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Dedicar esforço e tempo para fazer do seu negócio um gerador de impacto social é o caminho para uma jornada de transformação. Mas com toda essa dedicação também vem o cansaço, o esgotamento mental e a cobrança. A responsabilidade do empreendedor, que se vê como o principal agente desse processo, faz com que sobre pouco tempo para repensar como está sendo feita essa construção. Por isso é tão importante falar sobre saúde mental no empreendedorismo.

Segundo dados lançados em outubro pela plataforma de psicologia Vittude, aproximadamente 86% da população brasileira sofre de transtornos como depressão (59%), ansiedade (63%) e estresse (37%). Cerca de 492.790 pessoas responderam a pesquisa entre outubro de 2016 e abril de 2019. A maior parte delas atribuiu os problemas ao ambiente ou ao ritmo de trabalho. Há uma solução para essa aparente crise da saúde mental no Brasil?

Em meio a tantas responsabilidades, prazos e contas para pagar, dar espaço ao autocuidado é essencial para levar uma vida mais saudável. Esse conceito envolve tudo aquilo que faz você encontrar um tempo para se cuidar, relaxar e dedicar esforços para estar em contato com suas próprias necessidades. E para quem não quer descuidar do trabalho, esse tempo tem a ver com produtividade também! Ao garantir sua saúde física e mental, o resultado alcançado em suas atividades profissionais é mais efetivo.

Confira nossa lista com alguns passos que podem lhe ajudar a encontrar a forma de autocuidado que melhor se adequa à sua rotina! Afinal, para cuidar dos outros precisamos estar em dia com a nossa própria saúde, certo?

Autoconhecimento

Antes de falarmos em autocuidado, primeiro precisamos discutir o autoconhecimento. As formas de cuidar de si mesmo variam de pessoa para pessoa e vão depender de vários fatores determinantes como: tempo, rotina, contexto social, condições financeiras e gostos pessoais. A regra geral é buscar entender e respeitar o seu ritmo de vida para só então encontrar aquilo que faça o tempo dedicado a você valer a pena.

Acompanhamento Psicológico

Em meio à correria do dia a dia é difícil analisar nossos próprios hábitos, por isso o autoconhecimento é o primeiro passo para garantir a saúde mental no empreendedorismo. Ter um acompanhamento psicológico pode ser um caminho. Na terapia é possível trabalhar maneiras de aliviar o estresse, acalmar a ansiedade e aprender a estabelecer limites.

Alguns coletivos e grupos fazem esse acompanhamento a preços mais baixos em relação ao mercado, mantendo a qualidade do tratamento como prioridade. O Terapretas fica no Rio de Janeiro e atende mulheres negras; o Amma Psique e Negritude trata de questões como racismo e discriminação; já o  Divam fica em São Paulo e traz a perspectiva feminista para as mulheres atendidas. Além disso, universidades como USP, São Judas e Cruzeiro do Sul oferecem terapia gratuita.

Investir no sono

Fala-se muito em investimento no universo do empreendedorismo. Por outro lado, o debate sobre como dormir bem pode aumentar a produtividade ainda não atingiu o mesmo patamar. Investir no sono e garantir pelo menos oito horas de descanso por dia é contribui também para potencializar sua memória, criatividade e disposição para o dia seguinte. Isso sem contar que recarregar as energias ajudará a diminuir o estresse do corpo e da mente.

Praticar exercícios regulares

Você provavelmente já deve ter ouvido a recomendação de praticar exercícios para ter uma vida saudável. Mas, além de criar hábitos saudáveis, cuidar da parte física também ajuda a combater o estresse e a ansiedade, pois aumenta a produção de hormônios, liberando a famosa endorfina, responsável pela sensação de bem-estar.

Se você não gosta de academia ou de corrida, tudo bem! Existem outras possibilidades: dança, esportes e yoga, por exemplo.  Volte ao item um e reflita sobre qual deles se adequa melhor à sua rotina. O importante é se sentir bem com você mesmo!

Trocar experiências e vivências

Até o momento falamos sobre muitas dicas individuais para os empreendedores se conectarem às suas necessidades. Contudo, é preciso levar em conta que somos seres coletivos e por isso precisamos da troca de experiências e vivências para nos sentirmos completos.

Participar de rodas de conversa com outros empreendedores pode ser um caminho interessante para trabalhar frustrações, lidar melhor com os fracassos e encontrar soluções colaborativas. Mesmo um encontro casual com amigos e colegas ajuda a organizar suas perspectivas, traz novos olhares e descontração.

novembro 6th, 2019

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Brené Brown tem cabelos curto e loiro e está sorrindo para foto. A pesquisadora e palestrante fala sobre como a vulnerabilidade alimenta a coragem, combustível para empreendedores

Pesquisadora e professora da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, onde estuda temas como vulnerabilidade, coragem vergonha e empatia há 20 anos. Escritora de quase uma dezena de livros e uma das mais prestigiadas palestrantes do mundo, com um TED Talk que soma mais de 43 milhões de visualizações. Assim podemos descrever Brené Brown. Ou podemos apenas dizer que ela adora contar histórias.

É exatamente sobre essa definição que ela começa o TEDxHouston O Poder da Vulnerabilidade, lançado em junho de 2010, e que a levou à fama mundial. Segundo Brené, sua coragem foi testada alguns anos antes quando uma organizadora de eventos sugeriu anunciá-la como contadora de histórias na divulgação de uma palestra, por considerar que o termo pesquisadora poderia soar chato, irrelevante e acabaria espantando o público. A princípio, Brené achou um verdadeiro absurdo.

“Pensei por alguns segundos, tentei procurar lá no fundo da minha coragem. Sou uma pesquisadora de dados qualitativos, coleciono histórias. E talvez histórias sejam apenas dados com alma. Então, eu disse: ‘Por que você não diz simplesmente que eu sou uma pesquisadora-contadora de histórias?’. Ela gargalhou: ‘Isso não existe! . Mas é o que sou: uma pesquisadora-contadora de histórias”.

E é assim, com relatos recheados de bom humor e vivacidade, que Brené Brown conduz suas palestras, compartilha dados sobre seus estudos e cativa o público, atento em todos os momentos. É como se ela estivesse tendo uma conversa íntima com cada um.

A vulnerabilidade é o tema central, mas não é o único abordado. Em 2012, ela lançou outro TED de sucesso: Brené Brown: Escutando a vergonha, no qual discorre sobre o que pode acontecer quando as pessoas confrontam o que as envergonha. Recentemente, a Netflix lançou Brené Brown: The Call to Courage (O Chamado para Coragem, em tradução livre), no qual ela elabora melhor como o sentimento de vulnerabilidade está intimamente ligado à coragem.

Abaixo, reunimos conselhos, histórias e lições de Brené Brown que podem servir de inspiração para levar adiante seu empreendimento social e provocar verdadeiras transformações na sociedade. Afinal, é preciso muita coragem para seguir seu coração e confiar em si, empatia para entender e se conectar com seu público-alvo, além de disposição para arriscar e inovar. Confira!

Vergonha e desconexão

Segundo Brené Brown, “conexão é a habilidade de nos sentirmos conectados, é neurobiologicamente como somos feitos, é o porquê de estarmos aqui”. Vinda do campo da assistência social, ela conta que entendeu o que causava desconexão entre as pessoas, após seis meses de análises e estudos.

“O que se revelou foi a vergonha, que pode ser entendida como o medo da desconexão. É universal, todos nós a sentimos. O que mantém essa vergonha é o sentimento de ‘não sou boa o suficiente’. A base disso é uma vulnerabilidade dilacerante, a ideia de termos de nos permitir ser vistos, realmente vistos, para que a conexão aconteça”.

“A única coisa que nos mantêm desconectados é o nosso medo de que não sejamos merecedores de conexão”, reflete.

Senso de coragem

Para entender como a vulnerabilidade funciona, a especialista decidiu focar nas pessoas que se sentiam merecedoras de conexão, as quais ela nomeou como coração-pleno.

“Elas tinham em comum um senso de coragem. Tinham, simplesmente, a coragem de serem imperfeitas. Elas tinham a compaixão de serem gentis primeiro consigo mesmas, e então, com os outros. Não podemos praticar a compaixão se não conseguirmos nos tratar com gentileza. E elas tinham conexão. E esta é a parte difícil, como resultado de autenticidade. Estavam dispostas a abandonar quem pensavam que deveriam ser para ser quem realmente são”.

Abrace a vulnerabilidade

Outro ponto comum que ela descobriu sobre esse grupo de pessoas era a forma como lidavam com a vulnerabilidade. “Eles a abraçavam completamente. O que as tornava vulneráveis, as tornava lindas. Não falavam sobre a vulnerabilidade ser confortável, nem sobre isso ser doloroso, como eu tinha ouvido nas entrevistas sobre vergonha. Achavam fundamental a disponibilidade de fazer algo quando não havia garantias”.

