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A imagem que ilustra o incentivo ao empreendedorismo mostra a silhueta de dois homens vestindo roupas sociais. Eles estão em pé em frente a uma mesa de escritório em que estão espalhados cadernos, gráficos e outros papéis.

Descubra iniciativas e financiamentos que podem apoiar a sua trajetória empreendedora

Apesar de o mercado brasileiro de startups ainda estar em fase de consolidação, já existe uma série de iniciativas, conjuntos de programas e aparatos legais fomentados em âmbito federal, estadual e municipal para assegurar direitos e apoiar quem está entrando agora no universo do empreendedorismo.

“Temos uma série de políticas públicas e público-privadas que dão suporte ao empreendedor, mas muitos jovens não têm acesso a essa informação”, afirma Diego Silva, porta-voz da Secretaria Nacional de Juventude e coordenador do Plano Nacional de Empreendedorismo e Startups para Juventude. “Nosso objetivo é fortalecer e difundir esses programas, fazendo a articulação para que essas informações cheguem a todas as partes”.

Para mapear algumas dessas ações, fizemos uma lista de políticas públicas de incentivo ao empreendedorismo no Brasil. Confira nossas dicas abaixo:

 

1. InovAtiva

Programa de aceleração gratuito oferecido pelo governo federal e promovido pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), em parceria com o Sebrae, tem como objetivo disponibilizar cursos de capacitação e conexões com potenciais investidores.

Quem participa recebe cursos online de empreendedorismo inovador, mentorias e workshops com empresas, como Google e Microsoft, além de entrar em contato com fundos investidores e parceiros. Entre 2013 e 2018, aproximadamente 740 startups de todas as regiões do país entraram no ciclo de aceleração do programa.

 

2. StartOut

 Fruto de mais uma parceria entre o MDIC e Sebrae, opera como um programa voltado para a inserção de até 15 startups brasileiras em ecossistemas de inovação promissores em todo o mundo. O processo de seleção é rigoroso e leva em consideração critérios que ranqueiam as melhores iniciativas do país.

O objetivo é ganhar a chance de expandir os negócios no mercado no exterior, conhecer investidores privados e passar por uma imersão no país determinado pelo StartOut.

 

3. StartUp Brasil

Foi criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), junto de setores privados parceiros, em 2012.  A iniciativa integra o chamado Programa Brasileiro de Aceleração de Startups.

Para participar do StartUP Brasil, as empresas recém-criadas têm de ter negócios voltados para o desenvolvimento tecnológicos e trazer cases de sucesso, recebendo apoio para contribuírem diretamente com a área de pesquisas em TICs (Tecnologias da Inovação e Comunicação).

 

4. FINEP StartUp

Já o programa lançado pelo instituto FINEP (Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa) propõe financiamento para novas empresas. A FINEP StartUp se compromete em apoiar os empreendimentos após a fase de aceleração, com recursos como financiamento coletivo, venture capital e Seed Money.

Os investimentos vão até R$ 1 milhão, dependendo da necessidade de cada empresa. Quanto aos projetos participantes podem representar diferentes segmentos, desde que os produtos já estejam em fase de protótipo e tenham base tecnológica. A seleção das 25 empresas finalistas se dá por meio de edital público e passa por Comissão Avaliadora.

 

5. ENIMPACTO

Em 2017, a Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto conseguiu, por meio de um acordo de cooperação com o MDIC, a assinatura do decreto presidencial nº 9.244 para a criação da Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto (ENIMPACTO).

Ainda embrionária, a estratégia visa promover o engajamento de órgãos do governo, setor privado e sociedade civil na consolidação de uma articulação entre esses diferentes atores para o fortalecimento de um ambiente favorável ao desenvolvimento de empreendimentos que gerem transformação social.

 

6. SEED

Embora seja um programa local de incentivo ao empreendedorismo, as oportunidades oferecidas pela aceleradora do governo estadual de Minas Gerais se estendem para empreendimentos no mundo inteiro que queiram desenvolver seus negócios no estado brasileiro.

O Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (SEED) é mantido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SEDECTES) e tem como objetivo transformar Minas Gerais no maior polo de empreendedorismo e inovação da América Latina.

O SEED dura seis meses e abriga 40 startups, que recebem capital semente. A participação está aberta a brasileiros e estrangeiros (naturalizados ou que possam ficar no país para participar de todo o programa), ter idade mínima de 18 anos e formar uma equipe de 2 a 3 empreendedores.

 

7. Minha Primeira Empresa

É também uma iniciativa regional em expansão. Idealizado pela Federação das Associações de Jovens Empresários e Empreendedores (FAJE) de Goiás, o programa tem como diferencial o apoio, capacitação e acompanhamento de empreendedores em fase inicial, que não necessariamente tenham uma empresa, mas possuam boa iniciativa.

Em 2014, o Minha Primeira Empresa foi oficializado pela CONAJE e passou para uma fase de estudo para expansão do modelo para outros estados. Os participantes, selecionados por meio de edital, contam com capacitação, mentoria, captação de recursos e acompanhamento durante dois anos após o fim do período de aceleração.

novembro 28th, 2018

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Jovens participantes do curso de formação em mercado financeira, promovido pela Ganbatte posam para foto

Conheça três empreendimentos sociais que promovem o aumento de oportunidades para jovens da periferia, mulheres negras e população em situação de rua

Quem pretende ingressar no competitivo mercado de trabalho brasileiro percebe logo que muitas vezes o ensino superior não basta. Ter no currículo o domínio de outros idiomas, conhecimentos de software e experiência internacional contam pontos a mais com recrutadores. O problema é que tudo isso exige investimento, um empecilho para jovens de baixa renda.

Foi a partir dessa percepção, baseada em sua experiência pessoal, que a carioca Karen Freitas Franquini, de 27 anos, criou a Ganbatte, empresa que oferece serviços de recrutamento, seleção e desenvolvimento de profissionais de baixa renda. “Não basta ter acesso à universidade por meio de bolsas. É preciso ter um currículo competitivo para se inserir no mercado de trabalho”, explica Karen.

Assim, a Ganbatte – expressão japonesa de encorajamento que significa “aguente firme, não desista, faça o seu melhor!” – foca na avaliação de competências comportamentais para a realização de um processo seletivo inclusivo. “As empresas costumam contratar pela competência técnica. Nós olhamos para características como resiliência, determinação e criatividade, que não faltam aos jovens da periferia”, afirma.

 

Recrutamento e capacitações

 A jovem Karen Franquini e outro jovem rapaz, estão sentados em volta de uma mesa olhando para um notebook.

Karen Franquini (à direita), idealizadora da Ganbatte, capacita jovens para o mercado de trabalho.

Incubada pelo Pense Grande em 2017, a Ganbatte presta serviços de recrutamento para oito empresas e ajudou a ampliar oportunidades para jovens como Luana Mendes, que hoje é gerente de relacionamento de um banco após dois anos de buscas incessantes, e Misael Gonçalo, que realizou o sonho de trabalhar com audiovisual.

