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Imagem mostra uma mulher sorrindo ao fundo em uma parede de tijolos

Pesquisa Favelas Brasileiras, fruto de uma parceria entre o Instituto Data Favela, Locomotiva e a Central Única de Favelas (CUFA) revela que o empreendedorismo, a felicidade e a confiança na realização profissional são expectativas para 2020

Em um país com 210 milhões de habitantes, cerca de 13 milhões deles moram em favelas. Em termos proporcionais, se todas as comunidades juntas formassem um Estado, ele seria o 5° mais populoso do Brasil. Esses dados fazem parte da Pesquisa Favelas Brasileiras, realizada a partir de uma parceria entre o Instituto Data Favela, Locomotiva e a Central Única de Favelas (CUFA).

O levantamento foi feito nos 26 Estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal, para medir a configuração geral e atual das grandes comunidades a partir de números. No período de 8 a 18 de dezembro de 2019, foram entrevistadas 2.006 pessoas, de cerca de 63 favelas brasileiras. Os aspectos analisados vão desde concentração de favelas por região até estrutura familiar, organização financeira, consumo, acesso a oportunidades de desenvolvimento, e perspectiva para o futuro.

Em entrevista ao Fantástico, o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles define a relevância do estudo para a sociedade brasileira: “A favela é o território que muitas vezes é esquecido quando se fala do Brasil. Mas é essa favela que representa uma fatia importante da população brasileira que, cada vez mais, quer ser ouvida e ser protagonista da sua própria história”.

 

Favela feliz, sonhadora e empreendedora

Embora os brasileiros que não moram em favelas reconheçam o senso de comunidade existente dentro das periferias, ainda costumam associar os territórios à pobreza e à violência. Segundo a pesquisa, essa perspectiva muda quando são os próprios moradores a definir a vida nas favelas: alegria, família e amizade. Eles não deixam de citar a pobreza, mas a soma final é positiva. 43% dos entrevistados dão nota 10 para felicidade, ou seja, se consideram felizes.

Além disso, quando perguntados sobre sonhos, o principal é ter a casa própria e 52% dos entrevistados são otimistas em relação à realização de seus objetivos. No que diz respeito ao âmbito profissional, cerca de 4,8 milhões de pessoas querem empreender. Esse número corresponde a 35% da população nas favelas. Desse total, 75% das pessoas estão confiantes de que conseguirão empreender.

“O morador de favela precisa ter consciência da potência que ele tem. Logo, quando ele vê uma pesquisa dessas, que aponta que o sonho de vários moradores de favela é empreender ou que o território que ele mora movimenta, anualmente, R$ 119,8 bilhões, ele vê que não está sozinho e ganha confiança para quebrar paradigmas e realizar sonhos”, diz Celso Athayde, CEO do Grupo Favela Holding e fundador do Data Favela.

 

Jovens da periferia: oportunidades distintas

Apesar de 81% das pessoas entrevistadas acreditarem que a vida vai melhorar em 2020, 6 em cada 10 consideram ter menos oportunidades de progredir do que os moradores “do asfalto”, ocupantes dos centros urbanos. Isso acontece porque as condições de desenvolvimento dos jovens da periferia continuam a ser inferiores ao exigido pelo mercado de trabalho.

Como relembra Lucas Lima, 24 anos, nascido e criado no Complexo do Alemão: “Dentro da comunidade existem jovens com uma capacidade criativa acima da média, mas sem acesso a ferramentas para colocar essa mentalidade para fora. Estou tentando trazer recursos para que esses jovens ganhem reconhecimento e construam carreiras. Precisamos trazer a tecnologia para favela para ontem!”.

Lucas criou uma impressora 3D com sucata eletrônica e usa seu produto para investir em projetos educacionais para a comunidade em que cresceu, no Rio de Janeiro.

A trajetória de Vinícius Rodrigues, barbeiro que é referência na região de Guaianases, zona leste de São Paulo, também reforça a importância do empreendedorismo para a comunidade. “Era um momento em que ou eu escolhia isso ou faria uma escolha errada”, conta o jovem.

Depois de trabalhar como garçom, estoquista e chapeiro, finalmente conseguiu dinheiro para abrir sua barbearia e se tornar especialista em cortes chavosos. “Não é só cortar cabelo. Com o trabalho de corte, tem muita coisa relacionada. Servir de exemplo e mostrar que tem outro caminho que dá pra seguir é importante”, afirma.

Celso Athayde acredita que na favela as coisas mudaram e o jovem mudou. “O jovem de favela é ambicioso. Não quer ter patrão ou ter um emprego formal, com pouca perspectiva, o jovem quer sonhar e voar, e sabe que com o próprio negócio, se bem feito, ele tem mais chance de buscar os sonhos dele”, conclui.

O Pense Grande, iniciativa da Fundação Telefônica Vivo, é um programa voltado para o desenvolvimento de jovens que tem interesse em ampliar as oportunidades profissionais a partir do empreendedorismo social.

Desde 2013, quando foi lançado, o Programa já envolveu mais de 50 mil jovens em vários estados brasileiros, compartilhando a metodologia que se baseia no Empreendedorismo, Tecnologia e Comunidade. O objetivo é que os jovens criem e validem novos modelos de negócio inovadores e que seus empreendimentos sejam capazes de gerar impacto social.

Além disso, nos últimos dois anos, o Pense Grande incubou 45 projetos de jovens empreendedores para ajudá-los no processo de tirar as ideias do papel. Esse apoio contribuiu para que as novas soluções da juventude estejam ativas na transformação de suas vidas e das pessoas ao seu redor.

fevereiro 7th, 2020

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Jovens relatam amadurecimento e evolução dos projetos na 5ª edição do Pense Grande Incubação

Seis meses após o início da 5º edição do Pense Grande Incubação – programa que apoia jovens de periferia a transformarem suas ideias em negócios sociais – a jornada dos 30 empreendimentos incubados chega ao fim. Entre os dias 27 a 30 de janeiro, os jovens participantes do Programa se reuniram pela última vez, em São Paulo, para avaliar tudo o que aprenderam ao longo do processo.

Durante quatro dias, os participantes ficaram imersos e tiveram a oportunidade de participar de mais uma troca de aprendizados e autoconhecimento, antes de dar continuidade aos seus projetos por conta própria. A partir de atividades vivenciais, os jovens compartilharam reflexões, receberam feedbacks e puderam concluir a última etapa com orientações e referências importantes.

“Foi a primeira vez que trabalhamos com um maior número de empreendimentos (na edição anterior eram 15 em vez de 30) e também com a fase de pré-incubação. Isso ajudou na evolução dos projetos, resultando em empreendimentos maduros, com estruturas bem definidas e validação de faturamento”, afirma Marina Egg, consultora da Aliança Empreendedora, parceira-executora do programa.

Fim de um ciclo

Na visão de Anna Paula Sampaio, 28 anos, o encerramento representou um desenvolvimento decisivo: “Na primeira imersão a gente estava muito no campo das ideias e, nesse último momento, já tínhamos resultados validados e visíveis. O Pense Grande reconheceu nossas boas ideias e nos complementou com uma visão sistêmica”, afirma a jovem do empreendimento Jornada Exponencial, que desenvolve treinamento personalizado utilizando jogos de tabuleiro, digitais e realidade aumentada de maneira acessível.

Além das atividades em grupo que marcaram a troca entre os empreendedores, eles também prepararam e apresentaram o pitch de seus negócios sociais para investidores, marcaram reuniões com possíveis parceiros e participaram de atividades fora do hostel Casa Ideafixa, onde ficaram hospedados.

Os jovens fizeram uma visita ao espaço InovaBra Habitat, um prédio de eventos que tem como objetivo ampliar o conhecimento relacionado à tecnologia, sociedade e negócios, além de participar de um bate-papo com empreendedores como o Jaubra, Raízs e DuLocal.

Para finalizar a jornada empreendedora, os jovens conversaram sobre aspectos socioemocionais, como o sentimento de rejeição e frustração, além de receberem orientações em uma rodada 360º, dinâmica que considera a avaliação de participante para participante.

 

 

Autoconhecimento e aprendizados para o futuro

Para Claudio de Souza Rocha, 19 anos, o Pense Grande Incubação pode ser resumido em uma palavra: autoconhecimento. O jovem empreendedor do município de Magé, situado na região metropolitana Rio de Janeiro, criou o Turistando, iniciativa para valorizar o turismo local de pequenas cidades que têm atividades diversas, mas pouco destaque na mídia.

