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Jovem está em pé e olhando para o horizonte, usando dispositivo feito com materiais recicláveis para assistir a vídeos 360° por meio de um celular, um exemplo de gambiarra que ajuda a explicar o termo Mecnologia.

Você sabe o que é ‘mec’? Já teve uma ‘chuva de mec’? Ou talvez viva a filosofia da Mecnologia? É, essas respostas podem ser difíceis para quem não está por dentro das gírias do funk carioca. Criada em 2016 pelo Mc TH, mec é o mesmo que estar “tranquilão, numa boa ouvindo o batidão”. São os famosos “suave na nave”, “de boa na lagoa” e “nice on the ice”. No bom e velho português, é o estado de quem está sereno, sem preocupações.

Já Mecnologia é um conceito recém-saído do forno, que une a gíria carioca à palavra tecnologia para descrever a capacidade que moradores das periferias do Rio de Janeiro desenvolvem para permanecerem tranquilos em meio à violência e à escassez de direitos e serviços básicos, como saneamento, educação e moradia.

Quem primeiro trouxe o neologismo foi o artista plástico e cineasta Raphael Cruz, morador do Complexo da Maré (RJ). O conceito fez tanto sentido que foi logo assimilado pelos intelectuais e pensadores da periferia, chamando a atenção para esse modo de vida que envolve criatividade, esperteza e inovação.

Alguns dos exemplos práticos da Mecnologia são o mototáxi que diminui as dificuldades de locomoção nas comunidades, os puxadinhos que resolvem os problemas de moradia, o banho na caixa d’água para aliviar o calor, o ‘dividir para multiplicar’, a ‘água no feijão’ e outras tantas gambiarras que ajudam a periferia a criar sua própria forma de ser e estar na cidade, como descreveram em um artigo sobre Mecnologia as jornalistas Marcela Lisboa, de 27 anos, e Thamyra Thâmara, de 30 anos. 

Da margem para o mundo

Thamyra Tamara, fundadora da GatoMídia que registrou a reação de jovens a vídeos 360° no melhor estilo Mecnologia, está sorrindo para foto, com os cabelos encaracolados presos e com o Complexo do Alemão ao fundo.Thamyra, que é da periferia de Brasília, mas está há seis anos morando no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, é fundadora do GatoMÍDIA, um espaço de aprendizado em mídia e tecnologia criado na comunidade carioca, em 2013, e voltado para jovens negros e moradores da periferia.

“Aqui a gente pensa muito na tecnologia a partir do que a favela produz, a partir das ferramentas de gambiarra usadas para resolver problemas do dia a dia, para contornar a ausência do estado e driblar o ambiente de escassez”, define.

As criações feitas por quem participa dos laboratórios do GatoMÍDIA ampliam a voz da periferia e ajudam a difundir um novo olhar para problemas sociais enfrentados diariamente pelos moradores das comunidades, como os jogos Meritocracia e Transfobia.

Também consolidam o acesso às novas tecnologias, como aconteceu recentemente com moradores do Complexo do Alemão que, pela primeira vez, vivenciaram a experiência de realidade imersiva, com vídeos de 360º, produzido por jovens de diversas favelas do Rio. A reação foi registrada em vídeo por Thamyra, no melhor estilo Mecnologia.

Marcela Lisboa, fundadora da agência Naya empenhada a difundir o termo mecnologia, posa com cabelos raspados e usando um colar laranja e verde ao pescoço. Marcela Lisboa, também moradora do Complexo da Penha, é fundadora da agência de publicidade Naya, voltada para as classes C e D, e está empenhada em espalhar essa nova ideia. “É importante que as pessoas saibam que os moradores da favela podem não apenas refletir, mas elaborar conceitos sobre si mesmos ou qualquer outra coisa. São conhecimentos marginais, que insurgem nas beiras da sociedade”

Ao lado de Raphael Cruz, Marcela é diretora e roteirista de um longa documental – com participação de Taisa Machado no roteiro – que reflete sobre as soluções criativas pensadas pela favela como parte dessa ciência da tranquilidade, com lançamento previsto para o meio do ano. A seguir, ela explica mais sobre Mecnologia na periferia. Confira:

Mecnologia está relacionado à abundância de otimismo? Qual o segredo para manter esse otimismo (e a criatividade), especialmente para quem vive em um contexto de muita escassez?

Marcela Lisboa: Quando a gente cresce cercado de ausências, aprende a valorizar todas as pequenas vitórias. Para algumas pessoas a graduação não é nada demais. Pra um favelado, concluir a faculdade é uma vitória coletiva. Há um valor subjetivo imaterial incluído nisso. Não sei se é abundância de otimismo ou se o sonho e a fé são as únicas coisas que podem levar além das estatísticas. Creio que vale a máxima: fé em Deus e nas crianças da favela.

Cite alguns exemplos de Mecnologia mais perceptíveis no dia a dia.

Marcela Lisboa: Toda vez que falta água no morro e um vizinho ainda tem, ele liga uma borracha à torneira mais próxima e enche o balde dos outros. A falta de creches é compensada pela vizinha que toma conta dos filhos da outra, ou do vizinho eletricista (ou não) que sobe no poste de luz quando falta e resolve tudo. Essa cultura do compartilhamento em meio à escassez é o princípio básico do que chamamos de “nós por nós”.

Thamyra está ajudando jovem a colocar em frente aos olhos dispositivo feito com materiais recicláveis para assistir a vídeos 360° por meio de um celular, um exemplo de gambiarra que ajuda a explicar o termo Mecnologia.

É preciso ter um certo perfil ou uma certa personalidade para ‘ficar mec’?

Marcela Lisboa: O que mais me fascina na cultura do funk é que ele é feito na favela, mas é pra todo mundo. A segregação não faz parte dos nossos valores.

A cultura do funk está, de alguma maneira, relacionada à ancestralidade dos povos africanos?
Marcela Lisboa:
Sem sombra de dúvidas. Entendo a ginga do passinho como uma nova versão do que seria a capoeira. O samba de roda é um pouco disso também. Características de um povo que dança para não surtar por conta do ódio.

O funk é uma grande tecnologia de movimentação do corpo que passa pela movimentação do chakra básico. A própria linguagem desenvolvida nas gírias como parte de um processo de adaptação a um mundo que exclui. O mesmo com o samba, o jongo ou qualquer outra criação nossa. Eu chamo de herança ancestral. Nossa parceira Morena Mariah escreveu um pouco sobre isso em seu canal no Medium.

As tecnologias digitais ampliam o alcance da voz da periferia e garantem certa emancipação em diversos aspectos, da representatividade à produção de conhecimento.  Quais são os benefícios disso?

Marcela Lisboa: Nem podem ser mensurados. O geógrafo Milton Santos fez sua aposta sobre um outro futuro possível. Nós acreditamos que esse outro futuro passa pelo reconhecimento de que nós, afro ameríndios, somos parte integrante da geração que produz conhecimento e apresenta soluções para as crises.

É conseguir falar de si em primeira pessoa depois de anos e anos de exclusão e marginalização. Se a geração dos meus pais e avós sofreram por invisibilidade, eu sou fala e bites. Não há mais intermediação para comunicar minha realidade. Estamos nos apropriando dos meios de comunicação de massa. Agora precisamos construir estruturas e reconstruir o sentido de brasilidade tendo a globalização como uma aliada.

O seu filme é um exemplo disso, né? Pode falar um pouco mais sobre ele?

Marcela Lisboa: Mecnologia é um projeto multiplataforma que tem o baile funk como ponto culminante de tudo: empregabilidade, economia criativa, perspectiva do sonho, low e high tech e o circuito migratório da favela. Vamos comparar o baile com outros grandes eventos da cidade, tudo numa linguagem e estética afrofuturista.

O projeto será acompanhado de uma revista com distribuição em escolas públicas com pesquisas e reportagens que embasam o documentário. Nada de academiquês. Temos uma parte da gravação iniciada, mas ela será em junho e julho, porque ainda estamos buscando financiamento. Faremos exibições nas favelas onde gravamos e em escolas públicas, mas também quero lançar em festivais internacionais.

Como disseminar a ideia de que a favela é lugar das soluções, não de problemas? Marcela Lisboa: É um exercício básico: quando a gente fala de favela, o que vem na mente? Tráfico, morte, sujeira, violência, medo. Nem carro por aplicativo a gente consegue pegar. O cinema nacional não ajudou muito, já que os grandes clássicos internacionalmente conhecidos são a reprodução de um olhar de fora para dentro. Eu estou bem cansada da narrativa da vitimização e do coitadismo.

Sou uma profissional. Minha trajetória é diferente, mais resiliente e com muitas outras dificuldades, mas escolhi não contar a história triste. Quero contar o que a gente pensa de solução, de criação. Pra mim, isso é sobre mostrar pra minha mãe e pros meus sobrinhos que eles não precisam ter vergonha de quem são. É promoção de autoestima, para além da estética. É promoção de dignidade humana e cidadã para que outras Marcelas consigam sonhar com um outro futuro possível.

março 8th, 2019

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Empreendedora usa gestão financeira para empoderar mulheres na periferia do RJ

Todos os dias, ideias inovadoras são propagadas por mulheres inspiradoras. Algumas delas escolheram o empreendedorismo para disseminar, pouco a pouco, a transformação que querem ver no mundo. É essa a missão de Ludmila Hastenreiter, 30 anos, que decidiu compartilhar, através de palestras e oficinas, conceitos de gestão financeira para microempreendedores da periferia, buscando especialmente empoderar mulheres.

