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Imagem mostra um armazém com alimentos expostos em caixas de plástico. Ao fundo, se vê uma parede com grafite

Nascida no Capão Redondo, região do Campo Limpo, zona sul de São Paulo, a Agência Popular Solano Trindade tem como proposta fortalecer a economia ligada à cultura criativa e incentivar a produção e a difusão da cultura popular, criando formas de organização e sustentabilidade dessas ações. A iniciativa aposta no empreendedorismo em rede para articular arte, cultura e mercado, e ainda, resistir a tempos mais difíceis.
“A gente acredita que estar em rede é poder dialogar com o mercado e fazer com que uma empreendedora, após anos sendo empregada doméstica, possa viver do seu dom”, resume Thiago Vinicius, fundador à frente do empreendimento, que funciona como um coletivo.

A Agência tem capacidade de organizar eventos desde o transporte e catering (fornecimento de alimentos e serviços similares), até a contratação de recepcionistas, palestrantes e shows.  “Nosso intuito é fazer com que esse empreendedor ou empreendedora acesse o mercado, venda o produto e volte para a quebrada”, conta Thiago.

 

Construindo pontes

Criado a partir de um desdobramento do Banco Comunitário União Sampaio, o primeiro banco comunitário da periferia de São Paulo, a Agência Popular Solano Trindade, que traz no nome a homenagem a Solano Trindade, caracteriza-se por ter uma forte vivência com a cultura da região do Capão Redondo. Artistas como Mano Brown e atrações como Sarau do Binho e Cooperifa também são referências.

Contudo, foi a participação na 31ª Bienal de Artes de São Paulo, que tornou a agência uma referência na comunidade e ganhou o apoio de pequenos comerciantes e empreendedores. “Foi a primeira vez que a periferia entrou pela porta da frente, para estar ali como artistas, junto a outros de vários lugares, como Israel, Londres, Amsterdam”, relembra Thiago Vinicius.

Hoje a estrutura da agência ainda se desdobra em um coworking, com sala de reunião, um armazém de comida orgânica e o restaurante Organicamente Rango, chefiado pela mãe de Thiago Vinicius, a dona Nice.

A ancestralidade, inclusive, é exaltada como um dos pilares do empreendedorismo na periferia pelo fundador. “Minha mãe é uma das primeiras mobilizadoras aqui da quebrada e passou pra nós essa história, essa luta. Então a gente tem esse empoderamento familiar dentro da nossa casa, da nossa formação. A gente sempre remete à nossa ancestralidade antes de colocar um projeto na rua”.

Thiago Vinicius posa para foto

“Nós somos empreendedores da periferia, que têm todas as dificuldades. Baixa escolaridade, mal fala português, quem dera falar inglês, muitas vezes não sabe mexer em uma planilha. Imagine quem mora no Capão Redondo, leva duas horas para chegar no centro e mais duas pra voltar. Tudo isso são barreiras físicas, muitas visíveis e muitas invisíveis, que nós enfrentamos para poder transformar e fazer as coisas como a gente faz”, ressalta Thiago Vinicius.

Desafios e superação em tempos de crise

Com 31 anos, sendo 16 anos de experiência no empreendedorismo social, Thiago é consciente sobre os desafios da área que no atual cenário, tendem a crescer por conta da pandemia mundial causada pelo coronavírus.

Mas é justamente a capacidade de articulação da iniciativa que está sendo colocada em prática, durante este período em que os eventos estão paralisados, para apoiar os cerca de mil empreendedores que estão na base da Agência Solano Trindade

Junto com um time que inclui outros empreendimentos de impacto, como Preta Hub, Vale do Dendê, Fa.vela, Festival Latinidades e Afrobusiness Brasil, eles criaram uma aliança com o objetivo de captar recursos para o fundo de emergência do Éditodos.

“É bem bacana, porque a gente chega junto. É a inteligência de rede, de novo, ao abordar os financiadores. Porque quando eu vou falar com o financiador, vou como coalizão, então meu impacto aumenta. Não vou falar só do meu, vou falar do todo, com alcance na Bahia, em Minas Gerais, no Distrito Federal”, exalta Thiago.

Com os recursos arrecadados a ideia é tornar o Éditodos – que brinca com a palavra edital e já existe desde 2017 – em uma plataforma de doação. A intenção é distribuir um ticket de R$ 1.000 para que os empreendedores já associados possam, comprar alimentos e pagar contas fixas nos próximos meses.

“Na rede da Agência Popular Solano Trindade, 56% dos empreendedores estão no grupo de risco do coronavírus. São pessoas com mais de 60 anos, são mulheres negras e avós”, detalha o empreendedor.

Thiago conta que também criou uma campanha própria para arrecadar recursos e incentiva os empreendedores a não desistirem por conta da pandemia.

“A gente está trabalhando mais do que o normal para continuar a captação de recursos e não vamos desistir. Estaremos aqui para nos desenvolver juntos, porque também está sendo um grande aprendizado. Vamos pra cima!”, conclui.

março 31st, 2020

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Adriana Barbosa, idealizadora da Feira Preta e CEO da PretaHub

A maioria dos empreendedores negros no Brasil é mulher (52%), tem menos de 40 anos, é formalizado, reside nas regiões Sudeste e Nordeste, estudou até o Ensino Médio e possui renda familiar de até R$ 5 mil. As informações são da pesquisa Empreendedorismo Negro no Brasil 2019, realizada pela aceleradora PretaHub em parceria com o Plano CDE e com o apoio do banco JP Morgan.

Atualmente, são mais de 14 milhões de empreendedores negros no Brasil. Para mapear esse ecossistema e entender seus principais desafios, a pesquisa entrevistou 1.220 empreendedores de todo o país, entre 18 e 70 anos, de todos os gêneros e classes sociais.

Uma segunda etapa envolveu um trabalho qualitativo feito com 12 empreendedores negros de diversos perfis, recursos financeiros e áreas de atuação.

Slide da pesquisa Empreendedorismo Negro no Brasil 2019, realizada pela aceleradora PretaHub

Diversidade na área

Entender o empreendedorismo negro como não homogêneo foi o principal caminho adotado pela pesquisa. Os entrevistados foram enquadrados em três perfis, de acordo com a motivação para empreender.

Aqueles que empreendem por vocação costumam ter bons resultados: 51% sempre quiseram empreender, 95% querem ampliar a empresa em um ano e 85% alegam que a renda aumentou com a abertura dos negócios.

Por sua vez, os empreendedores por necessidade são mais solitários: 86% não têm funcionários ou parceiros e 46% empreendem por falta de emprego no mercado de trabalho tradicional. Muitos deles não se entendem como empreendedores e, segundo a pesquisa, essa é uma das principais barreiras do perfil.

Já a categoria dos engajados é aquela cujo desejo de empreender está atrelado à vontade de autoafirmação, de fortalecimento do público afro-brasileiro e encara o empreendedorismo como um “processo de cura” para o racismo estrutural e social. Do total de empreendedores negros dessa categoria, 29% trabalham em rede com outros empreendedores negros e 36% são voltados para inovação.

Slide da pesquisa Empreendedorismo Negro no Brasil 2019, realizada pela aceleradora PretaHub

Desafios pelo caminho

A baixa representatividade no ecossistema de startups, as dificuldades para comercializar produtos e serviços, além do menor acesso às novas tecnologias e à educação financeira foram os principais desafios apontados pelos empreendedores negros.

O acesso ao crédito também foi colocado como um entrave relevante, que faz com que muitos empreendedores negros usem apenas a própria poupança ou a ajuda de seus familiares para investir nos negócios. E, embora o racismo não tenha sido apontado pela maioria como o principal motivo, 32% dos entrevistados afirmaram terem o crédito negado sem explicação.

Em entrevista a Fundação Telefôniva Vivo, Adriana Barbosa, idealizadora da Feira Preta e CEO da PretaHub comenta sobre os principais dados do estudo e faz uma reflexão sobre o que eles significam.  Confira a seguir!

A pesquisa mostrou que 19% dos empreendedores entrevistados se declaram como preto(a) e 81% como pardo(a). Também foi apontada a falta de conhecimento sobre os termos “afroempreendedor” e “empreendedorismo negro”. Esses dados se relacionam?

Adriana Barbosa: A identificação como pardo pode inibir a percepção de pertencer ao afroempreendedorismo, mas essa é apenas uma das hipóteses. Eu penso que está mais relacionado ao dolorido processo de se reconhecer negro. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica – IBGE mostram que, apenas nos últimos 20 anos, a população negra passou a se autodeclarar como negra, a partir de um movimento intenso de grupos culturais, artistas, coletivos, organizações sociais e ações afirmativas. É um esforço coletivo para construir uma narrativa de beleza e potência. Hoje nos grandes centros urbanos, jovens já se autodeclaram como negro e possivelmente é a geração que empreende com engajamento, como é o caso da Diáspora Black, Clube da Preta, Xongani e tantas outras iniciativas.

 

A maioria dos empreendedores que vocês ouviram têm até 40 anos. Isso significa que empreendedorismo é coisa de gente jovem?