“Para mim, significou muito mais do que só um programa de incubação. Além de ter me dado a certeza de que impactar pessoas é o que eu quero para minha vida, aprendi que primeiro eu preciso me conhecer para só depois me encontrar como empreendedor”, descreve Claudio.

Já Tamila Silva dos Santos, 28 anos, ressalta que as assessorias e o apoio oferecido pelo programa foram essenciais para o desenvolvimento de seu negócio. A jovem de Salvador (BA) criou a plataforma Afro Impacto, que tem como objetivo conectar ecossistemas de empreendedorismo e grupos de interesse para impulsionar empreendedores negros, gerando desenvolvimento socioeconômico para os usuários do hub.

“A gente não tinha nada há dez meses. Agora, oferecemos três serviços: capacitação, cursos livres e consultoria”, conta Tamila. “Quando a gente empreende e tem que lidar com todas as nossas questões emocionais, percebe que o autoconhecimento é essencial. Eu não estava preparada para isso antes, amadureci muito nesse processo”.

Questionados sobre o futuro, os jovens acreditam que a experiência proporcionada pelo programa trouxe uma renovação necessária para as próximas etapas do projeto, mesmo sem saber o que vem pela frente.  “Não sei onde vou estar amanhã, mas os aprendizados do Pense Grande com certeza seguem comigo”, conclui Cláudio.

Resultados da 5ª Pense Grande Incubação 2019

 

– 30 negócios sociais selecionados.

– Um encontro regional presencial;

– Duas imersões presenciais;

– Quatro oficinas online;

– 279 assessorias;

– 24 empreendimentos já estão faturando após o Programa;

– 100% dos jovens tiveram acesso ao Fundo de Investimento do Pense Grande, como forma de apoio financeiro aos projetos.

Clique aqui para conhecer o nome de todos os projetos participantes e saber mais detalhes sobre a dinâmica do Pense Grande Incubação 2019!

fevereiro 5th, 2020

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Imagem mostra o detalhe de uma mão segurando uma caneta e escrevendo em uma folha colorida com vários post-its colados.

Com a proposta de reforma do Ensino Médio, alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o tema Empreendedorismo ganha cada vez mais espaço nas escolas, pois contribui com o desenvolvimento de competências nos jovens, tais como o protagonismo, a empatia, a colaboração a criatividade, entre outras, além de fomentar a reflexão sobre os projetos de vida dos estudantes.

Atento a essa nova realidade, o programa Pense Grande da Fundação Telefônica Vivo realizou em 2019 uma série de formações em empreendedorismo social para educadores, que puderam compartilhar os conteúdos aprendidos com seus alunos do Ensino Médio ao longo do segundo semestre de 2019.

Durante o processo de formação de educadores, a inclusão do tema empreendedorismo em realidades diversas foi um dos grandes desafios do Programa. Para isso, duas redes de ensino surgiram dispostas a colaborar: a Diretoria de Ensino de São Vicente da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que abrange cinco municípios do litoral, e a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura de Sergipe. Nestes dois territórios, 86 professores de 59 escolas participaram da formação e levaram a metodologia do Pense Grande para mais de mil alunos ao longo do ano.

“Fiz questão de participar para ter um preparo maior, pautado em metodologias ativas, no uso da tecnologia e para poder fazer esse link com a minha disciplina. Quero agora buscar mecanismos para envolver o aluno com a comunidade escolar e para que a gente consiga empreender dentro da escola, tentando solucionar problemas que estejam dentro desse ambiente”, afirma a professora de História, Silvia de Souza Passos.

A educadora leciona na Escola Estadual Profª Zulmira de Almeida Lambert, em São Vicente e esteve presente nos encontros realizados na instituição, onde a metodologia do Pense Grande foi ministrada como uma matéria eletiva.

 

Formação colaborativa

As formações foram construídas a partir de um processo de cocriação, composto por momentos de diálogos presenciais e a distância, com o objetivo de apoiar os educadores na adaptação dos conteúdos às realidades locais e na compreensão dos elementos comuns entre eles, especialmente na aplicação dos conceitos.

“Durante os encontros, a gente foi testando os indícios que já tínhamos para saber o que fazia sentido para cada educador até chegar no que a maioria indicava”, comenta Mônica Mandaji, diretora do Instituto Conhecimento para Todos, parceiro executor do projeto.

Os professores de ambos os territórios puderam vivenciar a metodologia Pense Grande, experimentando atividades focadas no indivíduo, comunidade e empreendedorismo social, com a missão de replicar esta mesma formação para alunos de Ensino Médio de suas escolas. O processo foi acompanhado por mentores do Pense Grande em visitas presenciais e interações a distância.

 

O potencial do empreendedorismo na educação

Para a professora Silvia, de São Vicente, ensinar empreendedorismo aos alunos foi importante não só para o desenvolvimento dos alunos, mas para que ela pudesse trabalhar novos conceitos em sala de aula.

“Os alunos que participaram do programa passaram a ter uma visão diferente. Entenderam que algumas coisas não podem ser feitas de qualquer jeito e que há uma infinidade de habilidades que corroboram com o aprendizado. É preciso gerir riscos, fazer planejamento e, no futuro, isso vai ajudá-los independente da área que seguirem”, acredita a educadora.

Para 2020, o objetivo é estimular os alunos a criarem projetos empreendedores dentro da comunidade escolar. “A questão social é a que mais motiva os alunos. Eles pensam em como melhorar as suas realidades e situações que vivem no dia a dia”, relata Silvia.

No litoral de São Paulo, a formação abrangeu professores das escolas São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. Foi aí que a professora de Língua Portuguesa, Jaqueline Fernandes, que dá aula na Escola Estadual Agenor de Campos, em Mongaguá, conheceu a metodologia.

Ela aplicou os conhecimentos adquiridos durante a formação para alunos do 2º ano do Ensino Médio e conta que a frequência melhorou, a autoestima aumentou e, consequentemente, as notas também melhoraram. “Para o meu trabalho foi uma experiência fantástica, me ajudou muito a entender, inclusive, o novo currículo do Ensino Médio e me preparar para os novos desafios”, ressalta Jaqueline.

A professora acredita que trabalhar conceitos de empreendedorismo em escolas litorâneas ajuda a ampliar o horizonte daqueles que pensam que só podem viver do turismo. “Faz com que eles busquem novos caminhos para suas vidas, sem que seja necessário deixar a cidade”, afirma.

 

Empreendedorismo social no Nordeste

Em Sergipe, a formação aconteceu por meio de quatro encontros. Gustavo Aragão Cardoso foi um dos participantes. Ele é professor de Língua Portuguesa no Colégio Estadual Barão De Mauá, em Aracaju, capital do Estado. “Foi muito importante esse apoio que recebemos, pois, esse aporte teórico e técnico da equipe do Pense Grande nos deu uma apropriação da metodologia para levarmos essa bagagem para a sala de aula”, ressalta.

Gustavo comentou que após a formação houve uma divulgação da disciplina de sala em sala entre os alunos. Para a surpresa da escola, surgiram 120 interessados em participar das aulas para apenas 30 vagas. Diante da demanda, houve uma adaptação e foi possível criar uma nova turma. Para o professor, trabalhar o empreendedorismo social com os alunos é se envolver com as questões das comunidades em que vivem e pensar em como solucionar esses problemas de forma criativa e inovadora, fazendo ou não uso da tecnologia.

“O fato de despertar no jovem o seu censo crítico e a percepção de problemas que são latentes e que pedem por uma solução, já é uma grande colaboração. Desenvolver e potencializar habilidades e competências que os estudantes têm e não são estimulados a trabalharem é ainda melhor. Participando da formação, podemos dar ferramentas para que eles pensem em empreender e que isso seja um caminho para eles”, comenta Gustavo.

 

Formação nas ETECs de São Paulo

O ano de 2019 também foi importante para a formação de educadores nas ETECs do Estado de São Paulo. Pela primeira vez, o programa Pense Grande envolveu os professores multiplicadores, que passaram por uma capacitação para aplicar a metodologia focada em empreendedorismo social em sala de aula para os estudantes.

O programa chegou a 30 escolas e atingiu a marca de 85 professores multiplicadores da metodologia, formando mais de 2.900 jovens em conceitos do empreendedorismo social.

Para a gerente de programas sociais da Fundação Telefônica Vivo, Mila Gonçalves, a iniciativa fortalece a cultura do empreendedorismo social com os jovens e contribui com a construção de um projeto em rede, engajando diversos atores.

“A formação específica para professores multiplicadores da metodologia abre a possibilidade para que muitos mais jovens participem e até outros professores. Nossa expectativa é ampliar cada vez mais essa rede e também aprender com quem está com os jovens no dia a dia”, explica Mila.

