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Conheça o Mãe&Mais e o Embarcar, dois projetos que surgiram a partir de vivências de seus criadores e hoje fazem a diferença na vida de muita gente

As experiências de vida e a realidade dos jovens Thaís Ferreira e Taissir Carvalho despertaram neles o desejo de empreender e resultaram na criação dos projetos Mães&Mais e Embarcar, apresentados em março na série Pense Grande.Doc, feita em parceria entre a Fundação Telefônica Vivo e o Canal Futura.

Thaís, de 29 anos, perdeu um bebê devido a problemas de negligência médica e motivada por essa vivência, se questionou: “O que acontece com uma mãe que perde um filho?” Segundo ela, a resposta não veio e foi preciso transformar a dor em algo que fizesse sentido. “Eu resignifiquei o luto através da luta. Ao olhar para fora percebi o impacto que a falta de acesso a serviços de saúde de qualidade pode causar”, diz.

Meses na fila de espera, horas para consulta e exames, falta de especialistas, alta vulnerabilidade dos pacientes em ambientes pouco adaptados para mulheres, mães e crianças. Tudo isso, motivou a criação do Mãe&Mais, um modelo de clínica popular com serviços de atenção à saúde de forma acolhedora e humanizada no Rio de Janeiro. A iniciativa itinerante percorre bairros carentes da cidade, contribuindo para um maior alcance, e é voltada para o público de mães, de 15 a 35 anos, e crianças de 0 a 6 anos.

Entre os desafios de sustentar o projeto, a empreendedora luta para que nenhuma mulher em estado de maternidade sofra violações. Hoje, Thaís tem dois filhos e busca recursos para que o empreendimento ganhe novas dimensões. “A inovação não pode se pautar apenas pela tecnologia, mas sim para inovar curando o que é urgente. E o que é mais urgente que a vida?”, afirma.

App para população ribeirinha

A imagem mostra o detalhe de duas mãos segurando um celular onde na tela se vê a interface no aplicativo Embarcar

Taissir Carvalho é um jovem morador de Santarém/PA, que vem facilitando a vida da população local por meio do Embarcar, um empreendimento digital que permite aos usuários da Amazônia o acesso rápido às informações sobre embarcações disponíveis, rotas, horários, valor da passagem, tempo de viagem, lotação, escalas e melhores ofertas dos transportes hidroviários da região. “O Embacar vem como um propósito de mostrar para outras pessoas que é possível empreender aqui na Amazônia. Hoje, ele é a minha vida.”, comenta Taissir.

A ideia surgiu em 2014, durante a participação em um evento de empreendedorismo de sua região. A plataforma faz toda diferença na vida da população ribeirinha. As informações são visualizadas na tela de um smartphone ou na versão da web Basta inserir a localidade de onde está saindo e informar um destino. Em seguida, aparece a lista com os resultados de embarcações para o destino selecionado.

“Às vezes chegamos a um local para procurar um barco, mas o veículo está distante de onde estamos e essa dificuldade que enfrentamos me estimulou muito. Eu acredito muito na transformação social que esse aplicativo traz e na mudança de hábito da população por meio da facilidade de acesso a essas informações”, afirma Taissir Carvalho.

 

No último episódio da série PenseGrande.Doc você irá conhecer a Infopreta, uma iniciativa que surgiu a partir da falta de oportunidade de diversidade no mercado de tecnologia. A empresa é um potente motor de transformação social e presta serviços de reparo em notebooks a preços acessíveis, emprega minorias e recupera computadores para doá-los a mulheres negras, mães, de baixa renda e pessoas matriculadas no ensino superior. Além disso, oferece cursos de manutenção básica até a especializada, voltados principalmente para mulheres, mas sendo aberto para todos os públicos.

 

Quer saber mais sobre cada um desses projetos? Assista ao Pense Grande.Doc, que vai ao ar todas as quintas-feiras pelo Canal Futura e podem ser acessados pelo canal do Youtube da Fundação Telefônica Vivo.

março 18th, 2019

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A imagem mostra uma cena do filme o Menino que descobriu o vento

Aproveite o tempo livre para assistir seriados e filmes sobre empreendedorismo que farão você refletir ou ainda te incentivar a voar longe nos negócios

Iniciar uma jornada empreendedora requer uma série de desafios. E muita gente na hora de tirar a ideia do papel esbarra na dificuldade de dar o primeiro passo. Acalme-se! Isso é muito normal.

Além de começar um negócio, aprimorar ou desenvolver uma iniciativa também exige dedicação, resiliência e muita mão na massa.

Que tal aproveitar momentos livres para curtir alguns conteúdos inspiradores? Separamos uma lista de série e filmes sobre o empreendedorismo imperdíveis. Confira!

Coco Antes de Chanel

 A imagem mostra uma cena do filme Coco Antes de Chanel

O filme conta a história de Coco Chanel, uma famosa estilista que revolucionou o mundo da moda ao ousar se vestir com roupas masculinas quando todas as mulheres usavam espartilhos e outros adereços. O longa mostra o espírito inovador de Coco e como ela venceu diversos obstáculos para conquistar seus objetivos, o que tornou a Chanel umas das mais valiosas marcas do mundo.

O que você pode aprender: como reinventar seu produto ou negócio e quais inovações são necessárias no atendimento ao cliente.

Onde assistir: Netflix

 

O menino que descobriu o vento

A imagem mostra uma cena do filme o Menino que descobriu o vento

O filme conta a história de Kamkwamba, um jovem que vive no Malawi, na África, e enfrenta dificuldades de sobrevivência ao lado de sua família. Para superar uma violenta seca pós inundação que submetia os moradores da região à fome e miséria sem ajuda do governo, o jovem busca conhecimento por meio de livros de ciência e cria um moinho de cinco metros de altura usando uma bicicleta quebrada, uma pá de ventilador de trator, um velho amortecedor e árvores, e transforma a realidade da sua comunidade.

O que você pode aprender: que o conhecimento e a persistências podem alavancar a sua ideia em meio a dificuldades e transformar realidades.

Onde assistir: Netflix

 

Steve Jobs – O Homem e a Máquina 

A imagem mostra uma cena do documentário Steve Jobs – O Homem e a Máquina

Um dos nomes mais conhecidos do mundo, Steve Jobs é fonte de inspiração para muita gente. Nesse documentário, é possível conhecer diferentes faces do criador da Apple e saber como ele construiu essa empresa referência no ramo da tecnologia. Outro ponto que chama atenção é a dedicação extrema de Jobs com tudo que se propunha a fazer pelo seu negócio.

O que você pode aprender: como a tomada de decisão é importante na hora de empreender e a dedicação para o trabalho como forma de alcançar objetivos.

Onde assistir: Netflix

 

Silicon Valley

A imagem mostra uma cena da série Silicon Valley

A série americana narra a história de seis profissionais desenvolvedores de programas de computador que buscam construir uma carreira de sucesso no Vale do Silício, na Califórnia, o maior polo de empreendedorismo e startups do mundo. No enredo, os jovens trabalham na empresa Hooli e vivem sob o olhar de um milionário que os deixa morarem em sua casa em troca de uma porcentagem de todos os projetos criados por eles.

O que você vai aprender: como nasce uma startup, quais caminhos traçar e como buscar investidores para que o seu projeto tenha sustentação para crescer rápido.

Onde assistir: HBO

 

Chef’s Table

A imagem mostra uma cena da série Chef’s Table 

Cada um dos episódios é focado em um grande chef e mostra tudo o que se passa nos bastidores da cozinha do seu restaurante. Os aprendizados são facilmente visíveis para qualquer tipo de negócio. A série é dividida em forma de documentário e teve três indicações ao Emmy Ewards de 2016.

O que você vai aprender: A importância de inovar sempre. Além de incentivar a confiança em você e no seu negócio, a série mostra que não é bom se abalar com o que os outros dizem.

Onde assistir: Netflix

 

Walt antes do Mickey

A imagem mostra uma cena do filme Walt antes do Mickey 

Conta a história de vida de Walt Disney desde criança, os seus sonhos e desafios até ter a grande ideia que mudou a sua vida: criar o ratinho chamado Mickey Mouse. Ele precisou de muita criatividade, força de vontade e ajuda dos amigos e da família para chegar lá. Além disso, precisou aprender a ser um empreendedor.

O que você pode aprender: se sentir motivado a seguir atrás dos seus sonhos e a enfrentar diversos obstáculos no meio do caminho.

Onde assistir: Netflix

 

Capital C

A imagem mostra uma cena do documentário Capital C
O documentário foca em novas formas de capitalizar negócios e como muitas desses casos têm sido desenvolvidos nos Estados Unidos por meio do crowdfunding. A história mostra três empreendedores com negócios distintos e com algo em comum, nenhum deles têm capital para desenvolver. Sendo assim, direcionam seus esforços para campanhas de arrecadação de dinheiro através de patrocínio individual de pessoas físicas que gostam de seus projetos e resolvem aportar um dinheiro em troca de algum benefício.

O que você pode aprender: diferentes formas de conseguir verba para financiar um negócio que, se for desenvolvido e validado, consegue um público cativo.

Onde assistir: Netflix

 

Phil Knight: O Homem que Conduz o Mundo

A imagem mostra uma cena do documentário Phil Knight: O Homem que Conduz o Mundo 

O documentário conta a história de Phil Knight, fundador da Nike, e mostra o surgimento e a ascensão da marca esportiva que se tornou uma das mais fortes do planeta. A Nike foi a primeira empresa a patrocinar jogadores profissionais, criando uma forma diferente de dialogar com o público. O principal ícone do sucesso dessa estratégia é o jogador de basquete Michael Jordan. Os produtos associados a seu nome foram responsáveis por alavancar as vendas da marca em todo o planeta.

O que você pode aprender: como encontrar formas diferenciadas de posicionar o seu negócio ou em marca em meio a tantas opções já existentes no mercado.

