alt marcas

Criado nas ruas e favelas do Rio de Janeiro, o empresário ganhou o prêmio Empreendedor social (2017) e movimenta um conglomerado social com 22 empresas em comunidades cariocas.

16 de novembro de 2018

“Nunca pensei em transformação social”, afirma Celso Athayde, nomeado pela ISTO É Dinheiro como o empreendedor social do ano em 2017. Ele é fundador da CUFA (Central Única das Favelas) e da Favela Holding, um conglomerado de 22 empresas que geram empregos e movimentam a economia de comunidades no Rio de Janeiro.

A trajetória do empresário carioca é considerada referência como superação dos obstáculos e inspiração para o desenvolvimento de ferramentas de transformação social. “Um trabalho na favela, seja ele qual for, é social por excelência, não precisa ter um discurso”, afirma Athayde que, aos 55 anos, relembra o período em que teve de deixar seu barraco na Baixada Fluminense aos seis anos de idade e foi morar na rua. “Nós somos a representação física, estética e moral da transformação social”, afirma.

Para o empresário, sobreviver era a prioridade. Nos abrigos públicos e nas favelas pelas quais passou aprendeu com as disputas da rua, muitas vezes recorrendo a furtos, drogas e trabalhos informais para sobreviver por mais um dia. As experiências acumuladas nesse período transformaram a visão de Celso Athayde para a realidade das favelas e das pessoas que moram nesses territórios.

Por outro lado, ele entrou em contato também com a potência desses espaços, como as inúmeras manifestações artísticas das juventudes negras que expressam o contexto em que vivem através da música, da dança e da rima. O ponto de virada foi justamente o contato com o movimento Rap, que acendeu a fagulha revolucionária que levaria Athayde a refletir sobre a vida dos jovens na favela.

Ciclo de potência 

A partir desse primeiro contato, há 20 anos, Celso passou a empresariar cantores influentes como MV Bill e Nega Gizza. Mas isso não bastava. Criar uma “indústria de protesto”, como o próprio empresário define, não era seu objetivo principal, mas acabou se concretizando em meio à busca de soluções reais para ampliar uma rede de espaços para os jovens se expressarem, desenvolverem atividades de lazer, educativas e culturais.

Com a ajuda de amigos e parceiros como o próprio MV Bill, nasceu a organização social Central Única das Favelas, conhecida como CUFA, visando valorizar a vida das pessoas. Tal iniciativa conquistou prêmios nacionais e internacionais, foi reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) e ampliada para outras comunidades ao redor do mundo.

Em consequência dessa articulação, outras ações foram estruturadas posteriormente, pois é necessário investimento constante para reais soluções nas favelas. Em 2013, é fundado o conglomerado Favela Holding, que reúne 22 empresas de negócios sociais que protagonizam a atuação dos moradores, garantindo um envolvimento na economia e geração de renda na região.

Uma dessas iniciativas foi a Favela Vai Voando, uma empresa de viagens voltada para o turismo de moradores das favelas e regiões periféricas brasileiras. No mercado, a FVV foi o primeiro empreendimento a oferecer transporte aéreo e os benefícios para as classes C, D e E.


Não sei se existiu um ponto de virada na minha trajetória. No fundo, o grande momento está para surgir ainda”, acredita Celso Athayde.

Empreender é “se virar”

“Favela não é carência, favela é potência”, reafirma Celso Athayde quando conta a história sobre os empreendimentos que viu se desenvolverem. Buscar o envolvimento desses moradores na construção das ideias é objetivo fundamental para ele, bem como entender as constantes renovações de necessidades pelas quais  passam todos os dias.

Segundo o Data Favela, um instituto criado para investir em pesquisas estratégicas de comportamento e mercado de baixa renda, 28% dos moradores de favelas têm intenção de abrir seu próprio negócio e 59% deles desejam criá-los dentro das próprias comunidades.

“O empreendedorismo da base da pirâmide não é necessariamente uma vocação, mas é uma necessidade de sobrevivência permanente. Aqui a gente não chama isso de empreender, chama isso de se virar”, acrescenta o empresário, mas diz discordar da ideia de que somente o empreendedorismo gera felicidade. Para Athayde, cada perfil de pessoa colabora à sua maneira para o que entendemos como transformação social.



 

Notícias relacionadas

Nina Silva, fundadora do Black Money e uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil, aparece sorrindo, de coque e com um microfone no palco de uma palestra.
29 de agosto de 2019

Conheça Nina Silva, uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil

11 de julho de 2019

“Mostrar o valor do impacto é o desafio”, diz criador do Clube da Preta

Imagem mostra um jovem de barba encostado em uma parede de tijolos mexendo no celular
27 de junho de 2019

10 perfis de empreendedorismo que você precisa seguir no Instagram