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À frente do primeiro clube de assinatura de moda e acessórios afro do Brasil, o casal Bruno e Débora encontrou uma forma de apoiar o afroempreendedorismo entregando produtos de moda, beleza e cultura na casa dos clientes.

Unir uma causa a um negócio próprio. Isso que o administrador e jornalista Bruno Brigida, 29, junto com a sua companheira, a museóloga Débora Luz, 29, fizeram ao criar o Clube da Preta: o primeiro clube de assinatura de moda e acessórios afro do Brasil.

O esquema é simples: o cliente preenche no portal um perfil de estilo e a equipe do Clube da Preta entrega uma vez por mês na casa do usuário os produtos dentro de uma caixa, com preços acessíveis. São produtos de moda, beleza e acessórios, que vão de camisetas, turbantes, vestidos, pulseiras, colares, cervejas, cremes e xampus para cabelo crespo e cacheado, até livros de autores negros. Todos os produtos são produzidos por empreendedores negros.

 

Como surgiu a ideia

Frequentadores da Feira Preta, evento anual que ocorre desde 2002 em São Paulo e reúne cerca de 120 expositores negros, Bruno e Débora estavam em busca de algo para ajudar pequenos produtores. Enquanto consumiam seus itens, pensavam em algo além disso.

Um dia, Bruno recebeu uma encomenda: uma caixa de cerveja enviada por um clube de assinatura. Foi aí que teve o estalo que precisava para dar o primeiro passo rumo ao empreendedorismo. Em vez da cerveja, pensou em colocar roupas e acessórios produzidos por empreendedores negros e vender isso tudo por assinatura. Em 2018, o Clube da Preta vendeu mais de 10 mil caixas, reuniu 400 clientes recorrentes e já fez parceria com mais de 150 fornecedores.

Além da personalização das caixas, outro motivo para a fidelização dos clientes seria o lado social e de afirmação da cultura negra. De acordo com Bruno, o público é ligado em causas sociais e está preocupado em prezar pelos pequenos produtores. Apesar de o negócio ser feito por afroempreendedores, não é consumido apenas por afrodescendentes. Atualmente, a base de clientes da empresa conta com 80% de pessoas negras e 20% brancas.

 

Imagem mostra caixa com o logotipo do Clube da Preta rodeada de exemplos de produtos: uma camiseta dobrada com a frase “respect my hair”; o livro Sobreviventes, de Cidinha da Silva; um chinelo e uma necessaire com estampas em estilo africano.

 

Batemos um papo com Bruno Brigida que contou os desafios e aprendizados durante a caminhada como empreendedor social. Veja a seguir:

 

Mostre o valor do seu projeto

“Desafios a gente sempre vai ter, independentemente da situação. Seja você um empreendedor com poder aquisitivo ou não. Empreender com cunho social é mais complicado, pois você terá que mostrar o valor do impacto antes de mostrar a qualidade do produto. É uma luta constante. O financiamento também é bem restrito, difícil de conseguir por meios mais tradicionais e que acaba impactando diretamente em um momento de crescimento”.

“Entendemos que o trabalho de empreendedorismo social surge pela importância de se trabalhar em sociedade, principalmente quando você está nas quebradas. Tudo que acontece lá, envolve as pessoas de lá. Então estamos movimentando e fomentando essa galera.”

 

Experiências geram aprendizados

“As experiências anteriores foram muito pautadas no modelo do mundo corporativo, mas trouxeram muita informação de gestão para dentro do meu próprio negócio. E sem uma gestão redonda, o seu negócio morre em um curto tempo. Depois que surgiu o Clube da Preta, nós também passamos a observar o empreendedorismo social como uma fonte positiva de mudança na sociedade, que trata todos como iguais e que ajuda no desenvolvimento de pessoas a curto e médio prazo, em um país em que a maior parte da população brasileira vive uma situação de desigualdade econômica e social”.

 

Melhorias são necessárias ao longo do caminho

“Faria muita coisa diferente. Às vezes dá vontade de parar e começar do zero. Mais aí usamos a experiência e dedicação para tocar as situações. Tem coisas mais burocráticas e internas que sempre vão precisar de mudanças, mas entendemos que o negócio tinha dado certo quando tivemos um pequeno boom de vendas e ele se sustentou por aproximadamente uns cinco meses. Fechamos 2018 com apenas 12 assinantes e, em janeiro, demos um salto para 50. Olhamos para essa informação e pensamos: vamos entender o que está acontecendo. E em abril, tínhamos o dobro de janeiro. Assim, vimos que estávamos no caminho certo”.

 

Pesquise e estude modelo de negócio

“A Feira Preta ajudou a tirar a ideia do papel no sentido de identificarmos uma demanda que as pessoas já tinham: a necessidade de mais meios de venda para o afroempreendedorismo, de mais ações pautando essa galera que faz artes para vender. Conhecer o modelo que você vai trabalhar é fundamental. Isso ajudará em um crescimento desde o início, sem passar tantos perrengues. Então, antes de se lançar no mercado, estude e busque capacitação das mais diversas áreas, isso é primordial em um negócio”.

 

Não desista diante das adversidades

“Nunca conheci um empreendedor que não tivesse pensado em desistir. Isso faz parte de uma rotina. Empreendedor sempre está pensando em escalar, crescer, ir além, mas às vezes a gente se depara com algumas barreiras que acabam desanimando, como ouvir comentários preconceituosos ou fechar o mês abaixo do que havíamos previsto, por exemplo. Mas é preciso seguir, sempre!”

A trajetória de Bruno Brigida e Débora Luz mostra que passar por cima de adversidades e receber apoio são aspectos fundamentais para levar adiante um negócio de impacto do social. Por isso dicas sobre a hora certa de formalizar um negócio e iniciativas como o Pense Grande Incubação podem ser valiosas. Além disso, é importante conhecer os obstáculos superados por outros empreendedores, como contam Iana Chan, do PrograMaria, Fabiano Lopes, do Inspirando Gigantes, e Emanuelly Oliveira, do Social Brasilis no podcast Empreender? Não tá fácil pra ninguém.

 

Confira mais dicas na entrevista com o empreendedor Edson Leite, criador do Gastronomia Periférica, que aposta na profissionalização dos moradores da periferia para gerar impacto e transformação social.

julho 11th, 2019

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Imagem mostra um jovem de barba encostado em uma parede de tijolos mexendo no celular

Separamos os influenciadores e perfis de iniciativas que vão te inspirar a criar seu próprio negócio e dar dicas incríveis para você empreender!

O Instagram é uma ferramenta importante para quem pretende empreender. A rede social tem atingido pontos positivos entre usuários que decidem abrir seu próprio negócio, especialmente no Brasil. Por aqui, 50 milhões de pessoas usam a rede social diariamente, colocando o país na segunda posição de usuários no ranking mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Segundo o próprio Instagram, em 2017 havia 700 milhões de usuários e em 2018 esse número saltou para 1 bilhão. Entre perfis comerciais, são quase 20 milhões e 2,5 milhões de anunciantes em todo mundo. De acordo, com dados do Instagram, 85% dos usuários seguem um perfil comercial.

Pesquisa recente do Sebrae mostrou que, em média, o Instagram acumula 1,5 bilhões de curtidas por dia: 15 vezes mais interativo do que o Facebook. Outro dado que chama atenção é o fato dos usuários passarem 4 horas por mês na plataforma, que recebe mais de 60 milhões de fotos por dia.

Uma funcionalidade importante para quem empreende é que, a cada 15 dias, a rede social lança algum efeito ou função diferenciada, como novos elementos, filtros temáticos e adesivos. Para quem possui um negócio próprio, é uma ótima oportunidade de interagir com o público..

Você está usando o Instagram a favor do seu negócio? Selecionamos 10 perfis que você pode seguir na rede social para se inspirar. Confira!

 

Fábrica de Mentes | @fabricadementes

Imagem do perfil Fábrica de Mentes no Instagram

O perfil conta com mais de 900 mil seguidores e dialoga com jovens entre 25 e 34 anos que estão buscando criar seus empreendimentos com objetivo de mudar suas realidades e o mundo. O foco do conteúdo da página são mensagens reflexivas. O fundador Felipe Moller, empreendedor com mais de 30 mil seguidores, é também criador de vídeos e divulga um conteúdo novo toda segunda-feira para a plataforma. Além disso, Felipe promove lives, responde dúvidas dos seguidores via story e promove podcasts sobre empreendedorismo com objetivo de motivar e ajudar pessoas.

 

 

Rede Mulher Empreendedora | @rede_mulher_empreendedora

Imagem do perfil Rede Mulher Empreendedora no Instagram

Idealizada em 2010, a Rede Mulher Empreendedora, surgiu quando a idealizadora Ana Lúcia Fontes, com 15 mil seguidores, teve a ideia de criar um blog sobre os medos, as dúvidas e as dificuldades do empreendedorismo feminino. Hoje, o projeto se tornou a maior plataforma de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil e tem como propósito empoderar empreendedoras economicamente, garantindo independência financeira e de decisão sobre seus negócios e suas vidas. No Instagram, o perfil mostra projetos especiais, ideias para buscar recursos, capacitação, conteúdos especiais para quem empreende, eventos relevantes. Além disso, promove lives e utiliza os stories para mostrar eventos ao redor do país.

 

Preta e Acadêmica | @pretaeacademica

Imagem do perfil Preta e Acadêmica no Instagram

Com mais de 60 mil seguidores, o coletivo aborda temas relacionadas à academia, pesquisa científica, políticas públicas educacionais e suas interfaces com mulheres negras desses espaços. Nos posts do Instagram o foco é dar visibilidade aos inúmeros casos de racismo nas instituições de ensino e propor uma forma de combate e resistência às opressões nos mais diferentes espaços sociais. As criadoras participam de palestras e dão cursos de formação em diferentes setores, buscando fomentar a discussão sobre racismo e as desigualdades que atingem a população negra no Brasil. São divulgadas diversas produções de mulheres negras no país e em outros lugares do mundo como forma de inspiração para os seguidores.

