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Aline Rodrigues

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PERIFERIA EM MOVIMENTO

Periferia em Movimento começou como muitos projetos começam: sem saber onde ia dar. A Aline Rodrigues e mais dois amigos da faculdade, Sueli e Thiago, tiveram essa ideia para o trabalho de conclusão de curso. O curso foi concluído, mas o projeto ainda tinha muita coisa para fazer.

Mas aí surgiu um problema, manter um canal de comunicação com conteúdo próprio, sem deixar de lado a essência que o fez surgir, e ainda fazer disso um ganha pão não é tarefa fácil, e agora? Foi aí que eles perceberam que a resposta estava mesmo na comunidade: economia solidária. Doar, trocar, reutilizar, e assim o coletivo foi crescendo e se fortalecendo.

Quando o projeto começou a dar certo, os idealizadores viram que ali existe algo poderoso, e puderam se dedicar exclusivamente ao Periferia em Movimento, e com isso perceberam que quanto maior a dedicação, maior o retorno. Assim, investiam toda a grana que entrava para manter o projeto em pé, seja comprando equipamento, oferecendo oficinas ou repensando melhor a remuneração de quem está no corre.

Hoje, o Periferia em Movimento é um dos principais portais de conteúdo para quem vive nas quebradas paulistanas. Porém Aline ressalta um ponto importante: a conquista vem quando nos dedicamos para algo que acreditamos. E isso também quer dizer em analisar quais são as necessidades de grana para esse sonho sobreviver.

Mas a Aline faz isso tudo sem tirar o pé do chão, sabendo que é preciso sonhar, arriscar e experimentar sem descuidar da base, tendo em mente que a zona de conforto de cada um é diferente, e que para sair dela é preciso muito planejamento. Uma hora dá certo.

André Luiz

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TV DOC

Sempre tem aquela história que vale a pena ser contada, que vale a pena ser escrita, que merece ser compartilhada. O André Luiz percebeu isso e viu no seu entorno uma oportunidade para fazer acontecer. Olhando para sua comunidade com um olhar de dentro, ele criou a TV Doc, um veículo de comunicação que conta outra narrativa: aquela que é relevante para quem vive ali.

Com apenas 20 anos, o projeto surgiu para o André de forma natural, sem reinventar a roda, usando o que poderia ser feito ali, naquele momento, a partir de uma vontade muito grande de fazer acontecer, ocupar a cabeça com algo significativo. Era estar ali para não fazer coisa errada, ir atrás daquele sonho de conectar uns aos outros, trocar conhecimento, por no mapa as pessoas e histórias que não interessam para a mídia tradicional e para quem vive do outro lado da ponte.

Como uma conexão coletiva, o objetivo era possibilitar que a TV Doc tivesse um crescimento orgânico, ser parte do processo e deixá-la se expandir sozinha para até se tornar um bem da comunidade. Ele conseguiu tirar uma grana fazendo o que gosta, envolver vários outros jovens e ainda impactar mais pessoas com o “Transformadores do Capão”, um novo projeto que pretende mostrar que para mudar o mundo é preciso, primeiro, mudar a tua vizinhança.

Sabendo que hoje é possível chegar a todos os espaços, o André quer preparar e mostrar que as oportunidades precisam surgir aqui, na comunidade, no seu bairro, para as pessoas com quem você convive. Porque é assim, mudando seu entorno, oferecendo oficinas e olhando para a comunidade sempre de modos diferentes que a gente descobre que tem muita história para contar.

Bruno Capão

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LAJE DUCORRE

Um cara foi lá e disse: vou realizar 10 sonhos antes dos 30 anos. Maluco? Pode ser que sim, mas o Bruno Capão prefere ser chamado de louco por fazer do que por nem tentar. Isso porque ele sabe que sempre vai ter alguém te julgando e fazendo chacota das tuas ideias, mas o que importa mesmo é colar com aqueles que acreditam em você e vão te apoiar, não importa o quão fora da caixa for tua ideia.

E o Laje duCorre surgiu dessa vontade de reunir num espaço tão típico das favelas a galera mais maluca, que está cheia de ideias para trocar. Os encontros acontecem na laje do Bruno, que soube olhar para o seu redor e ver ali uma oportunidade de criar mudança.

