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8 de agosto de 2018

Saladorama propõe alimentação saudável a um valor acessível para moradores de regiões periféricas do Brasil

Na hora do almoço, é prática comum dos moradores de grandes cidades brasileiras optarem por um serviço de entrega de comida para ganhar tempo. Imaginefazer o pedido e receber uma salada orgânica personalizada, com preços acessíveis e preparada por moradores da própria comunidade onde o alimento é produzido?

Essa é a proposta do Saladorama, um negócio de impacto social idealizado pelo engenheiro Hamilton Henrique, de 30 anos, com o intuito de democratizar o acesso à alimentação saudável e ao mesmo tempo ser uma fonte de renda para moradores da periferia.

A ideia do negócio nasceu há três anos, mas o olhar para o empreendedorismo social veio muito antes por influência da família.

Criado na comunidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, Hamilton conta que a mãe tinha o hábito de levar sanduíches e suco de caju para moradores de rua, aos finais de semana. “Toda vez que minha mãe voltava na praça uma das crianças havia sumido, até que um dia ela decidiu alugar uma casa e abrigar todos aqueles meninos”, diz. Foi assim que Hamilton, que já tinha três irmãos biológicos, ganhou outros 18 de uma só vez.

Hamilton Henrique, criador do Saladorama que propõe delivery de salada, aparece com uma caixa de papelão à sua frente

 

A perspectiva de realizar algo com impacto social tomou forma após o empreendedor conseguir um emprego em um espaço colaborativo no Rio de Janeiro. Foi lá que o empreendedor teve seu primeiro contato com uma alimentação mais saudável e bem diferente do que estava acostumado a consumir. “Eu estava esperando hambúrguer e sushi porque achava que a melhor comida era aquela que eu não podia pagar. Para minha surpresa, tinha empadão de legumes e lasanha de berinjela no almoço”, conta rindo.

 

A surpresa inicial se transformou em um objetivo: tornar a comida saudável e equilibrada acessível para sua comunidade. Nascia assim uma ideia de negócio próprio e sustentável, o Saladorama, que além do serviço de entrega de saladas, oferece palestras gratuitas de conscientização sobre alimentação saudável.

 

Saladorama: sustentável e colaborativo

Como primeiro passo, Hamilton estudou a logística de entrega de produtos na comunidade. “Percebi que para o alimento chegar até à mesa das pessoas tinha que passar por, no mínimo, três fornecedores, o que encarecia o produto final. Então, começamos a atuarincentivando o plantio de alimentos orgânicos dentro da própria comunidade”, explica.

Resolvida a questão do fornecimento de alimentos, a próxima etapa foi definir quem seriam os funcionários da empresa. Surgiu a ideia de contratar mulheres com filhos em busca de trabalho com vagas no mesmo horário de funcionamento das creches. “Além de proporcionar autonomia e independência para essas mães, oferecemos também um curso básico de capacitação para aprenderem como preparar saladas e sucos para serem comercializados”, diz.

O treinamento foi feito pela nutricionista e sócia do Saladorama, Mariana Fernandes. A nutricionista foi apresentada a Hamilton por um amigo em comum e logo se encantou pelo projeto. O Saladorama ainda conta com uma terceira sócia, Maria Isabela Ribeiro, especialista em comunicação, que o engenheiro conheceu em um evento em São Paulo.

Caixas de papelão com verduras do Saladorama que propõe delivery de salada, aparece com uma caixa de papelão à sua frente

 

Para completar a cadeia colaborativa, o empreendedor teve a ideia de personalizar as embalagens, feitas com produtos reciclados, com poemas e desenhos de artistas locais, que ganham R$ 1,00 para cada produto vendido, e aindatêm a oportunidade de verem sua arte valorizada.

O modelo de negócios deu tão certo que o Saladorama se tornou uma franquia social e hoje já está presente em seis Estados brasileiros. Segundo Hamilton, o próximo objetivo é transformá-lo em um case nacional e internacional de políticas públicas em prol de alimentação saudável e acessível.

Alimentação saudável não é um privilégio, mas um direito que ultrapassa todas as classes sociais. E para o morador da periferia é muito importante saber que ele pode consumir o mesmo alimento que uma pessoa famosa consome, por exemplo, e cuidar da própria saúde”, conclui.

 

Saladorama em números

– 400 mil pessoas impactadas entre consumidoras das saladas vendidas, artistas contemplados e palestras de conscientização sobre alimentação saudável

– Presente em 6 Estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Santa Catarina

– 550 toneladas de orgânicos de agricultura familiar consumidos

– R$ 2 milhões é a expectativa de faturamento em 2018



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