 

Mulheres Artistas | @mlhrsartistas

Imagem do perfil Mulheres Artistas no InstagramA ilustradora Mariana Corteze criou o perfil para dar visibilidade à produção artística de mulheres de todo o mundo, com foco para artistas brasileiras. O perfil apresenta diversas mulheres que vivem das próprias artes e que podem inspirar em diversos aspectos, como na organização das redes sociais e nas formas de lucrar com as obras feitas e apresentadas. Nas legendas, é sempre possível encontrar o nome e o @ de cada artista.

 

 

 

Gerando Falcões | @gerandofalcoes

Imagem do perfil Gerando Falcões no Instagram

O perfil é criado pelo empreendedor Eduardo Lyra, nascido na periferia de São Paulo, que resolveu se dedicar a melhorar a vida de crianças que passam pelas mesmas dificuldades que ele enfrentou na infância. A página soma mais de 70 mil seguidores e utiliza muitos vídeos para contar histórias de pessoas que estão fazendo a diferença por meio do empreendedorismo social. Cerca de 30 mil estudantes têm sido impactados pelas ações do projeto. Ele tem como meta central promover o protagonismo dos jovens e fortalecê-los enquanto motores da transformação da sociedade. Eduardo soma mais de 50 mil seguidores e usa seu Instagram para mostrar as atividades do Gerando Falcões.

 

Branding Lab | @branding.lab

Imagem do perfil Branding Lab no InstagramCriado pela gerente de marketing e blogueira Ellen Medeiros, acumula mais de 37 mil seguidores e tem como pilares dos conteúdos a criatividade, o propósito e o branding: um conjunto de ações alinhadas ao posicionamento, propósito e valores da marca. A autora do perfil dá dicas práticas de como posicionar uma marca no mercado e também de filmes, séries e outras artes que podem impulsionar o lado empreendedor. Ellen também utiliza os stories e lives para responder perguntas dos seguidores.

 

 

Mente Empreendora | @menteempreendedora

Imagem do perfil Mente Empreendedora no Instagram

Fundado por John Pinheiro, o perfil já conta com mais de 1 milhão de seguidores. As dicas para os empreendedores são úteis para quem busca inspiração e motivação diária para administrar seu próprio negócio. Para isso, o perfil utiliza frases impactantes, promove lives (vídeos ao vivo) com empreendedores que já estão com seus negócios consolidados, além de dicas de leituras e conselhos para quem pretende dar os primeiros passos com o próprio negócio.

 

 

Desabafo Social | @desabafosocial

Imagem do perfil Desabafo Social no Instagram

O projeto mapeia assuntos sobre sociedades, culturas e oferece dicas de livros, séries, eventos e bate-papos com convidados. Para abordar diferentes narrativas, o perfil dispõe de entrevistas com empreendedores e líderes, traçando o perfil de iniciativas que realmente estão gerando impacto social nos dias de hoje e com reflexo no futuro. Uma das idealizadoras e sócias do projeto, a empreendedora Monique Evelle, que tem mais de 30 mil seguidores, fala sobre diferentes negócios da comunicação, educação e empreendedorismo sustentável.

 

 

Feira Preta | @feirapretaoficial

Imagem do perfil Feira Preta no Instagram

O projeto é um conjunto de iniciativas colaborativas que reforçam a identidade afro-brasileira e estimulam o empreendedorismo étnico na economia nacional. O evento nasceu em 2002 como uma feira de produtos de empreendedores negros. Hoje, é um festival que apresenta conteúdos, produtos e serviços que representam o que há de mais inovador na criatividade negra em diferentes segmentos. No Instagram, o perfil mostra casos de empreendedores, traz oportunidades para quem está começando um negócio e fala sobre projetos de empreendedorismo e ações realizadas por empreendedores negros.

 

 

Empreendoteca | @empreendoteca

Imagem do perfil Empreendoteca no Instagram

O perfil conta com 160 mil seguidores e faz uma apanhado de dicas sobre otimização de tempo, conectividade, sucesso, insights e frases inspiradoras. Os conteúdos falam também sobre mercado brasileiro para o empreendedorismo e abordam dicas para quem pretende dar os primeiros passos rumo à criação do próprio negócio ou para quem já está nessa jornada.

junho 27th, 2019

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A imagem mostra o palestrante Thomaz Suarez durante sua apresentação no TED Talks.

Qualquer pessoa pode estimular a criatividade e uma das formas de fazer isso é ver bons exemplos de inspiração

Para quem está em uma jornada empreendedora, é comum se deparar com um problema que pode afetar qualquer pessoa e, geralmente, acontece nas horas mais inesperadas: a falta de criatividade. Quem nunca passou por um momento no qual as ideias simplesmente somem e nenhum pensamento parece ser bom demais para ser colocado em prática, ainda mais em um negócio próprio? Lidar com isso é mais simples do que parece!

As palestras TED são uma fonte de inspiração, mostram diferentes pontos de vista e podem ajudar a gerar insights e ideias para colocar projetos em prática. Afinal, a criatividade muitas vezes só precisa de uma ajudinha externa para deslanchar!

Trazemos oito vídeos do TED Talks que dão um gás na criatividade de qualquer um por meio de diferentes vivências. Confira!

 

Thomas Suarez

O que um garoto de 12 anos pode fazer pelo mundo? Muita coisa! Thomaz Suarez é fã de videogames e por isso aprendeu sozinho a criá-los. Depois de desenvolver aplicativos para o iPhone, ele agora usa suas habilidades para ajudar outras crianças a se tornarem criadores de seus próprios projetos. Neste TED, ele conta os caminhos que seguiu para criar montar seus próprios apps.

O que você vai aprender: a se desafiar independentemente do contexto em que vive e a observar que pequenas ações podem gerar grandes negócios.

 

Elizabeth Gilbert

Você pensa que criatividade é um dom para poucos? No vídeo, Elizabeth Gilbert, autora do best-seller Comer, Rezar e Amar, discorre sobre as expectativas ao longo da carreira e explica que em vez de “sermos” gênios, todos nós deveríamos “ter” um gênio.

O que você vai aprender: a lidar com expectativas e se preparar para os altos e baixos da carreira empreendedora.

 

Joyce Fernandes

Joyce Fernandes, também conhecida como Preta Rara, participa de um TED sobre a criação da página no Facebook Eu Empregada Doméstica, que tem mais de 160 mil seguidores. Ela conta o que aprendeu com a experiência de trabalhar como empregada doméstica e apresenta um panorama crítico sobre o Brasil.

O que você vai aprender: a criar metas e estratégias para driblar adversidades e alcançar seus objetivos sendo quem você é.

 

Kenia Maria

Durante o vídeo, Kenia Maria questiona os padrões de pensamento que são impostos pelos comerciais e ações de marketing. Criadora do canal Tá Bom pra Você?, no Youtube, trata sobre questões raciais de forma criativa e inteligente. Na palestra, ela estimula a pensar novos formatos de contar histórias com base na vivência de cada um.

O que você vai aprender: a entender padrões e como estimular o pensamento criativo para quebrar raciocínios pré-estabelecidos.

 

Steven Johnson

Tomar uma xícara de café em um local específico representa muito mais do que você pode imaginar. Um lugar onde é possível encontrar pessoas de diferentes camadas sociais e distintos campos de conhecimento e ideias se encontram.

E quais são os lugares onde surgem as boas ideias? Neste TED, Steven Johnson fala de sua excursão pelas “redes líquidas” dos cafés de Londres e mostra como o compartilhamento ajuda a estimular a criatividade.

O que você vai aprender: a como incentivar boas ideias e compartilhar conhecimentos para conectar diferentes mentes.

 

Eddie Obeng

O professor de negócios Eddie Obeng mostra neste TED como a produção criativa enfrenta desafios em acompanhar as grandes mudanças e destaca três importantes transformações para melhorar a produtividade.

O que você vai aprender: a ver que as mudanças acontecem ao longo do tempo e de que forma é possível se adaptar a elas.

 

Simon Sinek

Neste TED de grande repercussão, o autor de livros e palestrante motivacional Simon Sinek fala de um modelo poderoso para que as lideranças sejam inspiradoras a partir do que ele chama de um “círculo dourado” e a pergunta “Por quê?”. No vídeo, ele dá exemplos que incluem a Apple, Martin Luther King e muito mais.

O que você vai aprender: que liderar projetos é trabalhar com inspiração para várias pessoas.

 

Gayle Tzemach Lemmon

A repórter Gayle Tzemach Lemmon fala sobre seu trabalho de escrever sobre mulheres empreendedoras que começaram seus negócios durante ou após conflitos de guerra em países como Bósnia e Afeganistão. No vídeo, ela mostra exemplos de mulheres administrando todos os tipos de empresas, de negócios na própria casa a grandes fábricas, e apresenta modelos de como empreender em contextos diversos.

O que você vai aprender: que em momentos de dificuldade e observando sua situação, é possível encontrar oportunidades para empreender.

junho 13th, 2019

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A imagem mostra o corte de cabelo de um rapaz de perfil

Conheça o trabalho de barbeiros que chamam atenção pelo talento, criatividade e pelo impacto social positivo que trazem para as suas quebradas.

Nos últimos anos, a periferia tem ganhado cada vez mais destaque no país por todo o potencial que vem mostrando em diferentes campos, como na educação e na ciência. Outra área na qual essas comunidades têm se destacado é no setor de beleza, com profissionais que estão fazendo a diferença na estética das periferias com exemplos de inovação, empreendedorismo e contribuição para seus contextos sociais.

“Além do poder de compra que cresceu na periferia nos últimos 20 anos, começaram a surgir produtos para quem está lá. A indústria começou a se voltar ao público periférico”, explica Emílio Domingos, documentarista e antropólogo diretor do documentário “Deixa na régua”, que fala sobre como salões de barbeiro de favelas e subúrbios são alguns dos lugares onde a nova estética da periferia se expande.