Você é o suficiente

Brené também explica que aprendeu sobre como somos levados a anestesiar a vulnerabilidade, mas não podemos fazer isso seletivamente. Isso explica porque, segundo ela, estamos diante da geração que mais bebe, se medica e usa drogas na história.

“Você não pode pegar vulnerabilidade, medo, vergonha, desapontamento e não sentir apenas isso. Não pode pegar sentimentos pesados e anestesiá-los sem deixar de sentir o restante. Então, também anestesiamos a alegria, a gratidão, a felicidade. E nos sentimos infelizes. Aí procuramos por propósito e sentido, nos sentimos vulneráveis, e voltamos a nos anestesiar . Isso se torna um ciclo perigoso ”, enumera a especialista.

“O que considero mais importante é acreditarmos que somos suficientes. Porque quando começamos pensando que somos suficientes, paramos de gritar e começamos a escutar. Somos mais bondosos e gentis com as pessoas ao nosso redor, e mais bondosos e gentis conosco”.

Tenha conversas difíceis

A vulnerabilidade é mãe de alguns filhos: confiança, da inovação, da criatividade, inclusão e equidade, dar e receber feedbacks, resolução de problemas e tomadas de decisões éticas. Não adianta querer um ambiente inovador e criativo sem espaço para vulnerabilidade, imperfeição e possíveis erros.

“Falamos das pessoas em vez de falar com as pessoas. Isso é uma coisa muito tóxica. É a cultura do controle. Entendo que é difícil ser vulnerável no trabalho, mas passamos mais da metade das nossas vidas trabalhando. Em 20 anos, jamais encontrei alguém que fosse feliz na vida e extremamente triste no trabalho. Isso pode corroer você vivo. Temos a responsabilidade de nos expor e admitir nossas emoções no trabalho, nos envolver em questões difíceis”, resume.

Saiba quais críticas levar em consideração

No especial A Call to Courage, Brené Brown conta como teve uma verdadeira “ressaca de vulnerabilidade” após o TEDxHouston. Com milhões de visualizações, ela sentia que havia se exposto demais e não conseguiu lidar com o constrangimento ao ler críticas destrutivas. Tentou fugir da realidade com uma maratona da série Downtown Abbey e manteiga de amendoim até que se deparou com um discurso de Franklin Roosevelt, O Homem na Arena, considerado por ela um divisor de águas.

“O discurso era assim: ‘não é o crítico que conta. Nem aquele que aponta quando o outro tropeça, nem aquele que diz que o outro devia ter agido diferente. O mérito é do homem que está na arena, aquele com o rosto sujo de poeira, suor e sangue. Que se empenha, que erra, que fracassa um, duas, várias vezes. Aquele que no final, embora conheça o triunfo de uma vitória, pode até fracassar, mas se arriscando a ser imperfeito’”, resume Brené.

Em seguida, ela lista as três lições tiradas sobre o episódio.

“Quero viver na arena e escolho isso todos os dias. Vulnerabilidade não é sinal de fraqueza, mas a melhor forma de medir sua coragem. A última coisa que aprendi naquele momento foi que se você não está na arena, fracassando vez ou outra por ser corajoso, não quero saber o que pensa sobre o meu trabalho e ponto final. Você não pode levar em consideração críticas de pessoas que não estejam sendo corajosas com suas vidas”.

setembro 23rd, 2019

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Nina Silva, fundadora do Black Money e uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil, aparece sorrindo, de coque e com um microfone no palco de uma palestra.

Marina Silva, mais conhecida como Nina Silva, pode ser apresentada de muitas formas: reconhecida pela ONU e pela instituição internacional MIPAD (Most Influential People of African Descent) entre os cem afrodescendentes mais influentes do mundo abaixo de 40 anos. Indicada pela Forbes como uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil em 2019. Uma das fundadoras do Movimento Black Money, escritora, mentora e gestora com carreira internacional consolidada e 17 anos de experiência com Tecnologia da Informação (TI).

Para ela, a pessoa que se considera deste século e quer realmente causar impacto social, independente da carreira ou de um objetivo pessoal, precisa estar conectada e criar redes que possibilitem a transformação.

“Estar no MIPAD é estar ligada a outros afrodescendentes, tanto em diáspora quanto na África, e me permite entender diferentes contextos para a população negra no mundo. Não me vejo, enquanto especialista em tecnologia, sem estar conectada em redes de real empoderamento socioeconômico no mundo. E todas as instituições que integro fazem parte desse plano estratégico”, explica Nina sobre como mantém o envolvimento com tantas demandas e projetos.

A rotina dela ainda inclui palestras, atuação nas atividades e lançamentos do Movimento Black Money e, atualmente, ela ainda compõe a equipe da ThoughtWorks, organização presente em 14 países que propõe usar o conhecimento da indústria de TI para advogar pela justiça social e econômica.

Sem ligar para barreiras geográficas, Nina Silva diz que está focada em viver a Revolução Industrial 4.0, entender o mecanismo e as estratégias de hackeamento do sistema a partir das singularidades e necessidades sociais de diferentes povos.

“O Movimento Black Money é um hub (um conector de informações e pessoas) e precisa atuar em diferentes frentes pelo nosso propósito, que é a emancipação e autonomia real da população negra no Brasil e no mundo. Instituições como MIPAD ou o CPLP (que reúne mulheres empresárias de países de língua portuguesa), permite com que eu esteja sempre antenada nas novas tecnologias e em como aplicá-las na realidade”, complementa.

Nascida e criada em São Gonçalo (RJ), no bairro Jardim Santa Catarina, que já foi considerada a maior favela plana da América Latina, formou-se em administração pela Universidade Federal Fluminense e fez pós-graduação na área de sistema de informação e gestão de projetos, com diversas certificações internacionais.

Como jovem, mulher e negra sempre lidou com a disparidade de não conviver com semelhantes nos times em que trabalhava. O “não pertencer” vinha em muitas formas: quando homens mais velhos a chamavam de menina mesmo ela sendo a gestora do time; quando foi mandada embora com justificativas como de não ter o perfil da vaga mesmo tendo a melhor avaliação de atendimento; quando chegava a um time novo e lhe mediam da cabeça aos pés, duvidando que fosse a dona do currículo recheado de certificações.

Nina conta que foram justamente as dificuldades e o constante questionamento por ocupar posições de liderança que a levaram a buscar um propósito maior, que culminou na participação para criar o Movimento Black Money.

“Costumo dizer que o racismo sempre veio primeiro que todos os outros preconceitos. Não é por eu ser mulher, porque meu nome é feminino; não é por ser jovem, porque a idade está ali no currículo. Então a questão racial sempre foi uma das maiores barreiras. Só que agora eu diria que esse é o maior propósito para o embasamento da minha carreira e para construir novos espaços bem mais saudáveis e inclusivos”, resume Nina Silva.

Nina Silva, considerada uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil, aparece no centro do palco, falando para uma plateia e com o logo do Movimento Black Money em uma tela no fundo.

O que é o Movimento Black Money?

Movimento que atua com inovação, empreendedorismo e educação financeira para a população negra. Fortalece o conceito de pan-africanismo e tem Marcus Garvey como um dos guias.

No momento, o foco da iniciativa são os serviços financeiros com taxas mais justas e protótipos para dar visibilidade a empreendedores negros. Contudo, o Movimento Black Money também trabalha a inserção da comunidade negra na tecnologia a partir da educação e promove networking e a comunicação, como o evento Start Blackup.

A seguir, Nina Silva enumera algumas dicas para quem está começando a trilhar o caminho do empreendedorismo social. Confira!

Qual o seu propósito?
“O que é que te engaja? O que te move? O que eu quero acordar todo dia para fazer? Ah, o que me move é dançar, é o bem estar de outras pessoas, é trabalhar com criança. O importante é ter atrelado ao seu negócio algo que dê realmente uma satisfação. Então a primeira dica é essa: entender o que te move”.

Identifique necessidades e mapeie o seu entorno
“Já sabendo o que te move, o que existe na sua região, perto de casa, da faculdade, do trabalho, do grupo que frequenta ou até na rede social que usa e que gera uma necessidade? O que está faltando e ninguém nunca parou para prestar atenção?. Isso é importante para mapear oportunidades no mercado.”

Gerando conexão com o que está ao seu alcance
“É preciso achar o que te motiva e atrelar a uma necessidade que seja esteja próxima das suas mãos. Não adianta você querer, por exemplo, resolver um problema de mobilidade urbana sem saber dirigir. Pense em coisas que consiga enxergar como necessidade, mas também se veja empreendendo com aquilo e solucionando o problema”. 

Analise a concorrência e defina o público
“Verifique se já tem muita gente fazendo a mesma coisa. Se já tem, é preciso ter um diferencial muito específico, que lhe torne especial. Mas saiba qual é o seu público. Antes de começar a operar, quem você quer atingir? Lógico que você vai acabar atingindo outras pessoas, mas defina a persona, o público padrão que vai ser atendido por aquela solução”.