Onde assistir: Netflix

 

Abstract

A imagem mostra uma cena do documentário Abstract 

Em formato de documentário divido em oito episódios, mostra como é o processo criativo dos designers mais inovadores do mundo.  A série reúne importantes nomes da cena e revela como esses gênios da arte visual pensam e qual a influência do trabalho deles em vários aspectos da nossa vida cotidiana.

O que você pode aprender: pensar no visual e no design e no processo criativo da sua marca ou produto pode fazer a diferença durante a jornada empreendedora.

Onde assistir: Netflix

 

Shark Tank Brasil

A imagem mostra uma cena da série Shark Tank Brasil 

Versão brasileira de uma série americana de grande sucesso, como funciona o universo do empreendedorismo na vida real. A cada episódio, a série reúne conceitos como formação de produto, apresentação e segmentação do público-alvo por meio de empreendedores que apresentam seus negócios para grandes empresários brasileiros, considerados “tubarões do mundo dos negócios”, que avaliam essas novas empresas e oportunidades.

O que você pode aprender: uma oportunidade para analisar as ações diante do seu negócio e como apresentá-lo em um pitch diante de investidores.

Onde assistir: Youtube

 

Eu errei

A imagem mostra uma cena da série Eu errei

A série de vídeos conta a história de empreendedores sociais e nasceu de uma prática comum: a tentativa do erro e do acerto. Por meio de depoimentos de situações reais de aprendizado, a cada episódio, os criadores dos negócios contam como identificaram seus erros e conduziram os acertos das empresas que lideram, além de compartilhar a vontade de transformar a realidade social que vivenciam. O projeto é uma parceria entre o Portal Aupa e o Instituto Sabin.

O que você pode aprender: como lidar com o erro durante algum processo do seu negócio e como ele pode transformar o contexto de suas comunidades.

Onde assistirYoutube

 

PenseGrande.Doc

A imagem mostra uma cena da série PenseGrande.Doc

Fruto de uma parceria entre a Fundação Telefônica Vivo e o Canal Futura, a série de documentários tem como objetivo revelar histórias inspiradoras de jovens empreendedores, com menos de 30 anos. Os vídeos foram produzidos por jovens de diversas regiões do Brasil e contam 26 casos reais de empreendedorismo que estão transformando realidades por todo o país. Entre eles, seis fazem parte do Programa Pense Grande, que estimula a cultura de empreendedorismo para jovens.

O que você vai aprender: como uma ideia transformadora pode sair do papel e tornar-se uma realidade que muda a vida de muitas pessoas de sua comunidade.

Onde assistir: Youtube e site oficial do PenseGrandeDoc.

março 15th, 2019

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Grupo de jovens do Programa Pense Grande Incubação posa, para a foto

Diego Silva, que passou pelo programa do Pense Grande dá depoimento e dicas para você inscrever sua ideia ou negócio de impacto social

A Parafuso Educomunicação foi uma das iniciativas selecionadas, em 2017, para participar da Incubação do Programa Pense Grande, da Fundação Telefônica Vivo. Pra quem não sabe, a Parafuso é o coletivo curitibano no qual eu, a Juliana Cordeiro e a Paula Nishizima somos co-fundadores, e que promove o engajamento e a participação cidadã de adolescentes e jovens nas decisões em sociedade por meio da comunicação, educação e tecnologia. Foram nove meses incríveis de bastante aprendizado e desenvolvimento pessoal e do nosso empreendimento social também (:

Inclusive, eles estão com as inscrições abertas para quem quiser concorrer a uma das 30 vagas para empreendimentos a serem incubados. Clique aqui para acessar o regulamento e visite o site de inscrições, onde é possível encontrar um infográfico com o passo a passo do processo seletivo. Mas corre! O prazo final para se inscrever é dia 15 de Março de 2019!!!

Pra incentivar você a não deixar essa oportunidade passar, listei 10 motivos essenciais pra você inscrever a sua ideia no Pense Grande Incubação!

1. Você pode receber assessorias presenciais e online do início ao fim do período em que estiver incubado.

2. Você pode conhecer lugares incríveis durante as atividades de imersão. Nós, por exemplo, visitamos as sedes do Google Brasil e do Facebook Brasil, em São Paulo.

3. Você passa a se conectar com uma rede fantástica de jovens abertos a compartilhar sonhos, ideias e até as angústias dessa jornada que é empreender.

4. Várias oportunidades de conhecer e conversar com convidados(as) incríveis vão surgir. A gente conheceu inúmeras pessoas como as fundadoras do Think Olga, por exemplo. Mas quando voltamos para nossas comunidades, tecemos novas redes e conhecemos pessoas maravilhosas testando novos formatos e metodologias, como no lançamento da experiência #ParafusoLab

5. Você vai ter a paz necessária para parar tudo o que está fazendo na vida e se concentrar em desenvolver o seu negócio com a sua equipe.

O jovem Diego Silva posa para foto com outras duas colegas

 

6. O desenvolvimento do negócio vai caminhar junto com o seu desenvolvimento pessoal. Empreender também é uma jornada de autoconhecimento.

7. De acordo com a apresentação de resultados, seu acesso a um capital semente pode ser maior! Todos(as) recebem aporte financeiro necessário para desenvolver produtos e serviços. Entretanto, mais itens da sua solicitação podem ser aprovados se você colocar a mão na massa!

8. O acompanhamento da evolução do negócio e os encontros presenciais de imersão acontecem através de metodologias gamificadas. É tipo um jogo mesmo, em que os(as) participantes são motivados(as) a avançar cada uma das fases.

9. Fica mais fácil compreender onde você tá errando, o que é preciso melhorar e o que já está bom. Os feedbacks são constantes e boas verdades são ditas com amor. Tudo com o objetivo de impulsionar o crescimento do empreendimento de forma saudável e ágil.

10. Impossível sair do processo de incubação do mesmo jeito que entrou. É sério.
 

Tenho outros motivos pra te indicar a se jogar nessa oportunidade, mas a lista ia ficar muito grande. Mas vamos parar por aqui, pois acredito já há motivos suficientes, né não? ;D #PenseGrande #todospodemempreender

*Este artigo foi originalmente publicado no blog do Diego Silva

março 11th, 2019

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Jovem está em pé e olhando para o horizonte, usando dispositivo feito com materiais recicláveis para assistir a vídeos 360° por meio de um celular, um exemplo de gambiarra que ajuda a explicar o termo Mecnologia.

Novo conceito derivado do funk está sendo disseminado por intelectuais das comunidades do Rio de Janeiro

Você sabe o que é ‘mec’? Já teve uma ‘chuva de mec’? Ou talvez viva a filosofia da Mecnologia? É, essas respostas podem ser difíceis para quem não está por dentro das gírias do funk carioca. Criada em 2016 pelo Mc TH, mec é o mesmo que estar “tranquilão, numa boa ouvindo o batidão”. São os famosos “suave na nave”, “de boa na lagoa” e “nice on the ice”. No bom e velho português, é o estado de quem está sereno, sem preocupações.

Já Mecnologia é um conceito recém-saído do forno, que une a gíria carioca à palavra tecnologia para descrever a capacidade que moradores das periferias do Rio de Janeiro desenvolvem para permanecerem tranquilos em meio à violência e à escassez de direitos e serviços básicos, como saneamento, educação e moradia.

Quem primeiro trouxe o neologismo foi o artista plástico e cineasta Raphael Cruz, morador do Complexo da Maré (RJ). O conceito fez tanto sentido que foi logo assimilado pelos intelectuais e pensadores da periferia, chamando a atenção para esse modo de vida que envolve criatividade, esperteza e inovação.

Alguns dos exemplos práticos da Mecnologia são o mototáxi que diminui as dificuldades de locomoção nas comunidades, os puxadinhos que resolvem os problemas de moradia, o banho na caixa d’água para aliviar o calor, o ‘dividir para multiplicar’, a ‘água no feijão’ e outras tantas gambiarras que ajudam a periferia a criar sua própria forma de ser e estar na cidade, como descreveram em um artigo sobre Mecnologia as jornalistas Marcela Lisboa, de 27 anos, e Thamyra Thâmara, de 30 anos. 

Da margem para o mundo

Thamyra Tamara, fundadora da GatoMídia que registrou a reação de jovens a vídeos 360° no melhor estilo Mecnologia, está sorrindo para foto, com os cabelos encaracolados presos e com o Complexo do Alemão ao fundo.Thamyra, que é da periferia de Brasília, mas está há seis anos morando no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, é fundadora do GatoMÍDIA, um espaço de aprendizado em mídia e tecnologia criado na comunidade carioca, em 2013, e voltado para jovens negros e moradores da periferia.

“Aqui a gente pensa muito na tecnologia a partir do que a favela produz, a partir das ferramentas de gambiarra usadas para resolver problemas do dia a dia, para contornar a ausência do estado e driblar o ambiente de escassez”, define.

As criações feitas por quem participa dos laboratórios do GatoMÍDIA ampliam a voz da periferia e ajudam a difundir um novo olhar para problemas sociais enfrentados diariamente pelos moradores das comunidades, como os jogos Meritocracia e Transfobia.

Também consolidam o acesso às novas tecnologias, como aconteceu recentemente com moradores do Complexo do Alemão que, pela primeira vez, vivenciaram a experiência de realidade imersiva, com vídeos de 360º, produzido por jovens de diversas favelas do Rio. A reação foi registrada em vídeo por Thamyra, no melhor estilo Mecnologia.