“A Empoderamento Contábil surgiu da necessidade de compartilhar a importância da gestão financeira para a saúde de uma empresa”, define a empreendedora, acrescentando: “Mas também com o intuito de retribuir para os meus iguais o conhecimento e as oportunidades que tive ao longo destes 12 anos de mercado formal”.

Criada em Duque de Caxias, zona periférica do Rio de Janeiro, Ludmila acostumou-se desde cedo com a rotina de deslocamento em direção à ascensão educacional e profissional – localizada nas regiões nobres do estado. Essa distância foi ficando cada vez mais clara, não apenas fisicamente, mas sobretudo no que diz respeito aos caminhos que traçou.

Dividida entre Comunicação Social e Ciências Contábeis, a jovem, que sempre amou os números na mesma medida das palavras, escolheu fazer carreira na segunda área, pois, na época, era a única que lhe oferecia a possibilidade de conseguir um estágio remunerado.

“À medida que os anos passavam, percebi que para prosperar na carreira corporativa, eu precisaria me afastar cada vez mais dos meus valores e de quem eu sou”, relembra a empreendedora. “Infelizmente, em alguns momentos, tive de me masculinizar, fingir que não era mulher, que não era tão negra assim”.

Essa perspectiva, no entanto, também fez com que Ludmila enxergasse o empreendedorismo e os pequenos empreendedores periféricos com outros olhos. Percebeu que, com informação e treinamento de qualidade, disponibilizados numa linguagem descomplicada, por um preço acessível, o conhecimento que lutou para conquistar do outro lado da cidade, poderia ser concentrado em sua própria comunidade.

Empreender é desconstruir

Apesar de ter decidido o foco do empreendimento, o caminho a seguir a partir de então não foi tão simples. Os primeiros obstáculos foram os próprios pré-conceitos de Ludmila e do público alvo da Empoderamento Contábil.

“Eu precisei, e ainda preciso, desconstruir alguns pensamentos, principalmente o de que só um emprego com carteira assinada vai me abrir portas”, diz a empreendedora. “Essa é uma ideia bem comum na periferia. Meu público-alvo encara a própria profissão como um bico, uma renda extra até voltar ao mercado de trabalho. O que eu quero é conscientizar esse microempreendedor do potencial que tem, mostrando que a gestão financeira também é para ele”.

Em 2017, quando Ludmila oficializou o negócio, buscou nas ruas os desafios que precisaria enfrentar. Entre eles, listou a dificuldade de acesso a crédito, burocracia na formalização do micronegócio, ausência de capital de giro e incerteza sobre o sucesso do empreendimento. No caso específico da empreendedora, o apoio da família e dos amigos foi fundamental para o sucesso de seu negócio, mas ela conta que muitas pessoas com quem conversa em seus workshops não recebem o mesmo reconhecimento, o que desencoraja a visão do empreendedorismo como alternativa profissional.

Para fazer acontecer

Apesar de não ter tido nenhum tipo de capital semente ou ajuda de colaboradores diretos, a Empoderamento Contábil já abriu caminho com uma vantagem: o conhecimento da fundadora em relação à gestão estratégica e de custo. Além disso, os mais de 10 anos de carreira no mercado formal deram a Ludmila o panorama necessário para entender os processos de estruturação e planejamento de uma empresa.

Atualmente, a startup é conduzida apenas pela fundadora e conta com parcerias e colaborações com coletivos, ONGs e outros empreendedores sociais. O site, por exemplo, foi desenvolvido com a ajuda de três designers do projeto Cumbuca Marketing, que usaram as técnicas do design Sprint para mapear e terminar de definir os serviços ofertados pela consultoria. Outro passo importante na trajetória do empreendimento foi o redirecionamento de público. Ludmila optou por orientar o conteúdo de seus serviços para mulheres empreendedoras e periféricas.

Ludmila Hastenreiter, que criou a Empoderamento Contábil para empoderar mulheres, está sentada ao computador sendo gravada por câmera.

“Percebi que minha primeira opção é falar com mulheres. A importância e o impacto que a mulher tem na disseminação do conhecimento é ímpar; entre os jovens, dentro de uma família. Ainda mais quando essa mulher é empreendedora, e tem que cumprir uma série de atividades sendo uma só”, explica Ludmila.

Conquistas alcançadas e à vista

Desde 2017, foram realizados em média 10 grandes eventos. Dentre eles, a maioria palestras gratuitas e alguns workshops de baixo custo, que variaram entre R$ 20 e 60. Ainda assim, foram distribuídas algumas gratuidades, para ampliar as oportunidades de quem não poderia arcar com esse valor.

Além da consultoria presencial, Ludmila abriu um canal de treinamento online, o Vamos Juntas! O curso se dedica a ensinar mulheres a administrar o dinheiro e investi-lo para potencializar a carreira profissional. No futuro, a empreendedora pretende implementar um sistema de plataforma de ensino online, mas por enquanto opta pela maior parte dos serviços  presenciais, incluindo palestras e consultorias em empresas.

Ludmila Hastenreiter, que criou a Empoderamento Contábil para empoderar mulheres, está ao lado de dez participantes do canal de treinamento Vamos Juntas!

Para complementar os planos e somar conhecimento, Ludmila foi aprovada recentemente em um curso extensivo de Finanças Corporativas na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos. Apesar de ter recebido bolsa integral, as despesas da viagem não são inclusas e, por isso, a empreendedora abriu um financiamento coletivo para arrecadar fundos, que funciona por meio de um sistema de recompensas: a cada contribuição feita, o doador tem a chance de criar uma oficina em um bairro periférico do Rio de Janeiro.

Dessa forma, o conhecimento somado e adquirido retorna para a periferia e os valores, uma vez negados, são exaltados como potenciais transformadores. Mulher, negra, periférica e empreendedora social, Ludmila Hastenreiter imprime no mundo um pouco da sua marca todos os dias.

Enquanto a Empoderamento Contábil alcança os primeiros resultados e define metas para o futuro, outros empreendimentos criados por mulheres e voltados para abrir caminhos na vida profissional despontam como potenciais transformadores. É o caso da RAP – Rede de Afro Profissionais, uma ferramenta que conecta mulheres negras a oportunidades no mercado de trabalho.O projeto foi desenvolvido por duas irmãs, Jéssyca (26) e Monique Silveira (31), e surgiu com a missão de promover a igualdade racial e de gênero, ao criar uma rede de conexões entre mulheres negras e as mais diversas vagas de emprego, incentivando a ocupação de cargos de liderança.

Antes de ser acelerado pelo Pense Grande Incubação, a RAP começou como um grupo no Facebook, que reunia mulheres negras e as incentivava a empregarem umas às outras. Hoje, a startup movimenta em média 15 mil mulheres conectadas.

março 8th, 2019

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O movimento slow – expressão que em inglês  significa “devagar” –  tem despontado como alternativa para a dinâmica massiva de produção industrial.  O principal objetivo desse conceito é incentivar as marcas e o público a resgatarem valores como sustentabilidade, diversidade, ética e consumo consciente.

É o caso do slow fashion, tendência que surgiu em oposição aos hábitos de consumo excessivos e também às condições degradantes que envolvem a cadeia produtiva na indústria da moda. A concepção foi criada pela consultora inglesa Kate Fletcher, em 2008, e inspirada nas bases do slow food, conceito que defende a busca por uma alimentação de qualidade.

A ideia é respeitar o tempo de cada etapa da produção, impedindo que estilistas tenham que criar 10 a 30 modelos de roupa por dia, sem poder pensar com o tempo devido em qual a necessidade de criar o produto”, define Marina de Luca, diretora de Comunicação do Fashion Revolution Brazil.

Além de se preocupar com todo o processo envolvido na confecção, o movimento  traz ainda um olhar mais amplo em relação ao estilo de vida. A missão é não apenas mudar a forma de vestir, mas também a forma de pensar, sobretudo no ato de adquirir os produtos.

“Quando as pessoas entendem o processo por trás de suas roupas, como são feitas, do que são feitas, quem fez e depois, pensam para onde vão ao serem descartadas, não tem como não se sensibilizar”, acrescenta Fernanda Simon, consultora de moda sustentável e co-idealizadora do Eco Fashion Week.

“Escolhas mais conscientes podem variar desde o simples ato de não comprar, usar o que já tem, cuidar bem, consertar e trocar com amigos. Só assim podemos mudar hábitos de consumo”, reflete.

Para explicar um pouco melhor esse movimento, indicamos seis iniciativas slow fashion que se comprometem a desacelerar os padrões com muita qualidade e essência. Conheça alguns princípios para não ficar de fora dessa moda!

Clo – Sustentabilidade e causa

A marca de sapatos que foi batizada com o nome da cachorrinha do casal fundador, Clo, tem como premissa produzir calçados a partir de resíduos industriais e revertê-los para ONGs ou instituições de proteção aos animais.

Localizada em Novo Hamburgo (RS), região famosa pelo segmento de calçados, a Clo trabalha o conceito de slow fashion aproveitando o material desperdiçado por essas indústrias – impedindo que mais recursos sejam gastos – e desenvolvendo modelagens exclusivas (na maioria das vezes edições limitadas).

