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Imagem que representa lista de como captar recursos para empreendimentos sociais mostra um cofre em formato de porco com fundo em amarelo.

Quem se propõe a construir um projeto de impacto social passa por diversas etapas. Da prototipação até a formalização um negócio, é preciso lidar com muitas questões e uma das mais sensíveis para os jovens é como captar recursos para viabilizar as iniciativas.

Se a primeira vista o tema pode parecer distante da realidade ou complexo para quem está começando um negócio social, o receio em lidar com questões financeiras só não pode paralisar quem deseja empreender.

Dicas simples ajudam na hora de captar recursos:

  • • Acredite no seu negócio
  • • Tenha um discurso seguro e transparente
  • • Cultive uma boa rede de relacionamento
  • • Tenha metas claras e saiba mensurar resultados
  • • Não tenha medo de ouvir não
  • • Busque facilitadores de contato como redes sociais
  • • Procure o tipo de captação ideal para o perfil do seu negócio

Marcus Nakagawa, professor da graduação e MBA da ESPM em empreendedorismo social e outras disciplinas, afirma que um pitch seguro, pragmático e transparente, poderá abrir portas junto a possíveis investidores.

“É preciso ter um tom de crença, de propósito, mas também ser muito pé no chão, principalmente com os objetivos e retornos financeiros. Você não pode ser só um apaixonado pela ideia pelo seu negócio. Apresente as metas do impacto social e saiba mensurar isso. Lembre-se que não é apenas pelo dinheiro e não tenha vergonha, porque o não você já tem saindo de casa”, aconselha o especialista.

Outro ponto importante é gerenciar muito bem a própria rede de relacionamento, o que envolve ir além do networking, mapeando amigos, conhecidos e colegas da família. Afinal, é muito mais fácil convencer um investidor-anjo, ou ingressar em um programa de uma universidade se você já tiver uma referência ou proximidade.

“Existem também os meios facilitadores como, por exemplo, o Linkedin ou o WhatsApp. Você pode arriscar mandar uma mensagem para o contato e quem sabe, receber uma resposta”, sugere.

 

Formas de captar recursos

Mas será que existe um tipo ideal de captação de recurso para cada perfil de empreendedor social? A resposta é sim: a forma como você vai obter investimento tem a ver com o tamanho do empreendimento, com o plano de negócio e com a sua visão de mundo.

“Depende do que se quer analisar e dos testes feitos, pois não adianta tirar do papel o que ainda não foi testado no mercado. Contudo, se estivermos falando de um aplicativo, envolve basicamente marketing e divulgação. Você vai atrás de investidores que tenham mais conhecimento e competências na área do seu negócio”, explica o professor.

Universidades, aceleradoras e incubadoras podem abrir portas, pois oferecem apoio de grandes conhecedores do mercado e acesso a redes de relacionamento para ajudar os empreendedores sociais menos experientes.

Com a orientação do professor Marcus Nakagawa, autor do livro 101 Dias com Ações mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Labrador) e vencedor do Prêmio Jabuti 2019 na categoria Economia Criativa, listamos, a seguir, alguns caminhos possíveis de captação de recursos para o seu negócio social:

 

1 – Programas de Incubação

Oferecem apoio gerencial e técnico, disponibilidade de profissionais experientes e espaço físico com acesso a itens como internet e telefone, para que o empreendedor desenvolva a organização do seu projeto. Podem também envolver recurso financeiro, mas, de todo modo, proporcionam economia ao empreendedor que está no início das operações.

São oferecidos tanto por empresas como por iniciativas governamentais. O Pense Grande Incubação, programa da Fundação Telefônica Vivo, abre inscrições todo início de ano, oferecendo capacitações, mentorias, encontros e trocas com empreendedores de outros Estados. A fase final de incubação inclui ainda capital semente para impulsionar o negócio, que deve aliar impacto social e tecnologia.

 

2 – Aceleradoras

A diferença em relação às incubadoras é que as aceleradoras se voltam a negócios já em funcionamento. Isso quer dizer que geralmente esta relação envolve dinheiro e o objetivo de expandir o empreendimento social, o que também inclui mentoria e rede de apoio.

Um exemplo de aceleração é o programa Vai Tec, idealizado pela Agência São Paulo de Desenvolvimento (AdeSampa) e Secretaria Municipal do Trabalho e Empreendedorismo (SMTE) e que também conta com parceria da Fundação Telefônica Vivo. Nele, 24 empreendimentos recebem R$ 33 mil além de mentorias e capacitações.

A ANIP (Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia), criada pelo DJ Bola, também oferece mentorias e apoio financeiro a negócios de impacto. Você pode acessar o site para mais informações.

 

3 – Universidades

Segundo o professor Marcus Nakagawa, antes de pensar em dinheiro, quando você está iniciando um empreendimento é muito mais importante estar em um espaço para adquirir conhecimento e ter orientação. E as universidades tornam-se um ambiente de troca e um celeiro para novos empreendimentos por meio de incubadoras e aceleradoras universitárias.

A ESPM tem a Incubadora de Negócios, que oferece consultoria na área de operações, marketing, finanças, direito e pesquisa. Eles oferecem vagas para pessoas de fora do quadro de estudantes. Para saber mais, basta manifestar interesse enviando um e-mail.

Já a Universidade de São Paulo tem o Habits, voltado a empreendimentos sociais, e alguns outros projetos, como a Supera Incubadora, que foi eleita entre as 20 melhores do mundo.

 

4 – Crowdfunding e Equity Crowdfunding

Conhecida no Brasil como vaquinha virtual, o crowdfunding pode ser um caminho mais direto de captação de recursos a empreendimentos sociais. Várias plataformas, como a Kickante, fazem a ponte entre pessoas comuns e quem deseja tirar uma ideia do papel. É comum o oferecimento de recompensas e brindes a quem se dispõe a fazer doações. As plataformas também costumam ficar com uma porcentagem do valor.

Já no caso do Equity Crowdfunding, as pessoas comuns tornam-se investidoras interessadas em fazer crescer seu capital junto com a empresa que recebe o aporte.

 

5 – Investidor-Anjo

Os investidores-anjo também costumam atuar no início das operações, podendo ser considerado um investidor inicial. Também é conhecido como smart money, pois usa-se capital próprio, ou seja, é uma pessoa física que faz uma aposta baseada em conhecimento e experiência. O termo foi difundido no boom inicial de startups, mas podem investir também em empresas com viés social.

Há vários tipos de acordo: eles podem virar sócios ou ter uma pequena participação e quase sempre atuam como mentores e ajudam a direcionar um negócio. Outra característica é que esse investidor pode ser alguém próximo e até mesmo um familiar. A Associação dos Anjos do Brasil reúne investidores de todo o país.

 

6 – Fundos de investimento

Os fundos de investimento atuam por meio da compra de pedaços do negócio e podem fazer aporte ou investimento. A característica deste tipo de captação de recurso é a expectativa de recuperar o investimento feito. O empreendedor que opta por esta modalidade acaba entrando em uma sociedade e vai buscar o crescimento da empresa.

Um dos fundos de investimento de impacto social mais conhecidos é a Vox Capital. Neste caso, quando há viés social, o lucro é um dos objetivos, mas é preciso também garantir a transformação socioambiental proposta.

“Geralmente esses fundos sociais são mais conscientes e acompanham um negócio mais de perto. Não querem o lucro a qualquer preço. Dentro do modelo tradicional, é comum as pessoas acabarem vendendo parte do negócio para garantir o lucro do investidor”, explica o professor Marcus Nakagawa.

O Pense Grande Podcast dedicou um episódio ao tema Desafios de Empreendedores na Captação de Recursos. Os participantes deram dicas de projetos que investem em negócios de impacto social, como Move SocialKVIV VenturesPositive Ventures. O Prosas conecta quem patrocina e quem executa projetos sociais. A Associação Brasileira de Captadores de Recursos promove premiação anual.

7 – Leis de incentivo

Existem políticas de incentivo ao empreendedorismo, especialmente para negócios de impacto que sejam ligados a cultura e não necessariamente busquem lucro. No Estado de São Paulo existe o PROAC, que abre edital a interessados. Além disso, fundações e projetos sociais podem captar recursos pode meio de descontos de Imposto de Renda e ICMS.

A plataforma Simbiose Social, que já ganhou o Prêmio Empreendedor Social da Folha, pode ser uma ferramenta aliada, pois tem informações e otimiza a pesquisa, avaliação e gestão do investimento social de empresas.

dezembro 9th, 2019

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Grupo de empreendedores do Pense Grande Incubação formado por 16 pessoas posa em encontro do projeto, que incentiva o empreendedorismo em rede.

Cocriação, apoio na tomada de decisão e a criação de vínculos estão entre as características do empreendedorismo em rede. Manter uma rede entre pessoas que estejam determinadas e motivadas a trabalhar por causas possibilita acessar espaços diversos, potencializa vivências e fortalece negócios sociais.

“Normalmente, negócios sociais começam sem recursos. E trabalhar sozinho, sem o básico, é muito difícil. Mas quando você trabalha em rede, você vê que é possível ajudar outras pessoas e ainda construir um negócio baseado em causas, principalmente porque você tem outras pessoas alinhadas, que vão trabalhar com o mesmo propósito”, afirma Ana Fontes, fundadora e presidente da Rede Mulher Empreendedora.

O caminho da Rede Mulher Empreendedora começou como um blog acabou crescendo e tornou-se um negócio graças à tecnologia, uma facilitadora para quem deseja aderir ao empreendedorismo em rede.

Ana Fontes conta que, por meio do Facebook, encontrou outras mulheres com as mesmas dificuldades e aprendizados em seus processos. Hoje, a rede conta com cerca 550 mil mulheres contribuindo para capacitação e consultoria de outras empreendedoras e promove mais de 300 eventos por ano, muitos deles organizados por voluntárias.