Mesmo quando a sua família não acredita muito no seu sonho, é preciso olhar atentamente para ele e traçar um caminho para chegar lá. Não dá para tirar os pés do chão e ignorar a realidade, mas dá para construir em pequenos passos e encurtar a distância entre o hoje e o sonho.

Para o Bruno foi uma imagem: ele viu a laje e imaginou ali pessoas diferentes trocando conhecimentos e criando conexões potentes, conversando sem pré-julgamentos, sem ter aquele que sabe mais e o que sabe menos, mostrando que os saberes são diferentes e se completam. A Laje duCorre que juntar pessoas diferentes no mesmo espaço e com o mesmo propósito.

Esse é um dos 10 sonhos que já está sendo realizado, e o Bruno quer ir mais longe, levar para outras comunidades, para outras lajes, e mostrar para a juventude da periferia que maluco ou não, para realizar só é preciso dar o primeiro passo.

Buh D’Ângelo

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INFOPRETA

Você sempre pode ajudar alguém e sempre tem alguém que pode te ajudar. E foi baseada nessa rede de conexões que a Buh D’Ângelo criou a InfoPreta e o projeto “Notes solidários da Preta”, para melhorar a vida das pessoas com o que ela sabe fazer, trabalhando com tecnologia.

E é disso mesmo que estamos falando: uma mulher negra, que cresceu na favela, está trabalhando com tecnologia da informação. Porque se a sociedade achava que não tem lugar para a Buh então está muito enganada. Ela criou uma oportunidade para si e hoje está ajudando quem precisa de uma mão, ou melhor, de um computador.

Para que o projeto funcione e ela consiga doar notebooks para jovens de baixa renda de todo o Brasil, a Buh conta com a ajuda de diversas pessoas, conhecidas ou não, da forma que for melhor para cada um, seja doando um computador antigo, seja se disponibilizando para leva o notebook até seu futuro dono.

Essa troca acabou criando algo muito maior do que uma prestação de serviços, mas verdadeiras parcerias e muitas amizades, mostrando que a economia solidária, além de gerar uma grana, também gera riquezas muito maiores e mais importantes.

Pensando apenas em fazer o que sabe para ajudar o próximo, a Buh fez de uma paixão um negócio e de amigos uma corrente para colocar o trampo na rua e fazer acontecer.

Érica Campanha

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PROJETO COLMÉIA

Tem momento que a gente erra, que as coisas não dão certo, que somos chamados de loucos. Mas é nesse momento que é preciso confiar em você e na tua ideia. Foi isso que a Érica Campanha fez quando criou o projeto Colméia, algo que começou como um trabalho da faculdade ganhou os espaços fora dos muros universitários para entrar onde interessa: dentro das salas de aula de escolas públicas.

E se a inspiração pode vir de um lugar simples como a colméia das abelhas, o resultado é tão impressionante quanto o ponto de partida. Foi entendendo que as abelhas trabalham de maneira cooperativa para construir a casa e ter alimentos que a Érica e seu sócio criaram uma peça em papelão para ajudar os professores em atividades escolares. A partir daí, foram muitos nãos em concursos de design para conseguir melhorar e evoluir o projeto até receber um sim.

Então, chegou o momento de dar o segundo passo, e a criação do Estúdio E foi a forma que a Érica e seu sócio encontraram de fazer o que sabiam e contribuir para transformar a educação, como as abelhas que trabalham em conjunto para melhorar a vida de sua comunidade.

Hoje, o Colméia é como Érica utiliza o que seria descartado e dá um novo significado, um novo olhar. Ela descobriu que para fazer da sua paixão um trabalho rentável é preciso ter foco, se dedicar, acreditar em si e nos seus valores. E mais do que isso: para saber que a sua ideia funciona você tem que colocar ela na rua e não ter medo dos nãos ou dos tombos, e estar disposto a encarar tudo como um aprendizadoo.

O caminho para chegar lá não precisa estar pré-definido, não tem que ser pronto, uma caixinha fechada. A ideia é pensar lá na frente, caminhar e ir testando tudo, porque, assim, as coisas vão acontecendo e os espaços vão se abrindo. Quando a gente descobre o poder que tem, vai longe!

