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Introdução | Por que empreendedorismo social para jovens?

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A motivação do Programa Pense Grande em trabalhar com jovens de 15 a 29 anos é acreditar no poder transformador da juventude. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), quase um terço da população brasileira é composto por jovens de 15 a 29 anos (2006), o que mostra o potencial desse grupo. Porém, se considerarmos jovens de 18 a 24 anos, eles(as) representam 24% dos desempregados(as) no país (2016), sendo que quase 26% destes(as) jovens não estudam e nem trabalham (2016). Podemos ter uma geração perdida, se a juventude não for protagonista de seu futuro.

E sabemos que os(as) jovens querem criar suas próprias oportunidades. Segundo a Pesquisa Juventude Conectada 2016, realizada pela Fundação Telefônica Vivo, 65% dos(as) jovens gostariam de ter um negócio próprio, 49% pretendem abrir um negócio próprio nos próximos cinco anos e 66% acreditam que podem ganhar dinheiro com a internet. Essa vontade está presente na juventude, independente da situação social: 61% dos(as) jovens moradores(as) de favelas têm vontade de empreender, de acordo com o Data Popular.

Se empreender no Brasil é um desafio, imagina se o(a) empreendedor(a) é jovem e de alta vulnerabilidade? Segundo Marcus Faustini, da Agência de Rede para Juventude, a principal diferença entre empreender dentro e fora da favela é o incentivo da família e o apoio financeiro. Dentro das comunidades, as pessoas precisam montar a empresa e se sustentar ao mesmo tempo. Luciana Aguiar, da Plano CDE, uma organização que realiza pesquisa, inovação e impacto com foco nas classes C, D e E, analisa que esses(as) empreendedores(as) têm menos acesso a crédito, assistência técnica e formação, além da dificuldade para ganhar escala. Por isso, faz muito sentido para o Pense Grande priorizar esse público.

Tá….mas por que empreendedorismo social? O tema está em crescente disseminação no país. Segundo mapeamento realizado pela Pipe Social em 2017, foram identificados 579 negócios de impacto social no Brasil, o que representa um crescimento de mais de 300% em relação ao levantamento feito em 2011 pelo Plano CDE e Polo Ande Brasil. A Força Tarefa, iniciativa do ICE, estima que o campo das finanças sociais e negócios de impacto movimentou R$ 13 bilhões em 2014 e aponta um potencial de chegar a R$ 50 bilhões anuais até 2020.

Além de uma maior consolidação desse ecossistema no Brasil, essa tendência vai ao encontro da vontade de boa parte da juventude, que é de trabalhar por um propósito autêntico e de contribuir para um mundo melhor. De acordo com a pesquisa Sonho Brasileiro da Box1824, agência de pesquisa de tendências em consumo, comportamento e inovação, para muitos(as) jovens o trabalho é cada vez menos visto como necessidade e cada vez mais como elemento de realização e expressão. E 77% dos(as) jovens entrevistados(as) concordam que o seu bem-estar depende do bem-estar da sociedade onde vivem. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 2015 aponta que: 55% dos(as) jovens entrevistados(as) disseram que ajudar outras pessoas a melhorar de realidade é um dos seus objetivos de vida.

Por todos esses pontos, o Pense Grande se propõe a oferecer oportunidades, ampliar perspectivas e desenvolver competências junto aos(às) jovens, para termos cidadãos e cidadãs mais protagonistas no Brasil, que transformarão suas vidas e comunidades com atitude empreendedora e empreendimentos sociais.

Competências do Século XXI

A Fundação Telefônica Vivo desenvolve e apoia iniciativas que aliam tecnologia, educação, conhecimento e inovação, buscando novas respostas para velhos ou novos desafios da sociedade.

Entre os novos desafios está a necessidade de formar cidadãos(ãs) protagonistas e com habilidades no mundo digital, com competências que lhes permitem responder às necessidades econômicas e sociais do século em que vivemos, tão marcado por mudanças contínuas e cenários complexos.

Entendemos como competência a capacidade da pessoa aplicar os resultados de uma aprendizagem a um determinado contexto, como, por exemplo, educação, trabalho, desenvolvimento pessoal ou profissional. A competência não se limita a um aspecto intelectual, como o uso de teorias e conceitos, mas também engloba aspectos funcionais, habilidades técnicas, atributos interpessoais, habilidades sociais ou organizacionais e valores éticos. Trata-se de um conceito mais amplo, que pode consistir em um conjunto de habilidades que é, em si, a capacidade de realizar tarefas e solucionar problemas.

Ao olharmos para o Pense Grande e os desafios atuais, buscamos desenvolver nos(as) jovens diversas competências condizentes com o século XXI, tais como:

Análise e uso adequado da informação
_Levantar informações sobre o contexto local;
_Identificar as necessidades da comunidade;
_Propor soluções para as necessidades da comunidade com o uso de tecnologias;
_Identificar sujeitos e instituições relacionados às necessidades levantadas.Criatividade, inovação, comunicação e colaboração
_Compreender o conceito de inovação e incorporá-lo ao empreendimento;
_Desenvolver visão sistêmica sobre o empreendimento;
(mercado/oportunidade/solução/ modelo de negócio);
_Trabalhar de maneira colaborativa;
_Articular os diferentes conhecimentos e habilidades da equipe;
_Comunicar-se de forma clara com diferentes públicos;
_Estabelecer relações com potenciais públicos interessados no empreendimento.Liderança, responsabilidade e iniciativa
_Demonstrar responsabilidade com os compromissos e tarefas assumidos;
_Evidenciar iniciativa e autonomia na execução de tarefas.Pensamento crítico e solução de problemas
_Analisar riscos para a tomada de decisões;
_Demonstrar resiliência e persistência;
_Elaborar propostas com impacto social (soluções voltadas para a comunidade) com uso de tecnologia.Uso de tecnologia
_Conhecer as culturas maker e hacker;
_Reconhecer a existência de questões éticas e legais relativas às tecnologias digitais e de comunicação;
_Compreender o uso e as características das tecnologias digitais e de programação, considerando sua adequação ao empreendimento;
_Desenvolver ações de marketing digital no empreendimento;
_Utilizar as tecnologias digitais, considerando sua adequação ao empreendimento.

Multiplicador(a) – A quem se destina

Chamamos de multiplicadores(as) todos(as) aqueles(as) que desejam replicar a metodologia Pense Grande em sua localidade. Podem ser educadores(as) sociais, professores(as) da rede pública e privada, voluntários(as) em ONGs, entusiastas do tema, entre outros(as).

Qualquer pessoa interessada em trabalhar com estes conteúdos está convidada e será fundamental para que esses(as) jovens tenham uma atitude empreendedora e de protagonista, para que percebam o empreendedorismo como uma possibilidade real para suas vidas, e não algo distante e intocável.