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A jovem Flávia Campos Rodrigues posa para foto ao lado do parceiro

Uma comunidade com mais de 100 mil habitantes, 21 mil domicílios e mais de oito mil estabelecimentos. É neste cenário, em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, que a estudante de Marketing, e moradora, Flávia Campos Rodrigues, de 21 anos, irá lançar o aplicativo Quero Trampo, que conecta vagas de emprego na região aos moradores que estão em busca de oportunidades de trabalho.

A plataforma, com lançamento previsto para março de 2020, funcionará como uma espécie de “Tinder do emprego”, segundo a própria idealizadora, e surge com a proposta de aumentar a economia interna da comunidade, e ainda melhorar a qualidade de vida da população local.

Flávia conta que o projeto foi criado em conjunto com outros alunos, durante o curso Design em Contextos Sociais, promovido pelo Insper, Instituto de Ensino e Pesquisa. “Recebemos o desafio de solucionar um problema. Então, fomos às ruas de Paraisópolis fazer uma pesquisa com os moradores. Eles falaram muito sobre a questão do lixo, da saúde e da falta de emprego e oportunidade. E foi aí que veio a ideia do Quero Trampo”, relata Flávia.

O grupo de jovens do curso de Design em Contextos Sociais posa para foto atrás de uma mesa em que há chaveiros expostos

Flávia Rodrigues (primeira à esquerda) posa para foto com os colegas do curso de Design em Contextos Sociais

 

Paraisópolis em foco

Entre a população de Paraisópolis, 31% são jovens entre 15 a 29 anos, segundo o Mapa da Desigualdade da Rede Nossa São Paulo. E é essa faixa etária que mais sofre com a falta de emprego.

“Sendo moradora de Paraisópolis, vejo que as pessoas precisam cruzar a cidade para buscar emprego e, quando conseguem, encaram distâncias muito grandes. Sem contar as que não conseguem trabalhar por falta de capacitação”, comenta.

De olho no futuro, o objetivo do Quero Trampo também será o de trabalhar a capacitação de pessoas. A iniciativa conta com uma parceria com a agência Emprega Paraisópolis e os idealizadores pensam em promover cursos para preparar as pessoas para o mercado de trabalho, independentemente se a vaga é para a região ou não.

O projeto, segundo Flávia, também deve ajudar a fortalecer o comércio local. “Entendemos que sejam empregos temporários, mas é uma forma de dar um início na carreira, ajudar as pessoas a buscarem outras oportunidades e até mesmo a criarem seus próprios negócios”, espera Flávia.

Atualmente, o a aplicativo está em fase de desenvolvimento e os testes estão sendo feitos por Flávia e o seu parceiro Davi Dom Bosco Silva, e mais cinco estudantes de diferentes universidades do Brasil.

“Eu estou amando empreender. Acredito que dentro de uma comunidade como Paraisópolis isso ganha ainda mais força diante da forma como as pessoas de fora enxergam a comunidade, pensando ser um espaço apenas de violência. Existe muito mais aqui dentro”, afirma Flávia.

 

Visibilidade internacional

Visto como grande potencial, o Quero Trampo foi reconhecido pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que convidou Flávia e os outros integrantes do grupo para apresentarem a ideia do projeto durante a próxima edição do Brazil Conference at Harvard & MIT, promovido pelo MIT Brazil, Todos pela Educação e FGV (Fundação Getúlio Vargas), que será realizado em abril deste ano, nos Estados Unidos.

Para viabilizar a viagem de dez dias, o grupo criou um financiamento coletivo, especialmente para ajudar com a alimentação, já que despesas como passagem, vistos e acomodação serão pagos pelo MIT Brazil.

“Estamos nos preparando para a apresentação. Um pouco nervosos e ansiosos para conseguir a verba necessária para a viagem. Para isso, além da vaquinha, estamos vendendo chaveiros de Paraisópolis e temos tido um bom retorno”, orgulha-se a jovem.

Vinda de uma família com 13 irmãos, Flávia teve muitos desafios durante a vida. Atualmente, além de estudar, a jovem é coordenadora do Festival da Juventude, educadora social e organizadora da Mostra Cultural de Paraisópolis. Engajada com as iniciativas de impacto e o trabalho dentro da Associação dos Moradores de Paraisópolis, ela pretende ir além com a temática e conta que o empreendedorismo foi algo que a surpreendeu.

“Eu ainda não sei como direcionar minha carreira. Nunca imaginei em empreender. Tinha outros planos. Mas, eu fui muito surpreendida com o empreendedorismo social. E quero investir mais nisso e atingir outros lugares do Brasil, levando oportunidade para muitas pessoas que não têm o acesso que eu tive”, finaliza a jovem.

janeiro 21st, 2020

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Imagem mostra detalhe de uma mão escrevendo em uma agenda

O ano de 2020 está começando e isso significa o surgimento de oportunidades para promover mudanças reais. Com as metas estabelecidas e os desejos renovados, repensar ou adquirir novos hábitos pode ajudar na organização da rotina egestão do seu empreendimento social.

Aproveitar melhor o tempo, controlar as finanças, aumentar a produtividade na vida pessoal e nos negócios. A criação de um novo hábito exige tempo, adaptação e persistência, mas, seja qual for o seu objetivo, utilizar aplicativos relacionados à organização pode ser um grande aliado nesse processo.

Baseado no livro Seis propostas para o próximo milênio, de Ítalo Calvino, o Sebrae fez um levantamento de seis hábitos do empreendedor eficaz. Leveza, rapidez e exatidão foram algumas das características citadas pelo livro que podem ser úteis não apenas para os empreendedores, mas para todos interessados em promover algum tipo de transformação.E a tecnologia, um dos principais pilares do mundo moderno, pode ser uma aliada importante no desenvolvimento de tais habilidades.

A seguir, conheça seis aplicativos que podem te dar uma força nesse início de ano.

 

7 Weeks

(Gratuito, Android)

Imagem do app7weeks

De acordo com os desenvolvedores do aplicativo 7 Weeks, são necessários 49 dias (7 semanas) para tornar uma atividade um hábito. Pensando nisso, o app disponibiliza ferramentas para facilitar esse processo.

Baixando o aplicativo, você é convidado a adicionar um novo hábito, descrever o motivo de sua escolha e determinar qual é seu prazo para alcançá-la. Dessa maneira, o sistema monitora e analisa seu desempenho, alerta para priorize o hábito programado e tudo o que você precisa fazer é marcar um ‘X’ para cada dia em que suas metas forem completadas.

 

Todoist

(Gratuito, iOS e Android)

Imagem do apptodist

Para realizar atividades diariamente,é importante ter em mente tudo o que precisa ser feito, a curto e longo prazo. Para que as tarefas não se percam em meio a outras prioridades, o Todoist oferece um sistema para mapeá-las, organizando-as por categorias como frequência, localidade e projetos.

À medida que você cumpre, as tarefas são riscadas da sua lista. Além disso, o aplicativo gera gráficos para acompanhar a evolução e a rapidez na execução de cada tarefa, ajudando a medir os níveis de produtividade e exatidão nos processos.

 

Organizze

(Gratuito, iOS e Android)

Imagem do apporganizze

O início do ano é um ótimo período para fazer um balanço das finanças. Planos, metas e objetivos precisam estar alinhados com a planilha de gastos do ano para serem viáveis de realizar. E é para manter esse controle constante que o Organizze foi criado. A partir de categorias como aluguel, débitos, financiamento, o usuário pode mapear quanto e no que gasta para pensar em formas de economizar.

A partir dessas informações organizadas, o aplicativo gera gráficos simplificados para ajudar a traçar metas financeiras para o ano, incluindo viagens e investimentos. Você também pode ajustar um alarme para cada conta a ser paga, evitando o esquecimento de parcelas e prazos.

 

HabitBull

(Gratuito, iOS e Android)

imagem do apphabitbull

O HabitBull auxilia no controle de outro elemento essencial para transformar metas em realidade: o gerenciamento de tempo.

Uma vez feito o cadastro no aplicativo, é possível registar a frequência das atividades mais comuns e, a partir dessas informações, os algoritmos indicam quanto tempo, em média, é gasto em cada uma. Se você deseja mudar um hábito desagradável ou reduzir o tempo perdido em alguma tarefa, é o app ideal!

 

Evernote

(Gratuito,  IOS e Android)

Imagem do appevernote

Por permitir fazer anotações de qualquer tipo e em qualquer lugar,encontrar informações rapidamente e compartilhar ideias com qualquer pessoa, o Evernote está sempre presente em listas para manter o trabalho organizado.

Muitas vezes a falta de tempo não permite que você termine de ler uma notícia, um documento ou um artigo na hora em que recebeu. O Evernote possibilita armazenar conteúdos para ler mais tarde, independente do lugar em que você esteja. O app ainda disponibiliza post-its para lembretes e registro de ideias.

 

Forest

(Gratuito IOS e Android)

Imagem do app Forest

Manter a atenção e o foco é um desafio cada vez maior em um mundo hiperconectado. Se você sente que passa tempo demais no celular e deixa de realizar atividades importantes, o Forest é o aplicativo ideal para te ajudar a ganhar produtividade, otimizar seu tempo e manter-se focado.