Leandro Araújo

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ATELIÊ AZU

Quando você está fazendo uma coisa que é importante, a mobilização de quem está junto é um grande indício de que se está no caminho certo. E foi exatamente essa mobilização que mostrou ao Leandro Araújo que o Ateliê Azu era o que ele precisava e, mais do que isso, o que o seu bairro precisava.

O processo foi longo, o ateliê apareceu em sua vida há 8 anos e hoje ele colhe os frutos da sua dedicação. No momento em que mais precisava de algo, a cerâmica entrou em sua vida, e transformou o menino em artesão, um cara cujo trabalho manual se confunde com arte. Porque para ele, fazer o que ama é uma questão de liberdade.

E crescer num ambiente em tudo e todos acreditam que você não vai dar certo faz ser primordial mostrar que os outros estão errados, envolver a população no projeto e possibilitar que todos sintam que tudo isso lhes pertence, afinal, oportunidade é a chave para tudo.

O Leandro percebeu que não faz sentido crescer sozinho, porque para viver na comunidade o mais importante é saber viver em comunidade. É aqui que a história continua, a troca de experiências e a vontade de conhecer seus vizinhos, de dar a chance para todo mundo para mudar a narrativa do sistema.

Mel Duarte

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A figura de Mel Duarte é quase tão impactante quanto suas palavras. A bela jovem moradora da periferia de São Paulo é dona de um estilo urbano próprio e inconfundível, mas é a sua habilidade poética o que mais chama a atenção.

Formada em comunicação social, a produtora, poetisa e slammer roubou a cena dos saraus da cidade de São Paulo e já teve suas poesias publicadas em mais de 10 antologias.

Integrante do coletivo “Poetas Ambulantes”, Mel se une a seus colegas para levar poesia à dura rotina dos transportes públicos da capital paulista. Com apenas 28 anos, já publicou dois livros: “Fragmentos Dispersos” e “Negra Nua Crua”.

Michelle Fernandes

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BOUTIQUE DE KRIOULA

Para começar a empreender cada um tem uma motivação diferente, dependendo de onde está sua quebrada e quem são as pessoas que cresceram junto com você. Mas para conseguir transformar esse bico num trabalho mais estável, todo mundo tem que fazer a mesma coisa: ficar de olho em todos os detalhes.

A Michelle Fernandes, afroempreendedora da Boutique de Krioula, por exemplo, começou vendendo alguns acessórios por internet, com a ideia de empoderar mulheres negras que não se viam representadas pelas grandes marcas. E se a internet ajudou a vender os produtos, também ajudou (e muito) com as burocracias existentes para abrir uma empresa.

Bastou uma rápida pesquisa na web para descobrir como criar o MEI (Micro Empreendedor Individual) e juntar todos os documentos para fazer da Boutique de Krioula uma verdadeira loja online. Existem informações detalhadas em sites como o do SEBRAE e também é possível contar com a ajuda de quem já passou por isso, em grupos e fóruns de discussão, por exemplo.

A partir daí, é só tomar conta dos processos, organizar tudo e ter controle das entradas e saídas da grana para conseguir vender para todo o Brasil e até fora dele. Na Boutique de Krioula, tudo é produzido ali mesmo, pela Michelle e com a ajuda do marido. Além da venda online, ela vai atrás de feiras, festivais e qualquer evento em que possa montar uma mesa e exibir suas criações, que vão desde turbantes até brincos e acessórios com inspirações afro.

No fim, se a Michelle começou seu próprio negócio para ajudar suas amigas e vizinhas a se sentirem melhores com seus corpos, hoje ela pode levar essa energia para milhares de mulheres e meninas de todas as comunidades, ganhando dinheiro fazendo aquilo que ela ama e sem dor de cabeça: ela colocou o trampo na rua através do computador de casa.

Ricardo Terto

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TEXTOS DE RICARDO TERTO

Você tem a ideia de abrir um negócio, como por exemplo, um bar com os amigos. Vai lá e faz. E dá errado. Tudo bem, bola para frente, é só tentar outra coisa. E passa um tempo e você resolve abrir uma loja de camisetas. Mas dá errado de novo. Já são duas tentativas falhadas, você vem da periferia e não pode ficar vacilando assim. E agora?