Adriana Barbosa: Há mais negros que não querem estar dentro das empresas tradicionais, mais negros nas universidades, e o acesso à renda aumentou. A população negra movimenta mais de um trilhão na economia. Temos mais referências hoje sobre empreendedores que deram certo. Acho que essa combinação de fatores faz com que os jovens empreendam mais. Vale dizer também que o histórico de racismo e exclusão fez com que as oportunidades chegassem mais tarde à população negra. E muitas delas privilegiam mais os jovens, que estão mais conectados e conseguem acessar mais facilmente o ecossistema empreendedor.

No perfil de quem empreende por necessidade, vocês destacam como barreira a autopercepção como empreendedor. Por que isso acontece e qual o impacto nos negócios?

Adriana Barbosa: O reconhecimento como empreendedor é um grande passo para a autoestima e para acessar o que o mercado dispõe, mas muitos empreendedores enxergam sua atividade como uma forma de sobrevivência.  E quando se vive numa situação de extremos, o foco é, de fato, sobreviver. Isso é ruim porque é uma precarização do empreendedorismo e do trabalhador. Uma alternativa para a mudança passa pela rede de organizações de suporte ao nano e microempreendedor, que entende as especificidades de cada contexto e os ajuda nessa jornada.

A pesquisa aponta que 51% dos empreendedores por vocação sempre quiseram empreender. É possível dizer que essa categoria está conseguindo chegar mais perto de seus sonhos, mesmo com barreiras?

Adriana Barbosa: Isso quer dizer que estamos transcendendo a condição de necessidade para vislumbrarmos oportunidades no mercado. Uma grande revolução está acontecendo, porque estamos nos permitindo sonhar e construir novas realidades.  O fato de enxergamos outras possibilidades permite que a circulação de renda aumente entre os negros porque estamos cada vez mais politizados na forma como consumimos. Um exemplo disso é a Feira Preta, que no ano passado contou com mais de 150 empreendedores de mais de 10 estados do país. Reunimos mais de 35 mil pessoas e parte desse público consumiu dos expositores, fazendo a circulação monetária aumentar.

O empreendedor engajado é apontado pela pesquisa como o que trabalha mais alinhado com a autoafirmação e a busca por valorizar a rede de empreendedores negros. Qual a importância desse perfil para mudar o quadro histórico de informalidade?

Adriana Barbosa: Os engajados são fundamentais porque não estão só vendendo produtos, mas atuando em um ponto central que é o fortalecimento identitário. Os empreendedores nos ajudam a valorizar a nossa história através de seus produtos e serviços, porque entendem as nossas dores com mais profundidade.  Acredito que o grande desafio que a pesquisa apontou é como transformar os empreendedores por vocação em engajados para que possam atender as demandas e especificidades de consumo da população negra.

Ainda que a maioria dos empreendedores entrevistados pela pesquisa seja formalizada, ainda há 46% que fazem parte do empreendedorismo informal. Quais seriam os caminhos para minimizar esses números?

Adriana Barbosa: A população negra empreende há muitos anos, mesmo antes de existir o MEI – Microempreendedor Individual. Acontece que o ecossistema empreendedor brasileiro é ainda muito excludente, porque tem códigos específicos do mercado, que se você não tem a compreensão, não consegue acessar.  Falamos de Canvas, Plano de Negócios, Investidor Anjo. Quem não entende esses conceitos dificilmente terá o que o mercado dispõe para a jornada empreendedora. E uma das formas de mitigar essa questão é tornar isso acessível para um maior número de pessoas. 

A pesquisa indica que o número de empreendedoras negras é ligeiramente maior que o de homens. Quais são os benefícios disso para a sociedade como um todo?

Adriana Barbosa:  Um benefício importante que vale destacar é que, pelo fato de sermos maioria e termos um histórico de empreendedorismo há pelo menos 13 décadas, acumulamos conhecimentos que não estão nas academias e nem ao menos nos livros de negócios. Há muito saber ancestral que tem apoiado a alavancagem de mulheres negras. Temos um senso de comunidade, facilidade de trabalhar em rede e as nossas interações são em nível sistêmico. Uma pena não nos reconhecerem como potência.

março 19th, 2020

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Imagem mostra uma rua estreita, com casas em voltas, e duas pessoas em pé de destaque

O Brasil possui 13,6 milhões de pessoas morando em áreas periféricas, população que movimenta cerca de R$ 120 bilhões por ano. Os números divulgados pela pesquisa Economia das Favelas, realizada em 2019 pelos institutos DataFavela, Locomotiva e a Central Única de Favelas (CUFA), indicam que as favelas movimentam um volume de renda maior que 20 dos 27 estados brasileiros.

Mas será que essa representatividade se reflete nos espaços dedicados aos conteúdos para as periferias em grandes portais de notícias e comunicação?
De acordo com Amanda Rahra, cofundadora da Énois Conteúdo – uma agência de jornalismo criada na região do Capão Redondo, periferia de São Paulo – ainda falta um olhar mais aprofundado das mídias tradicionais para os territórios periféricos, o que fortalece a importância de veículos de comunicação locais, não apenas para as comunidades, mas para a cidade como um todo.

“Apenas um veículo inserido na realidade das periferias consegue captar os problemas e as soluções para essas pessoas”, acredita.

Além de produzir reportagens e conteúdos locais, a iniciativa, criada em 2009, tem um trabalho de formação com jovens. A Énois criou a primeira escola online de jornalismo do Brasil voltada ao público jovem e conta com mais de quatro mil alunos cadastrados. Para ela, é preciso fortalecer o jornalismo local, em termos de formação e financiamento, para que existam profissionais dedicados e aptos a criarem conteúdos relevantes.

“Manter veículos de comunicação com esse foco é muito importante porque ajuda a manter a diversidade no campo jornalístico. Os veículos tradicionais estão atentos a realidades mais nacionais e de pouca gente e não da maioria”, ressalta.

Além da Énois, diversas iniciativas espalhadas pelas cidades produzem conteúdos para as periferias. Destacamos oito agências de comunicação que valem a pena conhecer. Confira!

 

Agência Mural de Jornalismo das Periferias

Logo da Agência Mural

Criada em 2010, é uma agência de notícias, informação e inteligência sobre as periferias das cidades da Grande São Paulo. Mais de 100 “muralistas”, como são conhecidos os correspondentes locais, já passaram pelo site e o conteúdo é, em sua maioria, produzido por estudantes ou formados em comunicação interessados em contar o que se passa na região em que moram, em periferias da Grande São Paulo e imediações.

As notícias criadas no portal abordam diferentes temas como empreendedorismo, cultura, serviço e reportagens especiais que chamam atenção para a realidade das regiões periféricas da capital. O projeto pretende também contribuir, a partir do exercício do jornalismo profissional de boa qualidade, para atingir a meta 10 dos objetivos de desenvolvimento da ONU para 2030.

Periferia em Movimento

Logo da Periferia em Movimento

Uma produtora de Jornalismo de Quebrada que gera e distribui informação a partir do Extremo Sul de São Paulo (Grajaú, Parelheiros, Marsilac e Cidade Dutra). Foi fundada em 2009 e tem como missão “fazer um jornalismo sobre, para e a partir das periferias, em nossa complexidade, para ocupar espaços que sempre nos negaram e garantir o acesso a direitos”.

O portal conta também com um canal no Youtube, em que são produzidos vídeos com reportagens especiais, entrevistas com jovens moradores de regiões periféricas e especialistas em diferentes assuntos que estão em pauta na sociedade, além de reportagens em formato de documentário.

ANF – Agência de Notícias das Favelas

Logo da ANF – Agência de Notícias das Favelas

Fundada em janeiro de 2001, foi reconhecida pela Reuters como a primeira agência de notícias de favelas do mundo. A ANF, como é chamada, foi criada para atender a demanda da imprensa e da sociedade, que careciam de informações sobre que acontecia no contexto das favelas do Rio de Janeiro. Hoje, é instituída como uma ONG que leva adiante a luta pela democratização da informação da favela para o mundo, tendo como protagonistas seus próprios moradores.

A Agência de Notícias das Favelas dispõe de um site, mídias sociais e do jornal “A Voz da Favela”, maior impresso das favelas do país, com uma tiragem de 100 mil exemplares mensais, gratuitos – por meio de contribuição voluntária do leitor – circulando no estado do Rio de Janeiro e na cidade de Salvador, na Bahia. O portal conta com a colaboração de quinhentas pessoas que enviam seus artigos e matérias, promove o Encontro Latino-americano de Comunicação Comunitária e o Primeiro Prêmio ANF de Jornalismo, no Rio de Janeiro.

Nós, Mulheres da Periferia

Logo do Nós, Mulheres da Periferia

Um coletivo jornalístico independente formado por jornalistas moradoras de diferentes regiões periféricas da cidade de São Paulo. A principal diretriz do portal é disseminar conteúdos autorais produzidos por mulheres e a partir da perspectiva delas, tendo como fio condutor editorial o encontro de temas como gênero, educação, raça, classe, infância e território.

O site surgiu em 2014 com o objetivo de contribuir para a construção de narrativas jornalísticas mais humanas e contextualizadas. Em 2017, o destaque ficou pelo lançamento do documentário “Nós, Carolinas”, que narra as vivências de mulheres moradoras de quatro diferentes regiões periféricas da capital paulista.