Usando um método gamificado, o aplicativo dá uma missão ao usuário: plantar uma árvore. O conceito é simples: quanto mais tempo passa no celular, maiores são as chances da árvore morrer e ter de ser cultivada novamente.  Por outro lado, se o usuário ficar longe do smartphone por tempo suficiente, a árvore cresce mais rápido.

janeiro 10th, 2020

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“Se você construir, eles virão”. No mundo do empreendedorismo, esta frase, dita originalmente no filme “O Campo dos Sonhos”, de 1989, é repetida o tempo todo. Mas será que basta lançar um negócio para ganhar imediatamente o coração dos clientes?

Os especialistas garantem que não. Para se tornar referência em sua área é preciso saber a melhor forma dedivulgar sua iniciativa. Isso envolve estar por dentro do que os possíveis clientes estão falando e conhecer as tendências que envolvem o segmento. Ou seja: a comunicação é uma área estratégica de todo e qualquer negócio – e a internet pode ser uma grande aliada neste processo.

“Antigamente, você entender de marketing era uma pequena vantagem. Hoje, é praticamente uma obrigação. Se o dono do próprio negócio não tiver uma boa noção de marketing, o negócio dele vai passar por muitas dificuldades”, avalia Luciano Larrossa, profissional de marketing digital e editor do site Apptuts.

É muito comum pensar que as redes sociais são a melhor forma de produzir conteúdo. Mas, segundo Luciano, as redes sociais são apenas alguns canais de comunicação que precisam ser utilizados corretamente. “Se você tem uma conta no Instagram que dá muito resultado, não fique dependente apenas dela. O importante é usar as redes e trazer os clientes para canais de comunicação onde é mais fácil fechar as vendas: o WhatsApp, o Messenger, o Direct ou o próprio telefone”, indica o especialista.

 

Na prática

Quem utiliza a internet como ferramenta de venda ou divulgação precisa produzir conteúdo, que tem como função atrair, gerar relacionamento e fidelizar seu público. A informação pode ser entregue de diferentes formas, seja em vídeo, imagem, áudios, planilha, e-books, entre tantos outros formatos.

Quando começar a produção de conteúdo é importante entender quais formatos mais se encaixam com o seu negócio. Não basta ir produzindo coisas aleatórias, é preciso que elas atendam a um objetivo específico e estejam alinhadas com a sua marca, gerando sustentabilidade para o seu negócio. Sendo assim, os conteúdos terão constância, a cara do seu negócio e uma estratégia de criação e divulgação.

Conteúdos gratuitos, por exemplo, são importantes ferramentas para atrair seu público e podem ser disponibilizados em artigos e posts de blog, série de vídeos, tutoriais, clipes, teasers. “Comece relatando o seu dia a dia e use a sua rotina como conteúdo. As pessoas adoram saber os bastidores de um negócio. Mostre como o seu negócio faz o que faz, mostre depoimentos de clientes, mostre você preparando produtos ou serviços e entregando”, sugere Luciano.

Segundo o especialista, os conteúdos mais estratégicos também atraem a atenção dos usuários. Eles têm como objetivo trazer pessoas interessadas no seu produto e podem ser usados como uma espécie de bônus em conjunto, por exemplo, com outro conteúdo pago para aumentar o engajamento com seu cliente. E-books, webinários, minicursos por e-mail – em que seja necessário um investimento por parte do cliente para receber – grupos no Facebook, entre outros, são alguns exemplos de formatos.

O ideal é equilibrar com conteúdos gratuitos para atrair o maior número de pessoas ideais para o seu negócio, ganhando visibilidade e autoridade no universo digital.

 

Já pensou em fazer um podcast?

Uma pesquisa lançada no final de 2019 pela Associação Brasileira de Podcast aponta que 84% das pessoas que consomem a mídia são homens e mais de 50% deles vivem em São Paulo. Ainda segundo o estudo, 87% dos ouvintes têm entre 18 e 39 anos. Do total de pessoas consultadas, 37% ouviram podcast pela primeira vez por recomendação de amigo, 72% acompanham de 1 a 10 podcasts, 51% ouvem os conteúdos todos os dias e 92% os consomem pelo celular.

Durante o festival Social Good Brasil de 2019, a Fundação Telefônica Vivo promoveu a gravação ao vivo de um episódio do Pense Grande Podcast, que contou inclusive com a participação da plateia e debateu uma série de formatos para criar um podcast. O episódio está disponível gratuitamente e nele é possível encontrar dicas para fazer um conteúdo de qualidade sem precisar fazer um investimento financeiro alto.

Um dos participantes do episódio é Ric Vidal, criador da Feel Filmes, que produz e cria podcasts. Ele conta que o grande sucesso dessa plataforma se deve ao fato de as pessoas terem mobilidade para escutar em qualquer situação. Além disso, produzir um episódio é mais simples do que se imagina. “O principal elemento é ter coragem e se jogar. Existem muitos aplicativos que ajudam na captação do áudio. Para quem vai começar o melhor é usar o próprio celular”, indica.

Quem também esteve na gravação do episódio “Como produzir conteúdo para Podcast” do Pense Grande Podcast foi Mariana Campanatti, do Imagina Coletivo. Ela credita o sucesso dos podcasts ao baixo custo para consumir. “Mesmo pessoas que não têm muito acesso usam poucos dados para ouvir. É diferente, por exemplo, de assistir a um vídeo no Youtube”, ressalta.

Quem entende bem do assunto é a galera do Podcast, Mano, que hoje possui além dos episódios de podcast, que falam sobre conteúdos relacionados ao hip-hop, cultura pop, cinema, quadrinhos e outros assuntos, um portal de notícias.

Para eles, usar esse tipo de mídia como estratégia de comunicação ajuda a impulsionar e melhorar o relacionamento com o público. “A relevância e credibilidade que podcasts e influenciadores já possuem com o público pode ser algo vantajoso para a comunicação do seu negócio, criando experiências personalizadas e duradouras entre sua empresa e clientes”, garante Thiago Leve, um dos criadores, atual apresentador e editor do Podcast, Mano.

Outro desafio que move os criadores do Podcast, Mano é manter a responsabilidade social presente em cada conteúdo. Segundo Thiago, deixar o propósito social bem definido é com toda certeza algo positivo. “Gera identificação e consequentemente mais engajamento dos ouvintes. Trazer algo de positivo para a sociedade, produzindo conteúdo gratuito, consciente, pautado em questões sociais e acessível para todos é o caminho ideal”, finaliza.

Dicas para começar

Para quem não tem ideia de como começar a produção de conteúdo, Luciano Larossa dá algumas dicas de como dar os primeiros passos:

Seja a cara do seu negócio: pessoas compram de pessoas. “O empreendedor precisa ser cada vez mais a cara do negócio. Muitos ainda não entenderam a importância disso, mas ela é uma grande alavanca de vendas”, afirma.

Conte histórias: como a iniciativa começou, casos de clientes e situações de superação dentro da empresa fazem com que as pessoas se interessem pelo negócio.

Mostre sua rotina: Através de ferramentas como o Stories do Instagram é possível mostrar diariamente o que está acontecendo com o seu negócio, os produtos novos que chegaram e mostrar como eles são feitos.

janeiro 9th, 2020

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Diogo Bezerra e Diego Ramos, fundadores da PLT4Way, estão sorrindo e sentados em sofá com estampa colorida e com uma parede escrita com giz ao fundo.

Aprender durante o processo é uma realidade para a maioria dos empreendedores de negócios de impacto social. Cuidar das finanças, fazer captação, gestão, construir um plano de negócios, tudo isso faz parte de um aprendizado que, muitas vezes, só faz sentido depois da prática.

As experiências dos empreendedores sociais Marcelo Rocha, conhecido como DJ Bola, e do jovem Diogo Bezerra reforçam esse ponto de vista. “Nossa vida foi forjada assim: Primeiro a gente faz, depois conhece a teoria. Essa é uma realidade para os jovens de periferia que querem ser empreendedores”, acredita o DJ Bola.

Nascido e criado no Jardim Ângela, zona Sul de São Paulo, DJ Bola tem 38 anos e uma trajetória de 20 anos como empreendedor. A música e o rap sempre fizeram parte de seu repertório e foi a partir daí que surgiu A Banca, nos anos 90, quando o Jardim Ângela era considerado o bairro mais violento do mundo, segundo a ONU.

A princípio, a iniciativa surgiu como um movimento social que visava aproximar a música e a cultura do hip hop dos jovens da periferia. As intervenções artísticas e eventos eram usados como ferramentas para dialogar sobre perspectiva de vida, barreiras sociais e econômicas, sonhos e violências.  Em 2008, com a ajuda de aceleradoras de projetos sociais, A Banca se tornou oficialmente um negócio de impacto social.

Já Diogo Bezerra tem 25 anos e nasceu no Jardim Pantanal, bairro da Zona Leste de São Paulo. Em 2017, junto de seu sócio Diego Ramos, abriu a startup PLT4Way, que já participou da incubação do programa Pense Grande e foi selecionada para o programa de aceleração Vai Tec, em 2018.  O projeto oferece curso de inglês gratuito para estudantes que não tem condições de pagar pelo curso de idiomas e seguiu crescendo em 2019.

