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13 de dezembro de 2018

Jovem reconhecida pela Forbes, criadora de conteúdo e idealizadora de negócios, como o Desabafo Social, faz alertas e dá referências a quem quer empreender

Eu poderia começar compartilhando todas as vezes que tentei desistir. Mas, optei por falar em possibilidades, até porque desistir não se restringe única e exclusivamente ao empreendedorismo. E, em um contexto como o nosso, precisamos de mais pessoas que sejam positivas e propositivas. Por isso, trago aqui dois cenários do empreendedorismo: o liderado por pessoas negras e o liderado por pessoas da periferia.

Diante de alguns avanços no que diz respeito a debates raciais e de gênero no Brasil, é para comemorarmos o cenário onde os negros são a maioria dos empreendedores, totalizando cerca de 11 milhões. Mas, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) realizada a partir de processamento dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o rendimento médio de empreendedores negros e negras passou de R$ 612,00 para R$ 1.039,00 por mês, enquanto que o de brancos subiu de R$ 1.477,00 para R$ 2.019,00.

Essa conjuntura da escassez já existe e é indiscutível. Mas, se olharmos pelo ângulo da abundância, outros cenários estão sendo construídos com a emergência e a sustentabilidade de diferentes negócios liderados por pessoas negras, criando novas perspectivas e potencializando suas ações.

No setor financeiro, temos a Conta Black, a primeira fintech de propriedade de pessoas negras no Brasil, como forma de solução para os pedidos de créditos negados em bancos e inclusão social e financeira da população sem conta bancária. É uma conta digital, criada por Sérgio All e Fernanda Ribeiro, que se propõe a resolver o desafio da população sem conta bancária, consequentemente, sem educação financeira, também responsável pela desigualdade social e estagnação econômica da população negra e pobre.

Quando vamos para a área de moda, temos o Clube da Preta, a primeira fashion box exclusiva de moda afro. Em menos de um ano de operação mais de 800 produtos de afroempreendedores já foram distribuídos. A empresa funciona como clube de assinatura, onde o consumidor pode aderir a planos mensais ou anuais e receber seus produtos em casa. Cada produto é personalizado de acordo com os gostos dos clientes, identificados com pesquisa prévia. Em breve, terão espaço e estão estudando a possibilidade de gamificação a partir da tecnologia digital para os consumidores.

Se imergimos um pouco na história de vida desses empreendedores citados anteriormente, é semelhante, senão igual, à maioria das histórias de brasileiros que vivem nas periferias da Zona Leste de São Paulo, de Cajazeiras em Salvador e da Rocinha no Rio de Janeiro. É importante termos e conhecermos exemplos incríveis e concretos de pessoas que se parecem com a gente para não viciarmos o discurso da impossibilidade de fazer algo e não deixar esse pensamento nos paralisar.

Agora é o momento que você me pergunta: “Tudo bem, Monique, mas como começar a empreender e ser uma dessas referências?”.

É justo perguntar! Talvez, eu nem consiga responder uma pergunta como essa. Mas, trago alguns alertas para você que já iniciou ou quer iniciar sua jornada empreendedora.

O primeiro alerta vem da frase de Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora:

“Onde vivem, o que comem as pessoas que, mesmo existindo 100 negócios iguais, criam 101, achando que o seu é super, mega diferente?”.

Muitas vezes, fazemos um esforço tão grande para criarmos algo totalmente igual ao que já existe. Já parou para pensar se você não está fazendo isso também? Você sabe por que você quer fazer o que quer fazer? Por que você quer continuar com seu projeto ou negócio? Sua ideia vale o esforço e a energia?

O segundo alerta vem do filme Regeneração, dirigido por Humberto Carrão:

“Todo mundo gosta de um bom filé, mas ninguém quer ver o boi sendo morto”.

Na verdade, essa frase é uma adaptação do que eu sempre digo:

“Nunca compare seu início com o meio de ninguém”.

Já parou para pensar que queremos sucesso a curto prazo e que não enxergamos o processo, apenas o resultado final?

Só no dicionário que a palavra sucesso vem antes de trabalho. Empreender não é simples, mas é possível. Em qualquer área de atuação das nossas vidas, teremos desafios. No empreendedorismo não é diferente.

Sabendo disso, você pode se preparar. Não se deixe enganar que empreender é só talento. Também são estudos para garantir que seu projeto ou negócio continue em pé.

Por isso, comece descobrindo ferramentas gratuitas que vão te ajudar no dia a dia do seu negócio, como o Canva.com (site de ferramentas de design gráfico), o Appear.in (plataforma on-line que permite que você faça videoconferências sem baixar nenhum programa), o PowToon (site para criar vídeos com animações profissionais), o Sebrae Canva (plataforma para desenhar seu modelo de negócio) e o Guia Bolso (aplicativo que gerencia sua vida financeira).

Aproveite para consumir conteúdos de inovação e negócios como os dois TEDx que fiz (O mito de ser feliz fazendo o que ama e O potencial inovador das periferias), ouvir podcasts como o Braincast, o Pense Grande Podcast da Fundação Telefônica Vivo, o CBN Professional e o Producast.

Ou então, siga outros empreendedores nas redes sociais para aprender e conversar com eles, como Matheus Cardoso (Moradigna), Adriana Barbosa (Feira Preta), Ana Paula Xongani (Xongani), Tony Marlon (Historiorama), Mariana Stabile (Sharp), Marco Gomes (Boo-Box), Monique Moraes (Su casa, Mi Causa), Lua Leça (LinkArt) e muitos outros.

Empreender é uma jornada. Abra mão do ego para fazer seu projeto ecoar, enxergue pessoas mais como parceiras do que como concorrentes e, principalmente, entenda que referência não é cópia e que você não terá resultados daquilo que não produz.



 

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