Tire proveito do mundo tecnológico
“Use a transformação digital. É muito mais fácil criar amplitude e reverberar o seu projeto. Há redes sociais, ferramentas de marketing autodidatas e intuitivas. Existem versões gratuitas ou versões testes, que são livres durante um período de tempo. É possível potencializar e fazer a informação chegar mais rápida no seu público”.

Crie uma rede
“Quando você está em algo, mesmo que seja no início, já é um diferencial. A partir disso, se instrumentalize. É preciso buscar conhecimento, desenvolver uma rede de apoio e parcerias para criar uma estrutura mínima e começar a atender aquela demanda.”

agosto 29th, 2019

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Unir uma causa a um negócio próprio. Isso que o administrador e jornalista Bruno Brigida, 29, junto com a sua companheira, a museóloga Débora Luz, 29, fizeram ao criar o Clube da Preta: o primeiro clube de assinatura de moda e acessórios afro do Brasil.

O esquema é simples: o cliente preenche no portal um perfil de estilo e a equipe do Clube da Preta entrega uma vez por mês na casa do usuário os produtos dentro de uma caixa, com preços acessíveis. São produtos de moda, beleza e acessórios, que vão de camisetas, turbantes, vestidos, pulseiras, colares, cervejas, cremes e xampus para cabelo crespo e cacheado, até livros de autores negros. Todos os produtos são produzidos por empreendedores negros.

Como surgiu a ideia

Frequentadores da Feira Preta, evento anual que ocorre desde 2002 em São Paulo e reúne cerca de 120 expositores negros, Bruno e Débora estavam em busca de algo para ajudar pequenos produtores. Enquanto consumiam seus itens, pensavam em algo além disso.

Um dia, Bruno recebeu uma encomenda: uma caixa de cerveja enviada por um clube de assinatura. Foi aí que teve o estalo que precisava para dar o primeiro passo rumo ao empreendedorismo. Em vez da cerveja, pensou em colocar roupas e acessórios produzidos por empreendedores negros e vender isso tudo por assinatura. Em 2018, o Clube da Preta vendeu mais de 10 mil caixas, reuniu 400 clientes recorrentes e já fez parceria com mais de 150 fornecedores.

Além da personalização das caixas, outro motivo para a fidelização dos clientes seria o lado social e de afirmação da cultura negra. De acordo com Bruno, o público é ligado em causas sociais e está preocupado em prezar pelos pequenos produtores. Apesar de o negócio ser feito por afroempreendedores, não é consumido apenas por afrodescendentes. Atualmente, a base de clientes da empresa conta com 80% de pessoas negras e 20% brancas.

Imagem mostra caixa com o logotipo do Clube da Preta rodeada de exemplos de produtos: uma camiseta dobrada com a frase “respect my hair”; o livro Sobreviventes, de Cidinha da Silva; um chinelo e uma necessaire com estampas em estilo africano.

Batemos um papo com Bruno Brigida que contou os desafios e aprendizados durante a caminhada como empreendedor social. Veja a seguir:

Mostre o valor do seu projeto

“Desafios a gente sempre vai ter, independentemente da situação. Seja você um empreendedor com poder aquisitivo ou não. Empreender com cunho social é mais complicado, pois você terá que mostrar o valor do impacto antes de mostrar a qualidade do produto. É uma luta constante. O financiamento também é bem restrito, difícil de conseguir por meios mais tradicionais e que acaba impactando diretamente em um momento de crescimento”.

“Entendemos que o trabalho de empreendedorismo social surge pela importância de se trabalhar em sociedade, principalmente quando você está nas quebradas. Tudo que acontece lá, envolve as pessoas de lá. Então estamos movimentando e fomentando essa galera.”

Experiências geram aprendizados

“As experiências anteriores foram muito pautadas no modelo do mundo corporativo, mas trouxeram muita informação de gestão para dentro do meu próprio negócio. E sem uma gestão redonda, o seu negócio morre em um curto tempo. Depois que surgiu o Clube da Preta, nós também passamos a observar o empreendedorismo social como uma fonte positiva de mudança na sociedade, que trata todos como iguais e que ajuda no desenvolvimento de pessoas a curto e médio prazo, em um país em que a maior parte da população brasileira vive uma situação de desigualdade econômica e social”.

Melhorias são necessárias ao longo do caminho

“Faria muita coisa diferente. Às vezes dá vontade de parar e começar do zero. Mais aí usamos a experiência e dedicação para tocar as situações. Tem coisas mais burocráticas e internas que sempre vão precisar de mudanças, mas entendemos que o negócio tinha dado certo quando tivemos um pequeno boom de vendas e ele se sustentou por aproximadamente uns cinco meses. Fechamos 2018 com apenas 12 assinantes e, em janeiro, demos um salto para 50. Olhamos para essa informação e pensamos: vamos entender o que está acontecendo. E em abril, tínhamos o dobro de janeiro. Assim, vimos que estávamos no caminho certo”.

Pesquise e estude modelo de negócio

“A Feira Preta ajudou a tirar a ideia do papel no sentido de identificarmos uma demanda que as pessoas já tinham: a necessidade de mais meios de venda para o afroempreendedorismo, de mais ações pautando essa galera que faz artes para vender. Conhecer o modelo que você vai trabalhar é fundamental. Isso ajudará em um crescimento desde o início, sem passar tantos perrengues. Então, antes de se lançar no mercado, estude e busque capacitação das mais diversas áreas, isso é primordial em um negócio”.

Não desista diante das adversidades

“Nunca conheci um empreendedor que não tivesse pensado em desistir. Isso faz parte de uma rotina. Empreendedor sempre está pensando em escalar, crescer, ir além, mas às vezes a gente se depara com algumas barreiras que acabam desanimando, como ouvir comentários preconceituosos ou fechar o mês abaixo do que havíamos previsto, por exemplo. Mas é preciso seguir, sempre!”

A trajetória de Bruno Brigida e Débora Luz mostra que passar por cima de adversidades e receber apoio são aspectos fundamentais para levar adiante um negócio de impacto do social. Por isso dicas sobre a hora certa de formalizar um negócio e iniciativas como o Pense Grande Incubação podem ser valiosas. Além disso, é importante conhecer os obstáculos superados por outros empreendedores, como contam Iana Chan, do PrograMaria, Fabiano Lopes, do Inspirando Gigantes, e Emanuelly Oliveira, do Social Brasilis no podcast Empreender? Não tá fácil pra ninguém.

Mais Dicas

Confira mais dicas na entrevista com o empreendedor Edson Leite, criador do Gastronomia Periférica, que aposta na profissionalização dos moradores da periferia para gerar impacto e transformação social.

julho 11th, 2019

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Imagem mostra um jovem de barba encostado em uma parede de tijolos mexendo no celular

O Instagram é uma ferramenta importante para quem pretende empreender. A rede social tem atingido pontos positivos entre usuários que decidem abrir seu próprio negócio, especialmente no Brasil. Por aqui, 50 milhões de pessoas usam a rede social diariamente, colocando o país na segunda posição de usuários no ranking mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Segundo o próprio Instagram, em 2017 havia 700 milhões de usuários e em 2018 esse número saltou para 1 bilhão. Entre perfis comerciais, são quase 20 milhões e 2,5 milhões de anunciantes em todo mundo. De acordo, com dados do Instagram, 85% dos usuários seguem um perfil comercial.

Pesquisa recente do Sebrae mostrou que, em média, o Instagram acumula 1,5 bilhões de curtidas por dia: 15 vezes mais interativo do que o Facebook. Outro dado que chama atenção é o fato dos usuários passarem 4 horas por mês na plataforma, que recebe mais de 60 milhões de fotos por dia.

Uma funcionalidade importante para quem empreende é que, a cada 15 dias, a rede social lança algum efeito ou função diferenciada, como novos elementos, filtros temáticos e adesivos. Para quem possui um negócio próprio, é uma ótima oportunidade de interagir com o público..

Você está usando o Instagram a favor do seu negócio? Selecionamos 10 perfis que você pode seguir na rede social para se inspirar. Confira!

Fábrica de Mentes | @fabricadementes

Imagem do perfil Fábrica de Mentes no Instagram

O perfil conta com mais de 900 mil seguidores e dialoga com jovens entre 25 e 34 anos que estão buscando criar seus empreendimentos com objetivo de mudar suas realidades e o mundo. O foco do conteúdo da página são mensagens reflexivas. O fundador Felipe Moller, empreendedor com mais de 30 mil seguidores, é também criador de vídeos e divulga um conteúdo novo toda segunda-feira para a plataforma. Além disso, Felipe promove lives, responde dúvidas dos seguidores via story e promove podcasts sobre empreendedorismo com objetivo de motivar e ajudar pessoas.