Aos 14 anos, Diogo teve o primeiro contato com a língua inglesa através de uma professora de Ensino Religioso. O inglês foi sua porta de entrada para o ensino superior, empregos melhores e, sobretudo, a chance de mudar a vida de outras pessoas. O modelo de negócios da PLT4Way funciona por meio de financiamento cruzado, o valor pago por um determinado grupo de alunos é transferido para a educação gratuita de um estudante da comunidade Jardim Pantanal.

 

Caminhos diferentes, lições em comum

Embora façam parte de negócios sociais distintos, as lições que marcaram os dois empreendedores foram semelhantes em muitos aspectos. Para servir de inspiração aos jovens que estão no início da jornada empreendedora,convidamos DJ Bola e Diogo para compartilharem alguns dos aprendizados essenciais que ajudaram a abrir portas pelo caminho. Confira a seguir.

 

Medo de errar

Perder o medo de errar foi um dos maiores aprendizados, segundo os empreendedores. O receio de ocupar alguns espaços e a ansiedade pelo que pode não sair como o planejado podem acabar impedindo os jovens de acreditarem em suas iniciativas.

“Como empreendedor de periferia, a gente tem muito medo de falhar, de perder tudo. Depois que eu entendi onde eu poderia chegar com o meu negócio e me conscientizei sobre o meu próprio potencial, consegui avançar muito mais como pessoa e como empreendedor”, conta Diogo.

Já DJ Bola reforça a importância dos jovens irem atrás do desenvolvimento de suas habilidades. “A gente não é convidado a entrar, tem que bater na porta. Não precisamos sentir medo e nem vergonha de ocupar espaços que falam sobre nós. Inovação social na periferia é um espaço nosso”.

Marcelo Rocha, mais conhecido como DJ Bola, está usando boné e falando com grupo de cinco jovens enquanto mexe em equipamentos de mixagem.

 

Estudo e desenvolvimento

Ainda falando sobre desenvolvimento de habilidades, DJ Bola acrescenta que os vinte anos de seu negócio foram marcados pelo estudo. “Eu não fiz nenhuma faculdade. E não foi porque não tive oportunidade ou capacidade, foi porque quis estudar e buscar caminhos focados no que eu já estava fazendo. Participei de vários programas de aceleração e eles me ensinaram muito sobre como ir pra frente”.

Diogo relembra que entender mais sobre a sua própria trajetória e encontrar o potencial em suas habilidades de destaque, o ajudaram nesse processo. “Um negócio social exige o desempenho de multitarefas. Mas descobrir o que eu realmente sabia fazer foi importantíssimo para seguir em frente”, diz o jovem.

 

Desafios da gestão

Administrar bem o dinheiro e manter a equipe sempre engajada com a causa do negócio social nem sempre é fácil. Para ambos os empreendedores, os desafios da gestão são constantes e já renderam muitos aprendizados baseados na tentativa e erro.

“Muitas vezes os empreendedores têm uma barreira para falar quanto custa o seu serviço, dar preço para o que ele já faz com tanto amor e luta”, afirma DJ Bola. “Precisamos estudar o mercado, saber quais ofertas existem para além da nossa. E quando o dinheiro chegar, é importante pensar no mês seguinte”, complementa.

Para Diogo, o trabalho, principalmente em coletivos, tem de ser muito bem organizado para manter a qualidade e a autonomia do serviço. “Quando o time cresce, vai ficando mais difícil fazer com que as pessoas acreditem em um sonho que mal começou. Mas é importantíssimo manter esse engajamento, até porque a avaliação de uma startup envolve o time todo”, ressalta.

 

Barreiras e Conexões

A busca por ultrapassar barreiras sociais e, a partir desse primeiro passo, fazer conexões que serão fundamentais para abrir caminhos de parcerias, investimentos, co-criação e networking foi outra lição destacada pelos empreendedores.

Diogo conta que conseguiu quebrar alguns paradigmas e conhecer pessoas que jamais conheceria se não fosse pelo seu negócio, e isso fez com que se sentisse mais confiante e menos sozinho. “O mundo dos negócios é muito conectado. Tive que aprender a me relacionar com pessoas que não vem da mesma classe social que eu, sem me diminuir nesse processo”, conclui.

dezembro 30th, 2019

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Imagem mostra o jovem Lucas apresentando o seu projeto de impressora 3D Impressora 3D

“Sempre fui um cientista maluco”, se apresenta Lucas Lima, jovem de 24 anos que construiu, no quarto dele uma impressora 3D usando sucata eletrônica. Um ano depois de sua criação, decidiu abandonar a engenharia mecânica, — área em que se formou — para se dedicar ao empreendedorismo social, à educação e ao compartilhamento de conhecimento para a comunidade em que cresceu: o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Embora o sonho de Lucas sempre tenha sido ser professor de História, quando conseguiu uma bolsa integral na faculdade particular em que estudou, foi incentivado pelo pai a fazer engenharia. No último semestre do curso, em 2018, sem conseguir estágio na área, começou a trabalhar dentro da faculdade e teve contato com uma impressora 3D disponível por lá. Foi aí que nasceu a vontade de desenvolver projetos próprios.

No entanto, havia um obstáculo: o preço do dispositivo era, no mínimo, R$ 15 mil, algo totalmente fora de realidade dele. Em vez invés de desistir, Lucas passou a pesquisar mais sobre o processo de fabricação de máquinas desse tipo, além de fazer uma triagem dos materiais necessários. Seis meses depois, colocou em prática tudo o que aprendeu usando os recursos que tinha em mãos, processo que levou dois meses.

“Se a fábrica pode fazer, por que eu também não posso? Percebi que era possível fazer uma impressora 3D gastando pouco. Tive a ideia de usar sucata eletrônica para fazer a primeira, que custou R$ 680 reais. Fiz um cartão de crédito e passei a frequentar ferros-velhos diariamente até encontrar uma cooperativa de materiais usados, o que facilitou muito meu trabalho”, compartilha o jovem.

 

Portas abertas para o empreendedorismo

Depois da primeira impressora, vieram testes de outros modelos. No momento, até uma impressora 3D portátil já está em desenvolvimento no quarto de Lucas. Não demorou até que professores pedissem para que o engenheiro recém-formado apresentasse o produto para inspirar os estudantes. E foi em uma dessas palestras, em uma escola pública do Rio de Janeiro, que as portas se abriram para o empreendedorismo.

“Levei dois bonequinhos produzidos pela minha máquina e apresentei um slide improvisado, que havia usado para o meu trabalho de conclusão de curso. Depois que terminei a palestra, fiquei mais duas horas respondendo às perguntas dos estudantes. Então pensei: Se eu consegui mudar a realidade daqueles jovens em 20 minutos, imagina o que eu poderia transformar com um projeto educacional de tecnologia dentro da minha comunidade?”, reflete Lucas.

Assim se estruturou a ideia de criar uma identidade para sua iniciativa, chamada de Infill (que significa preenchimento em inglês). Como sua intenção inicial nunca foi ser empreendedor, Lucas tomou conhecimento sobre os programas de aceleradoras através de amigos e se inscreveu em dois processos seletivos, mesmo sem muito conhecimento.

O resultado foi ser vencedor do prêmio principal do Shell Iniciativa Jovem, onde concorreu com 55 outros empreendimentos, além de ter conquistado a categoria Prêmio Popular, o que lhe rendeu cerca de R$ 10,5 mil. Outra conquista foi o Juventude Empreendedora, uma iniciativa do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS) e a Fundação Itaú Social, onde conheceu outros jovens como ele, que queriam transformar a realidade nas periferias.

“Meu primeiro contato com o empreendedorismo foi um desafio pra mim. Não conhecia ninguém, não sabia o que era pitch, capital semente. De repente um cara nerd, com uma impressora 3D e um vasinho de planta na mão fala o que sabe e passa uma mensagem. Isso me marcou muito”, conta Lucas. “Os cursos e aceleração foram fundamentais para meu crescimento profissional. Hoje sei da viabilidade de montar um projeto social”.

 

Imprimindo a mudança

Enquanto investe o capital acumulado com os prêmios na criação de mais modelos de impressoras 3D, Lucas dá aulas de robótica e tecnologia em um colégio particular. Para 2020, está em definição de um modelo de negócios com a ajuda e ONGs e outros parceiros. A ideia é inaugurar um laboratório e montar uma sala de aula para abrir turmas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Para cada aluno matriculado nas escolas particulares, uma vaga será aberta na comunidade. Além disso, a Infill se responsabilizará por distribuir uma cartilha conscientizando sobre a importância do trabalho dos catadores e das cooperativas, maiores fornecedores de material para a construção das impressoras 3D de baixo custo. A venda dos produtos ajudará a reverter capital social para as turmas.

