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Frame do jogo Illis

As aventuras narradas nos jogos de videogame podem ir muito além do entretenimento. Com o intuito de ampliar o debate sobre uma causa fundamental para a sociedade, Tayla Tineu (22) e Mário Henrique Silva (22), traçaram um paralelo entre ficção e realidade ao desenvolverem um jogo que traz o feminicídio como tema principal.

Para abordar o tema, o jogo batizado Illis — que significa “por elas” em latim — conta a história de duas personagens de um livro de fantasia que, magicamente, vieram parar no mundo real. Tentando entender como isso aconteceu, Marie e John descobrem que não foram os únicos a sair do livro: os monstros que lá viviam agora estão à solta e representam uma ameaça para as mulheres do século XXI.

“Esse é um ponto importante da narrativa em relação ao tema, pois podemos abordar a violência e o feminicídio através de uma camada lúdica, quase infantil, sem despertar gatilhos nas mulheres que tenham passado por essas experiências”, explica Tayla.

Compromisso com a luta por direitos

Foi durante o quarto semestre do curso superior de Jogos Digitais da FATEC Carapicuíba, em São Paulo, que os estudantes tiveram a ideia de aproveitar um trabalho acadêmico interdisciplinar para criar um jogo social. Baseado em experiências familiares e relatos de outros amigos, colegas e professores, Mário e Tayla não hesitaram em escolher o feminicídio como tema.

“O objetivo do Illis é mostrar que mulheres têm voz e que não estão nessa luta por direitos sozinhas”, diz Mário Henrique.

O que começou como um trabalho interdisciplinar acabou transformando-se no projeto de conclusão de curso dos estudantes. A professora e empresária na área de games Érika Caramello, foi convidada para se tornar orientadora. Ela diz que o primeiro passo foi orientar os jovens a pesquisar, principalmente em coletivos feministas, sobre o ciclo do relacionamento abusivo e se aprofundar em termos como main explaining, main interrupting e gaslighting.

“As primeiras agressões geralmente começam com brigas e discussões que atingem a escala de abuso psicológico, mas podem acabar em violência física. O mais alarmante é o que se segue: o pedido de desculpas, as promessas de mudanças que nunca são cumpridas, e o recomeço do ciclo do relacionamento abusivo, cada vez mais forte”, acrescenta a educadora.

 

Jogabilidade acessível

Os jovens contam que o design das personagens é inspirado em jogos antigos como Paper Mario. “Achamos legal absorver essa referência, considerando que os personagens saem de um livro na nossa trama e isso faz com que o usuário entenda quem eles são e de onde eles vêm”, complementa Mário Henrique. Já a narrativa segue a linha de Crossing Souls e Gris, ambos os jogos voltados para temas sociais.

A princípio, a primeira versão de Illis foi lançada usando a tecnologia de realidade aumentada para fazer com que o jogador tivesse uma imersão maior na história.

“Estamos adaptando as opções de jogabilidade para que o usuário possa ter a experiência sem acionar a realidade aumentada, porque entendemos que, infelizmente, ainda há uma desigualdade de acesso à tecnologia e à internet no Brasil. A ideia é ampliar o número de jogadoras de maneira sensível e acessível”, complementa a orientadora, Érika Caramello.

Conheça mais sobre as personagens de Illis

As personagens com as quais os protagonistas interagem ao longo do jogo foram baseadas em mulheres reais, que foram vítimas de violência ao redor do mundo. Algumas delas, inclusive, tiveram suas histórias contadas em noticiários.

Aisha:  Aisha Mohammadzai, uma jovem afegã, tentou fugir da casa do marido e teve seu nariz e rosto mutilados pelo Talibã. A personagem é apresentada na primeira fase do game.

Xiao-li: A ativista chinesa Xiao Li pediu ajuda depois de ouvir o relato de uma familiar que sofreu agressão física durante a quarentena por conta da pandemia de coronavírus. A personagem representa a parente da ativista que também foi deixada sem comida junto com os filhos.

Francisca: Dona Francisca das Dores, que vive em Juazeiro do Norte (CE), foi agredida pelo filho porque não tinha condições de emprestar-lhe dinheiro. Não foi a primeira vez, mas as outras não se tornaram publicamente conhecidas.

Délia: A personagem, que teve sua identidade visual e seu nome alterados no game, foi baseada na história de um membro familiar de um dos estudantes. Quando criança, Délia sofreu abuso sexual e por muitos anos, como adulta, sofreu violência doméstica do ex-marido.

Retorno para a comunidade

Além de adaptar a jogabilidade, outra preocupação dos estudantes é fazer com que Illis seja mais do que apenas um game de alerta. A ideia é que ele represente uma alternativa para mulheres em situação de perigo, que podem encontrar no jogo instruções e canais de denúncia. Os canais 180 (Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência) e o 190 (Atendimento da População em situação de Urgência Policial), poderão ser acionados com o Botão do Pânico, que está em desenvolvimento.

“A gente sabe que para uma mulher que esteja em uma situação de violência, principalmente durante a quarentena, é muito difícil conseguir ajuda. Por isso, a ideia é que o botão esteja camuflado, mas que ajude as jogadoras a encontrarem uma saída”, afirma a orientadora.

A próxima versão do jogo será lançada para Android e iOS, e anunciada na página oficial. Mário e Tayla ainda estão buscando por investimentos de empresas brasileiras que já dialogam com a causa ou estejam dispostas a abraçar o projeto. A monetização ajudará na manutenção dos equipamentos e no desenvolvimento de novas versões, mas, sobretudo, garantirá que o jogo seja gratuito e acessível.

“Nós tivemos a chance de aprender e desenvolver jogos gratuitamente pela FATEC, agora achamos justo devolver isso em forma de um produto que vá gerar retorno para a comunidade”, conclui Tayla.

junho 19th, 2020

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Mulher jovem de cabelos encaracolados e brincos de argola está trabalhando montando um circuito elétrico para exemplificar a cultura maker, um dos exemplos de nova economia.

Com o surgimento da internet e o desenvolvimento de novas tecnologias, o conceito de empreendedorismo também passou a ganhar novos contornos. No século XXI, inovar significa romper velhas estruturas, incentivar lideranças colaborativas, trilhar o caminho da sustentabilidade e da valorização da criatividade nos negócios.

“Inovação disruptiva se opõe ao conceito de inovação incremental. Inovação incremental é melhorar o que já existe. Já a disruptiva, é desenvolver algo que não existe e trazer ao mercado uma proposta de valor completamente nova”, explica Adriano Silva, fundador da The Factory e publisher do Projeto Draft.

De acordo com a concepção defendida pela plataforma, que traz conteúdos relacionados à expansão da inovação disruptiva, o empreendedorismo brasileiro segue uma nova economia, muito influenciada pela revolução digital e que se opõe à mentalidade industrial.

Parte desse ecossistema, movimentos como cultura maker, economia criativa, cultura hacker e gambiologia se apresentam como soluções criativas para ampliar possibilidades e ações de impacto. Entenda como cada um deles se relaciona com o empreendedorismo e aponta caminhos para o cenário de transformação social.

Cultura Maker

A cultura maker se tornou um assunto muito comentado pelos brasileiros. A lógica do “faça você mesmo” se torna mais acessível à medida que novas tecnologias transformam a criação. Modificar, sobrepor, consertar e produzir utilizando os recursos disponíveis é o grande propósito dos chamados makers.

Muitas escolas põem a mão na massa e têm incorporado essa prática para incentivar o desenvolvimento da criatividade, a resolução de problemas, o trabalho colaborativo e, consequentemente, o espírito empreendedor entre os jovens. Fernanda Tosta, educadora e designer de produtos, enxerga a relação entre o empreendedorismo e a cultura maker para além do retorno profissional.

“Vejo o movimento maker como um grupo de pessoas que tem como linguagem o pensamento computacional, o compartilhamento de conhecimento e uma moeda que não necessariamente é o dinheiro, mas sim um conjunto de habilidades que estabelecem trocas e relações, comerciais ou não”, conta no episódio Cultura maker e empreendedorismo social: o que tem a ver? , do Pense Grande Podcast.

A designer goiana veio para São Paulo em 2013 e, desde então, passou a desenvolver oficinas de marcenaria. Focando no protagonismo de jovens, cada participante envolve-se em projetos colaborativos e utiliza metodologias como design thinking e prototipagem para aprender na prática. Um dos propósitos é repensar a forma de gerar renda.

Gambiologia

Parceira da cultura maker, a gambiologia nasce como um movimento inspirado na tradição da “gambiarra”, ligada ao improviso, à inventividade e à praticidade. É relacionado a reciclar produtos, expressões e até mesmo modelos de negócios.

“Tem muito a ver com ensinar as pessoas a verem os materiais ao redor, de onde eles vêm e para onde podem ir. Ser gambiólogo é retomar nossa potência de diálogo com um mundo de forma material, humana e tátil”, explica o especialista Fred Paulino, em entrevista à Fundação Telefônica Vivo.

A startup Vivenda, criada em 2013, incorporou o conceito de gambiarra no modelo de negócios. A ideia não é construir novas casas, mas sim ressignificar espaços para que ofereçam condições adequadas de saneamento e moradia. O administrador Fernando Assad reuniu os moradores do Jardim Ibirapuera, em São Paulo, para entender suas maiores necessidades, o quanto gastavam em reformas e como costumam realizá-las.