Marcela Lisboa, fundadora da agência Naya empenhada a difundir o termo mecnologia, posa com cabelos raspados e usando um colar laranja e verde ao pescoço. Marcela Lisboa, também moradora do Complexo da Penha, é fundadora da agência de publicidade Naya, voltada para as classes C e D, e está empenhada em espalhar essa nova ideia. “É importante que as pessoas saibam que os moradores da favela podem não apenas refletir, mas elaborar conceitos sobre si mesmos ou qualquer outra coisa. São conhecimentos marginais, que insurgem nas beiras da sociedade”

Ao lado de Raphael Cruz, Marcela é diretora e roteirista de um longa documental – com participação de Taisa Machado no roteiro – que reflete sobre as soluções criativas pensadas pela favela como parte dessa ciência da tranquilidade, com lançamento previsto para o meio do ano. A seguir, ela explica mais sobre Mecnologia na periferia. Confira:

Mecnologia está relacionado à abundância de otimismo? Qual o segredo para manter esse otimismo (e a criatividade), especialmente para quem vive em um contexto de muita escassez?

Marcela Lisboa: Quando a gente cresce cercado de ausências, aprende a valorizar todas as pequenas vitórias. Para algumas pessoas a graduação não é nada demais. Pra um favelado, concluir a faculdade é uma vitória coletiva. Há um valor subjetivo imaterial incluído nisso. Não sei se é abundância de otimismo ou se o sonho e a fé são as únicas coisas que podem levar além das estatísticas. Creio que vale a máxima: fé em Deus e nas crianças da favela.

Cite alguns exemplos de Mecnologia mais perceptíveis no dia a dia.

Marcela Lisboa: Toda vez que falta água no morro e um vizinho ainda tem, ele liga uma borracha à torneira mais próxima e enche o balde dos outros. A falta de creches é compensada pela vizinha que toma conta dos filhos da outra, ou do vizinho eletricista (ou não) que sobe no poste de luz quando falta e resolve tudo. Essa cultura do compartilhamento em meio à escassez é o princípio básico do que chamamos de “nós por nós”.

Thamyra está ajudando jovem a colocar em frente aos olhos dispositivo feito com materiais recicláveis para assistir a vídeos 360° por meio de um celular, um exemplo de gambiarra que ajuda a explicar o termo Mecnologia.

É preciso ter um certo perfil ou uma certa personalidade para ‘ficar mec’?

Marcela Lisboa: O que mais me fascina na cultura do funk é que ele é feito na favela, mas é pra todo mundo. A segregação não faz parte dos nossos valores.

A cultura do funk está, de alguma maneira, relacionada à ancestralidade dos povos africanos?
Marcela Lisboa:
Sem sombra de dúvidas. Entendo a ginga do passinho como uma nova versão do que seria a capoeira. O samba de roda é um pouco disso também. Características de um povo que dança para não surtar por conta do ódio.

O funk é uma grande tecnologia de movimentação do corpo que passa pela movimentação do chakra básico. A própria linguagem desenvolvida nas gírias como parte de um processo de adaptação a um mundo que exclui. O mesmo com o samba, o jongo ou qualquer outra criação nossa. Eu chamo de herança ancestral. Nossa parceira Morena Mariah escreveu um pouco sobre isso em seu canal no Medium.

As tecnologias digitais ampliam o alcance da voz da periferia e garantem certa emancipação em diversos aspectos, da representatividade à produção de conhecimento.  Quais são os benefícios disso?

Marcela Lisboa: Nem podem ser mensurados. O geógrafo Milton Santos fez sua aposta sobre um outro futuro possível. Nós acreditamos que esse outro futuro passa pelo reconhecimento de que nós, afro ameríndios, somos parte integrante da geração que produz conhecimento e apresenta soluções para as crises.

É conseguir falar de si em primeira pessoa depois de anos e anos de exclusão e marginalização. Se a geração dos meus pais e avós sofreram por invisibilidade, eu sou fala e bites. Não há mais intermediação para comunicar minha realidade. Estamos nos apropriando dos meios de comunicação de massa. Agora precisamos construir estruturas e reconstruir o sentido de brasilidade tendo a globalização como uma aliada.

O seu filme é um exemplo disso, né? Pode falar um pouco mais sobre ele?

Marcela Lisboa: Mecnologia é um projeto multiplataforma que tem o baile funk como ponto culminante de tudo: empregabilidade, economia criativa, perspectiva do sonho, low e high tech e o circuito migratório da favela. Vamos comparar o baile com outros grandes eventos da cidade, tudo numa linguagem e estética afrofuturista.

O projeto será acompanhado de uma revista com distribuição em escolas públicas com pesquisas e reportagens que embasam o documentário. Nada de academiquês. Temos uma parte da gravação iniciada, mas ela será em junho e julho, porque ainda estamos buscando financiamento. Faremos exibições nas favelas onde gravamos e em escolas públicas, mas também quero lançar em festivais internacionais.

Como disseminar a ideia de que a favela é lugar das soluções, não de problemas? Marcela Lisboa: É um exercício básico: quando a gente fala de favela, o que vem na mente? Tráfico, morte, sujeira, violência, medo. Nem carro por aplicativo a gente consegue pegar. O cinema nacional não ajudou muito, já que os grandes clássicos internacionalmente conhecidos são a reprodução de um olhar de fora para dentro. Eu estou bem cansada da narrativa da vitimização e do coitadismo.

Sou uma profissional. Minha trajetória é diferente, mais resiliente e com muitas outras dificuldades, mas escolhi não contar a história triste. Quero contar o que a gente pensa de solução, de criação. Pra mim, isso é sobre mostrar pra minha mãe e pros meus sobrinhos que eles não precisam ter vergonha de quem são. É promoção de autoestima, para além da estética. É promoção de dignidade humana e cidadã para que outras Marcelas consigam sonhar com um outro futuro possível.

março 8th, 2019

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Empreendedora usa gestão financeira para empoderar mulheres na periferia do RJ

A Empoderamento Contábil oferece serviços de consultoria para ensinar mulheres no Rio de Janeiro a administrar o seu dinheiro e enxergar o empreendedorismo como possibilidade

Todos os dias, ideias inovadoras são propagadas por mulheres inspiradoras. Algumas delas escolheram o empreendedorismo para disseminar, pouco a pouco, a transformação que querem ver no mundo. É essa a missão de Ludmila Hastenreiter, 30 anos, que decidiu compartilhar, através de palestras e oficinas, conceitos de gestão financeira para microempreendedores da periferia, buscando especialmente empoderar mulheres.

“A Empoderamento Contábil surgiu da necessidade de compartilhar a importância da gestão financeira para a saúde de uma empresa”, define a empreendedora, acrescentando: “Mas também com o intuito de retribuir para os meus iguais o conhecimento e as oportunidades que tive ao longo destes 12 anos de mercado formal”.

Criada em Duque de Caxias, zona periférica do Rio de Janeiro, Ludmila acostumou-se desde cedo com a rotina de deslocamento em direção à ascensão educacional e profissional – localizada nas regiões nobres do estado. Essa distância foi ficando cada vez mais clara, não apenas fisicamente, mas sobretudo no que diz respeito aos caminhos que traçou.

Dividida entre Comunicação Social e Ciências Contábeis, a jovem, que sempre amou os números na mesma medida das palavras, escolheu fazer carreira na segunda área, pois, na época, era a única que lhe oferecia a possibilidade de conseguir um estágio remunerado.

“À medida que os anos passavam, percebi que para prosperar na carreira corporativa, eu precisaria me afastar cada vez mais dos meus valores e de quem eu sou”, relembra a empreendedora. “Infelizmente, em alguns momentos, tive de me masculinizar, fingir que não era mulher, que não era tão negra assim”.

Essa perspectiva, no entanto, também fez com que Ludmila enxergasse o empreendedorismo e os pequenos empreendedores periféricos com outros olhos. Percebeu que, com informação e treinamento de qualidade, disponibilizados numa linguagem descomplicada, por um preço acessível, o conhecimento que lutou para conquistar do outro lado da cidade, poderia ser concentrado em sua própria comunidade.

Empreender é desconstruir

Apesar de ter decidido o foco do empreendimento, o caminho a seguir a partir de então não foi tão simples. Os primeiros obstáculos foram os próprios pré-conceitos de Ludmila e do público alvo da Empoderamento Contábil.

“Eu precisei, e ainda preciso, desconstruir alguns pensamentos, principalmente o de que só um emprego com carteira assinada vai me abrir portas”, diz a empreendedora. “Essa é uma ideia bem comum na periferia. Meu público-alvo encara a própria profissão como um bico, uma renda extra até voltar ao mercado de trabalho. O que eu quero é conscientizar esse microempreendedor do potencial que tem, mostrando que a gestão financeira também é para ele”.

Em 2017, quando Ludmila oficializou o negócio, buscou nas ruas os desafios que precisaria enfrentar. Entre eles, listou a dificuldade de acesso a crédito, burocracia na formalização do micronegócio, ausência de capital de giro e incerteza sobre o sucesso do empreendimento. No caso específico da empreendedora, o apoio da família e dos amigos foi fundamental para o sucesso de seu negócio, mas ela conta que muitas pessoas com quem conversa em seus workshops não recebem o mesmo reconhecimento, o que desencoraja a visão do empreendedorismo como alternativa profissional.

Para fazer acontecer

Apesar de não ter tido nenhum tipo de capital semente ou ajuda de colaboradores diretos, a Empoderamento Contábil já abriu caminho com uma vantagem: o conhecimento da fundadora em relação à gestão estratégica e de custo. Além disso, os mais de 10 anos de carreira no mercado formal deram a Ludmila o panorama necessário para entender os processos de estruturação e planejamento de uma empresa.

Atualmente, a startup é conduzida apenas pela fundadora e conta com parcerias e colaborações com coletivos, ONGs e outros empreendedores sociais. O site, por exemplo, foi desenvolvido com a ajuda de três designers do projeto Cumbuca Marketing, que usaram as técnicas do design Sprint para mapear e terminar de definir os serviços ofertados pela consultoria. Outro passo importante na trajetória do empreendimento foi o redirecionamento de público. Ludmila optou por orientar o conteúdo de seus serviços para mulheres empreendedoras e periféricas.

