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Na imagem, o jovem empreendedor Maickson Serrão posa sorrindo, usando cocar e pintura característica de povos indígenas

Ex-Pense Grande, Maickson Serrão acredita no empreendedorismo para transformar a vida de quem vive nas comunidades das margens do Rio Tapajós, no Pará

Noventa quilômetros e dez horas de barco separam Vila de Boim, no Pará, da cidade de Santarém, o centro comercial mais próximo. Localizada na margem esquerda do Rio Tapajós, a comunidade tem apenas três horas de energia por dia, das 19h30 às 22h30, e abriga cerca de dois mil moradores que vivem da pesca e da agricultura e têm em comum a vontade de constituir família e ter um trabalho de subsistência.

No entanto, para Maickson dos Santos Serrão, de 26 anos, a vida deve ter opções de caminhos a serem seguidos. “Eu quero que os jovens tenham oportunidades de escolha. Se quiserem trabalhar e constituir família cedo, tudo bem, mas que saibam que podem sonhar e correr atrás do que desejam”, diz, com a firmeza de quem sabe o que está falando.

Apesar da pouca idade, Maickson já é um exemplo para a juventude ribeirinha. A vida do garoto tímido de fala mansa começou a se transformar aos 14 anos, quando começou a se envolver com a ONG Saúde e Alegria, apoiada pela Fundação Telefônica Vivo e que atua em prol do desenvolvimento territorial, protagonismo juvenil e criação de mídias comunitárias.

Lá, Maickson aprendeu, junto com outros adolescentes, a fazer um jornal e um programa de rádio, o primeiro da comunidade, exibido para todos pelos altos falantes de um poste da região. Foi nessa época que o garoto passou a nutrir um grande sonho: ter acesso à internet.

Para isso, precisou se engajar na luta por um Telecentro, como acontecia nas comunidades mais próximas. “Eu participava de reuniões comunitárias todos os dias e dedicava quase todo o meu tempo atuando no grupo de jovens, no jornal e na rádio. As pessoas me viam como uma espécie de multiplicador”, relembra.

O Telecentro veio em 2008, com a instalação de uma antena via satélite, placas e baterias de energia solar e quatro notebooks. Mais do que a realização de um sonho, foi a primeira vez que Maickson ganhava o mundo. “O rio nos impedia de ter qualquer contato com a cidade, mas ali, com internet e redes sociais, eu tive a oportunidade de me conectar com outros lugares e outras vidas. A sensação é indescritível”.

A internet o apoiou de muitas maneiras. Ao mesmo tempo em que buscava conhecimento, promovia oficinas para compartilhar o que descobria com professores e jovens de Vila de Boim, sempre buscando melhorar o ensino da região, precário por falta de profissionais dispostos a atravessarem o rio para dar aulas.

Outros tantos sonhos

A dedicação aos estudos fez com que o jovem fosse aprovado em duas universidades públicas em educação física. Assim, em 2011, mudou-se para Santarém para começar os estudos. Três anos depois, durante a participação de uma oficina de empreendedorismo, Maickson descobriu um novo sonho para chamar de seu: ter o próprio negócio.

“Eu me encantei com esse universo que traz novos desafios todos os dias e, ao mesmo tempo, deixa livre para escolher aquilo que você realmente deseja”. E como Maickson é do tipo que arregaça as mangas, criou, junto com outro jovem ribeirinho Taissir Carvalho, a plataforma Embarcar, que fornece informações diversas sobre os transportes rodoviários da Amazônia. Os jovens foram selecionados para participar do Pense Grande Incubação.

O que é o Pense Grande Incubação?

Eixo do programa Pense Grande voltado para jovens que querem mudar sua realidade, transformando boas ideias em prática, seja com a criação de um negócio, uma iniciativa e até mesmo a manutenção de uma organização social já em funcionamento.

Durante o Pense Grande Incubação, são oferecidos encontros presenciais e assessoria com representantes, além de capacitações, bate-papo com empreendedores, orientações de mentores e apoio financeiro.

O processo seletivo é feito anualmente e busca fomentar a resolução de necessidades da comunidade utilizando a tecnologia digital.

Saiba mais em pensegrande.org.br/participe

Na imagem, o jovem empreendedor Maickson Serrão posa sorrindo

“O processo que eu vivi ali no Embarcar foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Colocar a mão na massa, correr atrás para fazer acontecer seu próprio negócio passou a ser meu projeto de vida. É isso que eu vou fazer”, declara o jovem, que acabou se mudando para Manaus e saindo da empresa para se dedicar a novos desafios.

Recentemente, entrou para o ProLíder, um programa criado pelo Instituto Four para apoiar lideranças jovens dispostas a discutir e mudar o atual cenário brasileiro. Uma de suas tarefas é criar um novo negócio até novembro. Ele ainda não sabe bem o que fazer, mas tem certeza de que será algo pela sua comunidade.  “Eu quero ser uma referência para aquela juventude ribeirinha, deixar um legado para o lugar de onde eu vim e eu devo isso ao meu povo”, diz, com convicção.

Enquanto trabalha para desenhar um negócio, Maickson passa os dias cursando jornalismo em uma faculdade de Manaus, outro de seus sonhos realizados. “Eu nem sei se vou exercer a profissão, mas conhecimento nunca é demais, não é? ”. Logo, ele garante, vai alcançar outro objetivo: ser fluente em inglês. E, assim, de conquista em conquista, o jovem segue sua luta.