O intuito agora é que os educadores se apropriem de ferramentas que possibilitem ações inovadoras nas disciplinas de projetos das instituições onde trabalham.

 

Projetos premiados

Ao final dos processos formativos em cada território, foi realizado o Demoday, evento que simboliza o encerramento do projeto. Além de participar de oficinas oferecidas pelos professores multiplicadores, os jovens puderam apresentar suas propostas de negócios para uma banca de convidados, que elegeu as melhores iniciativas.

As escolas dos projetos vencedores receberam diversas premiações como aparatos tecnológicos, além de novas formações e vivências nos temas de empreendedorismo social e tecnologia.

Formação em ONGs

A formação do Pense Grande também esteve presente em espaços educativos não escolares ao longo de 2019, com o objetivo de formar multiplicadores que levem a cultura empreendedora para jovens que vivem diferentes realidades em diversas regiões do Brasil.

Após a primeira experiência em 2018, a Fundação Telefônica Vivo, em parceria com a plataforma de voluntariado Atados, consolidou um modelo formativo com oficinas periódicas.

O programa atuou em quatro estados, contabilizando 25 instituições sociais que formaram 193 multiplicadores sendo educadores, voluntários e jovens que multiplicaram a metodologia Pense Grande para outros 584 jovens formados.

fevereiro 3rd, 2020

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A jovem Flávia Campos Rodrigues posa para foto ao lado do parceiro

Uma comunidade com mais de 100 mil habitantes, 21 mil domicílios e mais de oito mil estabelecimentos. É neste cenário, em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, que a estudante de Marketing, e moradora, Flávia Campos Rodrigues, de 21 anos, irá lançar o aplicativo Quero Trampo, que conecta vagas de emprego na região aos moradores que estão em busca de oportunidades de trabalho.

A plataforma, com lançamento previsto para março de 2020, funcionará como uma espécie de “Tinder do emprego”, segundo a própria idealizadora, e surge com a proposta de aumentar a economia interna da comunidade, e ainda melhorar a qualidade de vida da população local.

Flávia conta que o projeto foi criado em conjunto com outros alunos, durante o curso Design em Contextos Sociais, promovido pelo Insper, Instituto de Ensino e Pesquisa. “Recebemos o desafio de solucionar um problema. Então, fomos às ruas de Paraisópolis fazer uma pesquisa com os moradores. Eles falaram muito sobre a questão do lixo, da saúde e da falta de emprego e oportunidade. E foi aí que veio a ideia do Quero Trampo”, relata Flávia.

O grupo de jovens do curso de Design em Contextos Sociais posa para foto atrás de uma mesa em que há chaveiros expostos

Flávia Rodrigues (primeira à esquerda) posa para foto com os colegas do curso de Design em Contextos Sociais

 

Paraisópolis em foco

Entre a população de Paraisópolis, 31% são jovens entre 15 a 29 anos, segundo o Mapa da Desigualdade da Rede Nossa São Paulo. E é essa faixa etária que mais sofre com a falta de emprego.

“Sendo moradora de Paraisópolis, vejo que as pessoas precisam cruzar a cidade para buscar emprego e, quando conseguem, encaram distâncias muito grandes. Sem contar as que não conseguem trabalhar por falta de capacitação”, comenta.

De olho no futuro, o objetivo do Quero Trampo também será o de trabalhar a capacitação de pessoas. A iniciativa conta com uma parceria com a agência Emprega Paraisópolis e os idealizadores pensam em promover cursos para preparar as pessoas para o mercado de trabalho, independentemente se a vaga é para a região ou não.

O projeto, segundo Flávia, também deve ajudar a fortalecer o comércio local. “Entendemos que sejam empregos temporários, mas é uma forma de dar um início na carreira, ajudar as pessoas a buscarem outras oportunidades e até mesmo a criarem seus próprios negócios”, espera Flávia.

Atualmente, o a aplicativo está em fase de desenvolvimento e os testes estão sendo feitos por Flávia e o seu parceiro Davi Dom Bosco Silva, e mais cinco estudantes de diferentes universidades do Brasil.

“Eu estou amando empreender. Acredito que dentro de uma comunidade como Paraisópolis isso ganha ainda mais força diante da forma como as pessoas de fora enxergam a comunidade, pensando ser um espaço apenas de violência. Existe muito mais aqui dentro”, afirma Flávia.

 

Visibilidade internacional

Visto como grande potencial, o Quero Trampo foi reconhecido pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que convidou Flávia e os outros integrantes do grupo para apresentarem a ideia do projeto durante a próxima edição do Brazil Conference at Harvard & MIT, promovido pelo MIT Brazil, Todos pela Educação e FGV (Fundação Getúlio Vargas), que será realizado em abril deste ano, nos Estados Unidos.

Para viabilizar a viagem de dez dias, o grupo criou um financiamento coletivo, especialmente para ajudar com a alimentação, já que despesas como passagem, vistos e acomodação serão pagos pelo MIT Brazil.

“Estamos nos preparando para a apresentação. Um pouco nervosos e ansiosos para conseguir a verba necessária para a viagem. Para isso, além da vaquinha, estamos vendendo chaveiros de Paraisópolis e temos tido um bom retorno”, orgulha-se a jovem.

Vinda de uma família com 13 irmãos, Flávia teve muitos desafios durante a vida. Atualmente, além de estudar, a jovem é coordenadora do Festival da Juventude, educadora social e organizadora da Mostra Cultural de Paraisópolis. Engajada com as iniciativas de impacto e o trabalho dentro da Associação dos Moradores de Paraisópolis, ela pretende ir além com a temática e conta que o empreendedorismo foi algo que a surpreendeu.

“Eu ainda não sei como direcionar minha carreira. Nunca imaginei em empreender. Tinha outros planos. Mas, eu fui muito surpreendida com o empreendedorismo social. E quero investir mais nisso e atingir outros lugares do Brasil, levando oportunidade para muitas pessoas que não têm o acesso que eu tive”, finaliza a jovem.

janeiro 21st, 2020

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Imagem mostra detalhe de uma mão escrevendo em uma agenda

O ano de 2020 está começando e isso significa o surgimento de oportunidades para promover mudanças reais. Com as metas estabelecidas e os desejos renovados, repensar ou adquirir novos hábitos pode ajudar na organização da rotina egestão do seu empreendimento social.

Aproveitar melhor o tempo, controlar as finanças, aumentar a produtividade na vida pessoal e nos negócios. A criação de um novo hábito exige tempo, adaptação e persistência, mas, seja qual for o seu objetivo, utilizar aplicativos relacionados à organização pode ser um grande aliado nesse processo.

Baseado no livro Seis propostas para o próximo milênio, de Ítalo Calvino, o Sebrae fez um levantamento de seis hábitos do empreendedor eficaz. Leveza, rapidez e exatidão foram algumas das características citadas pelo livro que podem ser úteis não apenas para os empreendedores, mas para todos interessados em promover algum tipo de transformação.E a tecnologia, um dos principais pilares do mundo moderno, pode ser uma aliada importante no desenvolvimento de tais habilidades.

A seguir, conheça seis aplicativos que podem te dar uma força nesse início de ano.

 

7 Weeks

(Gratuito, Android)

Imagem do app7weeks

De acordo com os desenvolvedores do aplicativo 7 Weeks, são necessários 49 dias (7 semanas) para tornar uma atividade um hábito. Pensando nisso, o app disponibiliza ferramentas para facilitar esse processo.

Baixando o aplicativo, você é convidado a adicionar um novo hábito, descrever o motivo de sua escolha e determinar qual é seu prazo para alcançá-la. Dessa maneira, o sistema monitora e analisa seu desempenho, alerta para priorize o hábito programado e tudo o que você precisa fazer é marcar um ‘X’ para cada dia em que suas metas forem completadas.

 

Todoist

(Gratuito, iOS e Android)

Imagem do apptodist

Para realizar atividades diariamente,é importante ter em mente tudo o que precisa ser feito, a curto e longo prazo. Para que as tarefas não se percam em meio a outras prioridades, o Todoist oferece um sistema para mapeá-las, organizando-as por categorias como frequência, localidade e projetos.

À medida que você cumpre, as tarefas são riscadas da sua lista. Além disso, o aplicativo gera gráficos para acompanhar a evolução e a rapidez na execução de cada tarefa, ajudando a medir os níveis de produtividade e exatidão nos processos.

 

Organizze

(Gratuito, iOS e Android)

Imagem do apporganizze

O início do ano é um ótimo período para fazer um balanço das finanças. Planos, metas e objetivos precisam estar alinhados com a planilha de gastos do ano para serem viáveis de realizar. E é para manter esse controle constante que o Organizze foi criado. A partir de categorias como aluguel, débitos, financiamento, o usuário pode mapear quanto e no que gasta para pensar em formas de economizar.