As vendas são feitas online e 10% da receita adquirida é doada, a cada três meses, para organizações locais.  Além de garantir a sustentabilidade, a marca reverte a lógica de consumo e incentiva o ecossistema local.

 

Karmen – Qualidade na confecção

A maior preocupação da marca curitibana criada pelo artista Rimon Guimarães está no tecido das peças. Essa premissa é garantida da seguinte forma: os materiais descartados da indústria têxtil, partindo de fornecedores devidamente regulamentados, é utilizado na confecção das peças da Karmen e reforçado para durarem mais.

Damn Project – Ciclo de vida

O ciclo de vida dos produtos é uma preocupação típica do slow fashion, pois determina o ritmo de consumo para substituí-los. O Damn Project surgiu justamente para tentar solucionar esse problema: sua missão é funcionar como um brechó consciente. Além de apoiar marcas e designers brasileiros, trabalham para colocar de volta no mercado roupas em desuso.

 

Gioconda Clothing – Diversidade

A Gioconda Clothing, marca de lingeries, já vem com o DNA do slow fashion na proposta inovadora: produção artesanal de roupas de baixo confortáveis para ficar em casa! Indo na contramão da plasticidade das lingeries, as peças são produzidas em pequena escala e tem todos os materiais certificados e 100% brasileiros.

Ahlma – Preço

A imagem mostra a fachada de uma loja com manequins e alguns cartazes

Geralmente, as marcas slow fashion costumam ser um pouco mais caras devido ao processo produtivo artesanal e em pequena escala. Para entender exatamente o porquê e o que estão pagando, a Ahlma, grife carioca idealizada pelo estilista André Carvalhal. preocupa-se em detalhar cada peça com a descrição da origem dos materiais, quanto do valor corresponde aos impostos, custo operacional, investimento e lucro.

 

Doisélles – Ética

A Doisélles tem um diferencial no processo produtivo de suas peças: o valor social. A marca idealizada por Raquell Guimarães usa trabalhos em tricô e crochê, que são realizados por detentos de duas penitenciárias de segurança máxima em Minas Gerais. A oficina é composta por homens que aprendem a tecer em troca de salário, redução de pena e auxílio às famílias.

Além disso, a capacitação profissional também está entre os objetivos principais, tendo como destino os investimentos adquiridos com o lucro das peças.

março 1st, 2019

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Na imagem, três jovens negros conversam sentados em volta de uma mesa. O rapaz do centro está com um notebook virado para ele.

Em bate-papo, a jovem mestranda e pesquisadora, Taís Oliveira, fala sobre oportunidades e afroempreendedorismo no Brasil.

Quando via de perto o esforço de sua mãe, envolvida em diferentes atividades para complementar a renda da família, Taís Oliveira, nascida no bairro Parque Santos Dumont, periferia de Guarulhos (SP), nem imaginava, mas estava dando seus primeiros passos rumo ao que mais tarde seria seu objeto de trabalho e até o tema de sua dissertação de Mestrado: o afroempreendedorismo.

Participando de cursos e atividades em um projeto social na cidade em que vivia, Guarulhos, Taís decidiu fazer a faculdade de Comunicação Social com ênfase em Relações Públicas. O curso lhe abriu portas para se aprofundar em temas como o empreendedorismo negro.“Não só nos dias de hoje, mas em toda a história da população negra do Brasil, o maior desafio é lidar com o racismo”, garante Taís.

Aos 28 anos, ela é pesquisadora membra do NEAB (Núcleo de Estudos Africanos e Afro-brasileiros) na Universidade Federal do ABC, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais e cofundadora do blog Versátil RP.  Recentemente, Taís esteve em Portugal para participar do evento Smart Data Sprint, que reúne investigadores e estudantes de todo o mundo interessados em trabalhar com dados e métodos digitais.

O que dizem as pesquisas

O termo afroempreendedorismo é uma modalidade de negócios voltada à valorização do empreendedor negro como investidor em potencial e grande representante do mercado de negócios. De acordo com a última pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Sebrae em 2017, as pessoas negras são a maioria dos empreendedores do Brasil e movimentam mais de R$ 1 trilhão de reais por ano na economia, segundo o Instituto Locomotiva.

Driblando o desemprego, combatendo o racismo e a falta de oportunidades, o empreendedorismo se torna uma estratégia para escapar da crise e incentivar novos empresários a crescerem nesse mercado.

Na visão da especialista

Taís Oliveira teve um de seus artigos, Redes Sociais na Internet, Narrativas e a Economia Étnica: Breve estudo sobre a Feira Cultural Preta, publicado no livro Estudando Cultura e Comunicação com Mídias Sociais, que reúne textos de professores e pesquisadores que debatem métodos, identidades, política e mercado da Comunicação. A publicação está disponível para download gratuitamente neste link.

Batemos um papo com a Taís para conhecer um pouco mais de sua trajetória e saber sua visão sobre afroempreendedorismo, o uso das redes sociais como forma de comunicação, a participação das mulheres negras nesse contexto e outros temas. Confira!

Como os estudos sobre afroempreendedorismo surgiram na sua vida? 

 

 A jovem Taís Oliveira posa para foto

A pesquisadora Taís Oliveira

Taís Oliveira – Desde pequena acompanhei minha mãe, que é uma mulher negra, nordestina, empregada doméstica, em atividades paralelas que ela realizava para ganhar um dinheiro extra. Naquela época não entendíamos isso como empreendedorismo. Fui mantendo essa relação muito próxima com o tema. Trabalhei em agências de comunicação e sempre ofereci aulas para movimentos sociais e pessoas que não têm muito acesso. Nesse processo, conheci a Feminaria, uma casa para mulheres empreendedoras, onde ofereci muitos cursos de planejamento e comunicação. Me aproximei de movimentos como o Afro Business, a Feira Preta e a Black Rocks, onde sou mentora e ofereci cursos. Com isso, descobri que o afroempreendedorismo tem aspectos sociais que vão além das questões técnicas. Tem muito sobre racismo, identidade, estrutura social, questionar padrões de práticas. E consegui encaixar isso em uma teoria da sociologia do trabalho que é interessante para pensar na questão do grupo étnico.

O que te ajudou a iniciar sua trajetória?

Taís Oliveira – Consegui galgar alguns espaços porque sempre investi em blogs, mantive minhas redes sociais sempre ativas e tudo que aprendi e aprendo, tento compartilhar de alguma forma. Mantenho minhas apresentações abertas para acesso gratuito. O grande segredo é compartilhar conteúdo de qualidade e empreender em aspectos que não necessariamente estejam ligados a ganhar dinheiro. Essa troca de informações e conhecer pessoas também são elementos importantes na carreira.

Qual a essência do termo afroempreendedorismo?

Taís Oliveira – O conceito de empreendedorismo está próximo de questões administrativas, de finanças, gerenciamento em torno de negócios, etc. Isso tudo também existe quando estamos falando de afroempreendedorismo, mas as questões sociais relacionadas a ser negro no Brasil e em outros países também está em voga quando relacionamos ao tema. Por exemplo, em eventos, sempre está prevista uma discussão sobre racismo, educação, mercado de trabalho de maneira geral. Os grupos e movimentos sobre afroempreendedorismo estão conectados a movimentos sociais debatendo política, se posicionando de uma forma mais clara e objetiva. Então, o afro vai além de questões técnicas e financeiras. Não é só promover o lucro, mas também uma reflexão importante sobre pautas sociais.

Quais os maiores desafios para os empreendedores negros?

Taís Oliveira – Não só nos dias de hoje, mas em toda a história da população negra do Brasil, o maior desafio é lidar com o racismo. E é um racismo estrutural. Parte desses empreendedores estão nessa função porque não tem um emprego formal ou porque sofreram algum tipo de preconceito em empresas. Um dos desafios, já a respeito da prática em si, é a questão do financiamento. O professor Marcelo Paixão tem uma pesquisa que fala do acesso ao microcrédito. Ele mostra como a pessoa negra que busca crédito é barrada já na porta do banco. A questão de encontrar financiamento é um problema. E sem esse dinheiro inicial, é difícil empreender, em muitos casos. A questão do racismo é bem presente nesse tópico.

O afroempreendedorismo pode ser classificado como um movimento de consumo consciente?

Taís Oliveira – Sim. Inclusive, há movimentos como “Se eu não me vejo, não me compro” ou o “Só compro do pequeno”. E isso é muito aplicado dentro do afroempreendedorismo: consumir produtos e serviços de empreendedores negros. E isso tudo tem ganhado uma proporção grande. Eles mesmo fazem um esquema de comprar entre si e garantem que não vai haver mão de obra escrava, que vão ajudar uma família negra a prosperar, por exemplo.

Como a internet e as redes sociais podem contribuir com o afroempreendedorismo?

Taís Oliveira – As redes sociais possibilitaram o encontro dessas comunidades de afroempreendedores sem a necessidade de uma proximidade geográfica. Quem está em São Paulo pode trocar ideias e consumir produtos do Vale do Dendê, de Salvador, por exemplo. E até mesmo de movimentos fora do país. Isso, na verdade, segue uma tendência. As comunidades negras sempre se encontraram, especialmente as comunidades diaspóricas, um movimento de se aglomerar desde os quilombos. E chamamos esse movimento de quilombo digital, onde nos encontramos de alguma forma para promover o bem-estar da comunidade.