“Quando se fala de resolver o problema de habitação, a sugestão que surge primeiro é a de construir novas casas. Mas estima-se que cerca de 12 milhões de moradias sejam inadequadas. São 40 milhões de brasileiros que moram em condições insalubres”, comenta o empreendedor sobre a proposta do programa.

Observando que os moradores de bairros periféricos gastavam além do necessário com materiais, decidiu estruturar kits de reforma por cômodo a preços mais acessíveis. A reforma é mais rápida e a entrega de técnica e personalização da equipe são os diferenciais. O lucro das vendas custeia reformas gratuitas a quem não pode pagar.

Cultura Hacker

Ao contrário do que muitos pensam, a cultura hacker não está necessariamente ligada à tecnologia. É um conjunto de competências que faz com que um indivíduo, ou um grupo, compreenda o problema e pense em etapas para recriar ou remodelar soluções.

“Estamos vivendo em um mundo onde todo o ecossistema empreendedor está em transformação. Por isso precisamos instruir e alfabetizar nossa comunidade para que participe ativamente deste novo processo”, diz Geraldo Barros, diretor-presidente da Casa Hacker. “A cultura hacker agrega valor a produtos e serviços que já existem, ampliando o potencial e o alcance dele para a sociedade”.

O jovem empreendedor teve a ideia de compartilhar seus conhecimentos como analista de sistemas e pesquisador de segurança e privacidade na internet no Campo Grande, bairro na periferia de Campinas (SP) onde nasceu e cresceu.

O espaço hacker começou a ser construído em 2018 e, com a ajuda de investidores, reuniu impressoras 3D, computadores, microcontroladores, fresadoras e outros recursos para atuar nas três frentes: educação, empreendedorismo e defesa política do acesso à informação. Com oficinas, workshops e cursos gratuitos promove a autonomia para que um acesso mais igualitário da comunidade à informação e inovação.

Economia Criativa

Os negócios criativos são marcados pela atuação em rede e transformam uma vocação, uma habilidade artística ou até um hobby em um meio de vida. A economia criativa reúne todas as formas de expressão e conteúdo em torno da indústria cultural.

Segundo o portal da Secretaria Especial de Cultura, com dados da Federação das Indústrias do Rio de Janeiros (FIRJAN) e do IBGE, as atividades culturais e criativas são 2,64% do PIB e responsáveis por mais de 1 milhão de empregos formais diretos.

Iniciativas como a Feira Preta, que atua há quase duas décadas para fortalecer e mapear o afro-empreendedorismo, representam o impacto social gerado pelo segmento. Ao mobilizar empreendedores e artistas negros, o festival funciona como um espaço para potencializar e ressignificar o olhar para a população negra.

“Essa geração de jovens de 17 anos já vem preta e com outras demandas. Como se preparar para ela? Não sei se chegamos ao modelo ideal, mas estamos experimentando, uma vez que grande parte do nosso público é formado por jovens”, disse Adriana Barbosa, fundadora do projeto ao site da Fundação Telefônica Vivo.

O festival, considerado a maior feira de cultura negra da América Latina, é anual e conta com palestras, exposições, performances artísticas, gastronomia, cinema, literatura, espaço infantil, master classes, mentoria, lab de inovação e espaço maker.

Empreenda fora da caixa com o Pense Grande Digital!

Alinhado ao conceito de aprimorar habilidades e promover soluções criativas e colaborativas, o aplicativo Pense Grande Digital oferece aos jovens uma formação com percurso gamificado para apoiar a construção de repertório em empreendedorismo social.

Os participantes ainda tem a oportunidade de interagir com outros jovens com competências diferentes e complementares às suas, mas com o mesmo desejo de mudar a realidade ao seu redor.

Para acessar a formação online, basta fazer o download gratuitamente do aplicativo no smartphone e se cadastrar para iniciar as atividades.

E tem mais! Os clientes Vivo poderão acessar o app do Pense Grande Digital sem consumir o plano de dados, seja ele pós ou pré-pago. Lembrando que, independentemente da operadora, o conteúdo e o download do aplicativo são gratuitos!

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junho 9th, 2020

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Texto Alternativo Imagem mostra vários papeis coloridos amassados acima de um fundo branco e um deles, simula uma lâmpada

A economia criativa é motor poderoso do empreendedorismo mundial. Segundo Relatório de Economia Criativa, publicado em 2013 pelo Programa das Nações Unidades para o Desenvolvimento (PNUD), é um dos setores da economia que mais cresce no mundo todo, considerando geração de renda, criação de empregos e ganhos com exportação.

O Brasil está entre os grandes produtores mundiais de criatividade. Segundo o Sebrae, a cadeia da indústria criativa movimenta mais de dois milhões de empresas por aqui e é responsável por 2,7% do PIB do país.

“O Brasil é famoso em todo mundo por seu senso de estilo e design, pelo uso de cores, pelos ritmos e pela inventividade. É um dos poucos países em que o espírito criativo nato floresce de forma tão maravilhosa. Seu desafio agora é transformar esse recurso natural no coração da sua economia”, disse à Época Negócios um dos maiores especialistas em Economia Criativa, o britânico John Howkins.

Howkins fala com propriedade. Além de visitar o Brasil com frequência para prestar consultoria à Faculdade Belas Artes de São Paulo, foi um dos primeiros a explicar o potencial da combinação entre criatividade e empreendedorismo em seu best-seller publicado em 2001, Economia Criativa – Como Ganhar Dinheiro com Ideias Criativas.

“Tenho três princípios básicos que guiam meu pensamento sobre Economia Criativa. O primeiro é que todo mundo é criativo. É o que chamo de princípio da universalidade. O segundo é que criatividade precisa de liberdade, para que possamos sair da vida interior, para a exterior, para a sociedade. E o terceiro, é que essa liberdade tem de ser exercitada em mercados comerciais, que envolvem a economia criativa”, descreve o autor.

Princípios norteadores

Os britânicos foram os primeiros a identificar a Economia Criativa, ao avaliarem que setores ligados à música, artes visuais, moda e design cresciam a taxas mais aceleradas do que a chamada velha economia. Com a criação do Ministério das Indústrias Criativas, políticas públicas passaram a ser desenvolvidas para fomentar o setor, o que gerou aumento de renda e de empregos e crescimento do PIB.

Hoje em dia, o conceito se ampliou e basicamente qualquer negócio que tenha a criatividade como geradora de valor pode integrar a Economia Criativa, na visão de Rafaela Cappai, da Espaçonave, um ecossistema colaborativo que desenvolve metodologias para o desbloqueio de processos criativos.

“Então são negócios, marcas, carreiras que encontram na criatividade um potencial grande de transformação econômica, social e de mudança de paradigma na maneira como a gente cria, trabalha, vende, constrói nossas relações sociais, etc.”, define Rafaela.

Economia Criativa e Empreendedora

Para além da valorização da criatividade, os negócios que se enquadram na Economia Criativa costumam ter caráter colaborativo, com estímulo ao desenvolvimento de redes e a ampliação das trocas e serviços com o objetivo de melhorar o seu entorno. Inclusão, sustentabilidade e valorização da diversidade também estão atreladas ao setor, relacionando o conceito diretamente ao empreendedorismo social.

Por tais razões, o Sebrae classificou, no Guia do Empreendedor Criativo, o empreendedorismo social como um dos maiores motores da economia criativa no Brasil.

A prova disso pode ser facilmente observada agora. Diante da pandemia do novo coronavírus, uma série de empreendedores sociais transformaram rapidamente seus negócios valendo-se da criatividade e da vontade de ajudar no enfrentamento da crise.

Novos futuros possíveis

“Pela primeira vez na História da humanidade a gente tem conhecimento, recursos e pessoas para fazer absolutamente tudo o que desejamos. Nós só não fazemos ainda porque não achamos que é possível”, definiu a futurista Lala Deheinzelin, no TedTalk Criando Comunidades Criativas e Colaborativas.

Pioneira em falar sobre Economia Criativa no Brasil, ela defende que quem deseja se lançar no empreendedorismo criativo precisa começar a imaginar futuros desejáveis e a partir disso, fazer um levantamento de recursos culturais, ambientais, sociais e financeiros que estão à disposição para concretizar esse futuro.

“Primeiro de tudo é preciso conhecer os seus patrimônios intangíveis, ou seja, tudo aquilo que você é e o que você quer. Uma vez que você conhece isso e comunica para as pessoas, é a hora de mapear recursos e ferramentas que estão à disposição e, depois, conectar todas elas visando atingir um bem comum”, disse Lala.

A especialista, que é cofundadora do Núcleo de Estudos sobre Futuro da PUC, enfatiza ainda a importância da colaboração da confiança e das celebrações coletivas para a concretização de novos futuros possíveis.

Confira 5 características atribuídas aos empreendedores criativos

  1. Busca constante de oportunidade e iniciativa;
  2. Persistência para alcançar metas e enxergar alternativas para combater adversidades;
  3. Disposição para correr riscos calculados com certa coragem e ousadia;
  4. Reflexão e aprendizado constante sobre prática e experiências pessoais e profissionais
  5. Trabalho em equipe e capacidade de unir talentos de diferentes pessoas para uma causa comum.

*Fonte: Guia do Empreendedor Criativo – Sebrae

Que tal colocar a criatividade em prática?

