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9 de novembro de 2018

Soulphia e Alfabantu, projetos de ensino de idiomas, empoderam seus usuários a partir de metodologias inovadoras em educação

Os meios digitais tornam-se, cada vez mais, aliados para apoiar a cultura empreendedora e facilitar processos na jornada de quem quer empreender. Também viabilizam a busca de conhecimento e possibilitam tirar ideias do papel de forma mais rápida, prática e menos custosa. Tiago Soares, fundador e gestor da empresa social Soulphia, e Odara Dèlé, idealizadora do aplicativo Alfabantu, apostaram na união entre tecnologia e educação para o desenvolvimento de seus empreendimentos sociais digitais.

Eles reforçam o pensamento de 40% dos jovens entrevistados na pesquisa Juventude Conectada – Edição Empreendedorismo, que veem iniciativas inovadoras que transformam a sociedade, ou a vontade de fazer coisas novas, como motivações para começar um empreendimento. O estudo foi promovido pela Fundação Telefônica Vivo, em parceria com Ibope e Rede Conhecimento Social.

 

Aulas que transformam vidas

Em 2017, Tiago Soares e Felipe Marinho realizaram trabalho voluntário em abrigos em Nova York, nos Estados Unidos. A vontade de melhorar a vida das pessoas que viviam ali foi o incentivo para colocar em prática o Soulphia, empreendimento online que visa reinserir moradores de rua no mercado de trabalho.

“Sempre após as atividades nos abrigos ficávamos tristes por não poder garantir algo melhor para as pessoas nesses locais. Ao conhecer suas histórias, juntamos aquilo que entendíamos como potencialidades daquele contexto para tentar a transformação social”, lembra Tiago Soares.

Era perceptível que os moradores dos abrigos tinham muita vontade de mudar de vida. “Foi quando pensamos em usar o idioma para transformar, em tutoras de inglês, mulheres estadunidenses e moradoras de Nova York, mas que viviam em situação de rua”, explica o empreendedor.

O negócio saiu do papel com apoio da Universidade de Columbia e da Educurious, uma empresa sem fins lucrativos da Fundação Bill e Melinda Gates. Em 2018, o projeto completa um ano de atividades com mais de 300 alunos, espalhados por Brasil, China, Colômbia e Estados Unidos. São, ao todo, 25 tutoras capacitadas para dar aulas particulares pela internet.

Foi desenvolvida uma plataforma pela qual o estudante seleciona a tutora, agenda o horário de preferência e participa da aula particular ao vivo. Os alunos se beneficiam ao terem aulas com falantes nativas do idioma por um preço competitivo e ainda ajudam as tutoras a retomarem a autoestima, recuperando o sentimento de esperança e dando propósito à vida delas.

Imagem mostra tutoras e criadores do Soulphia, plataforma que ajuda moradoras de rua de Nova York a se tornarem tutoras no ensino de inglês a distância

 

“Todas as tutoras voltaram a acreditar em si mesmas e mudaram de vida. Seis, de 25, já conseguiram deixar o abrigo para morar em casas próprias. Conseguimos atuar em duas frentes: a recuperação do protagonismo da vida dessas mulheres e na geração de renda, para que sejam, novamente, independentes”, afirma Tiago Soares, gestor da Soulphia.

O ponto de partida foi em um abrigo no bairro do Bronx, em 2017, com computadores do próprio local. Nessa primeira experiência, seis tutoras ministraram mais de 500 aulas, por 15 dólares cada, para cerca de 40 alunos. Hoje o Soulphia conta com estrutura própria, mas mantém sua essência ao impulsionar vidas e empoderar quem está em uma situação de vulnerabilidade.

 

Aprendendo uma língua ancestral

Qual é a origem de palavras que usamos no dia a dia, como moleque e caçula? Se você ficou curioso, o Alfabantu pode responder a essa pergunta. Criado pelos educadores Odara Dèlé e Edson Pereira, o aplicativo busca ensinar às crianças a língua falada pelo povo kimbundu, de Angola.

Por meio do app é possível conhecer nomes de animais, partes do corpo, números e saudações em kimbundu, que é apenas um dos mais de 2.000 idiomas falados no continente africano. A plataforma também aproxima as crianças da história, cultura e arte africanas, tão presentes dentro da própria cultura brasileira. Entrar em contato com a pluralidade da cultura africana é, também, conhecer o próprio Brasil.

A ideia para a criação do aplicativo, em 2017, veio com a percepção de que mesmo após a criação da Lei 10.639, em 2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira nos Ensinos Fundamental e Médio, não havia ainda material didático que aproximasse as crianças e os jovens de línguas africanas.

“Alguns dos obstáculos para colocar a Lei em prática era a falta de um material didático que representasse a população negra de forma positiva”, conta Odara Dèlé. Os criadores do Alfabantu enxergaram potencialidade ao juntar essa necessidade ao fato de crianças e adolescentes passarem muito tempo perto dos celulares.

Por meio de pesquisas realizadas na época do lançamento do aplicativo, eles chegaram à informação de que crianças entre 5 e 14 anos passam cerca de 80% do tempo livre em frente aos smartphones.

Imagem mostra mão de criança segurando um smartphone cuja tela mostra o aplicativo Alfabantu, que ensina o idioma kimbundu, de Angola

 

“Conseguimos aproximar a cultura africana das crianças e ainda aproveitar as possibilidades educacionais que a tecnologia nos dá”, completa a educadora Odara Dèlé.

A co-criadora do aplicativo acredita que essa união entre tecnologia e educação pode ser utilizada para diminuir as desigualdades sociais, raciais e de gênero. O objetivo é promover uma educação menos eurocêntrica e que combata o racismo. “Por estarmos online, nossa capilaridade pode ser mais rápida e com menos custos”, pondera.

E a adesão ao aplicativo foi rápida. Lançado em novembro de 2017, o Alfabantu somou 600 downloads até a primeira semana de dezembro daquele ano, com usuários no Brasil, Angola, Moçambique, Reino Unido, Polônia e Portugal. Hoje, o número de downloads já passa de 5.000.

O próximo passo é levar o empreendimento online às periferias e realizar formações tecnológicas para jovens. Em 2019 também deve ser lançado um livro bilíngue, em português e kimbundu, com os personagens que ilustram as lições do aplicativo, além de uma versão infanto-juvenil que ensine o idioma angolano por meio de jogos.



 

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