“Às vezes, a gente que vive e mora na Baixada Fluminense acaba contaminado por uma cultura que diz que não somos bons o suficiente ou que não podemos fazer algo. Mas como o próprio lema da Ganbatte diz, a gente precisa persistir e se esforçar para mudar nossa realidade”, diz Misael.

Os cursos de capacitação realizados pela empresa já beneficiaram 800 pessoas. São mais de oito mil usuários da plataforma, de 20 estados do Brasil. Segundo Karen, cada processo seletivo que a Ganbatte inicia recebe uma média de 100 a 150 candidatos por vaga. Recentemente, Karen realizou o processo seletivo de três vagas para a Barkus, também incubada pelo Pense Grande, e se surpreendeu com o número de inscritos: 465!

“Acho que esses números mostram o potencial da Ganbatte para fazer a diferença na vida dos jovens e tornar o mercado de trabalho mais justo”, acredita.

 

Diversidade racial

 As irmãs Jéssyca e Monique Silveira, fundadoras da RAP- Rede de Afro Profissionais posam para foto

As irmãs Jéssyca e Monique Silveira, fundadoras da RAP- Rede de Afro Profissionais

O quadro de desigualdades presentes no Brasil faz com que a população negra seja a menos escolarizada, com menores salários e a que mais sofre com as ondas de desemprego, traço do racismo estrutural institucionalizado no país. Os números são ainda mais preocupantes quando se trata de mulheres negras, que sofrem duplamente com discriminação de gênero e preconceito étnico-racial.

Enquanto fazia seu mestrado, a historiadora Jéssyca Silveira, de 26 anos, começou a se inquietar com esses dados e com a discrepância entre a população negra, especialmente mulheres, que ocupavam cargo de lideranças e ocupações informais ou empregos mal remunerados. Junto com a irmã Monique, de 31 anos, criou a RAP – Rede de Afro Profissionais, empresa de recrutamento que promove a diversidade racial.

“Começamos com um grupo de Facebook para incentivar que mulheres negras contratassem produtos e serviços umas das outras, além de indicar oportunidades de trabalho como forma de fazer o dinheiro circular. O grupo cresceu e hoje somos quase 15 mil mulheres negras em rede!”, comemora Jéssyca.

Já com o status de empresa que oferece solução de equidade racial para empresas privadas, a iniciativa também participou do Pense Grande Incubação e se prepara para trilhar uma longa jornada, como afirma a fundadora. “A RAP é uma ferramenta para construir ambientes de trabalho mais produtivos e uma sociedade mais próspera”.

 

“Cada vez mais empresas compreendem a importância da diversidade, seja pela responsabilidade social ou por viés econômico. A RAP é um dos caminhos para a mudança e para que a sociedade entenda que um país com discriminação não prospera”, Jéssyca Silveira.

 

Mudança, por favor

Fora do Brasil, uma iniciativa vem ganhando atenção por trazer pessoas em situação de rua de volta ao mercado de trabalho. Criada em 2015 no Reino Unido, a Change Please oferece treinamento de barista, alojamento e trabalho em cafeterias móveis no país. São 32 em operação e 120 pessoas já tiradas das ruas.

O sucesso foi tanto que a rede já chegou aos Estados Unidos, nas cidades de Nova York e San Francisco. O idealizador Cemar Ezel não descarta uma expansão para a América Latina, como contou à Exame. A maior barreira do negócio ainda é o preconceito. “Foi difícil superar a concepção de que os sem-teto não querem trabalhar e que são preguiçosos. Eventualmente as pessoas visitam o café e percebem o quão incríveis eles podem ser”, declarou Cemar.

novembro 23rd, 2018

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Na imagem é possível ver diversas pessoas formando a plateia do 1º Encontro de Negócios de Impacto Social. Elas estão sentadas em cadeiras laranjas e azuis.

Empreendedores e pesquisadores estiveram juntos para pensar como podem contribuir para a transformação social

Com o objetivo de estimular, instigar e disseminar a cultura dos negócios de impacto social, o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e a Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) realizaram o 1° Encontro de Negócios de Impacto Social, em Porto Alegre, no dia 14 de novembro.

A programação, que também faz parte da Semana Global do Empreendedorismo, abordou negócios com propósito, ecossistema de finanças sociais e o papel das incubadoras para a consolidação dos empreendimentos.

Estiveram presentes empreendedores, conselheiros públicos, pesquisadores, estudantes e interessados em negócios que gerem impacto positivo para a sociedade e o meio ambiente.

Para Tulio Pinheiro, coordenador de projetos do Sebrae do Rio Grande do Sul, o encontro une diferentes forças para pensar o futuro dos negócios de impacto social, porque “não é uma só pessoa que vai transformar as empresas, mas sim um grupo. A partir da diversidade de perspectivas podemos refletir de forma mais completa sobre como os empreendimentos podem contribuir para transformar a realidade das pessoas”.

Quem participou da programação destaca a diversidade de pontos de vista sobre o tema como ponto positivo. “O Encontro dá uma perspectiva completa sobre o assunto, porque coloca lado a lado o poder público, o setor privado e o terceiro setor para pensar iniciativas de transformação da sociedade que venham para se complementarem”, opina Lígia Vasconcellos, a consultora em impactos de projetos.

 

Um negócio para ganhar dinheiro ou para mudar o mundo?

“Prefiro ser parte de uma montanha a ter uma lombada sozinho”. Essa é a frase usada por Geraldo Campos, professor e chefe do Laboratório de Inovação e Empreendedorismo da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), para definir o pensamento dos jovens que se aventuram a tentar transformar a realidade por meio de seus empreendimentos.

Qual a diferença entre negócios sociais e negócios de impacto social?

O empreendedor social bengali Muhammad Yunnus foi quem popularizou o primeiro termo ao descrever iniciativas de empresas que buscam solucionar questões sociais e/ou ambientais. São empreendimentos economicamente sustentáveis e que reinvestem os lucros dentro do próprio negócio.

Já os negócios de impacto social, além de buscarem a transformação de vidas, também  possibilitam que os lucros sejam divididos entre seus investidores.

Na palestra Negócios com Propósito, o professor abordou a diferença de mentalidade e comportamento entre os empreendedores que querem causar impactos positivos na sociedade daqueles que pensam os negócios exclusivamente como uma possibilidade de gerar lucro. Segundo o especialista, os jovens empreendedores sociais veem a sociedade a partir de uma lógica de compartilhamento – num incessante agir, aprender e construir, buscando respostas para seus problemas de forma coletiva.

 
“A jornada do empreendedor não é reta, pelo contrário. É cheia de altos e baixos e os empreendedores precisam ser plásticos, mais do que resilientes, para saber o que fazer a cada não que receberem. Saber lidar com os momentos difíceis e com as dúvidas é muito importante, porque precisamos de empreendedores de todos os tipos, em todas as áreas, para acompanhar as mudanças pelas quais a sociedade tem passado. Só em conjunto que se consegue chegar a algum lugar”, aponta o professor Geraldo Campos.

