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Prova da Solução
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Contexto

Bem-vindo(a) ao tema Prova da Solução!

Conhece aquela expressão “Prova dos 9”? Ela serve para quando queremos confirmar algo, comprovar uma ideia, uma opinião, uma situação. Outra expressão que pode ser utilizada é “prova de fogo”, como já dizia a música da Wanderléa – musa da Jovem Guarda – ou até a primeira frase da música dos Novos Baianos – um dos grandes nomes da Tropicália: “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor” ;P

Mas o que isso tem a ver com os empreendimentos? Neste tema, é hora de provar que os negócios têm, de fato, como entregar valor aos(às) clientes. É um momento fundamental para o(a) empreendedor(a), pois agora é hora de testar se realmente entrega o que promete em sua proposta de valor. É uma fase diferente da que vimos no tema anterior, quando o foco era checar se havia interessados(as) pela ideia do empreendimento.

De que adianta um sabão em pó com uma nova fórmula mais cheirosa, se não tira as manchas mais difíceis que prometeu tirar? Não adianta se propor a resolver um problema do(a) cliente e entregar outra coisa totalmente diferente. Vamos lembrar que a proposta de valor é o coração do negócio, é aquilo que fará o empreendimento ser aceito ou não pelos(as) clientes, se destacar (ou não) dos concorrentes. É a hora da verdade!

Vale retomar alguns princípios da Startup Enxuta, conforme aprendemos no tema “Modelo de Negócio”:

_Errar e aprender rápido: Deu errado? Deu ruim? Se o produto ou serviço (ou modelo de negócio) não tiver aceitação do mercado, não hesite em mudá-lo;

_Utilizar a menor quantidade possível de recursos (humanos e financeiros) até o produto ou serviço se encaixar nas necessidades dos(as) clientes e mercado;

_Possibilitar lançamento mais rápido ao mercado: foca-se mais no “protótipo” – um piloto para testes – que chamamos de Produto Mínimo Viável (ou MVP – Minimum Viable Product em inglês).

MVP ou Produto Mínimo Viável
O MVP é o grande foco deste oitavo tema. De maneira simples e objetiva, é o momento de colocar em prática as soluções definidas pelos times.

A sigla MVP traz três elementos fundamentais:

Minimum (mínimo)
O menor tamanho possível, que possa ser entregue no menor tempo possível.

Viable (viável)
uma proposição de valor, importante o suficiente para que o(a) potencial cliente adote esse produto ou serviço e, se possível, gere receita para o empreendimento.

Product (produto)
funcionalidades e benefícios juntos em uma entrega que se assemelhe a um produto coeso e útil.

No tema anterior, cada time deu uma “cara” para o empreendimento a partir da construção de sua marca. Vimos a importância das cores, tipografia, logotipo e nome para comunicar e aproximar o negócio de seu público-alvo.

Esta marca foi fundamental para os times realizarem o Teste Fumaça, buscando verificar o interesse dos potenciais clientes no produto ou serviço. Mas era um blefe, certo?

Agora, no MVP, não é mais blefe… é pra valer! E, para começar a concretizar o empreendimento, vamos prototipá-lo. Mas o que é prototipar?

De acordo com Tom Wujec, um designer americano, “prototipar é uma forma de brincar com as suas ideias como uma criança”. A prototipagem ou experimentação é uma fase lúdica, em que os times vão modelar suas ideias, tornando-as mais concretas para apresentá-las às pessoas.

Prototipar é experimentar uma solução: torná-la concreta e testar sua eficiência. A lógica é do testar, errar e aprender rápido: quanto mais cedo um empreendimento é testado, mais rápido o(a) empreendedor(a) descobre seus pontos fortes e fracos. Não é preciso esperar até que o produto ou serviço esteja plenamente pronto, como se faz em um ciclo tradicional de desenvolvimento de produtos: o próprio processo de teste vai contribuir para seu aperfeiçoamento.

As hipóteses testadas no MVP normalmente estão relacionadas à proposta de valor do empreendimento, isto é, o que será entregue (ou que se quer entregar) aos(às) potenciais clientes. Se não há demanda pelo produto ou serviço – ou pela resolução do problema –, o empreendimento não dará certo. Vamos pegar o exemplo do aplicativo Sonya, que se propõe a melhorar a mobilidade urbana de pessoas cegas ou de baixa visão. Antes de testar qual plataforma e linguagem mais adequadas para desenvolver o aplicativo ou por qual canal o serviço vai chegar ao(à) usuário(a), é preciso saber se o público-alvo usaria ou vê valor nesse serviço. Um MVP possível, rápido e de baixo custo seria combinar um trecho a ser testado com um(a) usuário(a) cego(a), gravar os comandos de voz de orientação (ex.: “Dê dez passos para frente, vire 90 graus para a direita, ande mais trinta passos para frente, pare e dê três passos lateralmente para desviar do orelhão.”) e enviar por WhatsApp. Se o(a) usuário(a) aprovar esses comandos de voz para se orientar, o coração da proposta de valor foi validado.