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junho 3rd, 2020

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Imagem mostra um desenho feito de giz em uma lousa, do perfil de um rosto com símbolos de setas e pontos de interrogação

O que estou fazendo para gerar impacto social no mundo? Tenho empatia pelo próximo? Perguntas como essas ajudam a saber se seu nível de autoconhecimento e consciência estão trabalhando a inteligência emocional, desenvolvida a partir das chamadas soft skills.

Soft Skills são competências que envolvem habilidades socioemocionais e interpessoais. Estão relacionadas à forma de solucionar problemas e tomar decisões baseadas no impacto que geram em outras pessoas. Empatia, persuasão, flexibilidade, liderança, trabalho em equipe são algumas delas.

“A gente vem de uma tradição de aprendizado que não deu devido reconhecimento ao papel das emoções nas atividades desempenhadas por nós no dia a dia. Mas, hoje, as empresas e as escolas precisam mais do que apenas habilidades técnicas para avançar. As experiências adquiridas pelas pessoas serão de extrema importância no ambiente profissional”, afirma Alessandra Oliveira, psicóloga da empresa de consultoria comportamental Fellipelli.

A psicóloga chama atenção para o fato de que tais experiências precisam estar conectadas às habilidades socioemocionais.

“Todos nós temos competências socioemocionais e há possibilidade de ensinar e aprender as soft skills ao longo de toda a vida, mas o processo de desenvolvimento precisa partir do indivíduo”, ressalta.

Qual é a diferença entre soft e hard skills?

Ao contrário de soft skills, relacionadas diretamente às competências socioemocionais, as chamadas hard skills são competências técnicas, aprendidas por meio de cursos, aulas, treinamentos e que configuram um conjunto de habilidades executivas e operacionais. Geralmente, as hard skills são as formações e especializações que aparecem no currículo e são muito mais fáceis de identificar e quantificar. Escrita, finanças, programação, gestão de projetos são algumas delas.

Para ajudar na construção do repertório emocional, destacamos 4 maneiras de aprimorar e desenvolver suas soft skills. Confira!

Investir no autoconhecimento para fazer uma boa autogestão
O primeiro passo para começar a desenvolver habilidades como comunicação, flexibilidade, trabalho em equipe, gerenciamento de estresse e tomada de decisão é investir no  autoconhecimento. Tendo um conhecimento profundo sobre as habilidades nas quais você já se destaca e aquelas que ainda precisa avançar, as possibilidades de gerenciamento das emoções ganham um nível de consciência que permite adequar às características dominantes em diferentes circunstâncias.

Traçar um perfil comportamental, fazer um projeto de vida e explorar as missões e os propósitos que te movem através de ferramentas como o Ikigai, podem representar uma excelente oportunidade de refletir e questionar-se sobre as características destacadas,  trabalhando diretamente com a autogestão das emoções, do tempo e da energia gasta com determinadas tarefas.

Colocar-se no lugar do outro
Uma vez entendendo quais são os pontos mais sensíveis e aqueles mais resistentes dentro do seu escopo de habilidades socioemocionais, é hora de expandir esse conhecimento para enxergar a realidade do outro. Colocar-se no lugar de outra pessoa não é uma tarefa fácil e exige uma consciência emocional muito apurada, mas uma forma de testar essas percepções é propor algumas questões iniciais.

● Você já esteve em situações em que se viu muito envolvido ou indiferente ao sentimento do outro?
● Como foi?
● Qual o impacto que isso gerou em você?
● O que poderia ser feito diferente?

Pode parecer simples, mas as respostas a essas perguntas dirão o quanto você precisa avançar em termos de escuta. Optar por soluções colaborativas, perguntar sobre os sentimentos dos outros e até mesmo fazer um Mapa de Empatia, que envolve a criação de uma persona que seja ideal para seus objetivos. Dessa maneira, é possível deslocar o seu ponto de vista até as necessidades do outro.

Planejamento para a comunicação assertiva
Uma importante competência, que complementa a empatia, é a capacidade assertiva. Ser claro, objetivo e fazer com que a comunicação gere os efeitos esperados é uma soft skill muito útil em negociações e concessões. Tanto no ambiente de trabalho, quanto na vida pessoal, o comportamento assertivo envolve planejamento, tato e flexibilidade, para adaptar ações às circunstâncias.

Por isso, pensar antes de agir é uma forma de olhar para o âmbito individual e coletivo, medindo as atitudes e as formas de escutar uma ideia ou opinião conflitante. Uma maneira de treinar essa habilidade é escrever roteiros para uma apresentação e estudar argumentos convincentes antes de entrar em um debate. Naturalmente, essa habilidade passará a se desenvolver e facilitar a expressão de ideias nas mais diversas situações, desde uma conversa casual até para um importante pitch de negócios.

Tomar decisões levando em consideração questões socioemocionais
Quando falamos em tomada de decisão, frequentemente associamos esse processo à lógica, estratégia e limites bem estruturados. É claro que todos esses elementos fazem parte de uma decisão assertiva, mas também é preciso levar em consideração todas as outras habilidades trabalhadas nos itens anteriores para que o caminho a seguir seja decidido com consciência.

Para pensar em soluções inovadoras é fundamental levar em conta a percepção do outro, o impacto gerado no campo emocional e a mensagem principal a ser passada através de uma decisão. Para desenvolver um senso mais apurado de todas as questões socioemocionais envolvidas, os conceitos de Design Thinking podem ajudar a transformar ideias em ações, apresentá-las de forma clara e chegar a resoluções que sejam de fato efetivas para um determinado problema, cotidiano ou não.

maio 19th, 2020

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Imagem mostra vários jovens sentados um ao lado do outro

Muitos questionamentos surgem no início de uma jornada empreendedora. Qual é o melhor caminho para atingir os objetivos de um negócio social? Como devo me posicionar diante de um determinado obstáculo? Essas dúvidas fazem parte de uma reflexão que raramente é incentivada. Para respondê-las é essencial desenvolver um conjunto de habilidades socioemocionais que resultam de um processo de autoconhecimento.

“Conhecer a si mesmo e aos outros funciona como uma expansão da consciência. Através desse processo, o indivíduo acessa seus pontos fortes e aqueles a desenvolver. No caso dos empreendedores, o autoconhecimento ajuda na tomada de decisões estratégicas e no planejamento estruturado com base nas competências que ele já tem e nas que lhe faltam”, reforça Eliane Diniz, psicóloga e sócia-diretora da empresa de consultoria comportamental Interação Social.

Entre as competências comportamentais essenciais para resolver os problemas com inteligência emocional estão: comunicação, tomada de decisão, flexibilidade, persuasão, empatia, gestão do tempo e do estresse. Ao iniciar esse desenvolvimento, o empreendedor acessa ferramentas que farão a diferença tanto no âmbito profissional, quanto no pessoal. No que diz respeito a empreender, os benefícios impactam principalmente a produtividade e a motivação.

“Além de buscar ações mais assertivas, o autoconhecimento permite que o empreendedor evite o desperdício de recursos e a perda de tempo. Seus esforços estarão direcionados para pensar em uma comunicação mais efetiva e na forma de conectar pessoas com a causa e os objetivos de um negócio social”, complementa a consultora.

Para começar: refletir e analisar

O primeiro passo do processo é trabalhar com reflexões direcionadas para dois caminhos: o conhecimento individual e os objetivos do empreendimento.  Dessa forma, os empreendedores serão capazes de avaliar percepções internas e externas, entendendo onde elas se encontram ou desencontram.

Especialmente no caso dos empreendedores sociais, como o principal motivador é uma causa ou um público final, essas relações podem determinar os próximos passos.

“Quando o empreendedor se coloca nessa posição, ele vai direcionar suas competências e habilidades para gerar condições para que a mudança efetivamente aconteça na sociedade ou na comunidade”, afirma Norimar Tolotto, consultor em desenvolvimento humano e sócio-diretor da Interação Social.

Segundo o consultor, existem diversas ferramentas capazes de levar a uma análise mais aprofundada para as respostas das perguntas mencionadas acima. A mais comum, ágil e prática é a PDA ((Personal Development Analysis), que traça um perfil comportamental, identificando talentos, áreas a serem desenvolvidas, motivadores e maneiras de tomar decisões. Uma vez respondido o questionário, é gerado um relatório detalhado.

“Se o empreendedor está começando, ele pode iniciar uma reflexão sobre o tipo de negócio social que quer construir e o tipo de empreendedor ideal para fazê-lo funcionar. Lembrando que esse modelo ideal será uma persona. Ele pode listar as competências essenciais e comparar com as habilidades que já tem. A proximidade ou a distância da persona indica os caminhos que ele pode tomar”, aconselha Norimar.

 

Autoconhecimento, felicidade e produtividade

Além de ajudar no planejamento estratégico, o autoconhecimento também pode transformar as sensações relacionadas ao trabalho. Ao identificar a falta de uma competência essencial, os empreendedores podem encontrar parceiros e colaboradores que agreguem esses valores ao negócio. Isso cria uma dinâmica fluída que contribui para a produtividade.

“No início de uma jornada, obrigar-se a desempenhar bem uma habilidade que não domina fará com que o empreendedor sinta-se esgotado e gaste o dobro de energia. Sabendo administrar os pontos fortes e a melhorar, tanto os individuais quanto os da equipe, aumentam as chances de trabalhar mais feliz e motivado”, acrescenta Norimar.