 

Importantes parceiras dos empreendedores

Algumas das maiores aliadas para tirar uma ideia do papel são as incubadoras, que apoiam micro e pequenas empresas com grau significativo de inovação, oferecendo-lhes suporte técnico, gerencial e de capacitação.

A gerente do IEITEC (Instituto Empresarial de Incubação e Inovação Tecnológica), Daniela Lima, ressaltou que “trazer o equilíbrio entre o propósito dos empreendedores e a sustentabilidade do negócio é a grande missão das incubadoras”, durante a palestra O Papel das Incubadoras e Organizações que Apoiam e Desenvolvem os Negócios de Impacto Social.

Mulher palestra do 1º Encontro de Negócios de Impacto Social. Outras quatro pessoas estão no palco, todas sentadas em cadeiras.

 

A decisão de conceder apoio aos negócios de impacto social geralmente é baseada em alguns eixos, que podem envolver o tamanho do impacto do empreendimento, a forma de gerir o negócio, o uso da tecnologia, o capital necessário para investir, a relevância do empreendimento para o mercado e o comportamento do empreendedor.

Para Gabriela Ferreira, diretora técnica da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), o fato de um negócio de impacto social não ser incubado por uma grande instituição, não é motivo para desistir.

“Em alguns anos, esperamos que todos os novos negócios sejam de impacto social e que as empresas tradicionais reflitam sobre as implicações socioambientais de suas atividades. Ter essa preocupação é pensar num futuro sustentável tanto para o meio ambiente quanto para as empresas”, aposta a diretora.

A programação do 1° Encontro de Negócios de Impacto Social contou ainda com a entrega do Prêmio Roser que reconhece as melhores iniciativas de empreendimentos de impacto em Porto Alegre. O projeto vencedor desta edição foi o Missão Diversão, que pretende sensibilizar casais à adoção tardia. Durante seis meses, o empreendimento será incubado pela Unitec, a unidade de negócios da Unisinos.

O Brasil tem 579 negócios de impacto social mapeados, segundo pesquisa da Pipe. Social, e cerca de 63% deles estão localizados na região Sudeste do país.

As principais áreas de atuação dessas iniciativas são: educação (38%), tecnologias verdes (23%) e cidadania (12%).

Entre as maiores urgências para os empreendedores são mencionadas: a busca de investidores (46%), formas eficientes de comunicar sobre o negócio (18%) e mentoria (16%).

novembro 23rd, 2018

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A jovem Thais Ferreira sentada em uma escada pintada com a bandeira do Brasil.

Às vezes, a vontade de abrir o próprio negócio vem de berço. Conheça histórias de quem contou com o apoio da família para tirar as ideias do papel

Iniciar uma jornada empreendedora nem sempre é um caminho fácil e rápido. Talvez por isso, muitas famílias fiquem preocupadas quando percebem o jovem engajado em montar o próprio negócio. A pesquisa Juventude Conectada – Edição Especial Empreendedorismo apontou a tendência familiar em estimular mais a busca por segurança financeira do que a autonomia nos negócios, uma vez que o empreendedorismo ainda é visto por muitos como algo arriscado e transgressor.

Incentivo da família é o que não falta ao jovem Cairê Moreira, que está engajado em quebrar padrões e revolucionar a indústria da moda no Brasil

Arriscado e transgressor são justamente as palavras que resumem a GENYZ, empresa recém-criada por Cairê Moreira, de 24 anos. Formado em animação, o jovem decidiu usar seus conhecimentos para revolucionar a indústria da moda no Brasil. Através do escaneamento 3D do corpo, ele propõe a confecção de roupas completamente  personalizadas, combatendo padrões e atuando em prol da autoaceitação.

Quando os pais souberam que Cairê estava seguindo por esse caminho, não faltou apoio. A mãe, Lina, e o padrasto, Alexandre, trabalham na Universidade Federal no ABC. Com frequência, apresentam pessoas da área de tecnologia para dar aquela força aos negócios do filho. Já o pai de Cairê, Davi, é uma grande inspiração para o jovem.

Ativista em uma ONG que luta pela conscientização da anemia falciforme – doença hereditária que atinge principalmente a população negra -, Davi ensinou ao filho, pelo exemplo, que não há limites para lutar pelo o que acredita. “Ele sempre atende aos compromissos dele, nunca recusa responsabilidades e não mede esforços para lutar pelo o que acredita. Tem essa teimosia boa e acho que puxei dele”, diz.

 

 

 

 Empreendedorismo de berço

E quando a veia empreendedora vem de casa? Dona Neide e seu Ilton eram funcionários públicos, mas para complementar a renda sempre foram adeptos do empreendedorismo correria, como define a filha, Thais de Souza Ferreira, de 30 anos: “Meu pai vendia abacaxi fatiado, coco na praia, picolé na porta de casa e churrasquinho. Minha mãe sempre empreendeu em família, costurando com minha avó, vendendo quitutes no portão, roupas. Ela e a irmã chegaram a montar um serviço de buffet para festas”.

Ao observar essa dinâmica familiar, a carioca foi crescendo com a vontade de criar o próprio negócio. Experimentou vários empreendimentos até criar, em 2016, o Mãe&Mais. Incubado pelo Pense Grande, o negócio social oferece serviços e informações de saúde e bem-estar para gestantes, mulheres e crianças na primeira infância.

Organização, administração da renda, vontade de aprender e compartilhar conhecimento foram alguns dos ensinamentos que os pais da jovem transmitiram a ela e que hoje são fundamentais em sua vida profissional. “O que mais me inspirou foi o compromisso com o impacto positivo nas comunidades e a noção de sustentabilidade que eles sempre tiveram”, conta Thais. “Sabe empreender com propósito? Digo, com orgulho, que aprendi em casa!”.

O mesmo aconteceu com Fábio Hideki Takara, de 30 anos. A convivência com os pais empreendedores, donos de confecções de jeans, despertou nele a vontade de seguir pelo mesmo caminho. Em 2016, criou a Firgun, plataforma que conecta investidores a empreendedores de baixa renda, facilitando o acesso ao micro-crédito.

O peso da responsabilidade e o esforço para conseguir o que deseja são as maiores lições que aprendeu em casa. “Aos dez anos, eu guardei por meses os R$ 2 que ganhava diariamente para comprar merenda na escola. Fazia meu próprio lanche e economizava. Com o dinheiro, quitei as prestações de uma televisão para o meu quarto”, relembra. “Desde pequeno, minhas irmãs e eu aprendemos que as conquistas só chegam com sacrifícios”.

O maior professor

André de Aquino Pinto sentado em um banco do posto de gasolina, do qual trabalha como gerente.

O convívio com o comércio do pai, André, foi determinante para as escolas profissionais do filho Luiz Fernando.