Para ele, essa mudança de paradigma, na qual é a comunidade periférica quem cria a moda, tem relação com uma juventude que impôs suas demandas perante indústrias como a da beleza.  “Tem muito a ver com as pessoas da favela que demandaram à indústria que os inserissem no mercado e os compreendessem”. O fato de haver mais pessoas negras nos comerciais de beleza atualmente é um dos indícios dessa nova ordem, segundo o especialista.

Domingos afirma ainda que os barbeiros lançam tendências e se mantém conectados com o que há de mais novo no mercado de beleza. “Existe uma inovação constante e contínua, eles sempre procuram criar novos cortes e se atualizar. É um dos segredos para manterem um número enorme de clientes que frequentam os salões semanalmente”, diz.

A imagem mostra o corte de cabelo de um rapaz de perfil

 

Empreendedorismo é chavoso

“Os barbeiros também são exemplo de empreendedorismo na favela. Eles começam simples e vão se sofisticando, mostrando que o talento e a arte possibilitam a alguém se tornar uma referência”, reflete o antropólogo. “Eles são autônomos e criam um modelo de negócio a partir da observação de seu cotidiano. Muitas vezes, os garotos começam com um espelho, uma cadeira e uma navalha, e a partir disso criam a barbearia, crescem e se tornam referência”.

A trajetória do Vinicius “Bom de Corte” Rodrigues é um bom exemplo. Trabalhou como garçom, estoquista e chapeiro antes de virar o barbeiro que é referência em Guaianases, zona leste de São Paulo. Especialista em diversos cortes “chavosos” (estilosos e diferenciados), ele conta que sempre soube que tinha capacidade para mudar de vida.

O pai tinha um espaço vazio de 2m² e sugeriu que Rodrigues fizesse algum curso na área. “Era um momento em que ou eu escolhia isso ou faria uma escolha errada. Tinha 20 anos quando comecei”. Depois de começar o curso, ele pegou gosto pelo trabalho e passou a investir mais na ideia. “Comprei uma cadeira no ferro velho, por 50 reais. Comecei a cortar e seis meses depois já tinha uma clientela legal. Daí pra frente, só cresceu”, conta.

 

Um dos clientes fiéis do salão Bom de Corte é Willian Maciel, 27 anos, que trabalha com medição técnica. “Eu já corto com ele há uns quatro anos, conheci por causa de um colega da empresa onde eu trabalhava. Antes era tudo padrão, básico e sem diferencial. Falaram que tinha um cara que cortava diferente e esse camarada me indicou o Vinicius”. Depois de perceber que o trabalho era mesmo diferenciado e que havia um dom ali, Maciel não teve dúvida: “falei ‘é ele mesmo. Vou seguir [cortando] só com ele’”.

Segundo o cliente fiel, as atitudes do profissional fazem diferença porque ele se preocupa em ajudar a periferia. “Ele ajuda crianças, adolescentes e tudo isso foi fazendo com que ele ganhasse meu respeito. Imagina se todo lugar tivesse uma pessoa que pensa no próximo como ele pensa? O mundo seria diferente. É um cara que te incentiva bastante. Ele começou lá de baixo e chegou aonde chegou, e você olha isso e pensa ‘se ele conseguiu, eu consigo também’”.

 

“Não é só cortar cabelo”

Vinicius Rodrigues conta que percebeu, com o tempo, que o seu trabalho ia muito além da estética. “Não é só cortar cabelo. Com o trabalho de corte, tem muita coisa relacionada. Servir de exemplo e mostrar que tem outro caminho que dá pra seguir é importante”.

Para ele, também é fundamental trazer referências de fora da quebrada e se ligar nas tendências. “A ideia é trazer para a periferia a qualidade e o conforto da classe alta. Conforme faço eventos e frequento vários espaços, trago novidades que talvez a molecada não conheça”.

Outro ponto importante tem relação com a autoestima dos jovens chavosos. “Tem moleque que chega lá que parece estar na depressão! Depois que você troca um papo, corta o cabelo, tira umas fotos e mostra pra ele ver que tá ficando bom mesmo, ele fica em outro nível. Se ele tá com algum pensamento negativo, depois do corte ele muda”, revela Rodrigues.

O barbeiro conta que cortes como os que ele faz têm sido cada vez mais procurados. “O Brasil virou referência por cortes que vieram do extremo da periferia, quebrando muitos preconceitos. Três anos atrás, se eu fizesse um risco na cabeça de um cliente, ele era abordado pela polícia. Hoje não, já virou moda e fez parte até de desfile na SPFW. Quebramos mais uma barreira”, conclui.

maio 31st, 2019

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Duas mulheres estão sentadas lado a lado. Uma delas usa trança afro e a outra cabelos curtos e óculos. Elas estão vendo uma tela de computador e pesquisando como formalizar um negócio.

Formalizar pode contribuir para o crescimento de uma iniciativa, mas exige comprometimento e entendimento sobre a fase em que sua iniciativa se encontra. Saiba como identificar o melhor momento.

Quando se é responsável por um empreendimento, um dos grandes passos na jornada empreendedora é formalizar um negócio, abrindo caminhos para uma melhor estruturação e novas possibilidades de crescimento.

Além de facilitar a captação de novos clientes e mercados, que podem se sentir mais seguros com as notas fiscais emitidas, a identidade formal facilita o acesso a crédito e empréstimos, a contratação de funcionários registrados e a garantia de direitos trabalhistas.

Apesar de representar parte significativa na estrutura de um projeto em longo prazo, seja um negócio social ou não, a formalização também exige um compromisso com regras específicas quanto à tributação, custos e regulamentação que nem todo empreendedor se sente preparado para incorporar.

“A formalização traz regras e deveres, mas também muitos direitos”, afirma Khin Borges, assessora de empreendimentos da Aliança Empreendedora. “É importante lembrar que seguir os procedimentos para formalização significa também fortalecer o negócio”, pondera.

Com a ajuda da Aliança Empreendedora, separamos algumas dicas que podem ajuda você a identificar o momento ideal de formalização e tirar dúvidas sobre os procedimentos necessários. Confira a seguir!

Hora certa tem a ver com comprometimento

Cada negócio tem o próprio ritmo de desenvolvimento e depende muito dos planejamentos financeiro e estratégico elaborados. Conheça e mapeie todas as informações possíveis sobre o serviço ou produto que deseja lançar no mercado e tenha em mente que a hora certa para a formalização não é a mesma para todos.

“Tomar esse passo significa investir no crescimento do negócio, ter dedicação especial para controlar as finanças, divulgar o produto, melhorar o atendimento ao cliente. Ter um CNPJ não é suficiente para o sucesso do negócio. É preciso dedicação”, afirma Khin, acrescentando que objetivos do negócio precisam estar consolidados nesta etapa.

Antes de formalizar, teste o seu negócio

Utilize sua rede para testar o produto: amigos, familiares, colegas de estudo e trabalho. Receber feedbacks e ir modelando o serviço/produto até chegar ao ponto que se deseja poderá fortalecer seu negócio.

Busque ajuda de outros profissionais mais experientes e empreendedores que passaram pelo mesma jornada que você. Isso diminuirá o medo de avançar.

Esta fase é fundamental, pois é por meio dela que você consegue provar que o seu negócio tem uma real entrega de valor. É o momento de testar protótipos, de testar possibilidade e cenários para lapidar ao máximo o serviço ou produto com que se deseja trabalhar.

De forma resumida, é preciso definir as hipóteses a serem testadas, a forma de testar cada uma, escolher as métricas que serão usadas e a forma de avaliar cada resultado. A metologia do Pense Grande propõe quatro atividades para você usar de guia.

 

Momento de definição

Caso queira partir para uma formalização, mas ainda esteja incerto quanto ao estágio do negócio, há algumas formas de se preparar para esse caminho.

Segundo a Aliança Empreendedora, existem três questionamentos fundamentais para alcançar os objetivos propostos: Quem sou? O que sei? Quem conheço?

A partir de tais reflexões, é mais fácil definir quais competências você já possui e quais ainda precisa desenvolver. Também é importante conhecer a rede de pessoas e organizações que tem a sua volta e saber com quem pode contar. O espisódio “Como começar hoje mesmo a empreender”, do Pense Grande Podcast, traz a experiência de empreendedores como Bia Santos, do Barkus, e Dan, da Infopreta, sobre o tema.

 

Tipos de Formalização

Escolha o tipo de formalização mais adequado aos seus objetivos. Muitas pessoas iniciam como MEI porque o custo é mais baixo e o processo mais simples. Mas assegure-se que esse é o tipo de formalização ideal para o negócio.

Para decidir, deve-se levar em conta a definição do tipo societário (será apenas um empreendedor ou terão mais sócios(as), tamanho da empresa (quantidade de funcionários e faturamento), regime tributário e distribuição de dividendos (os lucros serão distribuídos para os sócios ou reinvestidos na iniciativa).

Conheça cinco dos tipos mais comuns:

  • Microempreendedor Individual (MEI) – Esse formato é ideal para empreendedores que trabalham por conta própria, sem participação de sócios. Para ser MEI, o negócio tem que faturar no máximo 81 mil reais por ano e o titular não pode ter participação como sócio em outra empresa. É permitida a contratação de um funcionário, com pagamento a partir de um salário mínimo. O processo pode ser feito pela internet, no Portal do Empreendedor, e é necessário um registro para obter o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Depois disso, é preciso se encaminhar à Prefeitura do Município e retirar o alvará de funcionamento.
  • Microempresa – Uma microempresa pode ter até 19 funcionários e o faturamento deve girar em torno de 360 mil reais.
  • Empresa de pequeno porte (EPP) – Aceita até 99 funcionários, com receita anual entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões de reais. Assim como no MEI, a tributação é feita através do Simples Nacional e concede isenções de alguns tipos de impostos, com a necessidade de taxas mensais a depender do tipo de negócio.
  • Associação – Para abrir uma associação é necessário, no mínimo, duas pessoas e atender os objetivos dos associados. Os funcionários devem ser remunerados, mas os lucros não podem ser divididos entre as pessoas, sejam elas associadas, dirigentes ou funcionários.
  • Cooperativas – As cooperativas, no entanto, precisam de pelo menos sete pessoas para funcionar, são democráticas e controladas por seus cooperados, que tem direitos iguais na tomada de decisões. Todos os sócios contribuem no capital social, ou seja, no valor estabelecido para a abertura da empresa.

maio 27th, 2019

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A imagem mostra o empreendedor social Edson Leite encostado em uma parede de concreto em uma rua de seu bairro na periferia Jardim São Luís

No comando da Gastronomia Periférica, Edson Leite aposta na profissionalização dos moradores da periferia para gerar impacto e transformação social.