Elas ainda contam com um grupo de Facebook com 65 mil mulheres trocando informações. A fundadora ressalta que, embora seja recompensador, trabalhar em rede também tem suas dificuldades.

“É preciso ter muita determinação, entender o tempo e os momentos de cada pessoa, além de se reinventar o tempo inteiro”, diz Ana Fontes. “Empreender é muito solitário, mas quando a gente se reconhece em outras pessoas a jornada fica menos difícil”, acrescenta.

Para quem quer dar o primeiro passo e não sabe encontrar uma rede, a plataforma Meetup facilita os encontros e desenvolve uma comunidade virtual em prol de um objetivo comum. Pode ser cozinhar, praticar um idioma, aprender programação, debater causas, empreender, entre outras atividades.

 

Jornada compartilhada

A importância de criar conexões para agregar na jornada empreendedora, é um dos principais objetivos do Pense Grande Incubação. Ao longo de 2019, os 30 empreendimentos participantes da 5º edição frequentaram encontros regionais e nacionais.

Dividindo o mesmo espaço, os empreendedores puderam criar vínculos e se fortalecer relações que começam a ser construídas desde a fase de pré-incubação e vão sendo estabelecidas nas demais fases, por meio de atividades como a Imersão Pense Grande e reuniões presenciais pelo país.

No mês de novembro, os participantes se reencontraram para a segunda fase dos encontros para a troca de experiências e o acompanhamento de seus projetos, em São Paulo, Salvador e no Rio de Janeiro.

“Os encontros são uma estratégia de apoio do Pense Grande. Durante todo o processo de orientação, a gente trabalha a questão do empreendedorismo em rede para potencializar um negócio. Por isso, a gente acha importante fazer com que os selecionados se encontrem pessoalmente, e não só virtualmente. Assim, as trocas são mais potentes”, relata Marina Egg, coordenadora na Aliança Empreendedora.

Com a jornada no Pense Grande Incubação se encaminhando para o fim, o principal objetivo é fazer com que os jovens entendam que, mesmo sem o intermédio do programa, eles podem seguir em rede, aprendendo uns com os outros. Também são debatidas questões técnicas e comportamentais, como marketing digital, vendas, trabalho em equipe, distribuição de lideranças e planejamento financeiro.

“Se conectar com outras pessoas é importantíssimo. A gente se sente perdido no começo e os encontros regionais nos ajudam e trazem esse gás pra continuar. Lá nós vemos que outras pessoas estão enfrentando os mesmos desafios, inseguranças e talvez tenham sugestões e respostas melhores do que as que temos quando estamos sozinhos”, ressalta Larissa Dornelles, 27 anos, fundadora da Brado Instrutoria e participante da Incubação.

dezembro 5th, 2019

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Dedicar esforço e tempo para fazer do seu negócio um gerador de impacto social é o caminho para uma jornada de transformação. Mas com toda essa dedicação também vem o cansaço, o esgotamento mental e a cobrança. A responsabilidade do empreendedor, que se vê como o principal agente desse processo, faz com que sobre pouco tempo para repensar como está sendo feita essa construção. Por isso é tão importante falar sobre saúde mental no empreendedorismo.

Segundo dados lançados em outubro pela plataforma de psicologia Vittude, aproximadamente 86% da população brasileira sofre de transtornos como depressão (59%), ansiedade (63%) e estresse (37%). Cerca de 492.790 pessoas responderam a pesquisa entre outubro de 2016 e abril de 2019. A maior parte delas atribuiu os problemas ao ambiente ou ao ritmo de trabalho. Há uma solução para essa aparente crise da saúde mental no Brasil?

Em meio a tantas responsabilidades, prazos e contas para pagar, dar espaço ao autocuidado é essencial para levar uma vida mais saudável. Esse conceito envolve tudo aquilo que faz você encontrar um tempo para se cuidar, relaxar e dedicar esforços para estar em contato com suas próprias necessidades. E para quem não quer descuidar do trabalho, esse tempo tem a ver com produtividade também! Ao garantir sua saúde física e mental, o resultado alcançado em suas atividades profissionais é mais efetivo.

Confira nossa lista com alguns passos que podem lhe ajudar a encontrar a forma de autocuidado que melhor se adequa à sua rotina! Afinal, para cuidar dos outros precisamos estar em dia com a nossa própria saúde, certo?

Autoconhecimento

Antes de falarmos em autocuidado, primeiro precisamos discutir o autoconhecimento. As formas de cuidar de si mesmo variam de pessoa para pessoa e vão depender de vários fatores determinantes como: tempo, rotina, contexto social, condições financeiras e gostos pessoais. A regra geral é buscar entender e respeitar o seu ritmo de vida para só então encontrar aquilo que faça o tempo dedicado a você valer a pena.

Acompanhamento Psicológico

Em meio à correria do dia a dia é difícil analisar nossos próprios hábitos, por isso o autoconhecimento é o primeiro passo para garantir a saúde mental no empreendedorismo. Ter um acompanhamento psicológico pode ser um caminho. Na terapia é possível trabalhar maneiras de aliviar o estresse, acalmar a ansiedade e aprender a estabelecer limites.

Alguns coletivos e grupos fazem esse acompanhamento a preços mais baixos em relação ao mercado, mantendo a qualidade do tratamento como prioridade. O Terapretas fica no Rio de Janeiro e atende mulheres negras; o Amma Psique e Negritude trata de questões como racismo e discriminação; já o  Divam fica em São Paulo e traz a perspectiva feminista para as mulheres atendidas. Além disso, universidades como USP, São Judas e Cruzeiro do Sul oferecem terapia gratuita.

Investir no sono

Fala-se muito em investimento no universo do empreendedorismo. Por outro lado, o debate sobre como dormir bem pode aumentar a produtividade ainda não atingiu o mesmo patamar. Investir no sono e garantir pelo menos oito horas de descanso por dia é contribui também para potencializar sua memória, criatividade e disposição para o dia seguinte. Isso sem contar que recarregar as energias ajudará a diminuir o estresse do corpo e da mente.

Praticar exercícios regulares

Você provavelmente já deve ter ouvido a recomendação de praticar exercícios para ter uma vida saudável. Mas, além de criar hábitos saudáveis, cuidar da parte física também ajuda a combater o estresse e a ansiedade, pois aumenta a produção de hormônios, liberando a famosa endorfina, responsável pela sensação de bem-estar.

Se você não gosta de academia ou de corrida, tudo bem! Existem outras possibilidades: dança, esportes e yoga, por exemplo.  Volte ao item um e reflita sobre qual deles se adequa melhor à sua rotina. O importante é se sentir bem com você mesmo!

Trocar experiências e vivências

Até o momento falamos sobre muitas dicas individuais para os empreendedores se conectarem às suas necessidades. Contudo, é preciso levar em conta que somos seres coletivos e por isso precisamos da troca de experiências e vivências para nos sentirmos completos.

Participar de rodas de conversa com outros empreendedores pode ser um caminho interessante para trabalhar frustrações, lidar melhor com os fracassos e encontrar soluções colaborativas. Mesmo um encontro casual com amigos e colegas ajuda a organizar suas perspectivas, traz novos olhares e descontração.

novembro 6th, 2019

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Jovens participantes do encontro Empreendedor do Pense Grande posam para foto em grupo em cima de um palco

Outubro foi marcante para jovens estudantes das Etecs que participam da 7ª edição do Programa Pense Grande. Ao longo do mês, eles tiveram a chance de trocar ideias sobre projetos desenvolvidos e se conectar com empreendedores sociais para entender melhor sobre suas jornadas empreendedoras.

Como já é tradição, o chamado Encontro Empreendedor é um momento para que os jovens que integram o Pense Grande – iniciativa da Fundação Telefônica Vivo que tem a missão de fomentar a cultura do empreendedorismo de impacto social – estabeleçam uma rede para potencializar seus trabalhos.

Neste ano, foram cinco instituições que abrigaram o “encontrão”, como o evento é conhecido entre os participantes. No início do mês, a Etec Carapicuíba recebeu jovens das Etecs Paulistano, Jaraguá e Martin Luther King.

Os participantes divulgaram seus projetos aos colegas, estreitaram conexões e formaram uma roda de conversa com o publicitário Ale Costa, que trabalhou em produtoras renomadas como a O2 Filmes. Atualmente, ele encabeça um projeto relacionado a futebol de várzea nas comunidades paulistanas. “Fiquei feliz de ver que estes jovens se mostraram muito capazes de evoluir e mudar nosso Brasil”, declarou.

A estudante Hevelyn Oliveira da Silva, de 19 anos, está cursando Multimídia e ficou muito feliz de ter a chance de conversar com alguém da área de audiovisual. “O Ale contou como é o dia a dia dele na produção de filmes e quais são os principais desafios nessa área. Ele também deu dicas sobre o que precisamos fazer para crescer nesse segmento. Eu adorei!”.

A Etec Embu das Artes recebeu a convidada empreendedora Estela Damato, fundadora do Lab Social, organização que tem como foco promover instrumentos de governança entre múltiplos atores da sociedade para a resolução de problemas sociais.

“Foi muito bom ouvir a história de superação dela, sem contar que ela me deu várias ideias para o projeto que estou desenvolvendo. Descobri, por exemplo, que não preciso ter um lugar fixo para o meu empreendimento”, contou Pedro Felipe Neres de Oliveira, de 15 anos, aluno da Etec de Cotia.

Um cenário familiar

A Etec Zona Leste recebeu um convidado especial, o empreendedor Marcio Oliveira, fundador da Pokan Investimentos, projeto de educação financeira para periferia que começou a desenhar quando integrou a 4ª edição do Pense Grande.