Ludmila Hastenreiter, que criou a Empoderamento Contábil para empoderar mulheres, está sentada ao computador sendo gravada por câmera.

“Percebi que minha primeira opção é falar com mulheres. A importância e o impacto que a mulher tem na disseminação do conhecimento é ímpar; entre os jovens, dentro de uma família. Ainda mais quando essa mulher é empreendedora, e tem que cumprir uma série de atividades sendo uma só”, explica Ludmila.

Conquistas alcançadas e à vista

Desde 2017, foram realizados em média 10 grandes eventos. Dentre eles, a maioria palestras gratuitas e alguns workshops de baixo custo, que variaram entre R$ 20 e 60. Ainda assim, foram distribuídas algumas gratuidades, para ampliar as oportunidades de quem não poderia arcar com esse valor.

Além da consultoria presencial, Ludmila abriu um canal de treinamento online, o Vamos Juntas! O curso se dedica a ensinar mulheres a administrar o dinheiro e investi-lo para potencializar a carreira profissional. No futuro, a empreendedora pretende implementar um sistema de plataforma de ensino online, mas por enquanto opta pela maior parte dos serviços  presenciais, incluindo palestras e consultorias em empresas.

Ludmila Hastenreiter, que criou a Empoderamento Contábil para empoderar mulheres, está ao lado de dez participantes do canal de treinamento Vamos Juntas!

Para complementar os planos e somar conhecimento, Ludmila foi aprovada recentemente em um curso extensivo de Finanças Corporativas na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos. Apesar de ter recebido bolsa integral, as despesas da viagem não são inclusas e, por isso, a empreendedora abriu um financiamento coletivo para arrecadar fundos, que funciona por meio de um sistema de recompensas: a cada contribuição feita, o doador tem a chance de criar uma oficina em um bairro periférico do Rio de Janeiro.

Dessa forma, o conhecimento somado e adquirido retorna para a periferia e os valores, uma vez negados, são exaltados como potenciais transformadores. Mulher, negra, periférica e empreendedora social, Ludmila Hastenreiter imprime no mundo um pouco da sua marca todos os dias.

Enquanto a Empoderamento Contábil alcança os primeiros resultados e define metas para o futuro, outros empreendimentos criados por mulheres e voltados para abrir caminhos na vida profissional despontam como potenciais transformadores. É o caso da RAP – Rede de Afro Profissionais, uma ferramenta que conecta mulheres negras a oportunidades no mercado de trabalho.O projeto foi desenvolvido por duas irmãs, Jéssyca (26) e Monique Silveira (31), e surgiu com a missão de promover a igualdade racial e de gênero, ao criar uma rede de conexões entre mulheres negras e as mais diversas vagas de emprego, incentivando a ocupação de cargos de liderança.

Antes de ser acelerado pelo Pense Grande Incubação, a RAP começou como um grupo no Facebook, que reunia mulheres negras e as incentivava a empregarem umas às outras. Hoje, a startup movimenta em média 15 mil mulheres conectadas.

março 8th, 2019

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Conheça marcas comprometidas em garantir uma cadeia produtiva consciente

O movimento slow – expressão que em inglês  significa “devagar” –  tem despontado como alternativa para a dinâmica massiva de produção industrial.  O principal objetivo desse conceito é incentivar as marcas e o público a resgatarem valores como sustentabilidade, diversidade, ética e consumo consciente.

É o caso do slow fashion, tendência que surgiu em oposição aos hábitos de consumo excessivos e também às condições degradantes que envolvem a cadeia produtiva na indústria da moda. A concepção foi criada pela consultora inglesa Kate Fletcher, em 2008, e inspirada nas bases do slow food, conceito que defende a busca por uma alimentação de qualidade.

A ideia é respeitar o tempo de cada etapa da produção, impedindo que estilistas tenham que criar 10 a 30 modelos de roupa por dia, sem poder pensar com o tempo devido em qual a necessidade de criar o produto”, define Marina de Luca, diretora de Comunicação do Fashion Revolution Brazil.

Além de se preocupar com todo o processo envolvido na confecção, o movimento  traz ainda um olhar mais amplo em relação ao estilo de vida. A missão é não apenas mudar a forma de vestir, mas também a forma de pensar, sobretudo no ato de adquirir os produtos.

“Quando as pessoas entendem o processo por trás de suas roupas, como são feitas, do que são feitas, quem fez e depois, pensam para onde vão ao serem descartadas, não tem como não se sensibilizar”, acrescenta Fernanda Simon, consultora de moda sustentável e co-idealizadora do Eco Fashion Week.

“Escolhas mais conscientes podem variar desde o simples ato de não comprar, usar o que já tem, cuidar bem, consertar e trocar com amigos. Só assim podemos mudar hábitos de consumo”, reflete.

Para explicar um pouco melhor esse movimento, indicamos seis iniciativas slow fashion que se comprometem a desacelerar os padrões com muita qualidade e essência. Conheça alguns princípios para não ficar de fora dessa moda!

 

Clo – Sustentabilidade e causa

A marca de sapatos que foi batizada com o nome da cachorrinha do casal fundador, Clo, tem como premissa produzir calçados a partir de resíduos industriais e revertê-los para ONGs ou instituições de proteção aos animais.

Localizada em Novo Hamburgo (RS), região famosa pelo segmento de calçados, a Clo trabalha o conceito de slow fashion aproveitando o material desperdiçado por essas indústrias – impedindo que mais recursos sejam gastos – e desenvolvendo modelagens exclusivas (na maioria das vezes edições limitadas).

As vendas são feitas online e 10% da receita adquirida é doada, a cada três meses, para organizações locais.  Além de garantir a sustentabilidade, a marca reverte a lógica de consumo e incentiva o ecossistema local.

 

Karmen – Qualidade na confecção

A maior preocupação da marca curitibana criada pelo artista Rimon Guimarães está no tecido das peças. Essa premissa é garantida da seguinte forma: os materiais descartados da indústria têxtil, partindo de fornecedores devidamente regulamentados, é utilizado na confecção das peças da Karmen e reforçado para durarem mais.

 

Damn Project – Ciclo de vida

O ciclo de vida dos produtos é uma preocupação típica do slow fashion, pois determina o ritmo de consumo para substituí-los. O Damn Project surgiu justamente para tentar solucionar esse problema: sua missão é funcionar como um brechó consciente. Além de apoiar marcas e designers brasileiros, trabalham para colocar de volta no mercado roupas em desuso.

 

Gioconda Clothing – Diversidade

A Gioconda Clothing, marca de lingeries, já vem com o DNA do slow fashion na proposta inovadora: produção artesanal de roupas de baixo confortáveis para ficar em casa! Indo na contramão da plasticidade das lingeries, as peças são produzidas em pequena escala e tem todos os materiais certificados e 100% brasileiros.

 

Ahlma – Preço

A imagem mostra a fachada de uma loja com manequins e alguns cartazes

 

Geralmente, as marcas slow fashion costumam ser um pouco mais caras devido ao processo produtivo artesanal e em pequena escala. Para entender exatamente o porquê e o que estão pagando, a Ahlma, grife carioca idealizada pelo estilista André Carvalhal. preocupa-se em detalhar cada peça com a descrição da origem dos materiais, quanto do valor corresponde aos impostos, custo operacional, investimento e lucro.

 

Doisélles – Ética

A Doisélles tem um diferencial no processo produtivo de suas peças: o valor social. A marca idealizada por Raquell Guimarães usa trabalhos em tricô e crochê, que são realizados por detentos de duas penitenciárias de segurança máxima em Minas Gerais. A oficina é composta por homens que aprendem a tecer em troca de salário, redução de pena e auxílio às famílias.

Além disso, a capacitação profissional também está entre os objetivos principais, tendo como destino os investimentos adquiridos com o lucro das peças.

março 1st, 2019

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Na imagem professores estão sentando em volta de uma mesa participando de uma dinâmica que envolve uso de objetos como elásticos, papéis e bexigas.

Professores se colocam no papel de alunos e se reinventam ao entrar em contato com a metodologia do programa Pense Grande

A melhor maneira de entender a cultura empreendedora é colocar a mão na massa, como descobriu um grupo de professores de 20 ETECs do estado de São Paulo. Na última semana, eles participaram do primeiro encontro de Formação de Multiplicadores do Centro Paula Souza do Pense Grande, que ocorreu na ETEC Parque da Juventude, na zona norte de São Paulo.

A capacitação explorou a metodologia do Pense Grande, projeto da Fundação Telefônica Vivo em parceria com o Impact Hub e o Centro Paula Souza, que apoia jovens no desenvolvimento de competências empreendedoras e na criação de empreendimentos sociais que transformem suas vidas e comunidade.

A ideia é que os educadores se apropriem de ferramentas que possibilitem ações inovadoras nas disciplinas de projetos das instituições onde trabalham. A formação vem para fortalecer a cultura do empreendedorismo social com os jovens e estruturar um projeto em rede com engajamento de diversos atores.

“Nosso trabalho indireto com os professores das escolas técnicas existe há muitos anos, mas a formação específica para que possam ser multiplicadores da metodologia abre a possibilidade para que muitos mais jovens participem e até outros professores. Nossa expectativa é ampliar cada vez mais essa rede e também aprender com quem lida com os jovens no dia a dia”, explica Mila Gonçalves, gerente de programas sociais da Fundação Telefônica Vivo.

Ao todo, 95 professores e coordenadores se inscreveram para a capacitação, dividida em cinco encontros que acontecem até o final de abril. A cada reunião, serão apresentadas novas ferramentas da metodologia do Pense Grande e será vivenciado na prática tudo o que muitos alunos das ETECs vinculadas ao programa conhecem bem.