Foi meio por acaso que o paulistano Edson Leite, de 35 anos, entrou para o ramo da gastronomia. Saído da periferia Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo, passou sete anos em Portugal, onde trabalhou como vendedor de listas telefônicas, garçom e lavador de pratos. Quando a vida lhe deu um desafio, ele rapidamente transformou em oportunidade.

Certo dia, a chef de cozinha do restaurante onde trabalhava como garçom faltou e Edson, na cara e na coragem, assumiu as panelas, não sem antes ligar para um amigo cozinheiro e pedir instruções para preparar os pratos.  A ousadia deu tão certo que ele mergulhou fundo na experiência e passou a chefiar cozinhas de hotéis, navios e até hospitais.

De volta ao Brasil, estava decidido a usar a gastronomia como motor de transformação social. No bairro onde cresceu, fundou a Gastronomia Periférica, uma escola totalmente gratuita, com foco na sustentabilidade e o objetivo de formar profissionais de cozinha que possam transformar a sua realidade e a da periferia onde vivem.

Fundada em 2012, começou como oficinas de gastronomia até se tornar escola, em 2017. Desde então, já foram mais de 40 alunos formados no curso de gastronomia e nas aulas de chocolataria e panificação. Em 2019, serão mais três turmas nas aulas de gastronomia e nos cursos de panificação.

Edson também lançou o livro Por que criei a Gastronomia Periférica (Editora Inova, 2018), que traz sua história de luta e dicas de receitas sustentáveis. É também organizador do festival Sabor da Quebrada, que visa promover a economia local. Ao Pense Grande, Edson Leite listou as quatro principais lições que apreendeu durante sua caminhada como empreendedor social. Veja a seguir:


Empreender tem a ver com autonomia e liberdade

Nas quebradas, naturalmente já somos empreendedores. Mas nunca fomos chamados assim, nem nos reconheciam dessa forma. Nossa autoestima foi ferida durante muito tempo, quando nos vendiam a ideia de que só coisas ruins saiam de lá. Na verdade, somos nós que fazemos tudo ser bom: somos mão de obra de grandes empresas, restaurantes, etc. Ainda estamos começando a nos reconhecer, mas já temos uma melhor ideia do que somos e pregamos isso em todas as quebradas para que a gente se fortaleça. Eu vejo o empreendedorismo como um ato de coragem. Toda pessoa é sua própria empresa e ser sua própria empresa é ter autonomia. Eu penso que assumir o empreendedorismo é decidir ser livre.”

 
Inspiração é muito potente na quebrada

“É como jogar uma pedra no rio e ver as ondulações ao redor. Num universo de 280 mil pessoas que é o Jardim São Luís, fazer uma escola de gastronomia já é um negócio impactante. Vejo a molecada mudando a relação com o alimento, querendo empreender, trazendo a mãe, a família para assistir e participar. Esse é o resultado real. A gastronomia periférica passou a ser uma nova categoria de cozinha. Existe gastronomia italiana, chinesa, japonesa, portuguesa, né? E por qual motivo não pode existir a Gastronomia Periférica?”


Tecnologia é aliada

“Nós criamos o aplicativo da Gastronomia Periférica, com mais de 70 dicas gastronômicas no Jardim São Luís, incluindo temakeria, hambúrguer artesanal, carrocinha de churros, de milho e de cuscuz e até aquela senhora que vende coxinha de galinha no terminal de ônibus do bairro! Hoje ele é aberto a todos os estabelecimentos periféricos que quiserem fazer parte. A visibilidade que o app trás faz com que as pessoas passem a conhecer e consumir dos comércios da região. Faz girar a economia local, gerando renda, criando empregos e trazendo mais profissionalização para os comércios, além de promover a diversidade cultural e o desenvolvimento humano.”


A parte técnica é fundamental, mas conseguir atingir os objetivos é o que mais motiva

“Durante a nossa caminhada, aprendemos que um bom planejamento e prospectar gastos e custos são pontos fundamentais para o crescimento do negócio. A gente começa a ver a coisa andar e sente muito orgulho. Quando fomos acelerados pela Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP), fizemos estudos sobre o negócio e tivemos aulas com especialistas em impacto. Nesse momento, nós descobrimos que nosso negócio realmente causava impacto social e isso foi, sem dúvida, uma das maiores e melhores lições que aprendemos.”

maio 15th, 2019

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Baseada em cinco sensos: Utilização, Limpeza, Ordenação, Saúde e Autodisciplina, o método se consolidou em empresas do Japão no contexto de reconstrução do país depois da Segunda Guerra Mundial.

O que a reconstrução do Japão após a Segunda Guerra Mundial tem a ver com o seu projeto? Bom, após conhecer a ferramenta 5S, você poderá achar essa pergunta menos estranha.  Sabemos que organização é fundamental para viabilizar qualquer tipo de negócio e essa é a base da ferramenta administrativa 5S, que procura desenvolver um controle contínuo de processos para manter bons resultados. O papel do 5S é facilitar o aprendizado e transformar em rotina a prática dos conceitos.

A ferramenta é baseada em 5 Sensos: de Utilização, de Limpeza, de Ordenação, de Saúde e de Autodisciplina. Cada um proporciona desafios diferentes e devem ser associados aos cuidados como ambiente, equipamentos, materiais, métodos, medidas, e, especialmente, pessoas.

A imagem mostra uma tabela traduzindo do japonês para o português o significado dos 5 S: Utilização, Limpeza, Ordenação, Saúde e Autodisciplina.

O método se consolidou em empresas do Japão no contexto de reconstrução do país depois da Segunda Guerra Mundial e foi difundido sob orientação de especialistas americanos para o controle da qualidade. O que os americanos faziam bem foi aperfeiçoado pelos asiáticos, sendo a base de preparo para o que é conhecido como Total Quality Control (pela sigla TQC e, em português, Controle da Qualidade Total) ou Qualidade no Estilo Japonês. Empresas como a Toyota se notabilizaram por esse método pelo mundo.

“O 5S nos orienta para bom proveito e convívio com as novidades: observar, avaliar e tomar decisões adequadas para nosso crescimento e formação como pessoa, cidadão e profissional. Isso se faz no dia a dia, com uma rotina. Seja na vida pessoal, na família, ou em empresas, escolas, comunidades e serviço público”, aponta o especialista Wagner Matias de Andrade, da empresa Soluções Criativas em Comunicação.

De forma geral, a ideia é conscientizar sobre a importância da qualidade no ambiente de trabalho e na gestão de empreendimentos em aspectos como comprometimento ou manter um espaço limpo e organizado, gerando bem-estar e favorecendo uma alta produtividade.

“Com o Senso de Utilização, prestamos atenção às oportunidades, nos recursos disponíveis e selecionando o que é útil. O Senso de Ordenação facilita o acesso e o uso. Com o Senso de Limpeza, dá-se acabamento saudável a cada atividade. Com o Senso de Saúde, as pessoas avaliam os impactos, padronizando as boas práticas. As pessoas precisam assumir o compromisso com esses padrões. Isso se faz com o Senso de Autodisciplina”, resume.

 

O que o 5S nos ensina?

No princípio, esse conjunto de sensos era focado na limpeza de áreas e em evitar desperdícios, dissipando os efeitos da guerra e de gestões inadequadas. Com o passar do tempo e novos desafios, inclusive com a evolução da tecnologia e da comunicação, o método também evoluiu.

Geralmente, as instituições recorrem ao método para resolver problemas acumulados durante rotinas inadequadas. No entanto, o grande benefício do 5S está no cuidado diário, evitando o acúmulo e crescimento de inconformidades e promovendo a melhoria contínua. Para entender melhor como funciona na prática, é importante conhecer mais a fundo cada um dos sensos:

Senso de utilização – é a melhora da produtividade. O que realmente é necessário? Fica no ambiente de trabalho o que é usado, assim o que sobra é guardado ou descartado. Também pode ser pensado em relação ao descarte de tarefas ineficientes, que apenas ocupam tempo.

Senso de ordenação – foca a melhora dos fluxos de trabalho. Em um ambiente organizado, seja ordenando uma caixa de ferramenta ou um arquivo de documentos, elimina-se movimentos desnecessários.

Senso de limpeza – como o nome indica, é a manutenção de um ambiente limpo. Pode se referir tanto a limpar um equipamento, quanto a melhorar um comportamento. Por exemplo, no final de uma reunião, fazer um resumo para consolidar o que foi combinado, evitando ruídos no entendimento. Do mesmo modo, o local onde se deu a atividades deve ficar limpo.

Senso de saúde – tem a ver com a avaliação e a padronização das práticas dos itens anteriores. Trabalhando-se para manter cada coisa em seu lugar, estamos favorecendo a saúde física, mental e do ambiente.

Senso de autodisciplina – envolve os quatro S anteriores, pois é por meio dele que é feita a manutenção do sistema. Basicamente pode ser explicado por seguir regras como ‘usou, guarde’, ‘sujou, limpe’. Proporciona a constância para manter as demais práticas em funcionamento.

“Considero o 5S como meio de atender desafios simples do tipo ver e agir: o que sabemos fazer, o que é preciso fazer. Geralmente, deixamos para depois, mas o 5S nos mobiliza”, afirma o consultor Wagner Matias.