“Dentro da comunidade existem jovens com uma capacidade criativa acima da média, mas sem acesso a ferramentas para colocar essa mentalidade para fora. Estou tentando trazer recursos para que esses jovens ganhem reconhecimento e construam carreiras”, afirma Lucas. “Precisamos trazer a tecnologia para favela, para ontem!”.

dezembro 13th, 2019

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Imagem que representa lista de como captar recursos para empreendimentos sociais mostra um cofre em formato de porco com fundo em amarelo.

Quem se propõe a construir um projeto de impacto social passa por diversas etapas. Da prototipação até a formalização um negócio, é preciso lidar com muitas questões e uma das mais sensíveis para os jovens é como captar recursos para viabilizar as iniciativas.

Se a primeira vista o tema pode parecer distante da realidade ou complexo para quem está começando um negócio social, o receio em lidar com questões financeiras só não pode paralisar quem deseja empreender.

Dicas simples ajudam na hora de captar recursos:

  • • Acredite no seu negócio
  • • Tenha um discurso seguro e transparente
  • • Cultive uma boa rede de relacionamento
  • • Tenha metas claras e saiba mensurar resultados
  • • Não tenha medo de ouvir não
  • • Busque facilitadores de contato como redes sociais
  • • Procure o tipo de captação ideal para o perfil do seu negócio

Marcus Nakagawa, professor da graduação e MBA da ESPM em empreendedorismo social e outras disciplinas, afirma que um pitch seguro, pragmático e transparente, poderá abrir portas junto a possíveis investidores.

“É preciso ter um tom de crença, de propósito, mas também ser muito pé no chão, principalmente com os objetivos e retornos financeiros. Você não pode ser só um apaixonado pela ideia pelo seu negócio. Apresente as metas do impacto social e saiba mensurar isso. Lembre-se que não é apenas pelo dinheiro e não tenha vergonha, porque o não você já tem saindo de casa”, aconselha o especialista.

Outro ponto importante é gerenciar muito bem a própria rede de relacionamento, o que envolve ir além do networking, mapeando amigos, conhecidos e colegas da família. Afinal, é muito mais fácil convencer um investidor-anjo, ou ingressar em um programa de uma universidade se você já tiver uma referência ou proximidade.

“Existem também os meios facilitadores como, por exemplo, o Linkedin ou o WhatsApp. Você pode arriscar mandar uma mensagem para o contato e quem sabe, receber uma resposta”, sugere.

 

Formas de captar recursos

Mas será que existe um tipo ideal de captação de recurso para cada perfil de empreendedor social? A resposta é sim: a forma como você vai obter investimento tem a ver com o tamanho do empreendimento, com o plano de negócio e com a sua visão de mundo.

“Depende do que se quer analisar e dos testes feitos, pois não adianta tirar do papel o que ainda não foi testado no mercado. Contudo, se estivermos falando de um aplicativo, envolve basicamente marketing e divulgação. Você vai atrás de investidores que tenham mais conhecimento e competências na área do seu negócio”, explica o professor.

Universidades, aceleradoras e incubadoras podem abrir portas, pois oferecem apoio de grandes conhecedores do mercado e acesso a redes de relacionamento para ajudar os empreendedores sociais menos experientes.

Com a orientação do professor Marcus Nakagawa, autor do livro 101 Dias com Ações mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Labrador) e vencedor do Prêmio Jabuti 2019 na categoria Economia Criativa, listamos, a seguir, alguns caminhos possíveis de captação de recursos para o seu negócio social:

 

1 – Programas de Incubação

Oferecem apoio gerencial e técnico, disponibilidade de profissionais experientes e espaço físico com acesso a itens como internet e telefone, para que o empreendedor desenvolva a organização do seu projeto. Podem também envolver recurso financeiro, mas, de todo modo, proporcionam economia ao empreendedor que está no início das operações.

São oferecidos tanto por empresas como por iniciativas governamentais. O Pense Grande Incubação, programa da Fundação Telefônica Vivo, abre inscrições todo início de ano, oferecendo capacitações, mentorias, encontros e trocas com empreendedores de outros Estados. A fase final de incubação inclui ainda capital semente para impulsionar o negócio, que deve aliar impacto social e tecnologia.

 

2 – Aceleradoras

A diferença em relação às incubadoras é que as aceleradoras se voltam a negócios já em funcionamento. Isso quer dizer que geralmente esta relação envolve dinheiro e o objetivo de expandir o empreendimento social, o que também inclui mentoria e rede de apoio.

Um exemplo de aceleração é o programa Vai Tec, idealizado pela Agência São Paulo de Desenvolvimento (AdeSampa) e Secretaria Municipal do Trabalho e Empreendedorismo (SMTE) e que também conta com parceria da Fundação Telefônica Vivo. Nele, 24 empreendimentos recebem R$ 33 mil além de mentorias e capacitações.

A ANIP (Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia), criada pelo DJ Bola, também oferece mentorias e apoio financeiro a negócios de impacto. Você pode acessar o site para mais informações.

 

3 – Universidades

Segundo o professor Marcus Nakagawa, antes de pensar em dinheiro, quando você está iniciando um empreendimento é muito mais importante estar em um espaço para adquirir conhecimento e ter orientação. E as universidades tornam-se um ambiente de troca e um celeiro para novos empreendimentos por meio de incubadoras e aceleradoras universitárias.

A ESPM tem a Incubadora de Negócios, que oferece consultoria na área de operações, marketing, finanças, direito e pesquisa. Eles oferecem vagas para pessoas de fora do quadro de estudantes. Para saber mais, basta manifestar interesse enviando um e-mail.

Já a Universidade de São Paulo tem o Habits, voltado a empreendimentos sociais, e alguns outros projetos, como a Supera Incubadora, que foi eleita entre as 20 melhores do mundo.

 

4 – Crowdfunding e Equity Crowdfunding

Conhecida no Brasil como vaquinha virtual, o crowdfunding pode ser um caminho mais direto de captação de recursos a empreendimentos sociais. Várias plataformas, como a Kickante, fazem a ponte entre pessoas comuns e quem deseja tirar uma ideia do papel. É comum o oferecimento de recompensas e brindes a quem se dispõe a fazer doações. As plataformas também costumam ficar com uma porcentagem do valor.

Já no caso do Equity Crowdfunding, as pessoas comuns tornam-se investidoras interessadas em fazer crescer seu capital junto com a empresa que recebe o aporte.

 

5 – Investidor-Anjo

Os investidores-anjo também costumam atuar no início das operações, podendo ser considerado um investidor inicial. Também é conhecido como smart money, pois usa-se capital próprio, ou seja, é uma pessoa física que faz uma aposta baseada em conhecimento e experiência. O termo foi difundido no boom inicial de startups, mas podem investir também em empresas com viés social.

Há vários tipos de acordo: eles podem virar sócios ou ter uma pequena participação e quase sempre atuam como mentores e ajudam a direcionar um negócio. Outra característica é que esse investidor pode ser alguém próximo e até mesmo um familiar. A Associação dos Anjos do Brasil reúne investidores de todo o país.

 

6 – Fundos de investimento

Os fundos de investimento atuam por meio da compra de pedaços do negócio e podem fazer aporte ou investimento. A característica deste tipo de captação de recurso é a expectativa de recuperar o investimento feito. O empreendedor que opta por esta modalidade acaba entrando em uma sociedade e vai buscar o crescimento da empresa.

Um dos fundos de investimento de impacto social mais conhecidos é a Vox Capital. Neste caso, quando há viés social, o lucro é um dos objetivos, mas é preciso também garantir a transformação socioambiental proposta.

“Geralmente esses fundos sociais são mais conscientes e acompanham um negócio mais de perto. Não querem o lucro a qualquer preço. Dentro do modelo tradicional, é comum as pessoas acabarem vendendo parte do negócio para garantir o lucro do investidor”, explica o professor Marcus Nakagawa.

O Pense Grande Podcast dedicou um episódio ao tema Desafios de Empreendedores na Captação de Recursos. Os participantes deram dicas de projetos que investem em negócios de impacto social, como Move SocialKVIV VenturesPositive Ventures. O Prosas conecta quem patrocina e quem executa projetos sociais. A Associação Brasileira de Captadores de Recursos promove premiação anual.

7 – Leis de incentivo

Existem políticas de incentivo ao empreendedorismo, especialmente para negócios de impacto que sejam ligados a cultura e não necessariamente busquem lucro. No Estado de São Paulo existe o PROAC, que abre edital a interessados. Além disso, fundações e projetos sociais podem captar recursos pode meio de descontos de Imposto de Renda e ICMS.

A plataforma Simbiose Social, que já ganhou o Prêmio Empreendedor Social da Folha, pode ser uma ferramenta aliada, pois tem informações e otimiza a pesquisa, avaliação e gestão do investimento social de empresas.

dezembro 9th, 2019

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Dedicar esforço e tempo para fazer do seu negócio um gerador de impacto social é o caminho para uma jornada de transformação. Mas com toda essa dedicação também vem o cansaço, o esgotamento mental e a cobrança. A responsabilidade do empreendedor, que se vê como o principal agente desse processo, faz com que sobre pouco tempo para repensar como está sendo feita essa construção. Por isso é tão importante falar sobre saúde mental no empreendedorismo.