“Minha escola participa do projeto há três anos e sempre acompanhei de perto”, relata a orientadora educacional Tania Maria Bernardes de Almeida, da ETEC Benedito Storani, de Jundiaí (SP). “O que percebo é que os alunos são mais receptivos e os professores, mais resistentes a metodologias inovadoras. Por outro lado, é muito interessante quando o professor está engajado, porque busca um melhor resultado com a classe. Todo mundo saí ganhando”, complementa.

Os professores serão acompanhados de perto pela equipe da Impact Hub e da Fundação Telefônica Vivo. Além das capacitações, haverá tutorias online e presenciais para que tirem dúvidas e discutam o andamento das atividades realizadas com os alunos.

 

É hora de aprender

Professores que participaram da formação posam para foto.

A primeira etapa de formação durou o dia inteiro e os participantes puderam aprender seis ferramentas diferentes. Entre elas o World Café – que fomenta o diálogo entre os indivíduos e o respeito entre diferentes pontos de vista para construir uma inteligência coletiva – e o Ikigai. Traduzida como ‘razão de ser’, é uma forma de trabalhar temas como autoconhecimento, missão, vocação, profissão e paixões.

Júlio Cesar da Silva, professor da ETEC Abdias do Nascimento prestes a completar trinta anos de profissão, viu um significado especial no dia de aprendizado. “Aqui, no papel de aluno, tenho oportunidade de me reinventar. Gosto de trabalhar metodologias voltadas para adolescentes porque consigo rejuvenescer a minha prática”, afirma.

Como de praxe, a formação do Pense Grande começou com dinâmicas quebra-gelo, na qual os participantes falaram sobre expectativas e discutiram a importância da cultura empreendedora para os jovens do século XXI.

Mais tarde, já reunidos em grupos, levantaram alguns problemas enfrentados no dia a dia, como dificuldade de captar a atenção do aluno, falta de infraestrutura, distanciamento das famílias e dúvidas sobre como agregar tecnologia às aulas.

A partir do levantamento, os grupos receberam a missão de criar uma solução para os problemas elencados e prototipá-la com materiais lúdicos, como palitos, bexiga, barbante, massinha e caneta colorida. Em seguida, os grupos defenderam o projeto em um pitch de 30 segundos.

Surgiram as mais diferentes ideias: captação de parcerias para a criação de laboratórios mão na massa; projeto interdisciplinar para apoio dos pais; mandala com novas ferramentas de trabalho para o professor; indicadores que ajudam a desenvolver empatia e acolhimento e a criação de empresas juniores para demandas internas e externas.

Por fim, os grupos foram estimulados a contextualizar os projetos com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Nós percebemos que boa parte das ODS podem ser resolvidas com a mudança da educação. Por isso a importância de trabalhar com metodologias ativas, sala de aula invertida e novos jeitos de pensar”, disse Jefferson Jeansmonodo, professor da ETEC Sapopemba.

Foi o primeiro contato do educador com o Pense Grande. “O que não dá é para a gente continuar com a receita do século XVIII, com a sala de aula antiquada. Por isso foi muito importante participar dessa capacitação, que permite a mudança de visão e ajuda a ir além das limitações estruturais”, disse Jefferson, ressaltando que a maioria dos professores de seu convívio já busca mudar suas práticas.

 

O aluno no centro do aprendizado

Desde o início de 2018, a metodologia Pense Grande faz parte da grade curricular como disciplina de apoio de algumas ETECs e Fatecs. Além de desenvolver competências importantes para o mercado de trabalho, a cultura empreendedora amplia o protagonismo, a capacidade de mobilização do aluno, além de incrementar as habilidades socioemocionais e a criatividade.

Para o professor Monteiro, que faz parte da Assessoria de Inovação do Centro Paula Souza, os professores hoje precisam ser responsáveis e desenvolver atitude empreendedora para poderem contribuir com uma mudança de mindset dos alunos.

“A capacitação do Pense Grande é um trabalho que reforça o papel do profissional do século XXI. É um projeto que leva para dentro da sala de aula a produção de conteúdo que faz sentido para professores e alunos, além de permitir que os estudantes sejam protagonistas, formando novas lideranças para o Brasil”, diz Monteiro

A ETEC Professora Maria Cristina Medeiros, de Ribeirão Pires (SP), incluiu a metodologia em duas disciplinas no ano passado. A coordenadora Sirlei Rodrigues, que estava participando da formação de multiplicadores, exaltou os resultados. “O ensino do empreendedorismo é fundamental para que os estudantes enxerguem outras possibilidades de futuro, tenham atitude mais positiva, desenvolvam habilidades que nem sabiam que tinham e, assim, reinventem o mercado de trabalho”, contou.

Já a professora Beatriz Giannella, orientadora pedagógica na ETEC Irmã Agostina, de São Paulo, participou do programa piloto da formação de multiplicadores no fim do ano passado e já aplicou algumas oficinas com os alunos.

“Fiz o bingo da empatia com uma sala que estava com problemas de relacionamento. Eles demoraram para entender a proposta, mas depois gostaram porque tiveram a chance de conversar com colegas que não conheciam”, relata Beatriz. Após repetir a dinâmica no primeiro dia a de aula de 2019, ela espera que a formação a faça se aprofundar ainda mais nas ferramentas do programa. “É muita coisa nova para a gente assimilar, mas o potencial é incrível!”.

Números do Pense Grande

– Em 2016, o programa aconteceu em 5 instituições, impactando 103 alunos;

– Em 2017, foram 18 instituições, com mais de 600 alunos beneficiados;

– Em 2018, o programa chegou a 48 instituições, impactando 2.088 jovens.

março 1st, 2019

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Conheça o MovaNos e o Biricutico, dois projetos que fazem a diferença na vida de muitos jovens da periferia no Rio de Janeiro e em Brasília

A arte e o desejo de que todos possam ter acesso à educação e à cultura motivaram a criação dos projetos Movanos e Biricutico, que serão apresentados em fevereiro no Pense Grande.Doc, série de documentários feita em parceria entre a Fundação Telefônica Vivo e o Canal Futura.

Ativismo criativo e empreendedorismo andam de mãos dadas no Movanos, criado pelos cariocas Hudson Batista, de 26 anos, e Lu Fortunato, 37 anos, na Vila Vintém, periferia do Rio de Janeiro.

No formato de uma casa de cultura, o espaço funciona como um movimento de arte e cultura, que utiliza a linguagem do teatro para fazer a diferença na vida de muitos jovens.

A ideia saiu do papel em 2015 e desde então permeia temáticas étnico-raciais até assuntos como empreendedorismo e pedagogia. “Falávamos sobre diversos tipos de preconceito, focando principalmente na questão racial”, complementa Hudson. Logo, os amigos perceberam era preciso pensar em algo maior para o futuro.

 

Apoio para expansão do projeto

Na imagem, jovens do projeto Movanos fazem uma dinâmica

 

Em 2016, a Movanos passou por um período de incubação no Pense Grande – programa da Fundação Telefônica Vivo voltado para jovens interessados em ampliar suas possibilidades de futuro, a partir do desenvolvimento de empreendimentos sociais.

Assim, a iniciativa encontrou outro objetivo: levar conscientização para dentro da sala de aula por meio de peças teatrais e atuar pela consolidação da Lei 10.639, que estimula o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana na rede pública.

Hoje atua com estudantes do Ensino Médio de escolas públicas e privadas da zona oeste do Rio, utilizando uma metodologia chamada Jornada teatro-corpo.

 

Está aberto o edital de inscrição para a incubação do programa Pense Grande. Se você é jovem e tem uma ideia para empreender, um negócio social e iniciativa já em funcionamento, que busca resolver alguma necessidade de sua comunidade e utiliza tecnologia digital, essa é uma ótima oportunidade! Saiba mais e inscreva-se!

São 90 horas de formação no contraturno, período para atividades extras na escola, nas quais os alunos têm contato com jogos, discussões importantes e técnicas de atuação, respiração e meditação. Ao final do curso, produzem peças de teatro.

“Para nós foi muito importante esse processo de incubação do Pense Grande. Foi um ano em que fomos acarinhados. As metodologias, o tratamento com as nossas ideias e nossos negócios foi fundamental. Deram uma diretriz. Foi um divisor de águas na forma de empreender”, comenta Hudson Batista.

O grande desafio é fazer com que as pessoas deem valor ao trabalho realizado. “Empreender nunca é fácil, são muitos altos e baixos. Temas como o nosso são mais difíceis de obter resultados tangíveis, porque trabalhamos com a formação de pessoas“, pondera Hudson.

Biricutico na “veia”

Jovens integrantes do projeto Biricutico posam para foto

 

Os jovens João Carlos e Matheus Santana começaram a idealizar a Biricutico no final de 2017, em Taguatinga, cidade satélite do Distrito Federal.

“O Biricutico surge de uma urgência. Na periferia, muita gente não tem acesso a algumas coisas que para outras pessoas chegam de forma natural. Sempre tive essa necessidade e não fazia porque não existia esse espaço”, comenta Matheus.

Com a missão de levar conhecimento, empoderamento e emancipação para quem mora fora do centro, a dupla começou a promover ações e a criar eventos junto com quem é da periferia.

Passaram a produzir conteúdo e levar cursos e eventos culturais para diversas regiões periféricas, de modo a dar oportunidade de aprendizado, troca e desenvolvimento de competências a jovens de áreas afastadas do centro de Brasília.

O espaço de atuação do Biricutico é o Beco Underground, um galpão cedido por um patrocinador. Nos dois primeiros meses de operação, foram promovidas aulas de inglês e capoeira e um evento que reuniu batalhas de rap com poesia.

 

Quer saber mais sobre cada um desses projetos? Assista ao Pense Grande.Doc, que vai ao ar todas as quintas-feiras pelo Canal Futura e podem ser acessados pelo Youtube da Fundação Telefônica Vivo.