Quando perguntado sobre a maior lição que pode deixar para outros jovens, ele usa a palavra acreditar. “Eu acho que todo mundo tem competências empreendedoras e de liderança dentro de si. Em algumas pessoas elas só são mais estimuladas. Por isso, se você quer alguma coisa, acredite que é possível e corra atrás”.

julho 20th, 2018

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Ana Clara, Isabelle e Ana Beatriz, meninas que começaram a pesquisa sobre cabelo e autoestima, aparecem em sequência, sorrindo na foto

Você já ouviu alguma piada preconceituosa sobre o seu tipo de cabelo? Já presenciou ou mesmo já praticou esse tipo de ação com alguma colega? Essas são algumas das perguntas feitas no questionário desenvolvido por três jovens estudantes do 7º ano da escola estadual E.E. Leila Mara Avelino, em Sumaré, no interior de São Paulo, e que resultaram em um estudo de caso sobre cabelo, autoestima e racismo.

Motivadas a investigar por que a maioria das meninas negras que conheciam alisava o cabelo quimicamente, Isabelle Ribeiro (14), Ana Clara da Silva Rocha (14) e Ana Beatriz Maluf (13), decidiram aplicar um questionário na escola em que estudam e transformar as respostas obtidas em um estudo de caso: Cabelo, autoestima e construção da identidade da menina negra no Ensino Fundamental II.

A inspiração veio a partir das aulas de História da professora Eliana Cristo de Oliveira, que hoje é também a orientadora do projeto e que sempre incentivou debates sobre racismo estrutural, desdobramentos da herança da escravidão, além de falar sobre aspectos culturais afro-brasileiros.

Durante uma dessas discussões, as alunas se questionaram sobre o que estava por trás da autoestima dos negros dentro do ambiente escolar no qual conviviam.  “Tivemos um caso de uma estudante que saiu da escola por conta de piadas feitas em relação ao seu cabelo. Essa foi uma história central para nortear o trabalho das meninas”, relata Eliana.

Outro fator determinante para elaborar o estudo foi uma visita da turma à FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), em 2017. O evento é promovido pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), e seleciona estudantes de todo Brasil para desenvolverem projetos científicos.

Em 2018, a pesquisa Cabelo e Autoestima foi inscrita e se classificou entre os 346 projetos finalistas, de 2.235 projetos enviados, durante apresentação na feira. A partir disso, foram estabelecidas as diretrizes para definir melhor o formato e aplicar o estudo.

Dados e Conclusões

Uma vez definida a metodologia, as perguntas do questionário, montado sob orientação da educadora Eliana, foram aplicadas aos 327 alunos da escola. O resultado intrigou as pesquisadoras em um primeiro momento. Apenas 29% relataram terem sido vítimas de comentários em relação a seus cabelos e quase 11% sequer responderam à questão.

Contudo, ao analisarem as respostas dos alunos sobre piadas em relação a outros colegas, houve uma mudança no resultado: 18% relataram que sempre presenciaram comentários discriminatórios e 60,5% declararam terem presenciado esse tipo de comportamento algumas vezes. Somente  18,5% dos alunos negaram a existência de comentários pejorativos.

“A gente observou nos resultados que a maioria deles declarava perceber o racismo, mas não participar ou sofrer diretamente com ele. Esse foi o nosso ponto de partida: algo estava errado. Será que eles, na verdade, tinham medo de falar que sofreram racismo, por medo de sofrer ainda mais? Será que as pessoas que praticam não querem falar por vergonha?”, conta Ana Beatriz Maluf.

Desdobramentos

Para aprofundar as questões abordadas ao longo do desenvolvimento da pesquisa e como forma de apoio, foi criado o clube estudantil Naturalmente Cacheada. Inicialmente, 27 meninas se reuniram para dar continuidade ao debate sobre autoestima, no entanto, houve pouca adesão entre negras e cacheadas.

Imagem mostra grupo de meninas e meninos do clube Naturalmente Cacheada posando sentados e em pé

Esse fator funcionou como indicador de um dos principais problemas a serem trabalhados: a questão do reconhecimento de identidade. Isso foi comprovado por meio de um novo questionário, voltado somente para as meninas negras, com perguntas mais específicas sobre os motivos pelos quais optaram por terem cabelos lisos.

O Naturalmente Cacheada mantém a autoestima e o empoderamento como foco e busca engajar alunos de fora do coletivo com saraus, visitas a casas de cultura, palestra com personalidades, entre outras atividades. O clube já conta com 37 alunos e coleciona histórias de meninas que estão em constante redescobrimento, abandonam o alisamento químico e vão além, ao questionar seu papel na sociedade e na mídia.

A E.E. Leila Mara Avelino conta com um sistema de ensino que facilitou a disseminação do Naturalmente Cacheada. Diferente da estrutura tradicional das escolas estaduais, há para além do currículo básico um currículo especial que engloba outras disciplinas.“Temos uma disciplina chamada Protagonismo Juvenil, com objetivo de trabalhar com o engajamento do jovem na comunidade, programas locais e deixá-los à frente dentro da sua própria formação e atuação na sociedade”, explica Eliana. “Existe a possibilidade de esses jovens criarem os clubes juvenis, os alunos escolhem uma temática para debater ao longo do ano”.

julho 16th, 2018

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Encontro entre ETECs e Fatecs reuniu 450 alunos do Programa Pense Grande

Encontro entre 30 ETECs e Fatecs reuniu 450 alunos que integram o Programa Pense Grande

Promover conexão, estimular a troca de experiências e estreitar o diálogo sobre empreendedorismo foram os objetivos do Encontro Empreendedor entre ETECs e Fatecs parceiras do Pense Grande, programa da Fundação Telefônica Vivo de difusão do empreendedorismo de impacto social com o uso de tecnologias digitais.