“Compartilhar um pouco da minha experiência e contribuir para a futura geração foi incrível e enriquecedor. Os alunos ficaram interessados em saber que a minha empresa partiu de um TCC e se aprimorou com as ferramentas do Pense Grande”, ressalta Marcelo.

O Encontro Empreendedor também aconteceu em cidades do interior do Estado de São Paulo. Em Piracicaba, a Etec Deputado Ary de Camargo Pedroso recebeu os estudantes da Etec Coronel Fernando Febeliano da Costa. A empreendedora convidada foi Camila Siriani, proprietária do Sallutem Centro de Treinamento Personalizado.

Em Ribeirão Preto, o intercâmbio aconteceu na Etec José Martiniano da Silva, que recebeu alunos da Etec Fernando Prestes, de Sorocaba, além dos convidados Tatiana Brechani, consultora facilitadora da Révoa Desenvolvimento; e Renato Rodrigues, fundador da empresa de mobilidade urbana Outbike.

Para Matheus Santos, 16 anos, aluno do Ensino Técnico Integrado ao Médio (ETIM) da Etec Embu das Artes, o principal atrativo do Encontro Empreendedor são as conexões com outros jovens: “Estudantes de duas escolas diferentes que estão fazendo o mesmo curso podem trocar ideias sobre os projetos. Foi possível criar uma afinidade e perceber como o Pense Grande nos prepara para desenvolver boas ideias para ajudar a sociedade”.

“Eu gostei muito de ter participado do Pense Grande pela quantidade de experiências novas que ele nos proporcionou. Com esses conhecimentos, pude agregar maior valor para a apresentação do meu grupo na mostra científica da escola”, Maria Eduarda Caetano, de 16 anos, aluna de administração da Etec Coronel Fernando Febeliano Costa.

O Programa

A 7ª edição do Pense Grande começou no segundo semestre de 2019, atuando com atendimento direto aos jovens de 13 instituições do Centro Paula Souza. As oficinas geralmente acontecem no contraturno, mas nas Etecs Carapicuíba e Zona Leste, o programa é parte da grade curricular das disciplinas Empreendimento para Multimídia e Administração e RH, respectivamente.

Com metodologia exclusiva, o programa traz atividades mão na massa que ajudam o jovem a pensar fora da caixa e desenvolver habilidades empreendedoras e socioemocionais. Os participantes aprendem a desenvolver projetos que tenham impacto social, viabilidade financeira, tecnologia e muita inovação.

Os estudantes também são estimulados a exercitar suas habilidades para falar em público e concisão para defender seus projetos durante um pitch. Os projetos de destaque serão selecionados para se apresentar, em novembro, no Demoday, evento que encerra o ciclo do programa e premia os melhores empreendimentos desenvolvidos pelos jovens.

De cara nova

A partir do próximo ano, o Pense Grande não fará mais atendimento direto nas Etecs. Em vez disso, trabalhará com a formação de professores do Centro Paula Souza, os quais serão responsáveis pela multiplicação da metodologia de empreendedorismo social dentro do espaço escolar.

A mudança visa ampliar ainda mais o alcance e o potencial transformador dos jovens estudantes, além de estreitar conexão entre educadores e alunos e engajar a todos na cultura do empreendedorismo social.

outubro 28th, 2019

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Brené Brown tem cabelos curto e loiro e está sorrindo para foto. A pesquisadora e palestrante fala sobre como a vulnerabilidade alimenta a coragem, combustível para empreendedores

Pesquisadora e professora da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, onde estuda temas como vulnerabilidade, coragem vergonha e empatia há 20 anos. Escritora de quase uma dezena de livros e uma das mais prestigiadas palestrantes do mundo, com um TED Talk que soma mais de 43 milhões de visualizações. Assim podemos descrever Brené Brown. Ou podemos apenas dizer que ela adora contar histórias.

É exatamente sobre essa definição que ela começa o TEDxHouston O Poder da Vulnerabilidade, lançado em junho de 2010, e que a levou à fama mundial. Segundo Brené, sua coragem foi testada alguns anos antes quando uma organizadora de eventos sugeriu anunciá-la como contadora de histórias na divulgação de uma palestra, por considerar que o termo pesquisadora poderia soar chato, irrelevante e acabaria espantando o público. A princípio, Brené achou um verdadeiro absurdo.

“Pensei por alguns segundos, tentei procurar lá no fundo da minha coragem. Sou uma pesquisadora de dados qualitativos, coleciono histórias. E talvez histórias sejam apenas dados com alma. Então, eu disse: ‘Por que você não diz simplesmente que eu sou uma pesquisadora-contadora de histórias?’. Ela gargalhou: ‘Isso não existe! . Mas é o que sou: uma pesquisadora-contadora de histórias”.

E é assim, com relatos recheados de bom humor e vivacidade, que Brené Brown conduz suas palestras, compartilha dados sobre seus estudos e cativa o público, atento em todos os momentos. É como se ela estivesse tendo uma conversa íntima com cada um.

A vulnerabilidade é o tema central, mas não é o único abordado. Em 2012, ela lançou outro TED de sucesso: Brené Brown: Escutando a vergonha, no qual discorre sobre o que pode acontecer quando as pessoas confrontam o que as envergonha. Recentemente, a Netflix lançou Brené Brown: The Call to Courage (O Chamado para Coragem, em tradução livre), no qual ela elabora melhor como o sentimento de vulnerabilidade está intimamente ligado à coragem.

Abaixo, reunimos conselhos, histórias e lições de Brené Brown que podem servir de inspiração para levar adiante seu empreendimento social e provocar verdadeiras transformações na sociedade. Afinal, é preciso muita coragem para seguir seu coração e confiar em si, empatia para entender e se conectar com seu público-alvo, além de disposição para arriscar e inovar. Confira!

Vergonha e desconexão

Segundo Brené Brown, “conexão é a habilidade de nos sentirmos conectados, é neurobiologicamente como somos feitos, é o porquê de estarmos aqui”. Vinda do campo da assistência social, ela conta que entendeu o que causava desconexão entre as pessoas, após seis meses de análises e estudos.

“O que se revelou foi a vergonha, que pode ser entendida como o medo da desconexão. É universal, todos nós a sentimos. O que mantém essa vergonha é o sentimento de ‘não sou boa o suficiente’. A base disso é uma vulnerabilidade dilacerante, a ideia de termos de nos permitir ser vistos, realmente vistos, para que a conexão aconteça”.

“A única coisa que nos mantêm desconectados é o nosso medo de que não sejamos merecedores de conexão”, reflete.

Senso de coragem

Para entender como a vulnerabilidade funciona, a especialista decidiu focar nas pessoas que se sentiam merecedoras de conexão, as quais ela nomeou como coração-pleno.

“Elas tinham em comum um senso de coragem. Tinham, simplesmente, a coragem de serem imperfeitas. Elas tinham a compaixão de serem gentis primeiro consigo mesmas, e então, com os outros. Não podemos praticar a compaixão se não conseguirmos nos tratar com gentileza. E elas tinham conexão. E esta é a parte difícil, como resultado de autenticidade. Estavam dispostas a abandonar quem pensavam que deveriam ser para ser quem realmente são”.

Abrace a vulnerabilidade

Outro ponto comum que ela descobriu sobre esse grupo de pessoas era a forma como lidavam com a vulnerabilidade. “Eles a abraçavam completamente. O que as tornava vulneráveis, as tornava lindas. Não falavam sobre a vulnerabilidade ser confortável, nem sobre isso ser doloroso, como eu tinha ouvido nas entrevistas sobre vergonha. Achavam fundamental a disponibilidade de fazer algo quando não havia garantias”.

Você é o suficiente

Brené também explica que aprendeu sobre como somos levados a anestesiar a vulnerabilidade, mas não podemos fazer isso seletivamente. Isso explica porque, segundo ela, estamos diante da geração que mais bebe, se medica e usa drogas na história.

“Você não pode pegar vulnerabilidade, medo, vergonha, desapontamento e não sentir apenas isso. Não pode pegar sentimentos pesados e anestesiá-los sem deixar de sentir o restante. Então, também anestesiamos a alegria, a gratidão, a felicidade. E nos sentimos infelizes. Aí procuramos por propósito e sentido, nos sentimos vulneráveis, e voltamos a nos anestesiar . Isso se torna um ciclo perigoso ”, enumera a especialista.

“O que considero mais importante é acreditarmos que somos suficientes. Porque quando começamos pensando que somos suficientes, paramos de gritar e começamos a escutar. Somos mais bondosos e gentis com as pessoas ao nosso redor, e mais bondosos e gentis conosco”.

Tenha conversas difíceis

A vulnerabilidade é mãe de alguns filhos: confiança, da inovação, da criatividade, inclusão e equidade, dar e receber feedbacks, resolução de problemas e tomadas de decisões éticas. Não adianta querer um ambiente inovador e criativo sem espaço para vulnerabilidade, imperfeição e possíveis erros.

“Falamos das pessoas em vez de falar com as pessoas. Isso é uma coisa muito tóxica. É a cultura do controle. Entendo que é difícil ser vulnerável no trabalho, mas passamos mais da metade das nossas vidas trabalhando. Em 20 anos, jamais encontrei alguém que fosse feliz na vida e extremamente triste no trabalho. Isso pode corroer você vivo. Temos a responsabilidade de nos expor e admitir nossas emoções no trabalho, nos envolver em questões difíceis”, resume.

Saiba quais críticas levar em consideração

No especial A Call to Courage, Brené Brown conta como teve uma verdadeira “ressaca de vulnerabilidade” após o TEDxHouston. Com milhões de visualizações, ela sentia que havia se exposto demais e não conseguiu lidar com o constrangimento ao ler críticas destrutivas. Tentou fugir da realidade com uma maratona da série Downtown Abbey e manteiga de amendoim até que se deparou com um discurso de Franklin Roosevelt, O Homem na Arena, considerado por ela um divisor de águas.