Na comparação salarial, os negros continuam ganhando menos e têm escolaridade inferior aos brancos. Como você analisa esse cenário?

Taís Oliveira – Isso é resultado de um período escravocrata no Brasil e de um racismo estruturado com políticas. Os negros não tiveram acesso à educação, a ferramentas de cultura, saúde. O resultado dessa disparidade é resultado ainda de um regime escravocrata. Temos menos de 200 anos de um país livre de fato. E a questão da violência é muito presente. As pessoas negras morrem mais e estudam menos. Hoje, mesmo que esse pequeno aumento do movimento afroempreendedor tenha seu pé calcado nas políticas de ação afirmativa, tanto de educação quanto de setor público, por exemplo, o poder acaba ficando ainda com quem define os salários.

E ainda segundo pesquisas, a maioria das pessoas negras que empreendem, são mulheres. A que você credita esse cenário? 

Taís Oliveira – Isso é uma resultante ao extermínio da população negra. A fonte acaba sendo a mesma que envolve o racismo. A diferença é que o homem negro morre mais. E as mulheres precisam então chefiar as suas famílias. Em consequência disso, arranjam alternativas para ganhar dinheiro extra. Também existe uma conexão de que as mulheres negras estudam mais que os homens negros.

Você acredita que a escola pode contribuir de alguma com o estimulo ao afroempreendedorismo?

Taís Oliveira – A escola pode mobilizar os alunos de forma geral sobre o tema empreendedorismo, empreendedorismo social, inovação. O afroempreendedorismo está relacionado a Lei 10.639, que estimula o ensino de estudo da África e de questões relacionadas a raça nas escolas. A escola pode ser uma importante ferramenta para isso. Mas o cenário é bem pessimista nesse sentido. Nem o básico da lei é aplicado hoje. Para chegar no patamar de ensino seria uma questão a mais de discussão hoje em dia.

Você tem alguma dica para as pessoas negras que querem empreender e enfrentam dificuldades?

Taís Oliveira – A primeira coisa a ser feita é saber onde se quer chegar e traçar um caminho para esse objetivo. Com esse desenho bem traçado, é possível visualizar em uma pequena escala a trajetória. Isso ajuda a descomplicar. E buscar capacitação técnica. Entender em quais áreas você precisa desenvolver habilidades para compor o seu negócio: administração, marketing, por exemplo. E desenvolver uma boa rede de apoio, não só entre familiares e amigos, mas com outros empreendedores negros que já estão em um nível de satisfação com o projeto.

fevereiro 6th, 2019

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Grupo de oito pessoas está reunido em torno de uma mesa discutindo projeto ligado ao Visionários da Cidade, que criou metodologia empreendedora para jovens da periferia

Um psicólogo, uma designer e um administrador de empresas uniram forças para criar um projeto voltado a jovens de periferia que desejam transformar sua realidade. Como eles fazem isso? A resposta está no apoio ao desenvolvimento de negócios de impacto social.

O Visionários da Cidade foi idealizado por Daniel Caminha, Liliane Basso e Aron Litvin em Porto Alegre (RS). O trio criou uma metodologia e um conjunto de ferramentas gratuitas para auxiliar jovens a tirar suas iniciativas do papel, fazendo com que sejam agentes de transformação de suas realidades.

Para tornar o programa possível foram articuladas parcerias entre o TransLAB – Laboratório Cidadão e a Brunel University London, com fomento do Newton Fund, por meio do British Council.

Liliane Basso conta que foi a partir do contato com diferentes perfis de jovens e educadores que surgiu a proposta de criar o programa. “Dentro do TransLAB, um laboratório de inovação social, percebíamos que entre os jovens existia uma vontade muito grande de mudar situações que os incomodavam em seus bairros e nos seus contextos de vida. Por outro lado, educadores nos procuravam para saber sobre quais ferramentas poderiam auxiliar os jovens a colocar suas ideias em prática. Diante disso, unimos as duas pontas por meio de um conjunto de atividades para desenvolvimento de projetos de impacto”, explica.

No início, o desafio do Visionários da Cidade era pensar em atividades e experiências para a transformação social, que dialogassem com a linguagem dos jovens e, ao mesmo tempo, com a dos educadores.

Quando conseguiram encontrar esse ponto de contato entre os dois universos, desenvolveram algumas de suas missões: a criação de estratégias para o enfrentamento da realidade, auxiliar os jovens na compreensão de seu contexto social de atuação e na identificação de oportunidades em seus territórios.

Conectando orientadores e transformadores

Da ideia inicial até a estruturação do negócio, todo o processo é acompanhado de perto por um facilitador ou educador voluntário, que pode ser um professor, um agente social ou uma liderança da comunidade. Sua função é, além de orientar na estruturação do projeto, ajudar os jovens a desenvolverem postura crítica e de resiliência diante dos desafios que vão surgir pelo caminho.

A atuação se assemelha a de um mentor: ao lado da turma de trabalho, a pessoa irá ajudar no desenvolvimento de cronogramas para colocar o projeto em prática, reconhecer a expectativa do grupo e, claro, aplicar a metodologia de acordo com a necessidade da turma.

É possível que o desejo de mudar a realidade surja também do próprio facilitador, que pode desenvolver um projeto e inspirar uma turma a embarcar nessa jornada com ele. Quando o grupo estiver formado, todos devem estar engajados e ter um objetivo acima de todos: causar impacto positivo na sociedade.

A atitude empreendedora para a transformação social

São três os pilares que devem nortear o caminho para o desenvolvimento dos negócios de impacto, de acordo com a metodologia Visionários da Cidade: viabilidade econômica da iniciativa, pensamento sistêmico (levar em consideração as diferentes relações que o projeto pode estabelecer) e atitude ativista (a consciência de que fazer o bem é seu papel no mundo).

Com essa perspectiva em mente, o próximo passo é seguir a metodologia, que está disponível de forma gratuita por meio da plataforma digital e do aplicativo do projeto.

Quem já encontrou soluções criativas para suas inquietações com a ajuda do Visionários da Cidade foram as idealizadoras da Mosh, um ateliê de publicidade musical destinado a artistas independentes. Ao perceberem que os músicos de Porto Alegre não tinham recursos para a criação de peças para divulgação de seus trabalhos, elas passaram a realizar a atividade de forma mais colaborativa e acessível para os artistas independentes.Os youtubers à frente do Expoente Zero também passaram pela metodologia e colocaram em prática um canal que mostra eventos culturais nas favelas da capital do Rio Grande do Sul. Jovens da periferia são capacitados para falarem sobre a realidade de onde vivem e serem protagonistas de suas histórias.

O futuro dos Visionários

Jovens sentados em cadeira formam plateia em palestra de projeto ligado ao Visionários da Cidade, que criou metodologia empreendedora para jovens da periferia

Em pouco mais de um ano de existência, mais de 50 jovens já desenvolveram seus projetos com a metodologia do programa. Os idealizadores também têm atuado em escolas de Porto Alegre, realizando a formação dos educadores para estimular seus alunos a pensar no empreendedorismo social como uma possibilidade de resolução de problemas em seus contextos de vida.

Em dezembro de 2018, Liliane Basso, que também é professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing no Rio Grande do Sul, conquistou o terceiro lugar do Prêmio Brasil Design Award, com o Visionários da Cidade, na categoria “Projetos de Impacto Positivo”.

Para os próximos anos, a ideia é que o projeto ganhe o Brasil e a América Latina. “Queremos trabalhar com instituições de ensino e de fomento ao desenvolvimento de projetos de impacto social. Ao mesmo tempo, estamos em busca de parceiros para acelerar as melhores iniciativas, além de criar um banco de investimento para esses projetos”, revela Lilian.

dezembro 26th, 2018

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O desenhista Magno Borges, as autoras Priscila Pacheco e Luana Nunes, e as jogadoras Júlia Reis, Lucivânia Silva e Andreza dos Santos estão posando como um time durante lançamento da HQ sobre futebol feminino

Apita o árbitro, rola a bola. Em campo, mulheres que antes mesmo de calçarem as chuteiras precisam sair driblando diariamente barreiras que passam por preconceito da família, situações de assédio, falta de tempo e espaço para treinar, e de dinheiro para conseguir pagar pela participação em torneios. O esforço vale a pena porque é ali, no campo esburacado, na partida sem regras rígidas de organização, que essas guerreiras exercem a maior de suas paixões.

A beleza e as dificuldades do futebol feminino de várzea foram retratadas na reportagem em HQ Minas da Várzea, publicada pela Agência Mural de Jornalismo das Periferias. Para produzir o material, a jornalista Priscila Pacheco, de 30 anos, foi até o distrito de Parelheiros, extremo sul da capital paulista, em direção à aldeia indígena do povo Guarani Mbya e ao campo de terra laranja do bairro Vargem Grande, regiões onde a cultura do futebol feminino é muito forte.

Acompanhada dos desenhistas Alexandre de Maio e Magno Borges, a repórter acompanhou a performance do time Minas do Toque, que na complexidade de suas jogadoras traz histórias preciosas como a de Josiana, que jogou grávida e voltou ao campo 40 dias após o parto. Ou de Lucivânia Silva Lima, que faz faxina pesada de segunda a sexta e mesmo assim tem energia para jogar futebol em dois times, aos sábados e domingos. “Eu amo jogar, largo qualquer compromisso para estar em campo. Sou atacante, mas pego até no gol quando precisa. Só o jogo é que não pode parar”, diz.


