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20 de fevereiro de 2018

Natural da Bahia, Sergio Bispo chegou a São Paulo em 1989 e desde a infância trabalha como catador. Ele poderia ter tido o destino de tantos outros colegas de ofício, que batalham diariamente em meio ao trânsito puxando carroças pesadas, mas graças ao gosto por aprender acabou tornando-se um empreendedor socioambiental, e em 2014 começou o projeto Kombosa Seletiva.

“Quando tinha meu carrinho, comecei a participar de eventos e palestras a respeito da importância do nosso trabalho. Em um dos eventos, os técnicos me deram uma grande ideia”, lembra ele, mais conhecido como Bispo.

A ideia era basicamente uma oportunidade de mercado na cidade de São Paulo: oferecer serviço de coleta particular para quem, pela quantidade de resíduos gerados por dia – mais de 200 litros – não pode utilizar o serviço púbico.

Sem saber ler e nem escrever, Bispo se sentiu estimulado a ampliar seus negócios: se alfabetizou, tirou habilitação e comprou uma Kombi, com incentivo e apoio financeiro do sociólogo Pedro Tavares Nogueira, do produtor de eventos Bruno Aga e de Áurea Barros, do Instituto Viva Melhor.

Sergio Bispo em seu novo furgão: “lixo não existe” é um de seus lemas

Atualmente, a Kombosa conta com cinco catadores e faz o gerenciamento de resíduos em 45 pontos de São Paulo, entre condomínios e estabelecimentos comerciais. São 15 coletas por dia, e a antiga Kombi deu lugar a um furgão mais moderno.

A renda do trabalho inclui também eventos e palestras, nas quais Bispo, autodidata no aprendizado sobre gestão de resíduos, difunde a cultura da sustentabilidade. “Há muita técnica nesse setor, mas ninguém ensina os catadores. Muita gente não sabe o que fazer para avançar na vida, mas eu busquei a ajuda desses especialistas.”

O empreendimento pensado por Bispo permitiu a ele juntar dinheiro e comprar sua casa: aos 60 anos, com oito filhos e dois netos.  Agora, ele deseja deixar um futuro mais sustentável não só para sua família e para todos as crianças e adolescentes. Usando sua importante atividade como exemplo. “É preciso valorizar sempre o trabalho dos catadores e pensar nas futuras gerações que cuidarão do planeta, para a construção de um mundo sem desigualdade social e ambiental.”

Kombi usada por Bispo no começo do projeto



 

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