Fala Roça

Logo do Fala Roça

O Fala Roça é um jornal impresso e online independente, feito por moradores da Rocinha, a maior favela do país com cerca de 70 mil habitantes, localizada na Zona Sul do município do Rio de Janeiro. Os exemplares são entregues de porta em porta desde 2012, devido ao fato da internet ainda não ser uma ferramenta acessível a toda a comunidade.

Com o avanço da tecnologia, o Fala Roça foi se remodelando e passou a produzir reportagens para a versão digital e vídeos de temas como política, obras, saúde, cultura, economia, esportes e oportunidades. A iniciativa tem como missão trazer um pouco da cultura nordestina, mostrando o quanto ela é presente dentro da periferia que reúne mais nordestinos na capital.

Desenrola e Não Me Enrola

Logo Desenrola e Não Me Enrola

Criado em 2013, o coletivo de comunicação atua na veiculação de informações sobre os fatos que acontecem nas periferias de São Paulo, buscando um olhar positivo nas reportagens escritas e nos vídeos que abordam temas como música, teatro, esporte, literatura e ações desenvolvidas por articuladores culturais das periferias.

A iniciativa conta ainda com um trabalho de formação. O Você Repórter da Periferia é um projeto de educomunicação voltado para jovens das periferias e alia a teoria e a prática do jornalismo comunitário e cultural. Diante da potencialidade do cenário cultural da periferia foi criado o Centro de Mídia e Comunicação Popular M’Boi Mirim, um espaço localizado no Jardim Ângela que abriga um escritório colaborativo, estúdio multimídia de fotografia e vídeo, auditório para palestras e workshops e a redação do portal Desenrola e Não Me Enrola.

Fala Manguinhos!

Logo do Fala Manguinhos!

O Fala Manguinhos! é uma agência de comunicação comunitária voltada para a produção de matérias e conteúdos em vídeo e fotos voltados às demandas do território de Manguinhos, bairro localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. Surgiu com o propósito de transformar pessoas e o território que está inserida por meio de seus projetos e em parceria com os moradores do Complexo de Manguinhos.

A página traz assuntos relacionados à educação, segurança e foca grande parte dos esforços em chamar atenção às necessidades dos moradores da região.

Énois ConteúdoLogo do Énois Conteúdo

A iniciativa surgiu a partir de um trabalho voluntário no Capão Redondo, na época conhecido como um dos bairros mais violentos da periferia paulistana. Trabalha com três eixos: Jornalismo Local, que atua com formações no território para fortalecer a rede de jornalistas das periferias de São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife; Gestão e estrutura jornalística, que trabalha para desenvolver o índice de diversidade das redações tradicionais; e Produção e distribuição, que produz as reportagens e cuida da distribuição de conteúdo a partir das demandas e das necessidades das comunidades.

Em 2014, a Énois foi selecionada pela revista americana GOOD como uma das 100 iniciativas globais que ajudam a empurrar o mundo para frente e pelo BID como uma das 16 startups mais inovadoras da América Latina.

 

março 11th, 2020

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Imagem mostra um grupo de jovens reunidos em volta de uma mesa olhando para um notebook

Mensurar o impacto social de um negócio não é uma tarefa fácil e,além do próprio empreendedor, precisa envolver todos os stakeholders que fazem parte do projeto: fornecedores, colaboradores, acionistas, investidores, etc. Além disso, é preciso levar em conta outros fatores como o tempo e o investimento disponíveis para a avaliação.

Segundo Daniel Brandão, sócio-fundador da Move, que apoia organizações públicas e privadas na ampliação e qualificação dos impactos social e socioambiental de suas ações, “ter a expectativa de que o empreendedor é capaz de resolver tudo sozinho, é uma coisa um pouco perigosa. A responsabilidade é do conjunto de stakeholders ou parceiros que estão envolvidos no negócio, porque mensurar o impacto demanda bastante energia, seja intelectual, seja financeira”, afirma.

O especialista também explica que nem todo empreendedor está pronto para mediro impacto do seu negócio social. “Dependendo da fase do seu negócio, talvez possa avaliar outras coisas: processo, teste de percepção, aderência do seu produto, pesquisa de mercado, entre outras questões”, exemplifica.

A própria definição do que é impacto social não tem um único entendimento e pode variar de acordo com o tipo de iniciativa e objetivo. No episódio Os Caminhos para o Impacto Social, da segunda temporada do Pense Grande Podcast, Debora Luz, co-fundadora do Clube da Preta -primeiro clube de assinaturas de moda e acessórios afro do Brasil -mede o impacto de seu negócio para além dos resultados numéricos, baseando-se no crescimento de fornecedores.

“Cada empreendedor que entra na marca nos ensina. Eles estão empreendendo porque é a forma que arranjaram de ter renda. Ver o trajeto de transformação que eles têm até a criação da marca, é incrível. Estamos indo para o segundo ano de negócio e geramos R$ 100 mil de renda para os empreendedores dentro da nossa base e mais de 10 mil produtos de afroempreendedores distribuídos para todo o país”, conta no podcast.

Já o guia prático Avaliação para Negócios de Impacto Social, feito em parceria entre Artemisia, Move e Agenda Brasil do Futuro, define impacto social como “o conjunto de consequências, positivas e negativas, intencionais e não intencionais, que uma intervenção produz em uma dada realidade. Impacto, portanto, tem a ver com relações de causa e efeito, com desdobramentos, consequências e influências”.

Daniel Brandão explica que não existe uma única forma de avaliação ou uma ferramenta abrangente que meça impacto e resolva todas as situações e abordagens. Isso vai depender de três fatores: escala do que será avaliado, da capacidade de investimento e do tempo disponível para a avaliação.

“Esse triângulo vai definir qual a melhor abordagem e a técnica para ser utilizada. Aí você pode fazer algo simples, que dê uma leitura mais geral, mas não menos importante, ou pode fazer uma leitura mais profunda, que traga dados mais detalhados”, afirma.

Ainda que seja uma tarefa com muitas variáveis, medir o impacto social de um negócio pode começar com o apoio de ferramentas, como a Teoria de Mudança e o Modelo C.

Teoria de Mudança como ferramenta

A Teoria de Mudança é uma ferramenta com uso amplo, que pode ser aplicada em vários momentos do negócio e não apenas para apoiar o processo de medir impacto social.Seja na hora de testar um produto básico, em um projeto na fase inicial, ou mesmo quando se tem apenas uma ideia e poucos recursos disponíveis.

Reunindo elementos de forma lógica e relacionando ações, produtos, resultados e impacto, a Teoria de Mudança procura traduzir, de maneira simples e criativa, os maiores compromissos de uma iniciativa.

Simplificação do conceito de Teoria de Mudança Inputs (Recursos necessários para operar a iniciativa) > Intervenções e atividades macro (Atividades centrais com fim de transformação) > Públicos (Quem recebe a intervenção) > Outputs (Produtos ou alcances imediatos das intervenções) > Resultados (Efeitos de curto ou médio prazo) > Impacto (Efeitos de longo prazo)

Fonte: Guia Prático – Avaliação para Negócios de Impacto Social

Daniel resume: “é uma ferramenta para construir uma clara narrativa da cadeia de valores ou de resultados para a produção de impacto. Deixa claro qual é o impacto e de qual resultado ele depende. A partir disso, o empreendedor pode tomar decisões gerenciais que orientam que tipo de avaliação vai fazer, quando e quais indicadores”.

Modelo C

Outra ferramenta estratégica é o Modelo C, que também pode ser usada de forma contínua para promover melhorias internas em negócio de impacto. Seja para formatar uma ideia em estágio inicial, revisitar o modelo de negócio inicialmente proposto ou até avaliar a robustez de um negócio de impacto de um ponto de vista externo.

De modo geral, o Modelo C expande o Business ModelCanvas e avalia elementos como beneficiários, valor social e canais de relacionamento, incorporando novas dimensões da Teoria de Mudança: Oportunidade de Mercado, Equipe e Resultado Financeiro.

“O Modelo C promove uma discussão em outro nível da Teoria de Mudança, que é como ela se liga ao plano de negócio, o que para o empreendedor é muito importante”, afirma Daniel Brandão. Este guia sobre o Modelo C, feito pela Move em parceria com ICE (Inovação em Cidadania Empresarial), Fundação Grupo Boticário e SenseLab, traz mais detalhes sobre a aplicação prática da ferramenta.

A metodologia Pense Grande aborda em detalhes outras ferramentas e caminhos para empreender. Além disso, é possível expandir a discussão ouvindo os episódios da segunda temporada do Pense Grande Podcast, em que empreendedores dão dicas sobre temas que vão de autocuidado e gestão de recursos até cultura maker e produção de conteúdo. Confira!

março 2nd, 2020

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Imagem mostra uma mulher e um homem na rua olhando para um celular que está na mão dele. Ao fundo se vê prédios comerciais.

Os aplicativos de mobilidade urbana se tornaram quase indispensáveis no dia a dia das pessoas, especialmente nas grandes cidades. Para a maioria dos usuários dessa modalidade de transporte, basta pegar o smartphone, solicitar o carro pelo aplicativo e esperar. Mas há uma série de iniciativas voltadas para pessoas que precisam de um serviço mais personalizado.

