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1 de março de 2018

Imagine que foram meses de preparação. Então você já percorreu um bom caminho com o seu projeto e chegou em uma etapa decisiva: a hora de apresentar seu negócio para um investidor. Esse é o pitch, expressão em inglês usada quando nos referimos a apresentações curtas, de dois a três minutos, com o objetivo de despertar o interesse de potenciais financiadores.

Muitos dos que optaram por empreender já passaram por isso. E mesmo quem hoje brilha com negócios de sucesso, dá palestras e fala para grandes públicos, também já experimentou o friozinho na barriga das primeiras apresentações.

Por isso, ouvimos três nomes conhecidos, de diferentes áreas do empreendedorismo social, para saber como foram seus primeiros pitches e que dicas eles podem dar para quem está começando:

Diego Reeberg

Co-fundador do Catarse, uma das primeiras plataformas de financiamento coletivo do Brasil

1 – Como foi seu primeiro pitch?

Meu primeiro pitch de maior importância foi na 1ª edição do Campuseiros Empreendem, da Campus Party, bem na semana de lançamento do Catarse, em janeiro de 2011.

Fomos uma das 10 startups escolhidas para participar da competição. Como a empresa estava recém-operacional, focamos em apresentar qual problema estávamos resolvendo e quais resultados concretos já havíamos alcançado.

2 – Qual a principal dica que você daria para os jovens que estão participando de pitches agora?

Pitch é sobre ser conciso, é a arte da edição. Você vai querer falar mais do que precisa, porque tudo parece importante. Sugiro colocar tudo no papel, mas é preciso saber fazer os cortes necessários para garantir que a mensagem principal esteja clara.

3 – Que informação não pode faltar de jeito nenhum em um pitch?

A principal informação é apresentar o problema com clareza, mostrar que você entendeu bem aquele assunto.

4 – Na sua opinião, qual a melhor maneira de se preparar e controlar o nervosismo na hora da apresentação?

Eu gosto de ter a apresentação na ponta da língua, bem treinada. Não só o conteúdo, mas o ritmo, as pausas. Quando eu faço a apresentação sem improviso, me sinto mais confiante. Eu me inspirei em fazer desse jeito depois que li que o Steve Jobs e o Malcolm Gladwell (jornalista e escritor britânico) faziam apresentações com o conteúdo decorado.


Lucas Foster

Criador do Project Hub – rede que conecta startups e projetos a marcas de todo o mundo

1 – Como foi seu primeiro pitch?

Meu primeiro pitch não foi sobre a ProjectHub, mas sobre um projeto que representava menos risco ao investidor, o Creative Business Cup. O projeto tinha o apoio de organizações e parceiros que transmitiam credibilidade e segurança aos investidores. Então meu primeiro pitch foi um “treino” que tinha uma demanda de investimento menor. O investidor desse projeto veio, depois, a ser meu primeiro investidor na ProjectHub.

2 – Qual a principal dica que você daria para os jovens que estão participando de pitches agora?

Os primeiros minutos são fundamentais. Nesse tempo, o empreendedor deve falar do tamanho do novo mercado e dar referências (como reportagens em veículos renomados) para contextualizar o investidor.

Não se deve mentir ou exagerar nos números, e sim mostrar o quanto se está batalhando para aquela ideia. O investidor tem que saber que o empreendedor é comprometido e vai se esforçar ao máximo para ter retorno. Assim, abre-se um possível espaço para uma reunião, uma segunda conversa, o objetivo do pitch.

3 – Que informação não pode faltar de jeito nenhum em um pitch?

Qual é a oportunidade. O mercado que irá atuar. Qual é a sua solução. Seus diferenciais. Quem é a equipe. E o que está buscando.

4 – Na sua opinião, qual a melhor maneira de se preparar e controlar o nervosismo na hora da apresentação?

Fazer o maior número de pitches que puder. Ter atenção e refletir após o pitch, ou perguntar aos outros como melhorar. Pitch é treino.


Tonico Novaes

Criador da Campus Party, uma das maiores feiras de tecnologia, inovação, criatividade e cultura digital do mundo

1 – Como foi seu primeiro pitch?

Não sei se foi o primeiro, mas o mais importante foi há pouco mais de 10 anos, quando fui apresentar um projeto para a minha então recém-criada empresa se tornar a franquia master de um club de música eletrônica internacional e um festival europeu, ambos no Brasil.

Foi bem tenso, porque ambas as apresentações não foram no meu idioma nativo (espanhol e inglês).

2 – Qual a principal dica que você daria para os jovens que estão participando de pitches agora?

Ensaio, preparação, estudo e muita crença no que você está apresentando! Procure debater com pessoas que não acreditam no seu projeto, pois elas sim vão te fazer questionamentos pertinentes.

As pessoas que duvidam de você e/ou do seu projeto são as que mais te desafiarão a estudar e a descobrir todas as possibilidades que existem de seu projeto dar errado. A crítica fortalece e o elogio relaxa e enfraquece.

3 – Que informação não pode faltar de jeito nenhum em um pitch?

Nenhuma informação pode faltar. Se conseguirem te fazer dez perguntas e você responder nove com maestria, mas gaguejar em uma, será dessa uma que todos lembrarão.

4 – Na sua opinião, qual a melhor maneira de se preparar e controlar o nervosismo na hora da apresentação?

Apenas a maturidade pode fazer você espantar o nervosismo. Você só estará maduro para uma situação depois de passar por ela algumas vezes e até tomar alguns tombos. Mas se você ainda não passou por nenhuma situação semelhante e está se preparando para um pitch, a melhor dica é ensaiar muito. Ensaie dez vezes, 15 vezes, com públicos e audiências diferentes. Use seus familiares, amigos e professores como audiência de treino. Não deixe, em hipótese alguma, essa primeira apresentação ser, de fato, o seu momento de debutante em um pitch.




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