Segundo dados lançados em outubro pela plataforma de psicologia Vittude, aproximadamente 86% da população brasileira sofre de transtornos como depressão (59%), ansiedade (63%) e estresse (37%). Cerca de 492.790 pessoas responderam a pesquisa entre outubro de 2016 e abril de 2019. A maior parte delas atribuiu os problemas ao ambiente ou ao ritmo de trabalho. Há uma solução para essa aparente crise da saúde mental no Brasil?

Em meio a tantas responsabilidades, prazos e contas para pagar, dar espaço ao autocuidado é essencial para levar uma vida mais saudável. Esse conceito envolve tudo aquilo que faz você encontrar um tempo para se cuidar, relaxar e dedicar esforços para estar em contato com suas próprias necessidades. E para quem não quer descuidar do trabalho, esse tempo tem a ver com produtividade também! Ao garantir sua saúde física e mental, o resultado alcançado em suas atividades profissionais é mais efetivo.

Confira nossa lista com alguns passos que podem lhe ajudar a encontrar a forma de autocuidado que melhor se adequa à sua rotina! Afinal, para cuidar dos outros precisamos estar em dia com a nossa própria saúde, certo?

Autoconhecimento

Antes de falarmos em autocuidado, primeiro precisamos discutir o autoconhecimento. As formas de cuidar de si mesmo variam de pessoa para pessoa e vão depender de vários fatores determinantes como: tempo, rotina, contexto social, condições financeiras e gostos pessoais. A regra geral é buscar entender e respeitar o seu ritmo de vida para só então encontrar aquilo que faça o tempo dedicado a você valer a pena.

Acompanhamento Psicológico

Em meio à correria do dia a dia é difícil analisar nossos próprios hábitos, por isso o autoconhecimento é o primeiro passo para garantir a saúde mental no empreendedorismo. Ter um acompanhamento psicológico pode ser um caminho. Na terapia é possível trabalhar maneiras de aliviar o estresse, acalmar a ansiedade e aprender a estabelecer limites.

Alguns coletivos e grupos fazem esse acompanhamento a preços mais baixos em relação ao mercado, mantendo a qualidade do tratamento como prioridade. O Terapretas fica no Rio de Janeiro e atende mulheres negras; o Amma Psique e Negritude trata de questões como racismo e discriminação; já o  Divam fica em São Paulo e traz a perspectiva feminista para as mulheres atendidas. Além disso, universidades como USP, São Judas e Cruzeiro do Sul oferecem terapia gratuita.

Investir no sono

Fala-se muito em investimento no universo do empreendedorismo. Por outro lado, o debate sobre como dormir bem pode aumentar a produtividade ainda não atingiu o mesmo patamar. Investir no sono e garantir pelo menos oito horas de descanso por dia é contribui também para potencializar sua memória, criatividade e disposição para o dia seguinte. Isso sem contar que recarregar as energias ajudará a diminuir o estresse do corpo e da mente.

Praticar exercícios regulares

Você provavelmente já deve ter ouvido a recomendação de praticar exercícios para ter uma vida saudável. Mas, além de criar hábitos saudáveis, cuidar da parte física também ajuda a combater o estresse e a ansiedade, pois aumenta a produção de hormônios, liberando a famosa endorfina, responsável pela sensação de bem-estar.

Se você não gosta de academia ou de corrida, tudo bem! Existem outras possibilidades: dança, esportes e yoga, por exemplo.  Volte ao item um e reflita sobre qual deles se adequa melhor à sua rotina. O importante é se sentir bem com você mesmo!

Trocar experiências e vivências

Até o momento falamos sobre muitas dicas individuais para os empreendedores se conectarem às suas necessidades. Contudo, é preciso levar em conta que somos seres coletivos e por isso precisamos da troca de experiências e vivências para nos sentirmos completos.

Participar de rodas de conversa com outros empreendedores pode ser um caminho interessante para trabalhar frustrações, lidar melhor com os fracassos e encontrar soluções colaborativas. Mesmo um encontro casual com amigos e colegas ajuda a organizar suas perspectivas, traz novos olhares e descontração.

novembro 6th, 2019

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Brené Brown tem cabelos curto e loiro e está sorrindo para foto. A pesquisadora e palestrante fala sobre como a vulnerabilidade alimenta a coragem, combustível para empreendedores

Pesquisadora e professora da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, onde estuda temas como vulnerabilidade, coragem vergonha e empatia há 20 anos. Escritora de quase uma dezena de livros e uma das mais prestigiadas palestrantes do mundo, com um TED Talk que soma mais de 43 milhões de visualizações. Assim podemos descrever Brené Brown. Ou podemos apenas dizer que ela adora contar histórias.

É exatamente sobre essa definição que ela começa o TEDxHouston O Poder da Vulnerabilidade, lançado em junho de 2010, e que a levou à fama mundial. Segundo Brené, sua coragem foi testada alguns anos antes quando uma organizadora de eventos sugeriu anunciá-la como contadora de histórias na divulgação de uma palestra, por considerar que o termo pesquisadora poderia soar chato, irrelevante e acabaria espantando o público. A princípio, Brené achou um verdadeiro absurdo.

“Pensei por alguns segundos, tentei procurar lá no fundo da minha coragem. Sou uma pesquisadora de dados qualitativos, coleciono histórias. E talvez histórias sejam apenas dados com alma. Então, eu disse: ‘Por que você não diz simplesmente que eu sou uma pesquisadora-contadora de histórias?’. Ela gargalhou: ‘Isso não existe! . Mas é o que sou: uma pesquisadora-contadora de histórias”.

E é assim, com relatos recheados de bom humor e vivacidade, que Brené Brown conduz suas palestras, compartilha dados sobre seus estudos e cativa o público, atento em todos os momentos. É como se ela estivesse tendo uma conversa íntima com cada um.

A vulnerabilidade é o tema central, mas não é o único abordado. Em 2012, ela lançou outro TED de sucesso: Brené Brown: Escutando a vergonha, no qual discorre sobre o que pode acontecer quando as pessoas confrontam o que as envergonha. Recentemente, a Netflix lançou Brené Brown: The Call to Courage (O Chamado para Coragem, em tradução livre), no qual ela elabora melhor como o sentimento de vulnerabilidade está intimamente ligado à coragem.

Abaixo, reunimos conselhos, histórias e lições de Brené Brown que podem servir de inspiração para levar adiante seu empreendimento social e provocar verdadeiras transformações na sociedade. Afinal, é preciso muita coragem para seguir seu coração e confiar em si, empatia para entender e se conectar com seu público-alvo, além de disposição para arriscar e inovar. Confira!

Vergonha e desconexão

Segundo Brené Brown, “conexão é a habilidade de nos sentirmos conectados, é neurobiologicamente como somos feitos, é o porquê de estarmos aqui”. Vinda do campo da assistência social, ela conta que entendeu o que causava desconexão entre as pessoas, após seis meses de análises e estudos.

“O que se revelou foi a vergonha, que pode ser entendida como o medo da desconexão. É universal, todos nós a sentimos. O que mantém essa vergonha é o sentimento de ‘não sou boa o suficiente’. A base disso é uma vulnerabilidade dilacerante, a ideia de termos de nos permitir ser vistos, realmente vistos, para que a conexão aconteça”.

“A única coisa que nos mantêm desconectados é o nosso medo de que não sejamos merecedores de conexão”, reflete.

Senso de coragem

Para entender como a vulnerabilidade funciona, a especialista decidiu focar nas pessoas que se sentiam merecedoras de conexão, as quais ela nomeou como coração-pleno.

“Elas tinham em comum um senso de coragem. Tinham, simplesmente, a coragem de serem imperfeitas. Elas tinham a compaixão de serem gentis primeiro consigo mesmas, e então, com os outros. Não podemos praticar a compaixão se não conseguirmos nos tratar com gentileza. E elas tinham conexão. E esta é a parte difícil, como resultado de autenticidade. Estavam dispostas a abandonar quem pensavam que deveriam ser para ser quem realmente são”.

Abrace a vulnerabilidade

Outro ponto comum que ela descobriu sobre esse grupo de pessoas era a forma como lidavam com a vulnerabilidade. “Eles a abraçavam completamente. O que as tornava vulneráveis, as tornava lindas. Não falavam sobre a vulnerabilidade ser confortável, nem sobre isso ser doloroso, como eu tinha ouvido nas entrevistas sobre vergonha. Achavam fundamental a disponibilidade de fazer algo quando não havia garantias”.

Você é o suficiente

Brené também explica que aprendeu sobre como somos levados a anestesiar a vulnerabilidade, mas não podemos fazer isso seletivamente. Isso explica porque, segundo ela, estamos diante da geração que mais bebe, se medica e usa drogas na história.

“Você não pode pegar vulnerabilidade, medo, vergonha, desapontamento e não sentir apenas isso. Não pode pegar sentimentos pesados e anestesiá-los sem deixar de sentir o restante. Então, também anestesiamos a alegria, a gratidão, a felicidade. E nos sentimos infelizes. Aí procuramos por propósito e sentido, nos sentimos vulneráveis, e voltamos a nos anestesiar . Isso se torna um ciclo perigoso ”, enumera a especialista.