É o caso da Eu Vô, uma espécie de Uber voltado para a locomoção de idosos e pessoas com mobilidade reduzida. O diferencial é que o serviço, que precisa ser agendado pelo aplicativo ou site com antecedência de três horas, é do tipo porta a porta. Ou seja, o motorista pega o passageiro na porta de casa e o leva até a porta do destino.

Se solicitado, o motorista também pode acompanhar o usuário em outras atividades, como compras no supermercado ou consultas médicas. A ideia veio dos irmãos Victória, de 27 anos e Gabriel Abdelnur Barboza, de 30 anos.

Os irmãos sempre quiseram empreender e até já haviam apostado em outros negócios. Mas com a Eu Vô eles finalmente encontraram um propósito: empoderar pessoas com mobilidade reduzida para viverem uma vida mais autônoma.

Os jovens de São Carlos, cidade do interior de São Paulo, se inspiraram na experiência com a própria mãe, diagnosticada com esclerose múltipla há quase trinta anos. “A Eu Vô veio para tirar do isolamento pessoas que precisam de ajuda para realizar suas atividades. Até porque o isolamento leva à perda cognitiva e, muitas vezes, à depressão. Passamos por isso em casa”, relata Victória.

 

Os irmãos Gabriel e Victória, criadores do Eu Vô, posam para foto

Os irmãos Gabriel e Victória, criadores do Eu Vô

Pesquisa de campo

Para entender os desafios do transporte destinado às pessoas com mobilidade reduzida, Victória e Gabriel arregaçaram as mangas e começaram a testar o serviço com seus próprios carros. “Foi uma experiência maravilhosa, pois tivemos contato direto com clientes que usam a Eu Vô até hoje. Além disso, entendemos a nossa operação de ponta a ponta”, avalia a empreendedora.

As operações começaram oficialmente em julho de 2017, em São Carlos. Em setembro de 2019 chegou à capital paulista e já faz parte da rotina de quase 200 famílias. Ao todo, já foram mais de 2.200 serviços prestados pela empresa.

Todos os motoristas cadastrados passam por avaliação com psicólogos e treinamento presencial, formulado pelos próprios empreendedores em parceria com profissionais da área da saúde. Assim, a empresa garante a segurança e a qualidade do serviço.

“Não tem nada mais valioso e motivador do que receber feedback de clientes que estão utilizando os nossos serviços. Vemos que realmente estamos impactando no ambiente familiar, isso é o que nos motiva a continuar”, diz Victória.

Transporte para todo mundo

Outras iniciativas também focam em públicos específicos. É o caso do BabyPass, criado no início de 2018, no Rio de Janeiro, para transportar em segurança mães e pais acompanhados de crianças de 0 a 7 anos.

O carro solicitado pelo usuário vem equipado com a cadeirinha para crianças de 0 a 3 anos ou assento elevado para as de 4 a 7 anos. Apenas motoristas mulheres são contratadas, e todas elas passam por seleção minuciosa. Além de zelar pela segurança das crianças, as motoristas também são preparadas para indicar locais e atrações para crianças.

Já o Lady Driver é um aplicativo de transporte exclusivo para passageiras e motoristas mulheres, criado com o objetivo de trazer mais segurança e conforto para o público feminino se locomover na cidade. Além disso, a plataforma possibilita o cadastro de um contato de emergência para acompanhar a viagem realizada.

E quem precisa transportar animais de estimação, pode contar com o PetDriver. O aplicativo voltado para o transporte de cachorros e gatos conta com motoristas amantes de animais. A segurança é prioridade: cães são transportados com cintos próprios e gatos permanecem em caixas específicas. Além disso, os carros são higienizados a cada corrida.

Além do asfalto

Saindo dos centros urbanos, há quem precise de soluções para se deslocar na água. Pensando em facilitar a vida de quem utiliza transportes hidroviários na região do Amazonas, os jovens paraenses Maickson Bhoim e Taissir Wilkerson criaram o Embarcar, aplicativo e site que reúnem informações completas sobre as viagens de barco em Santarém (PA) e região.

Basta colocar origem e destino e o Embarcar fornece opções de embarcações, horários, dias, preço da passagem e contato com a empresa responsável. A ideia surgiu quando os dois empreendedores participaram do Pense Grande Incubação, projeto de fomento ao empreendedorismo social realizado pela Fundação Telefônica Vivo.

“Às vezes chegamos a um local para procurar um barco, mas o veículo está distante de onde estamos e essa dificuldade que enfrentamos me estimulou muito. Eu acredito muito na transformação social que esse aplicativo traz e na mudança de hábito da população por meio da facilidade de acesso a essas informações”, afirma Taissir.

fevereiro 27th, 2020

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Imagem mostra uma mulher sorrindo ao fundo em uma parede de tijolos

Pesquisa Favelas Brasileiras, fruto de uma parceria entre o Instituto Data Favela, Locomotiva e a Central Única de Favelas (CUFA) revela que o empreendedorismo, a felicidade e a confiança na realização profissional são expectativas para 2020

Em um país com 210 milhões de habitantes, cerca de 13 milhões deles moram em favelas. Em termos proporcionais, se todas as comunidades juntas formassem um Estado, ele seria o 5° mais populoso do Brasil. Esses dados fazem parte da Pesquisa Favelas Brasileiras, realizada a partir de uma parceria entre o Instituto Data Favela, Locomotiva e a Central Única de Favelas (CUFA).

O levantamento foi feito nos 26 Estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal, para medir a configuração geral e atual das grandes comunidades a partir de números. No período de 8 a 18 de dezembro de 2019, foram entrevistadas 2.006 pessoas, de cerca de 63 favelas brasileiras. Os aspectos analisados vão desde concentração de favelas por região até estrutura familiar, organização financeira, consumo, acesso a oportunidades de desenvolvimento, e perspectiva para o futuro.

Em entrevista ao Fantástico, o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles define a relevância do estudo para a sociedade brasileira: “A favela é o território que muitas vezes é esquecido quando se fala do Brasil. Mas é essa favela que representa uma fatia importante da população brasileira que, cada vez mais, quer ser ouvida e ser protagonista da sua própria história”.

 

Favela feliz, sonhadora e empreendedora

Embora os brasileiros que não moram em favelas reconheçam o senso de comunidade existente dentro das periferias, ainda costumam associar os territórios à pobreza e à violência. Segundo a pesquisa, essa perspectiva muda quando são os próprios moradores a definir a vida nas favelas: alegria, família e amizade. Eles não deixam de citar a pobreza, mas a soma final é positiva. 43% dos entrevistados dão nota 10 para felicidade, ou seja, se consideram felizes.

Além disso, quando perguntados sobre sonhos, o principal é ter a casa própria e 52% dos entrevistados são otimistas em relação à realização de seus objetivos. No que diz respeito ao âmbito profissional, cerca de 4,8 milhões de pessoas querem empreender. Esse número corresponde a 35% da população nas favelas. Desse total, 75% das pessoas estão confiantes de que conseguirão empreender.

“O morador de favela precisa ter consciência da potência que ele tem. Logo, quando ele vê uma pesquisa dessas, que aponta que o sonho de vários moradores de favela é empreender ou que o território que ele mora movimenta, anualmente, R$ 119,8 bilhões, ele vê que não está sozinho e ganha confiança para quebrar paradigmas e realizar sonhos”, diz Celso Athayde, CEO do Grupo Favela Holding e fundador do Data Favela.

 

Jovens da periferia: oportunidades distintas

Apesar de 81% das pessoas entrevistadas acreditarem que a vida vai melhorar em 2020, 6 em cada 10 consideram ter menos oportunidades de progredir do que os moradores “do asfalto”, ocupantes dos centros urbanos. Isso acontece porque as condições de desenvolvimento dos jovens da periferia continuam a ser inferiores ao exigido pelo mercado de trabalho.

Como relembra Lucas Lima, 24 anos, nascido e criado no Complexo do Alemão: “Dentro da comunidade existem jovens com uma capacidade criativa acima da média, mas sem acesso a ferramentas para colocar essa mentalidade para fora. Estou tentando trazer recursos para que esses jovens ganhem reconhecimento e construam carreiras. Precisamos trazer a tecnologia para favela para ontem!”.

Lucas criou uma impressora 3D com sucata eletrônica e usa seu produto para investir em projetos educacionais para a comunidade em que cresceu, no Rio de Janeiro.

A trajetória de Vinícius Rodrigues, barbeiro que é referência na região de Guaianases, zona leste de São Paulo, também reforça a importância do empreendedorismo para a comunidade. “Era um momento em que ou eu escolhia isso ou faria uma escolha errada”, conta o jovem.

Depois de trabalhar como garçom, estoquista e chapeiro, finalmente conseguiu dinheiro para abrir sua barbearia e se tornar especialista em cortes chavosos. “Não é só cortar cabelo. Com o trabalho de corte, tem muita coisa relacionada. Servir de exemplo e mostrar que tem outro caminho que dá pra seguir é importante”, afirma.

Celso Athayde acredita que na favela as coisas mudaram e o jovem mudou. “O jovem de favela é ambicioso. Não quer ter patrão ou ter um emprego formal, com pouca perspectiva, o jovem quer sonhar e voar, e sabe que com o próprio negócio, se bem feito, ele tem mais chance de buscar os sonhos dele”, conclui.