A imagem mostra um desenho em forma de círculo explicando como os cinco sensos se relacionam na metodologia 5S

Os cinco Sensos do 5S se complementam como um sistema. Os três primeiros são mais práticos, relacionados ao jeito de agir. Os dois últimos são mais filosóficos, de avaliação dos impactos da prática dos três primeiros, padronização das boas práticas e compromisso com essas boas práticas.

 

Colocando em prática

Os projetos sociais podem se situar nas mais diversas áreas de atuação e terem desafios de diferentes naturezas a serem superados. Para colocar o 5S em prática, reunimos algumas dicas, com ajuda do consultor Wagner Matias:

1- Comece com uma aplicação simples e anote o que faz

Melhorias simples estimulam outras melhorias em um processo contínuo. A construção de uma nova maneira de pensar favorece o surgimento de inovação e mudanças mais complexas. Você pode começar organizando uma bolsa, depois ordenar uma gaveta, até chegar à organização de ideias na cabeça.

Comece fazendo duas melhorias por dia: uma na sua vida particular e outra na sua rotina de trabalho, para a sua empresa. Anote o que está fazendo para poder medir as diferenças no futuro!

2- Observe cada situação atentamente

A rápida evolução tecnológica nos leva a situações que têm menos a ver com o acúmulo de objetos nas fábricas, mas se relacionam ao excesso de oportunidades e desvio de foco. O uso de novas mídias e o excesso de informações podem nos lançar em um meio caótico.

Temos muitos recursos, mas não os usamos adequadamente. Pergunte constantemente por meio dos três primeiros sensos: para que isso serve? Por onde devo começar? O que levar desse encontro ou deste novo contato?

Tais questionamentos ajudam a dar mais leveza à tomada de decisões.

3- Mantenha uma rotina de cuidado.

O 5S não se aplica uma única vez, a ideia é usá-lo em todos os momentos para que a rotina flua com leveza e objetividade em melhoria contínua e para resolver desorganizações momentâneas. Se não houver mudança de hábito, a bagunça volta a se acumular!

Assim que uma boa decisão for tomada, é preciso pensar em como padronizar isso. Anotar o que foi feito e comparar resultados. Respeitar os momentos de observação é criar espaço para oportunidades e melhorias.

maio 10th, 2019

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Mulher loira de cabelos curtos está palestrando em um palco com a palavra TED escrita ao fundo.

Estímulos para pensar fora da caixa, caminhos para sistematizar projetos e aprender a falar em público são dicas que podem ser tiradas de TED Talks

Separar um tempo para buscar novas ideias é fundamental para quem empreende ou quer empreender. Por mais intensa que seja a rotina, a capacitação é fundamental para quem tem seu próprio negócio. Por isso, palestras TED Talks podem ser uma boa saída para quem quer estar sempre atualizado.

Os TED Talks são modelos de apresentação criados pela Sapling Foundation e consistem em vídeos curtos apresentados por pessoas de todo o mundo que são referência em torno de um tema. O principal desafio é o palestrante causar impacto em aproximadamente 18 minutos, buscando fazer a melhor apresentação de sua vida.

O objetivo do projeto é colocar em xeque ideias antigas e propor novos formatos de pensamento. Confira dez palestras com lições para quem está empreendendo ou aos que pretendem dar os primeiros passos!

 

Seth Godin

O empreendedor e especialista em marketing digital Seth Godin aponta caminhos para o sucesso e conta por que algumas ações dão certo e outras, não. Uma dica importante é que dificilmente um negócio vira realidade se a ideia não for espalhada da maneira correta. Autor de obras como Permission Marketing e All Marketers Are Liars, também é fundador do Squidoo.com, site em que os usuários compartilham links e informações sobre assuntos de sua preferência.

O que você vai aprender: como encontrar a identidade do seu produto é fundamental para garantir que as pessoas se identifiquem e consumam.

 

Amy Cuddy

Em momentos como negociações e contratações, enviar a mensagem correta por meio da linguagem corporal é essencial para empreendedores. A linguagem corporal afeta a maneira como os outros nos veem, mas também pode mudar a maneira como nos vemos. Neste vídeo, a psicóloga social Amy Cuddy mostra como uma postura confiante pode ter um impacto nas nossas chances de sucesso.

O que você vai aprender: a observar comportamentos não-verbais e perceber como estão totalmente ligados à nossa comunicação. Por exemplo, na hora de um pitch.

 

Elon Musk

Elon Musk, fundador do PayPal, da Tesla Motors e SpaceX, é uma das principais referências de inovação do planeta. Neste TED Talk, o empreendedor conta como são os processos disruptivos de suas empresas, a importância de ter energia sustentável no futuro e as inspirações para buscar sempre o novo em um cenário desafiador.

O que você vai aprender: a não se inibir em inovar mesmo que o cenário seja de grande concorrência e o objetivo pareça inatingível.

 

Julian Treasure

Já sentiu como se ninguém ouvisse o que você diz? Julian Treasure é especialista em sons e dá dicas para se criar uma fala poderosa para finalmente se sentir ouvido. Ele mostra desde exercícios vocais até dicas de como gerar empatia, explicando como alguns hábitos podem prejudicar a forma como falamos.

O que você vai aprender: dicas para mandar bem na hora de falar em público ou em um momento de negociação.

 

Katie Bouman

Para fotografar um buraco negro, precisaríamos de um telescópio do tamanho de um planeta, certo? Errado! A jovem Katie Bouman participou de um feito inédito ao liderar uma equipe que fotografou pela primeira vez na história a imagem de um buraco negro no espaço.

Quando participou deste TED, Katie ainda estava realizando os estudos que envolvem os algoritmos complexos capazes de chegar à imagem. No vídeo, conta os desafios de lidar com as novas descobertas e como registrar cada atividade pode fazer a diferença para medir os resultados rumo a um objetivo.

O que você vai aprender: o conhecimento por meio de livros e teorias ajuda a criar formas de inovar e fazer a diferença em um contexto.

 

Ernesto Sirolli

Nesta palestra, o especialista em desenvolvimento sustentável Ernesto Sirolli afirma que o primeiro passo para ajudar as pessoas é ouvindo-as e instigando-as. Ele propõe explorar e criar seu próprio espírito empreendedor.

O que você vai aprender: a pensar no público que você pretende impactar com o seu negócio e que nem sempre a sua ideia é a melhor.

 

Derek Sivers

Diferentemente da maioria dos vídeos do TED, Derek Sivers resumiu em cerca de três minutos a ideia de que compartilhar metas deve ser um exercício cuidadoso. Segundo o especialista, logo que traçamos um novo plano, nosso primeiro instinto é contar a alguém, mas pesquisas realizadas desde a década de 1920 mostram que falar sobre suas ambições reduz as chances de realizá-las.

O que você vai aprender: que os objetivos e metas do seu negócio devem ser pessoais e intransferíveis.

 

Bill Gross

Bill Gross fundou muitas startups e incubou muitas outras. Ao longo de sua trajetória, ficou curioso sobre o motivo pelo qual algumas tiveram sucesso e outras falharam. Sendo assim, ele reuniu dados de centenas de empresas, suas e de outras pessoas, e classificou cada empresa em cinco fatores-chave – e entre eles, o fator que se destaca dos outros.

O que você vai aprender: que a execução de tarefas é muito importante para o sucesso do seu negócio, mas é preciso estar atento ao momento.

 

Drew Curtis

O criador da empresa fark.com, Drew Curtis, fala neste TED sobre como um problema grande em sua trajetória empresarial se tornou um novo projeto. Ele lutou contra uma ação judicial de uma empresa que tinha sua patente e criou um negócio de distribuição de notícias via e-mail. No vídeo, ele compartilha algumas estatísticas sobre o crescente problema das patentes sem fundamento legal.

O que você vai aprender: a saber negociar com as pessoas ideais e entender as regras do mercado para criar o seu negócio.

 

Cameron Herold

Durante a palestra, Cameron Herold conta que foi criado para ser um empreendedor e que muitos pais deveriam ter esse mesmo pensamento com os filhos. O palestrante fala como simples atitudes podem ser colocadas em práticas para aqueles que querem incentivar o empreendedorismo desde cedo nas crianças.

O que você vai aprender: saber como estimular a atitude empreendedora e trabalhar para que esse pensamento seja disseminado.

abril 30th, 2019

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O empreendimento Quebrada Produções mostra o trabalho, talento e beleza que existe dentro das comunidades

“Grandes produtoras costumam chegar nas periferias, procurar alguém influente do local para servir de “guia”, captar as imagens que acreditam refletir aquele espaço (casas precárias, pessoas carentes) e ir embora para nunca mais voltar”. Essa é a percepção de Renata Santos, a empreendedora que nasceu e mora em Paraisópolis (São Paulo), ao ver que a sua comunidade tinha muito mais a oferecer.

As periferias são mais do que o preconceito pode sugerir, explica a empreendedora. “Gosto de mostrar o lado bom. A minha comunidade é um cenário maravilhoso para várias produções, não só para aquela coisa taxada de ‘ah, é favela, vamos produzir só coisas relacionadas à favela’. Não, vamos produzir grandes comerciais, com cenários bonitos. O cenário de quem é de comunidade muda constantemente. É deslumbrante”, afirma a profissional de 39 anos.

Quando acompanhou uma equipe de filmagem do governo federal na comunidade, Renata identificou que seria importante ter o apoio de uma equipe local para participar de gravações como aquela, até pela proximidade com os moradores. Além disso, segundo Renata, seria a chance de gerar renda e desenvolvimento para a comunidade, revelando os talentos da favela. Assim surgiu a Quebrada Produções.

“Quando você tem uma produtora dentro da periferia, composta por pessoas dela, você faz a economia girar. Você não vai apenas “locar” uma rua ou laje. É assim que se descobrem grandes produtores, câmeras, roteiristas, diretores, fotógrafos”, conta Renata.

 

A imagem mostra a comunidade de Paraisópolis

A empreendedora revela também quais são os seus desafios e o seu principal objetivo com a empresa: gerar oportunidades para que as pessoas possam trilhar seus próprios caminhos. Confira a seguir!

