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Brené Brown tem cabelos curto e loiro e está sorrindo para foto. A pesquisadora e palestrante fala sobre como a vulnerabilidade alimenta a coragem, combustível para empreendedores

Pesquisadora e professora da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, onde estuda temas como vulnerabilidade, coragem vergonha e empatia há 20 anos. Escritora de quase uma dezena de livros e uma das mais prestigiadas palestrantes do mundo, com um TED Talk que soma mais de 43 milhões de visualizações. Assim podemos descrever Brené Brown. Ou podemos apenas dizer que ela adora contar histórias.

É exatamente sobre essa definição que ela começa o TEDxHouston O Poder da Vulnerabilidade, lançado em junho de 2010, e que a levou à fama mundial. Segundo Brené, sua coragem foi testada alguns anos antes quando uma organizadora de eventos sugeriu anunciá-la como contadora de histórias na divulgação de uma palestra, por considerar que o termo pesquisadora poderia soar chato, irrelevante e acabaria espantando o público. A princípio, Brené achou um verdadeiro absurdo.

“Pensei por alguns segundos, tentei procurar lá no fundo da minha coragem. Sou uma pesquisadora de dados qualitativos, coleciono histórias. E talvez histórias sejam apenas dados com alma. Então, eu disse: ‘Por que você não diz simplesmente que eu sou uma pesquisadora-contadora de histórias?’. Ela gargalhou: ‘Isso não existe! . Mas é o que sou: uma pesquisadora-contadora de histórias”.

E é assim, com relatos recheados de bom humor e vivacidade, que Brené Brown conduz suas palestras, compartilha dados sobre seus estudos e cativa o público, atento em todos os momentos. É como se ela estivesse tendo uma conversa íntima com cada um.

A vulnerabilidade é o tema central, mas não é o único abordado. Em 2012, ela lançou outro TED de sucesso: Brené Brown: Escutando a vergonha, no qual discorre sobre o que pode acontecer quando as pessoas confrontam o que as envergonha. Recentemente, a Netflix lançou Brené Brown: The Call to Courage (O Chamado para Coragem, em tradução livre), no qual ela elabora melhor como o sentimento de vulnerabilidade está intimamente ligado à coragem.

Abaixo, reunimos conselhos, histórias e lições de Brené Brown que podem servir de inspiração para levar adiante seu empreendimento social e provocar verdadeiras transformações na sociedade. Afinal, é preciso muita coragem para seguir seu coração e confiar em si, empatia para entender e se conectar com seu público-alvo, além de disposição para arriscar e inovar. Confira!

Vergonha e desconexão

Segundo Brené Brown, “conexão é a habilidade de nos sentirmos conectados, é neurobiologicamente como somos feitos, é o porquê de estarmos aqui”. Vinda do campo da assistência social, ela conta que entendeu o que causava desconexão entre as pessoas, após seis meses de análises e estudos.

“O que se revelou foi a vergonha, que pode ser entendida como o medo da desconexão. É universal, todos nós a sentimos. O que mantém essa vergonha é o sentimento de ‘não sou boa o suficiente’. A base disso é uma vulnerabilidade dilacerante, a ideia de termos de nos permitir ser vistos, realmente vistos, para que a conexão aconteça”.

“A única coisa que nos mantêm desconectados é o nosso medo de que não sejamos merecedores de conexão”, reflete.

Senso de coragem

Para entender como a vulnerabilidade funciona, a especialista decidiu focar nas pessoas que se sentiam merecedoras de conexão, as quais ela nomeou como coração-pleno.

“Elas tinham em comum um senso de coragem. Tinham, simplesmente, a coragem de serem imperfeitas. Elas tinham a compaixão de serem gentis primeiro consigo mesmas, e então, com os outros. Não podemos praticar a compaixão se não conseguirmos nos tratar com gentileza. E elas tinham conexão. E esta é a parte difícil, como resultado de autenticidade. Estavam dispostas a abandonar quem pensavam que deveriam ser para ser quem realmente são”.

Abrace a vulnerabilidade

Outro ponto comum que ela descobriu sobre esse grupo de pessoas era a forma como lidavam com a vulnerabilidade. “Eles a abraçavam completamente. O que as tornava vulneráveis, as tornava lindas. Não falavam sobre a vulnerabilidade ser confortável, nem sobre isso ser doloroso, como eu tinha ouvido nas entrevistas sobre vergonha. Achavam fundamental a disponibilidade de fazer algo quando não havia garantias”.

Você é o suficiente

Brené também explica que aprendeu sobre como somos levados a anestesiar a vulnerabilidade, mas não podemos fazer isso seletivamente. Isso explica porque, segundo ela, estamos diante da geração que mais bebe, se medica e usa drogas na história.