Confira as datas de exibição de cada episódio em fevereiro:

07/02 – Empreende Aí

14/02 – Movanos

21/02 – Biricutico

28/02 – Instituto Alinha

fevereiro 15th, 2019

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Na imagem, três jovens negros conversam sentados em volta de uma mesa. O rapaz do centro está com um notebook virado para ele.

Em bate-papo, a jovem mestranda e pesquisadora, Taís Oliveira, fala sobre oportunidades e afroempreendedorismo no Brasil.

Quando via de perto o esforço de sua mãe, envolvida em diferentes atividades para complementar a renda da família, Taís Oliveira, nascida no bairro Parque Santos Dumont, periferia de Guarulhos (SP), nem imaginava, mas estava dando seus primeiros passos rumo ao que mais tarde seria seu objeto de trabalho e até o tema de sua dissertação de Mestrado: o afroempreendedorismo.

Participando de cursos e atividades em um projeto social na cidade em que vivia, Guarulhos, Taís decidiu fazer a faculdade de Comunicação Social com ênfase em Relações Públicas. O curso lhe abriu portas para se aprofundar em temas como o empreendedorismo negro.“Não só nos dias de hoje, mas em toda a história da população negra do Brasil, o maior desafio é lidar com o racismo”, garante Taís.

Aos 28 anos, ela é pesquisadora membra do NEAB (Núcleo de Estudos Africanos e Afro-brasileiros) na Universidade Federal do ABC, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais e cofundadora do blog Versátil RP.  Recentemente, Taís esteve em Portugal para participar do evento Smart Data Sprint, que reúne investigadores e estudantes de todo o mundo interessados em trabalhar com dados e métodos digitais.

O que dizem as pesquisas

O termo afroempreendedorismo é uma modalidade de negócios voltada à valorização do empreendedor negro como investidor em potencial e grande representante do mercado de negócios. De acordo com a última pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Sebrae em 2017, as pessoas negras são a maioria dos empreendedores do Brasil e movimentam mais de R$ 1 trilhão de reais por ano na economia, segundo o Instituto Locomotiva.

Driblando o desemprego, combatendo o racismo e a falta de oportunidades, o empreendedorismo se torna uma estratégia para escapar da crise e incentivar novos empresários a crescerem nesse mercado.

Na visão da especialista

Taís Oliveira teve um de seus artigos, Redes Sociais na Internet, Narrativas e a Economia Étnica: Breve estudo sobre a Feira Cultural Preta, publicado no livro Estudando Cultura e Comunicação com Mídias Sociais, que reúne textos de professores e pesquisadores que debatem métodos, identidades, política e mercado da Comunicação. A publicação está disponível para download gratuitamente neste link.

Batemos um papo com a Taís para conhecer um pouco mais de sua trajetória e saber sua visão sobre afroempreendedorismo, o uso das redes sociais como forma de comunicação, a participação das mulheres negras nesse contexto e outros temas. Confira!

 

Como os estudos sobre afroempreendedorismo surgiram na sua vida? 

 

 A jovem Taís Oliveira posa para foto

A pesquisadora Taís Oliveira

Taís Oliveira – Desde pequena acompanhei minha mãe, que é uma mulher negra, nordestina, empregada doméstica, em atividades paralelas que ela realizava para ganhar um dinheiro extra. Naquela época não entendíamos isso como empreendedorismo. Fui mantendo essa relação muito próxima com o tema. Trabalhei em agências de comunicação e sempre ofereci aulas para movimentos sociais e pessoas que não têm muito acesso. Nesse processo, conheci a Feminaria, uma casa para mulheres empreendedoras, onde ofereci muitos cursos de planejamento e comunicação. Me aproximei de movimentos como o Afro Business, a Feira Preta e a Black Rocks, onde sou mentora e ofereci cursos. Com isso, descobri que o afroempreendedorismo tem aspectos sociais que vão além das questões técnicas. Tem muito sobre racismo, identidade, estrutura social, questionar padrões de práticas. E consegui encaixar isso em uma teoria da sociologia do trabalho que é interessante para pensar na questão do grupo étnico.

 

O que te ajudou a iniciar sua trajetória?

Taís Oliveira – Consegui galgar alguns espaços porque sempre investi em blogs, mantive minhas redes sociais sempre ativas e tudo que aprendi e aprendo, tento compartilhar de alguma forma. Mantenho minhas apresentações abertas para acesso gratuito. O grande segredo é compartilhar conteúdo de qualidade e empreender em aspectos que não necessariamente estejam ligados a ganhar dinheiro. Essa troca de informações e conhecer pessoas também são elementos importantes na carreira.

Qual a essência do termo afroempreendedorismo?

Taís Oliveira – O conceito de empreendedorismo está próximo de questões administrativas, de finanças, gerenciamento em torno de negócios, etc. Isso tudo também existe quando estamos falando de afroempreendedorismo, mas as questões sociais relacionadas a ser negro no Brasil e em outros países também está em voga quando relacionamos ao tema. Por exemplo, em eventos, sempre está prevista uma discussão sobre racismo, educação, mercado de trabalho de maneira geral. Os grupos e movimentos sobre afroempreendedorismo estão conectados a movimentos sociais debatendo política, se posicionando de uma forma mais clara e objetiva. Então, o afro vai além de questões técnicas e financeiras. Não é só promover o lucro, mas também uma reflexão importante sobre pautas sociais.

Quais os maiores desafios para os empreendedores negros?

Taís Oliveira – Não só nos dias de hoje, mas em toda a história da população negra do Brasil, o maior desafio é lidar com o racismo. E é um racismo estrutural. Parte desses empreendedores estão nessa função porque não tem um emprego formal ou porque sofreram algum tipo de preconceito em empresas. Um dos desafios, já a respeito da prática em si, é a questão do financiamento. O professor Marcelo Paixão tem uma pesquisa que fala do acesso ao microcrédito. Ele mostra como a pessoa negra que busca crédito é barrada já na porta do banco. A questão de encontrar financiamento é um problema. E sem esse dinheiro inicial, é difícil empreender, em muitos casos. A questão do racismo é bem presente nesse tópico.

O afroempreendedorismo pode ser classificado como um movimento de consumo consciente?

Taís Oliveira – Sim. Inclusive, há movimentos como “Se eu não me vejo, não me compro” ou o “Só compro do pequeno”. E isso é muito aplicado dentro do afroempreendedorismo: consumir produtos e serviços de empreendedores negros. E isso tudo tem ganhado uma proporção grande. Eles mesmo fazem um esquema de comprar entre si e garantem que não vai haver mão de obra escrava, que vão ajudar uma família negra a prosperar, por exemplo.

Como a internet e as redes sociais podem contribuir com o afroempreendedorismo?

Taís Oliveira – As redes sociais possibilitaram o encontro dessas comunidades de afroempreendedores sem a necessidade de uma proximidade geográfica. Quem está em São Paulo pode trocar ideias e consumir produtos do Vale do Dendê, de Salvador, por exemplo. E até mesmo de movimentos fora do país. Isso, na verdade, segue uma tendência. As comunidades negras sempre se encontraram, especialmente as comunidades diaspóricas, um movimento de se aglomerar desde os quilombos. E chamamos esse movimento de quilombo digital, onde nos encontramos de alguma forma para promover o bem-estar da comunidade.

Na comparação salarial, os negros continuam ganhando menos e têm escolaridade inferior aos brancos. Como você analisa esse cenário?

Taís Oliveira – Isso é resultado de um período escravocrata no Brasil e de um racismo estruturado com políticas. Os negros não tiveram acesso à educação, a ferramentas de cultura, saúde. O resultado dessa disparidade é resultado ainda de um regime escravocrata. Temos menos de 200 anos de um país livre de fato. E a questão da violência é muito presente. As pessoas negras morrem mais e estudam menos. Hoje, mesmo que esse pequeno aumento do movimento afroempreendedor tenha seu pé calcado nas políticas de ação afirmativa, tanto de educação quanto de setor público, por exemplo, o poder acaba ficando ainda com quem define os salários.

E ainda segundo pesquisas, a maioria das pessoas negras que empreendem, são mulheres. A que você credita esse cenário? 

Taís Oliveira – Isso é uma resultante ao extermínio da população negra. A fonte acaba sendo a mesma que envolve o racismo. A diferença é que o homem negro morre mais. E as mulheres precisam então chefiar as suas famílias. Em consequência disso, arranjam alternativas para ganhar dinheiro extra. Também existe uma conexão de que as mulheres negras estudam mais que os homens negros.

Você acredita que a escola pode contribuir de alguma com o estimulo ao afroempreendedorismo?

Taís Oliveira – A escola pode mobilizar os alunos de forma geral sobre o tema empreendedorismo, empreendedorismo social, inovação. O afroempreendedorismo está relacionado a Lei 10.639, que estimula o ensino de estudo da África e de questões relacionadas a raça nas escolas. A escola pode ser uma importante ferramenta para isso. Mas o cenário é bem pessimista nesse sentido. Nem o básico da lei é aplicado hoje. Para chegar no patamar de ensino seria uma questão a mais de discussão hoje em dia.

Você tem alguma dica para as pessoas negras que querem empreender e enfrentam dificuldades?

Taís Oliveira – A primeira coisa a ser feita é saber onde se quer chegar e traçar um caminho para esse objetivo. Com esse desenho bem traçado, é possível visualizar em uma pequena escala a trajetória. Isso ajuda a descomplicar. E buscar capacitação técnica. Entender em quais áreas você precisa desenvolver habilidades para compor o seu negócio: administração, marketing, por exemplo. E desenvolver uma boa rede de apoio, não só entre familiares e amigos, mas com outros empreendedores negros que já estão em um nível de satisfação com o projeto.

fevereiro 6th, 2019

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Jovens que participaram do Pense Grande Incubação 2018 posam para foto em grupo

Chegou a hora dos jovens participarem da última imersão da Incubação PG, momento de muita reflexão sobre sua jornada empreendedora. 

