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Desenvolvido durante o programa Pense Grande, o Mulheres Security facilita o pedido de socorro da vítima para amigos e polícia

23 de novembro de 2018

A cada dez brasileiras, quatro já sofreram assédio sexual nas ruas, dentro do transporte público, no trabalho, na escola ou faculdade e até mesmo em casa. É o que aponta um levantamento do Datafolha, que ouviu 1.427 mulheres. Entre adolescentes e jovens o número é ainda maior, chegando a 56%.

Pensando em mudar esse cenário, cinco adolescentes criaram o aplicativo Mulheres Security, que emite um sistema de alerta para a polícia e para pessoas previamente cadastradas pela usuária. O projeto foi desenvolvido durante o programa Pense Grande, na ETEC Guaianazes.

“Os casos de abuso e assédio sexual são muito comuns, mas muitas vezes as mulheres não sabem como pedir ajuda ou têm medo de fazer a denúncia e sofrer ainda mais violência”, conta Giovanna Souza, de 15 anos, idealizadora do projeto ao lado de Monique Dias, Fatima Silva e Guilherme Benassi, que também têm 15 anos, além de Giovanna Fortunado, de 16.

Alerta geral

O aplicativo contém um botão de alerta que deve ser acionado pela vítima do assédio. Assim, a ferramenta dispara mensagens e a localização exata da denunciante para alguns contatos previamente cadastrados, batizados pelo grupo de Anjos da guarda. A ideia é que o sistema também acione a polícia, além de executar outras funções como agendamento de consultas com psicólogos e um espaço para troca de apoio e mensagens entre mulheres que passaram por situações semelhantes.

Para facilitar o pedido de socorro, o aplicativo também será integrado a uma pulseira equipada via bluetooth. “Muitas vezes a mulher entra em pânico e não pode ou não consegue pegar o celular na bolsa. Neste caso, ela irá acionar a pulseira que está conectada ao aplicativo e contata o anjo da guarda mais próximo”, explica Monique Dias.

Inspirando a cultura empreendedora

 Os jovens estão levando, para além da escola onde estudam, algumas lições do Pense Grande. Focado em estimular o poder de transformação da juventude apoiando empreendimentos sociais com mentoria, ferramentas, metodologias e estratégias inovadoras, a 5ª edição do programa entrou na grade curricular de 17 turmas de ETECs e Fatecs de São Paulo.

Na ETEC Guaianazes, as 14 oficinas que fazem parte do projeto são realizadas no contraturno. Durante uma delas, os grupos realizam o chamado teste de fumaça, uma ferramenta para identificar se o produto a ser desenvolvido tem potencial no mercado.

O grupo responsável pelo Mulheres Security validou o aplicativo via formulário do Google, com questões e explicação sobre o projeto. Isso despertou a atenção de muitos amigos e conhecidos. Como resultado, o grupo foi convidado a apresentar o projeto em algumas escolas. Até o momento, já visitaram duas instituições e foram recebidos com muito entusiasmo.

“As pessoas ficam surpresas quando apresentamos o projeto, falam que é uma ideia inovadora”, afirma Giovanna Souza. “Eu gosto porque além de divulgar nosso projeto, a gente aprende muita coisa nova, recebemos dicas que só nos ajudam a melhorar”.



 

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