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23 de novembro de 2018

Conheça três empreendimentos sociais que promovem o aumento de oportunidades para jovens da periferia, mulheres negras e população em situação de rua

Quem pretende ingressar no competitivo mercado de trabalho brasileiro percebe logo que muitas vezes o ensino superior não basta. Ter no currículo o domínio de outros idiomas, conhecimentos de software e experiência internacional contam pontos a mais com recrutadores. O problema é que tudo isso exige investimento, um empecilho para jovens de baixa renda.

Foi a partir dessa percepção, baseada em sua experiência pessoal, que a carioca Karen Freitas Franquini, de 27 anos, criou a Ganbatte, empresa que oferece serviços de recrutamento, seleção e desenvolvimento de profissionais de baixa renda. “Não basta ter acesso à universidade por meio de bolsas. É preciso ter um currículo competitivo para se inserir no mercado de trabalho”, explica Karen.

Assim, a Ganbatte – expressão japonesa de encorajamento que significa “aguente firme, não desista, faça o seu melhor!” – foca na avaliação de competências comportamentais para a realização de um processo seletivo inclusivo. “As empresas costumam contratar pela competência técnica. Nós olhamos para características como resiliência, determinação e criatividade, que não faltam aos jovens da periferia”, afirma.

 

Recrutamento e capacitações

 A jovem Karen Franquini e outro jovem rapaz, estão sentados em volta de uma mesa olhando para um notebook.

Karen Franquini (à direita), idealizadora da Ganbatte, capacita jovens para o mercado de trabalho.

Incubada pelo Pense Grande em 2017, a Ganbatte presta serviços de recrutamento para oito empresas e ajudou a ampliar oportunidades para jovens como Luana Mendes, que hoje é gerente de relacionamento de um banco após dois anos de buscas incessantes, e Misael Gonçalo, que realizou o sonho de trabalhar com audiovisual.

“Às vezes, a gente que vive e mora na Baixada Fluminense acaba contaminado por uma cultura que diz que não somos bons o suficiente ou que não podemos fazer algo. Mas como o próprio lema da Ganbatte diz, a gente precisa persistir e se esforçar para mudar nossa realidade”, diz Misael.

Os cursos de capacitação realizados pela empresa já beneficiaram 800 pessoas. São mais de oito mil usuários da plataforma, de 20 estados do Brasil. Segundo Karen, cada processo seletivo que a Ganbatte inicia recebe uma média de 100 a 150 candidatos por vaga. Recentemente, Karen realizou o processo seletivo de três vagas para a Barkus, também incubada pelo Pense Grande, e se surpreendeu com o número de inscritos: 465!

“Acho que esses números mostram o potencial da Ganbatte para fazer a diferença na vida dos jovens e tornar o mercado de trabalho mais justo”, acredita.

 

Diversidade racial

 As irmãs Jéssyca e Monique Silveira, fundadoras da RAP- Rede de Afro Profissionais posam para foto

As irmãs Jéssyca e Monique Silveira, fundadoras da RAP- Rede de Afro Profissionais

O quadro de desigualdades presentes no Brasil faz com que a população negra seja a menos escolarizada, com menores salários e a que mais sofre com as ondas de desemprego, traço do racismo estrutural institucionalizado no país. Os números são ainda mais preocupantes quando se trata de mulheres negras, que sofrem duplamente com discriminação de gênero e preconceito étnico-racial.

Enquanto fazia seu mestrado, a historiadora Jéssyca Silveira, de 26 anos, começou a se inquietar com esses dados e com a discrepância entre a população negra, especialmente mulheres, que ocupavam cargo de lideranças e ocupações informais ou empregos mal remunerados. Junto com a irmã Monique, de 31 anos, criou a RAP – Rede de Afro Profissionais, empresa de recrutamento que promove a diversidade racial.

“Começamos com um grupo de Facebook para incentivar que mulheres negras contratassem produtos e serviços umas das outras, além de indicar oportunidades de trabalho como forma de fazer o dinheiro circular. O grupo cresceu e hoje somos quase 15 mil mulheres negras em rede!”, comemora Jéssyca.

Já com o status de empresa que oferece solução de equidade racial para empresas privadas, a iniciativa também participou do Pense Grande Incubação e se prepara para trilhar uma longa jornada, como afirma a fundadora. “A RAP é uma ferramenta para construir ambientes de trabalho mais produtivos e uma sociedade mais próspera”.

 

“Cada vez mais empresas compreendem a importância da diversidade, seja pela responsabilidade social ou por viés econômico. A RAP é um dos caminhos para a mudança e para que a sociedade entenda que um país com discriminação não prospera”, Jéssyca Silveira.

 

Mudança, por favor

Fora do Brasil, uma iniciativa vem ganhando atenção por trazer pessoas em situação de rua de volta ao mercado de trabalho. Criada em 2015 no Reino Unido, a Change Please oferece treinamento de barista, alojamento e trabalho em cafeterias móveis no país. São 32 em operação e 120 pessoas já tiradas das ruas.

O sucesso foi tanto que a rede já chegou aos Estados Unidos, nas cidades de Nova York e San Francisco. O idealizador Cemar Ezel não descarta uma expansão para a América Latina, como contou à Exame. A maior barreira do negócio ainda é o preconceito. “Foi difícil superar a concepção de que os sem-teto não querem trabalhar e que são preguiçosos. Eventualmente as pessoas visitam o café e percebem o quão incríveis eles podem ser”, declarou Cemar.



 

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