Rede Mulher Empreendedora | @rede_mulher_empreendedora

Imagem do perfil Rede Mulher Empreendedora no Instagram

Idealizada em 2010, a Rede Mulher Empreendedora, surgiu quando a idealizadora Ana Lúcia Fontes, com 15 mil seguidores, teve a ideia de criar um blog sobre os medos, as dúvidas e as dificuldades do empreendedorismo feminino. Hoje, o projeto se tornou a maior plataforma de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil e tem como propósito empoderar empreendedoras economicamente, garantindo independência financeira e de decisão sobre seus negócios e suas vidas. No Instagram, o perfil mostra projetos especiais, ideias para buscar recursos, capacitação, conteúdos especiais para quem empreende, eventos relevantes. Além disso, promove lives e utiliza os stories para mostrar eventos ao redor do país.

Preta e Acadêmica | @pretaeacademica

Imagem do perfil Preta e Acadêmica no Instagram

Com mais de 60 mil seguidores, o coletivo aborda temas relacionadas à academia, pesquisa científica, políticas públicas educacionais e suas interfaces com mulheres negras desses espaços. Nos posts do Instagram o foco é dar visibilidade aos inúmeros casos de racismo nas instituições de ensino e propor uma forma de combate e resistência às opressões nos mais diferentes espaços sociais. As criadoras participam de palestras e dão cursos de formação em diferentes setores, buscando fomentar a discussão sobre racismo e as desigualdades que atingem a população negra no Brasil. São divulgadas diversas produções de mulheres negras no país e em outros lugares do mundo como forma de inspiração para os seguidores.

Mulheres Artistas | @mlhrsartistas

Imagem do perfil Mulheres Artistas no InstagramA ilustradora Mariana Corteze criou o perfil para dar visibilidade à produção artística de mulheres de todo o mundo, com foco para artistas brasileiras. O perfil apresenta diversas mulheres que vivem das próprias artes e que podem inspirar em diversos aspectos, como na organização das redes sociais e nas formas de lucrar com as obras feitas e apresentadas. Nas legendas, é sempre possível encontrar o nome e o @ de cada artista.

Gerando Falcões | @gerandofalcoes

Imagem do perfil Gerando Falcões no Instagram

O perfil é criado pelo empreendedor Eduardo Lyra, nascido na periferia de São Paulo, que resolveu se dedicar a melhorar a vida de crianças que passam pelas mesmas dificuldades que ele enfrentou na infância. A página soma mais de 70 mil seguidores e utiliza muitos vídeos para contar histórias de pessoas que estão fazendo a diferença por meio do empreendedorismo social. Cerca de 30 mil estudantes têm sido impactados pelas ações do projeto. Ele tem como meta central promover o protagonismo dos jovens e fortalecê-los enquanto motores da transformação da sociedade. Eduardo soma mais de 50 mil seguidores e usa seu Instagram para mostrar as atividades do Gerando Falcões.

Branding Lab | @branding.lab

Imagem do perfil Branding Lab no InstagramCriado pela gerente de marketing e blogueira Ellen Medeiros, acumula mais de 37 mil seguidores e tem como pilares dos conteúdos a criatividade, o propósito e o branding: um conjunto de ações alinhadas ao posicionamento, propósito e valores da marca. A autora do perfil dá dicas práticas de como posicionar uma marca no mercado e também de filmes, séries e outras artes que podem impulsionar o lado empreendedor. Ellen também utiliza os stories e lives para responder perguntas dos seguidores.

Mente Empreendora | @menteempreendedora

Imagem do perfil Mente Empreendedora no Instagram

Fundado por John Pinheiro, o perfil já conta com mais de 1 milhão de seguidores. As dicas para os empreendedores são úteis para quem busca inspiração e motivação diária para administrar seu próprio negócio. Para isso, o perfil utiliza frases impactantes, promove lives (vídeos ao vivo) com empreendedores que já estão com seus negócios consolidados, além de dicas de leituras e conselhos para quem pretende dar os primeiros passos com o próprio negócio.

Desabafo Social | @desabafosocial

Imagem do perfil Desabafo Social no Instagram

O projeto mapeia assuntos sobre sociedades, culturas e oferece dicas de livros, séries, eventos e bate-papos com convidados. Para abordar diferentes narrativas, o perfil dispõe de entrevistas com empreendedores e líderes, traçando o perfil de iniciativas que realmente estão gerando impacto social nos dias de hoje e com reflexo no futuro. Uma das idealizadoras e sócias do projeto, a empreendedora Monique Evelle, que tem mais de 30 mil seguidores, fala sobre diferentes negócios da comunicação, educação e empreendedorismo sustentável.

Feira Preta | @feirapretaoficial

Imagem do perfil Feira Preta no Instagram

O projeto é um conjunto de iniciativas colaborativas que reforçam a identidade afro-brasileira e estimulam o empreendedorismo étnico na economia nacional. O evento nasceu em 2002 como uma feira de produtos de empreendedores negros. Hoje, é um festival que apresenta conteúdos, produtos e serviços que representam o que há de mais inovador na criatividade negra em diferentes segmentos. No Instagram, o perfil mostra casos de empreendedores, traz oportunidades para quem está começando um negócio e fala sobre projetos de empreendedorismo e ações realizadas por empreendedores negros.

Empreendoteca | @empreendoteca

Imagem do perfil Empreendoteca no Instagram

O perfil conta com 160 mil seguidores e faz uma apanhado de dicas sobre otimização de tempo, conectividade, sucesso, insights e frases inspiradoras. Os conteúdos falam também sobre mercado brasileiro para o empreendedorismo e abordam dicas para quem pretende dar os primeiros passos rumo à criação do próprio negócio ou para quem já está nessa jornada.

junho 27th, 2019

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A imagem mostra o palestrante Thomaz Suarez durante sua apresentação no TED Talks.

Para quem está em uma jornada empreendedora, é comum se deparar com um problema que pode afetar qualquer pessoa e, geralmente, acontece nas horas mais inesperadas: a falta de criatividade. Quem nunca passou por um momento no qual as ideias simplesmente somem e nenhum pensamento parece ser bom demais para ser colocado em prática, ainda mais em um negócio próprio? Lidar com isso é mais simples do que parece!

As palestras TED são uma fonte de inspiração, mostram diferentes pontos de vista e podem ajudar a gerar insights e ideias para colocar projetos em prática. Afinal, a criatividade muitas vezes só precisa de uma ajudinha externa para deslanchar!

Trazemos oito vídeos do TED Talks que dão um gás na criatividade de qualquer um por meio de diferentes vivências. Confira!

Thomas Suarez

O que um garoto de 12 anos pode fazer pelo mundo? Muita coisa! Thomaz Suarez é fã de videogames e por isso aprendeu sozinho a criá-los. Depois de desenvolver aplicativos para o iPhone, ele agora usa suas habilidades para ajudar outras crianças a se tornarem criadores de seus próprios projetos. Neste TED, ele conta os caminhos que seguiu para criar montar seus próprios apps.

O que você vai aprender: a se desafiar independentemente do contexto em que vive e a observar que pequenas ações podem gerar grandes negócios.

Elizabeth Gilbert

Você pensa que criatividade é um dom para poucos? No vídeo, Elizabeth Gilbert, autora do best-seller Comer, Rezar e Amar, discorre sobre as expectativas ao longo da carreira e explica que em vez de “sermos” gênios, todos nós deveríamos “ter” um gênio.

O que você vai aprender: a lidar com expectativas e se preparar para os altos e baixos da carreira empreendedora.

Joyce Fernandes

Joyce Fernandes, também conhecida como Preta Rara, participa de um TED sobre a criação da página no Facebook Eu Empregada Doméstica, que tem mais de 160 mil seguidores. Ela conta o que aprendeu com a experiência de trabalhar como empregada doméstica e apresenta um panorama crítico sobre o Brasil.

O que você vai aprender: a criar metas e estratégias para driblar adversidades e alcançar seus objetivos sendo quem você é.

Kenia Maria

Durante o vídeo, Kenia Maria questiona os padrões de pensamento que são impostos pelos comerciais e ações de marketing. Criadora do canal Tá Bom pra Você?, no Youtube, trata sobre questões raciais de forma criativa e inteligente. Na palestra, ela estimula a pensar novos formatos de contar histórias com base na vivência de cada um.

O que você vai aprender: a entender padrões e como estimular o pensamento criativo para quebrar raciocínios pré-estabelecidos.

Steven Johnson

Tomar uma xícara de café em um local específico representa muito mais do que você pode imaginar. Um lugar onde é possível encontrar pessoas de diferentes camadas sociais e distintos campos de conhecimento e ideias se encontram.

E quais são os lugares onde surgem as boas ideias? Neste TED, Steven Johnson fala de sua excursão pelas “redes líquidas” dos cafés de Londres e mostra como o compartilhamento ajuda a estimular a criatividade.

O que você vai aprender: a como incentivar boas ideias e compartilhar conhecimentos para conectar diferentes mentes.

Eddie Obeng

O professor de negócios Eddie Obeng mostra neste TED como a produção criativa enfrenta desafios em acompanhar as grandes mudanças e destaca três importantes transformações para melhorar a produtividade.

O que você vai aprender: a ver que as mudanças acontecem ao longo do tempo e de que forma é possível se adaptar a elas.