Traço comum na história de imigrantes portugueses, André de Aquino Pinto seguiu a carreira de comerciante do pai. Dono de um bar na zona oeste do Rio de Janeiro, ele encantava clientes com simpatia, cuidado e inovação, que ia dos tira-gostos a ambientação do espaço. “Um misto de pé sujo à la Brasil com o charme da tasca portuguesa”, define o filho Luiz Fernando Pereira Pinto, de 28 anos.

A convivência com o dia a dia do pai foi essencial para Luiz. Ele conhecia todos os fregueses que circulavam pelo espaço, ganhava com frequência presentes dos mais variados, de livros a vara de pescar. “A pesca nunca foi de meu interesse, já os livros…”, conta o rapaz que hoje é um dos fundadores do Nuvem Poética, uma plataforma para conectar, potencializar e dar visibilidade à poesia contemporânea. O empreendimento também está sendo incubado pelo Pense Grande.

Mais do que os livros, a maior inspiração para Luiz foi mesmo o pai, que além de valorizar os estudos, impressionava com sua sabedoria. Entre servir uma bebida para um freguês e preparar o prato do dia, ele contava ao filho histórias que envolviam artes, passavam pelo processo histórico de formação do Rio de Janeiro e terminavam nos livros que ele já tinha lido.

Com o pai, Luiz foi aprendendo muitas coisas: falar em público, o apreço por ouvir e contar histórias, estratégias de gestão, administração financeiras e até o olhar para tendências. “O bar foi uma escola e meu pai era o professor. Ali, naquele ambiente, eu conheci Hermeto Pascoal, um dos maiores músicos do país! Também conheci seu Pedro, que tem a fama de ser um dos pescadores mais mentirosos do Rio, além de João, um vendedor de amendoim super criativo do bairro, dentre tantas outras figuras que me inspiraram e que carrego até hoje”, conta ele.

Com o tempo, André teve que fechar o bar, passando de empreendedor a funcionário. Porém, até hoje é uma das grandes referências do filho, cheio de conselhos e ideias que inspiram os negócios de Luiz. “Apesar do meu empreendimento ser diretamente ligado a cultura, meu pai sempre faz uma ligação com o comércio. Comprovo a ideia de que há mais semelhanças do que diferenças, afinal a cultura está presente em qualquer canto”, conclui.

novembro 19th, 2018

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Imagem mostra o empreendedor Celso Athayde. Ele veste camisa branca e paletó preto

Criado nas ruas e favelas do Rio de Janeiro, o empresário ganhou o prêmio Empreendedor social (2017) e movimenta um conglomerado social com 22 empresas em comunidades cariocas.

“Nunca pensei em transformação social”, afirma Celso Athayde, nomeado pela ISTO É Dinheiro como o empreendedor social do ano em 2017. Ele é fundador da CUFA (Central Única das Favelas) e da Favela Holding, um conglomerado de 22 empresas que geram empregos e movimentam a economia de comunidades no Rio de Janeiro.

A trajetória do empresário carioca é considerada referência como superação dos obstáculos e inspiração para o desenvolvimento de ferramentas de transformação social. “Um trabalho na favela, seja ele qual for, é social por excelência, não precisa ter um discurso”, afirma Athayde que, aos 55 anos, relembra o período em que teve de deixar seu barraco na Baixada Fluminense aos seis anos de idade e foi morar na rua. “Nós somos a representação física, estética e moral da transformação social”, afirma.

Para o empresário, sobreviver era a prioridade. Nos abrigos públicos e nas favelas pelas quais passou aprendeu com as disputas da rua, muitas vezes recorrendo a furtos, drogas e trabalhos informais para sobreviver por mais um dia. As experiências acumuladas nesse período transformaram a visão de Celso Athayde para a realidade das favelas e das pessoas que moram nesses territórios.

Por outro lado, ele entrou em contato também com a potência desses espaços, como as inúmeras manifestações artísticas das juventudes negras que expressam o contexto em que vivem através da música, da dança e da rima. O ponto de virada foi justamente o contato com o movimento Rap, que acendeu a fagulha revolucionária que levaria Athayde a refletir sobre a vida dos jovens na favela.

Ciclo de potência 

A partir desse primeiro contato, há 20 anos, Celso passou a empresariar cantores influentes como MV Bill e Nega Gizza. Mas isso não bastava. Criar uma “indústria de protesto”, como o próprio empresário define, não era seu objetivo principal, mas acabou se concretizando em meio à busca de soluções reais para ampliar uma rede de espaços para os jovens se expressarem, desenvolverem atividades de lazer, educativas e culturais.

Com a ajuda de amigos e parceiros como o próprio MV Bill, nasceu a organização social Central Única das Favelas, conhecida como CUFA, visando valorizar a vida das pessoas. Tal iniciativa conquistou prêmios nacionais e internacionais, foi reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) e ampliada para outras comunidades ao redor do mundo.

Em consequência dessa articulação, outras ações foram estruturadas posteriormente, pois é necessário investimento constante para reais soluções nas favelas. Em 2013, é fundado o conglomerado Favela Holding, que reúne 22 empresas de negócios sociais que protagonizam a atuação dos moradores, garantindo um envolvimento na economia e geração de renda na região.

Uma dessas iniciativas foi a Favela Vai Voando, uma empresa de viagens voltada para o turismo de moradores das favelas e regiões periféricas brasileiras. No mercado, a FVV foi o primeiro empreendimento a oferecer transporte aéreo e os benefícios para as classes C, D e E.


Não sei se existiu um ponto de virada na minha trajetória. No fundo, o grande momento está para surgir ainda”, acredita Celso Athayde.

Empreender é “se virar”

“Favela não é carência, favela é potência”, reafirma Celso Athayde quando conta a história sobre os empreendimentos que viu se desenvolverem. Buscar o envolvimento desses moradores na construção das ideias é objetivo fundamental para ele, bem como entender as constantes renovações de necessidades pelas quais  passam todos os dias.

Segundo o Data Favela, um instituto criado para investir em pesquisas estratégicas de comportamento e mercado de baixa renda, 28% dos moradores de favelas têm intenção de abrir seu próprio negócio e 59% deles desejam criá-los dentro das próprias comunidades.

“O empreendedorismo da base da pirâmide não é necessariamente uma vocação, mas é uma necessidade de sobrevivência permanente. Aqui a gente não chama isso de empreender, chama isso de se virar”, acrescenta o empresário, mas diz discordar da ideia de que somente o empreendedorismo gera felicidade. Para Athayde, cada perfil de pessoa colabora à sua maneira para o que entendemos como transformação social.

novembro 16th, 2018

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Na imagem, um homem e uma mulher usando roupas sociais estão sentados lado a lado em uma mesa de escritório. Eles usam aplicativos para gerenciar negócios em um smartphone.