Entre os dias 21 a 24 de janeiro, cerca de trinta jovens empreendedores estiveram reunidos para a última imersão da Turma 2018 do Pense Grande Incubação. Juntos em São Paulo e depois em São Roque, eles trocaram experiências sobre a jornada empreendedora de cada um, além de participarem de mentorias personalizadas e rodas de conversas. A imersão marca o fim de um período de 10 meses de muita correria e mão na massa.

Logo no segundo dia de encontro, os jovens empreendedores tiveram a oportunidade de apresentar seus negócios a uma banca composta por representantes de investidoras e aceleradoras alinhadas com iniciativas de impacto social, como Creditas, Sitawi, Bemtevi, Facebook, Rede Anjos Brasil e Nesst.

Em três minutos, eles precisavam falar de seus empreendimentos, o que conseguiram realizar durante a jornada empreendedora e quais seus planos para o futuro. O momento que viria depois era ainda mais desafiador: ouvir o feedback da banca. O encontro ocorreu na Wayraaceleradora de startups do Grupo Telefônica – e foi registrado pela Feel Filmes, parceira executora da Fundação Telefônica Vivo, que irá produzir uma web série sobre esse momento da vida dos jovens empreendedores.

“É o terceiro ano que participo da imersão e é muito interessante ver que, a cada turma, os empreendimentos estão mais diversos e estruturados. Cada projeto é único, possui necessidades únicas e nossa função ali é impulsionar os negócios sociais e mostrar que o empreendedorismo é uma opção de vida possível”, considera Eduardo Pedote, sócio-diretor da Bemtevi e um dos participantes da banca avaliadora.

Ficou curioso para conhecer mais sobre os empreendimentos? Você pode conferir algumas iniciativas incubadas pelo Pense Grande e outros projetos inspiradores no Pense Grande.doc, documentário que vai ao ar todas as quinta-feiras, às 22h15, no canal Futura.

Marina Egg Batista, Diretora de Desenvolvimento Humano da Aliança Empreendedora, parceira executora do programa, avalia que tanto a jornada de dez meses, quanto a última imersão foram muito positivas para o futuro dos jovens e de seus empreendimentos.

“A terceira imersão marca o fim de um ciclo. É o último momento de olhar a trajetória dos negócios e dos próprios empreendedores. Eles tiveram a chance de ter um retorno muito importante de pessoas que não acompanharam os negócios desde o início e foi interessante ver que a banca acreditou nos empreendimentos, compartilhou contatos e, o mais importante, deu dicas de como potencializar as ideias daqui em diante”, conta.

Sob o olhar dos jovens

Para os idealizadores do Cinequebrada, um negócio que aposta em produções audiovisuais acessíveis para a construção de espaços de fala e visibilidade, a imersão serviu como reflexão sobre os dez meses de acompanhamento do Pense Grande.

“Vivemos uma semana de muita animação junto com outros jovens empreendedores. Foi um período super importante para o futuro do Cinequebrada porque nós recomeçamos o negócio quase do zero. O Pense Grande proporcionou maturidade para nós como empreendedores e, também, como pessoas, porque uma coisa não está separada da outra”, opina Wesley Xavier, um dos idealizadores do Cinequebrada.

Durante a imersão, uma das palavras mais mencionadas por eles e por quem acompanhou o processo de desenvolvimento dos negócios, foi amadurecimento.


“Atingimos nosso maior objetivo durante o Pense Grande: sair da fase de ideação do negócio para a de pré-operação. Éramos os empreendedores mais jovens da Turma 2018. Desenvolvemos e amadurecemos muito, tanto o negócio, quanto nós mesmos. Incentivamos que mais jovens participem do Pense Grande, porque é um programa para quem quer, realmente, fazer acontecer!”, acredita Carla Francischette, uma das idealizadoras da IntegraMais.

Momento de seguir em frente

Com o ciclo Pense Grande Incubação 2018 encerrado, começa outra etapa na vida dos jovens empreendedores que participaram do programa: o momento de juntar as avaliações, pensar no futuro dos empreendimentos, aproveitar a rede que construíram durante o processo e transformar os medos e receios em ação.

Em 2019, desafios como pensar a sustentabilidade financeira do negócio, testar os produtos ou serviços desenvolvidos e impactar suas comunidades estarão ainda mais presentes na vida dos jovens empreendedores.

Pense Grande Incubação 2019 vem aí: prepare-se! 

Se você também tem uma ideia de empreendimento social para desenvolver ou tirar do papel, inscreva-se para Pense Grande Incubação 2019. Mais informações estarão disponíveis, em breve, no site do Pense Grande. Fique de olho!

fevereiro 6th, 2019

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Com oficinas, metodologia, incubação de negócios e produção de conteúdo, o programa celebra mais um ano inspirando jovens a empreender. Confira algumas histórias de quem teve a vida transformada pelo Pense Grande em 2018

O ano de 2018 foi de muito trabalho para os jovens que se engajam na jornada empreendedora. Isso porque não basta ter propósito e iniciativa. Tirar uma ideia do papel exige planejamento, estudo, elaboração de metas, organização e muita mão na massa. Seja com formação ou levando inspiração, o Programa Pense Grande da Fundação Telefônica Vivo também se mobilizou para apoiar aqueles que têm o sonho de mudar a comunidade com o desenvolvimento de negócios sociais.

Foram muitas novidades. Em setembro começou o Pense Grande.doc, uma parceria entre a Fundação Telefônica Vivo e o Canal Futura que traz 26 episódios com casos inspiradores de jovens empreendedores, como Jéssica Perereira, que tem Síndrome de Down e é dona e chef do Bellatucci Café, e Anna Beserra, cridora do dispositivo Aqualuz, que utiliza raios ultravioletas para limpar água e garantir o acesso à população de Valente, na Bahia. Até março, os episódios estão sendo exibidos às quintas-feiras, 22h15, no Canal Futura, além de ficar disponível no Youtube da Fundação Telefônica Vivo.

O Pense Grande em 2018

  • 300 beneficiários;
  • 47 escolas trabalham com a metodologia Pense Grande;
  • 2 Escolas Técnicas – ETECs –  e 7 Faculdades de Tecnologia – FATECs incorporaram a metodologia no currículo escolar;
  • 34 mil jovens sensibilizados na oficina Pense Grande Se Vira;
  • Parceria com o Programa Acessa Campos, do Governo do Estado de São Paulo, e com o Programa VAITEC, da Prefeitura de São Paulo;
  • Lançamento dos conteúdos Podcast Pense Grande e Pense Grande.doc.

Em outubro, foi a vez de lançar o Pense Grande Podcast, que trouxe histórias de vida, dicas e desabafos de jovens que passaram pela jornada empreendedora. Beatriz Santos, dona do empreendimento de controle financeiro Barkus Educacional, incubado pelo Pense Grande em 2017, teve sua jornada retratada no documentário e participou de um dos episódios do podcast.

“O documentário é inspirador, tem um ar nostálgico de um exemplo a ser seguido. Já o podcast é mais prático por trazer experiências reais de como funciona empreender, com dicas direcionadas”, conta a jovem, que se consolidou como Embaixadora de Engajamento do programa. “As duas iniciativas são muito importantes para ajudar jovens empreendedores porque elas unem o que a gente mais precisa: inspiração e dicas práticas. Às vezes, na jornada empreendedora, bate uma vontade de desistir porque as coisas ficam difíceis. Ver exemplos de jovens que fazem o mesmo corre que você e pegar dicas práticas ajuda a dar aquele gás”, diz.

 

Amadurecimento dos negócios

Em 2018, 15 empreendimentos foram incubados pelo Pense Grande. Entre eles, o TecLar, uma plataforma gameficada de inclusão digital para idosos criada pela recifense Aline Omar, de 27 anos, após perceber os apuros do pai, de 77 anos, na fila do banco para pagar contas simples.

Aline Omar, do projeto TecLar e Embaixadora de Oportunidades da Rede Pense Grande, está usando óculos, blusa preta de alça e sorri para a foto.

Aline diz que a participação no programa foi fundamental para ampliar sua visão dos negócios. “Estamos na reta final da incubação e até agora o Pense Grande nos ajudou a fazer o MPV (Mínimo Produto Viável), criar estratégias, elaborar plano de negócios e de marketing, além das mentorias e do apoio financeiro para tocarmos os negócios”.

O envolvimento foi tanto que a jovem se tornou Embaixadora de Oportunidades da Rede Pense Grande, atuando na divulgação de editais para empreendedores, além de conteúdos inspiradores e informativos.

 

Questão de oportunidade

É comum ouvir de empreendedores que o melhor momento para tirar a ideia do papel é agora. Mas, para quem está resistente ou mesmo inseguro, existem algumas maneiras de simular situações que podem aparecer pelo caminho. Um exemplo é o jogo Se Vira, que mescla conceitos de RPG com situações da vida real e  é um sucesso nas oficinas do Pense Grande.

O paulistano Marcos Dias Bonfim, de 19 anos, teve contato com o jogo há alguns meses na ESPRO – Ensino Social Profissionalizante, onde estuda administração. A participação foi determinante para que ele encontrasse caminhos para profissionalizar o empreendimento que tem com o sócio, Fabio Gonçalves da Silva, de 36 anos.

Desde 2016, eles mantém o Projeto Vila em Progresso, que prevê o acesso à educação, cultura e recreação para crianças e jovens de até 24 anos da Vila Progresso, comunidade de extrema vulnerabilidade social da zona leste de São Paulo. Através de doações, ações de voluntários e recursos próprios, o espaço oferece cursos de inglês, informática, programação, empreendedorismo, direitos humanos, reforço escolar, oficinas de autoconhecimento, reciclagem, fotografia, entre outros. Já são mais de 100 crianças e jovens atendidos.