Os eventos tiveram a participação de cerca de 450 alunos, de cerca de 30 escolas e faculdades técnicas, que apresentaram seus projetos, falaram sobre os desafios de criar um negócio sustentável e conheceram histórias inspiradoras de empreendedores

Foi o caso de José Carlos Lima, de 46 anos, que além de empreendedor é também estudante da Fatec de Itaquera. Ele apresentou aos alunos o Projeto Granja, que transforma resíduos orgânicos em ração para aves que são criadas em casa. Em um bate-papo que aconteceu na ETEC Professor Horário Augusto da Silveira, que fica na zona norte de São Paulo, ele tirou dúvidas e construiu um mini viveiro com a ajuda dos participantes.

“Foi gratificante saber que um projeto aparentemente simples, como o meu, despertou tanto interesse na rapaziada mais jovem. Eles nem imaginavam que era possível a criação de aves dentro de pequenos espaços na cidade grande”, conta.

Para ele, encontros como estes são ótimas oportunidades para intercâmbio de experiências. “Juntos a gente descobre como usar melhor os recursos, além de aliar o conhecimento que já temos com os conhecimentos das novas tecnologias que essa moçada nova traz. Foi muito bom”, avalia.

 

Exposição e feedbacks

Programa Pense Grande reuniu 450 alunos de ETECs e Fatecs

Não faltou oportunidade para que os alunos mostrassem seus projetos aos demais participantes do encontro. Em um pitch, o jovem Lucas Henrique Maluf, de 15 anos, apresentou a Impex, solução voltada para pessoas tetraplégicas e paraplégicas. “Pesquisamos um sensor que recebe comando neural. A nossa ideia é criar uma roupa específica feita de cobre com esse sensor, permitindo que o usuário consiga fazer diversos movimentos”, explica.

Já o desenvolvimento sustentável foi o foco do grupo do jovem José Eduardo, da ETEC do Professor Camargo Aranha, Sâo Paulo. “Nossa ideia é fazer um aplicativo para centralizar todas as informações sobre os políticos. O usuário terá uma visão geral do que esse político fez e o que planeja fazer em seu mandato caso seja eleito”. A intenção do grupo é também desenvolver uma árvore genealógica dos políticos para identificar se há parentes no governo.

 

Inspiração e aprendizado

O sonho de empreender parece mais palpável quando se ouve histórias de sucesso e motivação. No encontro ocorrido na ETEC Bartolomeu da Silva, em Santana do Parnaíba (SP), os alunos conheceram a luta do artista plástico Elcio Torres para promover impacto em uma comunidade da zona leste de São Paulo.

Com o projeto Ateliê Azu, ele cria e instala cerâmicas feitas de azulejos que ressignificam espaços urbanos deteriorados. “Convidei os moradores para pintar os azulejos e colocar na escadaria da comunidade. Isso desperta a sensação de pertencimento”, descreve Torres.

 

Leandro Araújo, um dos jovens inspiradores do Programa Pense Grande, é da equipe do Ateliê Azul. Saiba mais sobre a história dele aqui.

 

Já o encontro promovido na ETEC Júlio de Mesquita, de Santo André, na Grande São Paulo, trouxe a história de Rafael Câmera, fundador da Pandora Lab, startup criada para incentivar e expandir a cultura maker no Brasil através da produção de conteúdo com dicas de programação, soldagem e kits de eletrônica. “Qualquer pessoa pode baixar o nosso conteúdo e começar a fazer várias coisas de tecnologia em casa sozinho”, explicou aos ouvintes atentos.

Um dos alunos participantes, Felipe Amorim, da ETEC Júlio de Mesquita, em São Paulo, ressaltou que a importância da troca de ideias com outros integrantes do Pense Grande. “Foi muito bom conversar com quem está fazendo o mesmo processo, falamos sobre as metodologias e como cada um pode melhorar o seu projeto”, destacou.

julho 5th, 2018

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Grupo de pessoas posa com camisetas da marca Moko

A Moko trabalha as estampas em conjunto com instituições para gerar receita e propagar causas sociais

 Na indústria da moda é comum falar sobre caimento, o tecido e a qualidade do produto final. No entanto a Moko, marca curitibana tem uma preocupação a mais: estampar histórias e causas em camisetas a fim de oferecer impacto social como principal diferencial.

A marca, lançada oficialmente em 2015, sempre objetivou atuar em múltiplas frentes e se organiza no atendimento de três pilares de desenvolvimento social: instituições, comunidades e pequenos negócios locais. O nome Moko inclusive reforça a diversidade, já que significa dois em tupi-guarani.

“As camisetas são simplesmente um meio. A chave é saber que quando compro esse produto, promovo uma causa”, diz o idealizador Fernando Kuwahara (33), que a partir de sua experiência com o marketing formal decidiu ressignificar o conceito em prol do desenvolvimento social.