Confira lista de apps que facilitam o dia a dia do seu projeto e ajudam em atividades essenciais para empreender com qualidade

Gerenciar o próprio empreendimento social é um desafio e tanto. E tem interessado grande parte dos jovens brasileiros. É o que revela a pesquisa Juventude Conectada – Edição Especial Empreendedorismo, que ouviu 400 pessoas entre 15 e 29 anos de todas as regiões do país, mostrando que 56% dos jovens se consideram empreendedores. O mesmo estudo aponta que 61% busca alinhar a carreira profissional a um propósito, próprio ou coletivo.

Ao tomar a decisão de empreender, é fundamental estar conectado para dar conta de todas as demandas. E um smartphone pode ser o melhor dispositivo para controlar prazos, estabelecer metas e até criar uma rede de apoio com quem tem interesses similares.

Confira nossa lista de apps para impulsionar o seu negócio!

 

Na imagem, o logo do Evernote, um dos aplicativos para gerenciar negócios listados na matéria.

 

Evernote

Para quem trabalha com textos e notas, o aplicativo oferece a possibilidade de criar anotações separadas por cadernos e textos formatados, com cores e em lista, incluindo anexos, imagens, áudios e até mesmo desenhos feitos à mão. É possível sincronizá-lo com smartphones, tablets e desktops. Serve também como uma ferramenta de clipping, ou seja, guarda textos, artigos e outros tipos de conteúdo para serem lidos posteriormente e permite o compartilhamento de todos os conteúdos com demais pessoas.

 

 

Na imagem, o logo do Asana, um dos aplicativos para gerenciar negócios listados na matéria.

 

Asana

Voltado para o processo de gestão de tarefas. A ideia é que, na mesma plataforma, os empreendedores possam ver os serviços e o andamento de cada um deles, incluindo conversas coletivas e privadas, por exemplo. Uma das funções é organizar uma lista de tarefas, separando-a por equipe ou tema, permitindo melhor controle das atividades e até de prazos. Tem integração com aplicativos que podem potencializar as funcionalidades do sistema: Gmail, Dropbox, Google Drive; Google Agenda, entre outros.

 

 

Na imagem, o logo do BeerOrCoffee, um dos aplicativos para gerenciar negócios listados na matéria.

 

BeerOrCoffee

Trabalhar cada dia em um coworking diferente e ainda poder se conectar com pessoas de diferentes áreas. Esse é o objetivo do BeerOrCoffee, ideal para que os empreendedores criem uma rede de apoio. Por meio da plataforma, é possível encontrar pessoas com interesses similares ao seu e, com poucos cliques, convidá-las para um café ou uma cerveja nos próximos 30 minutos. A ferramenta oferece ao usuário a possibilidade de escolher um espaço de trabalho compartilhado em algum lugar do Brasil e experimentar por um dia, sem custo.

 

 

Na imagem, o logo do Meu Negócio em Dia, um dos aplicativos para gerenciar negócios listados na matéria.

 

Meu Negócio em Dia

Criado em parceria com o Sebrae, ajuda a organizar as finanças da empresa ao organizar em gráficos e outros indicadores as informações fornecidas sobre o empreendimento. Há calculadoras que comparam custos de produtos e serviços e simuladores que analisam se investimentos e planos de expansão estão compatíveis com os negócios.

 

 

 

Na imagem, o logo do Google Keep, um dos aplicativos para gerenciar negócios listados na matéria.

 

Google Keep

Aplicativo para substituir anotações feitas em blocos de notas ou nos famosos post-its colados no computador. O Keep é gratuito e possui versões para desktop, além de versão Android e iOS. Tem uma função de lembrete com base no local. Por exemplo, precisa terminar uma tarefa em um determinado período? O app define um lembrete com base no horário para que o usuário não perca essa entrega. É possível adicionar notas, listas, fotos e áudio. Ajuda a manter prazos e qualquer tipo de compromisso, tendo possibilidade de integrar com o e-mail.

 

Na imagem, o logo do Google Drive, um dos aplicativos para gerenciar negócios listados na matéria.

 

Google Drive

Outro app do universo Google, disponibiliza 5 GB para armazenar arquivos, documentos, imagens, pastas e vídeos em nuvem. Ainda permite compartilhar arquivos e também tem navegação offline. É ótimo para evitar problemas com documentos esquecidos no computador, já que é possível acessar o conteúdo onde e quando precisar.

 

 

 

Na imagem, o logo do CamCard, um dos aplicativos para gerenciar negócios listados na matéria.

 

CamCard

Quantos cartões de visita você já trocou e acabou acumulando em alguma gaveta? Este aplicativo foi criado para eliminar essa pilha de papel. Os contatos ficam salvos diretamente no seu celular. O usuário fotografa o cartão de visita com a câmera e, após um rápido processamento, são armazenados a imagem do cartão e os dados do contato na agenda do telefone, ou em uma conta Google. É possível exportar para outros programas e adicionar várias informações complementares. Além disso, oferece reconhecimento por QR Code e assinatura de e-mail.

 

 

Na imagem, o logo do Trello, um dos aplicativos para gerenciar negócios listados na matéria.

 

Trello

É um grande visualizador de listas para projetos de pequeno e longo prazo. A ferramenta utiliza o método de produtividade kanban, que cards dinâmicos para indicar fluxos de produção. É possível dividir áreas de um projeto e acompanhar o progresso de cada um dos setores. O empreendedor consegue dividir as responsabilidades com cada colaborador e equipe, prevendo os resultados com a inclusão de data e cores que representem cada situação. É possível ativar alertas, dar instruções e subir arquivos como imagens e outros anexos.

 

Na imagem, o logo do Meu Atendimento, um dos aplicativos para gerenciar negócios listados na matéria.

 

Meu atendimento

Para empreendedores que lidam com algum tipo de venda direta ao cliente, o aplicativo mede os resultados do atendimento. Por meio de um questionário é informado o motivo pelo qual a compra não se concretizou. O app compila as respostas e as transforma em gráficos e análises. Os dados geram oportunidades e identificam questões de produtividade.

 

 

 

Na imagem, o logo do Smart Recorder, um dos aplicativos para gerenciar negócios listados na matéria.

 

Smart Recorder

O aplicativo de gravação de áudio, disponível para Android, pode ser usado para registrar lembretes e também ideias de forma rápida e simples. Foi projetado para a gravação de som com alta qualidade e de longa duração, por isso, tem uma caraterística de pular o silêncio ou longas pausas. É ideal para gravar reuniões e compartilhar o arquivo com outras pessoas, por exemplo.

novembro 16th, 2018

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A psicóloga Maitê Lourenço sorri para foto. Ela é negra, tem os cabelos curtos, usa óculos de grau e uma blusa com estampa de flores.

Empreendimentos liderados por negros e negras são maioria no país, mas ainda há pouca abertura à diversidade dentro do ecossistema de inovação e startups

Se você tivesse que associar as palavras empreendedorismo, inovação e startup a uma pessoa, como ela seria? Não se espante se vier à mente a imagem de um homem branco, de certo poder aquisitivo, que se inspira em empresários do Vale do Silício. Pois é essa figura, de maneira geral, que tem mais acesso a investimentos, mentorias e programas que ajudam os negócios a crescerem.

