Brasil.

Para os jovens empreendedores, antes de dar uma dica, primeiro damos os parabéns pela coragem e determinação: vocês são o futuro do Brasil. Como dica, sugerimos que se envolvam nos problemas de suas comunidades, criem novas ideias e exijam renovação política. O mundo está desta forma porque as pessoas o fizeram assim e vocês tem o poder de mudar isso.

fevereiro 6th, 2018

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