Inicialmente, as coleções enfocavam a criatividade e a inclusão. Eram realizadas oficinas com as ONG’s e as crianças desenhavam as estampas, transformadas pelos designers em camisetas estilizadas. Cada peça vendida era revertida em doação para a instituição.

Ao longo do processo, porém, Fernando e o sócio responsável pelo jurídico, Eduardo Gonçalves (33), perceberam que era necessário avançar e, além de gerar impacto social, obter recurso financeiro de forma mais sustentável. “O maior desafio dessas organizações ainda é gerar receita financeira para não depender só de verba pública”, enfatiza Fernando.

 

Uma iniciativa sustentável

Seguindo nessa linha estratégica e com a experiência adquirida ao longo de três anos de existência, a Moko expandiu para o Projeto Dois, uma nova iniciativa com a missão de criar esse vínculo multiplicador de recursos.

A diferença para o modelo de negócios da coleção inicial é que os parceiros passaram a pagar por um pacote fechado, já considerando todos os custos. Neste modelo, há um aporte inicial investido por empresas privadas para garantir o processo produtivo. A remuneração dos designers, dos artistas parceiros, a qualidade do tecido, tudo é incluído no valor que será usado para lançar o primeiro lote da coleção. Com as vendas, o lucro é revertido para a ONG e a receita volta para produção de novos lotes.

O trabalho e o tipo de campanha desenvolvido entre marca, empresas e ONGs não segue uma regra geral, flui de maneira orgânica pela demanda de cada uma. “A gente se conecta com a ONG, entende qual é o trabalho que ela desenvolve e, a partir disso, afunila todos esses conceitos para chegar a um caminho criativo que consiga contar melhor essa história”, diz Kuwahara.

A coleção mais recente, Elas no Poder, é uma parceria da Renault com um programa de menores aprendizes, e defende o empoderamento feminino, mostrando através das camisetas que profissão de menina é a que ela quiser.

 

O desafio de comunicar a marca

 A expansão do que começou com apenas um projeto continua gerando ciclos positivos e já resulta em sete eixos paralelos. Hoje, a Moko passa por um processo de transição e busca uma nova estrutura para contar melhor as histórias e fortalecer as vendas e divulgação em meios digitais.

Recentemente foi inaugurado o Espaço Moko que além de escalar as vendas para o varejo, ajuda a fazer o público consumidor alcançar as histórias para além das estampas estilosas. A loja no Shopping Estação, em Curitiba, é colaborativa e abriga outras vinte marcas de pequeno porte. O contato físico para divulgar a marca é muito mais efetivo em termos de engajamento, segundo Fernando Kuwahara. O desafio agora é comunicar o impacto global proposto pela marca nas diferentes plataformas.

julho 2nd, 2018

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Na imagem, o taxista Carlos Careca lê um livro em frente ao seu táxi, batizado de bibliotáxi

Além de espalhar cultura, Carlos “Careca” também é conhecido por suas ações em prol do meio ambiente na capital cearense

Taxista, surfista, catador de lixo de praia, inventor de brinquedos recicláveis, artista plástico, professor voluntário de sustentabilidade, escultor de areia, ativista da leitura e da cultura. Tudo o que faz o cearense Francisco Carlos da Silva, 57, não cabe num texto. Figurinha conhecida pelos moradores de Fortaleza, ele agora vem chamando a atenção do resto do Brasil por um projeto para lá de criativo: o bibliotáxi.

“Disseram que já me conhecem em mais de 150 países. Rapaz, eu nem sabia que existia essa quantidade de países no mundo!”, diz, com o bom humor que é marca registrada. O bibliotáxi é uma ideia simples, mas poderosa. No porta-malas de seu táxi, Carlos “Careca”, como é conhecido, tem mais de 100 títulos de livros, de ficção a biografias e livros infantis.

O objetivo é doá-los aos seus passageiros, uma forma de incentivar a leitura e oferecer um serviço diferenciado. Na contracapa dos livros, um adesivo com seu contato faz as vezes de cartão.  “Eu tenho que fidelizar meus clientes de alguma maneira. Mais do que ter um carro impecável e usar terno, o meu diferencial é valorizar a cultura”, explica.

A ideia surgiu há dois anos, quando Careca viu um morador de bairro nobre de Fortaleza jogar fora uma caixa inteira de livros. Ele não teve dúvidas: passou a mão no descarte e organizou tudo em seu porta-malas.

E não é que deu certo! Dos cerca de dez passageiros que atende por dia, metade liga novamente, não raro com livros na mão para retribuir a doação.

 

Uma viagem diferente

O curioso é que foi graças ao bibliotáxi que Careca descobriu o gosto pela leitura. Nascido e criado na Praia de Iracema, nunca teve o hábito de ler. Mas tudo mudou quando descobriu, entre as doações, o livro No Ar Rarefeito, do jornalista e alpinista Jon Krakauer, que narra os desafios de uma escalada ao Monte Everest.

“Foi quando finalmente entendi aquela frase de que quem lê viaja sem sair do lugar. Fiquei tão envolvido com os detalhes que me transportei para aquele gelo todo”, relembra. O fim do livro ele nunca soube, já que doou para um passageiro que se interessou pela história.