Como surgiu a ideia da Quebrada Produções?

Renata Santos – A ideia surgiu a partir do primeiro trabalho que fiz, em 2010. Acompanhei um pessoal para locações de um comercial de urbanização, pois precisavam de alguém que conhecesse bem Paraisópolis. Foi um primeiro job grande dentro da comunidade e não havia uma equipe que ajudasse. A partir daí, surgiu a ideia da produtora. Em 2012, outro grande job mostrou que realmente era preciso ter uma equipe fixa para esse trabalho em Paraisópolis.

Como foi o começo e como a produtora está hoje?

Renata Santos – No começo era uma produtora de uma pessoa. Em 2018, oficializei a Quebrada Produções, e o espaço físico surgiu a partir do projeto Biografias Colaborativas. Recebi recursos por meio do projeto e estou melhorando o espaço para adequá-lo de um jeito que fique confortável aos clientes e continue sendo o espaço da Renata, para que as pessoas da comunidade não se sintam acanhadas de entrar.

É algo que prezo muito. Não imagino nem quero a produtora fora de Paraisópolis, quero que ela permaneça lá, pois foi onde começou. Quero que quem venha aqui se sinta bem para quebrar o preconceito sobre entrar em comunidade (ou só entrar para fazer uma gravação e ir embora). E também para quem é da comunidade se sentir em casa e não pensar que a produtora virou algo que não está ao alcance. É um espaço aberto no qual qualquer pessoa pode entrar e se sentir à vontade.

 

“Não imagino nem quero a produtora fora de Paraisópolis, quero que ela permaneça lá, pois foi onde começou”, afirma Renata.

 

Quais os desafios da Quebrada Produções?

Renata Santos – Todas as produtoras têm que ser 100%, mas eu tenho que ser 101%. Essa é a minha maior dificuldade, ter que me impor. Temos que executar não um bom trabalho, mas fazer um ótimo trabalho que, independentemente de sermos de comunidade, na segunda maior favela de São Paulo, seja tão bom quanto uma produtora de nome que esteja no mercado. Lógico que com as minhas limitações, como qualquer negócio que ainda está iniciando.

E por que é bom trabalhar nela?

Renata Santos – Posso dizer que não descobri a produção, mas a produção que me descobriu. Não imaginava fazer isso, mas fui fazendo, apareceu um job atrás do outro, fui gostando e me descobrindo. Gosto muito de estar envolvida e falo que nasci para ficar na coxia, fazendo as coisas acontecerem e as pessoas serem descobertas. Gosto de envolver toda a comunidade em todos os processos e mostrar o outro lado do local e das pessoas daqui.

O lado ruim a mídia já mostra, então gosto de mostrar o lado bom. A minha comunidade é um cenário maravilhoso para várias produções, não só para aquela coisa de “ah, é favela, vamos produzir só coisas relacionadas à favela”. Não! Vamos produzir grandes comerciais, com cenários bonitos. O cenário de quem é de comunidade muda constantemente, e isso é o mais legal de tudo. É deslumbrante!

Você é uma empreendedora jovem e periférica que viu uma boa oportunidade para resolver um problema do lugar onde mora, combatendo questões como o estigma, o uso da periferia de forma limitada e fazendo o dinheiro girar dentro da comunidade. Qual seu sentimento em relação a isso?

Renata Santos – Tem momentos em que ainda fico bem frustrada, acho que daria para fazer mais coisas. Entre uma produção e outra fico realizada, mas ainda estou em uma mistura de sentimentos. Quero abranger muito mais para que não se tenha trabalho apenas quando houver uma produção ou só conseguir produzir dentro de Paraisópolis.

O meu objetivo é lapidar as pessoas daqui para que trilhem caminhos, e também migrar para outras periferias de São Paulo. Em alguns aspectos, me sinto realizada, em outros acho que estou no caminho certo e em outros ainda tenho frustrações. Estou trilhando. Sei que ainda tenho muito para fazer e trazer para cá.

 

“O meu objetivo é lapidar as pessoas daqui para que trilhem caminhos”

 

O que outras pessoas, principalmente mulheres, negras e periféricas, podem fazer para atender às necessidades de seus locais por meio do empreendedorismo?

Renata Santos – É abrir a porta de casa, olhar em volta e pensar “o que eu posso fazer? O que dá para mudar e quais os meus recursos para isso?”. E é importante não parar diante das negativas, caras feias e vozes agressivas. Se você for empreender, vai encontrar muito disso e mesmo assim deve se levantar.

A partir das demandas que você vê no seu quintal dá para ver o que é possível mudar. Não é do dia para a noite, pode ser frustrante e desgastante. Acho até que, por ser mulher, cobram mais, para ver se ela desiste mais rápido. Mas mulher não desiste. Eu não me dou ao luxo de desistir, em nenhum aspecto.

Conheça mais histórias de vida de jovens empreendedores que transformaram seus projetos em realidade no podcast Pense Grande!

março 26th, 2019

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A imagem mostra uma cena do filme o Menino que descobriu o vento

Aproveite o tempo livre para assistir seriados e filmes sobre empreendedorismo que farão você refletir ou ainda te incentivar a voar longe nos negócios

Iniciar uma jornada empreendedora requer uma série de desafios. E muita gente na hora de tirar a ideia do papel esbarra na dificuldade de dar o primeiro passo. Acalme-se! Isso é muito normal.

Além de começar um negócio, aprimorar ou desenvolver uma iniciativa também exige dedicação, resiliência e muita mão na massa.

Que tal aproveitar momentos livres para curtir alguns conteúdos inspiradores? Separamos uma lista de série e filmes sobre o empreendedorismo imperdíveis. Confira!

Coco Antes de Chanel

 A imagem mostra uma cena do filme Coco Antes de Chanel

O filme conta a história de Coco Chanel, uma famosa estilista que revolucionou o mundo da moda ao ousar se vestir com roupas masculinas quando todas as mulheres usavam espartilhos e outros adereços. O longa mostra o espírito inovador de Coco e como ela venceu diversos obstáculos para conquistar seus objetivos, o que tornou a Chanel umas das mais valiosas marcas do mundo.

O que você pode aprender: como reinventar seu produto ou negócio e quais inovações são necessárias no atendimento ao cliente.

Onde assistir: Netflix

 

O menino que descobriu o vento

A imagem mostra uma cena do filme o Menino que descobriu o vento

O filme conta a história de Kamkwamba, um jovem que vive no Malawi, na África, e enfrenta dificuldades de sobrevivência ao lado de sua família. Para superar uma violenta seca pós inundação que submetia os moradores da região à fome e miséria sem ajuda do governo, o jovem busca conhecimento por meio de livros de ciência e cria um moinho de cinco metros de altura usando uma bicicleta quebrada, uma pá de ventilador de trator, um velho amortecedor e árvores, e transforma a realidade da sua comunidade.

O que você pode aprender: que o conhecimento e a persistências podem alavancar a sua ideia em meio a dificuldades e transformar realidades.

Onde assistir: Netflix

 

Steve Jobs – O Homem e a Máquina 

A imagem mostra uma cena do documentário Steve Jobs – O Homem e a Máquina

Um dos nomes mais conhecidos do mundo, Steve Jobs é fonte de inspiração para muita gente. Nesse documentário, é possível conhecer diferentes faces do criador da Apple e saber como ele construiu essa empresa referência no ramo da tecnologia. Outro ponto que chama atenção é a dedicação extrema de Jobs com tudo que se propunha a fazer pelo seu negócio.

O que você pode aprender: como a tomada de decisão é importante na hora de empreender e a dedicação para o trabalho como forma de alcançar objetivos.

Onde assistir: Netflix

 

Silicon Valley

A imagem mostra uma cena da série Silicon Valley

A série americana narra a história de seis profissionais desenvolvedores de programas de computador que buscam construir uma carreira de sucesso no Vale do Silício, na Califórnia, o maior polo de empreendedorismo e startups do mundo. No enredo, os jovens trabalham na empresa Hooli e vivem sob o olhar de um milionário que os deixa morarem em sua casa em troca de uma porcentagem de todos os projetos criados por eles.

O que você vai aprender: como nasce uma startup, quais caminhos traçar e como buscar investidores para que o seu projeto tenha sustentação para crescer rápido.

Onde assistir: HBO

 

Chef’s Table

A imagem mostra uma cena da série Chef’s Table 

Cada um dos episódios é focado em um grande chef e mostra tudo o que se passa nos bastidores da cozinha do seu restaurante. Os aprendizados são facilmente visíveis para qualquer tipo de negócio. A série é dividida em forma de documentário e teve três indicações ao Emmy Ewards de 2016.

O que você vai aprender: A importância de inovar sempre. Além de incentivar a confiança em você e no seu negócio, a série mostra que não é bom se abalar com o que os outros dizem.

Onde assistir: Netflix

 

Walt antes do Mickey

A imagem mostra uma cena do filme Walt antes do Mickey 

Conta a história de vida de Walt Disney desde criança, os seus sonhos e desafios até ter a grande ideia que mudou a sua vida: criar o ratinho chamado Mickey Mouse. Ele precisou de muita criatividade, força de vontade e ajuda dos amigos e da família para chegar lá. Além disso, precisou aprender a ser um empreendedor.

O que você pode aprender: se sentir motivado a seguir atrás dos seus sonhos e a enfrentar diversos obstáculos no meio do caminho.

Onde assistir: Netflix

 

Capital C

A imagem mostra uma cena do documentário Capital C
O documentário foca em novas formas de capitalizar negócios e como muitas desses casos têm sido desenvolvidos nos Estados Unidos por meio do crowdfunding. A história mostra três empreendedores com negócios distintos e com algo em comum, nenhum deles têm capital para desenvolver. Sendo assim, direcionam seus esforços para campanhas de arrecadação de dinheiro através de patrocínio individual de pessoas físicas que gostam de seus projetos e resolvem aportar um dinheiro em troca de algum benefício.