O Pense Grande, iniciativa da Fundação Telefônica Vivo, é um programa voltado para o desenvolvimento de jovens que tem interesse em ampliar as oportunidades profissionais a partir do empreendedorismo social.

Desde 2013, quando foi lançado, o Programa já envolveu mais de 50 mil jovens em vários estados brasileiros, compartilhando a metodologia que se baseia no Empreendedorismo, Tecnologia e Comunidade. O objetivo é que os jovens criem e validem novos modelos de negócio inovadores e que seus empreendimentos sejam capazes de gerar impacto social.

Além disso, nos últimos dois anos, o Pense Grande incubou 45 projetos de jovens empreendedores para ajudá-los no processo de tirar as ideias do papel. Esse apoio contribuiu para que as novas soluções da juventude estejam ativas na transformação de suas vidas e das pessoas ao seu redor.

fevereiro 7th, 2020

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A jovem Flávia Campos Rodrigues posa para foto ao lado do parceiro

Uma comunidade com mais de 100 mil habitantes, 21 mil domicílios e mais de oito mil estabelecimentos. É neste cenário, em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, que a estudante de Marketing, e moradora, Flávia Campos Rodrigues, de 21 anos, irá lançar o aplicativo Quero Trampo, que conecta vagas de emprego na região aos moradores que estão em busca de oportunidades de trabalho.

A plataforma, com lançamento previsto para março de 2020, funcionará como uma espécie de “Tinder do emprego”, segundo a própria idealizadora, e surge com a proposta de aumentar a economia interna da comunidade, e ainda melhorar a qualidade de vida da população local.

Flávia conta que o projeto foi criado em conjunto com outros alunos, durante o curso Design em Contextos Sociais, promovido pelo Insper, Instituto de Ensino e Pesquisa. “Recebemos o desafio de solucionar um problema. Então, fomos às ruas de Paraisópolis fazer uma pesquisa com os moradores. Eles falaram muito sobre a questão do lixo, da saúde e da falta de emprego e oportunidade. E foi aí que veio a ideia do Quero Trampo”, relata Flávia.

O grupo de jovens do curso de Design em Contextos Sociais posa para foto atrás de uma mesa em que há chaveiros expostos

Flávia Rodrigues (primeira à esquerda) posa para foto com os colegas do curso de Design em Contextos Sociais

 

Paraisópolis em foco

Entre a população de Paraisópolis, 31% são jovens entre 15 a 29 anos, segundo o Mapa da Desigualdade da Rede Nossa São Paulo. E é essa faixa etária que mais sofre com a falta de emprego.

“Sendo moradora de Paraisópolis, vejo que as pessoas precisam cruzar a cidade para buscar emprego e, quando conseguem, encaram distâncias muito grandes. Sem contar as que não conseguem trabalhar por falta de capacitação”, comenta.

De olho no futuro, o objetivo do Quero Trampo também será o de trabalhar a capacitação de pessoas. A iniciativa conta com uma parceria com a agência Emprega Paraisópolis e os idealizadores pensam em promover cursos para preparar as pessoas para o mercado de trabalho, independentemente se a vaga é para a região ou não.

O projeto, segundo Flávia, também deve ajudar a fortalecer o comércio local. “Entendemos que sejam empregos temporários, mas é uma forma de dar um início na carreira, ajudar as pessoas a buscarem outras oportunidades e até mesmo a criarem seus próprios negócios”, espera Flávia.

Atualmente, o a aplicativo está em fase de desenvolvimento e os testes estão sendo feitos por Flávia e o seu parceiro Davi Dom Bosco Silva, e mais cinco estudantes de diferentes universidades do Brasil.

“Eu estou amando empreender. Acredito que dentro de uma comunidade como Paraisópolis isso ganha ainda mais força diante da forma como as pessoas de fora enxergam a comunidade, pensando ser um espaço apenas de violência. Existe muito mais aqui dentro”, afirma Flávia.

 

Visibilidade internacional

Visto como grande potencial, o Quero Trampo foi reconhecido pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que convidou Flávia e os outros integrantes do grupo para apresentarem a ideia do projeto durante a próxima edição do Brazil Conference at Harvard & MIT, promovido pelo MIT Brazil, Todos pela Educação e FGV (Fundação Getúlio Vargas), que será realizado em abril deste ano, nos Estados Unidos.

Para viabilizar a viagem de dez dias, o grupo criou um financiamento coletivo, especialmente para ajudar com a alimentação, já que despesas como passagem, vistos e acomodação serão pagos pelo MIT Brazil.

“Estamos nos preparando para a apresentação. Um pouco nervosos e ansiosos para conseguir a verba necessária para a viagem. Para isso, além da vaquinha, estamos vendendo chaveiros de Paraisópolis e temos tido um bom retorno”, orgulha-se a jovem.

Vinda de uma família com 13 irmãos, Flávia teve muitos desafios durante a vida. Atualmente, além de estudar, a jovem é coordenadora do Festival da Juventude, educadora social e organizadora da Mostra Cultural de Paraisópolis. Engajada com as iniciativas de impacto e o trabalho dentro da Associação dos Moradores de Paraisópolis, ela pretende ir além com a temática e conta que o empreendedorismo foi algo que a surpreendeu.

“Eu ainda não sei como direcionar minha carreira. Nunca imaginei em empreender. Tinha outros planos. Mas, eu fui muito surpreendida com o empreendedorismo social. E quero investir mais nisso e atingir outros lugares do Brasil, levando oportunidade para muitas pessoas que não têm o acesso que eu tive”, finaliza a jovem.

janeiro 21st, 2020

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Imagem mostra detalhe de uma mão escrevendo em uma agenda

O ano de 2020 está começando e isso significa o surgimento de oportunidades para promover mudanças reais. Com as metas estabelecidas e os desejos renovados, repensar ou adquirir novos hábitos pode ajudar na organização da rotina egestão do seu empreendimento social.

Aproveitar melhor o tempo, controlar as finanças, aumentar a produtividade na vida pessoal e nos negócios. A criação de um novo hábito exige tempo, adaptação e persistência, mas, seja qual for o seu objetivo, utilizar aplicativos relacionados à organização pode ser um grande aliado nesse processo.

Baseado no livro Seis propostas para o próximo milênio, de Ítalo Calvino, o Sebrae fez um levantamento de seis hábitos do empreendedor eficaz. Leveza, rapidez e exatidão foram algumas das características citadas pelo livro que podem ser úteis não apenas para os empreendedores, mas para todos interessados em promover algum tipo de transformação.E a tecnologia, um dos principais pilares do mundo moderno, pode ser uma aliada importante no desenvolvimento de tais habilidades.

A seguir, conheça seis aplicativos que podem te dar uma força nesse início de ano.

 

7 Weeks

(Gratuito, Android)

Imagem do app7weeks

De acordo com os desenvolvedores do aplicativo 7 Weeks, são necessários 49 dias (7 semanas) para tornar uma atividade um hábito. Pensando nisso, o app disponibiliza ferramentas para facilitar esse processo.

Baixando o aplicativo, você é convidado a adicionar um novo hábito, descrever o motivo de sua escolha e determinar qual é seu prazo para alcançá-la. Dessa maneira, o sistema monitora e analisa seu desempenho, alerta para priorize o hábito programado e tudo o que você precisa fazer é marcar um ‘X’ para cada dia em que suas metas forem completadas.

 

Todoist

(Gratuito, iOS e Android)

Imagem do apptodist

Para realizar atividades diariamente,é importante ter em mente tudo o que precisa ser feito, a curto e longo prazo. Para que as tarefas não se percam em meio a outras prioridades, o Todoist oferece um sistema para mapeá-las, organizando-as por categorias como frequência, localidade e projetos.

À medida que você cumpre, as tarefas são riscadas da sua lista. Além disso, o aplicativo gera gráficos para acompanhar a evolução e a rapidez na execução de cada tarefa, ajudando a medir os níveis de produtividade e exatidão nos processos.

 

Organizze

(Gratuito, iOS e Android)

Imagem do apporganizze

O início do ano é um ótimo período para fazer um balanço das finanças. Planos, metas e objetivos precisam estar alinhados com a planilha de gastos do ano para serem viáveis de realizar. E é para manter esse controle constante que o Organizze foi criado. A partir de categorias como aluguel, débitos, financiamento, o usuário pode mapear quanto e no que gasta para pensar em formas de economizar.

A partir dessas informações organizadas, o aplicativo gera gráficos simplificados para ajudar a traçar metas financeiras para o ano, incluindo viagens e investimentos. Você também pode ajustar um alarme para cada conta a ser paga, evitando o esquecimento de parcelas e prazos.

 

HabitBull

(Gratuito, iOS e Android)

imagem do apphabitbull

O HabitBull auxilia no controle de outro elemento essencial para transformar metas em realidade: o gerenciamento de tempo.

Uma vez feito o cadastro no aplicativo, é possível registar a frequência das atividades mais comuns e, a partir dessas informações, os algoritmos indicam quanto tempo, em média, é gasto em cada uma. Se você deseja mudar um hábito desagradável ou reduzir o tempo perdido em alguma tarefa, é o app ideal!