 

Um artesão inusitado

Como um verdadeiro ativista do meio ambiente, Careca também dá lições de sustentabilidade às crianças de uma escola perto de sua casa, além de ministrar oficinas de construção de brinquedos recicláveis. Ele também confecciona fantasias de Carnaval com materiais que encontra no lixo.

Como se não bastante, e motivado pela criatividade que não lhe falta, Careca decidiu que em 2018 faria algo impactante pelo meio ambiente. Recorreu à sua habilidade manual para esculpir, na areia, uma tartaruga Aruanã, tipo comum no Ceará que está ameaçada de extinção.

 

Na imagem, a escultura de 8 metros de comprimento, 2 metros de altura e 3,5 metros de largura foi feita em janeiro, e conta com 500 garrafas de vidro, que iam para o lixo. É uma tartaruga Aruanã, tipo comum no Ceará que está ameaçada de extinção

A escultura de 8 metros de comprimento, 2 metros de altura e 3,5 metros de largura foi feita em janeiro, e conta com 500 garrafas de vidro, que iam para o lixo.

 

E assim, entre uma invenção e outra, Careca segue em sua luta. Para resumir sua filosofia de vida, ele apela de novo para o bom humor: “Eu percebi muito cedo que a vida é muito dura para quem é mole e difícil para quem é fácil”, brinca. “Por isso, eu preferi inventar uma metodologia diferente de vida e assim levo meus dias”.

junho 28th, 2018

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Jovem do Pense Grande desenvolveu aplicativo para facilitar o transporte público e a locomoção de pessoas em São Paulo

Participante do Pense Grande , Vinicius Tavares Iunes, do 3°ano de Eletrônica da ETEC Júlio de Mesquita, conquistou o terceiro lugar no 2º  Hackathon Belas Artes, no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo, que trouxe um desafio sobre mobilidade urbana. Cerca de 100 jovens do Ensino Médio participaram do evento e desenvolveram soluções inovadoras sobre o tema.

O projeto de Vinicius, de 17 anos, foi um app de mobilidade urbana, chamado Muve, para facilitar o transporte público e a locomoção de pessoas em São Paulo. O app possui um sistema de crowdsourcing e gamificação entre os usuários, que de forma colaborativa ajudam a traçar as melhores rotas para chegar ao destino solicitado.

Os participantes tiveram 1 hora e meia para desenvolver a ideia do projeto, o nome e um vídeo de apresentação. Apesar do pouco tempo, Vinicius disse que não encontrou dificuldades, pois já havia feito atividades semelhantes no Pense Grande, programa da Fundação Telefônica Vivo que visa difundir a cultura do empreendedorismo de impacto social com tecnologia digital a jovens brasileiros.

A palavra Hackathon vem da junção de duas outras palavras em inglês: “hack”, que significa programar com excelência, e “marathon”, de maratona. Traduzindo o conceito para o português, Hackathon é uma maratona de programação, que pode durar horas ou dias, com o objetivo de promover o trabalho em equipe, a investigação e a solução de um problema proposto.

“A diferença foi apenas o tema: no Pense Grande, abordamos os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU). Na Belas Artes, falamos sobre as Inteligências para melhorar a Mobilidade Urbana”, disse o participante.

Para desenvolver a ideia no Hackathon, Vinícius utilizou a metodologia Canvas – Modelo de Negócio. “Muita coisa que eles pediram já tinha feito durante as oficinas do Pense Grande. Ter feito o Canvas me ajudou a pensar mais rápido e a identificar o que estava certo ou não no projeto, além de já ter experiência com o picth”, comenta Vinícius.

 

Premiação

Imagem mostra Victor Favaro, Vinicius Iunes e integrante do 2º Hackathon Belas Artes, no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo, que trouxe um desafio sobre mobilidade urbana. Jovem do Pense Grande desenvolveu app de mobilidade

De camiseta branca, Vinícius posa ao lado de companheiro de equipe Victor Favaro e de integrante do Hackathon.

 

Pelo terceiro lugar, cada estudante ganhou um curso livre na Belas Artes, no valor de R$ 1 mil, além de uma sessão de coaching, voltado para a orientação educacional. Caso queira estudar na faculdade, o vencedor também ganha 50% de desconto na matrícula.

 

Pense Grande

No Pense Grande, Vinicius está desenvolvendo o projeto Go Bike, relacionado com o ODS Cidades e Comunidades Sustentáveis. O aplicativo contém mapeamento de ciclovias, com o objetivo de auxiliar o ciclista no dia a dia.

“Percebi que os dois projetos estão muito ligados. A diferença é que o Go Bike está mais avançado e vamos começar a prototipação nas oficinas. Já o Muve foi uma ideia que surgiu no Hackaton”, comentou.

Para Vinicius, a experiência com o Pense Grande não colaborou apenas no evento, mas o ensinou a estruturar ideias, de maneira geral. “Agora sei olhar para uma situação e fazer uma análise real, ver os pontos fracos e os pontos fortes. Isso pode ser aplicado a tudo. Vou levar essa experiência para toda a vida e quero colocar no meu currículo que participei do Pense Grande”, celebrou.

junho 28th, 2018

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Na imagem aparece Bernardo Krebs, Felipe Techio e Fernando Potrick, que criam a plataforma 1Bem que relação de ídolos e fãs vira ação social

Fãs que participam de campanhas de doação a organizações não governamentais concorrem a experiências únicas com seus ídolos

A startup 1Bem surgiu com o objetivo de gerar engajamento de uma forma diferente, com campanhas que unem fãs e ídolos para incentivar iniciativas e projetos sociais.