“O discurso era assim: ‘não é o crítico que conta. Nem aquele que aponta quando o outro tropeça, nem aquele que diz que o outro devia ter agido diferente. O mérito é do homem que está na arena, aquele com o rosto sujo de poeira, suor e sangue. Que se empenha, que erra, que fracassa um, duas, várias vezes. Aquele que no final, embora conheça o triunfo de uma vitória, pode até fracassar, mas se arriscando a ser imperfeito’”, resume Brené.

Em seguida, ela lista as três lições tiradas sobre o episódio.

“Quero viver na arena e escolho isso todos os dias. Vulnerabilidade não é sinal de fraqueza, mas a melhor forma de medir sua coragem. A última coisa que aprendi naquele momento foi que se você não está na arena, fracassando vez ou outra por ser corajoso, não quero saber o que pensa sobre o meu trabalho e ponto final. Você não pode levar em consideração críticas de pessoas que não estejam sendo corajosas com suas vidas”.

setembro 23rd, 2019

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Após anunciar uma nova estrutura para a 5º edição do programa de Incubação e selecionar 30 projetos para participar desta jornada, o próximo passo foi reunir os empreendedores, vindos de todas as regiões do Brasil, para o primeiro encontro da Imersão Pense Grande, que ocorreu no interior de São Paulo. Ao longo de cinco dias em agosto, os jovens trocaram conhecimentos e vivências em um processo intenso de autoconhecimento.

“São muitas histórias potentes e fortes, que mexem muito com a gente! Esse é o ponto alto da imersão: Encontrar outros empreendedores que partiram do mesmo lugar, ou de lugares ainda mais adversos que o seu, e transformaram as dores e dificuldades em impacto social”, conta Amanda Aguiar, de 26 anos, que está à frente do empreendimento Grana Preta. “Podemos ouvir outras pessoas falando pela gente, as mesmas coisas que a gente enfrenta”, reflete.

A semana da Imersão Pense Grande inclui dinâmicas, atividades e palestras não apenas sobre empreendedorismo, mas também trabalho em equipe e, sobretudo, desenvolvimento pessoal. Nesse processo, muitos aspectos das trajetórias dos jovens empreendedores foram detalhados e isso cria identificação entre os participantes.

“Pude me abrir mais, me senti acolhido. Muitas das circunstâncias ruins que os outros jovens vivenciaram batiam com o que eu tinha passado. E, de repente, eu tenho com quem conversar sobre isso!”, acrescenta Lucas Felippe, fundador do Cooltivando “Curitiba, por exemplo, é uma capital que tem poucos negros, então o meu círculo social é predominantemente branco. Ali, pude falar sobre as coisas que me frustravam por estar em um ambiente não representativo”.

Jovens dos 30 empreendimentos escolhidos para a Imersão do Pense Grande estão em pé formando um círculo sob luminárias em formato de estrelas.

Acolhimento de referências empreendedoras

Com apoio da equipe da Aliança Empreendedora, parceira executora da Fundação Telefônica Vivo, foram desenvolvidas atividades para os empreendedores trabalharem juntos, e desenvolverem, a partir de situações diversas, condições para agir. Nesta atividade mão na massa”. registrada em vídeo, os jovens tiveram que colocar uma invenção para funcionar utilizando todo tipo de material. Confira:

Além do acolhimento proporcionado pelas atividades de troca, os participantes contaram com a presença de outros empreendedores sociais da periferia, que trouxeram reflexões sobre os desafios enfrentados e referências para os negócios sociais incubados pelo Pense Grande.

A convidada Ana Carolina Martins, do Visionários da Quebrada foi uma delas e falou, durante a atividade Aquário, sobre o “eu” empreendedor, rotinas e autocuidado. Ela deu um depoimento potente que dialogou com a realidade diária da maioria dos empreendedores que estão participando da Imersão Pense Grande.

 

Cinco jovens que participam da Imersão do Pense Grande estão posando lado a lado da empreendedora Ana Carolina Martins, que usa blusa amarela embaixo de camisa azul claro e foi a empreendedora referência da atividade do Aquário.

Um dos maiores desafios que eu enfrentei no meu negócio partiu de uma perspectiva pessoal: quem sou eu como empreendedora” relatou Ana Carolina Martins, que na foto veste camisa clara e jaqueta amarela. No vídeo abaixo, você confere um trecho da conversa que ela teve com os jovens empreendedores.

Atividades que impactaram realidades

Para Larissa Dornelles, fundadora da Brado Instrutoria, um negócio social voltado para educação financeira acessível, a atividade mais marcante da imersão foi o momento em que os empreendedores foram convidados a apresentar o modelo de negócios de seus projetos e receber feedbacks, em tempo real, dos colegas.

“Às vezes tem coisas que estão tão integradas com o que a gente faz, que esquecemos de comunicar isso para as pessoas. Por isso, é importante receber feedback, principalmente porque são pessoas que partem de um histórico muito diverso, de áreas diferentes”, relata a empreendedora, que tem 27 anos e também é professora. Ela deixou um depoimento sobre a experiência:

Já Lucas Felippe saiu impactado pela atividade do propósito-almofada: “Teve um exercício sobre propósito, em que ele era representado por uma almofada, e você tinha que chegar até ela. No caminho, você tinha que convencer os outros participantes a darem passagem e ir atrás da sua realização. Foi desafiador, porque foi preciso convencer cada um de uma maneira diferente, sem desistir! Se eu pudesse ficaria um mês em imersão!”.

Tiago Bicalho, do projeto Centro Criativo e também participante da Incubação Pense Grande fez o relato abaixo em vídeo sobre a mesma atividade:

Motivação e desconstrução

Amanda Aguiar conta, ainda, que ao conversar com os outros jovens durante a Imersão Pense Grande percebeu que algumas dinâmicas desconstruíram realidades. Trouxeram à tona questões importantes sobre identidade e impactaram profundamente a perspectiva pessoal dos empreendedores. Os termos técnicos sobre empreendedorismo foram deixados um pouco de lado e a humanização dos processos foi o tópico principal das atividades.

“Saí de lá transformada! Sempre saio das imersões com outro gás, pensando que eu tenho que focar cem por cento no Grana Preta! Saio acreditando muito mais no meu negócio e na minha capacidade de levá-lo adiante, de ser sustentável financeiramente, de viver do empreendimento”, relata.

A partir de agora, os empreendedores já começam a orçar todos os recursos de que precisam para fazer com que o negócio funcione. Eles contarão com um investimento que permitirá tirar os planos do papel. O mais interessante, para Amanda, é que os encontros abriram portas para futuras parcerias entre os empreendimentos. “Já estou considerando os serviços de outros empreendedores que conheci nessa rede. A possibilidade de estar fortalecendo outros negócios de impacto social é incrível!”, acrescenta.

“Agradecemos a Amanda Aguiar, Lucas Felippe, Larissa Dornello e Thiago Bicalho, participantes da Imersão Pense Grande, por compartilharem imagens, vídeos e um pouquinho do seu olhar para esta pauta”!

setembro 6th, 2019

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Imagem mostra um jovem de tranças, de braços erguidos, olhando para um celular que está em suas mãos

O programa Pense Grande, da Fundação Telefônica Vivo, se une a cinco coletivos de comunicação: Alma Preta, Desenrola e Não Me Enrola, Historiorama, Periferia em Movimento e Agência Mural, e convida jovens moradores da periferia de São Paulo a contarem, por meio de um clique, a história de como sua quebrada está sendo transformando positivamente em São Paulo.

Qual é o projeto que inspira o bairro em que você mora? Quem é a pessoa que luta por melhorias? Essas são perguntas que podem guiar a sua participação no concurso cultural Pense Grande a Sua Quebrada

Queremos saber pelo olhar de jovens entre 15 e 29 anos, que residem em bairros da periferia de São Paulo, histórias de pessoas ou projetos que estejam empreendendo e gerando impacto positivo, mudando para melhor o seu entorno.

Serão até cinco fotografias premiadas, que devem ser enviadas de 3 a 30 de setembro. Além de ganhar um celular no valor de até R$ 1.000, você ainda terá a sua história contada por todos os coletivos que apoiam o Pense Grande Sua Quebrada!

Anderson Meneses, da Agência Mural, resume a importância do projeto ao destacar os empreendedores sociais que já estão nas periferias há muito tempo e ainda dar visibilidade aos jovens.

“A Agência Mural tem essa missão de mostrar o protagonismo dos moradores das periferias. O nosso papel é encontrar esses personagens, quem já empreende e mostrar exemplos. Queremos mostrar jovens que estão criando, produzindo, gerando economia. A periferia é mais que os estereótipos impostos!”, explica.

A potência da periferia

Thais Siqueira, jornalista e cocriadora do Desenrola e Não Me Enrola, chama a atenção para a união de todos os coletivos, o que possibilitou a realização de um concurso cultural que dialogue diretamente com os jovens das periferias.

O coletivo em que atua é engajado em criar e ressignificar a produção de conteúdo, pesquisa e formação com o conhecimento presente nos diferentes contextos sociais que dão forma às periferias de São Paulo.

“Muitos jovens da cidade de São Paulo desenvolvem ações afirmativas nos territórios onde moram e atuam. A aproximação do Pense Grande Sua Quebrada potencializa essa conexão com a juventude periférica”, afirma Thais.

Já Pedro Borges acredita que é importante incentivar os jovens a continuarem a promover ações para transformar territórios como os que são retratados pela agência de jornalismo Alma Preta, onde ele atua.

“É muito importante esse tipo de concurso, porque você acaba incentivando a molecada a continuar fazendo. Principalmente com a questão das fotografias por celular, algo que as meninas e meninos nas periferias têm dominado. É importante que tenham seu trabalho reconhecido”, opina.

