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A pesquisadora e palestrante de sucesso mundial, Brené Brown, conta como a vulnerabilidade é indispensável para alimentar a coragem, a empatia e a disposição de assumir riscos, habilidades essenciais para empreendedores(as)

23 de setembro de 2019

Pesquisadora e professora da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, onde estuda temas como vulnerabilidade, coragem vergonha e empatia há 20 anos. Escritora de quase uma dezena de livros e uma das mais prestigiadas palestrantes do mundo, com um TED Talk que soma mais de 43 milhões de visualizações. Assim podemos descrever Brené Brown. Ou podemos apenas dizer que ela adora contar histórias.

É exatamente sobre essa definição que ela começa o TEDxHouston O Poder da Vulnerabilidade, lançado em junho de 2010, e que a levou à fama mundial. Segundo Brené, sua coragem foi testada alguns anos antes quando uma organizadora de eventos sugeriu anunciá-la como contadora de histórias na divulgação de uma palestra, por considerar que o termo pesquisadora poderia soar chato, irrelevante e acabaria espantando o público. A princípio, Brené achou um verdadeiro absurdo.

“Pensei por alguns segundos, tentei procurar lá no fundo da minha coragem. Sou uma pesquisadora de dados qualitativos, coleciono histórias. E talvez histórias sejam apenas dados com alma. Então, eu disse: ‘Por que você não diz simplesmente que eu sou uma pesquisadora-contadora de histórias?’. Ela gargalhou: ‘Isso não existe! . Mas é o que sou: uma pesquisadora-contadora de histórias”.

E é assim, com relatos recheados de bom humor e vivacidade, que Brené Brown conduz suas palestras, compartilha dados sobre seus estudos e cativa o público, atento em todos os momentos. É como se ela estivesse tendo uma conversa íntima com cada um.

A vulnerabilidade é o tema central, mas não é o único abordado. Em 2012, ela lançou outro TED de sucesso: Brené Brown: Escutando a vergonha, no qual discorre sobre o que pode acontecer quando as pessoas confrontam o que as envergonha. Recentemente, a Netflix lançou Brené Brown: The Call to Courage (O Chamado para Coragem, em tradução livre), no qual ela elabora melhor como o sentimento de vulnerabilidade está intimamente ligado à coragem.

Abaixo, reunimos conselhos, histórias e lições de Brené Brown que podem servir de inspiração para levar adiante seu empreendimento social e provocar verdadeiras transformações na sociedade. Afinal, é preciso muita coragem para seguir seu coração e confiar em si, empatia para entender e se conectar com seu público-alvo, além de disposição para arriscar e inovar. Confira!

Vergonha e desconexão

Segundo Brené Brown, “conexão é a habilidade de nos sentirmos conectados, é neurobiologicamente como somos feitos, é o porquê de estarmos aqui”. Vinda do campo da assistência social, ela conta que entendeu o que causava desconexão entre as pessoas, após seis meses de análises e estudos.

“O que se revelou foi a vergonha, que pode ser entendida como o medo da desconexão. É universal, todos nós a sentimos. O que mantém essa vergonha é o sentimento de ‘não sou boa o suficiente’. A base disso é uma vulnerabilidade dilacerante, a ideia de termos de nos permitir ser vistos, realmente vistos, para que a conexão aconteça”.

“A única coisa que nos mantêm desconectados é o nosso medo de que não sejamos merecedores de conexão”, reflete.

Senso de coragem

Para entender como a vulnerabilidade funciona, a especialista decidiu focar nas pessoas que se sentiam merecedoras de conexão, as quais ela nomeou como coração-pleno.

“Elas tinham em comum um senso de coragem. Tinham, simplesmente, a coragem de serem imperfeitas. Elas tinham a compaixão de serem gentis primeiro consigo mesmas, e então, com os outros. Não podemos praticar a compaixão se não conseguirmos nos tratar com gentileza. E elas tinham conexão. E esta é a parte difícil, como resultado de autenticidade. Estavam dispostas a abandonar quem pensavam que deveriam ser para ser quem realmente são”.