Simon Sinek

Neste TED de grande repercussão, o autor de livros e palestrante motivacional Simon Sinek fala de um modelo poderoso para que as lideranças sejam inspiradoras a partir do que ele chama de um “círculo dourado” e a pergunta “Por quê?”. No vídeo, ele dá exemplos que incluem a Apple, Martin Luther King e muito mais.

O que você vai aprender: que liderar projetos é trabalhar com inspiração para várias pessoas.

Gayle Tzemach Lemmon

A repórter Gayle Tzemach Lemmon fala sobre seu trabalho de escrever sobre mulheres empreendedoras que começaram seus negócios durante ou após conflitos de guerra em países como Bósnia e Afeganistão. No vídeo, ela mostra exemplos de mulheres administrando todos os tipos de empresas, de negócios na própria casa a grandes fábricas, e apresenta modelos de como empreender em contextos diversos.

O que você vai aprender: que em momentos de dificuldade e observando sua situação, é possível encontrar oportunidades para empreender.

junho 13th, 2019

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A imagem mostra o corte de cabelo de um rapaz de perfil

Nos últimos anos, a periferia tem ganhado cada vez mais destaque no país por todo o potencial que vem mostrando em diferentes campos, como na educação e na ciência. Outra área na qual essas comunidades têm se destacado é no setor de beleza, com profissionais que estão fazendo a diferença na estética das periferias com exemplos de inovação, empreendedorismo e contribuição para seus contextos sociais.

“Além do poder de compra que cresceu na periferia nos últimos 20 anos, começaram a surgir produtos para quem está lá. A indústria começou a se voltar ao público periférico”, explica Emílio Domingos, documentarista e antropólogo diretor do documentário “Deixa na régua”, que fala sobre como salões de barbeiro de favelas e subúrbios são alguns dos lugares onde a nova estética da periferia se expande.

Para ele, essa mudança de paradigma, na qual é a comunidade periférica quem cria a moda, tem relação com uma juventude que impôs suas demandas perante indústrias como a da beleza.  “Tem muito a ver com as pessoas da favela que demandaram à indústria que os inserissem no mercado e os compreendessem”. O fato de haver mais pessoas negras nos comerciais de beleza atualmente é um dos indícios dessa nova ordem, segundo o especialista.

Domingos afirma ainda que os barbeiros lançam tendências e se mantém conectados com o que há de mais novo no mercado de beleza. “Existe uma inovação constante e contínua, eles sempre procuram criar novos cortes e se atualizar. É um dos segredos para manterem um número enorme de clientes que frequentam os salões semanalmente”, diz.

A imagem mostra o corte de cabelo de um rapaz de perfil

Empreendedorismo é chavoso

“Os barbeiros também são exemplo de empreendedorismo na favela. Eles começam simples e vão se sofisticando, mostrando que o talento e a arte possibilitam a alguém se tornar uma referência”, reflete o antropólogo. “Eles são autônomos e criam um modelo de negócio a partir da observação de seu cotidiano. Muitas vezes, os garotos começam com um espelho, uma cadeira e uma navalha, e a partir disso criam a barbearia, crescem e se tornam referência”.

A trajetória do Vinicius “Bom de Corte” Rodrigues é um bom exemplo. Trabalhou como garçom, estoquista e chapeiro antes de virar o barbeiro que é referência em Guaianases, zona leste de São Paulo. Especialista em diversos cortes “chavosos” (estilosos e diferenciados), ele conta que sempre soube que tinha capacidade para mudar de vida.

O pai tinha um espaço vazio de 2m² e sugeriu que Rodrigues fizesse algum curso na área. “Era um momento em que ou eu escolhia isso ou faria uma escolha errada. Tinha 20 anos quando comecei”. Depois de começar o curso, ele pegou gosto pelo trabalho e passou a investir mais na ideia. “Comprei uma cadeira no ferro velho, por 50 reais. Comecei a cortar e seis meses depois já tinha uma clientela legal. Daí pra frente, só cresceu”, conta.

Um dos clientes fiéis do salão Bom de Corte é Willian Maciel, 27 anos, que trabalha com medição técnica. “Eu já corto com ele há uns quatro anos, conheci por causa de um colega da empresa onde eu trabalhava. Antes era tudo padrão, básico e sem diferencial. Falaram que tinha um cara que cortava diferente e esse camarada me indicou o Vinicius”. Depois de perceber que o trabalho era mesmo diferenciado e que havia um dom ali, Maciel não teve dúvida: “falei ‘é ele mesmo. Vou seguir [cortando] só com ele’”.

Segundo o cliente fiel, as atitudes do profissional fazem diferença porque ele se preocupa em ajudar a periferia. “Ele ajuda crianças, adolescentes e tudo isso foi fazendo com que ele ganhasse meu respeito. Imagina se todo lugar tivesse uma pessoa que pensa no próximo como ele pensa? O mundo seria diferente. É um cara que te incentiva bastante. Ele começou lá de baixo e chegou aonde chegou, e você olha isso e pensa ‘se ele conseguiu, eu consigo também’”.

“Não é só cortar cabelo”

Vinicius Rodrigues conta que percebeu, com o tempo, que o seu trabalho ia muito além da estética. “Não é só cortar cabelo. Com o trabalho de corte, tem muita coisa relacionada. Servir de exemplo e mostrar que tem outro caminho que dá pra seguir é importante”.

Para ele, também é fundamental trazer referências de fora da quebrada e se ligar nas tendências. “A ideia é trazer para a periferia a qualidade e o conforto da classe alta. Conforme faço eventos e frequento vários espaços, trago novidades que talvez a molecada não conheça”.

Outro ponto importante tem relação com a autoestima dos jovens chavosos. “Tem moleque que chega lá que parece estar na depressão! Depois que você troca um papo, corta o cabelo, tira umas fotos e mostra pra ele ver que tá ficando bom mesmo, ele fica em outro nível. Se ele tá com algum pensamento negativo, depois do corte ele muda”, revela Rodrigues.

O barbeiro conta que cortes como os que ele faz têm sido cada vez mais procurados. “O Brasil virou referência por cortes que vieram do extremo da periferia, quebrando muitos preconceitos. Três anos atrás, se eu fizesse um risco na cabeça de um cliente, ele era abordado pela polícia. Hoje não, já virou moda e fez parte até de desfile na SPFW. Quebramos mais uma barreira”, conclui.

maio 31st, 2019

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Duas mulheres estão sentadas lado a lado. Uma delas usa trança afro e a outra cabelos curtos e óculos. Elas estão vendo uma tela de computador e pesquisando como formalizar um negócio.

Quando se é responsável por um empreendimento, um dos grandes passos na jornada empreendedora é formalizar um negócio, abrindo caminhos para uma melhor estruturação e novas possibilidades de crescimento.

Além de facilitar a captação de novos clientes e mercados, que podem se sentir mais seguros com as notas fiscais emitidas, a identidade formal facilita o acesso a crédito e empréstimos, a contratação de funcionários registrados e a garantia de direitos trabalhistas.

Apesar de representar parte significativa na estrutura de um projeto em longo prazo, seja um negócio social ou não, a formalização também exige um compromisso com regras específicas quanto à tributação, custos e regulamentação que nem todo empreendedor se sente preparado para incorporar.

“A formalização traz regras e deveres, mas também muitos direitos”, afirma Khin Borges, assessora de empreendimentos da Aliança Empreendedora. “É importante lembrar que seguir os procedimentos para formalização significa também fortalecer o negócio”, pondera.

Com a ajuda da Aliança Empreendedora, separamos algumas dicas que podem ajuda você a identificar o momento ideal de formalização e tirar dúvidas sobre os procedimentos necessários. Confira a seguir!

Hora certa tem a ver com comprometimento

Cada negócio tem o próprio ritmo de desenvolvimento e depende muito dos planejamentos financeiro e estratégico elaborados. Conheça e mapeie todas as informações possíveis sobre o serviço ou produto que deseja lançar no mercado e tenha em mente que a hora certa para a formalização não é a mesma para todos.

“Tomar esse passo significa investir no crescimento do negócio, ter dedicação especial para controlar as finanças, divulgar o produto, melhorar o atendimento ao cliente. Ter um CNPJ não é suficiente para o sucesso do negócio. É preciso dedicação”, afirma Khin, acrescentando que objetivos do negócio precisam estar consolidados nesta etapa.

Antes de formalizar, teste o seu negócio

Utilize sua rede para testar o produto: amigos, familiares, colegas de estudo e trabalho. Receber feedbacks e ir modelando o serviço/produto até chegar ao ponto que se deseja poderá fortalecer seu negócio.

Busque ajuda de outros profissionais mais experientes e empreendedores que passaram pelo mesma jornada que você. Isso diminuirá o medo de avançar.

Esta fase é fundamental, pois é por meio dela que você consegue provar que o seu negócio tem uma real entrega de valor. É o momento de testar protótipos, de testar possibilidade e cenários para lapidar ao máximo o serviço ou produto com que se deseja trabalhar.