“O futebol é fio condutor para falarmos de várias coisas, como discussão de gênero, falta de saneamento básico nas periferias e também sobre as transformações do território, de como São Paulo vai se modificando do centro às regiões mais afastadas”, conta Priscila.

A escolha da HQ foi a forma encontrada de instigar o debate por meio do jogo entre imagens e palavras, como explica Magno. “Nós não temos representação gráfica para a periferia. Usamos a HQ para buscar esse viés mais artístico”.

A repórter Priscila Pacheco e o desenhista Magno Borges estão sentados ao lado de jogadoras em um banco, rodeado pelo público no lançamento da HQ sobre o universo do futebol feminino.

Bate-papo de lançamento da HQ Minas da Várzea, sobre o universo do futebol feminino.

Família dentro e fora de campo

A presença de filhos das jogadoras chamou a atenção da jornalista. Enquanto as mães estavam em campo, quem esperava a vez na arquibancada pegava para si o papel de cuidar das crianças. “Pensei que elas levavam os filhos porque não tinham com quem deixar, mas a verdade é que essa é uma forma de aproveitarem o final de semana em família”, explica Priscila.

“Minha filha vai em todas, é minha torcedora mais fiel”, afirma a zagueira Andreza Ricardo dos Santos, que montou o time há dois anos – e levou um ano de muita insistência para convencer os times masculinos a darem espaço ao torneio feminino. Mais do que capitã, é uma referência em engajamento.


“Nós passamos por muitas dificuldades, por isso sempre ajudamos umas às outras, seja com dinheiro para condução ou com apoio emocional. Somos família, dentro e fora de campo”, diz Andreza.

Sororidade, que pode ser definida pela união entre mulheres baseada na empatia e no companheirismo, é a palavra usada pela jogadora Júlia Reis, de 20 anos, para definir a aliança que se forma entre os times femininos, sejam eles de várzea ou não.

“A gente passa por tanta coisa que não tem como a gente não ser unida. Voltar para casa de chuteira e shorts é motivo para ser assediada, nós lutamos o tempo todo para termos direitos iguais aos homens. No time, se uma sofre, todas vão sofrer. Quando o treino é de noite, ninguém dorme até a última chegar em casa e mandar mensagem dizendo estar segura”, conta ela, que prestou consultoria para a HQ.

Imagem mostra uma das páginas da HQ sobre futebol feminino. No desenho, duas jogadoras estão dando entrevista à autora Priscila Pacheco.

Um esporte invisível

Em setembro, a jogadora Marta Silva entrou para a história como a maior vencedora da Fifa. Pela sexta vez, ergueu a taça de Melhor Jogadora do Mundo. Porém, nem mesmo sua figura vitoriosa fez com que o futebol feminino ampliasse sua força no Brasil.

Como apontou uma reportagem do Globo, só a partir de 1979 que a participação das mulheres em campo passou a ser permitida pela legislação nacional. Em comparação ao masculino, o futebol feminino brasileiro tem defasagem de tempo, número de praticantes, competições, exposições na mídia e recursos.

Isso se reflete em dificuldades de todos os tipos, para qualquer categoria de futebol feminino, dos amadores aos profissionais. Horários de reserva para treino são restritos, chuteiras feitas para o sexo feminino não existem.

“Ano que vem vai começar a Copa do Mundo Feminina. Se o Brasil ganhar, vamos ser hexa ou só vale quando o time masculino ganha? Ninguém está falando disso”, questiona Júlia, ao enfatizar que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cuida dos times masculino e feminino. “É muito importante a gente questionar essas coisas. Assim, quem sabe daqui alguns anos os times de base possam ser mais estruturados”. Enquanto isso, é jogo que segue!


Produzido através de financiamento coletivo, a HQ Minas da Várzea foi lançada oficialmente na Comic Con de São Paulo, entre os dias 6 e 9 de dezembro, e está disponível para compra em versão impressa ou virtual pelo site da Agência Mural.
 

Imagem mostra a capa da HQ sobre futebol feminino. No desenho, a jogadora Camila Siqueira dá entrevista à autora Priscila Pacheco.

dezembro 20th, 2018

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Imagem foca as mãos de uma pessoa segurando uma armação da Preza em uma mão e as lentes do óculos em outra. A marca tenta reduzir o impacto ambiental.

Em 2014, Rodrigo Cury e Martina Sable, dois estudantes universitários de Porto Alegre (RS) decidiram lançar oficialmente um modelo de óculos no qual trabalharam durante todo o ano anterior. Unindo cultura maker e sustentabilidade, a marca de óculos Preza surgiu com o ideal de colocar em circulação no mercado produtos exclusivos, feitos de madeira revisitada e minimizadores de impacto ambiental.

Com o salário de estágio e uma bolsa-auxílio de iniciação científica, os jovens passaram a investir sozinhos no maquinário necessário para a produção dos óculos. Mês a mês, economizaram para adquirir as peças, usando shapes de skates como matéria-prima para a concepção do design.

“Desenvolvíamos os óculos à mão, na cozinha de um apartamento que estava desocupado. Montamos nossa pequena oficina ali, onde produzíamos cerca de 20 óculos por mês”, conta Rodrigo, de 26 anos.

Sobre o processo inicial de produção, Rodrigo diz que não se viam como empreendedores sociais. “Na época, não nos identificávamos com a figura de alguém ligado a tecnologia e frequentador de eventos de networking. Para nós, essa pessoa não estaria em uma cozinha cheia de pó, produzindo em pequena escala”.

Mas foi justamente essa aproximação com os conceitos da cultura do “faça você mesmo“ e a preocupação com as matérias-primas utilizadas que fez da Preza um negócio social em desenvolvimento. Quando os dois sócios decidiram apresentar os produtos para os amigos e fazer um evento de lançamento na cidade, a proposta passou a chamar atenção de empresas consolidadas.

Parcerias colaborativas

Uma vez engajados no lançamento da marca, as oportunidades de parcerias que surgiram, tornaram-se prioridade. Os sócios fecharam negócio com uma fábrica de móveis local, a  Aristeu Pires, como fornecedora de matéria-prima. São dos resíduos industriais da marcenaria, que a Preza tira o material para produção dos óculos.

Outra parceria colaborativa foi a proposta da Enzo Milano, marca de circulação nacional, que se interessou pelos valores difundidos pela Preza. Inicialmente, a empresa solicitou uma demanda de 1.000 unidades para integrar à sua coleção. Sem a estrutura necessária para produzir em larga escala, a startup negociou 100 unidades, que foram vendidas pela Milano em menos de um mês.

Foi então que Rodrigo e Martina perceberam a necessidade de expandir os recursos e sugeriram um modelo de negócio colaborativo de co-criação e distribuição das coleções. A Enzo Milano e a Preza lançaram juntas modelos que uniram a proposta sustentável e o reconhecimento de mercado.

Atualmente, a equipe conta com 10 pessoas na produção interna, colaboradores de serviços terceirizados para a laminação e mantém a escala pequena em comparação ao segmento de mercado ótico. “Pretendemos manter essa exclusividade, fazer os óculos à mão e numerando cada novo modelo”, afirma Rodrigo.

“Queremos valorizar todos os parceiros da cadeia produtiva, utilizar resíduos que não degradam o meio ambiente e incentivar empresas locais”, resume Rodrigo Cury.

Impacto ambiental e social 

As preocupações com um modelo de negócio inovador e consciente não terminam por aí. A Preza já realizou ações integradas a causas socioambientais e pretende dar continuidade a essas iniciativas em 2019.

Imagem foca as mãos lixando uma armação da Preza. A marca tenta reduzir o impacto ambiental.

“O design tem o poder de desenhar produtos e colocar no mercado ideias que modifiquem a cultura material”, acredita Rodrigo. Para o empreendedor, o impacto ambiental e social estão intrinsecamente ligados. “O nosso papel é transformar socialmente o mundo a partir do consumo consciente. Essa é a razão de existir da Preza”, diz.

Em 2016, a marca lançou um kit colaborativo com o artista Xadalu. O objetivo foi reverter os lucros para ajudar a aldeia Tekoa Pindó Poty, localizada na região de Porto Alegre, no plantio de mudas de Kurupi, árvore nativa da Mata Atlântica e essencial para produzir as esculturas que movimentam a economia da aldeia.

Para o próximo ano, a Preza planeja uma ação em conjunto com a Re.Turn, empresa que trabalha com o desenvolvimento de projetos sociais na região, para levar a cultura do empreendedorismo de impacto para escolas de comunidade de vulnerabilidade social no Rio Grande do Sul.

Acessórios sustentáveis

 Idealizadora do Badu Design, Ariane Santos, posa para foto ao lado de mulheres.

Seguindo a mesma tendência de misturar design, cultura maker e economia criativa, a startup curitibana Badu Design nasceu com o propósito de reduzir o impacto ambiental por meio da produção de materiais de papelaria artesanal, acessórios, decoração e bolsas que utilizam resíduo têxtil industrial.

Além de investir em produtos sustentáveis, a iniciativa idealizada pela empreendedora Ariane Santos também oferece capacitações e compartilhamento de técnicas artesanais dentro do design.  A ideia é facilitar o processo criativo e consciente de negócios que têm a intenção de partir pelo mesmo caminho.

dezembro 14th, 2018

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Monique Evelle está olhando para a câmera, com os braços cruzados. Ela tem cabelos compridos trançados e está vestindo uma blusa de manga comprida vermelha.