“O que considero mais importante é acreditarmos que somos suficientes. Porque quando começamos pensando que somos suficientes, paramos de gritar e começamos a escutar. Somos mais bondosos e gentis com as pessoas ao nosso redor, e mais bondosos e gentis conosco”.

Tenha conversas difíceis

A vulnerabilidade é mãe de alguns filhos: confiança, da inovação, da criatividade, inclusão e equidade, dar e receber feedbacks, resolução de problemas e tomadas de decisões éticas. Não adianta querer um ambiente inovador e criativo sem espaço para vulnerabilidade, imperfeição e possíveis erros.

“Falamos das pessoas em vez de falar com as pessoas. Isso é uma coisa muito tóxica. É a cultura do controle. Entendo que é difícil ser vulnerável no trabalho, mas passamos mais da metade das nossas vidas trabalhando. Em 20 anos, jamais encontrei alguém que fosse feliz na vida e extremamente triste no trabalho. Isso pode corroer você vivo. Temos a responsabilidade de nos expor e admitir nossas emoções no trabalho, nos envolver em questões difíceis”, resume.

Saiba quais críticas levar em consideração

No especial A Call to Courage, Brené Brown conta como teve uma verdadeira “ressaca de vulnerabilidade” após o TEDxHouston. Com milhões de visualizações, ela sentia que havia se exposto demais e não conseguiu lidar com o constrangimento ao ler críticas destrutivas. Tentou fugir da realidade com uma maratona da série Downtown Abbey e manteiga de amendoim até que se deparou com um discurso de Franklin Roosevelt, O Homem na Arena, considerado por ela um divisor de águas.

“O discurso era assim: ‘não é o crítico que conta. Nem aquele que aponta quando o outro tropeça, nem aquele que diz que o outro devia ter agido diferente. O mérito é do homem que está na arena, aquele com o rosto sujo de poeira, suor e sangue. Que se empenha, que erra, que fracassa um, duas, várias vezes. Aquele que no final, embora conheça o triunfo de uma vitória, pode até fracassar, mas se arriscando a ser imperfeito’”, resume Brené.

Em seguida, ela lista as três lições tiradas sobre o episódio.

“Quero viver na arena e escolho isso todos os dias. Vulnerabilidade não é sinal de fraqueza, mas a melhor forma de medir sua coragem. A última coisa que aprendi naquele momento foi que se você não está na arena, fracassando vez ou outra por ser corajoso, não quero saber o que pensa sobre o meu trabalho e ponto final. Você não pode levar em consideração críticas de pessoas que não estejam sendo corajosas com suas vidas”.

setembro 23rd, 2019

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Nina Silva, fundadora do Black Money e uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil, aparece sorrindo, de coque e com um microfone no palco de uma palestra.

Marina Silva, mais conhecida como Nina Silva, pode ser apresentada de muitas formas: reconhecida pela ONU e pela instituição internacional MIPAD (Most Influential People of African Descent) entre os cem afrodescendentes mais influentes do mundo abaixo de 40 anos. Indicada pela Forbes como uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil em 2019. Uma das fundadoras do Movimento Black Money, escritora, mentora e gestora com carreira internacional consolidada e 17 anos de experiência com Tecnologia da Informação (TI).

Para ela, a pessoa que se considera deste século e quer realmente causar impacto social, independente da carreira ou de um objetivo pessoal, precisa estar conectada e criar redes que possibilitem a transformação.

“Estar no MIPAD é estar ligada a outros afrodescendentes, tanto em diáspora quanto na África, e me permite entender diferentes contextos para a população negra no mundo. Não me vejo, enquanto especialista em tecnologia, sem estar conectada em redes de real empoderamento socioeconômico no mundo. E todas as instituições que integro fazem parte desse plano estratégico”, explica Nina sobre como mantém o envolvimento com tantas demandas e projetos.

A rotina dela ainda inclui palestras, atuação nas atividades e lançamentos do Movimento Black Money e, atualmente, ela ainda compõe a equipe da ThoughtWorks, organização presente em 14 países que propõe usar o conhecimento da indústria de TI para advogar pela justiça social e econômica.

Sem ligar para barreiras geográficas, Nina Silva diz que está focada em viver a Revolução Industrial 4.0, entender o mecanismo e as estratégias de hackeamento do sistema a partir das singularidades e necessidades sociais de diferentes povos.

“O Movimento Black Money é um hub (um conector de informações e pessoas) e precisa atuar em diferentes frentes pelo nosso propósito, que é a emancipação e autonomia real da população negra no Brasil e no mundo. Instituições como MIPAD ou o CPLP (que reúne mulheres empresárias de países de língua portuguesa), permite com que eu esteja sempre antenada nas novas tecnologias e em como aplicá-las na realidade”, complementa.

Nascida e criada em São Gonçalo (RJ), no bairro Jardim Santa Catarina, que já foi considerada a maior favela plana da América Latina, formou-se em administração pela Universidade Federal Fluminense e fez pós-graduação na área de sistema de informação e gestão de projetos, com diversas certificações internacionais.

Como jovem, mulher e negra sempre lidou com a disparidade de não conviver com semelhantes nos times em que trabalhava. O “não pertencer” vinha em muitas formas: quando homens mais velhos a chamavam de menina mesmo ela sendo a gestora do time; quando foi mandada embora com justificativas como de não ter o perfil da vaga mesmo tendo a melhor avaliação de atendimento; quando chegava a um time novo e lhe mediam da cabeça aos pés, duvidando que fosse a dona do currículo recheado de certificações.

Nina conta que foram justamente as dificuldades e o constante questionamento por ocupar posições de liderança que a levaram a buscar um propósito maior, que culminou na participação para criar o Movimento Black Money.

“Costumo dizer que o racismo sempre veio primeiro que todos os outros preconceitos. Não é por eu ser mulher, porque meu nome é feminino; não é por ser jovem, porque a idade está ali no currículo. Então a questão racial sempre foi uma das maiores barreiras. Só que agora eu diria que esse é o maior propósito para o embasamento da minha carreira e para construir novos espaços bem mais saudáveis e inclusivos”, resume Nina Silva.

Nina Silva, considerada uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil, aparece no centro do palco, falando para uma plateia e com o logo do Movimento Black Money em uma tela no fundo.

O que é o Movimento Black Money?

Movimento que atua com inovação, empreendedorismo e educação financeira para a população negra. Fortalece o conceito de pan-africanismo e tem Marcus Garvey como um dos guias.

No momento, o foco da iniciativa são os serviços financeiros com taxas mais justas e protótipos para dar visibilidade a empreendedores negros. Contudo, o Movimento Black Money também trabalha a inserção da comunidade negra na tecnologia a partir da educação e promove networking e a comunicação, como o evento Start Blackup.

A seguir, Nina Silva enumera algumas dicas para quem está começando a trilhar o caminho do empreendedorismo social. Confira!

Qual o seu propósito?
“O que é que te engaja? O que te move? O que eu quero acordar todo dia para fazer? Ah, o que me move é dançar, é o bem estar de outras pessoas, é trabalhar com criança. O importante é ter atrelado ao seu negócio algo que dê realmente uma satisfação. Então a primeira dica é essa: entender o que te move”.

Identifique necessidades e mapeie o seu entorno
“Já sabendo o que te move, o que existe na sua região, perto de casa, da faculdade, do trabalho, do grupo que frequenta ou até na rede social que usa e que gera uma necessidade? O que está faltando e ninguém nunca parou para prestar atenção?. Isso é importante para mapear oportunidades no mercado.”

Gerando conexão com o que está ao seu alcance
“É preciso achar o que te motiva e atrelar a uma necessidade que seja esteja próxima das suas mãos. Não adianta você querer, por exemplo, resolver um problema de mobilidade urbana sem saber dirigir. Pense em coisas que consiga enxergar como necessidade, mas também se veja empreendendo com aquilo e solucionando o problema”. 

Analise a concorrência e defina o público
“Verifique se já tem muita gente fazendo a mesma coisa. Se já tem, é preciso ter um diferencial muito específico, que lhe torne especial. Mas saiba qual é o seu público. Antes de começar a operar, quem você quer atingir? Lógico que você vai acabar atingindo outras pessoas, mas defina a persona, o público padrão que vai ser atendido por aquela solução”.

Tire proveito do mundo tecnológico
“Use a transformação digital. É muito mais fácil criar amplitude e reverberar o seu projeto. Há redes sociais, ferramentas de marketing autodidatas e intuitivas. Existem versões gratuitas ou versões testes, que são livres durante um período de tempo. É possível potencializar e fazer a informação chegar mais rápida no seu público”.

Crie uma rede
“Quando você está em algo, mesmo que seja no início, já é um diferencial. A partir disso, se instrumentalize. É preciso buscar conhecimento, desenvolver uma rede de apoio e parcerias para criar uma estrutura mínima e começar a atender aquela demanda.”

agosto 29th, 2019

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Unir uma causa a um negócio próprio. Isso que o administrador e jornalista Bruno Brigida, 29, junto com a sua companheira, a museóloga Débora Luz, 29, fizeram ao criar o Clube da Preta: o primeiro clube de assinatura de moda e acessórios afro do Brasil.