O que você pode aprender: diferentes formas de conseguir verba para financiar um negócio que, se for desenvolvido e validado, consegue um público cativo.

Onde assistir: Netflix

 

Phil Knight: O Homem que Conduz o Mundo

A imagem mostra uma cena do documentário Phil Knight: O Homem que Conduz o Mundo 

O documentário conta a história de Phil Knight, fundador da Nike, e mostra o surgimento e a ascensão da marca esportiva que se tornou uma das mais fortes do planeta. A Nike foi a primeira empresa a patrocinar jogadores profissionais, criando uma forma diferente de dialogar com o público. O principal ícone do sucesso dessa estratégia é o jogador de basquete Michael Jordan. Os produtos associados a seu nome foram responsáveis por alavancar as vendas da marca em todo o planeta.

O que você pode aprender: como encontrar formas diferenciadas de posicionar o seu negócio ou em marca em meio a tantas opções já existentes no mercado.

Onde assistir: Netflix

 

Abstract

A imagem mostra uma cena do documentário Abstract 

Em formato de documentário divido em oito episódios, mostra como é o processo criativo dos designers mais inovadores do mundo.  A série reúne importantes nomes da cena e revela como esses gênios da arte visual pensam e qual a influência do trabalho deles em vários aspectos da nossa vida cotidiana.

O que você pode aprender: pensar no visual e no design e no processo criativo da sua marca ou produto pode fazer a diferença durante a jornada empreendedora.

Onde assistir: Netflix

 

Shark Tank Brasil

A imagem mostra uma cena da série Shark Tank Brasil 

Versão brasileira de uma série americana de grande sucesso, como funciona o universo do empreendedorismo na vida real. A cada episódio, a série reúne conceitos como formação de produto, apresentação e segmentação do público-alvo por meio de empreendedores que apresentam seus negócios para grandes empresários brasileiros, considerados “tubarões do mundo dos negócios”, que avaliam essas novas empresas e oportunidades.

O que você pode aprender: uma oportunidade para analisar as ações diante do seu negócio e como apresentá-lo em um pitch diante de investidores.

Onde assistir: Youtube

 

Eu errei

A imagem mostra uma cena da série Eu errei

A série de vídeos conta a história de empreendedores sociais e nasceu de uma prática comum: a tentativa do erro e do acerto. Por meio de depoimentos de situações reais de aprendizado, a cada episódio, os criadores dos negócios contam como identificaram seus erros e conduziram os acertos das empresas que lideram, além de compartilhar a vontade de transformar a realidade social que vivenciam. O projeto é uma parceria entre o Portal Aupa e o Instituto Sabin.

O que você pode aprender: como lidar com o erro durante algum processo do seu negócio e como ele pode transformar o contexto de suas comunidades.

Onde assistirYoutube

 

PenseGrande.Doc

A imagem mostra uma cena da série PenseGrande.Doc

Fruto de uma parceria entre a Fundação Telefônica Vivo e o Canal Futura, a série de documentários tem como objetivo revelar histórias inspiradoras de jovens empreendedores, com menos de 30 anos. Os vídeos foram produzidos por jovens de diversas regiões do Brasil e contam 26 casos reais de empreendedorismo que estão transformando realidades por todo o país. Entre eles, seis fazem parte do Programa Pense Grande, que estimula a cultura de empreendedorismo para jovens.

O que você vai aprender: como uma ideia transformadora pode sair do papel e tornar-se uma realidade que muda a vida de muitas pessoas de sua comunidade.

Onde assistir: Youtube e site oficial do PenseGrandeDoc.

março 15th, 2019

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Jovem está em pé e olhando para o horizonte, usando dispositivo feito com materiais recicláveis para assistir a vídeos 360° por meio de um celular, um exemplo de gambiarra que ajuda a explicar o termo Mecnologia.

Novo conceito derivado do funk está sendo disseminado por intelectuais das comunidades do Rio de Janeiro

Você sabe o que é ‘mec’? Já teve uma ‘chuva de mec’? Ou talvez viva a filosofia da Mecnologia? É, essas respostas podem ser difíceis para quem não está por dentro das gírias do funk carioca. Criada em 2016 pelo Mc TH, mec é o mesmo que estar “tranquilão, numa boa ouvindo o batidão”. São os famosos “suave na nave”, “de boa na lagoa” e “nice on the ice”. No bom e velho português, é o estado de quem está sereno, sem preocupações.

Já Mecnologia é um conceito recém-saído do forno, que une a gíria carioca à palavra tecnologia para descrever a capacidade que moradores das periferias do Rio de Janeiro desenvolvem para permanecerem tranquilos em meio à violência e à escassez de direitos e serviços básicos, como saneamento, educação e moradia.

Quem primeiro trouxe o neologismo foi o artista plástico e cineasta Raphael Cruz, morador do Complexo da Maré (RJ). O conceito fez tanto sentido que foi logo assimilado pelos intelectuais e pensadores da periferia, chamando a atenção para esse modo de vida que envolve criatividade, esperteza e inovação.

Alguns dos exemplos práticos da Mecnologia são o mototáxi que diminui as dificuldades de locomoção nas comunidades, os puxadinhos que resolvem os problemas de moradia, o banho na caixa d’água para aliviar o calor, o ‘dividir para multiplicar’, a ‘água no feijão’ e outras tantas gambiarras que ajudam a periferia a criar sua própria forma de ser e estar na cidade, como descreveram em um artigo sobre Mecnologia as jornalistas Marcela Lisboa, de 27 anos, e Thamyra Thâmara, de 30 anos. 

Da margem para o mundo

Thamyra Tamara, fundadora da GatoMídia que registrou a reação de jovens a vídeos 360° no melhor estilo Mecnologia, está sorrindo para foto, com os cabelos encaracolados presos e com o Complexo do Alemão ao fundo.Thamyra, que é da periferia de Brasília, mas está há seis anos morando no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, é fundadora do GatoMÍDIA, um espaço de aprendizado em mídia e tecnologia criado na comunidade carioca, em 2013, e voltado para jovens negros e moradores da periferia.

“Aqui a gente pensa muito na tecnologia a partir do que a favela produz, a partir das ferramentas de gambiarra usadas para resolver problemas do dia a dia, para contornar a ausência do estado e driblar o ambiente de escassez”, define.

As criações feitas por quem participa dos laboratórios do GatoMÍDIA ampliam a voz da periferia e ajudam a difundir um novo olhar para problemas sociais enfrentados diariamente pelos moradores das comunidades, como os jogos Meritocracia e Transfobia.

Também consolidam o acesso às novas tecnologias, como aconteceu recentemente com moradores do Complexo do Alemão que, pela primeira vez, vivenciaram a experiência de realidade imersiva, com vídeos de 360º, produzido por jovens de diversas favelas do Rio. A reação foi registrada em vídeo por Thamyra, no melhor estilo Mecnologia.

Marcela Lisboa, fundadora da agência Naya empenhada a difundir o termo mecnologia, posa com cabelos raspados e usando um colar laranja e verde ao pescoço. Marcela Lisboa, também moradora do Complexo da Penha, é fundadora da agência de publicidade Naya, voltada para as classes C e D, e está empenhada em espalhar essa nova ideia. “É importante que as pessoas saibam que os moradores da favela podem não apenas refletir, mas elaborar conceitos sobre si mesmos ou qualquer outra coisa. São conhecimentos marginais, que insurgem nas beiras da sociedade”

Ao lado de Raphael Cruz, Marcela é diretora e roteirista de um longa documental – com participação de Taisa Machado no roteiro – que reflete sobre as soluções criativas pensadas pela favela como parte dessa ciência da tranquilidade, com lançamento previsto para o meio do ano. A seguir, ela explica mais sobre Mecnologia na periferia. Confira:

Mecnologia está relacionado à abundância de otimismo? Qual o segredo para manter esse otimismo (e a criatividade), especialmente para quem vive em um contexto de muita escassez?

Marcela Lisboa: Quando a gente cresce cercado de ausências, aprende a valorizar todas as pequenas vitórias. Para algumas pessoas a graduação não é nada demais. Pra um favelado, concluir a faculdade é uma vitória coletiva. Há um valor subjetivo imaterial incluído nisso. Não sei se é abundância de otimismo ou se o sonho e a fé são as únicas coisas que podem levar além das estatísticas. Creio que vale a máxima: fé em Deus e nas crianças da favela.

Cite alguns exemplos de Mecnologia mais perceptíveis no dia a dia.

Marcela Lisboa: Toda vez que falta água no morro e um vizinho ainda tem, ele liga uma borracha à torneira mais próxima e enche o balde dos outros. A falta de creches é compensada pela vizinha que toma conta dos filhos da outra, ou do vizinho eletricista (ou não) que sobe no poste de luz quando falta e resolve tudo. Essa cultura do compartilhamento em meio à escassez é o princípio básico do que chamamos de “nós por nós”.

Thamyra está ajudando jovem a colocar em frente aos olhos dispositivo feito com materiais recicláveis para assistir a vídeos 360° por meio de um celular, um exemplo de gambiarra que ajuda a explicar o termo Mecnologia.

É preciso ter um certo perfil ou uma certa personalidade para ‘ficar mec’?

Marcela Lisboa: O que mais me fascina na cultura do funk é que ele é feito na favela, mas é pra todo mundo. A segregação não faz parte dos nossos valores.

A cultura do funk está, de alguma maneira, relacionada à ancestralidade dos povos africanos?
Marcela Lisboa:
Sem sombra de dúvidas. Entendo a ginga do passinho como uma nova versão do que seria a capoeira. O samba de roda é um pouco disso também. Características de um povo que dança para não surtar por conta do ódio.

O funk é uma grande tecnologia de movimentação do corpo que passa pela movimentação do chakra básico. A própria linguagem desenvolvida nas gírias como parte de um processo de adaptação a um mundo que exclui. O mesmo com o samba, o jongo ou qualquer outra criação nossa. Eu chamo de herança ancestral. Nossa parceira Morena Mariah escreveu um pouco sobre isso em seu canal no Medium.