Eu poderia começar compartilhando todas as vezes que tentei desistir. Mas, optei por falar em possibilidades, até porque desistir não se restringe única e exclusivamente ao empreendedorismo. E, em um contexto como o nosso, precisamos de mais pessoas que sejam positivas e propositivas. Por isso, trago aqui dois cenários do empreendedorismo: o liderado por pessoas negras e o liderado por pessoas da periferia.

Diante de alguns avanços no que diz respeito a debates raciais e de gênero no Brasil, é para comemorarmos o cenário onde os negros são a maioria dos empreendedores, totalizando cerca de 11 milhões. Mas, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) realizada a partir de processamento dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o rendimento médio de empreendedores negros e negras passou de R$ 612,00 para R$ 1.039,00 por mês, enquanto que o de brancos subiu de R$ 1.477,00 para R$ 2.019,00.

Essa conjuntura da escassez já existe e é indiscutível. Mas, se olharmos pelo ângulo da abundância, outros cenários estão sendo construídos com a emergência e a sustentabilidade de diferentes negócios liderados por pessoas negras, criando novas perspectivas e potencializando suas ações.

No setor financeiro, temos a Conta Black, a primeira fintech de propriedade de pessoas negras no Brasil, como forma de solução para os pedidos de créditos negados em bancos e inclusão social e financeira da população sem conta bancária. É uma conta digital, criada por Sérgio All e Fernanda Ribeiro, que se propõe a resolver o desafio da população sem conta bancária, consequentemente, sem educação financeira, também responsável pela desigualdade social e estagnação econômica da população negra e pobre.

Quando vamos para a área de moda, temos o Clube da Preta, a primeira fashion box exclusiva de moda afro. Em menos de um ano de operação mais de 800 produtos de afroempreendedores já foram distribuídos. A empresa funciona como clube de assinatura, onde o consumidor pode aderir a planos mensais ou anuais e receber seus produtos em casa. Cada produto é personalizado de acordo com os gostos dos clientes, identificados com pesquisa prévia. Em breve, terão espaço e estão estudando a possibilidade de gamificação a partir da tecnologia digital para os consumidores.

Se imergimos um pouco na história de vida desses empreendedores citados anteriormente, é semelhante, senão igual, à maioria das histórias de brasileiros que vivem nas periferias da Zona Leste de São Paulo, de Cajazeiras em Salvador e da Rocinha no Rio de Janeiro. É importante termos e conhecermos exemplos incríveis e concretos de pessoas que se parecem com a gente para não viciarmos o discurso da impossibilidade de fazer algo e não deixar esse pensamento nos paralisar.

Agora é o momento que você me pergunta: “Tudo bem, Monique, mas como começar a empreender e ser uma dessas referências?”.

É justo perguntar! Talvez, eu nem consiga responder uma pergunta como essa. Mas, trago alguns alertas para você que já iniciou ou quer iniciar sua jornada empreendedora.

O primeiro alerta vem da frase de Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora:

“Onde vivem, o que comem as pessoas que, mesmo existindo 100 negócios iguais, criam 101, achando que o seu é super, mega diferente?”.

Muitas vezes, fazemos um esforço tão grande para criarmos algo totalmente igual ao que já existe. Já parou para pensar se você não está fazendo isso também? Você sabe por que você quer fazer o que quer fazer? Por que você quer continuar com seu projeto ou negócio? Sua ideia vale o esforço e a energia?

O segundo alerta vem do filme Regeneração, dirigido por Humberto Carrão:

“Todo mundo gosta de um bom filé, mas ninguém quer ver o boi sendo morto”.

Na verdade, essa frase é uma adaptação do que eu sempre digo:

“Nunca compare seu início com o meio de ninguém”.

Já parou para pensar que queremos sucesso a curto prazo e que não enxergamos o processo, apenas o resultado final?

Só no dicionário que a palavra sucesso vem antes de trabalho. Empreender não é simples, mas é possível. Em qualquer área de atuação das nossas vidas, teremos desafios. No empreendedorismo não é diferente.

Sabendo disso, você pode se preparar. Não se deixe enganar que empreender é só talento. Também são estudos para garantir que seu projeto ou negócio continue em pé.

Por isso, comece descobrindo ferramentas gratuitas que vão te ajudar no dia a dia do seu negócio, como o Canva.com (site de ferramentas de design gráfico), o Appear.in (plataforma on-line que permite que você faça videoconferências sem baixar nenhum programa), o PowToon (site para criar vídeos com animações profissionais), o Sebrae Canva (plataforma para desenhar seu modelo de negócio) e o Guia Bolso (aplicativo que gerencia sua vida financeira).

Aproveite para consumir conteúdos de inovação e negócios como os dois TEDx que fiz (O mito de ser feliz fazendo o que ama e O potencial inovador das periferias), ouvir podcasts como o Braincast, o Pense Grande Podcast da Fundação Telefônica Vivo, o CBN Professional e o Producast.

Ou então, siga outros empreendedores nas redes sociais para aprender e conversar com eles, como Matheus Cardoso (Moradigna), Adriana Barbosa (Feira Preta), Ana Paula Xongani (Xongani), Tony Marlon (Historiorama), Mariana Stabile (Sharp), Marco Gomes (Boo-Box), Monique Moraes (Su casa, Mi Causa), Lua Leça (LinkArt) e muitos outros.

Empreender é uma jornada. Abra mão do ego para fazer seu projeto ecoar, enxergue pessoas mais como parceiras do que como concorrentes e, principalmente, entenda que referência não é cópia e que você não terá resultados daquilo que não produz.

dezembro 13th, 2018

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A imagem que ilustra o incentivo ao empreendedorismo mostra a silhueta de dois homens vestindo roupas sociais. Eles estão em pé em frente a uma mesa de escritório em que estão espalhados cadernos, gráficos e outros papéis.

Apesar de o mercado brasileiro de startups ainda estar em fase de consolidação, já existe uma série de iniciativas, conjuntos de programas e aparatos legais fomentados em âmbito federal, estadual e municipal para assegurar direitos e apoiar quem está entrando agora no universo do empreendedorismo.

“Temos uma série de políticas públicas e público-privadas que dão suporte ao empreendedor, mas muitos jovens não têm acesso a essa informação”, afirma Diego Silva, porta-voz da Secretaria Nacional de Juventude e coordenador do Plano Nacional de Empreendedorismo e Startups para Juventude. “Nosso objetivo é fortalecer e difundir esses programas, fazendo a articulação para que essas informações cheguem a todas as partes”.

Para mapear algumas dessas ações, fizemos uma lista de políticas públicas de incentivo ao empreendedorismo no Brasil. Confira nossas dicas abaixo:

1. InovAtiva

Programa de aceleração gratuito oferecido pelo governo federal e promovido pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), em parceria com o Sebrae, tem como objetivo disponibilizar cursos de capacitação e conexões com potenciais investidores.

Quem participa recebe cursos online de empreendedorismo inovador, mentorias e workshops com empresas, como Google e Microsoft, além de entrar em contato com fundos investidores e parceiros. Entre 2013 e 2018, aproximadamente 740 startups de todas as regiões do país entraram no ciclo de aceleração do programa.

2. StartOut

 Fruto de mais uma parceria entre o MDIC e Sebrae, opera como um programa voltado para a inserção de até 15 startups brasileiras em ecossistemas de inovação promissores em todo o mundo. O processo de seleção é rigoroso e leva em consideração critérios que ranqueiam as melhores iniciativas do país.

O objetivo é ganhar a chance de expandir os negócios no mercado no exterior, conhecer investidores privados e passar por uma imersão no país determinado pelo StartOut.

3. StartUp Brasil

Foi criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), junto de setores privados parceiros, em 2012.  A iniciativa integra o chamado Programa Brasileiro de Aceleração de Startups.

Para participar do StartUP Brasil, as empresas recém-criadas têm de ter negócios voltados para o desenvolvimento tecnológicos e trazer cases de sucesso, recebendo apoio para contribuírem diretamente com a área de pesquisas em TICs (Tecnologias da Inovação e Comunicação).

 

4. FINEP StartUp

Já o programa lançado pelo instituto FINEP (Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa) propõe financiamento para novas empresas. A FINEP StartUp se compromete em apoiar os empreendimentos após a fase de aceleração, com recursos como financiamento coletivo, venture capital e Seed Money.

Os investimentos vão até R$ 1 milhão, dependendo da necessidade de cada empresa. Quanto aos projetos participantes podem representar diferentes segmentos, desde que os produtos já estejam em fase de protótipo e tenham base tecnológica. A seleção das 25 empresas finalistas se dá por meio de edital público e passa por Comissão Avaliadora.

5. ENIMPACTO

Em 2017, a Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto conseguiu, por meio de um acordo de cooperação com o MDIC, a assinatura do decreto presidencial nº 9.244 para a criação da Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto (ENIMPACTO).

Ainda embrionária, a estratégia visa promover o engajamento de órgãos do governo, setor privado e sociedade civil na consolidação de uma articulação entre esses diferentes atores para o fortalecimento de um ambiente favorável ao desenvolvimento de empreendimentos que gerem transformação social.

