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26 de dezembro de 2018

Conheça o projeto de Porto Alegre (RS) que estimula jovens a colocarem em prática negócios de impacto social

Um psicólogo, uma designer e um administrador de empresas uniram forças para criar um projeto voltado a jovens de periferia que desejam transformar sua realidade. Como eles fazem isso? A resposta está no apoio ao desenvolvimento de negócios de impacto social.

O Visionários da Cidade foi idealizado por Daniel Caminha, Liliane Basso e Aron Litvin em Porto Alegre (RS). O trio criou uma metodologia e um conjunto de ferramentas gratuitas para auxiliar jovens a tirar suas iniciativas do papel, fazendo com que sejam agentes de transformação de suas realidades.

Para tornar o programa possível foram articuladas parcerias entre o TransLAB – Laboratório Cidadão e a Brunel University London, com fomento do Newton Fund, por meio do British Council.

Liliane Basso conta que foi a partir do contato com diferentes perfis de jovens e educadores que surgiu a proposta de criar o programa. “Dentro do TransLAB, um laboratório de inovação social, percebíamos que entre os jovens existia uma vontade muito grande de mudar situações que os incomodavam em seus bairros e nos seus contextos de vida. Por outro lado, educadores nos procuravam para saber sobre quais ferramentas poderiam auxiliar os jovens a colocar suas ideias em prática. Diante disso, unimos as duas pontas por meio de um conjunto de atividades para desenvolvimento de projetos de impacto”, explica.

No início, o desafio do Visionários da Cidade era pensar em atividades e experiências para a transformação social, que dialogassem com a linguagem dos jovens e, ao mesmo tempo, com a dos educadores.

Quando conseguiram encontrar esse ponto de contato entre os dois universos, desenvolveram algumas de suas missões: a criação de estratégias para o enfrentamento da realidade, auxiliar os jovens na compreensão de seu contexto social de atuação e na identificação de oportunidades em seus territórios.

Conectando orientadores e transformadores

Da ideia inicial até a estruturação do negócio, todo o processo é acompanhado de perto por um facilitador ou educador voluntário, que pode ser um professor, um agente social ou uma liderança da comunidade. Sua função é, além de orientar na estruturação do projeto, ajudar os jovens a desenvolverem postura crítica e de resiliência diante dos desafios que vão surgir pelo caminho.

A atuação se assemelha a de um mentor: ao lado da turma de trabalho, a pessoa irá ajudar no desenvolvimento de cronogramas para colocar o projeto em prática, reconhecer a expectativa do grupo e, claro, aplicar a metodologia de acordo com a necessidade da turma.

É possível que o desejo de mudar a realidade surja também do próprio facilitador, que pode desenvolver um projeto e inspirar uma turma a embarcar nessa jornada com ele. Quando o grupo estiver formado, todos devem estar engajados e ter um objetivo acima de todos: causar impacto positivo na sociedade.

A atitude empreendedora para a transformação social

São três os pilares que devem nortear o caminho para o desenvolvimento dos negócios de impacto, de acordo com a metodologia Visionários da Cidade: viabilidade econômica da iniciativa, pensamento sistêmico (levar em consideração as diferentes relações que o projeto pode estabelecer) e atitude ativista (a consciência de que fazer o bem é seu papel no mundo).

Com essa perspectiva em mente, o próximo passo é seguir a metodologia, que está disponível de forma gratuita por meio da plataforma digital e do aplicativo do projeto.

Quem já encontrou soluções criativas para suas inquietações com a ajuda do Visionários da Cidade foram as idealizadoras da Mosh, um ateliê de publicidade musical destinado a artistas independentes. Ao perceberem que os músicos de Porto Alegre não tinham recursos para a criação de peças para divulgação de seus trabalhos, elas passaram a realizar a atividade de forma mais colaborativa e acessível para os artistas independentes.Os youtubers à frente do Expoente Zero também passaram pela metodologia e colocaram em prática um canal que mostra eventos culturais nas favelas da capital do Rio Grande do Sul. Jovens da periferia são capacitados para falarem sobre a realidade de onde vivem e serem protagonistas de suas histórias.

O futuro dos Visionários

Jovens sentados em cadeira formam plateia em palestra de projeto ligado ao Visionários da Cidade, que criou metodologia empreendedora para jovens da periferia

Em pouco mais de um ano de existência, mais de 50 jovens já desenvolveram seus projetos com a metodologia do programa. Os idealizadores também têm atuado em escolas de Porto Alegre, realizando a formação dos educadores para estimular seus alunos a pensar no empreendedorismo social como uma possibilidade de resolução de problemas em seus contextos de vida.

Em dezembro de 2018, Liliane Basso, que também é professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing no Rio Grande do Sul, conquistou o terceiro lugar do Prêmio Brasil Design Award, com o Visionários da Cidade, na categoria “Projetos de Impacto Positivo”.

Para os próximos anos, a ideia é que o projeto ganhe o Brasil e a América Latina. “Queremos trabalhar com instituições de ensino e de fomento ao desenvolvimento de projetos de impacto social. Ao mesmo tempo, estamos em busca de parceiros para acelerar as melhores iniciativas, além de criar um banco de investimento para esses projetos”, revela Lilian.



 

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