Mas ao contrário do perfil acima, maioria dentro do ecossistema de inovação, é o afroempreededorismo que prevalece no Brasil. Um levantamento do Sebrae com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) mostra que 50% dos donos de negócio são negros, 49% brancos e 1% pertencem a outros grupos populacionais. Apesar de maioria, a população negra empreendedora é menos escolarizada, trabalha com menos funcionários, fatura menos e tem menor acesso a crédito e capacitação, traço evidente das relações étnico-raciais construídas com os pilares da desigualdade ao longo da história.

Para inverter essa lógica, é necessário, antes de tudo, falar sobre o assunto. Confira a seguir algumas histórias de emprendedores negros e negras que estão trabalhando para mudar as estatísticas socioecônomicas desfavoráveis a essa parcela da população no país.

Fique de olho!

Em novembro, mês em que se celebra o Dia Consciência Negra e o Mês do Empreendedorismo, traremos alguns cases e perfis de empreendedores negros e negras que se destacam pelo trabalho realizado em prol do desenvolvimento social e econômico da população que vive em periferias brasileiras. Acompanhe em nosso site!

Mobilização em rede

A psicóloga Maitê Lourenço, ao se perceber como única mulher negra nos eventos de inovação que frequentava, tomou para si a missão de promover maior diversidade racial no ecossistema empreendedor. Criou, em 2016, o BlackRocks, um laboratório de inovação comprometido com a aceleração de negócios e pessoas e com desenvolvimento de lideranças. Para compor o quadro de colaboradores, ela escolheu profissionais com tanta ou mais qualificação técnica que empresários de grandes aceleradoras, mas pouco vistos por causa da cor da pele.

Apesar de sua existência recente, o projeto já é considerado referência, com 55 mentores cadastrados e mais de 600 pessoas impactadas. “O BlackRocks criou uma tecnologia social de mobilização em rede”, define Maitê. “Durante e depois da nossa atuação, encontramos diversos empreendedores extremamente criativos, profissionais com muita competência para apoiar e desenvolver empreendedores. Estão cada vez mais criando estratégias de atuação no ecossistema, desenvolvendo negócios em parceria, tornando-se compradores e fornecedores da rede”.

 

Feira Preta

“Treze décadas após a abolição da escravidão no Brasil, o que fez a população negra emergir foi o empreendedorismo”, conta Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta, evento que ocorre anualmente há 17 anos na cidade de São Paulo, reunindo um circuito de atividades econômicas e culturais entre empreendedores negros. Em entrevista realizada em julho à Fundação Telefônica Vivo, ela afirma que os empreendedores negros e negras estão passando da resistência à oportunidade.

A edição do ano passado da Feira Preta contou com a participação de mais de 20 mil pessoas, o que demonstra a importância do evento não só para compartilhamento e divulgação do trabalho de artistas e empreendedores da comunidade negra, mas para a cidade de São Paulo como um todo. É como avalia Gleicy Mailly da Silva, que pesquisou sobre o evento entre os anos de 2012 e 2015 para compor sua tese de doutorado em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo.

“Pensando na valorização e no fortalecimento de práticas culturais e econômicas realizadas por artistas, artesãos e empreendedores negros, mais do que a questão econômica, a Feira Preta tem um importante impacto político”, avalia Gleicy. Para quem está todos os dias na luta, eventos como estes são fundamentais para encorajar mais pessoas, mesmo sabendo que os desafios são imensos.

 

Representatividade ou proporcionalidade?

 A jovem Monique Evelle posa para a foto e tem sua imagem refletida atrás dela. Ela é negra e tem os cabelos trançados na altura dos ombros.

A ativista e empreendedora social, Monique Evelle.

Monique Evelle criou seu primeiro negócio, o Desabafo Social, aos 16 anos. Hoje é dona e sócia de outros tantos, uma das principais vozes do feminismo no Brasil e eleita pela Revista Forbes como uma das mais influentes abaixo dos 30. O desafio que enfrenta diariamente continua o mesmo de sempre: “Minha existência enquanto mulher preta na hora de negociar, porque as pessoas simplesmente não acreditam que eu sou a dona e sócia do negócio”.

A empreendedora social e ativista ressalta que tem dúvidas sobre a pertinência de se rotular a categoria como afroempreendedora, o que pode causar mais preconceito do que aceitação. “Apesar de ser importante reafirmar nosso lugar, colocar sufixos ou prefixos na palavra empreendedorismo me parece legitimar que o normal é ser branco”, questiona Monique.

Monique acredita que mais importante do que a representatividade – ver na mídia matérias sobre mulheres negras e homens negros que se consolidaram como empreendedores de sucesso – é a proporcionalidade. “Proporcionalidade é a gente ver um número significativo de pessoas negras ocupando o mundo dos negócios, a televisão e outros espaços de poder, tal como vemos as pessoas brancas”, defende.

 

Da margem para o centro

Integrantes do Vale do Dendê posam para foto com o logo da iniciativa ao fundo

A holding social Vale do Dendê fomenta negócios da periferia de Salvador.

Na periferia, onde a maioria da população é negra, desde sempre, e desde muito cedo, se empreende para sobreviver. Tanto é que 53% dos empreendedores negros no Brasil começam antes dos 18, com negócios de baixa complexidade e pouco faturamento, como analisou a ativista e empreendedora Ana Karoline Lima, em sua palestra no TEDxFBA,

Com o objetivo de encorajar a mudança desse cenário, surgiu a holding social Vale do Dendê, que cumpre a função de aceleradora, escola de negócios e consultoria com foco em fomentar negócios da periferia de Salvador, a cidade mais negra fora da África.

“Quando falamos de negócios de impacto e inovação, a periferia no Brasil é ouro! Simplesmente porque quem vem de lá tem dois opções: ou inova ou empreende”, define um dos sócios, Rosenildo Ferreira.

 

“Atuamos com empreendedores da periferia porque acreditamos que a potência está na margem, independentemente de ser ou não composta por negros”, Rosenildo Ferreira sobre a Valê do Dendê.

 

Para ele, a falta de um olhar para quem está longe dos grandes centros restringe a potencialidade de crescimento do país. “O Brasil só não é mais desenvolvido por conta do machismo e do racismo institucional. Já imaginou se os investidores começassem a investir mais nas mulheres e nos negros?, afirma Rosenildo, que se orgulha de ter, na Vale do Dendê, 60% de negócios dirigidos por mulheres.