A ideia nasceu em 2016, em São Leopoldo (RS), quando os colegas Bernardo Krebs, Felipe Techio e Fernando Potrick perceberam a tendência de pessoas famosas em buscar parcerias com causas sociais e a influência disso nos fãs.

Preocupados com a sustentabilidade de organizações não governamentais (ONGs), os três decidiram, então, criar uma plataforma para lançar campanhas e reunir fundos voltados para instituições usando o engajamento afetivo dos fãs como principal motor. Este sistema foi batizado de Ciclo do Bem.

“A realização é coletiva, pois nossa equipe, a celebridade e as pessoas que contribuem com a causa se sentem realizadas por gerarem este impacto positivo”, explica Bernardo Krebs.

 

Ciclo do Bem

A estratégia é a seguinte: uma campanha é traçada para levantar doações para determinada organização, então um estudo é realizado para mapear os brasileiros conhecidos do grande público com perfis alinhados com os objetivos dos envolvidos.

“Nosso estudo foca na legitimidade, ou seja, a pessoa famosa tem que ter harmonia com a nossa filosofia e se comunicar de forma clara com o fã; na presença digital com perfis ativos em redes sociais, e, por fim, na sua disposição em contribuir”, comenta Bernardo sobre o critério de seleção dos “padrinhos”, como são chamados os famosos que topam participar.

Estando todos de acordo com o planejamento, a campanha é aberta para a participação dos fãs, que podem contribuir com doações a partir de R$ 5,00 e concorrer a prêmios, que podem ser um jantar com seu ídolo, por exemplo, um passeio ou até mesmo um dia compartilhando a rotina com o famoso.

Uma das maiores preocupações do projeto é manter a transparência em relação aos procedimentos envolvidos nessa interação entre as partes. O sorteio dos prêmios, por exemplo, é gravado e realizado através de uma ferramenta que todos os interessados podem ter acesso. Além disso, a 1Bem analisa todos os dados relacionados às contribuições e acompanha junto à organização beneficiada o destino das doações.

“Há muita desconfiança sobre este tema, principalmente em relação ao destino de verbas. Então isto nos guia para atuar de forma transparente e confiável em todas as etapas do processo”, conta Bernardo. O sócio explica que 18% do arrecado nas campanhas é destinado para investimentos na plataforma.

A divulgação das campanhas é via redes sociais e outros canais de comunicação que variam de acordo com o plano de comunicação e assessoria montada para cada projeto. Mas a intenção é estender o alcance dos relacionamentos até empresas que apoiem causas semelhantes, oferecendo em troca mais valor simbólico em seus produtos para os consumidores.

Desde o início do projeto já foram realizadas três campanhas, e mais quatro devem acontecer ainda este ano. A campanha realizada com o goleiro do Grêmio Marcelo Grohe superou a meta, e é um bom exemplo de como o Ciclo do Bem funciona:

 

 

junho 14th, 2018

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Idealizado por duas paulistanas, a produção feita por financiamento coletivo traz novo olhar sobre o que é transformação social

Quem são as pessoas que transformam o mundo? A partir dessa questão central e da inquietação de duas jovens uma do Capão Redondo e outra do Grajaú, em São Paulo, o projeto documental Visionários da Quebrada busca não só da reflexão como também dos olhares por trás dos empreendedores da capital paulista.

Ana Carolina Martins e Maria Clara Magalhães, de 30 anos, mulheres, negras e periféricas, trilharam trajetórias parecidas. Descobriram que suas experiências no mercado de trabalho e no terceiro setor despertaram incômodos em comum, especialmente relacionados à falta de referências dentro do universo do empreendedorismo social.

Assim, as jovens tiveram a ideia de registrar os pontos de vista de pessoas que criaram iniciativas dentro de comunidades e encontraram soluções que trazem novos significados ao espaço que ocupam.

Mobilização

O primeiro edital, lançado em uma plataforma de financiamento coletivo, contou com orçamento planejado para formato de minidocumentário, e conseguiu aporte de mais de 450 doadores.

Mas, para além de questões financeiras, o que realmente determina a mensagem do projeto são os colaboradores que foram chegando ao longo dos dois anos de produção, e que aceitaram contribuir voluntariamente com conhecimentos trazidos de diferentes áreas.

Hoje, essas pessoas formam um coletivo, que unido pelas inquietações, decidiu expandir o formato do filme para longa metragem, visto o extenso material que foi recolhido durante o processo.

A mudança de rota exigiu mais tempo para captar recursos, e o lançamento do filme, previsto para 2017, precisou ser adiado.

“Mais do que propor um filme que contasse histórias da periferia, nós queríamos achar uma maneira de contar essas histórias sem que houvesse uma narrativa repetida, sem reforçar estereótipos dos quais já estávamos cansados de nos deparar”, contam.

 

“O Visionários apareceu muito como uma necessidade de pesquisar, de compreender e entender o que era transformação social, o que era inovação social, quem eram as referências para a periferia”, Ana Clara Martins.

 

Visões Inspiradoras

O documentário traz 10 personagens de diferentes regiões periféricas de São Paulo, como Brasilândia, São Mateus, Jardim Nakamura, Capão Redondo, e que compartilham muito mais do que ações transformadoras, mas também as trajetórias trilhadas para chegar até lá.