Exercitar as habilidades socioemocionais está cada vez mais ligado ao futuro do trabalho. Autonomia para tomada de decisões, protagonismo e trabalho em equipe são alguns dos ganhos possíveis. De acordo com a consultora Eliane Diniz só mudamos quando tomamos consciência de que é isso é necessário.

“Diferente das gerações anteriores, que buscavam estabilidade e retorno financeiro, os jovens empreendedores são movidos pela paixão e pelo empenho em construir um mundo melhor. O autoconhecimento pode ajudá-los a descobrir como atingir essa transformação. E o melhor é saber que essa tomada de consciência pode ser feita a partir de qualquer ponto, com os recursos que estiverem disponíveis”, conclui.

Exercite o autoconhecimento com o Pense Grande Digital!

Uma das formas de exercitar o autoconhecimento é traçar um projeto de vida, que ajudará a estruturar e mobilizar as potencialidades do empreendedor durante sua jornada de crescimento.

Com uma proposta gamificada e lúdica, a formação Pense Grande Digital, da Fundação Telefônica Vivo, é voltada ao público jovem, a partir dos 15 anos, e tem como objetivo apoiá-los na construção desse repertório em empreendedorismo social.

Para acessar a formação online, basta fazer o download gratuitamente do aplicativo no smartphone e se cadastrar para iniciar as atividades. Os jovens ainda terão a oportunidade de interagir e se unir a outros participantes com competências diferentes e complementares as suas, mas com o mesmo desejo de mudar a realidade ao seu redor.

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maio 12th, 2020

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Imagem mostra duas mãos em destaque

Em um cenário de pandemia e crise gerada pela disseminação do coronavírus no país, os empreendimentos sociais se depararam com um duplo desafio: seguir promovendo impacto social e, ao mesmo tempo, lutar para garantir a sustentabilidade de seus negócios.

O Instituto Quintessa, que faz aceleração de startups sociais, realizou uma pesquisa recente para entender as dores e os desafios dos empreendedores de negócios de impacto no contexto de crise. Os resultados apontaram para dois pontos principais: acesso a crédito e investimento (listado por 46,4% dos entrevistados) e necessidade de mentoria para tomar boas decisões para seus negócios (78,6%).

Para propor uma reflexão sobre o que o futuro reserva aos negócios de impacto, o Instituto Quintessa organizou o movimento #ONovoNormal e reuniu marcas, institutos e fundações na plataforma Negócios pelo Futuro, que irá apoiar soluções inovadoras que ajudam na superação da crise do coronavírus.

Nesses momentos de crise, muitos empreendedores estão encontrando saídas criativas para seguir fortalecendo os territórios onde atuam, seja com a adaptação de seus negócios, a formação de redes ou promovendo novas iniciativas. Confira a seguir um pouco do que está rolando por aí!

#SeguraACurvadasMães 

Tão logo começou o isolamento social, as empreendedoras sociais Thais Ferreira, do Mães&Mais, e Thaiz Leão, do Instituto Casa Mãe, mapearam 732 mulheres mães, de 20 estados do país, que enfrentam situação de vulnerabilidade social causada ou agravada pela crise do coronavírus.

A partir disso, criaram uma vaquinha de auxílio emergencial de R$ 150 para essas mulheres. A campanha chamada Segura a Curva das Mães já arrecadou quase R$ 68 mil e continua na busca por aumentar esse valor.

“Já atendemos também mais de 200 mulheres entre articulação de redes e assistência, arrecadação de cestas básicas e apadrinhamento. Chegamos a mais de três mil impactados, porque essas mulheres, em média, são responsáveis por mais três ou quatro pessoas. A ajuda se multiplica”, diz Thais, que teve sua história contada na série Pense Grande.doc, da Fundação Telefônica Vivo.

Informação da ponte para lá

Assim que o coronavírus chegou às periferias e favelas do Brasil, os coletivos de comunicação da Rede Jornalistas das Periferias se mobilizaram para combater fake news e levar informação responsável e de qualidade para as quebradas. Com a hashtag #CoronaNasPeriferias, os comunicadores se articularam também para informar as consequências da pandemia em seus territórios.

O Periferia em Movimento, por exemplo, fez uma reportagem sobre como aumentar a imunidade e publicou um manifesto de filhos de empregadas domésticas que não foram liberadas na quarentena. O Desenrola e Não me Enrola trouxe a perspectiva de trabalhadores de empresas que não adotaram home office e uma reportagem sobre a situação das mães na quebrada.

Com dezenas de correspondentes pela cidade e área metropolitana do estado, a Agência Mural está com um canal direto no site centralizando conteúdos produzidos por seus correspondentes.

Organizando as finanças

A crise do coronavírus fez com que a Barkus Educacional tivesse uma queda de 75% nas suas receitas, mas nem por isso a escola de educação financeira deixou de estruturar ações de impacto. Pelas redes sociais, está disponibilizando conteúdos e ferramentas gratuitas para ajudar famílias na economia doméstica.

No mês de abril, a Barkus lançou também um curso beneficente de educação financeira com o objetivo de apoiar os projetos sociais com cestas básicas e produtos de higiene pessoal. Entre inscrições e doações extras, o curso, que contou com 52 participantes, arrecadou R$ 1.600, que foram doados para as instituições Jacarezinho contra o Coronavirus e Rede Postinho de Saúde Preventiva.

“Estamos vivendo tempos difíceis de muita instabilidade. Como uma iniciativa de impacto social em educação, esse é o momento de unir forças e apoiarmos uns aos outros”, diz Bia Santos, uma das fundadoras da Barkus, que também teve sua história contada no Pense Grande.doc.

O valor de uma boa ideia

Desde o meio de abril, o Fundo Babobá, dedicado à promoção de equidade racial para a população negra no Brasil, e o Desabafo Social, laboratório de tecnologias sociais voltadas para geração de renda, comunicação e educação, estão remunerando iniciativas comunitárias que enfrentam o coronavírus nas áreas de risco dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

Através do aplicativo ItsNoon, os participantes compartilham ações que podem ou estão sendo feitas para ajudar pessoas em situação de risco. As melhores ideias serão remuneradas de R$ 60 a R$ 350. A iniciativa pretende viabilizar iniciativas locais, como cursos, campanhas e transmissões online que estão ocorrendo dentro das periferias.

Em seu site, a criadora do Desabafo Social, Monique Evelle, enfatiza que o diferencial é premiar a criatividade. “Podem ser inscritas músicas, poesias, vídeos e outras manifestações artísticas que beneficiem as comunidades pela informação, pela motivação ou pelo suporte emocional”, diz.

Fundo emergencial

A Fundação Tide Setubal, que promove o desenvolvimento sustentável nas periferias, flexibilizou um edital de 2019 para criar uma plataforma específica para financiar iniciativas de enfrentamento dos efeitos do coronavírus nas regiões periféricas.

O chamado Enfrente combina financiamento coletivo e aporte de parceiros para incentivar iniciativas como campanhas de conscientização sobre o coronavírus, cuidados com a saúde física e emocional, distribuição de recursos e suporte a micro e pequenos empreendedores.

Já a Agência Popular Solano Trindade se mobilizou para captar recursos para um fundo emergencial, em parceria com outros empreendimentos sociais, como Preta Hub, Vale do Dendê, Fa.vela, Festival Latinidades e Afrobusiness Brasil.

A ideia é distribuir um ticket de R$ 1.000 para que empreendedores associados possam comprar alimentos e pagar contas fixas nos próximos meses. O fundador da Agência nascida no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, Thiago Vinicius, também criou a campanha Adote uma Favela para arrecadar recursos com a intenção de não deixar os empreendedores desistirem de seus negócios.

“A gente está trabalhando mais do que o normal para continuar a captação de recursos e não vamos desistir. Estaremos aqui para nos desenvolver juntos, porque também está sendo um grande aprendizado. Vamos pra cima!”, garantiu o Thiago em entrevista ao site Pense Grande.

abril 30th, 2020

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Imagem mostra um jovem de pé segurando um microfone

A primeira impressão, como afirma o dito popular, é a que fica. Por isso, uma apresentação marcante pode ser decisiva para o rumo dos negócios. Dependendo de como for conduzida, os empreendedores conseguem captar recursos para tirar as ideias do papel. No caso dos negócios sociais, montar um pitch estratégico pode ser o caminho mais próximo do impacto positivo que pretendem gerar no mundo.

Mas, afinal, o que é um pitch? Trata-se de um discurso rápido e objetivo, que tem como finalidade apresentar uma ideia ou um modelo de negócios. O tempo de duração varia de acordo com o propósito e o público, mas em geral pode levar de um a 20 minutos.

“Sem essa restrição de tempo, é muito fácil para os empreendedores dizerem tudo que precisam sobre seus negócios. No pitch, essa possibilidade não existe. Quando o tempo é limitado, a equipe se vê obrigada a tomar decisões, editar o conteúdo da apresentação e refletir sobre o que é de fato relevante”, diz Elena Crescia, organizadora e curadora dos eventos TEDx São Paulo.

Levando em consideração a importância de construir um discurso eficiente, contamos com a experiência da Elena Crescia e separamos algumas dicas do que não pode faltar para montar um bom pitch.

1 minuto
O pitch de 1 minuto, também chamado “pitch de elevador”, é o mais objetivo de todos. Neste caso, não é preciso aprofundar os dados e nem trazer um panorama de crescimento. O ideal é começar falando sobre a solução para um problema específico que sua empresa pretende resolver. Inserir o público e o diferencial também podem ajudar na construção do raciocínio.
 
