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22 de março de 2018

Antes de começar a empreender é necessário conhecer sobre o mercado, concorrentes, investimento entre muitos outros pontos importantes. Mas também é interessante ler histórias de alguns empreendedores. Você pode se surpreender com o caminho percorrido por outras pessoas que, como você, querem ter seu próprio negócio.

Uma das histórias é do paulistano Kauê Russo, que aos 16 anos abriu seu primeiro negócio, que quebrou e um ano por falta de planejamento financeiro. Aos 18, montou uma nova empresa, fechada pouco depois por falta de estratégia. Hoje, aos 25, é dono de uma agência de marketing, uma startup de imóveis de leilão e está prestes a abrir um mercado especializado em vender produtos próximos ao vencimento a preços vantajosos.

Aos 25 anos, o empreendedor Kauê Russo comanda três negócios

Kauê faz parte de um grupo de jovens que cada vez mais cedo vislumbra comandar o próprio negócio. Isso se reflete na sala de aula da professora Letícia Menegon, coordenadora do centro de empreendedorismo da ESPM-SP. “Na semana, perguntei quem pretendia empreender, 40% dos meus alunos levantaram a mão. Isso é reflexo de uma geração que busca flexibilidade e não gosta da organização hierárquica do trabalho”, diz.

 

Um país de empreendedores

Pesquisa realizada pela startup norte-americana Expert Market, em 2017, mostra que o Brasil ficou em 5º no ranking com mais pessoas dispostas a empreender, em um ranking com 15 países.

E com mais gente empreendendo, as perspectivas também melhoram. O Perfil do Jovem Empreendedor Brasileiro, realizado em 2016 pela Confederação dos Jovens Empreendedores (Conaje), apontou que os jovens estão empreendendo mais e cada vez mais cedo. E suas empresas estão mais duradouras e estáveis: 49% de quem respondeu declaram ter um negócio há pelo menos cinco anos. Foram ouvidas cinco mil pessoas de 18 a 39 anos de todo o Brasil.

Para quem tem o sonho de ter o próprio empreendimento, saiba que não é preciso esperar pelo momento ideal. É preciso começar, prestando atenção em algumas dicas:

 

1. Não espere pela grande ideia

Vale mais um empreendedor na mão do que uma ideia de um milhão de dólares voando.

Um bom ponto de partida é pensar no que ninguém está fazendo ainda, mesmo que o negócio não seja novo. “Se você muda a forma de abordar o cliente, inova nos processos ou cria novas experiências, vai longe”, diz a especialista da ESPM.

 

2. Encontre sua real motivação

Sua vontade é ganhar dinheiro ou trabalhar menos? Não se iluda: na prática, o empreendedor tende a trabalhar mais do que um funcionário comum e pode levar algum tempo para ter retorno.

“Só para pagar pelo o que investiu são pelo menos seis meses. Para começar a ter lucro, de um ano e meio a três”, explica Augusto Aielo, vice-institucional do Fórum de Jovens Empreendedores (FJE) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O segredo é encontrar aquilo pelo que você tem paixão, e fazer disso sua motivação.

 

3. Dinheiro para que?

Seis de cada dez jovens empreendedores não buscaram nenhum investimento inicial para abrir suas empresas, diz a pesquisa do Conaje. De acordo com o levantamento, isso se deve ao fato de a maioria dos novos negócios ser do setor de serviços, que, em geral, demanda um capital inicial menor. “Montei minha agência com R$ 700, uma blusa que troquei por um computador e uma guitarra que troquei por mesas”, relembra Kauê Russo.

A pesquisa Perfil do Jovem Empreendedor Brasileiro mostra 40% dos jovens buscam capitalização para abrir seu negócio. A alternativa de financiamento bancário ficou em primeiro lugar (54%), seguida pelo apoio de família e/ou amigos (39%), investimento-anjo (5%) e fundos de capital de risco (2%). Na hora de escolher, é importante ter um plano de negócios detalhado, além de conhecer os juros e condições de pagamento de cada modalidade.

 

4. Arregace as mangas

Como é o mercado? Quem é o público-alvo, do que ele precisa e como se comporta? Para encontrar essas e outras respostas, é preciso muito estudo e planejamento. Conversar com quem trabalha no ramo e com outros jovens empreendedores é fundamental. Inclusive com quem já quebrou, para aprender com os erros dos outros.

 

5. Busque mentores

Eles são um ponto de apoio importante. Vale, inclusive, alguém da sua família. “Essa pessoa vai olhar de fora e apontar caminhos que não conseguimos enxergar quando estamos muito apaixonados pelo negócio”, indica Russo. Endeavor, Cubo, Google e incubadoras de startups costumam ter boas oportunidades de mentoria.

 

6. Persista

É preciso ter preparo psicológico para seguir o caminho do próprio negócio. Você vai ouvir muitos ‘nãos’, encontrar portas fechadas, ter que lidar com a burocracia brasileira e impostos de desanimar. “A grande característica do empreendedor é a resiliência. A gente vive de mudar, errar, quebrar e aprender”, explica Augusto Aielo.



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