Além disso, outros questionamentos são igualmente importantes neste momento:

“Que problema dos(as) clientes o negócio ajuda a resolver?”
“Quais necessidades dos(as) clientes estão sendo satisfeitas?”
“A proposta de valor atende ao segmento de clientes escolhido?”

O fundamental no MVP é saber, antes de começar, quais hipóteses do Canvas serão validadas. O grande segredo é escolher aquelas que são fundamentais para validar, comprovar o modelo de negócio como um todo, ou seja, as hipóteses que geram mais incertezas e importância para o empreendimento.

O MVP também pode testar, por exemplo, as fontes de receita do negócio, que já foram listadas no Canvas. Ao lançar o protótipo no mercado, é possível já começar a gerar receita e capturar valor. Isso pode acontecer de acordo com o formato de protótipo produzido pelos times e a maneira como é oferecido aos(às) clientes.

Para cada hipótese validada ou refutada, é necessário atualizar o Canvas para deixá-lo mais útil e adequado. E, em seguida, escolher novas hipóteses para testar, até que o modelo de negócio esteja validado. Esse não é um processo que se resolva da noite para o dia. É preciso testar; falar com o(a) cliente; coletar os feedbacks; melhorar o protótipo; e testá-lo novamente, até que as hipóteses levantadas sejam confirmadas.

Técnicas para criar um MVP
Selecionamos três diferentes técnicas de MVP:

O que todas essas técnicas têm em comum é a criação de uma versão “gambiarra” da solução, com a finalidade de comprovar hipóteses sobre o produto ou serviço.

Não se trata de entregar uma versão malfeita para o(a) cliente, mas de validar essas suposições sem gastar tanta energia e dinheiro. Há quem diga que, se você não sente nem um pouquinho de vergonha do seu MVP, você demorou demais para lançá-lo. :p

Mesmo que os empreendimentos não consigam chegar a uma versão final de seu produto ou serviço durante esta formação do Pense grande, desenvolver um bom protótipo, que entregue valor ao(à) cliente e traga aprendizado, já é um excelente resultado!

Esses ciclos de validação do MVP podem durar até o pitch, que é o momento em que os times apresentam seus negócios para uma banca avaliadora ou, quem sabe, para possíveis investidores e apoiadores! Veremos como fazer o pitch no próximo tema, mas, até lá, ainda tem muita transpiração, análise dos resultados, trabalho em equipe e persistência!

Importante: Na história do Pense Grande, esta é uma etapa na qual os times recebem a orientação em formato de assessorias, ou seja, é feito um trabalho de acompanhamento mais personalizado e cara a cara com você, multiplicador(a). Isso porque as equipes caminham em ritmos diferentes, possuem demandas e desafios específicos em seus empreendimentos e, portanto, é necessário um acompanhamento mais próximo para cada time. Nos territórios da formação do Pense Grande, entre o início do MVP e a apresentação dos pitches, temos, em média, um mês e meio para os times trabalharem e testarem seus protótipos. O que não é regra, cada turma tem seu próprio ritmo e contexto. O importante é não pular essa fase dos protótipos.

Caso seja possível, convide consultores(as) voluntários(as) para auxiliar nesta etapa. Assim como os times, você, multiplicador(a), poderá contar com o apoio de outras pessoas, contribuindo na orientação dos empreendimentos a partir de suas especialidades, nessa grande jornada empreendedora!

Isso não significa que deixarão de entregar algo, muito pelo contrário: a produção e a validação do MVP são etapas cruciais para o(a) empreendedor(a) em sua jornada.

Recomendamos que assista com toda a turma ao vídeo “Pense Grande 4 – MVP: como lançar o seu produto com pouco tempo e dinheiro”, que a Semente Negócios, parceira do Programa, preparou para nós. Acesse

Simbora!

Ao contrário dos outros temas até aqui, o tema “Prova da Solução” apresentará mais orientações gerais sobre como desenvolver um MVP pelos times do que, propriamente, atividades passo a passo como vimos anteriormente.

O que este capítulo propõe:

_Apresentar o que é um MVP e a importância de testar os empreendimentos;
_Apoiar e orientar os times no planejamento, execução e medição do MVP;
_Introduzir estratégias para vender o produto ou serviço.