De forma resumida, é preciso definir as hipóteses a serem testadas, a forma de testar cada uma, escolher as métricas que serão usadas e a forma de avaliar cada resultado. A metologia do Pense Grande propõe quatro atividades para você usar de guia.

Momento de definição

Caso queira partir para uma formalização, mas ainda esteja incerto quanto ao estágio do negócio, há algumas formas de se preparar para esse caminho.

Segundo a Aliança Empreendedora, existem três questionamentos fundamentais para alcançar os objetivos propostos: Quem sou? O que sei? Quem conheço?

A partir de tais reflexões, é mais fácil definir quais competências você já possui e quais ainda precisa desenvolver. Também é importante conhecer a rede de pessoas e organizações que tem a sua volta e saber com quem pode contar. O espisódio “Como começar hoje mesmo a empreender”, do Pense Grande Podcast, traz a experiência de empreendedores como Bia Santos, do Barkus, e Dan, da Infopreta, sobre o tema.

Tipos de Formalização

Escolha o tipo de formalização mais adequado aos seus objetivos. Muitas pessoas iniciam como MEI porque o custo é mais baixo e o processo mais simples. Mas assegure-se que esse é o tipo de formalização ideal para o negócio.

Para decidir, deve-se levar em conta a definição do tipo societário (será apenas um empreendedor ou terão mais sócios(as), tamanho da empresa (quantidade de funcionários e faturamento), regime tributário e distribuição de dividendos (os lucros serão distribuídos para os sócios ou reinvestidos na iniciativa).

Conheça cinco dos tipos mais comuns:

    • Microempreendedor Individual (MEI) – Esse formato é ideal para empreendedores que trabalham por conta própria, sem participação de sócios. Para ser MEI, o negócio tem que faturar no máximo 81 mil reais por ano e o titular não pode ter participação como sócio em outra empresa. É permitida a contratação de um funcionário, com pagamento a partir de um salário mínimo. O processo pode ser feito pela internet, no Portal do Empreendedor, e é necessário um registro para obter o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Depois disso, é preciso se encaminhar à Prefeitura do Município e retirar o alvará de funcionamento.
  • Microempresa – Uma microempresa pode ter até 19 funcionários e o faturamento deve girar em torno de 360 mil reais.
  • Empresa de pequeno porte (EPP) – Aceita até 99 funcionários, com receita anual entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões de reais. Assim como no MEI, a tributação é feita através do Simples Nacional e concede isenções de alguns tipos de impostos, com a necessidade de taxas mensais a depender do tipo de negócio.
  • Associação – Para abrir uma associação é necessário, no mínimo, duas pessoas e atender os objetivos dos associados. Os funcionários devem ser remunerados, mas os lucros não podem ser divididos entre as pessoas, sejam elas associadas, dirigentes ou funcionários.
  • Cooperativas – As cooperativas, no entanto, precisam de pelo menos sete pessoas para funcionar, são democráticas e controladas por seus cooperados, que tem direitos iguais na tomada de decisões. Todos os sócios contribuem no capital social, ou seja, no valor estabelecido para a abertura da empresa.

maio 27th, 2019

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A imagem mostra o empreendedor social Edson Leite encostado em uma parede de concreto em uma rua de seu bairro na periferia Jardim São Luís

Foi meio por acaso que o paulistano Edson Leite, de 35 anos, entrou para o ramo da gastronomia. Saído da periferia Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo, passou sete anos em Portugal, onde trabalhou como vendedor de listas telefônicas, garçom e lavador de pratos. Quando a vida lhe deu um desafio, ele rapidamente transformou em oportunidade.

Certo dia, a chef de cozinha do restaurante onde trabalhava como garçom faltou e Edson, na cara e na coragem, assumiu as panelas, não sem antes ligar para um amigo cozinheiro e pedir instruções para preparar os pratos.  A ousadia deu tão certo que ele mergulhou fundo na experiência e passou a chefiar cozinhas de hotéis, navios e até hospitais.

De volta ao Brasil, estava decidido a usar a gastronomia como motor de transformação social. No bairro onde cresceu, fundou a Gastronomia Periférica, uma escola totalmente gratuita, com foco na sustentabilidade e o objetivo de formar profissionais de cozinha que possam transformar a sua realidade e a da periferia onde vivem.

Fundada em 2012, começou como oficinas de gastronomia até se tornar escola, em 2017. Desde então, já foram mais de 40 alunos formados no curso de gastronomia e nas aulas de chocolataria e panificação. Em 2019, serão mais três turmas nas aulas de gastronomia e nos cursos de panificação.

Edson também lançou o livro Por que criei a Gastronomia Periférica (Editora Inova, 2018), que traz sua história de luta e dicas de receitas sustentáveis. É também organizador do festival Sabor da Quebrada, que visa promover a economia local. Ao Pense Grande, Edson Leite listou as quatro principais lições que apreendeu durante sua caminhada como empreendedor social. Veja a seguir:


Empreender tem a ver com autonomia e liberdade

Nas quebradas, naturalmente já somos empreendedores. Mas nunca fomos chamados assim, nem nos reconheciam dessa forma. Nossa autoestima foi ferida durante muito tempo, quando nos vendiam a ideia de que só coisas ruins saiam de lá. Na verdade, somos nós que fazemos tudo ser bom: somos mão de obra de grandes empresas, restaurantes, etc. Ainda estamos começando a nos reconhecer, mas já temos uma melhor ideia do que somos e pregamos isso em todas as quebradas para que a gente se fortaleça. Eu vejo o empreendedorismo como um ato de coragem. Toda pessoa é sua própria empresa e ser sua própria empresa é ter autonomia. Eu penso que assumir o empreendedorismo é decidir ser livre.”

 
Inspiração é muito potente na quebrada

“É como jogar uma pedra no rio e ver as ondulações ao redor. Num universo de 280 mil pessoas que é o Jardim São Luís, fazer uma escola de gastronomia já é um negócio impactante. Vejo a molecada mudando a relação com o alimento, querendo empreender, trazendo a mãe, a família para assistir e participar. Esse é o resultado real. A gastronomia periférica passou a ser uma nova categoria de cozinha. Existe gastronomia italiana, chinesa, japonesa, portuguesa, né? E por qual motivo não pode existir a Gastronomia Periférica?”


Tecnologia é aliada

“Nós criamos o aplicativo da Gastronomia Periférica, com mais de 70 dicas gastronômicas no Jardim São Luís, incluindo temakeria, hambúrguer artesanal, carrocinha de churros, de milho e de cuscuz e até aquela senhora que vende coxinha de galinha no terminal de ônibus do bairro! Hoje ele é aberto a todos os estabelecimentos periféricos que quiserem fazer parte. A visibilidade que o app trás faz com que as pessoas passem a conhecer e consumir dos comércios da região. Faz girar a economia local, gerando renda, criando empregos e trazendo mais profissionalização para os comércios, além de promover a diversidade cultural e o desenvolvimento humano.”


A parte técnica é fundamental, mas conseguir atingir os objetivos é o que mais motiva

“Durante a nossa caminhada, aprendemos que um bom planejamento e prospectar gastos e custos são pontos fundamentais para o crescimento do negócio. A gente começa a ver a coisa andar e sente muito orgulho. Quando fomos acelerados pela Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP), fizemos estudos sobre o negócio e tivemos aulas com especialistas em impacto. Nesse momento, nós descobrimos que nosso negócio realmente causava impacto social e isso foi, sem dúvida, uma das maiores e melhores lições que aprendemos.”

maio 15th, 2019

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O que a reconstrução do Japão após a Segunda Guerra Mundial tem a ver com o seu projeto? Bom, após conhecer a ferramenta 5S, você poderá achar essa pergunta menos estranha.  Sabemos que organização é fundamental para viabilizar qualquer tipo de negócio e essa é a base da ferramenta administrativa 5S, que procura desenvolver um controle contínuo de processos para manter bons resultados. O papel do 5S é facilitar o aprendizado e transformar em rotina a prática dos conceitos.

A ferramenta é baseada em 5 Sensos: de Utilização, de Limpeza, de Ordenação, de Saúde e de Autodisciplina. Cada um proporciona desafios diferentes e devem ser associados aos cuidados como ambiente, equipamentos, materiais, métodos, medidas, e, especialmente, pessoas.

A imagem mostra uma tabela traduzindo do japonês para o português o significado dos 5 S: Utilização, Limpeza, Ordenação, Saúde e Autodisciplina.

O método se consolidou em empresas do Japão no contexto de reconstrução do país depois da Segunda Guerra Mundial e foi difundido sob orientação de especialistas americanos para o controle da qualidade. O que os americanos faziam bem foi aperfeiçoado pelos asiáticos, sendo a base de preparo para o que é conhecido como Total Quality Control (pela sigla TQC e, em português, Controle da Qualidade Total) ou Qualidade no Estilo Japonês. Empresas como a Toyota se notabilizaram por esse método pelo mundo.