3 a 5 minutos
Este formato permite descrever mais detalhadamente o problema, a solução, o diferencial e o público que pretende atingir. É possível ainda trazer dados sobre o crescimento e custo-benefício da empresa. Dependendo da complexidade destas informações, é possível usar suporte gráfico.
 
7 a 15 minutos
Por se tratar de um pitch de duração média, é preciso investir em um material de apoio completo e dinâmico, fazendo uso de imagens e dados aprofundados sobre o panorama financeiro e de crescimento do seu negócio.
 
20 minutos
O foco para este tipo de pitch é prender a atenção da audiência. Como você utilizará um tempo maior, a narrativa passa a ser o foco principal da apresentação. Ter um material de apoio, nesse caso, é essencial. Ainda assim, a objetividade continua a ser uma meta a ser alcançada, por isso, não se esqueça de selecionar bem as informações e a estrutura da apresentação.

1. Planeje e selecione as informações

O primeiro passo é fazer um planejamento detalhado do que você quer que seu público saiba. Para isso, é fundamental aprofundar os conhecimentos sobre os dados, clientes, potenciais parceiros e modelo de negócio da sua empresa. A partir daí, escreva um roteiro e calcule o tempo, avaliando se o discurso faz sentido para quem desconhece o seu negócio.

De acordo com Ele na, não existe receita de bolo! Você pode começar falando sobre o problema que quer resolver, sobre a origem do seu empreendimento ou sobre a solução que descobriu. Seja qual for a sua escolha, o importante é definir as prioridades de comunicação para aquela apresentação específica e o que pretende atingir com ela.

2. Escolha a abordagem de acordo com seu público

Não há como definir prioridades claras sem conhecer o público para o qual você estás e apresentando. Com quem você está falando? Com um investidor, com um empreendedor, com outra empresa? As informações que você seleciona podem variar de acordo com o público, pois seus objetivos para cada um deles também serão diferentes.

Se estiver falando com um investidor, é importante mencionar orçamentos, custos, margem de lucro. Já se estiver apresentando para outro empreendedor, pode ser interessante contar sobre a origem do seu negócio e quais oportunidades você identificou para criá-lo.

3. Monte uma apresentação como suporte

Uma vez definido o público e o roteiro, o próximo passo é avaliar a necessidade de montar uma apresentação gráfica, para guiar e complementar o raciocínio. Elena Crescia recomenda usar imagens e, no máximo, cinco palavras por slide. O GoogleSlides disponibiliza ferramentas e slides padrão que podem ajudar os empreendedores recém-chegados no mercado.

A consultora também chama atenção para os direitos das imagens escolhidas, que devem ser verificados antes de serem incluídas na apresentação. Isso mostrará responsabilidade por parte da sua empresa. Além disso, checar as fontes dos dados e se certificar de que eles fazem mesmo sentido para o roteiro que você preparou também é sinal de um bom planejamento.

4. Ensaie antes da apresentação

Ensaie uma, duas, três, quantas vezes forem necessárias antes da apresentação oficial. Para potencializar o bom planejamento do roteiro e do suporte gráfico, é preciso trabalhar algumas técnicas de oralidade e postura. Uma boa dica é gravar os ensaios. Assim fica mais fácil observar o tom de voz, a pronúncia, o ritmo da fala, o posicionamento e a clareza da mensagem que você quer passar.

Independentemente de se sentir confortável ou não ao falar em público, ensaiar pode ajudar você a ganhar cada vez mais naturalidade. Chamar um ou dois amigos para assistir a apresentação também pode ser uma boa alternativa. Além de se sentir mais preparado para se expor diante de uma audiência, você pode pedir a opinião dos ouvintes sobre os pontos fortes e fracos do discurso.

5. Defina quem vai ser o apresentador

Dentro de uma equipe, cada integrante tem potencialidades e desafios individuais. Por isso, é importante que todos participem da escolha dos interlocutores. Na visão de Elena, essa decisão determina um posicionamento e um estilo de liderança. Caso a equipe toda decida apresentar, é importante garantir que todos tenham um espaço para falar. Isso exige um planejamento do tempo de transição de um para o outro, para não comprometer o tempo total de duração do pitch.

6. Objetividade em primeiro lugar

Quando falamos de algo que conhecemos profundamente, tudo parece importante. Mas além de levar em consideração as adaptações para o público e para o propósito da apresentação, não se esqueça de que a objetividade é o que diferencia o pitch de uma apresentação comum.

Liste aquilo que considera essencial e se aprofunde nesses temas. Na fase de questionamentos, a banca de investidores pode entrar em detalhes que você escolheu deixar de fora. Por isso, ter conhecimento sobre cada aspecto do seu negócio, mesmo sem mencioná-los durante a apresentação, é uma vantagem.

7. Conheça o ambiente da apresentação

A preparação física também não pode ser desconsiderada entre as dicas para um pitch de sucesso. Durma bem, faça boas refeições ao longo do dia, dando preferência para alimentos saudáveis, e certifique-se de estar hidratado. Além disso, chegar mais cedo no ambiente da apresentação é uma forma de se familiarizar com o local e visualizar as melhores formas de se posicionar. Estar confortável é uma parte importante do processo. Boa sorte!

abril 14th, 2020

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Imagem mostra um armazém com alimentos expostos em caixas de plástico. Ao fundo, se vê uma parede com grafite

Nascida no Capão Redondo, região do Campo Limpo, zona sul de São Paulo, a Agência Popular Solano Trindade tem como proposta fortalecer a economia ligada à cultura criativa e incentivar a produção e a difusão da cultura popular, criando formas de organização e sustentabilidade dessas ações. A iniciativa aposta no empreendedorismo em rede para articular arte, cultura e mercado, e ainda, resistir a tempos mais difíceis.
“A gente acredita que estar em rede é poder dialogar com o mercado e fazer com que uma empreendedora, após anos sendo empregada doméstica, possa viver do seu dom”, resume Thiago Vinicius, fundador à frente do empreendimento, que funciona como um coletivo.

A Agência tem capacidade de organizar eventos desde o transporte e catering (fornecimento de alimentos e serviços similares), até a contratação de recepcionistas, palestrantes e shows.  “Nosso intuito é fazer com que esse empreendedor ou empreendedora acesse o mercado, venda o produto e volte para a quebrada”, conta Thiago.

 

Construindo pontes

Criado a partir de um desdobramento do Banco Comunitário União Sampaio, o primeiro banco comunitário da periferia de São Paulo, a Agência Popular Solano Trindade, que traz no nome a homenagem a Solano Trindade, caracteriza-se por ter uma forte vivência com a cultura da região do Capão Redondo. Artistas como Mano Brown e atrações como Sarau do Binho e Cooperifa também são referências.

Contudo, foi a participação na 31ª Bienal de Artes de São Paulo, que tornou a agência uma referência na comunidade e ganhou o apoio de pequenos comerciantes e empreendedores. “Foi a primeira vez que a periferia entrou pela porta da frente, para estar ali como artistas, junto a outros de vários lugares, como Israel, Londres, Amsterdam”, relembra Thiago Vinicius.

Hoje a estrutura da agência ainda se desdobra em um coworking, com sala de reunião, um armazém de comida orgânica e o restaurante Organicamente Rango, chefiado pela mãe de Thiago Vinicius, a dona Nice.

A ancestralidade, inclusive, é exaltada como um dos pilares do empreendedorismo na periferia pelo fundador. “Minha mãe é uma das primeiras mobilizadoras aqui da quebrada e passou pra nós essa história, essa luta. Então a gente tem esse empoderamento familiar dentro da nossa casa, da nossa formação. A gente sempre remete à nossa ancestralidade antes de colocar um projeto na rua”.

Thiago Vinicius posa para foto

“Nós somos empreendedores da periferia, que têm todas as dificuldades. Baixa escolaridade, mal fala português, quem dera falar inglês, muitas vezes não sabe mexer em uma planilha. Imagine quem mora no Capão Redondo, leva duas horas para chegar no centro e mais duas pra voltar. Tudo isso são barreiras físicas, muitas visíveis e muitas invisíveis, que nós enfrentamos para poder transformar e fazer as coisas como a gente faz”, ressalta Thiago Vinicius.

Desafios e superação em tempos de crise

Com 31 anos, sendo 16 anos de experiência no empreendedorismo social, Thiago é consciente sobre os desafios da área que no atual cenário, tendem a crescer por conta da pandemia mundial causada pelo coronavírus.

Mas é justamente a capacidade de articulação da iniciativa que está sendo colocada em prática, durante este período em que os eventos estão paralisados, para apoiar os cerca de mil empreendedores que estão na base da Agência Solano Trindade

Junto com um time que inclui outros empreendimentos de impacto, como Preta Hub, Vale do Dendê, Fa.vela, Festival Latinidades e Afrobusiness Brasil, eles criaram uma aliança com o objetivo de captar recursos para o fundo de emergência do Éditodos.

“É bem bacana, porque a gente chega junto. É a inteligência de rede, de novo, ao abordar os financiadores. Porque quando eu vou falar com o financiador, vou como coalizão, então meu impacto aumenta. Não vou falar só do meu, vou falar do todo, com alcance na Bahia, em Minas Gerais, no Distrito Federal”, exalta Thiago.