Empreendedorismo como caminho

Contar sobre caminhos possíveis, explorar e compartilhar as riquezas e soluções, muitas vezes consideradas caseiras, mas que impactam a vida das pessoas que estão ao nosso lado e usar a sabedoria de quem vive no entorno são aspectos valorizados pelo Periferia em Movimento. O coletivo traz o olhar específico e aprofundado de pensar a juventude a partir do extremo sul de São Paulo.

Para Aline Rodrigues, que integra a agência de jornalismo, o Pense Grande Sua Quebrada vem para trazer uma provocação e traduzir a discussão sobre empreendedorismo. Muitas vezes, o jovem que se sente à margem não se vê capaz de ser protagonista das mudanças que sonha para si e seu entorno.

“(O concurso) É mais do que explicar, é refletir com o jovem quais são as possibilidades de pensar em empreendedorismo dentro do histórico de vida dele, das pessoas à sua volta, do território e das coisas que ele acessa. Muitas vezes a juventude periférica é conduzida para ter somente uma alternativa de vida e não percebe seus talentos e a chance de fazer por conta, de fazer acontecer!”, reflete Aline.

QUER PARTICIPAR?

Faça uma foto significativa e inspiradora da pessoa ou projeto da sua quebrada. Serão consideradas a representação do tema empreendedorismo social, a relação da foto com a legenda e a descrição de até 280 caracteres, que precisa ser explicativa e coerente.

Além disso, será levada em conta a criatividade, a nitidez, o foco e a composição artística da fotografia.

Acesse a página do Pense Grande Sua Quebrada e leia com atenção o regulamento Espalhe essa ideia e enalteça sua quebrada pelo mundo!

setembro 3rd, 2019

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Nina Silva, fundadora do Black Money e uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil, aparece sorrindo, de coque e com um microfone no palco de uma palestra.

Marina Silva, mais conhecida como Nina Silva, pode ser apresentada de muitas formas: reconhecida pela ONU e pela instituição internacional MIPAD (Most Influential People of African Descent) entre os cem afrodescendentes mais influentes do mundo abaixo de 40 anos. Indicada pela Forbes como uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil em 2019. Uma das fundadoras do Movimento Black Money, escritora, mentora e gestora com carreira internacional consolidada e 17 anos de experiência com Tecnologia da Informação (TI).

Para ela, a pessoa que se considera deste século e quer realmente causar impacto social, independente da carreira ou de um objetivo pessoal, precisa estar conectada e criar redes que possibilitem a transformação.

“Estar no MIPAD é estar ligada a outros afrodescendentes, tanto em diáspora quanto na África, e me permite entender diferentes contextos para a população negra no mundo. Não me vejo, enquanto especialista em tecnologia, sem estar conectada em redes de real empoderamento socioeconômico no mundo. E todas as instituições que integro fazem parte desse plano estratégico”, explica Nina sobre como mantém o envolvimento com tantas demandas e projetos.

A rotina dela ainda inclui palestras, atuação nas atividades e lançamentos do Movimento Black Money e, atualmente, ela ainda compõe a equipe da ThoughtWorks, organização presente em 14 países que propõe usar o conhecimento da indústria de TI para advogar pela justiça social e econômica.

Sem ligar para barreiras geográficas, Nina Silva diz que está focada em viver a Revolução Industrial 4.0, entender o mecanismo e as estratégias de hackeamento do sistema a partir das singularidades e necessidades sociais de diferentes povos.

“O Movimento Black Money é um hub (um conector de informações e pessoas) e precisa atuar em diferentes frentes pelo nosso propósito, que é a emancipação e autonomia real da população negra no Brasil e no mundo. Instituições como MIPAD ou o CPLP (que reúne mulheres empresárias de países de língua portuguesa), permite com que eu esteja sempre antenada nas novas tecnologias e em como aplicá-las na realidade”, complementa.

Nascida e criada em São Gonçalo (RJ), no bairro Jardim Santa Catarina, que já foi considerada a maior favela plana da América Latina, formou-se em administração pela Universidade Federal Fluminense e fez pós-graduação na área de sistema de informação e gestão de projetos, com diversas certificações internacionais.

Como jovem, mulher e negra sempre lidou com a disparidade de não conviver com semelhantes nos times em que trabalhava. O “não pertencer” vinha em muitas formas: quando homens mais velhos a chamavam de menina mesmo ela sendo a gestora do time; quando foi mandada embora com justificativas como de não ter o perfil da vaga mesmo tendo a melhor avaliação de atendimento; quando chegava a um time novo e lhe mediam da cabeça aos pés, duvidando que fosse a dona do currículo recheado de certificações.

Nina conta que foram justamente as dificuldades e o constante questionamento por ocupar posições de liderança que a levaram a buscar um propósito maior, que culminou na participação para criar o Movimento Black Money.

“Costumo dizer que o racismo sempre veio primeiro que todos os outros preconceitos. Não é por eu ser mulher, porque meu nome é feminino; não é por ser jovem, porque a idade está ali no currículo. Então a questão racial sempre foi uma das maiores barreiras. Só que agora eu diria que esse é o maior propósito para o embasamento da minha carreira e para construir novos espaços bem mais saudáveis e inclusivos”, resume Nina Silva.

Nina Silva, considerada uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil, aparece no centro do palco, falando para uma plateia e com o logo do Movimento Black Money em uma tela no fundo.

O que é o Movimento Black Money?

Movimento que atua com inovação, empreendedorismo e educação financeira para a população negra. Fortalece o conceito de pan-africanismo e tem Marcus Garvey como um dos guias.

No momento, o foco da iniciativa são os serviços financeiros com taxas mais justas e protótipos para dar visibilidade a empreendedores negros. Contudo, o Movimento Black Money também trabalha a inserção da comunidade negra na tecnologia a partir da educação e promove networking e a comunicação, como o evento Start Blackup.

A seguir, Nina Silva enumera algumas dicas para quem está começando a trilhar o caminho do empreendedorismo social. Confira!

Qual o seu propósito?
“O que é que te engaja? O que te move? O que eu quero acordar todo dia para fazer? Ah, o que me move é dançar, é o bem estar de outras pessoas, é trabalhar com criança. O importante é ter atrelado ao seu negócio algo que dê realmente uma satisfação. Então a primeira dica é essa: entender o que te move”.

Identifique necessidades e mapeie o seu entorno
“Já sabendo o que te move, o que existe na sua região, perto de casa, da faculdade, do trabalho, do grupo que frequenta ou até na rede social que usa e que gera uma necessidade? O que está faltando e ninguém nunca parou para prestar atenção?. Isso é importante para mapear oportunidades no mercado.”

Gerando conexão com o que está ao seu alcance
“É preciso achar o que te motiva e atrelar a uma necessidade que seja esteja próxima das suas mãos. Não adianta você querer, por exemplo, resolver um problema de mobilidade urbana sem saber dirigir. Pense em coisas que consiga enxergar como necessidade, mas também se veja empreendendo com aquilo e solucionando o problema”. 

Analise a concorrência e defina o público
“Verifique se já tem muita gente fazendo a mesma coisa. Se já tem, é preciso ter um diferencial muito específico, que lhe torne especial. Mas saiba qual é o seu público. Antes de começar a operar, quem você quer atingir? Lógico que você vai acabar atingindo outras pessoas, mas defina a persona, o público padrão que vai ser atendido por aquela solução”.

Tire proveito do mundo tecnológico
“Use a transformação digital. É muito mais fácil criar amplitude e reverberar o seu projeto. Há redes sociais, ferramentas de marketing autodidatas e intuitivas. Existem versões gratuitas ou versões testes, que são livres durante um período de tempo. É possível potencializar e fazer a informação chegar mais rápida no seu público”.

Crie uma rede
“Quando você está em algo, mesmo que seja no início, já é um diferencial. A partir disso, se instrumentalize. É preciso buscar conhecimento, desenvolver uma rede de apoio e parcerias para criar uma estrutura mínima e começar a atender aquela demanda.”

agosto 29th, 2019

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Cinco competidores estão sentados em cadeiras em um palco durante um slam. Entre eles estão Kimani, Léo Rios e Gustavo Arranjus, iluminados pelo pôr-do-sol.

Uma batalha de poesia falada. A definição de dicionário de um Slam é simples assim, mas basta acompanhar uma delas para entender que a arte, liderada por jovens das periferias das capitais brasileiras, é também uma forma de reconhecimento, empatia, militância política e social, união e resistência.

O Slam foi criado em Chicago, nos Estados Unidos, na década de 80, na esteira da popularização do hip hop.  Por aqui chegou só nos anos 2000, e desde então ganha cada vez mais adeptos. Só em São Paulo há mais de 60 grupos organizados.

As batalhas normalmente acontecem em espaços públicos, ao ar livre ou em centros culturais, e seguem algumas regrinhas básicas: são quatro ou cinco rodadas, dependendo do número de competidores. Cada slammer tem 3 minutos para declamar sua poesiae, no máximo, 10 segundos de tolerância para finalizar.

Os jurados, escolhidos aleatoriamente na plateia, dão notas de 0 a 10. Dos slams regionais saem competidores para os campeonatos estaduais. Os vencedores disputam o Slam BR, que normalmente acontece no final do ano. O finalista representa o Brasil na Copa do Mundo de Slam, disputada em Paris, na França.

Na linguagem do slam

Slammaster: mestre de cerimônia que conduz a competição

Slammer: poeta competidor

Correr: nome dado ao ato de declamar a poesia para o público

Pow: grito da plateia para celebrar a nota máxima, 10.

Credo: grito da plateia para as notas de 9.5 a 9.9.