“Você não pode pegar vulnerabilidade, medo, vergonha, desapontamento e não sentir apenas isso. Não pode pegar sentimentos pesados e anestesiá-los sem deixar de sentir o restante. Então, também anestesiamos a alegria, a gratidão, a felicidade. E nos sentimos infelizes. Aí procuramos por propósito e sentido, nos sentimos vulneráveis, e voltamos a nos anestesiar . Isso se torna um ciclo perigoso ”, enumera a especialista.

“O que considero mais importante é acreditarmos que somos suficientes. Porque quando começamos pensando que somos suficientes, paramos de gritar e começamos a escutar. Somos mais bondosos e gentis com as pessoas ao nosso redor, e mais bondosos e gentis conosco”.

Tenha conversas difíceis

A vulnerabilidade é mãe de alguns filhos: confiança, da inovação, da criatividade, inclusão e equidade, dar e receber feedbacks, resolução de problemas e tomadas de decisões éticas. Não adianta querer um ambiente inovador e criativo sem espaço para vulnerabilidade, imperfeição e possíveis erros.

“Falamos das pessoas em vez de falar com as pessoas. Isso é uma coisa muito tóxica. É a cultura do controle. Entendo que é difícil ser vulnerável no trabalho, mas passamos mais da metade das nossas vidas trabalhando. Em 20 anos, jamais encontrei alguém que fosse feliz na vida e extremamente triste no trabalho. Isso pode corroer você vivo. Temos a responsabilidade de nos expor e admitir nossas emoções no trabalho, nos envolver em questões difíceis”, resume.

Saiba quais críticas levar em consideração

No especial A Call to Courage, Brené Brown conta como teve uma verdadeira “ressaca de vulnerabilidade” após o TEDxHouston. Com milhões de visualizações, ela sentia que havia se exposto demais e não conseguiu lidar com o constrangimento ao ler críticas destrutivas. Tentou fugir da realidade com uma maratona da série Downtown Abbey e manteiga de amendoim até que se deparou com um discurso de Franklin Roosevelt, O Homem na Arena, considerado por ela um divisor de águas.

“O discurso era assim: ‘não é o crítico que conta. Nem aquele que aponta quando o outro tropeça, nem aquele que diz que o outro devia ter agido diferente. O mérito é do homem que está na arena, aquele com o rosto sujo de poeira, suor e sangue. Que se empenha, que erra, que fracassa um, duas, várias vezes. Aquele que no final, embora conheça o triunfo de uma vitória, pode até fracassar, mas se arriscando a ser imperfeito’”, resume Brené.

Em seguida, ela lista as três lições tiradas sobre o episódio.

“Quero viver na arena e escolho isso todos os dias. Vulnerabilidade não é sinal de fraqueza, mas a melhor forma de medir sua coragem. A última coisa que aprendi naquele momento foi que se você não está na arena, fracassando vez ou outra por ser corajoso, não quero saber o que pensa sobre o meu trabalho e ponto final. Você não pode levar em consideração críticas de pessoas que não estejam sendo corajosas com suas vidas”.

setembro 23rd, 2019

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Após anunciar uma nova estrutura para a 5º edição do programa de Incubação e selecionar 30 projetos para participar desta jornada, o próximo passo foi reunir os empreendedores, vindos de todas as regiões do Brasil, para o primeiro encontro da Imersão Pense Grande, que ocorreu no interior de São Paulo. Ao longo de cinco dias em agosto, os jovens trocaram conhecimentos e vivências em um processo intenso de autoconhecimento.

“São muitas histórias potentes e fortes, que mexem muito com a gente! Esse é o ponto alto da imersão: Encontrar outros empreendedores que partiram do mesmo lugar, ou de lugares ainda mais adversos que o seu, e transformaram as dores e dificuldades em impacto social”, conta Amanda Aguiar, de 26 anos, que está à frente do empreendimento Grana Preta. “Podemos ouvir outras pessoas falando pela gente, as mesmas coisas que a gente enfrenta”, reflete.

A semana da Imersão Pense Grande inclui dinâmicas, atividades e palestras não apenas sobre empreendedorismo, mas também trabalho em equipe e, sobretudo, desenvolvimento pessoal. Nesse processo, muitos aspectos das trajetórias dos jovens empreendedores foram detalhados e isso cria identificação entre os participantes.

“Pude me abrir mais, me senti acolhido. Muitas das circunstâncias ruins que os outros jovens vivenciaram batiam com o que eu tinha passado. E, de repente, eu tenho com quem conversar sobre isso!”, acrescenta Lucas Felippe, fundador do Cooltivando “Curitiba, por exemplo, é uma capital que tem poucos negros, então o meu círculo social é predominantemente branco. Ali, pude falar sobre as coisas que me frustravam por estar em um ambiente não representativo”.