 

Evernote

(Gratuito,  IOS e Android)

Imagem do appevernote

Por permitir fazer anotações de qualquer tipo e em qualquer lugar,encontrar informações rapidamente e compartilhar ideias com qualquer pessoa, o Evernote está sempre presente em listas para manter o trabalho organizado.

Muitas vezes a falta de tempo não permite que você termine de ler uma notícia, um documento ou um artigo na hora em que recebeu. O Evernote possibilita armazenar conteúdos para ler mais tarde, independente do lugar em que você esteja. O app ainda disponibiliza post-its para lembretes e registro de ideias.

 

Forest

(Gratuito IOS e Android)

Imagem do app Forest

Manter a atenção e o foco é um desafio cada vez maior em um mundo hiperconectado. Se você sente que passa tempo demais no celular e deixa de realizar atividades importantes, o Forest é o aplicativo ideal para te ajudar a ganhar produtividade, otimizar seu tempo e manter-se focado.

Usando um método gamificado, o aplicativo dá uma missão ao usuário: plantar uma árvore. O conceito é simples: quanto mais tempo passa no celular, maiores são as chances da árvore morrer e ter de ser cultivada novamente.  Por outro lado, se o usuário ficar longe do smartphone por tempo suficiente, a árvore cresce mais rápido.

janeiro 10th, 2020

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“Se você construir, eles virão”. No mundo do empreendedorismo, esta frase, dita originalmente no filme “O Campo dos Sonhos”, de 1989, é repetida o tempo todo. Mas será que basta lançar um negócio para ganhar imediatamente o coração dos clientes?

Os especialistas garantem que não. Para se tornar referência em sua área é preciso saber a melhor forma dedivulgar sua iniciativa. Isso envolve estar por dentro do que os possíveis clientes estão falando e conhecer as tendências que envolvem o segmento. Ou seja: a comunicação é uma área estratégica de todo e qualquer negócio – e a internet pode ser uma grande aliada neste processo.

“Antigamente, você entender de marketing era uma pequena vantagem. Hoje, é praticamente uma obrigação. Se o dono do próprio negócio não tiver uma boa noção de marketing, o negócio dele vai passar por muitas dificuldades”, avalia Luciano Larrossa, profissional de marketing digital e editor do site Apptuts.

É muito comum pensar que as redes sociais são a melhor forma de produzir conteúdo. Mas, segundo Luciano, as redes sociais são apenas alguns canais de comunicação que precisam ser utilizados corretamente. “Se você tem uma conta no Instagram que dá muito resultado, não fique dependente apenas dela. O importante é usar as redes e trazer os clientes para canais de comunicação onde é mais fácil fechar as vendas: o WhatsApp, o Messenger, o Direct ou o próprio telefone”, indica o especialista.

 

Na prática

Quem utiliza a internet como ferramenta de venda ou divulgação precisa produzir conteúdo, que tem como função atrair, gerar relacionamento e fidelizar seu público. A informação pode ser entregue de diferentes formas, seja em vídeo, imagem, áudios, planilha, e-books, entre tantos outros formatos.

Quando começar a produção de conteúdo é importante entender quais formatos mais se encaixam com o seu negócio. Não basta ir produzindo coisas aleatórias, é preciso que elas atendam a um objetivo específico e estejam alinhadas com a sua marca, gerando sustentabilidade para o seu negócio. Sendo assim, os conteúdos terão constância, a cara do seu negócio e uma estratégia de criação e divulgação.

Conteúdos gratuitos, por exemplo, são importantes ferramentas para atrair seu público e podem ser disponibilizados em artigos e posts de blog, série de vídeos, tutoriais, clipes, teasers. “Comece relatando o seu dia a dia e use a sua rotina como conteúdo. As pessoas adoram saber os bastidores de um negócio. Mostre como o seu negócio faz o que faz, mostre depoimentos de clientes, mostre você preparando produtos ou serviços e entregando”, sugere Luciano.

Segundo o especialista, os conteúdos mais estratégicos também atraem a atenção dos usuários. Eles têm como objetivo trazer pessoas interessadas no seu produto e podem ser usados como uma espécie de bônus em conjunto, por exemplo, com outro conteúdo pago para aumentar o engajamento com seu cliente. E-books, webinários, minicursos por e-mail – em que seja necessário um investimento por parte do cliente para receber – grupos no Facebook, entre outros, são alguns exemplos de formatos.

O ideal é equilibrar com conteúdos gratuitos para atrair o maior número de pessoas ideais para o seu negócio, ganhando visibilidade e autoridade no universo digital.

 

Já pensou em fazer um podcast?

Uma pesquisa lançada no final de 2019 pela Associação Brasileira de Podcast aponta que 84% das pessoas que consomem a mídia são homens e mais de 50% deles vivem em São Paulo. Ainda segundo o estudo, 87% dos ouvintes têm entre 18 e 39 anos. Do total de pessoas consultadas, 37% ouviram podcast pela primeira vez por recomendação de amigo, 72% acompanham de 1 a 10 podcasts, 51% ouvem os conteúdos todos os dias e 92% os consomem pelo celular.

Durante o festival Social Good Brasil de 2019, a Fundação Telefônica Vivo promoveu a gravação ao vivo de um episódio do Pense Grande Podcast, que contou inclusive com a participação da plateia e debateu uma série de formatos para criar um podcast. O episódio está disponível gratuitamente e nele é possível encontrar dicas para fazer um conteúdo de qualidade sem precisar fazer um investimento financeiro alto.

Um dos participantes do episódio é Ric Vidal, criador da Feel Filmes, que produz e cria podcasts. Ele conta que o grande sucesso dessa plataforma se deve ao fato de as pessoas terem mobilidade para escutar em qualquer situação. Além disso, produzir um episódio é mais simples do que se imagina. “O principal elemento é ter coragem e se jogar. Existem muitos aplicativos que ajudam na captação do áudio. Para quem vai começar o melhor é usar o próprio celular”, indica.

Quem também esteve na gravação do episódio “Como produzir conteúdo para Podcast” do Pense Grande Podcast foi Mariana Campanatti, do Imagina Coletivo. Ela credita o sucesso dos podcasts ao baixo custo para consumir. “Mesmo pessoas que não têm muito acesso usam poucos dados para ouvir. É diferente, por exemplo, de assistir a um vídeo no Youtube”, ressalta.

Quem entende bem do assunto é a galera do Podcast, Mano, que hoje possui além dos episódios de podcast, que falam sobre conteúdos relacionados ao hip-hop, cultura pop, cinema, quadrinhos e outros assuntos, um portal de notícias.

Para eles, usar esse tipo de mídia como estratégia de comunicação ajuda a impulsionar e melhorar o relacionamento com o público. “A relevância e credibilidade que podcasts e influenciadores já possuem com o público pode ser algo vantajoso para a comunicação do seu negócio, criando experiências personalizadas e duradouras entre sua empresa e clientes”, garante Thiago Leve, um dos criadores, atual apresentador e editor do Podcast, Mano.

Outro desafio que move os criadores do Podcast, Mano é manter a responsabilidade social presente em cada conteúdo. Segundo Thiago, deixar o propósito social bem definido é com toda certeza algo positivo. “Gera identificação e consequentemente mais engajamento dos ouvintes. Trazer algo de positivo para a sociedade, produzindo conteúdo gratuito, consciente, pautado em questões sociais e acessível para todos é o caminho ideal”, finaliza.

Dicas para começar

Para quem não tem ideia de como começar a produção de conteúdo, Luciano Larossa dá algumas dicas de como dar os primeiros passos:

Seja a cara do seu negócio: pessoas compram de pessoas. “O empreendedor precisa ser cada vez mais a cara do negócio. Muitos ainda não entenderam a importância disso, mas ela é uma grande alavanca de vendas”, afirma.

Conte histórias: como a iniciativa começou, casos de clientes e situações de superação dentro da empresa fazem com que as pessoas se interessem pelo negócio.

Mostre sua rotina: Através de ferramentas como o Stories do Instagram é possível mostrar diariamente o que está acontecendo com o seu negócio, os produtos novos que chegaram e mostrar como eles são feitos.

janeiro 9th, 2020

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Diogo Bezerra e Diego Ramos, fundadores da PLT4Way, estão sorrindo e sentados em sofá com estampa colorida e com uma parede escrita com giz ao fundo.

Aprender durante o processo é uma realidade para a maioria dos empreendedores de negócios de impacto social. Cuidar das finanças, fazer captação, gestão, construir um plano de negócios, tudo isso faz parte de um aprendizado que, muitas vezes, só faz sentido depois da prática.

As experiências dos empreendedores sociais Marcelo Rocha, conhecido como DJ Bola, e do jovem Diogo Bezerra reforçam esse ponto de vista. “Nossa vida foi forjada assim: Primeiro a gente faz, depois conhece a teoria. Essa é uma realidade para os jovens de periferia que querem ser empreendedores”, acredita o DJ Bola.

Nascido e criado no Jardim Ângela, zona Sul de São Paulo, DJ Bola tem 38 anos e uma trajetória de 20 anos como empreendedor. A música e o rap sempre fizeram parte de seu repertório e foi a partir daí que surgiu A Banca, nos anos 90, quando o Jardim Ângela era considerado o bairro mais violento do mundo, segundo a ONU.