Com os recursos arrecadados a ideia é tornar o Éditodos – que brinca com a palavra edital e já existe desde 2017 – em uma plataforma de doação. A intenção é distribuir um ticket de R$ 1.000 para que os empreendedores já associados possam, comprar alimentos e pagar contas fixas nos próximos meses.

“Na rede da Agência Popular Solano Trindade, 56% dos empreendedores estão no grupo de risco do coronavírus. São pessoas com mais de 60 anos, são mulheres negras e avós”, detalha o empreendedor.

Thiago conta que também criou uma campanha própria para arrecadar recursos e incentiva os empreendedores a não desistirem por conta da pandemia.

“A gente está trabalhando mais do que o normal para continuar a captação de recursos e não vamos desistir. Estaremos aqui para nos desenvolver juntos, porque também está sendo um grande aprendizado. Vamos pra cima!”, conclui.

março 31st, 2020

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Adriana Barbosa, idealizadora da Feira Preta e CEO da PretaHub

A maioria dos empreendedores negros no Brasil é mulher (52%), tem menos de 40 anos, é formalizado, reside nas regiões Sudeste e Nordeste, estudou até o Ensino Médio e possui renda familiar de até R$ 5 mil. As informações são da pesquisa Empreendedorismo Negro no Brasil 2019, realizada pela aceleradora PretaHub em parceria com o Plano CDE e com o apoio do banco JP Morgan.

Atualmente, são mais de 14 milhões de empreendedores negros no Brasil. Para mapear esse ecossistema e entender seus principais desafios, a pesquisa entrevistou 1.220 empreendedores de todo o país, entre 18 e 70 anos, de todos os gêneros e classes sociais.

Uma segunda etapa envolveu um trabalho qualitativo feito com 12 empreendedores negros de diversos perfis, recursos financeiros e áreas de atuação.

Slide da pesquisa Empreendedorismo Negro no Brasil 2019, realizada pela aceleradora PretaHub

Diversidade na área

Entender o empreendedorismo negro como não homogêneo foi o principal caminho adotado pela pesquisa. Os entrevistados foram enquadrados em três perfis, de acordo com a motivação para empreender.

Aqueles que empreendem por vocação costumam ter bons resultados: 51% sempre quiseram empreender, 95% querem ampliar a empresa em um ano e 85% alegam que a renda aumentou com a abertura dos negócios.

Por sua vez, os empreendedores por necessidade são mais solitários: 86% não têm funcionários ou parceiros e 46% empreendem por falta de emprego no mercado de trabalho tradicional. Muitos deles não se entendem como empreendedores e, segundo a pesquisa, essa é uma das principais barreiras do perfil.

Já a categoria dos engajados é aquela cujo desejo de empreender está atrelado à vontade de autoafirmação, de fortalecimento do público afro-brasileiro e encara o empreendedorismo como um “processo de cura” para o racismo estrutural e social. Do total de empreendedores negros dessa categoria, 29% trabalham em rede com outros empreendedores negros e 36% são voltados para inovação.

Slide da pesquisa Empreendedorismo Negro no Brasil 2019, realizada pela aceleradora PretaHub

Desafios pelo caminho

A baixa representatividade no ecossistema de startups, as dificuldades para comercializar produtos e serviços, além do menor acesso às novas tecnologias e à educação financeira foram os principais desafios apontados pelos empreendedores negros.

O acesso ao crédito também foi colocado como um entrave relevante, que faz com que muitos empreendedores negros usem apenas a própria poupança ou a ajuda de seus familiares para investir nos negócios. E, embora o racismo não tenha sido apontado pela maioria como o principal motivo, 32% dos entrevistados afirmaram terem o crédito negado sem explicação.

Em entrevista a Fundação Telefôniva Vivo, Adriana Barbosa, idealizadora da Feira Preta e CEO da PretaHub comenta sobre os principais dados do estudo e faz uma reflexão sobre o que eles significam.  Confira a seguir!

A pesquisa mostrou que 19% dos empreendedores entrevistados se declaram como preto(a) e 81% como pardo(a). Também foi apontada a falta de conhecimento sobre os termos “afroempreendedor” e “empreendedorismo negro”. Esses dados se relacionam?

Adriana Barbosa: A identificação como pardo pode inibir a percepção de pertencer ao afroempreendedorismo, mas essa é apenas uma das hipóteses. Eu penso que está mais relacionado ao dolorido processo de se reconhecer negro. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica – IBGE mostram que, apenas nos últimos 20 anos, a população negra passou a se autodeclarar como negra, a partir de um movimento intenso de grupos culturais, artistas, coletivos, organizações sociais e ações afirmativas. É um esforço coletivo para construir uma narrativa de beleza e potência. Hoje nos grandes centros urbanos, jovens já se autodeclaram como negro e possivelmente é a geração que empreende com engajamento, como é o caso da Diáspora Black, Clube da Preta, Xongani e tantas outras iniciativas.

 

A maioria dos empreendedores que vocês ouviram têm até 40 anos. Isso significa que empreendedorismo é coisa de gente jovem?

Adriana Barbosa: Há mais negros que não querem estar dentro das empresas tradicionais, mais negros nas universidades, e o acesso à renda aumentou. A população negra movimenta mais de um trilhão na economia. Temos mais referências hoje sobre empreendedores que deram certo. Acho que essa combinação de fatores faz com que os jovens empreendam mais. Vale dizer também que o histórico de racismo e exclusão fez com que as oportunidades chegassem mais tarde à população negra. E muitas delas privilegiam mais os jovens, que estão mais conectados e conseguem acessar mais facilmente o ecossistema empreendedor.

No perfil de quem empreende por necessidade, vocês destacam como barreira a autopercepção como empreendedor. Por que isso acontece e qual o impacto nos negócios?

Adriana Barbosa: O reconhecimento como empreendedor é um grande passo para a autoestima e para acessar o que o mercado dispõe, mas muitos empreendedores enxergam sua atividade como uma forma de sobrevivência.  E quando se vive numa situação de extremos, o foco é, de fato, sobreviver. Isso é ruim porque é uma precarização do empreendedorismo e do trabalhador. Uma alternativa para a mudança passa pela rede de organizações de suporte ao nano e microempreendedor, que entende as especificidades de cada contexto e os ajuda nessa jornada.

A pesquisa aponta que 51% dos empreendedores por vocação sempre quiseram empreender. É possível dizer que essa categoria está conseguindo chegar mais perto de seus sonhos, mesmo com barreiras?

Adriana Barbosa: Isso quer dizer que estamos transcendendo a condição de necessidade para vislumbrarmos oportunidades no mercado. Uma grande revolução está acontecendo, porque estamos nos permitindo sonhar e construir novas realidades.  O fato de enxergamos outras possibilidades permite que a circulação de renda aumente entre os negros porque estamos cada vez mais politizados na forma como consumimos. Um exemplo disso é a Feira Preta, que no ano passado contou com mais de 150 empreendedores de mais de 10 estados do país. Reunimos mais de 35 mil pessoas e parte desse público consumiu dos expositores, fazendo a circulação monetária aumentar.

O empreendedor engajado é apontado pela pesquisa como o que trabalha mais alinhado com a autoafirmação e a busca por valorizar a rede de empreendedores negros. Qual a importância desse perfil para mudar o quadro histórico de informalidade?

Adriana Barbosa: Os engajados são fundamentais porque não estão só vendendo produtos, mas atuando em um ponto central que é o fortalecimento identitário. Os empreendedores nos ajudam a valorizar a nossa história através de seus produtos e serviços, porque entendem as nossas dores com mais profundidade.  Acredito que o grande desafio que a pesquisa apontou é como transformar os empreendedores por vocação em engajados para que possam atender as demandas e especificidades de consumo da população negra.

Ainda que a maioria dos empreendedores entrevistados pela pesquisa seja formalizada, ainda há 46% que fazem parte do empreendedorismo informal. Quais seriam os caminhos para minimizar esses números?

Adriana Barbosa: A população negra empreende há muitos anos, mesmo antes de existir o MEI – Microempreendedor Individual. Acontece que o ecossistema empreendedor brasileiro é ainda muito excludente, porque tem códigos específicos do mercado, que se você não tem a compreensão, não consegue acessar.  Falamos de Canvas, Plano de Negócios, Investidor Anjo. Quem não entende esses conceitos dificilmente terá o que o mercado dispõe para a jornada empreendedora. E uma das formas de mitigar essa questão é tornar isso acessível para um maior número de pessoas. 

A pesquisa indica que o número de empreendedoras negras é ligeiramente maior que o de homens. Quais são os benefícios disso para a sociedade como um todo?

Adriana Barbosa:  Um benefício importante que vale destacar é que, pelo fato de sermos maioria e termos um histórico de empreendedorismo há pelo menos 13 décadas, acumulamos conhecimentos que não estão nas academias e nem ao menos nos livros de negócios. Há muito saber ancestral que tem apoiado a alavancagem de mulheres negras. Temos um senso de comunidade, facilidade de trabalhar em rede e as nossas interações são em nível sistêmico. Uma pena não nos reconhecerem como potência.

março 19th, 2020

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Imagem mostra uma rua estreita, com casas em voltas, e duas pessoas em pé de destaque

O Brasil possui 13,6 milhões de pessoas morando em áreas periféricas, população que movimenta cerca de R$ 120 bilhões por ano. Os números divulgados pela pesquisa Economia das Favelas, realizada em 2019 pelos institutos DataFavela, Locomotiva e a Central Única de Favelas (CUFA), indicam que as favelas movimentam um volume de renda maior que 20 dos 27 estados brasileiros.