A partir dessas informações organizadas, o aplicativo gera gráficos simplificados para ajudar a traçar metas financeiras para o ano, incluindo viagens e investimentos. Você também pode ajustar um alarme para cada conta a ser paga, evitando o esquecimento de parcelas e prazos.

 

HabitBull

(Gratuito, iOS e Android)

imagem do apphabitbull

O HabitBull auxilia no controle de outro elemento essencial para transformar metas em realidade: o gerenciamento de tempo.

Uma vez feito o cadastro no aplicativo, é possível registar a frequência das atividades mais comuns e, a partir dessas informações, os algoritmos indicam quanto tempo, em média, é gasto em cada uma. Se você deseja mudar um hábito desagradável ou reduzir o tempo perdido em alguma tarefa, é o app ideal!

 

Evernote

(Gratuito,  IOS e Android)

Imagem do appevernote

Por permitir fazer anotações de qualquer tipo e em qualquer lugar,encontrar informações rapidamente e compartilhar ideias com qualquer pessoa, o Evernote está sempre presente em listas para manter o trabalho organizado.

Muitas vezes a falta de tempo não permite que você termine de ler uma notícia, um documento ou um artigo na hora em que recebeu. O Evernote possibilita armazenar conteúdos para ler mais tarde, independente do lugar em que você esteja. O app ainda disponibiliza post-its para lembretes e registro de ideias.

 

Forest

(Gratuito IOS e Android)

Imagem do app Forest

Manter a atenção e o foco é um desafio cada vez maior em um mundo hiperconectado. Se você sente que passa tempo demais no celular e deixa de realizar atividades importantes, o Forest é o aplicativo ideal para te ajudar a ganhar produtividade, otimizar seu tempo e manter-se focado.

Usando um método gamificado, o aplicativo dá uma missão ao usuário: plantar uma árvore. O conceito é simples: quanto mais tempo passa no celular, maiores são as chances da árvore morrer e ter de ser cultivada novamente.  Por outro lado, se o usuário ficar longe do smartphone por tempo suficiente, a árvore cresce mais rápido.

janeiro 10th, 2020

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“Se você construir, eles virão”. No mundo do empreendedorismo, esta frase, dita originalmente no filme “O Campo dos Sonhos”, de 1989, é repetida o tempo todo. Mas será que basta lançar um negócio para ganhar imediatamente o coração dos clientes?

Os especialistas garantem que não. Para se tornar referência em sua área é preciso saber a melhor forma dedivulgar sua iniciativa. Isso envolve estar por dentro do que os possíveis clientes estão falando e conhecer as tendências que envolvem o segmento. Ou seja: a comunicação é uma área estratégica de todo e qualquer negócio – e a internet pode ser uma grande aliada neste processo.

“Antigamente, você entender de marketing era uma pequena vantagem. Hoje, é praticamente uma obrigação. Se o dono do próprio negócio não tiver uma boa noção de marketing, o negócio dele vai passar por muitas dificuldades”, avalia Luciano Larrossa, profissional de marketing digital e editor do site Apptuts.

É muito comum pensar que as redes sociais são a melhor forma de produzir conteúdo. Mas, segundo Luciano, as redes sociais são apenas alguns canais de comunicação que precisam ser utilizados corretamente. “Se você tem uma conta no Instagram que dá muito resultado, não fique dependente apenas dela. O importante é usar as redes e trazer os clientes para canais de comunicação onde é mais fácil fechar as vendas: o WhatsApp, o Messenger, o Direct ou o próprio telefone”, indica o especialista.

 

Na prática

Quem utiliza a internet como ferramenta de venda ou divulgação precisa produzir conteúdo, que tem como função atrair, gerar relacionamento e fidelizar seu público. A informação pode ser entregue de diferentes formas, seja em vídeo, imagem, áudios, planilha, e-books, entre tantos outros formatos.

Quando começar a produção de conteúdo é importante entender quais formatos mais se encaixam com o seu negócio. Não basta ir produzindo coisas aleatórias, é preciso que elas atendam a um objetivo específico e estejam alinhadas com a sua marca, gerando sustentabilidade para o seu negócio. Sendo assim, os conteúdos terão constância, a cara do seu negócio e uma estratégia de criação e divulgação.

Conteúdos gratuitos, por exemplo, são importantes ferramentas para atrair seu público e podem ser disponibilizados em artigos e posts de blog, série de vídeos, tutoriais, clipes, teasers. “Comece relatando o seu dia a dia e use a sua rotina como conteúdo. As pessoas adoram saber os bastidores de um negócio. Mostre como o seu negócio faz o que faz, mostre depoimentos de clientes, mostre você preparando produtos ou serviços e entregando”, sugere Luciano.

Segundo o especialista, os conteúdos mais estratégicos também atraem a atenção dos usuários. Eles têm como objetivo trazer pessoas interessadas no seu produto e podem ser usados como uma espécie de bônus em conjunto, por exemplo, com outro conteúdo pago para aumentar o engajamento com seu cliente. E-books, webinários, minicursos por e-mail – em que seja necessário um investimento por parte do cliente para receber – grupos no Facebook, entre outros, são alguns exemplos de formatos.

O ideal é equilibrar com conteúdos gratuitos para atrair o maior número de pessoas ideais para o seu negócio, ganhando visibilidade e autoridade no universo digital.

 

Já pensou em fazer um podcast?

Uma pesquisa lançada no final de 2019 pela Associação Brasileira de Podcast aponta que 84% das pessoas que consomem a mídia são homens e mais de 50% deles vivem em São Paulo. Ainda segundo o estudo, 87% dos ouvintes têm entre 18 e 39 anos. Do total de pessoas consultadas, 37% ouviram podcast pela primeira vez por recomendação de amigo, 72% acompanham de 1 a 10 podcasts, 51% ouvem os conteúdos todos os dias e 92% os consomem pelo celular.

Durante o festival Social Good Brasil de 2019, a Fundação Telefônica Vivo promoveu a gravação ao vivo de um episódio do Pense Grande Podcast, que contou inclusive com a participação da plateia e debateu uma série de formatos para criar um podcast. O episódio está disponível gratuitamente e nele é possível encontrar dicas para fazer um conteúdo de qualidade sem precisar fazer um investimento financeiro alto.

Um dos participantes do episódio é Ric Vidal, criador da Feel Filmes, que produz e cria podcasts. Ele conta que o grande sucesso dessa plataforma se deve ao fato de as pessoas terem mobilidade para escutar em qualquer situação. Além disso, produzir um episódio é mais simples do que se imagina. “O principal elemento é ter coragem e se jogar. Existem muitos aplicativos que ajudam na captação do áudio. Para quem vai começar o melhor é usar o próprio celular”, indica.

Quem também esteve na gravação do episódio “Como produzir conteúdo para Podcast” do Pense Grande Podcast foi Mariana Campanatti, do Imagina Coletivo. Ela credita o sucesso dos podcasts ao baixo custo para consumir. “Mesmo pessoas que não têm muito acesso usam poucos dados para ouvir. É diferente, por exemplo, de assistir a um vídeo no Youtube”, ressalta.

Quem entende bem do assunto é a galera do Podcast, Mano, que hoje possui além dos episódios de podcast, que falam sobre conteúdos relacionados ao hip-hop, cultura pop, cinema, quadrinhos e outros assuntos, um portal de notícias.

Para eles, usar esse tipo de mídia como estratégia de comunicação ajuda a impulsionar e melhorar o relacionamento com o público. “A relevância e credibilidade que podcasts e influenciadores já possuem com o público pode ser algo vantajoso para a comunicação do seu negócio, criando experiências personalizadas e duradouras entre sua empresa e clientes”, garante Thiago Leve, um dos criadores, atual apresentador e editor do Podcast, Mano.

Outro desafio que move os criadores do Podcast, Mano é manter a responsabilidade social presente em cada conteúdo. Segundo Thiago, deixar o propósito social bem definido é com toda certeza algo positivo. “Gera identificação e consequentemente mais engajamento dos ouvintes. Trazer algo de positivo para a sociedade, produzindo conteúdo gratuito, consciente, pautado em questões sociais e acessível para todos é o caminho ideal”, finaliza.

Dicas para começar

Para quem não tem ideia de como começar a produção de conteúdo, Luciano Larossa dá algumas dicas de como dar os primeiros passos:

Seja a cara do seu negócio: pessoas compram de pessoas. “O empreendedor precisa ser cada vez mais a cara do negócio. Muitos ainda não entenderam a importância disso, mas ela é uma grande alavanca de vendas”, afirma.

