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3 de maio de 2018

Desenvolvido por três jovens do Ensino Médio que participaram do Pense Grande, o app Find Lost pretende divulgar informações para ajudar a solucionar casos junto as autoridades

Maiala Safira, Vittoria Zachi e Vitória Mazoni, alunas de 17 anos da ETEC André Boasin, em Osasco, na Grande São Paulo, criaram um projeto que busca divulgar informações úteis para solucionar casos de desaparecimento em parceria com autoridades.

A ideia do app Find Lost surgiu quando as estudantes do curso Técnico em Administração, integrado ao Ensino Médio, participaram do Programa Pense Grande. Orientadas pelo professor Miguel del Barco, as adolescente levaram o projeto para o  Demoday (termo em inglês que significa “dia de demonstração”), em dezembro de 2017, e surpreenderam a todos com a iniciativa, conquistando o primeiro lugar entre as apresentações.

O aplicativo funciona da seguinte forma: cruza dados disponíveis na internet com aqueles registrados em instituições públicas, como hospitais e delegacias. Para isso, a ferramenta fornece uma ficha para ser preenchida com informações pessoais, características físicas, dia do desaparecimento e última localização.

Essas informações, que passariam por checagem, facilitariam o processo de busca por desaparecidos, hoje sob a responsabilidade do Ministério da Justiça. Além disso, o Find Lost mapearia os possíveis destinos da pessoa em uma situação hipotética, baseando-se na localização onde foi vista pela última vez.

 

Brasil registrou oito desaparecimentos por hora nos últimos dez anos, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

 

“Foi uma surpresa ganhar o Demoday. No início não imaginávamos que éramos capazes, a todo o momento ouvíamos pitchs incríveis durante as oficinas”, conta Maiala Safira sobre a experiência compartilhada com os outros 16 grupos de jovens que participaram das apresentações.

“Posso dizer que hoje sou uma pessoa totalmente diferente de quando entrei no Pense Grande”, acrescenta Vittória Zachi, que superou o nervosismo em prol do projeto e das ideias nas quais acredita. “Aprendi que todos nós temos potencial para transformar o mundo”.

 

Vittoria Zachi e Vitória Mazoni durante apresentação do projeto na Fundação Telefônica Vivo.

 

Do particular ao universal

A ideia de trabalhar com a questão da busca por pessoas desaparecidas nasceu a partir de vivências experimentadas pelas meninas. Em 2017, a irmã de Maiala desapareceu por dois dias, quando foi à farmácia. Em outra ocasião, um colega da turma também demorou a aparecer em casa após sair da escola, mobilizando todos os alunos.

“Essa foi a segunda vez que sentimos a angústia e o desespero de não saber onde uma pessoa estava”, diz Vitória Mazoni. “As pessoas não sabem o que fazer como ajudar”, acrescentou Maiala. Partindo dessa observação, as três decidiram transformar o projeto em conscientização.

As jovens estão em busca de parcerias com órgãos e instituições municipais para começar a divulgar o app, e contam que este é um dos maiores desafios para dar continuidade ao projeto. Recentemente, elas estiveram na Câmara de Osasco e foram reconhecidas pelo projeto desenvolvido na região.

Enquanto as parcerias não se concretizam, as jovens já estão ativas nas redes sociais e por e-mail, divulgando dicas e informações sobre a legislação a respeito do tema. “A ideia é funcional, mas não adianta divulgarmos enquanto a população não se conscientizar sobre o tamanho do problema. Então, nossa primeira estratégia é orientar as pessoas para que elas saibam como agir”, afirmam.

Você já ouviu falar no Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas? A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados no final de 2017, e em tramitação no Senado, assume o compromisso de tornar mais eficiente o processo de busca pelas pessoas desaparecidas em todos os Estados do país.  A previsão é que, assim como o aplicativo Find Lost, haja um cruzamento de informações, a nível nacional, compartilhada com a descrição física, fotos e um espaço com dados genéticos para os investigadores do caso.



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