Mas será que essa representatividade se reflete nos espaços dedicados aos conteúdos para as periferias em grandes portais de notícias e comunicação?
De acordo com Amanda Rahra, cofundadora da Énois Conteúdo – uma agência de jornalismo criada na região do Capão Redondo, periferia de São Paulo – ainda falta um olhar mais aprofundado das mídias tradicionais para os territórios periféricos, o que fortalece a importância de veículos de comunicação locais, não apenas para as comunidades, mas para a cidade como um todo.

“Apenas um veículo inserido na realidade das periferias consegue captar os problemas e as soluções para essas pessoas”, acredita.

Além de produzir reportagens e conteúdos locais, a iniciativa, criada em 2009, tem um trabalho de formação com jovens. A Énois criou a primeira escola online de jornalismo do Brasil voltada ao público jovem e conta com mais de quatro mil alunos cadastrados. Para ela, é preciso fortalecer o jornalismo local, em termos de formação e financiamento, para que existam profissionais dedicados e aptos a criarem conteúdos relevantes.

“Manter veículos de comunicação com esse foco é muito importante porque ajuda a manter a diversidade no campo jornalístico. Os veículos tradicionais estão atentos a realidades mais nacionais e de pouca gente e não da maioria”, ressalta.

Além da Énois, diversas iniciativas espalhadas pelas cidades produzem conteúdos para as periferias. Destacamos oito agências de comunicação que valem a pena conhecer. Confira!

 

Agência Mural de Jornalismo das Periferias

Logo da Agência Mural

Criada em 2010, é uma agência de notícias, informação e inteligência sobre as periferias das cidades da Grande São Paulo. Mais de 100 “muralistas”, como são conhecidos os correspondentes locais, já passaram pelo site e o conteúdo é, em sua maioria, produzido por estudantes ou formados em comunicação interessados em contar o que se passa na região em que moram, em periferias da Grande São Paulo e imediações.

As notícias criadas no portal abordam diferentes temas como empreendedorismo, cultura, serviço e reportagens especiais que chamam atenção para a realidade das regiões periféricas da capital. O projeto pretende também contribuir, a partir do exercício do jornalismo profissional de boa qualidade, para atingir a meta 10 dos objetivos de desenvolvimento da ONU para 2030.

Periferia em Movimento

Logo da Periferia em Movimento

Uma produtora de Jornalismo de Quebrada que gera e distribui informação a partir do Extremo Sul de São Paulo (Grajaú, Parelheiros, Marsilac e Cidade Dutra). Foi fundada em 2009 e tem como missão “fazer um jornalismo sobre, para e a partir das periferias, em nossa complexidade, para ocupar espaços que sempre nos negaram e garantir o acesso a direitos”.

O portal conta também com um canal no Youtube, em que são produzidos vídeos com reportagens especiais, entrevistas com jovens moradores de regiões periféricas e especialistas em diferentes assuntos que estão em pauta na sociedade, além de reportagens em formato de documentário.

ANF – Agência de Notícias das Favelas

Logo da ANF – Agência de Notícias das Favelas

Fundada em janeiro de 2001, foi reconhecida pela Reuters como a primeira agência de notícias de favelas do mundo. A ANF, como é chamada, foi criada para atender a demanda da imprensa e da sociedade, que careciam de informações sobre que acontecia no contexto das favelas do Rio de Janeiro. Hoje, é instituída como uma ONG que leva adiante a luta pela democratização da informação da favela para o mundo, tendo como protagonistas seus próprios moradores.

A Agência de Notícias das Favelas dispõe de um site, mídias sociais e do jornal “A Voz da Favela”, maior impresso das favelas do país, com uma tiragem de 100 mil exemplares mensais, gratuitos – por meio de contribuição voluntária do leitor – circulando no estado do Rio de Janeiro e na cidade de Salvador, na Bahia. O portal conta com a colaboração de quinhentas pessoas que enviam seus artigos e matérias, promove o Encontro Latino-americano de Comunicação Comunitária e o Primeiro Prêmio ANF de Jornalismo, no Rio de Janeiro.

Nós, Mulheres da Periferia

Logo do Nós, Mulheres da Periferia

Um coletivo jornalístico independente formado por jornalistas moradoras de diferentes regiões periféricas da cidade de São Paulo. A principal diretriz do portal é disseminar conteúdos autorais produzidos por mulheres e a partir da perspectiva delas, tendo como fio condutor editorial o encontro de temas como gênero, educação, raça, classe, infância e território.

O site surgiu em 2014 com o objetivo de contribuir para a construção de narrativas jornalísticas mais humanas e contextualizadas. Em 2017, o destaque ficou pelo lançamento do documentário “Nós, Carolinas”, que narra as vivências de mulheres moradoras de quatro diferentes regiões periféricas da capital paulista.

Fala Roça

Logo do Fala Roça

O Fala Roça é um jornal impresso e online independente, feito por moradores da Rocinha, a maior favela do país com cerca de 70 mil habitantes, localizada na Zona Sul do município do Rio de Janeiro. Os exemplares são entregues de porta em porta desde 2012, devido ao fato da internet ainda não ser uma ferramenta acessível a toda a comunidade.

Com o avanço da tecnologia, o Fala Roça foi se remodelando e passou a produzir reportagens para a versão digital e vídeos de temas como política, obras, saúde, cultura, economia, esportes e oportunidades. A iniciativa tem como missão trazer um pouco da cultura nordestina, mostrando o quanto ela é presente dentro da periferia que reúne mais nordestinos na capital.

Desenrola e Não Me Enrola

Logo Desenrola e Não Me Enrola

Criado em 2013, o coletivo de comunicação atua na veiculação de informações sobre os fatos que acontecem nas periferias de São Paulo, buscando um olhar positivo nas reportagens escritas e nos vídeos que abordam temas como música, teatro, esporte, literatura e ações desenvolvidas por articuladores culturais das periferias.

A iniciativa conta ainda com um trabalho de formação. O Você Repórter da Periferia é um projeto de educomunicação voltado para jovens das periferias e alia a teoria e a prática do jornalismo comunitário e cultural. Diante da potencialidade do cenário cultural da periferia foi criado o Centro de Mídia e Comunicação Popular M’Boi Mirim, um espaço localizado no Jardim Ângela que abriga um escritório colaborativo, estúdio multimídia de fotografia e vídeo, auditório para palestras e workshops e a redação do portal Desenrola e Não Me Enrola.

Fala Manguinhos!

Logo do Fala Manguinhos!

O Fala Manguinhos! é uma agência de comunicação comunitária voltada para a produção de matérias e conteúdos em vídeo e fotos voltados às demandas do território de Manguinhos, bairro localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. Surgiu com o propósito de transformar pessoas e o território que está inserida por meio de seus projetos e em parceria com os moradores do Complexo de Manguinhos.

A página traz assuntos relacionados à educação, segurança e foca grande parte dos esforços em chamar atenção às necessidades dos moradores da região.

Énois ConteúdoLogo do Énois Conteúdo

A iniciativa surgiu a partir de um trabalho voluntário no Capão Redondo, na época conhecido como um dos bairros mais violentos da periferia paulistana. Trabalha com três eixos: Jornalismo Local, que atua com formações no território para fortalecer a rede de jornalistas das periferias de São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife; Gestão e estrutura jornalística, que trabalha para desenvolver o índice de diversidade das redações tradicionais; e Produção e distribuição, que produz as reportagens e cuida da distribuição de conteúdo a partir das demandas e das necessidades das comunidades.

Em 2014, a Énois foi selecionada pela revista americana GOOD como uma das 100 iniciativas globais que ajudam a empurrar o mundo para frente e pelo BID como uma das 16 startups mais inovadoras da América Latina.

 

março 11th, 2020

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Imagem mostra um grupo de jovens reunidos em volta de uma mesa olhando para um notebook

Mensurar o impacto social de um negócio não é uma tarefa fácil e,além do próprio empreendedor, precisa envolver todos os stakeholders que fazem parte do projeto: fornecedores, colaboradores, acionistas, investidores, etc. Além disso, é preciso levar em conta outros fatores como o tempo e o investimento disponíveis para a avaliação.

Segundo Daniel Brandão, sócio-fundador da Move, que apoia organizações públicas e privadas na ampliação e qualificação dos impactos social e socioambiental de suas ações, “ter a expectativa de que o empreendedor é capaz de resolver tudo sozinho, é uma coisa um pouco perigosa. A responsabilidade é do conjunto de stakeholders ou parceiros que estão envolvidos no negócio, porque mensurar o impacto demanda bastante energia, seja intelectual, seja financeira”, afirma.

O especialista também explica que nem todo empreendedor está pronto para mediro impacto do seu negócio social. “Dependendo da fase do seu negócio, talvez possa avaliar outras coisas: processo, teste de percepção, aderência do seu produto, pesquisa de mercado, entre outras questões”, exemplifica.

A própria definição do que é impacto social não tem um único entendimento e pode variar de acordo com o tipo de iniciativa e objetivo. No episódio Os Caminhos para o Impacto Social, da segunda temporada do Pense Grande Podcast, Debora Luz, co-fundadora do Clube da Preta -primeiro clube de assinaturas de moda e acessórios afro do Brasil -mede o impacto de seu negócio para além dos resultados numéricos, baseando-se no crescimento de fornecedores.