Conte histórias: como a iniciativa começou, casos de clientes e situações de superação dentro da empresa fazem com que as pessoas se interessem pelo negócio.

Mostre sua rotina: Através de ferramentas como o Stories do Instagram é possível mostrar diariamente o que está acontecendo com o seu negócio, os produtos novos que chegaram e mostrar como eles são feitos.

janeiro 9th, 2020

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Diogo Bezerra e Diego Ramos, fundadores da PLT4Way, estão sorrindo e sentados em sofá com estampa colorida e com uma parede escrita com giz ao fundo.

Aprender durante o processo é uma realidade para a maioria dos empreendedores de negócios de impacto social. Cuidar das finanças, fazer captação, gestão, construir um plano de negócios, tudo isso faz parte de um aprendizado que, muitas vezes, só faz sentido depois da prática.

As experiências dos empreendedores sociais Marcelo Rocha, conhecido como DJ Bola, e do jovem Diogo Bezerra reforçam esse ponto de vista. “Nossa vida foi forjada assim: Primeiro a gente faz, depois conhece a teoria. Essa é uma realidade para os jovens de periferia que querem ser empreendedores”, acredita o DJ Bola.

Nascido e criado no Jardim Ângela, zona Sul de São Paulo, DJ Bola tem 38 anos e uma trajetória de 20 anos como empreendedor. A música e o rap sempre fizeram parte de seu repertório e foi a partir daí que surgiu A Banca, nos anos 90, quando o Jardim Ângela era considerado o bairro mais violento do mundo, segundo a ONU.

A princípio, a iniciativa surgiu como um movimento social que visava aproximar a música e a cultura do hip hop dos jovens da periferia. As intervenções artísticas e eventos eram usados como ferramentas para dialogar sobre perspectiva de vida, barreiras sociais e econômicas, sonhos e violências.  Em 2008, com a ajuda de aceleradoras de projetos sociais, A Banca se tornou oficialmente um negócio de impacto social.

Já Diogo Bezerra tem 25 anos e nasceu no Jardim Pantanal, bairro da Zona Leste de São Paulo. Em 2017, junto de seu sócio Diego Ramos, abriu a startup PLT4Way, que já participou da incubação do programa Pense Grande e foi selecionada para o programa de aceleração Vai Tec, em 2018.  O projeto oferece curso de inglês gratuito para estudantes que não tem condições de pagar pelo curso de idiomas e seguiu crescendo em 2019.

Aos 14 anos, Diogo teve o primeiro contato com a língua inglesa através de uma professora de Ensino Religioso. O inglês foi sua porta de entrada para o ensino superior, empregos melhores e, sobretudo, a chance de mudar a vida de outras pessoas. O modelo de negócios da PLT4Way funciona por meio de financiamento cruzado, o valor pago por um determinado grupo de alunos é transferido para a educação gratuita de um estudante da comunidade Jardim Pantanal.

 

Caminhos diferentes, lições em comum

Embora façam parte de negócios sociais distintos, as lições que marcaram os dois empreendedores foram semelhantes em muitos aspectos. Para servir de inspiração aos jovens que estão no início da jornada empreendedora,convidamos DJ Bola e Diogo para compartilharem alguns dos aprendizados essenciais que ajudaram a abrir portas pelo caminho. Confira a seguir.

 

Medo de errar

Perder o medo de errar foi um dos maiores aprendizados, segundo os empreendedores. O receio de ocupar alguns espaços e a ansiedade pelo que pode não sair como o planejado podem acabar impedindo os jovens de acreditarem em suas iniciativas.

“Como empreendedor de periferia, a gente tem muito medo de falhar, de perder tudo. Depois que eu entendi onde eu poderia chegar com o meu negócio e me conscientizei sobre o meu próprio potencial, consegui avançar muito mais como pessoa e como empreendedor”, conta Diogo.

Já DJ Bola reforça a importância dos jovens irem atrás do desenvolvimento de suas habilidades. “A gente não é convidado a entrar, tem que bater na porta. Não precisamos sentir medo e nem vergonha de ocupar espaços que falam sobre nós. Inovação social na periferia é um espaço nosso”.

Marcelo Rocha, mais conhecido como DJ Bola, está usando boné e falando com grupo de cinco jovens enquanto mexe em equipamentos de mixagem.

 

Estudo e desenvolvimento

Ainda falando sobre desenvolvimento de habilidades, DJ Bola acrescenta que os vinte anos de seu negócio foram marcados pelo estudo. “Eu não fiz nenhuma faculdade. E não foi porque não tive oportunidade ou capacidade, foi porque quis estudar e buscar caminhos focados no que eu já estava fazendo. Participei de vários programas de aceleração e eles me ensinaram muito sobre como ir pra frente”.

Diogo relembra que entender mais sobre a sua própria trajetória e encontrar o potencial em suas habilidades de destaque, o ajudaram nesse processo. “Um negócio social exige o desempenho de multitarefas. Mas descobrir o que eu realmente sabia fazer foi importantíssimo para seguir em frente”, diz o jovem.

 

Desafios da gestão

Administrar bem o dinheiro e manter a equipe sempre engajada com a causa do negócio social nem sempre é fácil. Para ambos os empreendedores, os desafios da gestão são constantes e já renderam muitos aprendizados baseados na tentativa e erro.

“Muitas vezes os empreendedores têm uma barreira para falar quanto custa o seu serviço, dar preço para o que ele já faz com tanto amor e luta”, afirma DJ Bola. “Precisamos estudar o mercado, saber quais ofertas existem para além da nossa. E quando o dinheiro chegar, é importante pensar no mês seguinte”, complementa.

Para Diogo, o trabalho, principalmente em coletivos, tem de ser muito bem organizado para manter a qualidade e a autonomia do serviço. “Quando o time cresce, vai ficando mais difícil fazer com que as pessoas acreditem em um sonho que mal começou. Mas é importantíssimo manter esse engajamento, até porque a avaliação de uma startup envolve o time todo”, ressalta.

 

Barreiras e Conexões

A busca por ultrapassar barreiras sociais e, a partir desse primeiro passo, fazer conexões que serão fundamentais para abrir caminhos de parcerias, investimentos, co-criação e networking foi outra lição destacada pelos empreendedores.

Diogo conta que conseguiu quebrar alguns paradigmas e conhecer pessoas que jamais conheceria se não fosse pelo seu negócio, e isso fez com que se sentisse mais confiante e menos sozinho. “O mundo dos negócios é muito conectado. Tive que aprender a me relacionar com pessoas que não vem da mesma classe social que eu, sem me diminuir nesse processo”, conclui.

dezembro 30th, 2019

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Imagem mostra o jovem Lucas apresentando o seu projeto de impressora 3D Impressora 3D

“Sempre fui um cientista maluco”, se apresenta Lucas Lima, jovem de 24 anos que construiu, no quarto dele uma impressora 3D usando sucata eletrônica. Um ano depois de sua criação, decidiu abandonar a engenharia mecânica, — área em que se formou — para se dedicar ao empreendedorismo social, à educação e ao compartilhamento de conhecimento para a comunidade em que cresceu: o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Embora o sonho de Lucas sempre tenha sido ser professor de História, quando conseguiu uma bolsa integral na faculdade particular em que estudou, foi incentivado pelo pai a fazer engenharia. No último semestre do curso, em 2018, sem conseguir estágio na área, começou a trabalhar dentro da faculdade e teve contato com uma impressora 3D disponível por lá. Foi aí que nasceu a vontade de desenvolver projetos próprios.

No entanto, havia um obstáculo: o preço do dispositivo era, no mínimo, R$ 15 mil, algo totalmente fora de realidade dele. Em vez invés de desistir, Lucas passou a pesquisar mais sobre o processo de fabricação de máquinas desse tipo, além de fazer uma triagem dos materiais necessários. Seis meses depois, colocou em prática tudo o que aprendeu usando os recursos que tinha em mãos, processo que levou dois meses.

“Se a fábrica pode fazer, por que eu também não posso? Percebi que era possível fazer uma impressora 3D gastando pouco. Tive a ideia de usar sucata eletrônica para fazer a primeira, que custou R$ 680 reais. Fiz um cartão de crédito e passei a frequentar ferros-velhos diariamente até encontrar uma cooperativa de materiais usados, o que facilitou muito meu trabalho”, compartilha o jovem.