“O 5S nos orienta para bom proveito e convívio com as novidades: observar, avaliar e tomar decisões adequadas para nosso crescimento e formação como pessoa, cidadão e profissional. Isso se faz no dia a dia, com uma rotina. Seja na vida pessoal, na família, ou em empresas, escolas, comunidades e serviço público”, aponta o especialista Wagner Matias de Andrade, da empresa Soluções Criativas em Comunicação.

De forma geral, a ideia é conscientizar sobre a importância da qualidade no ambiente de trabalho e na gestão de empreendimentos em aspectos como comprometimento ou manter um espaço limpo e organizado, gerando bem-estar e favorecendo uma alta produtividade.

“Com o Senso de Utilização, prestamos atenção às oportunidades, nos recursos disponíveis e selecionando o que é útil. O Senso de Ordenação facilita o acesso e o uso. Com o Senso de Limpeza, dá-se acabamento saudável a cada atividade. Com o Senso de Saúde, as pessoas avaliam os impactos, padronizando as boas práticas. As pessoas precisam assumir o compromisso com esses padrões. Isso se faz com o Senso de Autodisciplina”, resume.

O que o 5S nos ensina?

No princípio, esse conjunto de sensos era focado na limpeza de áreas e em evitar desperdícios, dissipando os efeitos da guerra e de gestões inadequadas. Com o passar do tempo e novos desafios, inclusive com a evolução da tecnologia e da comunicação, o método também evoluiu.

Geralmente, as instituições recorrem ao método para resolver problemas acumulados durante rotinas inadequadas. No entanto, o grande benefício do 5S está no cuidado diário, evitando o acúmulo e crescimento de inconformidades e promovendo a melhoria contínua. Para entender melhor como funciona na prática, é importante conhecer mais a fundo cada um dos sensos:

Senso de utilização – é a melhora da produtividade. O que realmente é necessário? Fica no ambiente de trabalho o que é usado, assim o que sobra é guardado ou descartado. Também pode ser pensado em relação ao descarte de tarefas ineficientes, que apenas ocupam tempo.

Senso de ordenação – foca a melhora dos fluxos de trabalho. Em um ambiente organizado, seja ordenando uma caixa de ferramenta ou um arquivo de documentos, elimina-se movimentos desnecessários.

Senso de limpeza – como o nome indica, é a manutenção de um ambiente limpo. Pode se referir tanto a limpar um equipamento, quanto a melhorar um comportamento. Por exemplo, no final de uma reunião, fazer um resumo para consolidar o que foi combinado, evitando ruídos no entendimento. Do mesmo modo, o local onde se deu a atividades deve ficar limpo.

Senso de saúde – tem a ver com a avaliação e a padronização das práticas dos itens anteriores. Trabalhando-se para manter cada coisa em seu lugar, estamos favorecendo a saúde física, mental e do ambiente.

Senso de autodisciplina – envolve os quatro S anteriores, pois é por meio dele que é feita a manutenção do sistema. Basicamente pode ser explicado por seguir regras como ‘usou, guarde’, ‘sujou, limpe’. Proporciona a constância para manter as demais práticas em funcionamento.

“Considero o 5S como meio de atender desafios simples do tipo ver e agir: o que sabemos fazer, o que é preciso fazer. Geralmente, deixamos para depois, mas o 5S nos mobiliza”, afirma o consultor Wagner Matias.

A imagem mostra um desenho em forma de círculo explicando como os cinco sensos se relacionam na metodologia 5S

Os cinco Sensos do 5S se complementam como um sistema. Os três primeiros são mais práticos, relacionados ao jeito de agir. Os dois últimos são mais filosóficos, de avaliação dos impactos da prática dos três primeiros, padronização das boas práticas e compromisso com essas boas práticas.

Colocando em prática

Os projetos sociais podem se situar nas mais diversas áreas de atuação e terem desafios de diferentes naturezas a serem superados. Para colocar o 5S em prática, reunimos algumas dicas, com ajuda do consultor Wagner Matias:

1- Comece com uma aplicação simples e anote o que faz

Melhorias simples estimulam outras melhorias em um processo contínuo. A construção de uma nova maneira de pensar favorece o surgimento de inovação e mudanças mais complexas. Você pode começar organizando uma bolsa, depois ordenar uma gaveta, até chegar à organização de ideias na cabeça.

Comece fazendo duas melhorias por dia: uma na sua vida particular e outra na sua rotina de trabalho, para a sua empresa. Anote o que está fazendo para poder medir as diferenças no futuro!

2- Observe cada situação atentamente

A rápida evolução tecnológica nos leva a situações que têm menos a ver com o acúmulo de objetos nas fábricas, mas se relacionam ao excesso de oportunidades e desvio de foco. O uso de novas mídias e o excesso de informações podem nos lançar em um meio caótico.

Temos muitos recursos, mas não os usamos adequadamente. Pergunte constantemente por meio dos três primeiros sensos: para que isso serve? Por onde devo começar? O que levar desse encontro ou deste novo contato?

Tais questionamentos ajudam a dar mais leveza à tomada de decisões.

3- Mantenha uma rotina de cuidado.

O 5S não se aplica uma única vez, a ideia é usá-lo em todos os momentos para que a rotina flua com leveza e objetividade em melhoria contínua e para resolver desorganizações momentâneas. Se não houver mudança de hábito, a bagunça volta a se acumular!

Assim que uma boa decisão for tomada, é preciso pensar em como padronizar isso. Anotar o que foi feito e comparar resultados. Respeitar os momentos de observação é criar espaço para oportunidades e melhorias.

maio 10th, 2019

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Mulher loira de cabelos curtos está palestrando em um palco com a palavra TED escrita ao fundo.

Separar um tempo para buscar novas ideias é fundamental para quem empreende ou quer empreender. Por mais intensa que seja a rotina, a capacitação é fundamental para quem tem seu próprio negócio. Por isso, palestras TED Talks podem ser uma boa saída para quem quer estar sempre atualizado.

Os TED Talks são modelos de apresentação criados pela Sapling Foundation e consistem em vídeos curtos apresentados por pessoas de todo o mundo que são referência em torno de um tema. O principal desafio é o palestrante causar impacto em aproximadamente 18 minutos, buscando fazer a melhor apresentação de sua vida.

O objetivo do projeto é colocar em xeque ideias antigas e propor novos formatos de pensamento. Confira dez palestras com lições para quem está empreendendo ou aos que pretendem dar os primeiros passos!

Seth Godin

O empreendedor e especialista em marketing digital Seth Godin aponta caminhos para o sucesso e conta por que algumas ações dão certo e outras, não. Uma dica importante é que dificilmente um negócio vira realidade se a ideia não for espalhada da maneira correta. Autor de obras como Permission Marketing e All Marketers Are Liars, também é fundador do Squidoo.com, site em que os usuários compartilham links e informações sobre assuntos de sua preferência.

O que você vai aprender: como encontrar a identidade do seu produto é fundamental para garantir que as pessoas se identifiquem e consumam.

Amy Cuddy

Em momentos como negociações e contratações, enviar a mensagem correta por meio da linguagem corporal é essencial para empreendedores. A linguagem corporal afeta a maneira como os outros nos veem, mas também pode mudar a maneira como nos vemos. Neste vídeo, a psicóloga social Amy Cuddy mostra como uma postura confiante pode ter um impacto nas nossas chances de sucesso.

O que você vai aprender: a observar comportamentos não-verbais e perceber como estão totalmente ligados à nossa comunicação. Por exemplo, na hora de um pitch.

 

Elon Musk

Elon Musk, fundador do PayPal, da Tesla Motors e SpaceX, é uma das principais referências de inovação do planeta. Neste TED Talk, o empreendedor conta como são os processos disruptivos de suas empresas, a importância de ter energia sustentável no futuro e as inspirações para buscar sempre o novo em um cenário desafiador.

O que você vai aprender: a não se inibir em inovar mesmo que o cenário seja de grande concorrência e o objetivo pareça inatingível.

Julian Treasure

Já sentiu como se ninguém ouvisse o que você diz? Julian Treasure é especialista em sons e dá dicas para se criar uma fala poderosa para finalmente se sentir ouvido. Ele mostra desde exercícios vocais até dicas de como gerar empatia, explicando como alguns hábitos podem prejudicar a forma como falamos.

O que você vai aprender: dicas para mandar bem na hora de falar em público ou em um momento de negociação.

Katie Bouman

Para fotografar um buraco negro, precisaríamos de um telescópio do tamanho de um planeta, certo? Errado! A jovem Katie Bouman participou de um feito inédito ao liderar uma equipe que fotografou pela primeira vez na história a imagem de um buraco negro no espaço.

Quando participou deste TED, Katie ainda estava realizando os estudos que envolvem os algoritmos complexos capazes de chegar à imagem. No vídeo, conta os desafios de lidar com as novas descobertas e como registrar cada atividade pode fazer a diferença para medir os resultados rumo a um objetivo.