 

Militância em foco

A cantora, compositora e poetisa Cinthya Santos, conhecida como Kimani, mora no Grajaú, zona sul da capital paulista. Participa do Slam desde 2017, quando descobriu a poesia de militância como uma forma de entender suas raízes e encontrar o seu espaço no mundo.

A jovem de 26 anos é conhecida nas competições. Já ganhou algumas delas e foi finalista do Slam BR. “O slam é um processo terapêutico, quase de cura mesmo. Os poetas são muito verdadeiros em relação às suas vivências. Tem gente falando sobre como foi violentada, sobre ter enfrentado a depressão, sobre opressões diárias. A gente cria um vínculo forte entre todos que estão ali”.

 

Kimani explica que os slams brasileiros costumam ser mais politizados, enquanto os norte-americanos “falam sobre passarinhos”. “São três minutos para passar a mensagem, ninguém quer desperdiçar sem se posicionar. Por isso o Slam se assemelha muito com o rap e com o hip hop. Nós bebemos da mesma fonte”.

Cinthya Santos, conhecida como Kimani, está no palco durante um evento de slam. Ela está apontando com o dedo indicador para a pele do seu braço direito, tem os cabelos longos e trançados e está de vestido preto e tênis.

 

Rotina e ancestralidade

O cotidiano – e suas discrepâncias sociais – é fonte riquíssima para os poetas da periferia. O bar da esquina, a feira, o trajeto no metrô, o aperto do ônibus lotado, as situações vividas no trabalho.

Mas há também espaço para falar de amor, de festas e até de pagode, como fez a escritora e poetisa Aline Anaya, durante o Pocket Slam que aconteceu dia 27/07, na Casa de Cultura Municipal do Ipiranga – Chico Science:

Para Aline, o slam desperta uma conexão com sua ancestralidade. “Eu tenho um forte vínculo com a oralidade. Eu não tenho registros fotográficos da minha família. Tudo o que sei sobre meus bisavós, por exemplo, é o que meu pai me conta. Então essa oralidade para mim é ancestralidade”.

A hora e a vez da quebrada

Léo Rios está sentado com as pernas cruzadas no palco de um evento de slam, enquanto fala ao microfone. Ele tem os cabelos curtos, usa regata e ao fundo é possível ver outros competidores.


Léo Rios tem 21 anos e é de Tatuí, interior de São Paulo. Até mudar para São Paulo, era um dos organizadores do slam que acontecia em sua cidade natal e do Slam Boituva.

No vídeo abaixo ele define a potência do slam como um espaço de pertencimento e escuta:

Apesar de reconhecer a importância dos slams que acontecem no centro de São Paulo, pela acessibilidade, ele costuma participar das batalhas que acontecem nas periferias da cidade, especialmente pela rede de apoio que se cria com o movimento.

“É uma cena recente, mas ela tem muita força. São pequenos grupos que vão se aliando para se fortalecer, é a força da periferia. Então os poetas criam vínculos com quem tem uma marca criada na periferia, com quem escreve zine, com o pessoal do audiovisual que está começando. É como uma escada, todo mundo vai subindo junto”.

“Tem muita gente que pensa que porque viemos da favela nos contentamos com pouco. Nós estamos nos profissionalizando e criamos uma rede para ajudar nesse processo. Se antes nós mal conseguíamos ler, hoje a gente escreve, produz e cobra por isso”, descreve Kimani sobre a arte feita “na quebrada”.

Uma questão de empatia

Quem vê o Gustavo soltar sua poesia pela arena do Slam não imagina que faz apenas sete meses que começou a participar de batalhas. E foi longo o caminho até esse momento. Ele conta que apesar de compor poesias desde os 7 anos de idade, sempre lutou contra o preconceito.

“Várias vezes me disseram que poesia não era coisa de menino. Acho que hoje em dia as pessoas entendem mais a literatura marginal. Ainda há outras tantas barreiras sociais que precisamos superar, mas a arte nos ajuda nisso”, diz ele.

Aos 30 anos, o poeta encontrou no slam acolhimento e empatia. “No slam rola muito de você sentir exatamente aquilo que outro poeta está descrevendo. É uma sensação de pertencimento que é difícil de explicar com palavras. Tem muita verdade ali, as pessoas dão tudo de si quando estão com o microfone na mão. Eu mesmo fico mais leve depois que saio do placo, como se tivesse tirado três botijões de gás das minhas costas”.

Gustavo Arranjos está com o microfone na boca, usa óculos escuros, camisa estampada e botas, enquanto declama versos durante um evento de slam.

O público costuma ser parte importante da empatia que envolve o slam. É comum dar força aos poetas que se mostram mais nervosos na arena, sem contar toda a vibração com a revelação das notas, como mostra o vídeo abaixo gravado no Slam Capão, que ocorreu também no dia 27/07, na Fábrica de Cultura do Capão Redondo.

Júnior dos Santos, de 32 anos, é de São Sebastião. Topou por acaso com o slam, parou para ouvir e se encantou. “Os artistas trazem muita verdade. A gente consegue perceber a personalidade de cada um quando eles falam. Tem uma autenticidade na experiência. É algo muito sensível que faz a gente se reconhecer e vibrar junto”.

**Todos os poemas são de livre expressão e responsabilidade dos artistas e não refletem a voz da Fundação Telefônica Vivo.

Acompanhe!

Há slams espalhados por todo o Brasil, mas São Paulo ainda ostenta o título de capital nacional do Slam. O site do Sesc SP levantou oito batalhas que acontecem pela cidade.

agosto 15th, 2019

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Imagem traz grupo de jovens sentados conversando em uma sala. Ao fundo é possível ver um logo grande e iluminado do Pense Grande.

Apoiar jovens de periferia a transformarem suas ideias em negócios sociais. Esta é a razão de ser do Pense Grande Incubação, que iniciou no dia 1º de julho a 5º edição do programa, trazendo novidades em sua estrutura que vão da ampliação de empreendimentos e criação de nova fase até formações e assessorias ao longo do processo seletivo.

Pela primeira vez, desde 2015, o Pense Grande Incubação contará com empreendedores de todas as regiões do Brasil. Além disso, em vez de incubar 15 empreendimentos de impacto social, o programa fará a incubação de 30 projetos. A iniciativa da Fundação Telefônica Vivo, em parceria com a Aliança Empreendedora, expandiu o processo seletivo, incluindo também uma nova fase: a pré-incubação.

“Até o ano passado a gente tinha o processo dividido em duas fases, atuando em algumas cidades específicas”, explica Marina Egg, consultora da Aliança Empreendedora. “Mas nesta edição, abrimos o programa para todas as capitais do Brasil e suas regiões metropolitanas. Essa diversidade regional é muito rica para o processo, porque a gente trabalha com a troca entre os empreendedores, parte fundamental do desenvolvimento dos projetos.”

Desenvolvimento desde a seleção

Além de diversidade garantida, o programa também buscou adequar o processo seletivo à uma lógica de desenvolvimento, oferecendo desafios e assessoria especializada antes mesmo de a incubação começar. A primeira fase contou com 248 inscrições válidas, que levaram em consideração os seguintes critérios: inovação, motivação e competências empreendedoras.

Após a avaliação da proposta, 140 empreendimentos foram selecionados para a segunda fase, na qual os empreendedores passaram por capacitações e tiveram quatro desafios para resolver. Com base nos resultados, 40 projetos passaram para a nova fase de pré-incubação, que organizou encontros regionais, palestras, assessorias especializadas, tudo para ajudá-los a pensar em um protótipo para seus negócios.

O resultado destes exercícios levou à seleção de 30 incubados que começaram a trilha de desenvolvimento no dia 1º de julho. Dentre eles, 16 projetos são liderados por mulheres e são localizados em 18 cidades diferentes, distribuídas em 12 estados.

Os números do Pense Grande Incubação 1ª fase Inscrições válidas recebidas: 248 Critérios: inovação, motivação e competências empreendedoras 2ª fase Empreendimentos selecionados para segunda fase: 140 Projetos passaram por capacitações e resolveram 4 desafios Fase Pré-Incubação Selecionados: 40 Participaram de encontros regionais, palestras e assessorias especializadas para a construção de protótipos para os negócios Seleção final: Incubados: 30 16 liderados por mulheres 18 cidades diferentes em 12 estados

Conheça cinco empreendimentos que participarão da 5º edição do Pense Grande Incubação:

NORTE

Imagem mostra rapaz de camiseta branca sorrindo para a câmera.

MadTech

A experiência de Melquisedec Corrêa, de 24 anos, como voluntário nas regiões periféricas de Belém (PA), abriram seus olhos para os desafios locais. Já na faculdade, entrou em contato com ONGs e projetos sociais que trabalhavam com catadores de materiais recicláveis. “Lá pude ver o baixo rendimento que eles têm na atividade de “catação”, além de toda a questão da poluição residual. Belém, por exemplo, vivia uma crise do lixo e não tinha uma solução eficaz”, explica o jovem empreendedor.

Pensando na realidade daquela comunidade, ele decidiu unir empreendedorismo, ação social e a graduação em engenharia para criar a MadTech, uma empresa que se dedica a transformar resíduos plásticos e agroindustriais em novos produtos. A proposta é desenvolver uma madeira biossintética, feita a partir do plástico reciclável e fibras do caroço de açaí, para produção de móveis ecológicos e exclusivos.

Como é participar do Pense Grande Incubação?

“Minha experiência com o Pense Grande foi, e está sendo, a melhor possível! Vi os depoimentos de quem já tinha participado do programa e compreendi o compromisso e a seriedade no desenvolvimento de startups. Na hora tive a certeza de que a MadTech precisava estar lá, e conseguimos!”.