“Nossa meta é sair da informalidade e arrumar novas parcerias. O Pense Grande nos mostrou o caminho para que nosso empreendimento se tornasse mais confiável”, relata Marcos.

Fabio complementa: “A participação no programa criou um desejo ainda mais forte de dar oportunidades às crianças e jovens, para que não fiquem em situação de rua e nem que sejam aliciados pelo tráfico, prostituição e outros males que rodeiam a comunidade. Sonhamos em ver nossos jovens perseguindo seus sonhos”.

 

Escola também é lugar de empreendedorismo

A ETEC Doutora Ruth Cardoso, em São Vicente, foi uma das que incorporou a metodologia Pense Grande na grade curricular dos segundos anos do Ensino Médio, com o objetivo de ajudar estudantes a desenvolver competências empreendedoras. A iniciativa foi um sucesso, com vantagens para a escola, que fortaleceu o relacionamento com os alunos, e para o engajamento de professores e alunos.

A diretora Kelly Renata Mariano da Silva Senne lista algumas mudanças percebidas após a inclusão da metodologia. “A capacidade de organização, tanto das atividades, do material, do tempo e da divisão de tarefas, foi bem perceptível. O trabalho coletivo e o respeito entre a turma também se intensificaram. Muitos estudantes melhoram a capacidade de expressão oral”. Ela também ressalta maior engajamento com as ações voluntárias que já são tradição na ETEC, como visita a lar de idosos e creches.

A professora da ETEC Irmã Agostina e vencedora do Demoday Formação de Professores do programa Pense Grande, Renata Borges, está usando blusa azul clara de mangas curtas, cabelos compridos soltos e sorrindo para a foto.

A professora Renata Borges, que leciona Gestão de Pessoas no curso de Administração da ETEC Irmã Agostina, de São José dos Campos, observa que jovens que participam de programas que fomentam empreendedorismo e inovação desenvolvem competências que os deixam mais preparados para a vida, como dinamismo, autoconhecimento e resiliência. “O Pense Grande oferece uma escolha que vai além do que está ali disponível no mercado de trabalho”, diz.

Por acreditar no potencial do ensino de empreendedorismo, ela resolveu participar do primeiro Demoday Formação de Professores, que aconteceu em dezembro de 2018 com o objetivo de mostrar como a cultura empreendedora também serve de inspiração para novas metodologias de ensino e aprendizagem. “Fiquei muito empolgada com a possibilidade de ter acesso a conteúdos atuais e que melhorem a minha atuação docente”.

O que ela não esperava era que seu projeto ficasse em primeiro lugar, dentre os 26 participantes. A proposta do empreendimento criado por ela, batizado de Espaço Zen, era oferecer ambientes confortáveis e acolhedores para alunos por meio da reutilização, reaproveitamento e reciclagem de materiais, como pufes feitos com pneus de carros.

Segundo a educadora, duas coisas foram determinantes para sua vitória: “A dedicação às oficinas, sempre relatando no diário de bordo o aprendizado das atividades propostas, e a humildade para aprender”, diz a professora.

“A maior vantagem de participar da iniciativa foi confirmar a percepção de que posso sempre aprender com meus alunos. Essa prática empática de me colocar no lugar deles, de pensar como eles se sentem quando participam de programas como esses, o que eles são capazes de realizar foi muito importante para o meu desenvolvimento pessoal e profissional”.

Mão na massa e engajamento

Se os professores tiveram o primeiro contato com o Demoday em 2018, os estudantes estão mais do que acostumados com o evento, que marca o encerramento do Pense Grande. A 5ª edição aconteceu em novembro, celebrando a participação dos dois mil jovens formados pela metodologia ao longo do ano nas ETECs e FATECs de São Paulo.

Na ocasião, os dez melhores empreendimentos foram selecionados entre 130 projetos para disputar o 1º lugar, que foi conquistado por alunos da ETEC Albert Einstein, da região norte de São Paulo. Criado por Beatriz Adas, de 16 anos, Júlio Rubio e Milleny Saud, de 15 anos, o EcoCrie é um aplicativo que ensina a criar brinquedos a partir de materiais recicláveis. O app também propõe maior tempo de qualidade entre pais e filhos, já que disponibiliza vídeos e oficinas de conscientização e cultura maker.

“Nós aprendemos muita coisa com o projeto, mas o principal foi resolver grandes problemas a partir de pequenos atos”, conta Milleny. “Essa é uma experiência que meus colegas e eu vamos levar para toda a vida. Cada etapa do processo do Pense Grande valeu muito a pena”, conclui a jovem, que após a participação no programa, considera virar empreendedora.

janeiro 14th, 2019

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Conheça o Social Brasilis e o Librol, duas iniciativas que terão suas histórias contadas no documentário Pense Grande.Doc, uma parceria entre a Fundação Telefônica Vivo e o Canal Futura.

Aos nove anos de idade, a garota Emanuelly Oliveira, resolveu em ajudar famílias e crianças subnutridas na cidade Quixadá-CE, localizada no semiárido sertão cearense. Tendo sua mãe como grande inspiração, ela começou a organizar visitas e doações de cestas básicas para sua comunidade.

A iniciativa foi se desenvolvendo na adolescência até culminar na primeira configuração do que viria a ser seu negócio social. O objetivo era ir além do assistencialismo, deixando um legado a partir da educação e integração da cultura local. Hoje, Emanuelly Oliveira é educadora da rede pública do estado do Ceará e fundadora do projeto Social Brasilis. Aos 31 anos, ela tornou-se um exemplo para outros jovens de como ser um empreendedor social.

Depois de ter participado do programa Geração Muda Mundo da organização Ashoka, aos 18 anos, a jovem foi cursar Letras na Universidade Federal do Ceará e quis aprofundar sua experiência com a educação. Foi como professora da rede pública que ela descobriu a porta de entrada para o empreendedorismo.

A jovem conta que foi através dos conhecimentos adquiridos no Social Good Lab e no ano seguinte, quando resolveu inscrever o projeto no Programa Pense Grande e participou da incubação durante 10 meses, que o projeto se desenvolveu. “A história do SB se divide em antes e depois do Pense Grande. Eu acredito que se não tivéssemos passado pelo programa, a gente não teria esse nível de maturidade que temos enquanto negócio e equipe”, afirma a empreendedora.

Atualmente, o Social Brasilis desenvolve programas educacionais que prepararam as pessoas para novas abordagens no mercado de trabalho e na comunidade, através de uma plataforma digital personalizada.

Na imagem, Emanuelly Oliveira do Social Brasilis fala em um microfone durante apresentação.

“As pessoas realizavam ações interessantes nas periferias e não tinham acesso à tecnologia e às redes sociais para divulgar o trabalho que faziam. Ninguém de fato conhecia o que o bairro tinha para oferecer” afirma Emanuelly Oliveira.

Traduzindo realidades

Foi a partir da observação da realidade de sua comunidade no interior da Bahia, que Raíra de Carvalho (22) também encontrou motivação para empreender. Em 2013, aos 16 anos, a jovem de Vitória da Conquista e então estudante do curso técnico de Informática no Instituto Federal da Bahia, interessou-se em saber mais sobre o processo desgastante de aprendizagem de um colega de classe com deficiência auditiva.

Ele não conseguia ler a prova e responder sem o auxílio da tradutora. Quando ela não estava, ele ficava completamente perdido, pois o português que ele traduz através das Libras é muito diferente do usado pelo professor em sala de aula”, conta a jovem que, incomodada com essa lacuna, procurou a tradutora do colega para entender o processo.

Com a ajuda de mais dois outros colegas e um professor, nasceu o protótipo do Librol. Utilizando textos trabalhados dentro da sala de aula, os jovens encontraram padrões na maneira de traduzir a linguagem de Libras para o português, como os verbos sempre no infinitivo, ausência de conjunções a e simplificação de conceitos.

A princípio, a ideia era diminuir a evasão escolar de pessoas com deficiência auditiva, tornando o ambiente mais inclusivo e o acesso à informação igualitário a partir da instalação de um software nos computadores da escola. Criar um empreendimento social não estava nos planos; o grupo se separou e Raíra só retomou o projeto em 2015, quando notou a repercussão da iniciativa.

 

Aprendendo a empreender

Mas afinal, o que é ser um empreendedor social? Para os jovens fundadores de duas iniciativas de impacto, inclusão é palavra chave. Além de ser um negócio bem sucedido, para o Social Brasilis e o Librol, a motivação, a observação e o compartilhamento são indicadores mais representativos em uma trajetória marcada pelo desenvolvimento social.

Na imagem jovem  do projeto Librol fala para uma câmera durante gravação do documentário Pense Grande.Doc

Em 2018, mais de 3200 pessoas foram impactadas diretamente pelo Librol e 31 mil pessoas consumiram o conteúdo orgânico indiretamente.

Raíra só teve seu primeiro contato com esse universo no ano de 2015, quando apresentou a ideia na Campus Party e foi premiada. Desde então, juntou-se com colegas da universidade, André Ivo (20) e Jennifer Brito (23), para somar conhecimentos ao projeto, desenvolvendo um software adaptável aos sistemas operacionais mais diversos, funcionando em formato de aplicativo gratuitamente.

Já Emanuelly não se enxergava como empreendedora social e tampouco seu projeto como negócios. “O Social Brasilis de hoje é uma releitura do que seria o projeto que pensei na adolescência e representa um amadurecimento”, conclui a educadora.

Quer saber mais? A trajetória empreendedora das iniciativas serão contadas no Pense Grande.Doc. O documentário é resultado de uma parceria entre a Fundação Telefônica Vivo e o Canal Futura com o objetivo de estimular a produção audiovisual de jovens talentos brasileiros. Os episódios sobre o Social Brasilis e o Librol vão ao ar, respectivamente, nos dias 10 e 24 de janeiro, às 22h15. Acompanhe!

janeiro 8th, 2019

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