O que você vai aprender: o conhecimento por meio de livros e teorias ajuda a criar formas de inovar e fazer a diferença em um contexto.

Ernesto Sirolli

Nesta palestra, o especialista em desenvolvimento sustentável Ernesto Sirolli afirma que o primeiro passo para ajudar as pessoas é ouvindo-as e instigando-as. Ele propõe explorar e criar seu próprio espírito empreendedor.

O que você vai aprender: a pensar no público que você pretende impactar com o seu negócio e que nem sempre a sua ideia é a melhor.

Derek Sivers

Diferentemente da maioria dos vídeos do TED, Derek Sivers resumiu em cerca de três minutos a ideia de que compartilhar metas deve ser um exercício cuidadoso. Segundo o especialista, logo que traçamos um novo plano, nosso primeiro instinto é contar a alguém, mas pesquisas realizadas desde a década de 1920 mostram que falar sobre suas ambições reduz as chances de realizá-las.

O que você vai aprender: que os objetivos e metas do seu negócio devem ser pessoais e intransferíveis.

Bill Gross

Bill Gross fundou muitas startups e incubou muitas outras. Ao longo de sua trajetória, ficou curioso sobre o motivo pelo qual algumas tiveram sucesso e outras falharam. Sendo assim, ele reuniu dados de centenas de empresas, suas e de outras pessoas, e classificou cada empresa em cinco fatores-chave – e entre eles, o fator que se destaca dos outros.

O que você vai aprender: que a execução de tarefas é muito importante para o sucesso do seu negócio, mas é preciso estar atento ao momento.

Drew Curtis

O criador da empresa fark.com, Drew Curtis, fala neste TED sobre como um problema grande em sua trajetória empresarial se tornou um novo projeto. Ele lutou contra uma ação judicial de uma empresa que tinha sua patente e criou um negócio de distribuição de notícias via e-mail. No vídeo, ele compartilha algumas estatísticas sobre o crescente problema das patentes sem fundamento legal.

O que você vai aprender: a saber negociar com as pessoas ideais e entender as regras do mercado para criar o seu negócio.

Cameron Herold

Durante a palestra, Cameron Herold conta que foi criado para ser um empreendedor e que muitos pais deveriam ter esse mesmo pensamento com os filhos. O palestrante fala como simples atitudes podem ser colocadas em práticas para aqueles que querem incentivar o empreendedorismo desde cedo nas crianças.

O que você vai aprender: saber como estimular a atitude empreendedora e trabalhar para que esse pensamento seja disseminado.

abril 30th, 2019

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“Grandes produtoras costumam chegar nas periferias, procurar alguém influente do local para servir de “guia”, captar as imagens que acreditam refletir aquele espaço (casas precárias, pessoas carentes) e ir embora para nunca mais voltar”. Essa é a percepção de Renata Santos, a empreendedora que nasceu e mora em Paraisópolis (São Paulo), ao ver que a sua comunidade tinha muito mais a oferecer.

As periferias são mais do que o preconceito pode sugerir, explica a empreendedora. “Gosto de mostrar o lado bom. A minha comunidade é um cenário maravilhoso para várias produções, não só para aquela coisa taxada de ‘ah, é favela, vamos produzir só coisas relacionadas à favela’. Não, vamos produzir grandes comerciais, com cenários bonitos. O cenário de quem é de comunidade muda constantemente. É deslumbrante”, afirma a profissional de 39 anos.

Quando acompanhou uma equipe de filmagem do governo federal na comunidade, Renata identificou que seria importante ter o apoio de uma equipe local para participar de gravações como aquela, até pela proximidade com os moradores. Além disso, segundo Renata, seria a chance de gerar renda e desenvolvimento para a comunidade, revelando os talentos da favela. Assim surgiu a Quebrada Produções.

“Quando você tem uma produtora dentro da periferia, composta por pessoas dela, você faz a economia girar. Você não vai apenas “locar” uma rua ou laje. É assim que se descobrem grandes produtores, câmeras, roteiristas, diretores, fotógrafos”, conta Renata.

A imagem mostra a comunidade de Paraisópolis

A empreendedora revela também quais são os seus desafios e o seu principal objetivo com a empresa: gerar oportunidades para que as pessoas possam trilhar seus próprios caminhos. Confira a seguir!

Como surgiu a ideia da Quebrada Produções?

Renata Santos – A ideia surgiu a partir do primeiro trabalho que fiz, em 2010. Acompanhei um pessoal para locações de um comercial de urbanização, pois precisavam de alguém que conhecesse bem Paraisópolis. Foi um primeiro job grande dentro da comunidade e não havia uma equipe que ajudasse. A partir daí, surgiu a ideia da produtora. Em 2012, outro grande job mostrou que realmente era preciso ter uma equipe fixa para esse trabalho em Paraisópolis.

Como foi o começo e como a produtora está hoje?

Renata Santos – No começo era uma produtora de uma pessoa. Em 2018, oficializei a Quebrada Produções, e o espaço físico surgiu a partir do projeto Biografias Colaborativas. Recebi recursos por meio do projeto e estou melhorando o espaço para adequá-lo de um jeito que fique confortável aos clientes e continue sendo o espaço da Renata, para que as pessoas da comunidade não se sintam acanhadas de entrar.

É algo que prezo muito. Não imagino nem quero a produtora fora de Paraisópolis, quero que ela permaneça lá, pois foi onde começou. Quero que quem venha aqui se sinta bem para quebrar o preconceito sobre entrar em comunidade (ou só entrar para fazer uma gravação e ir embora). E também para quem é da comunidade se sentir em casa e não pensar que a produtora virou algo que não está ao alcance. É um espaço aberto no qual qualquer pessoa pode entrar e se sentir à vontade.

“Não imagino nem quero a produtora fora de Paraisópolis, quero que ela permaneça lá, pois foi onde começou”, afirma Renata.

Quais os desafios da Quebrada Produções?

Renata Santos – Todas as produtoras têm que ser 100%, mas eu tenho que ser 101%. Essa é a minha maior dificuldade, ter que me impor. Temos que executar não um bom trabalho, mas fazer um ótimo trabalho que, independentemente de sermos de comunidade, na segunda maior favela de São Paulo, seja tão bom quanto uma produtora de nome que esteja no mercado. Lógico que com as minhas limitações, como qualquer negócio que ainda está iniciando.

E por que é bom trabalhar nela?

Renata Santos – Posso dizer que não descobri a produção, mas a produção que me descobriu. Não imaginava fazer isso, mas fui fazendo, apareceu um job atrás do outro, fui gostando e me descobrindo. Gosto muito de estar envolvida e falo que nasci para ficar na coxia, fazendo as coisas acontecerem e as pessoas serem descobertas. Gosto de envolver toda a comunidade em todos os processos e mostrar o outro lado do local e das pessoas daqui.

O lado ruim a mídia já mostra, então gosto de mostrar o lado bom. A minha comunidade é um cenário maravilhoso para várias produções, não só para aquela coisa de “ah, é favela, vamos produzir só coisas relacionadas à favela”. Não! Vamos produzir grandes comerciais, com cenários bonitos. O cenário de quem é de comunidade muda constantemente, e isso é o mais legal de tudo. É deslumbrante!

Você é uma empreendedora jovem e periférica que viu uma boa oportunidade para resolver um problema do lugar onde mora, combatendo questões como o estigma, o uso da periferia de forma limitada e fazendo o dinheiro girar dentro da comunidade. Qual seu sentimento em relação a isso?

Renata Santos – Tem momentos em que ainda fico bem frustrada, acho que daria para fazer mais coisas. Entre uma produção e outra fico realizada, mas ainda estou em uma mistura de sentimentos. Quero abranger muito mais para que não se tenha trabalho apenas quando houver uma produção ou só conseguir produzir dentro de Paraisópolis.

O meu objetivo é lapidar as pessoas daqui para que trilhem caminhos, e também migrar para outras periferias de São Paulo. Em alguns aspectos, me sinto realizada, em outros acho que estou no caminho certo e em outros ainda tenho frustrações. Estou trilhando. Sei que ainda tenho muito para fazer e trazer para cá.

“O meu objetivo é lapidar as pessoas daqui para que trilhem caminhos”

O que outras pessoas, principalmente mulheres, negras e periféricas, podem fazer para atender às necessidades de seus locais por meio do empreendedorismo?

Renata Santos – É abrir a porta de casa, olhar em volta e pensar “o que eu posso fazer? O que dá para mudar e quais os meus recursos para isso?”. E é importante não parar diante das negativas, caras feias e vozes agressivas. Se você for empreender, vai encontrar muito disso e mesmo assim deve se levantar.

A partir das demandas que você vê no seu quintal dá para ver o que é possível mudar. Não é do dia para a noite, pode ser frustrante e desgastante. Acho até que, por ser mulher, cobram mais, para ver se ela desiste mais rápido. Mas mulher não desiste. Eu não me dou ao luxo de desistir, em nenhum aspecto.

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março 26th, 2019

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