As tecnologias digitais ampliam o alcance da voz da periferia e garantem certa emancipação em diversos aspectos, da representatividade à produção de conhecimento.  Quais são os benefícios disso?

Marcela Lisboa: Nem podem ser mensurados. O geógrafo Milton Santos fez sua aposta sobre um outro futuro possível. Nós acreditamos que esse outro futuro passa pelo reconhecimento de que nós, afro ameríndios, somos parte integrante da geração que produz conhecimento e apresenta soluções para as crises.

É conseguir falar de si em primeira pessoa depois de anos e anos de exclusão e marginalização. Se a geração dos meus pais e avós sofreram por invisibilidade, eu sou fala e bites. Não há mais intermediação para comunicar minha realidade. Estamos nos apropriando dos meios de comunicação de massa. Agora precisamos construir estruturas e reconstruir o sentido de brasilidade tendo a globalização como uma aliada.

O seu filme é um exemplo disso, né? Pode falar um pouco mais sobre ele?

Marcela Lisboa: Mecnologia é um projeto multiplataforma que tem o baile funk como ponto culminante de tudo: empregabilidade, economia criativa, perspectiva do sonho, low e high tech e o circuito migratório da favela. Vamos comparar o baile com outros grandes eventos da cidade, tudo numa linguagem e estética afrofuturista.

O projeto será acompanhado de uma revista com distribuição em escolas públicas com pesquisas e reportagens que embasam o documentário. Nada de academiquês. Temos uma parte da gravação iniciada, mas ela será em junho e julho, porque ainda estamos buscando financiamento. Faremos exibições nas favelas onde gravamos e em escolas públicas, mas também quero lançar em festivais internacionais.

Como disseminar a ideia de que a favela é lugar das soluções, não de problemas? Marcela Lisboa: É um exercício básico: quando a gente fala de favela, o que vem na mente? Tráfico, morte, sujeira, violência, medo. Nem carro por aplicativo a gente consegue pegar. O cinema nacional não ajudou muito, já que os grandes clássicos internacionalmente conhecidos são a reprodução de um olhar de fora para dentro. Eu estou bem cansada da narrativa da vitimização e do coitadismo.

Sou uma profissional. Minha trajetória é diferente, mais resiliente e com muitas outras dificuldades, mas escolhi não contar a história triste. Quero contar o que a gente pensa de solução, de criação. Pra mim, isso é sobre mostrar pra minha mãe e pros meus sobrinhos que eles não precisam ter vergonha de quem são. É promoção de autoestima, para além da estética. É promoção de dignidade humana e cidadã para que outras Marcelas consigam sonhar com um outro futuro possível.

março 8th, 2019

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Empreendedora usa gestão financeira para empoderar mulheres na periferia do RJ

A Empoderamento Contábil oferece serviços de consultoria para ensinar mulheres no Rio de Janeiro a administrar o seu dinheiro e enxergar o empreendedorismo como possibilidade

Todos os dias, ideias inovadoras são propagadas por mulheres inspiradoras. Algumas delas escolheram o empreendedorismo para disseminar, pouco a pouco, a transformação que querem ver no mundo. É essa a missão de Ludmila Hastenreiter, 30 anos, que decidiu compartilhar, através de palestras e oficinas, conceitos de gestão financeira para microempreendedores da periferia, buscando especialmente empoderar mulheres.

“A Empoderamento Contábil surgiu da necessidade de compartilhar a importância da gestão financeira para a saúde de uma empresa”, define a empreendedora, acrescentando: “Mas também com o intuito de retribuir para os meus iguais o conhecimento e as oportunidades que tive ao longo destes 12 anos de mercado formal”.

Criada em Duque de Caxias, zona periférica do Rio de Janeiro, Ludmila acostumou-se desde cedo com a rotina de deslocamento em direção à ascensão educacional e profissional – localizada nas regiões nobres do estado. Essa distância foi ficando cada vez mais clara, não apenas fisicamente, mas sobretudo no que diz respeito aos caminhos que traçou.

Dividida entre Comunicação Social e Ciências Contábeis, a jovem, que sempre amou os números na mesma medida das palavras, escolheu fazer carreira na segunda área, pois, na época, era a única que lhe oferecia a possibilidade de conseguir um estágio remunerado.

“À medida que os anos passavam, percebi que para prosperar na carreira corporativa, eu precisaria me afastar cada vez mais dos meus valores e de quem eu sou”, relembra a empreendedora. “Infelizmente, em alguns momentos, tive de me masculinizar, fingir que não era mulher, que não era tão negra assim”.

Essa perspectiva, no entanto, também fez com que Ludmila enxergasse o empreendedorismo e os pequenos empreendedores periféricos com outros olhos. Percebeu que, com informação e treinamento de qualidade, disponibilizados numa linguagem descomplicada, por um preço acessível, o conhecimento que lutou para conquistar do outro lado da cidade, poderia ser concentrado em sua própria comunidade.

Empreender é desconstruir

Apesar de ter decidido o foco do empreendimento, o caminho a seguir a partir de então não foi tão simples. Os primeiros obstáculos foram os próprios pré-conceitos de Ludmila e do público alvo da Empoderamento Contábil.

“Eu precisei, e ainda preciso, desconstruir alguns pensamentos, principalmente o de que só um emprego com carteira assinada vai me abrir portas”, diz a empreendedora. “Essa é uma ideia bem comum na periferia. Meu público-alvo encara a própria profissão como um bico, uma renda extra até voltar ao mercado de trabalho. O que eu quero é conscientizar esse microempreendedor do potencial que tem, mostrando que a gestão financeira também é para ele”.

Em 2017, quando Ludmila oficializou o negócio, buscou nas ruas os desafios que precisaria enfrentar. Entre eles, listou a dificuldade de acesso a crédito, burocracia na formalização do micronegócio, ausência de capital de giro e incerteza sobre o sucesso do empreendimento. No caso específico da empreendedora, o apoio da família e dos amigos foi fundamental para o sucesso de seu negócio, mas ela conta que muitas pessoas com quem conversa em seus workshops não recebem o mesmo reconhecimento, o que desencoraja a visão do empreendedorismo como alternativa profissional.

Para fazer acontecer

Apesar de não ter tido nenhum tipo de capital semente ou ajuda de colaboradores diretos, a Empoderamento Contábil já abriu caminho com uma vantagem: o conhecimento da fundadora em relação à gestão estratégica e de custo. Além disso, os mais de 10 anos de carreira no mercado formal deram a Ludmila o panorama necessário para entender os processos de estruturação e planejamento de uma empresa.

Atualmente, a startup é conduzida apenas pela fundadora e conta com parcerias e colaborações com coletivos, ONGs e outros empreendedores sociais. O site, por exemplo, foi desenvolvido com a ajuda de três designers do projeto Cumbuca Marketing, que usaram as técnicas do design Sprint para mapear e terminar de definir os serviços ofertados pela consultoria. Outro passo importante na trajetória do empreendimento foi o redirecionamento de público. Ludmila optou por orientar o conteúdo de seus serviços para mulheres empreendedoras e periféricas.

Ludmila Hastenreiter, que criou a Empoderamento Contábil para empoderar mulheres, está sentada ao computador sendo gravada por câmera.

“Percebi que minha primeira opção é falar com mulheres. A importância e o impacto que a mulher tem na disseminação do conhecimento é ímpar; entre os jovens, dentro de uma família. Ainda mais quando essa mulher é empreendedora, e tem que cumprir uma série de atividades sendo uma só”, explica Ludmila.

Conquistas alcançadas e à vista

Desde 2017, foram realizados em média 10 grandes eventos. Dentre eles, a maioria palestras gratuitas e alguns workshops de baixo custo, que variaram entre R$ 20 e 60. Ainda assim, foram distribuídas algumas gratuidades, para ampliar as oportunidades de quem não poderia arcar com esse valor.

Além da consultoria presencial, Ludmila abriu um canal de treinamento online, o Vamos Juntas! O curso se dedica a ensinar mulheres a administrar o dinheiro e investi-lo para potencializar a carreira profissional. No futuro, a empreendedora pretende implementar um sistema de plataforma de ensino online, mas por enquanto opta pela maior parte dos serviços  presenciais, incluindo palestras e consultorias em empresas.

Ludmila Hastenreiter, que criou a Empoderamento Contábil para empoderar mulheres, está ao lado de dez participantes do canal de treinamento Vamos Juntas!

Para complementar os planos e somar conhecimento, Ludmila foi aprovada recentemente em um curso extensivo de Finanças Corporativas na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos. Apesar de ter recebido bolsa integral, as despesas da viagem não são inclusas e, por isso, a empreendedora abriu um financiamento coletivo para arrecadar fundos, que funciona por meio de um sistema de recompensas: a cada contribuição feita, o doador tem a chance de criar uma oficina em um bairro periférico do Rio de Janeiro.

Dessa forma, o conhecimento somado e adquirido retorna para a periferia e os valores, uma vez negados, são exaltados como potenciais transformadores. Mulher, negra, periférica e empreendedora social, Ludmila Hastenreiter imprime no mundo um pouco da sua marca todos os dias.

Enquanto a Empoderamento Contábil alcança os primeiros resultados e define metas para o futuro, outros empreendimentos criados por mulheres e voltados para abrir caminhos na vida profissional despontam como potenciais transformadores. É o caso da RAP – Rede de Afro Profissionais, uma ferramenta que conecta mulheres negras a oportunidades no mercado de trabalho.O projeto foi desenvolvido por duas irmãs, Jéssyca (26) e Monique Silveira (31), e surgiu com a missão de promover a igualdade racial e de gênero, ao criar uma rede de conexões entre mulheres negras e as mais diversas vagas de emprego, incentivando a ocupação de cargos de liderança.

Antes de ser acelerado pelo Pense Grande Incubação, a RAP começou como um grupo no Facebook, que reunia mulheres negras e as incentivava a empregarem umas às outras. Hoje, a startup movimenta em média 15 mil mulheres conectadas.

março 8th, 2019

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