 

Portas abertas para o empreendedorismo

Depois da primeira impressora, vieram testes de outros modelos. No momento, até uma impressora 3D portátil já está em desenvolvimento no quarto de Lucas. Não demorou até que professores pedissem para que o engenheiro recém-formado apresentasse o produto para inspirar os estudantes. E foi em uma dessas palestras, em uma escola pública do Rio de Janeiro, que as portas se abriram para o empreendedorismo.

“Levei dois bonequinhos produzidos pela minha máquina e apresentei um slide improvisado, que havia usado para o meu trabalho de conclusão de curso. Depois que terminei a palestra, fiquei mais duas horas respondendo às perguntas dos estudantes. Então pensei: Se eu consegui mudar a realidade daqueles jovens em 20 minutos, imagina o que eu poderia transformar com um projeto educacional de tecnologia dentro da minha comunidade?”, reflete Lucas.

Assim se estruturou a ideia de criar uma identidade para sua iniciativa, chamada de Infill (que significa preenchimento em inglês). Como sua intenção inicial nunca foi ser empreendedor, Lucas tomou conhecimento sobre os programas de aceleradoras através de amigos e se inscreveu em dois processos seletivos, mesmo sem muito conhecimento.

O resultado foi ser vencedor do prêmio principal do Shell Iniciativa Jovem, onde concorreu com 55 outros empreendimentos, além de ter conquistado a categoria Prêmio Popular, o que lhe rendeu cerca de R$ 10,5 mil. Outra conquista foi o Juventude Empreendedora, uma iniciativa do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS) e a Fundação Itaú Social, onde conheceu outros jovens como ele, que queriam transformar a realidade nas periferias.

“Meu primeiro contato com o empreendedorismo foi um desafio pra mim. Não conhecia ninguém, não sabia o que era pitch, capital semente. De repente um cara nerd, com uma impressora 3D e um vasinho de planta na mão fala o que sabe e passa uma mensagem. Isso me marcou muito”, conta Lucas. “Os cursos e aceleração foram fundamentais para meu crescimento profissional. Hoje sei da viabilidade de montar um projeto social”.

 

Imprimindo a mudança

Enquanto investe o capital acumulado com os prêmios na criação de mais modelos de impressoras 3D, Lucas dá aulas de robótica e tecnologia em um colégio particular. Para 2020, está em definição de um modelo de negócios com a ajuda e ONGs e outros parceiros. A ideia é inaugurar um laboratório e montar uma sala de aula para abrir turmas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Para cada aluno matriculado nas escolas particulares, uma vaga será aberta na comunidade. Além disso, a Infill se responsabilizará por distribuir uma cartilha conscientizando sobre a importância do trabalho dos catadores e das cooperativas, maiores fornecedores de material para a construção das impressoras 3D de baixo custo. A venda dos produtos ajudará a reverter capital social para as turmas.

“Dentro da comunidade existem jovens com uma capacidade criativa acima da média, mas sem acesso a ferramentas para colocar essa mentalidade para fora. Estou tentando trazer recursos para que esses jovens ganhem reconhecimento e construam carreiras”, afirma Lucas. “Precisamos trazer a tecnologia para favela, para ontem!”.

dezembro 13th, 2019

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Imagem que representa lista de como captar recursos para empreendimentos sociais mostra um cofre em formato de porco com fundo em amarelo.

Quem se propõe a construir um projeto de impacto social passa por diversas etapas. Da prototipação até a formalização um negócio, é preciso lidar com muitas questões e uma das mais sensíveis para os jovens é como captar recursos para viabilizar as iniciativas.

Se a primeira vista o tema pode parecer distante da realidade ou complexo para quem está começando um negócio social, o receio em lidar com questões financeiras só não pode paralisar quem deseja empreender.

Dicas simples ajudam na hora de captar recursos:

  • • Acredite no seu negócio
  • • Tenha um discurso seguro e transparente
  • • Cultive uma boa rede de relacionamento
  • • Tenha metas claras e saiba mensurar resultados
  • • Não tenha medo de ouvir não
  • • Busque facilitadores de contato como redes sociais
  • • Procure o tipo de captação ideal para o perfil do seu negócio

Marcus Nakagawa, professor da graduação e MBA da ESPM em empreendedorismo social e outras disciplinas, afirma que um pitch seguro, pragmático e transparente, poderá abrir portas junto a possíveis investidores.

“É preciso ter um tom de crença, de propósito, mas também ser muito pé no chão, principalmente com os objetivos e retornos financeiros. Você não pode ser só um apaixonado pela ideia pelo seu negócio. Apresente as metas do impacto social e saiba mensurar isso. Lembre-se que não é apenas pelo dinheiro e não tenha vergonha, porque o não você já tem saindo de casa”, aconselha o especialista.

Outro ponto importante é gerenciar muito bem a própria rede de relacionamento, o que envolve ir além do networking, mapeando amigos, conhecidos e colegas da família. Afinal, é muito mais fácil convencer um investidor-anjo, ou ingressar em um programa de uma universidade se você já tiver uma referência ou proximidade.

“Existem também os meios facilitadores como, por exemplo, o Linkedin ou o WhatsApp. Você pode arriscar mandar uma mensagem para o contato e quem sabe, receber uma resposta”, sugere.

 

Formas de captar recursos

Mas será que existe um tipo ideal de captação de recurso para cada perfil de empreendedor social? A resposta é sim: a forma como você vai obter investimento tem a ver com o tamanho do empreendimento, com o plano de negócio e com a sua visão de mundo.

“Depende do que se quer analisar e dos testes feitos, pois não adianta tirar do papel o que ainda não foi testado no mercado. Contudo, se estivermos falando de um aplicativo, envolve basicamente marketing e divulgação. Você vai atrás de investidores que tenham mais conhecimento e competências na área do seu negócio”, explica o professor.

Universidades, aceleradoras e incubadoras podem abrir portas, pois oferecem apoio de grandes conhecedores do mercado e acesso a redes de relacionamento para ajudar os empreendedores sociais menos experientes.

Com a orientação do professor Marcus Nakagawa, autor do livro 101 Dias com Ações mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Labrador) e vencedor do Prêmio Jabuti 2019 na categoria Economia Criativa, listamos, a seguir, alguns caminhos possíveis de captação de recursos para o seu negócio social:

 

1 – Programas de Incubação

Oferecem apoio gerencial e técnico, disponibilidade de profissionais experientes e espaço físico com acesso a itens como internet e telefone, para que o empreendedor desenvolva a organização do seu projeto. Podem também envolver recurso financeiro, mas, de todo modo, proporcionam economia ao empreendedor que está no início das operações.

São oferecidos tanto por empresas como por iniciativas governamentais. O Pense Grande Incubação, programa da Fundação Telefônica Vivo, abre inscrições todo início de ano, oferecendo capacitações, mentorias, encontros e trocas com empreendedores de outros Estados. A fase final de incubação inclui ainda capital semente para impulsionar o negócio, que deve aliar impacto social e tecnologia.

 

2 – Aceleradoras

A diferença em relação às incubadoras é que as aceleradoras se voltam a negócios já em funcionamento. Isso quer dizer que geralmente esta relação envolve dinheiro e o objetivo de expandir o empreendimento social, o que também inclui mentoria e rede de apoio.

Um exemplo de aceleração é o programa Vai Tec, idealizado pela Agência São Paulo de Desenvolvimento (AdeSampa) e Secretaria Municipal do Trabalho e Empreendedorismo (SMTE) e que também conta com parceria da Fundação Telefônica Vivo. Nele, 24 empreendimentos recebem R$ 33 mil além de mentorias e capacitações.

A ANIP (Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia), criada pelo DJ Bola, também oferece mentorias e apoio financeiro a negócios de impacto. Você pode acessar o site para mais informações.

 

3 – Universidades

Segundo o professor Marcus Nakagawa, antes de pensar em dinheiro, quando você está iniciando um empreendimento é muito mais importante estar em um espaço para adquirir conhecimento e ter orientação. E as universidades tornam-se um ambiente de troca e um celeiro para novos empreendimentos por meio de incubadoras e aceleradoras universitárias.

A ESPM tem a Incubadora de Negócios, que oferece consultoria na área de operações, marketing, finanças, direito e pesquisa. Eles oferecem vagas para pessoas de fora do quadro de estudantes. Para saber mais, basta manifestar interesse enviando um e-mail.

Já a Universidade de São Paulo tem o Habits, voltado a empreendimentos sociais, e alguns outros projetos, como a Supera Incubadora, que foi eleita entre as 20 melhores do mundo.