Foi isso que aconteceu com Ricardo Terto, escritor e roteirista que está prestes a lançar seu primeiro livro. Mas antes de chegar até aqui foram necessários dois tombos e, o mais importante, muita coragem. Porque só é preciso coragem se você quer sair da zona de conforto.

É preciso coragem para romper com o esperado e para saber que na vida, o caminho nunca é tão claro ou definido, mas que é necessário continuar jogando para chegar em algum lugar.

Porque o vacilo não é nenhum tipo de crime ou pecado, ele faz parte do jogo. É uma aprendizagem que importa muito para você, como se fosse uma biblioteca particular de ensinamentos que podem ser usados e compartilhados. Mais do que isso, o vacilo pode aparecer de diversas formas, ter diferentes nomes, como hesitar ou desistir.

Terto conta que demorou até que ele descobrisse o lugar dele no mundo, aprendesse o que ele gosta de fazer de verdade, aquilo que o motiva. E agora dá a letra: para ter coragem é preciso ter paciência, porque o tempo de espera deixa de existir quando você se descobre e começa a trampar com aquilo que te dá prazer. A insegurança, a urgência e o vacilo fazem parte do caminho, a gente só precisa saber lidar com eles.

Sheila Lima

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AQUARELA´S CAKES

Quando a gente tem 18 anos, a vida parece um caderno de folhas em branco, prontas para colorir. E a Sheila Lima decidiu pintar com as cores da confeitaria, criando a Aquarela´s Cakes para vender bolos e doces. Nascida em Sergipe e moradora do Taboão da Serra, a confeiteira acredita que se aprende mais na prática do que na teoria, por isso acabou o colégio e resolveu colocar a mão na massa, literalmente.

E se os bolos são uma materialização das festas, a Sheila é uma empreendedora que sabe pensar grande é começar pequeno, sempre muito pé no chão e pensando nos primeiros passos necessários para conquistar coisas muito maiores. Estuda gastronomia em casa, trabalha em busca da sua assinatura na confeitaria e desenha seu destino dia após dia, praticando a cozinha-terapia do jeito que sabe melhor.

Fazer bolo é uma paixão antiga que se transformou num negócio rentável, dando a possibilidade para a Sheila conquistar sua autonomia e ainda investir no futuro profissional, já que a confeiteira pretende usar a grana que ganha com a Aquarela´s Cakes para fazer alguns cursos de gastronomia.

E ela faz isso tudo numa boa, sem colocar uma pressão desnecessária em seus ombros: todo mundo adorava seus doces, ela gosta muito de cozinhar e se expressar por meio da confeitaria, e tudo isso faz muito sentido para ela no aqui e agora.

O que importa mesmo é transformar o sonho num objetivo claro e traçar um caminho até ele, contando com o apoio de quem acredita no seu rolê e também confiando em você mesmo e no seu trabalho, porque se é uma coisa que você curte fazer então uma hora vai dar certo.

Tony Marlon

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ESCOLA DE NOTÍCIAS

Todo mundo sabe que é preciso investir em educação para melhorar a sociedade. E mais do que isso, o Tony sabia que era preciso mudar a narrativa da periferia para começar a dar movimento à vida de quem mora na comunidade. E foi juntando tudo isso que nasceu a Escola de Notícias.

Tony Marlon, idealizador do projeto, entendeu que tudo começa a partir do momento em que uma pessoa percebe que seu talento pode ser monetizado, que sua ideia pode ganhar um lugar no mundo e que é possível se tornar a sua própria terra prometida.

A Escola de Notícias mostra para os jovens que não importa de onde você é, mas sim o lugar que você quer chegar. E mais: não é preciso deixar seu bairro para ir longe. A ideia de sucesso é o que diferencia o empreendedorismo social de qualquer outro, porque você pode, sim, vender seu produto, mas o retorno está muito além da grana. É preciso olhar para as diferentes formas de riqueza para perceber o que você está ganhando com isso.

Não tem fórmula certa, não tem resultado garantido. Mas tem muita dedicação, pé no chão e cabeça erguida. Tem muita vontade de fazer acontecer, de melhorar de vida e de trazer a melhora para toda a comunidade a partir do momento em que se desperta a própria voz. A periferia é protagonista da própria história.