Abrace a vulnerabilidade

Outro ponto comum que ela descobriu sobre esse grupo de pessoas era a forma como lidavam com a vulnerabilidade. “Eles a abraçavam completamente. O que as tornava vulneráveis, as tornava lindas. Não falavam sobre a vulnerabilidade ser confortável, nem sobre isso ser doloroso, como eu tinha ouvido nas entrevistas sobre vergonha. Achavam fundamental a disponibilidade de fazer algo quando não havia garantias”.

Você é o suficiente

Brené também explica que aprendeu sobre como somos levados a anestesiar a vulnerabilidade, mas não podemos fazer isso seletivamente. Isso explica porque, segundo ela, estamos diante da geração que mais bebe, se medica e usa drogas na história.

“Você não pode pegar vulnerabilidade, medo, vergonha, desapontamento e não sentir apenas isso. Não pode pegar sentimentos pesados e anestesiá-los sem deixar de sentir o restante. Então, também anestesiamos a alegria, a gratidão, a felicidade. E nos sentimos infelizes. Aí procuramos por propósito e sentido, nos sentimos vulneráveis, e voltamos a nos anestesiar . Isso se torna um ciclo perigoso ”, enumera a especialista.

“O que considero mais importante é acreditarmos que somos suficientes. Porque quando começamos pensando que somos suficientes, paramos de gritar e começamos a escutar. Somos mais bondosos e gentis com as pessoas ao nosso redor, e mais bondosos e gentis conosco”.

Tenha conversas difíceis

A vulnerabilidade é mãe de alguns filhos: confiança, da inovação, da criatividade, inclusão e equidade, dar e receber feedbacks, resolução de problemas e tomadas de decisões éticas. Não adianta querer um ambiente inovador e criativo sem espaço para vulnerabilidade, imperfeição e possíveis erros.

“Falamos das pessoas em vez de falar com as pessoas. Isso é uma coisa muito tóxica. É a cultura do controle. Entendo que é difícil ser vulnerável no trabalho, mas passamos mais da metade das nossas vidas trabalhando. Em 20 anos, jamais encontrei alguém que fosse feliz na vida e extremamente triste no trabalho. Isso pode corroer você vivo. Temos a responsabilidade de nos expor e admitir nossas emoções no trabalho, nos envolver em questões difíceis”, resume.

Saiba quais críticas levar em consideração

No especial A Call to Courage, Brené Brown conta como teve uma verdadeira “ressaca de vulnerabilidade” após o TEDxHouston. Com milhões de visualizações, ela sentia que havia se exposto demais e não conseguiu lidar com o constrangimento ao ler críticas destrutivas. Tentou fugir da realidade com uma maratona da série Downtown Abbey e manteiga de amendoim até que se deparou com um discurso de Franklin Roosevelt, O Homem na Arena, considerado por ela um divisor de águas.

“O discurso era assim: ‘não é o crítico que conta. Nem aquele que aponta quando o outro tropeça, nem aquele que diz que o outro devia ter agido diferente. O mérito é do homem que está na arena, aquele com o rosto sujo de poeira, suor e sangue. Que se empenha, que erra, que fracassa um, duas, várias vezes. Aquele que no final, embora conheça o triunfo de uma vitória, pode até fracassar, mas se arriscando a ser imperfeito’”, resume Brené.

Em seguida, ela lista as três lições tiradas sobre o episódio.

“Quero viver na arena e escolho isso todos os dias. Vulnerabilidade não é sinal de fraqueza, mas a melhor forma de medir sua coragem. A última coisa que aprendi naquele momento foi que se você não está na arena, fracassando vez ou outra por ser corajoso, não quero saber o que pensa sobre o meu trabalho e ponto final. Você não pode levar em consideração críticas de pessoas que não estejam sendo corajosas com suas vidas”.


 

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