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A Preza investe nos conceitos de cultura maker para incentivar o consumo consciente

14 de dezembro de 2018

Em 2014, Rodrigo Cury e Martina Sable, dois estudantes universitários de Porto Alegre (RS) decidiram lançar oficialmente um modelo de óculos no qual trabalharam durante todo o ano anterior. Unindo cultura maker e sustentabilidade, a marca de óculos Preza surgiu com o ideal de colocar em circulação no mercado produtos exclusivos, feitos de madeira revisitada e minimizadores de impacto ambiental.

Com o salário de estágio e uma bolsa-auxílio de iniciação científica, os jovens passaram a investir sozinhos no maquinário necessário para a produção dos óculos. Mês a mês, economizaram para adquirir as peças, usando shapes de skates como matéria-prima para a concepção do design.

“Desenvolvíamos os óculos à mão, na cozinha de um apartamento que estava desocupado. Montamos nossa pequena oficina ali, onde produzíamos cerca de 20 óculos por mês”, conta Rodrigo, de 26 anos.

Sobre o processo inicial de produção, Rodrigo diz que não se viam como empreendedores sociais. “Na época, não nos identificávamos com a figura de alguém ligado a tecnologia e frequentador de eventos de networking. Para nós, essa pessoa não estaria em uma cozinha cheia de pó, produzindo em pequena escala”.

Mas foi justamente essa aproximação com os conceitos da cultura do “faça você mesmo“ e a preocupação com as matérias-primas utilizadas que fez da Preza um negócio social em desenvolvimento. Quando os dois sócios decidiram apresentar os produtos para os amigos e fazer um evento de lançamento na cidade, a proposta passou a chamar atenção de empresas consolidadas.

Parcerias colaborativas

Uma vez engajados no lançamento da marca, as oportunidades de parcerias que surgiram, tornaram-se prioridade. Os sócios fecharam negócio com uma fábrica de móveis local, a  Aristeu Pires, como fornecedora de matéria-prima. São dos resíduos industriais da marcenaria, que a Preza tira o material para produção dos óculos.

Outra parceria colaborativa foi a proposta da Enzo Milano, marca de circulação nacional, que se interessou pelos valores difundidos pela Preza. Inicialmente, a empresa solicitou uma demanda de 1.000 unidades para integrar à sua coleção. Sem a estrutura necessária para produzir em larga escala, a startup negociou 100 unidades, que foram vendidas pela Milano em menos de um mês.

Foi então que Rodrigo e Martina perceberam a necessidade de expandir os recursos e sugeriram um modelo de negócio colaborativo de co-criação e distribuição das coleções. A Enzo Milano e a Preza lançaram juntas modelos que uniram a proposta sustentável e o reconhecimento de mercado.

Atualmente, a equipe conta com 10 pessoas na produção interna, colaboradores de serviços terceirizados para a laminação e mantém a escala pequena em comparação ao segmento de mercado ótico. “Pretendemos manter essa exclusividade, fazer os óculos à mão e numerando cada novo modelo”, afirma Rodrigo.

“Queremos valorizar todos os parceiros da cadeia produtiva, utilizar resíduos que não degradam o meio ambiente e incentivar empresas locais”, resume Rodrigo Cury.

Impacto ambiental e social 

As preocupações com um modelo de negócio inovador e consciente não terminam por aí. A Preza já realizou ações integradas a causas socioambientais e pretende dar continuidade a essas iniciativas em 2019.

Imagem foca as mãos lixando uma armação da Preza. A marca tenta reduzir o impacto ambiental.

“O design tem o poder de desenhar produtos e colocar no mercado ideias que modifiquem a cultura material”, acredita Rodrigo. Para o empreendedor, o impacto ambiental e social estão intrinsecamente ligados. “O nosso papel é transformar socialmente o mundo a partir do consumo consciente. Essa é a razão de existir da Preza”, diz.

Em 2016, a marca lançou um kit colaborativo com o artista Xadalu. O objetivo foi reverter os lucros para ajudar a aldeia Tekoa Pindó Poty, localizada na região de Porto Alegre, no plantio de mudas de Kurupi, árvore nativa da Mata Atlântica e essencial para produzir as esculturas que movimentam a economia da aldeia.

Para o próximo ano, a Preza planeja uma ação em conjunto com a Re.Turn, empresa que trabalha com o desenvolvimento de projetos sociais na região, para levar a cultura do empreendedorismo de impacto para escolas de comunidade de vulnerabilidade social no Rio Grande do Sul.

Acessórios sustentáveis

 Idealizadora do Badu Design, Ariane Santos, posa para foto ao lado de mulheres.

Seguindo a mesma tendência de misturar design, cultura maker e economia criativa, a startup curitibana Badu Design nasceu com o propósito de reduzir o impacto ambiental por meio da produção de materiais de papelaria artesanal, acessórios, decoração e bolsas que utilizam resíduo têxtil industrial.

Além de investir em produtos sustentáveis, a iniciativa idealizada pela empreendedora Ariane Santos também oferece capacitações e compartilhamento de técnicas artesanais dentro do design.  A ideia é facilitar o processo criativo e consciente de negócios que têm a intenção de partir pelo mesmo caminho.



 

6 Comentários

  • Pense Grande disse:

    Olá, Jamel
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  • Claudia Maria Costa Da Rosa disse:

    Adorei essas armações de madeira! Achei um luxo! Divinas! Continuem!

  • Tania Maria Belfort de Moura disse:

    Um espetáculo de valorização aos jovens talentosos que respeitam o ambiente! tQue usam as suas hablidades, seus conhecimentos em altitudes de interação social. Parabéns pra todos vcs envolvidos nesse grandioso projeto!

  • Jamel Grossi Ferreira disse:

    Lindo trabalho! Ainda achamos seres humanos neste planeta!
    Parabéns!😎💋

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