6. SEED

Embora seja um programa local de incentivo ao empreendedorismo, as oportunidades oferecidas pela aceleradora do governo estadual de Minas Gerais se estendem para empreendimentos no mundo inteiro que queiram desenvolver seus negócios no estado brasileiro.

O Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (SEED) é mantido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SEDECTES) e tem como objetivo transformar Minas Gerais no maior polo de empreendedorismo e inovação da América Latina.

O SEED dura seis meses e abriga 40 startups, que recebem capital semente. A participação está aberta a brasileiros e estrangeiros (naturalizados ou que possam ficar no país para participar de todo o programa), ter idade mínima de 18 anos e formar uma equipe de 2 a 3 empreendedores.

7. Minha Primeira Empresa

É também uma iniciativa regional em expansão. Idealizado pela Federação das Associações de Jovens Empresários e Empreendedores (FAJE) de Goiás, o programa tem como diferencial o apoio, capacitação e acompanhamento de empreendedores em fase inicial, que não necessariamente tenham uma empresa, mas possuam boa iniciativa.

Em 2014, o Minha Primeira Empresa foi oficializado pela CONAJE e passou para uma fase de estudo para expansão do modelo para outros estados. Os participantes, selecionados por meio de edital, contam com capacitação, mentoria, captação de recursos e acompanhamento durante dois anos após o fim do período de aceleração.

novembro 28th, 2018

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Jovens participantes do curso de formação em mercado financeira, promovido pela Ganbatte posam para foto

Quem pretende ingressar no competitivo mercado de trabalho brasileiro percebe logo que muitas vezes o ensino superior não basta. Ter no currículo o domínio de outros idiomas, conhecimentos de software e experiência internacional contam pontos a mais com recrutadores. O problema é que tudo isso exige investimento, um empecilho para jovens de baixa renda.

Foi a partir dessa percepção, baseada em sua experiência pessoal, que a carioca Karen Freitas Franquini, de 27 anos, criou a Ganbatte, empresa que oferece serviços de recrutamento, seleção e desenvolvimento de profissionais de baixa renda. “Não basta ter acesso à universidade por meio de bolsas. É preciso ter um currículo competitivo para se inserir no mercado de trabalho”, explica Karen.

Assim, a Ganbatte – expressão japonesa de encorajamento que significa “aguente firme, não desista, faça o seu melhor!” – foca na avaliação de competências comportamentais para a realização de um processo seletivo inclusivo. “As empresas costumam contratar pela competência técnica. Nós olhamos para características como resiliência, determinação e criatividade, que não faltam aos jovens da periferia”, afirma.

Recrutamento e capacitações

 A jovem Karen Franquini e outro jovem rapaz, estão sentados em volta de uma mesa olhando para um notebook.

Karen Franquini (à direita), idealizadora da Ganbatte, capacita jovens para o mercado de trabalho.

Incubada pelo Pense Grande em 2017, a Ganbatte presta serviços de recrutamento para oito empresas e ajudou a ampliar oportunidades para jovens como Luana Mendes, que hoje é gerente de relacionamento de um banco após dois anos de buscas incessantes, e Misael Gonçalo, que realizou o sonho de trabalhar com audiovisual.

“Às vezes, a gente que vive e mora na Baixada Fluminense acaba contaminado por uma cultura que diz que não somos bons o suficiente ou que não podemos fazer algo. Mas como o próprio lema da Ganbatte diz, a gente precisa persistir e se esforçar para mudar nossa realidade”, diz Misael.

Os cursos de capacitação realizados pela empresa já beneficiaram 800 pessoas. São mais de oito mil usuários da plataforma, de 20 estados do Brasil. Segundo Karen, cada processo seletivo que a Ganbatte inicia recebe uma média de 100 a 150 candidatos por vaga. Recentemente, Karen realizou o processo seletivo de três vagas para a Barkus, também incubada pelo Pense Grande, e se surpreendeu com o número de inscritos: 465!

“Acho que esses números mostram o potencial da Ganbatte para fazer a diferença na vida dos jovens e tornar o mercado de trabalho mais justo”, acredita.

Diversidade racial

 As irmãs Jéssyca e Monique Silveira, fundadoras da RAP- Rede de Afro Profissionais posam para foto

As irmãs Jéssyca e Monique Silveira, fundadoras da RAP- Rede de Afro Profissionais

O quadro de desigualdades presentes no Brasil faz com que a população negra seja a menos escolarizada, com menores salários e a que mais sofre com as ondas de desemprego, traço do racismo estrutural institucionalizado no país. Os números são ainda mais preocupantes quando se trata de mulheres negras, que sofrem duplamente com discriminação de gênero e preconceito étnico-racial.

Enquanto fazia seu mestrado, a historiadora Jéssyca Silveira, de 26 anos, começou a se inquietar com esses dados e com a discrepância entre a população negra, especialmente mulheres, que ocupavam cargo de lideranças e ocupações informais ou empregos mal remunerados. Junto com a irmã Monique, de 31 anos, criou a RAP – Rede de Afro Profissionais, empresa de recrutamento que promove a diversidade racial.

“Começamos com um grupo de Facebook para incentivar que mulheres negras contratassem produtos e serviços umas das outras, além de indicar oportunidades de trabalho como forma de fazer o dinheiro circular. O grupo cresceu e hoje somos quase 15 mil mulheres negras em rede!”, comemora Jéssyca.

Já com o status de empresa que oferece solução de equidade racial para empresas privadas, a iniciativa também participou do Pense Grande Incubação e se prepara para trilhar uma longa jornada, como afirma a fundadora. “A RAP é uma ferramenta para construir ambientes de trabalho mais produtivos e uma sociedade mais próspera”.

“Cada vez mais empresas compreendem a importância da diversidade, seja pela responsabilidade social ou por viés econômico. A RAP é um dos caminhos para a mudança e para que a sociedade entenda que um país com discriminação não prospera”, Jéssyca Silveira.

Mudança, por favor

Fora do Brasil, uma iniciativa vem ganhando atenção por trazer pessoas em situação de rua de volta ao mercado de trabalho. Criada em 2015 no Reino Unido, a Change Please oferece treinamento de barista, alojamento e trabalho em cafeterias móveis no país. São 32 em operação e 120 pessoas já tiradas das ruas.

O sucesso foi tanto que a rede já chegou aos Estados Unidos, nas cidades de Nova York e San Francisco. O idealizador Cemar Ezel não descarta uma expansão para a América Latina, como contou à Exame. A maior barreira do negócio ainda é o preconceito. “Foi difícil superar a concepção de que os sem-teto não querem trabalhar e que são preguiçosos. Eventualmente as pessoas visitam o café e percebem o quão incríveis eles podem ser”, declarou Cemar.

novembro 23rd, 2018

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Na imagem é possível ver diversas pessoas formando a plateia do 1º Encontro de Negócios de Impacto Social. Elas estão sentadas em cadeiras laranjas e azuis.

Com o objetivo de estimular, instigar e disseminar a cultura dos negócios de impacto social, o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e a Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) realizaram o 1° Encontro de Negócios de Impacto Social, em Porto Alegre, no dia 14 de novembro.

A programação, que também faz parte da Semana Global do Empreendedorismo, abordou negócios com propósito, ecossistema de finanças sociais e o papel das incubadoras para a consolidação dos empreendimentos.

Estiveram presentes empreendedores, conselheiros públicos, pesquisadores, estudantes e interessados em negócios que gerem impacto positivo para a sociedade e o meio ambiente.

Para Tulio Pinheiro, coordenador de projetos do Sebrae do Rio Grande do Sul, o encontro une diferentes forças para pensar o futuro dos negócios de impacto social, porque “não é uma só pessoa que vai transformar as empresas, mas sim um grupo. A partir da diversidade de perspectivas podemos refletir de forma mais completa sobre como os empreendimentos podem contribuir para transformar a realidade das pessoas”.

Quem participou da programação destaca a diversidade de pontos de vista sobre o tema como ponto positivo. “O Encontro dá uma perspectiva completa sobre o assunto, porque coloca lado a lado o poder público, o setor privado e o terceiro setor para pensar iniciativas de transformação da sociedade que venham para se complementarem”, opina Lígia Vasconcellos, a consultora em impactos de projetos.

Um negócio para ganhar dinheiro ou para mudar o mundo?

“Prefiro ser parte de uma montanha a ter uma lombada sozinho”. Essa é a frase usada por Geraldo Campos, professor e chefe do Laboratório de Inovação e Empreendedorismo da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), para definir o pensamento dos jovens que se aventuram a tentar transformar a realidade por meio de seus empreendimentos.

Qual a diferença entre negócios sociais e negócios de impacto social?

O empreendedor social bengali Muhammad Yunnus foi quem popularizou o primeiro termo ao descrever iniciativas de empresas que buscam solucionar questões sociais e/ou ambientais. São empreendimentos economicamente sustentáveis e que reinvestem os lucros dentro do próprio negócio.

Já os negócios de impacto social, além de buscarem a transformação de vidas, também  possibilitam que os lucros sejam divididos entre seus investidores.

Na palestra Negócios com Propósito, o professor abordou a diferença de mentalidade e comportamento entre os empreendedores que querem causar impactos positivos na sociedade daqueles que pensam os negócios exclusivamente como uma possibilidade de gerar lucro. Segundo o especialista, os jovens empreendedores sociais veem a sociedade a partir de uma lógica de compartilhamento – num incessante agir, aprender e construir, buscando respostas para seus problemas de forma coletiva.