Dentre eles está a do jovem Fábio Barbosa, mais conhecido como LOL, morador do bairro Elisa Maria, na Brasilândia.  Fábio passou a lutar pela representatividade junto de espaços de arte, educação e cultura que já existiam na região. Assim, ele criou o projeto Samba do Bowl, uma pista de skate, localizada na Praça Sete Jovens, um espaço de luta e de conquista do bairro, que reúne um coletivo de artistas da comunidade para levar e música e arte para a comunidade.

“Me ver enquanto visionário foi uma das coisas mais difíceis. Faz uma diferença a gente saber que pode ser poeta, escritor e empreendedor ao mesmo tempo”, diz Fábio. “Essa realidade é uma afirmação do que a gente já faz, dessa vez sob uma ótica nossa”, acrescenta o jovem sobre ter participado do documentário.

 

Visionários da quebrada no ar

A expetativa agora é que o filme estreie do dia 6 de junho, com distribuição da Taturana Social nas salas da Spcine.

 

A distribuidora Taturana Social é uma plataforma dedicada à distribuição de filmes que tratam de temas sociais, e permite que filmes independentes façam agendamento de exibições ao redor de todo o Brasil, além de disponibilizar os links no site.  Já o Spcine é um circuito que utiliza equipamentos e espaços públicos para sessões de cinema nas periferias da cidade de São Paulo, como bibliotecas públicas e CÉUs.

Segundo Ana Clara, o coletivo já está trabalhando para criar, a partir dos editais escritos, novos materiais voltados para educomunicação, incentivando visões nas escolas públicas.

Além disso, há inúmeras histórias ainda a serem contadas em outras periferias e espaços ao redor da cidade e do Brasil. Por isso, há uma grande possibilidade de o coletivo apostar em uma série continuada.

 

Veja o teaser do documentário
 

junho 8th, 2018

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Formadores do Pense Grande posam para foto sorrindo

Transformar a realidade de muitos jovens: esta é a motivação do time de voluntários do Grupo Telefônica que estão participando do programa Pense Grande.

 

Mais de 200 colaboradores do Grupo Telefônica estão mobilizados na participação do Pense Grande 2018 para levar conhecimento sobre empreendedorismo social à jovens que querem ampliar suas possibilidades de vida no futuro.

O projeto Voluntários Pense Grande, da Fundação Telefônica Vivo, teve início no ano passado em ETECs (Escolas Técnicas Estaduais) e esse ano tem uma nova atuação em ONGs (Organizações não Governamentais). As instituições selecionadas para 2018 são:

Aldeias Infantis (Unidade Rio Bonito – São Paulo, SP)

 

Formadores do Pense Grande em Aldeias Infantis

 

 

Centro Social Carisma (Osasco, SP) – Organização não governamental e sem fins lucrativos que promove ações na defesa e garantia dos direitos de crianças, adolescentes e jovens por meio de uma atuação de desenvolvimento sócio comunitário.

 

 

Formadores do Pense Grande em Social Carisma

 

 

Centro Taiguara Digital (Centro – São Paulo, SP) – Organização da Sociedade Civil com objetivo é de fomentar, incentivar e disseminar a cultura, o esporte, a educação, a tecnologia e a formação para o trabalho, através de projetos que promovam acessibilidade, integração social e a sustentabilidade.

 

Formadores do Pense Grande em Centro Taiguara Digital

 

 

Liga Solidária (Jardim Educandário – São Paulo, SP) -Projeto desenvolvido com o objetivo de tirar crianças e adolescentes das ruas, oferecendo-lhes cuidados de saúde e educação, além de atividades culturais.

 

Formadores do Pense Grande em liga Solidária

 

 

Projeto Casulo (Real Parque – São Paulo, SP) – Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos que desenvolve programas socioeducativos e de cidadania que beneficiam mais de 10.000 crianças, adolescentes, adultos e idosos.

 

Formadores do Pense Grande em Casulo

 

O Casulo é uma organização da sociedade civil (OSC) que atua com crianças, adolescentes, jovens e famílias das comunidades do Real Parque e Jardim Panorama, oferecendo atividades socioeducativas, culturais, de educação para o trabalho e interação comunitária.

 

 

No primeiro encontro do time foi apresentada a proposta do programa, responsabilidades e datas de formações. São oito capacitações, que habilitam os voluntários a entrarem em sala de aula.

A consultora de marketing Andreia Matos está participando do Pense Grande pela segunda vez e acredita na importância de incentivar o protagonismo do jovem. “A principal vantagem em participar do programa é o lado humano. Doar um pouco do seu tempo a alguém que talvez não tenha tido as mesmas oportunidade que tivemos”, disse Andreia.

Para ela, a segunda vantagem é receber uma reciclagem profissional a partir da formação com a metodologia Pense Grande. “Aprendemos algumas metodologias bem contemporâneas, como Design Thinking, que utilizamos bastante no dia-a-dia do trabalho”, completou.

Tendo participado do processo completo no ano passado, a consultora de marketing disse que é interessante lidar com uma realidade muito diferente da própria e sentir o entusiasmo dos jovens com as oficinas.