O esquema é simples: o cliente preenche no portal um perfil de estilo e a equipe do Clube da Preta entrega uma vez por mês na casa do usuário os produtos dentro de uma caixa, com preços acessíveis. São produtos de moda, beleza e acessórios, que vão de camisetas, turbantes, vestidos, pulseiras, colares, cervejas, cremes e xampus para cabelo crespo e cacheado, até livros de autores negros. Todos os produtos são produzidos por empreendedores negros.

Como surgiu a ideia

Frequentadores da Feira Preta, evento anual que ocorre desde 2002 em São Paulo e reúne cerca de 120 expositores negros, Bruno e Débora estavam em busca de algo para ajudar pequenos produtores. Enquanto consumiam seus itens, pensavam em algo além disso.

Um dia, Bruno recebeu uma encomenda: uma caixa de cerveja enviada por um clube de assinatura. Foi aí que teve o estalo que precisava para dar o primeiro passo rumo ao empreendedorismo. Em vez da cerveja, pensou em colocar roupas e acessórios produzidos por empreendedores negros e vender isso tudo por assinatura. Em 2018, o Clube da Preta vendeu mais de 10 mil caixas, reuniu 400 clientes recorrentes e já fez parceria com mais de 150 fornecedores.

Além da personalização das caixas, outro motivo para a fidelização dos clientes seria o lado social e de afirmação da cultura negra. De acordo com Bruno, o público é ligado em causas sociais e está preocupado em prezar pelos pequenos produtores. Apesar de o negócio ser feito por afroempreendedores, não é consumido apenas por afrodescendentes. Atualmente, a base de clientes da empresa conta com 80% de pessoas negras e 20% brancas.

Imagem mostra caixa com o logotipo do Clube da Preta rodeada de exemplos de produtos: uma camiseta dobrada com a frase “respect my hair”; o livro Sobreviventes, de Cidinha da Silva; um chinelo e uma necessaire com estampas em estilo africano.

Batemos um papo com Bruno Brigida que contou os desafios e aprendizados durante a caminhada como empreendedor social. Veja a seguir:

Mostre o valor do seu projeto

“Desafios a gente sempre vai ter, independentemente da situação. Seja você um empreendedor com poder aquisitivo ou não. Empreender com cunho social é mais complicado, pois você terá que mostrar o valor do impacto antes de mostrar a qualidade do produto. É uma luta constante. O financiamento também é bem restrito, difícil de conseguir por meios mais tradicionais e que acaba impactando diretamente em um momento de crescimento”.

“Entendemos que o trabalho de empreendedorismo social surge pela importância de se trabalhar em sociedade, principalmente quando você está nas quebradas. Tudo que acontece lá, envolve as pessoas de lá. Então estamos movimentando e fomentando essa galera.”

Experiências geram aprendizados

“As experiências anteriores foram muito pautadas no modelo do mundo corporativo, mas trouxeram muita informação de gestão para dentro do meu próprio negócio. E sem uma gestão redonda, o seu negócio morre em um curto tempo. Depois que surgiu o Clube da Preta, nós também passamos a observar o empreendedorismo social como uma fonte positiva de mudança na sociedade, que trata todos como iguais e que ajuda no desenvolvimento de pessoas a curto e médio prazo, em um país em que a maior parte da população brasileira vive uma situação de desigualdade econômica e social”.

Melhorias são necessárias ao longo do caminho

“Faria muita coisa diferente. Às vezes dá vontade de parar e começar do zero. Mais aí usamos a experiência e dedicação para tocar as situações. Tem coisas mais burocráticas e internas que sempre vão precisar de mudanças, mas entendemos que o negócio tinha dado certo quando tivemos um pequeno boom de vendas e ele se sustentou por aproximadamente uns cinco meses. Fechamos 2018 com apenas 12 assinantes e, em janeiro, demos um salto para 50. Olhamos para essa informação e pensamos: vamos entender o que está acontecendo. E em abril, tínhamos o dobro de janeiro. Assim, vimos que estávamos no caminho certo”.

Pesquise e estude modelo de negócio

“A Feira Preta ajudou a tirar a ideia do papel no sentido de identificarmos uma demanda que as pessoas já tinham: a necessidade de mais meios de venda para o afroempreendedorismo, de mais ações pautando essa galera que faz artes para vender. Conhecer o modelo que você vai trabalhar é fundamental. Isso ajudará em um crescimento desde o início, sem passar tantos perrengues. Então, antes de se lançar no mercado, estude e busque capacitação das mais diversas áreas, isso é primordial em um negócio”.

Não desista diante das adversidades

“Nunca conheci um empreendedor que não tivesse pensado em desistir. Isso faz parte de uma rotina. Empreendedor sempre está pensando em escalar, crescer, ir além, mas às vezes a gente se depara com algumas barreiras que acabam desanimando, como ouvir comentários preconceituosos ou fechar o mês abaixo do que havíamos previsto, por exemplo. Mas é preciso seguir, sempre!”

A trajetória de Bruno Brigida e Débora Luz mostra que passar por cima de adversidades e receber apoio são aspectos fundamentais para levar adiante um negócio de impacto do social. Por isso dicas sobre a hora certa de formalizar um negócio e iniciativas como o Pense Grande Incubação podem ser valiosas. Além disso, é importante conhecer os obstáculos superados por outros empreendedores, como contam Iana Chan, do PrograMaria, Fabiano Lopes, do Inspirando Gigantes, e Emanuelly Oliveira, do Social Brasilis no podcast Empreender? Não tá fácil pra ninguém.

Mais Dicas

Confira mais dicas na entrevista com o empreendedor Edson Leite, criador do Gastronomia Periférica, que aposta na profissionalização dos moradores da periferia para gerar impacto e transformação social.

julho 11th, 2019

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Imagem mostra um jovem de barba encostado em uma parede de tijolos mexendo no celular

O Instagram é uma ferramenta importante para quem pretende empreender. A rede social tem atingido pontos positivos entre usuários que decidem abrir seu próprio negócio, especialmente no Brasil. Por aqui, 50 milhões de pessoas usam a rede social diariamente, colocando o país na segunda posição de usuários no ranking mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Segundo o próprio Instagram, em 2017 havia 700 milhões de usuários e em 2018 esse número saltou para 1 bilhão. Entre perfis comerciais, são quase 20 milhões e 2,5 milhões de anunciantes em todo mundo. De acordo, com dados do Instagram, 85% dos usuários seguem um perfil comercial.

Pesquisa recente do Sebrae mostrou que, em média, o Instagram acumula 1,5 bilhões de curtidas por dia: 15 vezes mais interativo do que o Facebook. Outro dado que chama atenção é o fato dos usuários passarem 4 horas por mês na plataforma, que recebe mais de 60 milhões de fotos por dia.

Uma funcionalidade importante para quem empreende é que, a cada 15 dias, a rede social lança algum efeito ou função diferenciada, como novos elementos, filtros temáticos e adesivos. Para quem possui um negócio próprio, é uma ótima oportunidade de interagir com o público..

Você está usando o Instagram a favor do seu negócio? Selecionamos 10 perfis que você pode seguir na rede social para se inspirar. Confira!

Fábrica de Mentes | @fabricadementes

Imagem do perfil Fábrica de Mentes no Instagram

O perfil conta com mais de 900 mil seguidores e dialoga com jovens entre 25 e 34 anos que estão buscando criar seus empreendimentos com objetivo de mudar suas realidades e o mundo. O foco do conteúdo da página são mensagens reflexivas. O fundador Felipe Moller, empreendedor com mais de 30 mil seguidores, é também criador de vídeos e divulga um conteúdo novo toda segunda-feira para a plataforma. Além disso, Felipe promove lives, responde dúvidas dos seguidores via story e promove podcasts sobre empreendedorismo com objetivo de motivar e ajudar pessoas.

Rede Mulher Empreendedora | @rede_mulher_empreendedora

Imagem do perfil Rede Mulher Empreendedora no Instagram

Idealizada em 2010, a Rede Mulher Empreendedora, surgiu quando a idealizadora Ana Lúcia Fontes, com 15 mil seguidores, teve a ideia de criar um blog sobre os medos, as dúvidas e as dificuldades do empreendedorismo feminino. Hoje, o projeto se tornou a maior plataforma de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil e tem como propósito empoderar empreendedoras economicamente, garantindo independência financeira e de decisão sobre seus negócios e suas vidas. No Instagram, o perfil mostra projetos especiais, ideias para buscar recursos, capacitação, conteúdos especiais para quem empreende, eventos relevantes. Além disso, promove lives e utiliza os stories para mostrar eventos ao redor do país.

Preta e Acadêmica | @pretaeacademica

Imagem do perfil Preta e Acadêmica no Instagram

Com mais de 60 mil seguidores, o coletivo aborda temas relacionadas à academia, pesquisa científica, políticas públicas educacionais e suas interfaces com mulheres negras desses espaços. Nos posts do Instagram o foco é dar visibilidade aos inúmeros casos de racismo nas instituições de ensino e propor uma forma de combate e resistência às opressões nos mais diferentes espaços sociais. As criadoras participam de palestras e dão cursos de formação em diferentes setores, buscando fomentar a discussão sobre racismo e as desigualdades que atingem a população negra no Brasil. São divulgadas diversas produções de mulheres negras no país e em outros lugares do mundo como forma de inspiração para os seguidores.

