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22 de fevereiro de 2017

Projeto da Fundação Telefônica Vivo com escolas técnicas de SP insere adolescentes no empreendedorismo social.

Eles estudam em grandes periferias, conhecem os problemas e potenciais de seus bairros e pensam grande: querem empreender, usar a tecnologia e o conhecimento para construir projetos de carreira e futuro. Tem, por exemplo, o jovem idealizador de uma plataforma para falar de política de um jeito mais accessível e um grupo cujo projeto é, justamente, ouvir a ideia de adolescentes como eles, criando uma rede social para fortalecer empreendimentos juvenis.

Esses são exemplos de alguns dos jovens participantes do último encontro das oficinas realizadas pelo Pense Grande nas ETECs (Escolas Técnicas Estaduais)de São Paulo.

O projeto da Fundação Telefônica Vivo, focado em empreendedorismo social na juventude, desenvolveu em 2016 uma iniciativa voltada para instituições de ensino, em parceria com o Centro Paula Souza. Foram 5 ETECs escolhidas:  ETEC PiritubaETEC Zona LesteETEC Parque BelémETEC Uirapuru, na Grande SP,e ETEC Benedito Storani, em Jundiaí, no interior. As oficinas aconteceram com o apoio do Impact Hub São Paulo.

Para que fosse possível trabalhar com as escolas, houve uma grande adaptação da metodologia do programa alinhada com os professores e direçãode cada ETEC para sensibilizar os alunos e despertar o interesse pelo programa. Os estudantes que mostraram interesse participaram de um evento de aproximação com o tema e puderam se inscrever nas oficinas.

Para Petrina, foi importante fazer os adolescentes perceberem que, mais do que possíveis empreendedores do futuro, eles já têm dentro deles um espírito empreendedor no presente. “Para um aluno de uma ETEC fazer aula, ele acorda às cinco horas da manhã e volta para casa às oito horas da noite. Se ver tantas disciplinas e passar por dificuldades de transporte e logística não é ter uma atitude empreendedora, eu não sei o que é”, observa a gestora.

Também foi fundamental que conseguissem olhar para suas próprias comunidades enquanto idealizavam projetos. “No início, eles olhavam seu entorno com a lente do problema e com o tempo enxergaram desafios e oportunidades. Nós os ajudamos a perceberem as potencialidades dos locais onde vivem, a terem empatia por sua comunidade, criando soluções a partir de uma realidade conhecida”, relata Petrina.

Este último encontro dos grupos das cinco ETECs, proporcionou a integração entre os jovens antes da apresentação de seus pitchs, apresentações de até cinco minutos para mostrar um projeto a potenciais investidores. Metade do dia foi dedicada ao aprimoramento de seus projetos, com orientação dos facilitadores sobre como tornar atraente e vender bem uma ideia. A outra metade foi usada para apresentarem uma prévia dos pitchs aos colegas, trocando dicas em um momento de descontração e críticas construtivas: enquanto alguns recebiam elogiospela desenvoltura, outros ouviam dicas de postura e articulação das falas.

Os projetos criados pelos adolescentes tinham que fazer sentido para suas vidas, constataram os facilitadores. Esse foi o caso de Felipe Bispo de Jesus, de 16 anos. Na visão dele, as oficinas do Pense Grande oferecem um aprendizado interativo, diferente do ambiente escolar tradicional. “Aqui, o que estudamos tem aplicação para a vida real”. O projeto do grupo de Felipe é o “Politicando”, um canal que visa informar a população sobre conceitos de política. Para isso, eles irão atuar em duas frentes: um site, onde especialistas irão destrinchar assuntos de maneira acessível ao público, e eventos na periferia, para tornar as discussões mais próximas da sociedade e da comunidade em que vivem.

Letícia Zanichelli, de 15 anos, apostou na inovação, transformando um problema cotidiano em uma solução de impacto social. Com bastante dificuldade em escolher roupas para sair, ela teve a ideia de criar o aplicativo “Proache”, que funciona como um guarda-roupavirtuale rede social para que pessoas possam ajudar a montar looks. Foi dentro das oficinas que ela enxergou o potencial social de sua ideia, já que a mesma rede poderia ser utilizada para doação de roupas. “Tem sido uma experiência incrível me cercar de outros adolescentes que pensam em como impactar a sociedade. Sinto que tenho crescido bastante, e também que posso ser quem eu sou de verdade, o que não acontece em muitos espaços de aprendizado”, conta a adolescente.

Outros encontros

Cada uma das cinco ETECs vem realizando oficinas presenciais do Pense Grande duas vezes por semana. Aproximadamente 30 alunos participaram de dinâmicas criadas especialmente para as escolas, respeitando a agenda específica de professores e estudantes.

Foram 20 oficinas presenciais e também formações pela internet, por meio de hangouts e webinars. A ideia era difundir a cultura empreendedora social por meio não somente de vivências e transmissão de conhecimento, mas também com o desenvolvimento prático de um projeto que tivesse a ver com o entorno dos grupos participantes.

Durante as oficinas, os alunos foram apresentados a conceitos de empreendedorismo que os ajudassem a materializar seus projetos. Eles tiveram aulas de como fazer testes de fumaça, que são pequenas provas de que o projeto funciona e apresentação para potenciais clientes. Também aprenderam exercícios vocais e de respiração para controlar a ansiedade na hora de apresentar seus pitchs. Por fim, tiveram a oportunidade de fazer pesquisas de campo para coletar dados e entender se seus projetos realmente atendiam o público alvo.

Os estudantes visitaram o Fab Lab Livro SP, espaço gratuito de inovação da prefeitura de São Paulo, e a Wayra Brasil, aceleradora de startups digitais do Grupo Telefônica Vivo.



 

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