A princípio, a iniciativa surgiu como um movimento social que visava aproximar a música e a cultura do hip hop dos jovens da periferia. As intervenções artísticas e eventos eram usados como ferramentas para dialogar sobre perspectiva de vida, barreiras sociais e econômicas, sonhos e violências.  Em 2008, com a ajuda de aceleradoras de projetos sociais, A Banca se tornou oficialmente um negócio de impacto social.

Já Diogo Bezerra tem 25 anos e nasceu no Jardim Pantanal, bairro da Zona Leste de São Paulo. Em 2017, junto de seu sócio Diego Ramos, abriu a startup PLT4Way, que já participou da incubação do programa Pense Grande e foi selecionada para o programa de aceleração Vai Tec, em 2018.  O projeto oferece curso de inglês gratuito para estudantes que não tem condições de pagar pelo curso de idiomas e seguiu crescendo em 2019.

Aos 14 anos, Diogo teve o primeiro contato com a língua inglesa através de uma professora de Ensino Religioso. O inglês foi sua porta de entrada para o ensino superior, empregos melhores e, sobretudo, a chance de mudar a vida de outras pessoas. O modelo de negócios da PLT4Way funciona por meio de financiamento cruzado, o valor pago por um determinado grupo de alunos é transferido para a educação gratuita de um estudante da comunidade Jardim Pantanal.

 

Caminhos diferentes, lições em comum

Embora façam parte de negócios sociais distintos, as lições que marcaram os dois empreendedores foram semelhantes em muitos aspectos. Para servir de inspiração aos jovens que estão no início da jornada empreendedora,convidamos DJ Bola e Diogo para compartilharem alguns dos aprendizados essenciais que ajudaram a abrir portas pelo caminho. Confira a seguir.

 

Medo de errar

Perder o medo de errar foi um dos maiores aprendizados, segundo os empreendedores. O receio de ocupar alguns espaços e a ansiedade pelo que pode não sair como o planejado podem acabar impedindo os jovens de acreditarem em suas iniciativas.

“Como empreendedor de periferia, a gente tem muito medo de falhar, de perder tudo. Depois que eu entendi onde eu poderia chegar com o meu negócio e me conscientizei sobre o meu próprio potencial, consegui avançar muito mais como pessoa e como empreendedor”, conta Diogo.

Já DJ Bola reforça a importância dos jovens irem atrás do desenvolvimento de suas habilidades. “A gente não é convidado a entrar, tem que bater na porta. Não precisamos sentir medo e nem vergonha de ocupar espaços que falam sobre nós. Inovação social na periferia é um espaço nosso”.

Marcelo Rocha, mais conhecido como DJ Bola, está usando boné e falando com grupo de cinco jovens enquanto mexe em equipamentos de mixagem.

 

Estudo e desenvolvimento

Ainda falando sobre desenvolvimento de habilidades, DJ Bola acrescenta que os vinte anos de seu negócio foram marcados pelo estudo. “Eu não fiz nenhuma faculdade. E não foi porque não tive oportunidade ou capacidade, foi porque quis estudar e buscar caminhos focados no que eu já estava fazendo. Participei de vários programas de aceleração e eles me ensinaram muito sobre como ir pra frente”.

Diogo relembra que entender mais sobre a sua própria trajetória e encontrar o potencial em suas habilidades de destaque, o ajudaram nesse processo. “Um negócio social exige o desempenho de multitarefas. Mas descobrir o que eu realmente sabia fazer foi importantíssimo para seguir em frente”, diz o jovem.

 

Desafios da gestão

Administrar bem o dinheiro e manter a equipe sempre engajada com a causa do negócio social nem sempre é fácil. Para ambos os empreendedores, os desafios da gestão são constantes e já renderam muitos aprendizados baseados na tentativa e erro.

“Muitas vezes os empreendedores têm uma barreira para falar quanto custa o seu serviço, dar preço para o que ele já faz com tanto amor e luta”, afirma DJ Bola. “Precisamos estudar o mercado, saber quais ofertas existem para além da nossa. E quando o dinheiro chegar, é importante pensar no mês seguinte”, complementa.

Para Diogo, o trabalho, principalmente em coletivos, tem de ser muito bem organizado para manter a qualidade e a autonomia do serviço. “Quando o time cresce, vai ficando mais difícil fazer com que as pessoas acreditem em um sonho que mal começou. Mas é importantíssimo manter esse engajamento, até porque a avaliação de uma startup envolve o time todo”, ressalta.

 

Barreiras e Conexões

A busca por ultrapassar barreiras sociais e, a partir desse primeiro passo, fazer conexões que serão fundamentais para abrir caminhos de parcerias, investimentos, co-criação e networking foi outra lição destacada pelos empreendedores.

Diogo conta que conseguiu quebrar alguns paradigmas e conhecer pessoas que jamais conheceria se não fosse pelo seu negócio, e isso fez com que se sentisse mais confiante e menos sozinho. “O mundo dos negócios é muito conectado. Tive que aprender a me relacionar com pessoas que não vem da mesma classe social que eu, sem me diminuir nesse processo”, conclui.

dezembro 30th, 2019

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Imagem mostra o jovem Lucas apresentando o seu projeto de impressora 3D Impressora 3D

“Sempre fui um cientista maluco”, se apresenta Lucas Lima, jovem de 24 anos que construiu, no quarto dele uma impressora 3D usando sucata eletrônica. Um ano depois de sua criação, decidiu abandonar a engenharia mecânica, — área em que se formou — para se dedicar ao empreendedorismo social, à educação e ao compartilhamento de conhecimento para a comunidade em que cresceu: o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Embora o sonho de Lucas sempre tenha sido ser professor de História, quando conseguiu uma bolsa integral na faculdade particular em que estudou, foi incentivado pelo pai a fazer engenharia. No último semestre do curso, em 2018, sem conseguir estágio na área, começou a trabalhar dentro da faculdade e teve contato com uma impressora 3D disponível por lá. Foi aí que nasceu a vontade de desenvolver projetos próprios.

No entanto, havia um obstáculo: o preço do dispositivo era, no mínimo, R$ 15 mil, algo totalmente fora de realidade dele. Em vez invés de desistir, Lucas passou a pesquisar mais sobre o processo de fabricação de máquinas desse tipo, além de fazer uma triagem dos materiais necessários. Seis meses depois, colocou em prática tudo o que aprendeu usando os recursos que tinha em mãos, processo que levou dois meses.

“Se a fábrica pode fazer, por que eu também não posso? Percebi que era possível fazer uma impressora 3D gastando pouco. Tive a ideia de usar sucata eletrônica para fazer a primeira, que custou R$ 680 reais. Fiz um cartão de crédito e passei a frequentar ferros-velhos diariamente até encontrar uma cooperativa de materiais usados, o que facilitou muito meu trabalho”, compartilha o jovem.

 

Portas abertas para o empreendedorismo

Depois da primeira impressora, vieram testes de outros modelos. No momento, até uma impressora 3D portátil já está em desenvolvimento no quarto de Lucas. Não demorou até que professores pedissem para que o engenheiro recém-formado apresentasse o produto para inspirar os estudantes. E foi em uma dessas palestras, em uma escola pública do Rio de Janeiro, que as portas se abriram para o empreendedorismo.

“Levei dois bonequinhos produzidos pela minha máquina e apresentei um slide improvisado, que havia usado para o meu trabalho de conclusão de curso. Depois que terminei a palestra, fiquei mais duas horas respondendo às perguntas dos estudantes. Então pensei: Se eu consegui mudar a realidade daqueles jovens em 20 minutos, imagina o que eu poderia transformar com um projeto educacional de tecnologia dentro da minha comunidade?”, reflete Lucas.

Assim se estruturou a ideia de criar uma identidade para sua iniciativa, chamada de Infill (que significa preenchimento em inglês). Como sua intenção inicial nunca foi ser empreendedor, Lucas tomou conhecimento sobre os programas de aceleradoras através de amigos e se inscreveu em dois processos seletivos, mesmo sem muito conhecimento.

O resultado foi ser vencedor do prêmio principal do Shell Iniciativa Jovem, onde concorreu com 55 outros empreendimentos, além de ter conquistado a categoria Prêmio Popular, o que lhe rendeu cerca de R$ 10,5 mil. Outra conquista foi o Juventude Empreendedora, uma iniciativa do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS) e a Fundação Itaú Social, onde conheceu outros jovens como ele, que queriam transformar a realidade nas periferias.

“Meu primeiro contato com o empreendedorismo foi um desafio pra mim. Não conhecia ninguém, não sabia o que era pitch, capital semente. De repente um cara nerd, com uma impressora 3D e um vasinho de planta na mão fala o que sabe e passa uma mensagem. Isso me marcou muito”, conta Lucas. “Os cursos e aceleração foram fundamentais para meu crescimento profissional. Hoje sei da viabilidade de montar um projeto social”.