Mulheres Artistas | @mlhrsartistas

Imagem do perfil Mulheres Artistas no InstagramA ilustradora Mariana Corteze criou o perfil para dar visibilidade à produção artística de mulheres de todo o mundo, com foco para artistas brasileiras. O perfil apresenta diversas mulheres que vivem das próprias artes e que podem inspirar em diversos aspectos, como na organização das redes sociais e nas formas de lucrar com as obras feitas e apresentadas. Nas legendas, é sempre possível encontrar o nome e o @ de cada artista.

Gerando Falcões | @gerandofalcoes

Imagem do perfil Gerando Falcões no Instagram

O perfil é criado pelo empreendedor Eduardo Lyra, nascido na periferia de São Paulo, que resolveu se dedicar a melhorar a vida de crianças que passam pelas mesmas dificuldades que ele enfrentou na infância. A página soma mais de 70 mil seguidores e utiliza muitos vídeos para contar histórias de pessoas que estão fazendo a diferença por meio do empreendedorismo social. Cerca de 30 mil estudantes têm sido impactados pelas ações do projeto. Ele tem como meta central promover o protagonismo dos jovens e fortalecê-los enquanto motores da transformação da sociedade. Eduardo soma mais de 50 mil seguidores e usa seu Instagram para mostrar as atividades do Gerando Falcões.

Branding Lab | @branding.lab

Imagem do perfil Branding Lab no InstagramCriado pela gerente de marketing e blogueira Ellen Medeiros, acumula mais de 37 mil seguidores e tem como pilares dos conteúdos a criatividade, o propósito e o branding: um conjunto de ações alinhadas ao posicionamento, propósito e valores da marca. A autora do perfil dá dicas práticas de como posicionar uma marca no mercado e também de filmes, séries e outras artes que podem impulsionar o lado empreendedor. Ellen também utiliza os stories e lives para responder perguntas dos seguidores.

Mente Empreendora | @menteempreendedora

Imagem do perfil Mente Empreendedora no Instagram

Fundado por John Pinheiro, o perfil já conta com mais de 1 milhão de seguidores. As dicas para os empreendedores são úteis para quem busca inspiração e motivação diária para administrar seu próprio negócio. Para isso, o perfil utiliza frases impactantes, promove lives (vídeos ao vivo) com empreendedores que já estão com seus negócios consolidados, além de dicas de leituras e conselhos para quem pretende dar os primeiros passos com o próprio negócio.

Desabafo Social | @desabafosocial

Imagem do perfil Desabafo Social no Instagram

O projeto mapeia assuntos sobre sociedades, culturas e oferece dicas de livros, séries, eventos e bate-papos com convidados. Para abordar diferentes narrativas, o perfil dispõe de entrevistas com empreendedores e líderes, traçando o perfil de iniciativas que realmente estão gerando impacto social nos dias de hoje e com reflexo no futuro. Uma das idealizadoras e sócias do projeto, a empreendedora Monique Evelle, que tem mais de 30 mil seguidores, fala sobre diferentes negócios da comunicação, educação e empreendedorismo sustentável.

Feira Preta | @feirapretaoficial

Imagem do perfil Feira Preta no Instagram

O projeto é um conjunto de iniciativas colaborativas que reforçam a identidade afro-brasileira e estimulam o empreendedorismo étnico na economia nacional. O evento nasceu em 2002 como uma feira de produtos de empreendedores negros. Hoje, é um festival que apresenta conteúdos, produtos e serviços que representam o que há de mais inovador na criatividade negra em diferentes segmentos. No Instagram, o perfil mostra casos de empreendedores, traz oportunidades para quem está começando um negócio e fala sobre projetos de empreendedorismo e ações realizadas por empreendedores negros.

Empreendoteca | @empreendoteca

Imagem do perfil Empreendoteca no Instagram

O perfil conta com 160 mil seguidores e faz uma apanhado de dicas sobre otimização de tempo, conectividade, sucesso, insights e frases inspiradoras. Os conteúdos falam também sobre mercado brasileiro para o empreendedorismo e abordam dicas para quem pretende dar os primeiros passos rumo à criação do próprio negócio ou para quem já está nessa jornada.

junho 27th, 2019

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A imagem mostra o palestrante Thomaz Suarez durante sua apresentação no TED Talks.

Para quem está em uma jornada empreendedora, é comum se deparar com um problema que pode afetar qualquer pessoa e, geralmente, acontece nas horas mais inesperadas: a falta de criatividade. Quem nunca passou por um momento no qual as ideias simplesmente somem e nenhum pensamento parece ser bom demais para ser colocado em prática, ainda mais em um negócio próprio? Lidar com isso é mais simples do que parece!

As palestras TED são uma fonte de inspiração, mostram diferentes pontos de vista e podem ajudar a gerar insights e ideias para colocar projetos em prática. Afinal, a criatividade muitas vezes só precisa de uma ajudinha externa para deslanchar!

Trazemos oito vídeos do TED Talks que dão um gás na criatividade de qualquer um por meio de diferentes vivências. Confira!

Thomas Suarez

O que um garoto de 12 anos pode fazer pelo mundo? Muita coisa! Thomaz Suarez é fã de videogames e por isso aprendeu sozinho a criá-los. Depois de desenvolver aplicativos para o iPhone, ele agora usa suas habilidades para ajudar outras crianças a se tornarem criadores de seus próprios projetos. Neste TED, ele conta os caminhos que seguiu para criar montar seus próprios apps.

O que você vai aprender: a se desafiar independentemente do contexto em que vive e a observar que pequenas ações podem gerar grandes negócios.

Elizabeth Gilbert

Você pensa que criatividade é um dom para poucos? No vídeo, Elizabeth Gilbert, autora do best-seller Comer, Rezar e Amar, discorre sobre as expectativas ao longo da carreira e explica que em vez de “sermos” gênios, todos nós deveríamos “ter” um gênio.

O que você vai aprender: a lidar com expectativas e se preparar para os altos e baixos da carreira empreendedora.

Joyce Fernandes

Joyce Fernandes, também conhecida como Preta Rara, participa de um TED sobre a criação da página no Facebook Eu Empregada Doméstica, que tem mais de 160 mil seguidores. Ela conta o que aprendeu com a experiência de trabalhar como empregada doméstica e apresenta um panorama crítico sobre o Brasil.

O que você vai aprender: a criar metas e estratégias para driblar adversidades e alcançar seus objetivos sendo quem você é.

Kenia Maria

Durante o vídeo, Kenia Maria questiona os padrões de pensamento que são impostos pelos comerciais e ações de marketing. Criadora do canal Tá Bom pra Você?, no Youtube, trata sobre questões raciais de forma criativa e inteligente. Na palestra, ela estimula a pensar novos formatos de contar histórias com base na vivência de cada um.

O que você vai aprender: a entender padrões e como estimular o pensamento criativo para quebrar raciocínios pré-estabelecidos.

Steven Johnson

Tomar uma xícara de café em um local específico representa muito mais do que você pode imaginar. Um lugar onde é possível encontrar pessoas de diferentes camadas sociais e distintos campos de conhecimento e ideias se encontram.

E quais são os lugares onde surgem as boas ideias? Neste TED, Steven Johnson fala de sua excursão pelas “redes líquidas” dos cafés de Londres e mostra como o compartilhamento ajuda a estimular a criatividade.

O que você vai aprender: a como incentivar boas ideias e compartilhar conhecimentos para conectar diferentes mentes.

Eddie Obeng

O professor de negócios Eddie Obeng mostra neste TED como a produção criativa enfrenta desafios em acompanhar as grandes mudanças e destaca três importantes transformações para melhorar a produtividade.

O que você vai aprender: a ver que as mudanças acontecem ao longo do tempo e de que forma é possível se adaptar a elas.

Simon Sinek

Neste TED de grande repercussão, o autor de livros e palestrante motivacional Simon Sinek fala de um modelo poderoso para que as lideranças sejam inspiradoras a partir do que ele chama de um “círculo dourado” e a pergunta “Por quê?”. No vídeo, ele dá exemplos que incluem a Apple, Martin Luther King e muito mais.

O que você vai aprender: que liderar projetos é trabalhar com inspiração para várias pessoas.

Gayle Tzemach Lemmon

A repórter Gayle Tzemach Lemmon fala sobre seu trabalho de escrever sobre mulheres empreendedoras que começaram seus negócios durante ou após conflitos de guerra em países como Bósnia e Afeganistão. No vídeo, ela mostra exemplos de mulheres administrando todos os tipos de empresas, de negócios na própria casa a grandes fábricas, e apresenta modelos de como empreender em contextos diversos.

O que você vai aprender: que em momentos de dificuldade e observando sua situação, é possível encontrar oportunidades para empreender.

junho 13th, 2019

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