 

4 – Crowdfunding e Equity Crowdfunding

Conhecida no Brasil como vaquinha virtual, o crowdfunding pode ser um caminho mais direto de captação de recursos a empreendimentos sociais. Várias plataformas, como a Kickante, fazem a ponte entre pessoas comuns e quem deseja tirar uma ideia do papel. É comum o oferecimento de recompensas e brindes a quem se dispõe a fazer doações. As plataformas também costumam ficar com uma porcentagem do valor.

Já no caso do Equity Crowdfunding, as pessoas comuns tornam-se investidoras interessadas em fazer crescer seu capital junto com a empresa que recebe o aporte.

 

5 – Investidor-Anjo

Os investidores-anjo também costumam atuar no início das operações, podendo ser considerado um investidor inicial. Também é conhecido como smart money, pois usa-se capital próprio, ou seja, é uma pessoa física que faz uma aposta baseada em conhecimento e experiência. O termo foi difundido no boom inicial de startups, mas podem investir também em empresas com viés social.

Há vários tipos de acordo: eles podem virar sócios ou ter uma pequena participação e quase sempre atuam como mentores e ajudam a direcionar um negócio. Outra característica é que esse investidor pode ser alguém próximo e até mesmo um familiar. A Associação dos Anjos do Brasil reúne investidores de todo o país.

 

6 – Fundos de investimento

Os fundos de investimento atuam por meio da compra de pedaços do negócio e podem fazer aporte ou investimento. A característica deste tipo de captação de recurso é a expectativa de recuperar o investimento feito. O empreendedor que opta por esta modalidade acaba entrando em uma sociedade e vai buscar o crescimento da empresa.

Um dos fundos de investimento de impacto social mais conhecidos é a Vox Capital. Neste caso, quando há viés social, o lucro é um dos objetivos, mas é preciso também garantir a transformação socioambiental proposta.

“Geralmente esses fundos sociais são mais conscientes e acompanham um negócio mais de perto. Não querem o lucro a qualquer preço. Dentro do modelo tradicional, é comum as pessoas acabarem vendendo parte do negócio para garantir o lucro do investidor”, explica o professor Marcus Nakagawa.

O Pense Grande Podcast dedicou um episódio ao tema Desafios de Empreendedores na Captação de Recursos. Os participantes deram dicas de projetos que investem em negócios de impacto social, como Move SocialKVIV VenturesPositive Ventures. O Prosas conecta quem patrocina e quem executa projetos sociais. A Associação Brasileira de Captadores de Recursos promove premiação anual.

7 – Leis de incentivo

Existem políticas de incentivo ao empreendedorismo, especialmente para negócios de impacto que sejam ligados a cultura e não necessariamente busquem lucro. No Estado de São Paulo existe o PROAC, que abre edital a interessados. Além disso, fundações e projetos sociais podem captar recursos pode meio de descontos de Imposto de Renda e ICMS.

A plataforma Simbiose Social, que já ganhou o Prêmio Empreendedor Social da Folha, pode ser uma ferramenta aliada, pois tem informações e otimiza a pesquisa, avaliação e gestão do investimento social de empresas.

dezembro 9th, 2019

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Grupo de empreendedores do Pense Grande Incubação formado por 16 pessoas posa em encontro do projeto, que incentiva o empreendedorismo em rede.

Cocriação, apoio na tomada de decisão e a criação de vínculos estão entre as características do empreendedorismo em rede. Manter uma rede entre pessoas que estejam determinadas e motivadas a trabalhar por causas possibilita acessar espaços diversos, potencializa vivências e fortalece negócios sociais.

“Normalmente, negócios sociais começam sem recursos. E trabalhar sozinho, sem o básico, é muito difícil. Mas quando você trabalha em rede, você vê que é possível ajudar outras pessoas e ainda construir um negócio baseado em causas, principalmente porque você tem outras pessoas alinhadas, que vão trabalhar com o mesmo propósito”, afirma Ana Fontes, fundadora e presidente da Rede Mulher Empreendedora.

O caminho da Rede Mulher Empreendedora começou como um blog acabou crescendo e tornou-se um negócio graças à tecnologia, uma facilitadora para quem deseja aderir ao empreendedorismo em rede.

Ana Fontes conta que, por meio do Facebook, encontrou outras mulheres com as mesmas dificuldades e aprendizados em seus processos. Hoje, a rede conta com cerca 550 mil mulheres contribuindo para capacitação e consultoria de outras empreendedoras e promove mais de 300 eventos por ano, muitos deles organizados por voluntárias.

Elas ainda contam com um grupo de Facebook com 65 mil mulheres trocando informações. A fundadora ressalta que, embora seja recompensador, trabalhar em rede também tem suas dificuldades.

“É preciso ter muita determinação, entender o tempo e os momentos de cada pessoa, além de se reinventar o tempo inteiro”, diz Ana Fontes. “Empreender é muito solitário, mas quando a gente se reconhece em outras pessoas a jornada fica menos difícil”, acrescenta.

Para quem quer dar o primeiro passo e não sabe encontrar uma rede, a plataforma Meetup facilita os encontros e desenvolve uma comunidade virtual em prol de um objetivo comum. Pode ser cozinhar, praticar um idioma, aprender programação, debater causas, empreender, entre outras atividades.

 

Jornada compartilhada

A importância de criar conexões para agregar na jornada empreendedora, é um dos principais objetivos do Pense Grande Incubação. Ao longo de 2019, os 30 empreendimentos participantes da 5º edição frequentaram encontros regionais e nacionais.

Dividindo o mesmo espaço, os empreendedores puderam criar vínculos e se fortalecer relações que começam a ser construídas desde a fase de pré-incubação e vão sendo estabelecidas nas demais fases, por meio de atividades como a Imersão Pense Grande e reuniões presenciais pelo país.

No mês de novembro, os participantes se reencontraram para a segunda fase dos encontros para a troca de experiências e o acompanhamento de seus projetos, em São Paulo, Salvador e no Rio de Janeiro.

“Os encontros são uma estratégia de apoio do Pense Grande. Durante todo o processo de orientação, a gente trabalha a questão do empreendedorismo em rede para potencializar um negócio. Por isso, a gente acha importante fazer com que os selecionados se encontrem pessoalmente, e não só virtualmente. Assim, as trocas são mais potentes”, relata Marina Egg, coordenadora na Aliança Empreendedora.

Com a jornada no Pense Grande Incubação se encaminhando para o fim, o principal objetivo é fazer com que os jovens entendam que, mesmo sem o intermédio do programa, eles podem seguir em rede, aprendendo uns com os outros. Também são debatidas questões técnicas e comportamentais, como marketing digital, vendas, trabalho em equipe, distribuição de lideranças e planejamento financeiro.

“Se conectar com outras pessoas é importantíssimo. A gente se sente perdido no começo e os encontros regionais nos ajudam e trazem esse gás pra continuar. Lá nós vemos que outras pessoas estão enfrentando os mesmos desafios, inseguranças e talvez tenham sugestões e respostas melhores do que as que temos quando estamos sozinhos”, ressalta Larissa Dornelles, 27 anos, fundadora da Brado Instrutoria e participante da Incubação.

dezembro 5th, 2019

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Dedicar esforço e tempo para fazer do seu negócio um gerador de impacto social é o caminho para uma jornada de transformação. Mas com toda essa dedicação também vem o cansaço, o esgotamento mental e a cobrança. A responsabilidade do empreendedor, que se vê como o principal agente desse processo, faz com que sobre pouco tempo para repensar como está sendo feita essa construção. Por isso é tão importante falar sobre saúde mental no empreendedorismo.

Segundo dados lançados em outubro pela plataforma de psicologia Vittude, aproximadamente 86% da população brasileira sofre de transtornos como depressão (59%), ansiedade (63%) e estresse (37%). Cerca de 492.790 pessoas responderam a pesquisa entre outubro de 2016 e abril de 2019. A maior parte delas atribuiu os problemas ao ambiente ou ao ritmo de trabalho. Há uma solução para essa aparente crise da saúde mental no Brasil?

Em meio a tantas responsabilidades, prazos e contas para pagar, dar espaço ao autocuidado é essencial para levar uma vida mais saudável. Esse conceito envolve tudo aquilo que faz você encontrar um tempo para se cuidar, relaxar e dedicar esforços para estar em contato com suas próprias necessidades. E para quem não quer descuidar do trabalho, esse tempo tem a ver com produtividade também! Ao garantir sua saúde física e mental, o resultado alcançado em suas atividades profissionais é mais efetivo.

Confira nossa lista com alguns passos que podem lhe ajudar a encontrar a forma de autocuidado que melhor se adequa à sua rotina! Afinal, para cuidar dos outros precisamos estar em dia com a nossa própria saúde, certo?