Nelas, os voluntários apresentam os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como uma fonte inspiradora. “A partir disso, pedimos que os jovens reflitam sobre a realidade social deles e tentem criar projetos que sejam ligados a esses objetivos, considerando diversos temas, como educação, segurança pública, saúde e igualdade de gênero”, disse.

Em 2018, o trabalho já começou, com a primeira oficina para integração. “Estão surgindo inúmeros projetos, com problemas com transporte público, descarte de lixo e falta de acesso à saúde”, comentou a voluntária.

Com o fim das oficinas, será realizada uma apresentação dos projetos desenvolvidos, são os chamados pitches (uma apresentação de 3 a 5 minutos). Uma banca examinadora composta por acadêmicos e profissionais reconhecidos pelo mercado irá avaliar os projetos apresentados em um evento conhecido pelo nome de Demoday.

Já o consultor de negócios Raphael Augusto Oliveira Zara participa como voluntário do Pense Grande pela primeira vez. “Está sendo um grande aprendizado retomar algumas dinâmicas de interação e desenvolvimento de ideias que acabo aplicando no dia-a-dia. Está sendo muito rico. Embora seja intitulado como voluntário, sou um beneficiado do programa.”

Raphael também ressaltou a importância da interação entre os colegas da empresa. “Eu ainda não participei de nenhuma oficina com os jovens, mas a expectativa é bastante positiva. Quero aplicar meus conhecimentos de empreendedorismo e trocar com esse público.”

junho 5th, 2018

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Desenvolvido por três jovens do Ensino Médio que participaram do Pense Grande, o app Find Lost pretende divulgar informações para ajudar a solucionar casos junto as autoridades

Maiala Safira, Vittoria Zachi e Vitória Mazoni, alunas de 17 anos da ETEC André Boasin, em Osasco, na Grande São Paulo, criaram um projeto que busca divulgar informações úteis para solucionar casos de desaparecimento em parceria com autoridades.

A ideia do app Find Lost surgiu quando as estudantes do curso Técnico em Administração, integrado ao Ensino Médio, participaram do Programa Pense Grande. Orientadas pelo professor Miguel del Barco, as adolescente levaram o projeto para o  Demoday (termo em inglês que significa “dia de demonstração”), em dezembro de 2017, e surpreenderam a todos com a iniciativa, conquistando o primeiro lugar entre as apresentações.

O aplicativo funciona da seguinte forma: cruza dados disponíveis na internet com aqueles registrados em instituições públicas, como hospitais e delegacias. Para isso, a ferramenta fornece uma ficha para ser preenchida com informações pessoais, características físicas, dia do desaparecimento e última localização.

Essas informações, que passariam por checagem, facilitariam o processo de busca por desaparecidos, hoje sob a responsabilidade do Ministério da Justiça. Além disso, o Find Lost mapearia os possíveis destinos da pessoa em uma situação hipotética, baseando-se na localização onde foi vista pela última vez.

 

Brasil registrou oito desaparecimentos por hora nos últimos dez anos, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

 

“Foi uma surpresa ganhar o Demoday. No início não imaginávamos que éramos capazes, a todo o momento ouvíamos pitchs incríveis durante as oficinas”, conta Maiala Safira sobre a experiência compartilhada com os outros 16 grupos de jovens que participaram das apresentações.

“Posso dizer que hoje sou uma pessoa totalmente diferente de quando entrei no Pense Grande”, acrescenta Vittória Zachi, que superou o nervosismo em prol do projeto e das ideias nas quais acredita. “Aprendi que todos nós temos potencial para transformar o mundo”.

 

Vittoria Zachi e Vitória Mazoni durante apresentação do projeto na Fundação Telefônica Vivo.

 

Do particular ao universal

A ideia de trabalhar com a questão da busca por pessoas desaparecidas nasceu a partir de vivências experimentadas pelas meninas. Em 2017, a irmã de Maiala desapareceu por dois dias, quando foi à farmácia. Em outra ocasião, um colega da turma também demorou a aparecer em casa após sair da escola, mobilizando todos os alunos.

“Essa foi a segunda vez que sentimos a angústia e o desespero de não saber onde uma pessoa estava”, diz Vitória Mazoni. “As pessoas não sabem o que fazer como ajudar”, acrescentou Maiala. Partindo dessa observação, as três decidiram transformar o projeto em conscientização.

As jovens estão em busca de parcerias com órgãos e instituições municipais para começar a divulgar o app, e contam que este é um dos maiores desafios para dar continuidade ao projeto. Recentemente, elas estiveram na Câmara de Osasco e foram reconhecidas pelo projeto desenvolvido na região.

Enquanto as parcerias não se concretizam, as jovens já estão ativas nas redes sociais e por e-mail, divulgando dicas e informações sobre a legislação a respeito do tema. “A ideia é funcional, mas não adianta divulgarmos enquanto a população não se conscientizar sobre o tamanho do problema. Então, nossa primeira estratégia é orientar as pessoas para que elas saibam como agir”, afirmam.

Você já ouviu falar no Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas? A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados no final de 2017, e em tramitação no Senado, assume o compromisso de tornar mais eficiente o processo de busca pelas pessoas desaparecidas em todos os Estados do país.  A previsão é que, assim como o aplicativo Find Lost, haja um cruzamento de informações, a nível nacional, compartilhada com a descrição física, fotos e um espaço com dados genéticos para os investigadores do caso.

maio 3rd, 2018

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