Ao falar sobre resistência e falta de oportunidades, Monique Evelle acrescenta: “Flexibilidade e proatividade, dois termos associados ao empreendedorismo, é quase compulsório na periferia. Nós temos que ser, desde sempre, proativos e flexíveis para continuar existindo”.

novembro 12th, 2018

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Soulphia e Alfabantu, projetos de ensino de idiomas, empoderam seus usuários a partir de metodologias inovadoras em educação

Os meios digitais tornam-se, cada vez mais, aliados para apoiar a cultura empreendedora e facilitar processos na jornada de quem quer empreender. Também viabilizam a busca de conhecimento e possibilitam tirar ideias do papel de forma mais rápida, prática e menos custosa. Tiago Soares, fundador e gestor da empresa social Soulphia, e Odara Dèlé, idealizadora do aplicativo Alfabantu, apostaram na união entre tecnologia e educação para o desenvolvimento de seus empreendimentos sociais digitais.

Eles reforçam o pensamento de 40% dos jovens entrevistados na pesquisa Juventude Conectada – Edição Empreendedorismo, que veem iniciativas inovadoras que transformam a sociedade, ou a vontade de fazer coisas novas, como motivações para começar um empreendimento. O estudo foi promovido pela Fundação Telefônica Vivo, em parceria com Ibope e Rede Conhecimento Social.

 

Aulas que transformam vidas

Em 2017, Tiago Soares e Felipe Marinho realizaram trabalho voluntário em abrigos em Nova York, nos Estados Unidos. A vontade de melhorar a vida das pessoas que viviam ali foi o incentivo para colocar em prática o Soulphia, empreendimento online que visa reinserir moradores de rua no mercado de trabalho.

“Sempre após as atividades nos abrigos ficávamos tristes por não poder garantir algo melhor para as pessoas nesses locais. Ao conhecer suas histórias, juntamos aquilo que entendíamos como potencialidades daquele contexto para tentar a transformação social”, lembra Tiago Soares.

Era perceptível que os moradores dos abrigos tinham muita vontade de mudar de vida. “Foi quando pensamos em usar o idioma para transformar, em tutoras de inglês, mulheres estadunidenses e moradoras de Nova York, mas que viviam em situação de rua”, explica o empreendedor.

O negócio saiu do papel com apoio da Universidade de Columbia e da Educurious, uma empresa sem fins lucrativos da Fundação Bill e Melinda Gates. Em 2018, o projeto completa um ano de atividades com mais de 300 alunos, espalhados por Brasil, China, Colômbia e Estados Unidos. São, ao todo, 25 tutoras capacitadas para dar aulas particulares pela internet.

Foi desenvolvida uma plataforma pela qual o estudante seleciona a tutora, agenda o horário de preferência e participa da aula particular ao vivo. Os alunos se beneficiam ao terem aulas com falantes nativas do idioma por um preço competitivo e ainda ajudam as tutoras a retomarem a autoestima, recuperando o sentimento de esperança e dando propósito à vida delas.

Imagem mostra tutoras e criadores do Soulphia, plataforma que ajuda moradoras de rua de Nova York a se tornarem tutoras no ensino de inglês a distância

 

“Todas as tutoras voltaram a acreditar em si mesmas e mudaram de vida. Seis, de 25, já conseguiram deixar o abrigo para morar em casas próprias. Conseguimos atuar em duas frentes: a recuperação do protagonismo da vida dessas mulheres e na geração de renda, para que sejam, novamente, independentes”, afirma Tiago Soares, gestor da Soulphia.

O ponto de partida foi em um abrigo no bairro do Bronx, em 2017, com computadores do próprio local. Nessa primeira experiência, seis tutoras ministraram mais de 500 aulas, por 15 dólares cada, para cerca de 40 alunos. Hoje o Soulphia conta com estrutura própria, mas mantém sua essência ao impulsionar vidas e empoderar quem está em uma situação de vulnerabilidade.

 

Aprendendo uma língua ancestral

Qual é a origem de palavras que usamos no dia a dia, como moleque e caçula? Se você ficou curioso, o Alfabantu pode responder a essa pergunta. Criado pelos educadores Odara Dèlé e Edson Pereira, o aplicativo busca ensinar às crianças a língua falada pelo povo kimbundu, de Angola.

Por meio do app é possível conhecer nomes de animais, partes do corpo, números e saudações em kimbundu, que é apenas um dos mais de 2.000 idiomas falados no continente africano. A plataforma também aproxima as crianças da história, cultura e arte africanas, tão presentes dentro da própria cultura brasileira. Entrar em contato com a pluralidade da cultura africana é, também, conhecer o próprio Brasil.

A ideia para a criação do aplicativo, em 2017, veio com a percepção de que mesmo após a criação da Lei 10.639, em 2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira nos Ensinos Fundamental e Médio, não havia ainda material didático que aproximasse as crianças e os jovens de línguas africanas.

“Alguns dos obstáculos para colocar a Lei em prática era a falta de um material didático que representasse a população negra de forma positiva”, conta Odara Dèlé. Os criadores do Alfabantu enxergaram potencialidade ao juntar essa necessidade ao fato de crianças e adolescentes passarem muito tempo perto dos celulares.

Por meio de pesquisas realizadas na época do lançamento do aplicativo, eles chegaram à informação de que crianças entre 5 e 14 anos passam cerca de 80% do tempo livre em frente aos smartphones.

Imagem mostra mão de criança segurando um smartphone cuja tela mostra o aplicativo Alfabantu, que ensina o idioma kimbundu, de Angola

 

“Conseguimos aproximar a cultura africana das crianças e ainda aproveitar as possibilidades educacionais que a tecnologia nos dá”, completa a educadora Odara Dèlé.

A co-criadora do aplicativo acredita que essa união entre tecnologia e educação pode ser utilizada para diminuir as desigualdades sociais, raciais e de gênero. O objetivo é promover uma educação menos eurocêntrica e que combata o racismo. “Por estarmos online, nossa capilaridade pode ser mais rápida e com menos custos”, pondera.

E a adesão ao aplicativo foi rápida. Lançado em novembro de 2017, o Alfabantu somou 600 downloads até a primeira semana de dezembro daquele ano, com usuários no Brasil, Angola, Moçambique, Reino Unido, Polônia e Portugal. Hoje, o número de downloads já passa de 5.000.

O próximo passo é levar o empreendimento online às periferias e realizar formações tecnológicas para jovens. Em 2019 também deve ser lançado um livro bilíngue, em português e kimbundu, com os personagens que ilustram as lições do aplicativo, além de uma versão infanto-juvenil que ensine o idioma angolano por meio de jogos.

novembro 9th, 2018

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Três jovens, duas mulheres e um homem, se reúnem em volta de uma mesa. O rapaz, ao centro, usa óculos e camisa azul e está segurando um papel e uma caneta.

Mentoria, apoio jurídico e financeiro e acesso a investidores são algumas das atribuições destas instituições que fomentam os negócios de impacto social

Causar impacto positivo em uma comunidade, melhorar as condições de vida e a autonomia financeira de pessoas de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade social e garantir um impacto ambiental reduzido são alguns dos objetivos dos chamados negócios sociais, iniciativas que não param de crescer no país.