Autoconhecimento

Antes de falarmos em autocuidado, primeiro precisamos discutir o autoconhecimento. As formas de cuidar de si mesmo variam de pessoa para pessoa e vão depender de vários fatores determinantes como: tempo, rotina, contexto social, condições financeiras e gostos pessoais. A regra geral é buscar entender e respeitar o seu ritmo de vida para só então encontrar aquilo que faça o tempo dedicado a você valer a pena.

Acompanhamento Psicológico

Em meio à correria do dia a dia é difícil analisar nossos próprios hábitos, por isso o autoconhecimento é o primeiro passo para garantir a saúde mental no empreendedorismo. Ter um acompanhamento psicológico pode ser um caminho. Na terapia é possível trabalhar maneiras de aliviar o estresse, acalmar a ansiedade e aprender a estabelecer limites.

Alguns coletivos e grupos fazem esse acompanhamento a preços mais baixos em relação ao mercado, mantendo a qualidade do tratamento como prioridade. O Terapretas fica no Rio de Janeiro e atende mulheres negras; o Amma Psique e Negritude trata de questões como racismo e discriminação; já o  Divam fica em São Paulo e traz a perspectiva feminista para as mulheres atendidas. Além disso, universidades como USP, São Judas e Cruzeiro do Sul oferecem terapia gratuita.

Investir no sono

Fala-se muito em investimento no universo do empreendedorismo. Por outro lado, o debate sobre como dormir bem pode aumentar a produtividade ainda não atingiu o mesmo patamar. Investir no sono e garantir pelo menos oito horas de descanso por dia é contribui também para potencializar sua memória, criatividade e disposição para o dia seguinte. Isso sem contar que recarregar as energias ajudará a diminuir o estresse do corpo e da mente.

Praticar exercícios regulares

Você provavelmente já deve ter ouvido a recomendação de praticar exercícios para ter uma vida saudável. Mas, além de criar hábitos saudáveis, cuidar da parte física também ajuda a combater o estresse e a ansiedade, pois aumenta a produção de hormônios, liberando a famosa endorfina, responsável pela sensação de bem-estar.

Se você não gosta de academia ou de corrida, tudo bem! Existem outras possibilidades: dança, esportes e yoga, por exemplo.  Volte ao item um e reflita sobre qual deles se adequa melhor à sua rotina. O importante é se sentir bem com você mesmo!

Trocar experiências e vivências

Até o momento falamos sobre muitas dicas individuais para os empreendedores se conectarem às suas necessidades. Contudo, é preciso levar em conta que somos seres coletivos e por isso precisamos da troca de experiências e vivências para nos sentirmos completos.

Participar de rodas de conversa com outros empreendedores pode ser um caminho interessante para trabalhar frustrações, lidar melhor com os fracassos e encontrar soluções colaborativas. Mesmo um encontro casual com amigos e colegas ajuda a organizar suas perspectivas, traz novos olhares e descontração.

novembro 6th, 2019

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Jovens participantes do encontro Empreendedor do Pense Grande posam para foto em grupo em cima de um palco

Outubro foi marcante para jovens estudantes das Etecs que participam da 7ª edição do Programa Pense Grande. Ao longo do mês, eles tiveram a chance de trocar ideias sobre projetos desenvolvidos e se conectar com empreendedores sociais para entender melhor sobre suas jornadas empreendedoras.

Como já é tradição, o chamado Encontro Empreendedor é um momento para que os jovens que integram o Pense Grande – iniciativa da Fundação Telefônica Vivo que tem a missão de fomentar a cultura do empreendedorismo de impacto social – estabeleçam uma rede para potencializar seus trabalhos.

Neste ano, foram cinco instituições que abrigaram o “encontrão”, como o evento é conhecido entre os participantes. No início do mês, a Etec Carapicuíba recebeu jovens das Etecs Paulistano, Jaraguá e Martin Luther King.

Os participantes divulgaram seus projetos aos colegas, estreitaram conexões e formaram uma roda de conversa com o publicitário Ale Costa, que trabalhou em produtoras renomadas como a O2 Filmes. Atualmente, ele encabeça um projeto relacionado a futebol de várzea nas comunidades paulistanas. “Fiquei feliz de ver que estes jovens se mostraram muito capazes de evoluir e mudar nosso Brasil”, declarou.

A estudante Hevelyn Oliveira da Silva, de 19 anos, está cursando Multimídia e ficou muito feliz de ter a chance de conversar com alguém da área de audiovisual. “O Ale contou como é o dia a dia dele na produção de filmes e quais são os principais desafios nessa área. Ele também deu dicas sobre o que precisamos fazer para crescer nesse segmento. Eu adorei!”.

A Etec Embu das Artes recebeu a convidada empreendedora Estela Damato, fundadora do Lab Social, organização que tem como foco promover instrumentos de governança entre múltiplos atores da sociedade para a resolução de problemas sociais.

“Foi muito bom ouvir a história de superação dela, sem contar que ela me deu várias ideias para o projeto que estou desenvolvendo. Descobri, por exemplo, que não preciso ter um lugar fixo para o meu empreendimento”, contou Pedro Felipe Neres de Oliveira, de 15 anos, aluno da Etec de Cotia.

Um cenário familiar

A Etec Zona Leste recebeu um convidado especial, o empreendedor Marcio Oliveira, fundador da Pokan Investimentos, projeto de educação financeira para periferia que começou a desenhar quando integrou a 4ª edição do Pense Grande.

“Compartilhar um pouco da minha experiência e contribuir para a futura geração foi incrível e enriquecedor. Os alunos ficaram interessados em saber que a minha empresa partiu de um TCC e se aprimorou com as ferramentas do Pense Grande”, ressalta Marcelo.

O Encontro Empreendedor também aconteceu em cidades do interior do Estado de São Paulo. Em Piracicaba, a Etec Deputado Ary de Camargo Pedroso recebeu os estudantes da Etec Coronel Fernando Febeliano da Costa. A empreendedora convidada foi Camila Siriani, proprietária do Sallutem Centro de Treinamento Personalizado.

Em Ribeirão Preto, o intercâmbio aconteceu na Etec José Martiniano da Silva, que recebeu alunos da Etec Fernando Prestes, de Sorocaba, além dos convidados Tatiana Brechani, consultora facilitadora da Révoa Desenvolvimento; e Renato Rodrigues, fundador da empresa de mobilidade urbana Outbike.

Para Matheus Santos, 16 anos, aluno do Ensino Técnico Integrado ao Médio (ETIM) da Etec Embu das Artes, o principal atrativo do Encontro Empreendedor são as conexões com outros jovens: “Estudantes de duas escolas diferentes que estão fazendo o mesmo curso podem trocar ideias sobre os projetos. Foi possível criar uma afinidade e perceber como o Pense Grande nos prepara para desenvolver boas ideias para ajudar a sociedade”.

“Eu gostei muito de ter participado do Pense Grande pela quantidade de experiências novas que ele nos proporcionou. Com esses conhecimentos, pude agregar maior valor para a apresentação do meu grupo na mostra científica da escola”, Maria Eduarda Caetano, de 16 anos, aluna de administração da Etec Coronel Fernando Febeliano Costa.

O Programa

A 7ª edição do Pense Grande começou no segundo semestre de 2019, atuando com atendimento direto aos jovens de 13 instituições do Centro Paula Souza. As oficinas geralmente acontecem no contraturno, mas nas Etecs Carapicuíba e Zona Leste, o programa é parte da grade curricular das disciplinas Empreendimento para Multimídia e Administração e RH, respectivamente.

Com metodologia exclusiva, o programa traz atividades mão na massa que ajudam o jovem a pensar fora da caixa e desenvolver habilidades empreendedoras e socioemocionais. Os participantes aprendem a desenvolver projetos que tenham impacto social, viabilidade financeira, tecnologia e muita inovação.

Os estudantes também são estimulados a exercitar suas habilidades para falar em público e concisão para defender seus projetos durante um pitch. Os projetos de destaque serão selecionados para se apresentar, em novembro, no Demoday, evento que encerra o ciclo do programa e premia os melhores empreendimentos desenvolvidos pelos jovens.

De cara nova

A partir do próximo ano, o Pense Grande não fará mais atendimento direto nas Etecs. Em vez disso, trabalhará com a formação de professores do Centro Paula Souza, os quais serão responsáveis pela multiplicação da metodologia de empreendedorismo social dentro do espaço escolar.

A mudança visa ampliar ainda mais o alcance e o potencial transformador dos jovens estudantes, além de estreitar conexão entre educadores e alunos e engajar a todos na cultura do empreendedorismo social.

outubro 28th, 2019

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