NORDESTE

Imagem mostra jovem de óculos usando vestido colorido

Grana Preta

Inspirando-se na família, que sempre apostou nos negócios próprios para complementar a renda, Amanda Aguiar teve a oportunidade de desenvolver a veia empreendedora desde cedo. Nascida em Salvador (BA), a jovem de 26 anos aprendeu a aliar impacto social e comunicação por meio das iniciativas que participou durante sua formação. A ideia de gerar conteúdos sobre finanças para jovens negros surgiu algum tempo depois, pela inquietude com relação à situação socioeconômica do país.

“Eu não queria apenas reclamar dos problemas, queria poder apresentar soluções que pudessem ajudar a garantir certo tipo de conforto e segurança financeira”, conta a empreendedora. “Então, o Grana Preta surge como uma ferramenta para as pessoas resolverem seus problemas econômicos de forma mais autônoma, sem depender de soluções políticas”. Os conteúdos de educação financeira e empreendedorismo serão disponibilizados por meio de ferramentas como o Instagram e Google Classroom, junto da venda de cursos digitais de educadores negros, funcionando como um marketplace.

Como é participar do Pense Grande Incubação? 

-“Todos os desafios e a validação da minha ideia foram novos para mim. O passo-a-passo serviu para eu me entender enquanto empreendedora. Não sabia o quanto esse processo de autoconhecimento seria fundamental para mim! E por isso já sou muito grata ao Pense Grande!”.

CENTRO-OESTE

Imagem mostra jovem usando capacete branco. Ela sorri para a câmera e usa camisa branca.
Deu Obra

“O Mundo sem Pobreza” de Muhammad Yunus, foi a porta de entrada de Melania Pires para descobrir o mundo dos negócios sociais. Formada em Engenharia Civil e voluntária em ações sociais, a jovem descobriu três coisas: a rotina das grandes construtoras não se encaixava em seu perfil, o empreendedorismo era um caminho possível e, em Goiânia (GO), a taxa de desempregados no ramo da construção civil tinha se tornado assustadoramente alta.

Foi aí que surgiu o Deu Obra, empreendimento que promove a construção de edificações pequenas e de baixo custo, investindo o lucro obtido na capacitação de desempregados da construção civil. A ideia é absorver estes profissionais para as obras realizadas, e propor parcerias a outras construtoras para que ofereçam oportunidades a eles. “Percebi que podia conectar a minha profissão a algo que transformasse a vida das pessoas”.

Como é participar do Pense Grande Incubação?

“A incubação do Pense Grande faz você compreender melhor o seu negócio, te dá mais maturidade. As fases do programa e os profissionais são excelentes! Existe todo um cuidado e uma conexão com os projetos envolvidos. Eu me sinto privilegiada por estar entre eles!”.

SUL

Imagem mostra rapaz de camisa xadrez e avental azul por cima

Cooltivando

Descendente de índigenas guaranis, Lucas Felippe se orgulha de dizer que seu instinto o levou para o caminho certo. Sempre adorou brincar ao ar livre, trabalhar com a terra, cuidar de plantas, e tudo que envolvia a agricultura. Por morar em Parque Guarani, região periférica de Joinville (SC), ele se viu sem incentivo e oportunidade de trabalhar nesta área. Anos mais tarde, buscando encontrar seu lugar no mundo, o jovem mudou para Curitiba (PR) e decidiu cursar Agronomia.

Percebeu que todo o mercado era voltado para uma lógica de devastação ambiental, agronegócio e transgenia, com a qual não concordava. Pensando nisso, buscou se aproximar da agricultura orgânica e aprender com a realidade de famílias de agricultores locais. Depois de apresentar uma tese como conclusão de curso, estruturou um sistema de consultoria de dados para pequenos agricultores “O modelo de negócios do Cooltivando é pensado para o desenvolvimento sustentável e empoderamento do pequeno agricultor”, diz Lucas.

Como é participar do Pense Grande Incubação?

“Passar já na primeira fase foi muito significativo para mim, pois eu acreditei que o que eu queria fazer não era loucura, era possível! É mais do que o investimento tecnológico, é chance de ampliar o impacto da rede que tenho. Ser amparado e valorizado pelo Pense Grande está trazendo um aprendizado muito grande como empreendedor e como pessoa”.

SUDESTE

Jornada Exponencial

A psicóloga organizacional Anna Paula Sampaio, de 28 anos, e a sócia, Renata Machado, de 36 anos, já trabalham com empreendedorismo há cerca de dois anos. Juntas fundaram a Ludo Thinking uma empresa que desenvolve treinamento personalizado utilizando jogos de tabuleiro, digitais e realidade aumentada. Notando que os serviços estavam muito voltados para grandes empresas de Vila Velha (ES), decidiram apostar em um público que estivesse entrando agora no mercado de trabalho.

“O Jornada Exponencial nasceu da necessidade de causar impacto social positivo”, explica a psicóloga. “Começamos a pensar em produtos mais acessíveis, que pudessem ensinar sobre liderança exponencial e comportamento esperado para pequenos empreendedores, estagiários e trainees”. O jogo de tabuleiro já existe, e foi todo pensado para estar conectado com um aplicativo que distribui missões diárias com o objetivo de salvar uma empresa. Parte do lucro já obtido pela Ludo seria revertido para disponibilizar o conteúdo gratuitamente.

Como é participar do Pense Grande Incubação?

“O nosso objetivo é que o Pense Grande nos ajude a tornar esse impacto social possível e sustentável. Nesse período de incubação, a gente já recebeu orientação e esperamos usá-la para tornar nosso produto escalável e alcançar mais gente!”

julho 31st, 2019

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Alunos, pais, formadores e colaboradores do Pense Grande estão reunidos no palco do Demoday, evento que premia jovens empreendedores formados na metodologia Pense Grande.

Dois aplicativos pensados por jovens empreendedores: um que visa aumentar a autoestima de crianças e combater o estigma do vitiligo, doença não transmissível que causa manchas na pele; outro que tem por missão conectar refugiados a empresas, gerando renda a quem teve de deixar seu país de origem. Esses foram os projetos destacados na 6ª edição do Demoday Pense Grande, que aconteceu no dia 27 de julho, em São Paulo.

A edição de 2019 trouxe uma novidade. Além de envolver os alunos de nove ETECs e Fatecs do Estado de São Paulo, também participaram jovens atendidos por ONGs e que receberam aulas de voluntários multiplicadores da metodologia Pense Grande.

Infográfico mostra organização da 6ª edição do Demoday Pense Grande, que contou com a participação de jovens empreendedores apoiados pelas ONGs Liga Solidária, Isbet, Naia e Verdescola.

Mila Gonçalves, gerente de programas sociais da Fundação Telefônica Vivo e que compôs as bancas de jurados, explicou a inclusão dos espaços não escolares e agradeceu aos parceiros Atados,Impact Hub e o Centro Paula Souza, que fazem essa experiência acontecer.

“O Pense Grande nasceu fora da escola como um programa de desenvolvimento de empreendedores. Ao longo dos anos, e muito provocados também pelo Centro Paula Souza, nos aproximamos das escolas. Hoje, temos aqui duas frentes de atuação do nosso programa: os jovens das ETECs e Fatecs e os jovens atendidos pelas ONGs. As frentes andam em paralelo e juntá-las neste evento faz todo o sentido, porque é um processo similar, mas em instituições de naturezas distintas”, resumiu na fala de abertura.

 

O evento marca o fim da jornada iniciada no primeiro semestre do ano tanto nas escolas técnicas e faculdades de tecnologia, quanto nas instituições não governamentais. Ao longo dela, são formados jovens empreendedores por meio da metodologia Pense Grande e ferramentas como Design Thinking e Teoria U. Eles são provocados a criar soluções de impacto social que envolvam tecnologia e estejam alinhadas a um ou mais dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU.

 

Combatendo estigmas contra o vitiligo

No Demoday, cada grupo das escolas técnicas e ONGs teve cinco minutos para fazer um pitch, ou seja, para apresentar seu projeto a uma banca composta por cinco profissionais com sólida trajetória no mundo dos negócios. Os jurados escolhem os dois grupos que melhor se destacam nos critérios Inovação, Atitude Empreendedora, Impacto na Comunidade, Clareza na Apresentação e Tecnologia.

O primeiro lugar entre as escolas técnicas e faculdades de tecnologia ficou com o M.Q.M., ou Minhas Queridas Manchas, um aplicativo que visa dar visibilidade e representatividade a pessoas com vitiligo,uma doença não contagiosa que causa manchas na pele.  Apesar de o Brasil registrar 150 mil novos casos ao ano, o tema é pouco discutido e, segundo pesquisa feita pelo grupo, 90% das pessoas acreditam que quem possui vitiligo sofre preconceito e alguma forma de rejeição.

O aplicativo foca no público infantil e pretende disponibilizar acesso a psicólogos e atividades com fotógrafos para resgatar a autoestima dos pequenos. A renda virá da venda de produtos como camisetas, agendas e bonecas, personagens dariam representatividade às crianças.

Imagem mostra uma boneca de vestido vermelho e outra de vestido amarelo, com manchas no corpo. Os protótipos são do grupo de jovens empreendedores Minhas Queridas Manchas, projeto que visa resgatar a autoestima de quem tem vitiligo.

A aluna Bruna Marques Oliveira, representante da equipe da ETEC de Poá, fez o discurso de agradecimento: “queria agradecer ao Pense Grande pela oportunidade de fazer algo palpável para ajudar uma parte da sociedade.Muitas vezes é o que a gente quer fazer, mas a maior parte das pessoas não sabe por onde começar. Não há produtos assim nas lojas, por isso pensamos no público infantil, que pode já crescer se sentindo representado. Queremos fazer as crianças se sentirem bonitas, porque são bonitas do jeito que são!”.