Mas não basta ter uma grande ideia. Um estudo do Sebrae apontou que os negócios sociais, de maneira geral, encontram alguns desafios importantes: falta de capacitação em gestão e intervenção social, burocracia para conseguir crédito, falta de novos modelos de investimento e de cultura de relacionamento entre empreendedores e investidores.

Para contornar problemas do tipo, há iniciativas como incubadoras e aceleradoras, que apoiam empresas em estágio inicial ou na fase de desenvolvimento e expansão dos negócios. Essas organizações, que podem ser privadas ou públicas, oferecem desde instalação física e serviços de treinamento e mentoria, até acesso à rede de investidores e apoio jurídico, de marketing e de gestão e finanças.

A seguir, selecionamos algumas iniciativas que apoiam negócios sociais no país e podem ajudar a alavancar o seu empreendimento. Confira!

 

Pense Grande Incubação

O Pense Grande Incubação da Fundação Telefônica Vivo é voltado para jovens que possuem empreendimentos ou ideias de empreendimentos com impacto social, que buscam resolver alguma necessidade da comunidade e utilizam tecnologia digital. Ao longo de 10 meses, os participantes selecionados e seus respectivos projetos passam por mentorias, dinâmicas, vivências e também têm a chance de apresentar suas ideias em pitches para possíveis investidores.  Saiba mais!

 

Artemisia

Criada em 2004, a organização sem fins lucrativos é pioneira no Brasil. Já acelerou mais de 100 negócios sociais e capacitou outros 300 em diferentes programas. O programa dura seis meses e tem uma metodologia própria que ajuda os empreendedores selecionados a testar modelos de negócio e refinar o impacto social de sua solução em um ambiente de inovação, cocriação e mentoria.

 

Aceleradora Yunus Negócios Sociais

A unidade brasileira da Yunus Social Business (YSB), fundo global que transforma doações filantrópicas em investimentos em negócios sociais sustentáveis, oferece serviços de consultoria para empresas, governos, fundações e ONGs. Para ingressar no programa são avaliados critérios como urgência do problema social, solidez do plano de negócios e potencial de impacto da iniciativa.

 

Instituto Quintessa

O programa combina aceleração e conexão entre investidores e negócios sociais e tem como diferenciais customização das soluções, desenvolvimento pessoal do empreendedor, encontros semanais com mentores e amplo suporte. O Instituto também é responsável pelo Guia 2.5, que ajuda o empreendedor a descobrir as iniciativas mais adequadas para o seu estágio de negócio.

 

Impact Hub

Criado em Londres em 2005 para ser um espaço de trabalho colaborativo entre pessoas dispostas a mudar o mundo, o Impact Hub se tornou um programa em mais de 110 países do mundo. No Brasil, ele se define como um catalizador de causas, onde empreendedores, investidores, freelancers, ativistas, consultores e estudantes se encontram em diversas atividades. O programa de aceleração tem uma metodologia baseada na experiência vivida nos espaços físicos, além de entrevistas em profundidade com os empreendedores selecionados, mapeamento de tendências, diálogos em grupos e workshops de cocriação.

 

Black Rocks

A organização voltada para apoio e inserção da população negra no ecossistema de startups tem um programa de aceleração para empresas em fase inicial de desenvolvimento com alto potencial de impacto e escala. O programa oferece treinamento, apoio na validação com clientes, suporte de mentores especializados e acesso a investidores e parceiros estratégicos.

 

Aceleradora 2.5

Criada pelo INEI (Instituto Nacional de Empreendedorismo e Inovação), a aceleradora tem o objetivo de fomentar a cultura do empreendedorismo social inovador, desenvolver tecnologias/produtos/serviços sociais e promover o desenvolvimento econômico e sustentável da população brasileira.

 

Vale do Dendê

Lançada em novembro de 2017, a aceleradora seleciona startups que atuam com economia criativa e tecnologia, nos segmentos de moda, design, mobiliário urbano, turismo, tecnologia automotiva e games. É voltado especialmente para empreendedores localizados na periferia de Salvador, na Bahia.

novembro 7th, 2018

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Dois jovens, um garoto de camiseta preta e uma garota de casaco vermelho, olham atentamente para uma tela de computador. A garota aponta para a tela com uma das mãos e apoia a outra no queixo.

O documento faz parte de um pacote de políticas públicas voltadas para mobilizar jovens empreendedores

Você sabia que existe uma série de políticas públicas de incentivo ao empreendedorismo no Brasil? Elas são oferecidas tanto pelo setor público quanto pelo privado e ajudam a fomentar o desenvolvimento de uma cultura empreendedora.

Pensando em divulgar essas iniciativas, a Secretaria Nacional da Juventude (SNJ) lançou o Plano Nacional de Empreendedorismo e Startups para a Juventude, um documento que traz um diagnóstico das possíveis soluções para o cenário empreendedor brasileiro.

Criado em parceria com a Organização das Nações Unidas pela Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o documento faz parte do Brasil Mais Jovem, voltado aos brasileiros de 15 a 29 anos, envolvendo 91 ações e 13 ministérios articulados pelo Governo Federal. A edição de 2018 soma 12 novos projetos às ações iniciadas em agosto de 2017.

 

O Plano Nacional de Empreendedorismo tem quatro grandes objetivos, que dialogam com o programa Pense Grande, da Fundação Telefônica Vivo, e fortalecem o protagonismo jovem:

– Universalizar a educação empreendedora

– Reduzir o tempo de abertura das empresas

– Alavancar o investimento-anjo no Brasil

– Difundir o conhecimento de políticas públicas

 

No que consiste o Plano?

A partir dos quatro objetivos principais, o Plano Nacional de Empreendedorismo traz um conjunto de estratégias construídas por meio de pesquisas de campo e mapeamento de outras iniciativas que já cumprem a missão de oferecer recursos e incentivar o empreendedorismo entre os jovens.

“Universalizar a cultura empreendedora é a prioridade”, define o secretário adjunto Diego Silva.

O documento ainda se compromete a servir como base da atualização do Plano Nacional de Juventude, que tramita na Câmara dos Deputados há mais de 14 anos e visa gerar oportunidades de renda para os cerca de 51 milhões de jovens brasileiros.

 

Portal do Empreendedor

Dentre as diretrizes apresentadas no documento está a missão de tornar o Portal do Empreendedor mais intuitivo. O portal reúne diversos tipos de informação e serviços voltados ao microempreendedor, que vão desde explicações de como se enquadrar na categoria de MEI (Microempreendedor Individual), até a facilitação de contato com profissionais de  instituições como o Sebrae.

“Quando falamos na criação de startups não há um enquadramento bem definido. Por isso existe nosso objetivo de aprimorar o Portal e disponibilizar todas as políticas públicas de incentivo para consulta daqueles que têm vontade de empreender”, diz Diego Silva, secretário adjunto da SNJ e coordenador da entrega final do plano.

 

Você pode conferir mais informações acessando na íntegra o Plano Nacional de Empreendedorismo e Startups para a Juventude.

outubro 29th, 2018

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