 

Imprimindo a mudança

Enquanto investe o capital acumulado com os prêmios na criação de mais modelos de impressoras 3D, Lucas dá aulas de robótica e tecnologia em um colégio particular. Para 2020, está em definição de um modelo de negócios com a ajuda e ONGs e outros parceiros. A ideia é inaugurar um laboratório e montar uma sala de aula para abrir turmas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Para cada aluno matriculado nas escolas particulares, uma vaga será aberta na comunidade. Além disso, a Infill se responsabilizará por distribuir uma cartilha conscientizando sobre a importância do trabalho dos catadores e das cooperativas, maiores fornecedores de material para a construção das impressoras 3D de baixo custo. A venda dos produtos ajudará a reverter capital social para as turmas.

“Dentro da comunidade existem jovens com uma capacidade criativa acima da média, mas sem acesso a ferramentas para colocar essa mentalidade para fora. Estou tentando trazer recursos para que esses jovens ganhem reconhecimento e construam carreiras”, afirma Lucas. “Precisamos trazer a tecnologia para favela, para ontem!”.

dezembro 13th, 2019

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Imagem que representa lista de como captar recursos para empreendimentos sociais mostra um cofre em formato de porco com fundo em amarelo.

Quem se propõe a construir um projeto de impacto social passa por diversas etapas. Da prototipação até a formalização um negócio, é preciso lidar com muitas questões e uma das mais sensíveis para os jovens é como captar recursos para viabilizar as iniciativas.

Se a primeira vista o tema pode parecer distante da realidade ou complexo para quem está começando um negócio social, o receio em lidar com questões financeiras só não pode paralisar quem deseja empreender.

Dicas simples ajudam na hora de captar recursos:

  • • Acredite no seu negócio
  • • Tenha um discurso seguro e transparente
  • • Cultive uma boa rede de relacionamento
  • • Tenha metas claras e saiba mensurar resultados
  • • Não tenha medo de ouvir não
  • • Busque facilitadores de contato como redes sociais
  • • Procure o tipo de captação ideal para o perfil do seu negócio

Marcus Nakagawa, professor da graduação e MBA da ESPM em empreendedorismo social e outras disciplinas, afirma que um pitch seguro, pragmático e transparente, poderá abrir portas junto a possíveis investidores.

“É preciso ter um tom de crença, de propósito, mas também ser muito pé no chão, principalmente com os objetivos e retornos financeiros. Você não pode ser só um apaixonado pela ideia pelo seu negócio. Apresente as metas do impacto social e saiba mensurar isso. Lembre-se que não é apenas pelo dinheiro e não tenha vergonha, porque o não você já tem saindo de casa”, aconselha o especialista.

Outro ponto importante é gerenciar muito bem a própria rede de relacionamento, o que envolve ir além do networking, mapeando amigos, conhecidos e colegas da família. Afinal, é muito mais fácil convencer um investidor-anjo, ou ingressar em um programa de uma universidade se você já tiver uma referência ou proximidade.

“Existem também os meios facilitadores como, por exemplo, o Linkedin ou o WhatsApp. Você pode arriscar mandar uma mensagem para o contato e quem sabe, receber uma resposta”, sugere.

 

Formas de captar recursos

Mas será que existe um tipo ideal de captação de recurso para cada perfil de empreendedor social? A resposta é sim: a forma como você vai obter investimento tem a ver com o tamanho do empreendimento, com o plano de negócio e com a sua visão de mundo.

“Depende do que se quer analisar e dos testes feitos, pois não adianta tirar do papel o que ainda não foi testado no mercado. Contudo, se estivermos falando de um aplicativo, envolve basicamente marketing e divulgação. Você vai atrás de investidores que tenham mais conhecimento e competências na área do seu negócio”, explica o professor.

Universidades, aceleradoras e incubadoras podem abrir portas, pois oferecem apoio de grandes conhecedores do mercado e acesso a redes de relacionamento para ajudar os empreendedores sociais menos experientes.

Com a orientação do professor Marcus Nakagawa, autor do livro 101 Dias com Ações mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Labrador) e vencedor do Prêmio Jabuti 2019 na categoria Economia Criativa, listamos, a seguir, alguns caminhos possíveis de captação de recursos para o seu negócio social:

 

1 – Programas de Incubação

Oferecem apoio gerencial e técnico, disponibilidade de profissionais experientes e espaço físico com acesso a itens como internet e telefone, para que o empreendedor desenvolva a organização do seu projeto. Podem também envolver recurso financeiro, mas, de todo modo, proporcionam economia ao empreendedor que está no início das operações.

São oferecidos tanto por empresas como por iniciativas governamentais. O Pense Grande Incubação, programa da Fundação Telefônica Vivo, abre inscrições todo início de ano, oferecendo capacitações, mentorias, encontros e trocas com empreendedores de outros Estados. A fase final de incubação inclui ainda capital semente para impulsionar o negócio, que deve aliar impacto social e tecnologia.

 

2 – Aceleradoras

A diferença em relação às incubadoras é que as aceleradoras se voltam a negócios já em funcionamento. Isso quer dizer que geralmente esta relação envolve dinheiro e o objetivo de expandir o empreendimento social, o que também inclui mentoria e rede de apoio.

Um exemplo de aceleração é o programa Vai Tec, idealizado pela Agência São Paulo de Desenvolvimento (AdeSampa) e Secretaria Municipal do Trabalho e Empreendedorismo (SMTE) e que também conta com parceria da Fundação Telefônica Vivo. Nele, 24 empreendimentos recebem R$ 33 mil além de mentorias e capacitações.

A ANIP (Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia), criada pelo DJ Bola, também oferece mentorias e apoio financeiro a negócios de impacto. Você pode acessar o site para mais informações.

 

3 – Universidades

Segundo o professor Marcus Nakagawa, antes de pensar em dinheiro, quando você está iniciando um empreendimento é muito mais importante estar em um espaço para adquirir conhecimento e ter orientação. E as universidades tornam-se um ambiente de troca e um celeiro para novos empreendimentos por meio de incubadoras e aceleradoras universitárias.

A ESPM tem a Incubadora de Negócios, que oferece consultoria na área de operações, marketing, finanças, direito e pesquisa. Eles oferecem vagas para pessoas de fora do quadro de estudantes. Para saber mais, basta manifestar interesse enviando um e-mail.

Já a Universidade de São Paulo tem o Habits, voltado a empreendimentos sociais, e alguns outros projetos, como a Supera Incubadora, que foi eleita entre as 20 melhores do mundo.

 

4 – Crowdfunding e Equity Crowdfunding

Conhecida no Brasil como vaquinha virtual, o crowdfunding pode ser um caminho mais direto de captação de recursos a empreendimentos sociais. Várias plataformas, como a Kickante, fazem a ponte entre pessoas comuns e quem deseja tirar uma ideia do papel. É comum o oferecimento de recompensas e brindes a quem se dispõe a fazer doações. As plataformas também costumam ficar com uma porcentagem do valor.

Já no caso do Equity Crowdfunding, as pessoas comuns tornam-se investidoras interessadas em fazer crescer seu capital junto com a empresa que recebe o aporte.

 

5 – Investidor-Anjo

Os investidores-anjo também costumam atuar no início das operações, podendo ser considerado um investidor inicial. Também é conhecido como smart money, pois usa-se capital próprio, ou seja, é uma pessoa física que faz uma aposta baseada em conhecimento e experiência. O termo foi difundido no boom inicial de startups, mas podem investir também em empresas com viés social.

Há vários tipos de acordo: eles podem virar sócios ou ter uma pequena participação e quase sempre atuam como mentores e ajudam a direcionar um negócio. Outra característica é que esse investidor pode ser alguém próximo e até mesmo um familiar. A Associação dos Anjos do Brasil reúne investidores de todo o país.

 

6 – Fundos de investimento

Os fundos de investimento atuam por meio da compra de pedaços do negócio e podem fazer aporte ou investimento. A característica deste tipo de captação de recurso é a expectativa de recuperar o investimento feito. O empreendedor que opta por esta modalidade acaba entrando em uma sociedade e vai buscar o crescimento da empresa.

Um dos fundos de investimento de impacto social mais conhecidos é a Vox Capital. Neste caso, quando há viés social, o lucro é um dos objetivos, mas é preciso também garantir a transformação socioambiental proposta.

“Geralmente esses fundos sociais são mais conscientes e acompanham um negócio mais de perto. Não querem o lucro a qualquer preço. Dentro do modelo tradicional, é comum as pessoas acabarem vendendo parte do negócio para garantir o lucro do investidor”, explica o professor Marcus Nakagawa.

O Pense Grande Podcast dedicou um episódio ao tema Desafios de Empreendedores na Captação de Recursos. Os participantes deram dicas de projetos que investem em negócios de impacto social, como Move SocialKVIV VenturesPositive Ventures. O Prosas conecta quem patrocina e quem executa projetos sociais. A Associação Brasileira de Captadores de Recursos promove premiação anual.

7 – Leis de incentivo

Existem políticas de incentivo ao empreendedorismo, especialmente para negócios de impacto que sejam ligados a cultura e não necessariamente busquem lucro. No Estado de São Paulo existe o PROAC, que abre edital a interessados. Além disso, fundações e projetos sociais podem captar recursos pode meio de descontos de Imposto de Renda e ICMS.

A plataforma Simbiose Social, que já ganhou o Prêmio Empreendedor Social da Folha, pode ser uma ferramenta aliada, pois tem informações e otimiza a pesquisa, avaliação e gestão do investimento social de empresas.

dezembro 9th, 2019

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