“Cada empreendedor que entra na marca nos ensina. Eles estão empreendendo porque é a forma que arranjaram de ter renda. Ver o trajeto de transformação que eles têm até a criação da marca, é incrível. Estamos indo para o segundo ano de negócio e geramos R$ 100 mil de renda para os empreendedores dentro da nossa base e mais de 10 mil produtos de afroempreendedores distribuídos para todo o país”, conta no podcast.

Já o guia prático Avaliação para Negócios de Impacto Social, feito em parceria entre Artemisia, Move e Agenda Brasil do Futuro, define impacto social como “o conjunto de consequências, positivas e negativas, intencionais e não intencionais, que uma intervenção produz em uma dada realidade. Impacto, portanto, tem a ver com relações de causa e efeito, com desdobramentos, consequências e influências”.

Daniel Brandão explica que não existe uma única forma de avaliação ou uma ferramenta abrangente que meça impacto e resolva todas as situações e abordagens. Isso vai depender de três fatores: escala do que será avaliado, da capacidade de investimento e do tempo disponível para a avaliação.

“Esse triângulo vai definir qual a melhor abordagem e a técnica para ser utilizada. Aí você pode fazer algo simples, que dê uma leitura mais geral, mas não menos importante, ou pode fazer uma leitura mais profunda, que traga dados mais detalhados”, afirma.

Ainda que seja uma tarefa com muitas variáveis, medir o impacto social de um negócio pode começar com o apoio de ferramentas, como a Teoria de Mudança e o Modelo C.

Teoria de Mudança como ferramenta

A Teoria de Mudança é uma ferramenta com uso amplo, que pode ser aplicada em vários momentos do negócio e não apenas para apoiar o processo de medir impacto social.Seja na hora de testar um produto básico, em um projeto na fase inicial, ou mesmo quando se tem apenas uma ideia e poucos recursos disponíveis.

Reunindo elementos de forma lógica e relacionando ações, produtos, resultados e impacto, a Teoria de Mudança procura traduzir, de maneira simples e criativa, os maiores compromissos de uma iniciativa.

Simplificação do conceito de Teoria de Mudança Inputs (Recursos necessários para operar a iniciativa) > Intervenções e atividades macro (Atividades centrais com fim de transformação) > Públicos (Quem recebe a intervenção) > Outputs (Produtos ou alcances imediatos das intervenções) > Resultados (Efeitos de curto ou médio prazo) > Impacto (Efeitos de longo prazo)

Fonte: Guia Prático – Avaliação para Negócios de Impacto Social

Daniel resume: “é uma ferramenta para construir uma clara narrativa da cadeia de valores ou de resultados para a produção de impacto. Deixa claro qual é o impacto e de qual resultado ele depende. A partir disso, o empreendedor pode tomar decisões gerenciais que orientam que tipo de avaliação vai fazer, quando e quais indicadores”.

Modelo C

Outra ferramenta estratégica é o Modelo C, que também pode ser usada de forma contínua para promover melhorias internas em negócio de impacto. Seja para formatar uma ideia em estágio inicial, revisitar o modelo de negócio inicialmente proposto ou até avaliar a robustez de um negócio de impacto de um ponto de vista externo.

De modo geral, o Modelo C expande o Business ModelCanvas e avalia elementos como beneficiários, valor social e canais de relacionamento, incorporando novas dimensões da Teoria de Mudança: Oportunidade de Mercado, Equipe e Resultado Financeiro.

“O Modelo C promove uma discussão em outro nível da Teoria de Mudança, que é como ela se liga ao plano de negócio, o que para o empreendedor é muito importante”, afirma Daniel Brandão. Este guia sobre o Modelo C, feito pela Move em parceria com ICE (Inovação em Cidadania Empresarial), Fundação Grupo Boticário e SenseLab, traz mais detalhes sobre a aplicação prática da ferramenta.

A metodologia Pense Grande aborda em detalhes outras ferramentas e caminhos para empreender. Além disso, é possível expandir a discussão ouvindo os episódios da segunda temporada do Pense Grande Podcast, em que empreendedores dão dicas sobre temas que vão de autocuidado e gestão de recursos até cultura maker e produção de conteúdo. Confira!

março 2nd, 2020

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Imagem mostra uma mulher e um homem na rua olhando para um celular que está na mão dele. Ao fundo se vê prédios comerciais.

Os aplicativos de mobilidade urbana se tornaram quase indispensáveis no dia a dia das pessoas, especialmente nas grandes cidades. Para a maioria dos usuários dessa modalidade de transporte, basta pegar o smartphone, solicitar o carro pelo aplicativo e esperar. Mas há uma série de iniciativas voltadas para pessoas que precisam de um serviço mais personalizado.

É o caso da Eu Vô, uma espécie de Uber voltado para a locomoção de idosos e pessoas com mobilidade reduzida. O diferencial é que o serviço, que precisa ser agendado pelo aplicativo ou site com antecedência de três horas, é do tipo porta a porta. Ou seja, o motorista pega o passageiro na porta de casa e o leva até a porta do destino.

Se solicitado, o motorista também pode acompanhar o usuário em outras atividades, como compras no supermercado ou consultas médicas. A ideia veio dos irmãos Victória, de 27 anos e Gabriel Abdelnur Barboza, de 30 anos.

Os irmãos sempre quiseram empreender e até já haviam apostado em outros negócios. Mas com a Eu Vô eles finalmente encontraram um propósito: empoderar pessoas com mobilidade reduzida para viverem uma vida mais autônoma.

Os jovens de São Carlos, cidade do interior de São Paulo, se inspiraram na experiência com a própria mãe, diagnosticada com esclerose múltipla há quase trinta anos. “A Eu Vô veio para tirar do isolamento pessoas que precisam de ajuda para realizar suas atividades. Até porque o isolamento leva à perda cognitiva e, muitas vezes, à depressão. Passamos por isso em casa”, relata Victória.

 

Os irmãos Gabriel e Victória, criadores do Eu Vô, posam para foto

Os irmãos Gabriel e Victória, criadores do Eu Vô

Pesquisa de campo

Para entender os desafios do transporte destinado às pessoas com mobilidade reduzida, Victória e Gabriel arregaçaram as mangas e começaram a testar o serviço com seus próprios carros. “Foi uma experiência maravilhosa, pois tivemos contato direto com clientes que usam a Eu Vô até hoje. Além disso, entendemos a nossa operação de ponta a ponta”, avalia a empreendedora.

As operações começaram oficialmente em julho de 2017, em São Carlos. Em setembro de 2019 chegou à capital paulista e já faz parte da rotina de quase 200 famílias. Ao todo, já foram mais de 2.200 serviços prestados pela empresa.

Todos os motoristas cadastrados passam por avaliação com psicólogos e treinamento presencial, formulado pelos próprios empreendedores em parceria com profissionais da área da saúde. Assim, a empresa garante a segurança e a qualidade do serviço.

“Não tem nada mais valioso e motivador do que receber feedback de clientes que estão utilizando os nossos serviços. Vemos que realmente estamos impactando no ambiente familiar, isso é o que nos motiva a continuar”, diz Victória.

Transporte para todo mundo

Outras iniciativas também focam em públicos específicos. É o caso do BabyPass, criado no início de 2018, no Rio de Janeiro, para transportar em segurança mães e pais acompanhados de crianças de 0 a 7 anos.

O carro solicitado pelo usuário vem equipado com a cadeirinha para crianças de 0 a 3 anos ou assento elevado para as de 4 a 7 anos. Apenas motoristas mulheres são contratadas, e todas elas passam por seleção minuciosa. Além de zelar pela segurança das crianças, as motoristas também são preparadas para indicar locais e atrações para crianças.

Já o Lady Driver é um aplicativo de transporte exclusivo para passageiras e motoristas mulheres, criado com o objetivo de trazer mais segurança e conforto para o público feminino se locomover na cidade. Além disso, a plataforma possibilita o cadastro de um contato de emergência para acompanhar a viagem realizada.

E quem precisa transportar animais de estimação, pode contar com o PetDriver. O aplicativo voltado para o transporte de cachorros e gatos conta com motoristas amantes de animais. A segurança é prioridade: cães são transportados com cintos próprios e gatos permanecem em caixas específicas. Além disso, os carros são higienizados a cada corrida.

Além do asfalto

Saindo dos centros urbanos, há quem precise de soluções para se deslocar na água. Pensando em facilitar a vida de quem utiliza transportes hidroviários na região do Amazonas, os jovens paraenses Maickson Bhoim e Taissir Wilkerson criaram o Embarcar, aplicativo e site que reúnem informações completas sobre as viagens de barco em Santarém (PA) e região.

Basta colocar origem e destino e o Embarcar fornece opções de embarcações, horários, dias, preço da passagem e contato com a empresa responsável. A ideia surgiu quando os dois empreendedores participaram do Pense Grande Incubação, projeto de fomento ao empreendedorismo social realizado pela Fundação Telefônica Vivo.

“Às vezes chegamos a um local para procurar um barco, mas o veículo está distante de onde estamos e essa dificuldade que enfrentamos me estimulou muito. Eu acredito muito na transformação social que esse aplicativo traz e na mudança de hábito da população por meio da facilidade de acesso a essas informações”, afirma Taissir.

fevereiro 27th, 2020

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