“A jornada do empreendedor não é reta, pelo contrário. É cheia de altos e baixos e os empreendedores precisam ser plásticos, mais do que resilientes, para saber o que fazer a cada não que receberem. Saber lidar com os momentos difíceis e com as dúvidas é muito importante, porque precisamos de empreendedores de todos os tipos, em todas as áreas, para acompanhar as mudanças pelas quais a sociedade tem passado. Só em conjunto que se consegue chegar a algum lugar”, aponta o professor Geraldo Campos.

Importantes parceiras dos empreendedores

Algumas das maiores aliadas para tirar uma ideia do papel são as incubadoras, que apoiam micro e pequenas empresas com grau significativo de inovação, oferecendo-lhes suporte técnico, gerencial e de capacitação.

A gerente do IEITEC (Instituto Empresarial de Incubação e Inovação Tecnológica), Daniela Lima, ressaltou que “trazer o equilíbrio entre o propósito dos empreendedores e a sustentabilidade do negócio é a grande missão das incubadoras”, durante a palestra O Papel das Incubadoras e Organizações que Apoiam e Desenvolvem os Negócios de Impacto Social.

Mulher palestra do 1º Encontro de Negócios de Impacto Social. Outras quatro pessoas estão no palco, todas sentadas em cadeiras.

A decisão de conceder apoio aos negócios de impacto social geralmente é baseada em alguns eixos, que podem envolver o tamanho do impacto do empreendimento, a forma de gerir o negócio, o uso da tecnologia, o capital necessário para investir, a relevância do empreendimento para o mercado e o comportamento do empreendedor.

Para Gabriela Ferreira, diretora técnica da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), o fato de um negócio de impacto social não ser incubado por uma grande instituição, não é motivo para desistir.

“Em alguns anos, esperamos que todos os novos negócios sejam de impacto social e que as empresas tradicionais reflitam sobre as implicações socioambientais de suas atividades. Ter essa preocupação é pensar num futuro sustentável tanto para o meio ambiente quanto para as empresas”, aposta a diretora.

A programação do 1° Encontro de Negócios de Impacto Social contou ainda com a entrega do Prêmio Roser que reconhece as melhores iniciativas de empreendimentos de impacto em Porto Alegre. O projeto vencedor desta edição foi o Missão Diversão, que pretende sensibilizar casais à adoção tardia. Durante seis meses, o empreendimento será incubado pela Unitec, a unidade de negócios da Unisinos.

O Brasil tem 579 negócios de impacto social mapeados, segundo pesquisa da Pipe. Social, e cerca de 63% deles estão localizados na região Sudeste do país.

As principais áreas de atuação dessas iniciativas são: educação (38%), tecnologias verdes (23%) e cidadania (12%).

Entre as maiores urgências para os empreendedores são mencionadas: a busca de investidores (46%), formas eficientes de comunicar sobre o negócio (18%) e mentoria (16%).

novembro 23rd, 2018

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A jovem Thais Ferreira sentada em uma escada pintada com a bandeira do Brasil.

Iniciar uma jornada empreendedora nem sempre é um caminho fácil e rápido. Talvez por isso, muitas famílias fiquem preocupadas quando percebem o jovem engajado em montar o próprio negócio. A pesquisa Juventude Conectada – Edição Especial Empreendedorismo apontou a tendência familiar em estimular mais a busca por segurança financeira do que a autonomia nos negócios, uma vez que o empreendedorismo ainda é visto por muitos como algo arriscado e transgressor.

Incentivo da família é o que não falta ao jovem Cairê Moreira, que está engajado em quebrar padrões e revolucionar a indústria da moda no Brasil

Arriscado e transgressor são justamente as palavras que resumem a GENYZ, empresa recém-criada por Cairê Moreira, de 24 anos. Formado em animação, o jovem decidiu usar seus conhecimentos para revolucionar a indústria da moda no Brasil. Através do escaneamento 3D do corpo, ele propõe a confecção de roupas completamente  personalizadas, combatendo padrões e atuando em prol da autoaceitação.

Quando os pais souberam que Cairê estava seguindo por esse caminho, não faltou apoio. A mãe, Lina, e o padrasto, Alexandre, trabalham na Universidade Federal no ABC. Com frequência, apresentam pessoas da área de tecnologia para dar aquela força aos negócios do filho. Já o pai de Cairê, Davi, é uma grande inspiração para o jovem.

Ativista em uma ONG que luta pela conscientização da anemia falciforme – doença hereditária que atinge principalmente a população negra -, Davi ensinou ao filho, pelo exemplo, que não há limites para lutar pelo o que acredita. “Ele sempre atende aos compromissos dele, nunca recusa responsabilidades e não mede esforços para lutar pelo o que acredita. Tem essa teimosia boa e acho que puxei dele”, diz.

 Empreendedorismo de berço

E quando a veia empreendedora vem de casa? Dona Neide e seu Ilton eram funcionários públicos, mas para complementar a renda sempre foram adeptos do empreendedorismo correria, como define a filha, Thais de Souza Ferreira, de 30 anos: “Meu pai vendia abacaxi fatiado, coco na praia, picolé na porta de casa e churrasquinho. Minha mãe sempre empreendeu em família, costurando com minha avó, vendendo quitutes no portão, roupas. Ela e a irmã chegaram a montar um serviço de buffet para festas”.

Ao observar essa dinâmica familiar, a carioca foi crescendo com a vontade de criar o próprio negócio. Experimentou vários empreendimentos até criar, em 2016, o Mãe&Mais. Incubado pelo Pense Grande, o negócio social oferece serviços e informações de saúde e bem-estar para gestantes, mulheres e crianças na primeira infância.

Organização, administração da renda, vontade de aprender e compartilhar conhecimento foram alguns dos ensinamentos que os pais da jovem transmitiram a ela e que hoje são fundamentais em sua vida profissional. “O que mais me inspirou foi o compromisso com o impacto positivo nas comunidades e a noção de sustentabilidade que eles sempre tiveram”, conta Thais. “Sabe empreender com propósito? Digo, com orgulho, que aprendi em casa!”.

O mesmo aconteceu com Fábio Hideki Takara, de 30 anos. A convivência com os pais empreendedores, donos de confecções de jeans, despertou nele a vontade de seguir pelo mesmo caminho. Em 2016, criou a Firgun, plataforma que conecta investidores a empreendedores de baixa renda, facilitando o acesso ao micro-crédito.

O peso da responsabilidade e o esforço para conseguir o que deseja são as maiores lições que aprendeu em casa. “Aos dez anos, eu guardei por meses os R$ 2 que ganhava diariamente para comprar merenda na escola. Fazia meu próprio lanche e economizava. Com o dinheiro, quitei as prestações de uma televisão para o meu quarto”, relembra. “Desde pequeno, minhas irmãs e eu aprendemos que as conquistas só chegam com sacrifícios”.

O maior professor

André de Aquino Pinto sentado em um banco do posto de gasolina, do qual trabalha como gerente.

O convívio com o comércio do pai, André, foi determinante para as escolas profissionais do filho Luiz Fernando.

Traço comum na história de imigrantes portugueses, André de Aquino Pinto seguiu a carreira de comerciante do pai. Dono de um bar na zona oeste do Rio de Janeiro, ele encantava clientes com simpatia, cuidado e inovação, que ia dos tira-gostos a ambientação do espaço. “Um misto de pé sujo à la Brasil com o charme da tasca portuguesa”, define o filho Luiz Fernando Pereira Pinto, de 28 anos.

A convivência com o dia a dia do pai foi essencial para Luiz. Ele conhecia todos os fregueses que circulavam pelo espaço, ganhava com frequência presentes dos mais variados, de livros a vara de pescar. “A pesca nunca foi de meu interesse, já os livros…”, conta o rapaz que hoje é um dos fundadores do Nuvem Poética, uma plataforma para conectar, potencializar e dar visibilidade à poesia contemporânea. O empreendimento também está sendo incubado pelo Pense Grande.

Mais do que os livros, a maior inspiração para Luiz foi mesmo o pai, que além de valorizar os estudos, impressionava com sua sabedoria. Entre servir uma bebida para um freguês e preparar o prato do dia, ele contava ao filho histórias que envolviam artes, passavam pelo processo histórico de formação do Rio de Janeiro e terminavam nos livros que ele já tinha lido.

Com o pai, Luiz foi aprendendo muitas coisas: falar em público, o apreço por ouvir e contar histórias, estratégias de gestão, administração financeiras e até o olhar para tendências. “O bar foi uma escola e meu pai era o professor. Ali, naquele ambiente, eu conheci Hermeto Pascoal, um dos maiores músicos do país! Também conheci seu Pedro, que tem a fama de ser um dos pescadores mais mentirosos do Rio, além de João, um vendedor de amendoim super criativo do bairro, dentre tantas outras figuras que me inspiraram e que carrego até hoje”, conta ele.

Com o tempo, André teve que fechar o bar, passando de empreendedor a funcionário. Porém, até hoje é uma das grandes referências do filho, cheio de conselhos e ideias que inspiram os negócios de Luiz. “Apesar do meu empreendimento ser diretamente ligado a cultura, meu pai sempre faz uma ligação com o comércio. Comprovo a ideia de que há mais semelhanças do que diferenças, afinal a cultura está presente em qualquer canto”, conclui.

novembro 19th, 2018

Posted In: Fique por Dentro

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