Ela também destacou a participação da família no processo. “As bonecas que trouxemos de protótipo, minha avó quem fez.Ela é uma artista fantástica!”, continuou a jovem apontando para a plateia.

A mãe de Bruna, Cibele Aparecida Marques, exaltou o grupo: “Daqui para frente é continuar! Ninguém falou que seria fácil, mas é preciso lutar sempre! Estão todos de parabéns: professores, alunos, pais”.

O segundo lugar da categoria ficou com o projeto NeuroEduca, da ETEC de Mauá, que propõe formações continuadas para professores e educadores usando conceitos da neuroeducação e do neuromarketing.

 

Trabalhando pela inclusão de refugiados

Entre os grupos de jovens atendidos por ONGs, o primeiro lugar ficou com o ID=M, ou IDEM, que lançou luz sobre a dificuldade de adaptação de refugiados em outros países. Segundo o grupo, cerca de 69 milhões de pessoas deixam seus países todos os anos. A maior parte dos que chegam ao Brasil tem alta escolaridade e 79% tem interesse em empreender.

Por isso, a proposta é a criação de um aplicativo que conecte refugiados que queiram vender algum serviço a empresas ou pessoas. Ou seja, é uma ponte entre os refugiados e os contratantes. Por ser um público em situação muitas vezes vulnerável, a ideia é que a plataforma conte a história de cada um deles.

Segundo os jovens empreendedores do grupo, os voluntários da Isbet foram fundamentais. “Os nossos multiplicadores ajudaram muito nesse processo, deram dicas para a apresentação e proporcionaram isso pra gente!”, agradeceu Gabriele Nascimento.

E o grupo pensa no futuro: “já estamos procurando formas de levar para frente este aplicativo.Pegamos feedbacks de algumas pessoas que podem ajudar”, afirma Gabriele. “A gente acredita nele, então não vai parar aqui!”, complementa Larissa Ferreira, sua colega no IDEM.

Entre os projetos ligados às ONGs, o segundo lugar ficou com o Lady Jobs, uma plataforma que tem o objetivo de empoderar mulheres e combater a desigualdade de gênero por meio de oficinas e inserção no mercado de trabalho.

Os projetos premiados com o primeiro lugar receberão o curso Abraço Cultural e uma imersão no evento BlastU 2019. Já os que ficaram em segundo lugar ganham um curso online da Perestroika.

Mila Gonçalves, gerente de programas sociais da Fundação Telefônica Vivo, está de jaqueta jeans falando ao microfone em cima do palco do Demoday do Pense Grande, evento que premia jovens empreendedores.

Ao término, a gerente de programas sociais da Fundação Telefônica Vivo, Mila Gonçalves, deixou um conselho aos jovens: “zelem muito pelas relações, as relações de confiança, de colaboração. Os números passam, mas o que você constrói com as outras pessoas é o que mais importa”.

Ela também ressaltou a importância da tecnologia e adiantou os planos do Programa Pense Grande em levar a uma plataforma digital toda essa experiência da jornada empreendedora, de desenvolvimento de projeto, apresentação de pitch e avaliação por uma banca de jurados. A intenção é multiplicar oportunidades a mais jovens empreendedores.

“A gente tem cerca de 50 milhões de jovens no Brasil. Desses, 11 milhões não estudam e não têm um trabalho ou uma ocupação formal. Nosso país só vai se desenvolver quando aproveitar o potencial da população e a gente sabe que a juventude é o nosso motor. Tem para todo mundo e quanto mais a gente ajudar o outro, mais vai crescer!”, encerrou Mila Gonçalves.

Infográfico mostra grupos empreendedores jovens que ficaram em primeiro e segundo lugar no Demoday Pense Grande: 1º lugar para os grupos Minhas Queridas Manchas, da ETEC de Poá, e Idem, da Isbet; segundo lugar para os grupos NeuroEduca, da ETEC de Mauá, e Lady Jobs.

julho 29th, 2019

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Unir uma causa a um negócio próprio. Isso que o administrador e jornalista Bruno Brigida, 29, junto com a sua companheira, a museóloga Débora Luz, 29, fizeram ao criar o Clube da Preta: o primeiro clube de assinatura de moda e acessórios afro do Brasil.

O esquema é simples: o cliente preenche no portal um perfil de estilo e a equipe do Clube da Preta entrega uma vez por mês na casa do usuário os produtos dentro de uma caixa, com preços acessíveis. São produtos de moda, beleza e acessórios, que vão de camisetas, turbantes, vestidos, pulseiras, colares, cervejas, cremes e xampus para cabelo crespo e cacheado, até livros de autores negros. Todos os produtos são produzidos por empreendedores negros.

Como surgiu a ideia

Frequentadores da Feira Preta, evento anual que ocorre desde 2002 em São Paulo e reúne cerca de 120 expositores negros, Bruno e Débora estavam em busca de algo para ajudar pequenos produtores. Enquanto consumiam seus itens, pensavam em algo além disso.

Um dia, Bruno recebeu uma encomenda: uma caixa de cerveja enviada por um clube de assinatura. Foi aí que teve o estalo que precisava para dar o primeiro passo rumo ao empreendedorismo. Em vez da cerveja, pensou em colocar roupas e acessórios produzidos por empreendedores negros e vender isso tudo por assinatura. Em 2018, o Clube da Preta vendeu mais de 10 mil caixas, reuniu 400 clientes recorrentes e já fez parceria com mais de 150 fornecedores.

Além da personalização das caixas, outro motivo para a fidelização dos clientes seria o lado social e de afirmação da cultura negra. De acordo com Bruno, o público é ligado em causas sociais e está preocupado em prezar pelos pequenos produtores. Apesar de o negócio ser feito por afroempreendedores, não é consumido apenas por afrodescendentes. Atualmente, a base de clientes da empresa conta com 80% de pessoas negras e 20% brancas.

Imagem mostra caixa com o logotipo do Clube da Preta rodeada de exemplos de produtos: uma camiseta dobrada com a frase “respect my hair”; o livro Sobreviventes, de Cidinha da Silva; um chinelo e uma necessaire com estampas em estilo africano.

Batemos um papo com Bruno Brigida que contou os desafios e aprendizados durante a caminhada como empreendedor social. Veja a seguir:

Mostre o valor do seu projeto

“Desafios a gente sempre vai ter, independentemente da situação. Seja você um empreendedor com poder aquisitivo ou não. Empreender com cunho social é mais complicado, pois você terá que mostrar o valor do impacto antes de mostrar a qualidade do produto. É uma luta constante. O financiamento também é bem restrito, difícil de conseguir por meios mais tradicionais e que acaba impactando diretamente em um momento de crescimento”.

“Entendemos que o trabalho de empreendedorismo social surge pela importância de se trabalhar em sociedade, principalmente quando você está nas quebradas. Tudo que acontece lá, envolve as pessoas de lá. Então estamos movimentando e fomentando essa galera.”

Experiências geram aprendizados

“As experiências anteriores foram muito pautadas no modelo do mundo corporativo, mas trouxeram muita informação de gestão para dentro do meu próprio negócio. E sem uma gestão redonda, o seu negócio morre em um curto tempo. Depois que surgiu o Clube da Preta, nós também passamos a observar o empreendedorismo social como uma fonte positiva de mudança na sociedade, que trata todos como iguais e que ajuda no desenvolvimento de pessoas a curto e médio prazo, em um país em que a maior parte da população brasileira vive uma situação de desigualdade econômica e social”.

Melhorias são necessárias ao longo do caminho

“Faria muita coisa diferente. Às vezes dá vontade de parar e começar do zero. Mais aí usamos a experiência e dedicação para tocar as situações. Tem coisas mais burocráticas e internas que sempre vão precisar de mudanças, mas entendemos que o negócio tinha dado certo quando tivemos um pequeno boom de vendas e ele se sustentou por aproximadamente uns cinco meses. Fechamos 2018 com apenas 12 assinantes e, em janeiro, demos um salto para 50. Olhamos para essa informação e pensamos: vamos entender o que está acontecendo. E em abril, tínhamos o dobro de janeiro. Assim, vimos que estávamos no caminho certo”.

Pesquise e estude modelo de negócio

“A Feira Preta ajudou a tirar a ideia do papel no sentido de identificarmos uma demanda que as pessoas já tinham: a necessidade de mais meios de venda para o afroempreendedorismo, de mais ações pautando essa galera que faz artes para vender. Conhecer o modelo que você vai trabalhar é fundamental. Isso ajudará em um crescimento desde o início, sem passar tantos perrengues. Então, antes de se lançar no mercado, estude e busque capacitação das mais diversas áreas, isso é primordial em um negócio”.

Não desista diante das adversidades

“Nunca conheci um empreendedor que não tivesse pensado em desistir. Isso faz parte de uma rotina. Empreendedor sempre está pensando em escalar, crescer, ir além, mas às vezes a gente se depara com algumas barreiras que acabam desanimando, como ouvir comentários preconceituosos ou fechar o mês abaixo do que havíamos previsto, por exemplo. Mas é preciso seguir, sempre!”

A trajetória de Bruno Brigida e Débora Luz mostra que passar por cima de adversidades e receber apoio são aspectos fundamentais para levar adiante um negócio de impacto do social. Por isso dicas sobre a hora certa de formalizar um negócio e iniciativas como o Pense Grande Incubação podem ser valiosas. Além disso, é importante conhecer os obstáculos superados por outros empreendedores, como contam Iana Chan, do PrograMaria, Fabiano Lopes, do Inspirando Gigantes, e Emanuelly Oliveira, do Social Brasilis no podcast Empreender? Não tá fácil pra ninguém.

Mais Dicas

Confira mais dicas na entrevista com o empreendedor Edson Leite, criador do Gastronomia Periférica, que aposta na profissionalização dos moradores da periferia para gerar impacto e transformação social.

julho 11th, 2019

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