Jovens dos 30 empreendimentos escolhidos para a Imersão do Pense Grande estão em pé formando um círculo sob luminárias em formato de estrelas.

Acolhimento de referências empreendedoras

Com apoio da equipe da Aliança Empreendedora, parceira executora da Fundação Telefônica Vivo, foram desenvolvidas atividades para os empreendedores trabalharem juntos, e desenvolverem, a partir de situações diversas, condições para agir. Nesta atividade mão na massa”. registrada em vídeo, os jovens tiveram que colocar uma invenção para funcionar utilizando todo tipo de material. Confira:

Além do acolhimento proporcionado pelas atividades de troca, os participantes contaram com a presença de outros empreendedores sociais da periferia, que trouxeram reflexões sobre os desafios enfrentados e referências para os negócios sociais incubados pelo Pense Grande.

A convidada Ana Carolina Martins, do Visionários da Quebrada foi uma delas e falou, durante a atividade Aquário, sobre o “eu” empreendedor, rotinas e autocuidado. Ela deu um depoimento potente que dialogou com a realidade diária da maioria dos empreendedores que estão participando da Imersão Pense Grande.

 

Cinco jovens que participam da Imersão do Pense Grande estão posando lado a lado da empreendedora Ana Carolina Martins, que usa blusa amarela embaixo de camisa azul claro e foi a empreendedora referência da atividade do Aquário.

Um dos maiores desafios que eu enfrentei no meu negócio partiu de uma perspectiva pessoal: quem sou eu como empreendedora” relatou Ana Carolina Martins, que na foto veste camisa clara e jaqueta amarela. No vídeo abaixo, você confere um trecho da conversa que ela teve com os jovens empreendedores.

Atividades que impactaram realidades

Para Larissa Dornelles, fundadora da Brado Instrutoria, um negócio social voltado para educação financeira acessível, a atividade mais marcante da imersão foi o momento em que os empreendedores foram convidados a apresentar o modelo de negócios de seus projetos e receber feedbacks, em tempo real, dos colegas.

“Às vezes tem coisas que estão tão integradas com o que a gente faz, que esquecemos de comunicar isso para as pessoas. Por isso, é importante receber feedback, principalmente porque são pessoas que partem de um histórico muito diverso, de áreas diferentes”, relata a empreendedora, que tem 27 anos e também é professora. Ela deixou um depoimento sobre a experiência:

Já Lucas Felippe saiu impactado pela atividade do propósito-almofada: “Teve um exercício sobre propósito, em que ele era representado por uma almofada, e você tinha que chegar até ela. No caminho, você tinha que convencer os outros participantes a darem passagem e ir atrás da sua realização. Foi desafiador, porque foi preciso convencer cada um de uma maneira diferente, sem desistir! Se eu pudesse ficaria um mês em imersão!”.

Tiago Bicalho, do projeto Centro Criativo e também participante da Incubação Pense Grande fez o relato abaixo em vídeo sobre a mesma atividade:

Motivação e desconstrução

Amanda Aguiar conta, ainda, que ao conversar com os outros jovens durante a Imersão Pense Grande percebeu que algumas dinâmicas desconstruíram realidades. Trouxeram à tona questões importantes sobre identidade e impactaram profundamente a perspectiva pessoal dos empreendedores. Os termos técnicos sobre empreendedorismo foram deixados um pouco de lado e a humanização dos processos foi o tópico principal das atividades.

“Saí de lá transformada! Sempre saio das imersões com outro gás, pensando que eu tenho que focar cem por cento no Grana Preta! Saio acreditando muito mais no meu negócio e na minha capacidade de levá-lo adiante, de ser sustentável financeiramente, de viver do empreendimento”, relata.

A partir de agora, os empreendedores já começam a orçar todos os recursos de que precisam para fazer com que o negócio funcione. Eles contarão com um investimento que permitirá tirar os planos do papel. O mais interessante, para Amanda, é que os encontros abriram portas para futuras parcerias entre os empreendimentos. “Já estou considerando os serviços de outros empreendedores que conheci nessa rede. A possibilidade de estar fortalecendo outros negócios de impacto social é incrível!”, acrescenta.

“Agradecemos a Amanda Aguiar, Lucas Felippe, Larissa Dornello e Thiago Bicalho, participantes da Imersão Pense Grande, por compartilharem imagens, vídeos e um pouquinho do seu olhar para esta pauta”!

setembro 6th, 2019

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